Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira

7 Capítulo 7 – O poder congelante do Aquário!


Notas iniciais
- Alguns nomes estão com links para desenhos dos próprios personagens; - Sadalmalek é a estrela alfa da constelação de aquário; - Albert vem de Albert Camus, que serviu de inspiração para o nome de Camus de Aquário; - Salat é o nome dado para a oração feita com o rosto virado para o pôr/nascer do sol; - Ramadan é uma época do ano árabe onde aqueles que já chegaram a puberdade devem se abster de certas coisas como comer, beber, fumar e ter relações sexuais entre o nascer e o pôr do sol. Os mulçumanos seguem cinco obrigações nesse período, uma delas é o Salat; Habibi é uma forma carinhosa de se referir a alguém entre os árabes, como um amigo próximo ou até mesmo um pai, mãe, esposo, esposa; - O golpe "Descanso de Allah" usado por Sadal nada mais é que o golpe "Esquife de Gelo" usado pelos cavaleiros de Aquário, porém, renomeado por ele.

– Olhem bem para o chão da casa de libra. — Os três olham para o chão e vêm que estava diferente.

– Gelo?! — diz Kraisto – Mas isso só pode ser obra de uma pessoa.

– Sim... — responde Maya — SADAL DE AQUÁRIO!

Um ar congelante rondava o cavaleiro de ouro cuja armadura brilhava intensamente. O cavaleiro era careca e possuía uma marca vermelha na testa.

– Mestre Sadal! — dizia Kraisto se ajoelhando diante dele.

Sadal não diz nada, apenas se aproxima e aponta para a saída.

– Mestre... — Kraisto sorri e então se vira em direção à saída – Vamos!

– Hm? — O safira se vira para os cavaleiros de prata que tentavam sair. — O que pensam que estão fazendo?! Voltem aqui!!! Melo-

– Círculo de gelo.– diz Sadal de forma calma e contida quase não dando para se ouvir.

Kraisto e os outros agradecem e continuam a correr indo rumo a casa de Escorpião.

– De-Desgraçado! Me solte!!!! — dizia o Safira sem conseguir se mover.

– Não se preocupe. — diz Sadal ainda sem alterar a voz, era realmente calma, fazendo inclusive o inimigo sentir uma grande paz – Daqui a pouco será capaz de se mover. Meu poder, o Círculo de Gelo é apenas uma técnica fraca. Apenas quero assegurar que esses cavaleiros de prata cheguem à próxima casa.

Os cavaleiros de prata saem da casa de aquário e conversam entre si.

– Vocês acham que ficará tudo bem ali? — perguntar Altair preocupado.

– Não se preocupe. — responde Kraisto – Mestre Sadal é um cavaleiro de ouro, ele vencerá esse Safira facilmente.

– Oh, eu sei disso. — diz Altair – Minha preocupação é com a casa de Libra. Mestre Dohko mal partiu do Santuário, não gostaria de ver sua casa destruída.

– É... — diz Kraisto – Tenho pena desse cara.

– Vocês dois aí! — interrompe Maya – Precisam parar de conversar e se apressar, com os ouvidos prejudicados, Ian já está lá na frente.

Kraisto e Altair se assustam ao notarem que Maya estava falando a verdade. Suas velocidades estavam tão reduzidas com aquela conversa toda que mal conseguiam ver Ian, que já se aproximava da casa seguinte. Eles aceleram mais para tentar alcançar.

– Mestre Sadal... — diz Kraisto em voz baixa.

– Quando eu puder me mover farei com que pague por isso, cavaleiro de Aquário! — reclamava Afer – Sentirá o poder de minha melodia!

– Sabe de uma coisa? Você lembra meu mentor. — comenta Sadal – ele também era um tanto que impaciente, como você. Talvez por isso nunca tenha conseguido se tornar o cavaleiro de aquário no lugar de nosso mestre, Dégel.

Paris, final do século XVIII...

Um garoto dava socos contra um rapaz mais velho que ele, parecendo entre 18 e 19 anos. Ele usava uma armadura verde com detalhes brancos. A armadura protegia o peitoral, braços, joelhos e pernas. Havia um cinto protegendo a região da cintura e uma tiara com duas espécies de chifres na lateral dela. Ele tinha cabelos longos e cacheados, de cor ruiva e seus olhos eram azuis. O garoto que dava socos contra ele, tinha o cabelo bem curto, quase careca e um sinal na testa. Ele trajava roupas árabes. O sol estava para se por.

– Hm? — estranha o cavaleiro ao ver que o garoto havia parado – Por que parou?

– O sol vai se pôr, mestre. — diz o garoto.

– Já disse para não me chamar de mestre. Tenha sempre em mente que seu mestre é Dégel, afinal de contas você está treinando para ser o novo cavaleiro de aquário.

– Sim, sei disso. — diz o garoto estendendo uma toalha no chão em direção ao pôr do sol. Ele se ajoelha e então faz uma espécie de reverência, ficando um tempo recolhido e balbuciando alguma coisa inalcançável aos ouvidos do rapaz de 18 anos. O garoto faz isso até o sol se pôr por completo. — Mas o senhor é quem está me ensinando tudo o que sei até agora.

– Você tem que fazer isso todos os dias? — pergunta o cavaleiro de prata.

– Hm? Fala do Salat? Apenas durante o Ramadan.

– Heh, cultura é uma coisa esquisita mesmo... — dizia o mentor mudando de tom – Podemos continuar? Precisamos concluir seu treinamento o quanto antes.

– Paciência, Mestre Albert.

– Agora que Athena se foi, precisamos manter o Satuário protegido o quanto antes! Não há tempo para paciência. Vamos, logo! Concentre seu cosmo, faça-o elevar ao máximo, para que consiga atingir o Zero Absoluto! Tenho certeza que isso alegraria o mestre.

– Certo, mestre!

O jovem Sadalmalek se senta sobre suas pernas e fecha os olhos concentrando um poderoso cosmo. O ar à sua volta se torna gelado e o chão começava a gelar de uma forma surpreendente.

Santuário na Grécia, Século XIX...

Afer quebra o gelo que o segurava, seu cosmo esquentara todo o resto de seu corpo e ele logo começa a tocar seu tambor, usando sua técnica – Melodia dos Náufragos – fazendo com que o corpo de Sadal ficasse um tanto fraco. O cavaleiro então se senta sobre suas pernas e começa a se concentrar para tentar bloquear o ataque do inimigo.

– Eu realmente não gostaria de lutar. — dizia Sadal com toda a calma do mundo – Não há outra forma de resolvermos isso?

– É? E o que sugere?! Que eu me renda?!

– Seria o ideal.

– Hahahaha! Não me faça rir, isso nunca acontecerá!

Afer batia com ainda mais força e velocidade seu tambor. De repente algo começa a alcançar os ouvidos de Sadal que parecia reconhecer. Era uma voz familiar.

– Sadalmalek... Sadalmalek... – diz a voz cada vez mais próxima – Sou eu!

– Essa voz... — diz o cavaleiro de aquário – É do meu mentor... Albert de Erídano!

A imagem de Albert aparece na mente de Sadal. Tudo se escurece e podia-se ver apenas o cavaleiro de ouro e seu mentor.

– Meu mentor! — diz Sadal se ajoelhando em respeito.

– Levante-se. — diz Albert. Sadal olha para ele e vê em seu rosto uma feição séria e um olhar diferente do que Albert costumava ter. — Vamos! Levante-se!

– Habibi... O que houve? Por que olha assim?

Albert então dá um soco no estômago de Sadal que cai no chão.

– Porquê?! Porque me ataca?!

– Eu quem deveria ser o cavaleiro de aquário! Não você!

– D-Do que você está falando?! — dizia Sadal sem acreditar naquilo tudo.

– Você desonra a patente de ouro! Eu fui salvo por Dégel na França, vi ele enfrentar seu próprio mestre. E você?! O que faz aqui?! Abaixa sua guarda! Você tem muito o que aprender ainda! Muito!!!

– Não entendo! — dizia Sadal se deixando levar os socos de seu mentor – Por que isso está acontecendo?!

– Sadalmalek... — diz Albert parando de atacar seu pupílo – Você se lembra daquela vez?

– Aquela vez? — dizia Sadal tentando se lembrar.

Paris, final do século XVIII...

O ar à volta de Sadalmalek se torna cada vez mais gelado e de repente a armadura de Erídano começa a se rachar.

– Minha armadura... — dizia Albert se surpreendendo – É isso, Sadalmalek! Você está a um passo de atingir o Zero Absoluto!!! Vamos! Você vai conseguir!

O corpo de Albert começa a ser envolvido pelo gelo e se congelando aos poucos. A mente de Sadal se esvazia por completo. O rapaz sente um cosmo impressionante invadir seu corpo, era quente e intenso. Quando o ainda aspirante a cavaleiro de ouro abre seus olhos tem uma terrível visão: seu mentor estava totalmente congelado e a Caixa de Pandora de Erídano ao lado.

– Me-Mestre! — o garoto chorava abraçando a esquife de gelo que cobria Albert – O que eu fiz?!

O garoto chorava sem parar. De repente uma caixa dourada surge atrás dele. O garoto olha e vê que se tratava da armadura de Aquário que se desfaz e cobre o corpo do garoto.

– Mestre Albert! Eu consegui! Hahaha, está vendo mestre?! — diz ele se virando novamente para a esquife e voltando a ficar triste – Mestre... Não... Meu mentor! Eu juro, honrarei essa armadura, pelo senhor e pelo Mestre Dégel!

Santuário na Grécia, Século XIX...

– Por que está se segurando, Sadalmalek? — dizia Albert – Eu morri para que você alcançasse o Zero Absoluto e honrasse os cavaleiros de aquário.

– Mas, mentor, eu... — dizia Sadal relutante.

– Está vendo? Está relutando até em falar, em se explicar! — Albert volta a atacar Sadal que se via impotente sem entender o que estava havendo ali – Você... — ele batia sem parar — Não... — confuso, Sadal não reagia — Merece... Essa armadura!!!

O cavaleiro de ouro caía na escuridão olhando para o seu mentor.

– Me diga, por que Sadalmalek? Porque baixou a guarda? Por que não honra a armadura que ganhou?

– Eu matei o senhor, por isso! — chorava Sadal – Se usar todo o meu poder, se usar o zero absoluto, vai acontecer tudo de novo.

Albert se abaixa e olha com o olhar que Sadal sempre vira, ele por um momento pareceu seu antigo mentor.

– Sadalmalek, esse tempo todo carregando tanta dor em seu peito... — Albert chorava – Não chore mais.

Albert o abraça chorando e chorando, Sadal lhe pede perdão por tê-lo congelado. Seu mentor some ficando apenas a escuridão. Ele então ouve a voz de Albert dizendo que tinha orgulho do cavaleiro e em seguida uma luz surge. Sadal abre seus olhos negros.

– Meu mentor... — diz Sadal olhando para o teto da casa de Libra -... Obrigado.

– Hm?! — dizia o Safira surpreso – Meu golpe Melodia dos Náufragos não funcionou com você?! É mesmo um cavaleiro de ouro!!! Vamos ver o que acha dessa... Brilho dos Céus!!!!

Afer concentra o máximo de cosmo que lhe restava e emite uma poderosa luz, rindo em seguida.

– Hahahahaha, a essa altura você já deve estar cego, o que vai facilitar e muito o meu trabalho!!!! Hahahahaha.

– Você chama isso de técnica? — dizia Sadal que parecia nem se incomodar com aquilo.

– O quê?! Mesmo sendo um cavaleiro de ouro, isso seria impossível! O que é isso?! Bruxaria?!

– Afer, a brisa melodiosa dos náufragos.– diz Sadal erguendo o braço direito para cima – graças à sua técnica pude estar novamente com meu mentor, Albert. Isso me fez lembrar de coisas tristes, mas também me fez relembrar de minha promessa a ele e ao meu mestre, Dégel de Aquário. Por isso, me deixe mostrar toda minha gratidão a você.

– O quê?! — dizia Afer com medo e se desarmando – O que pretende com essa pose?!

– Descanse no mais gelado dos infernos... — diz Sadal – A técnica que desenvolvi sem querer na morte de meu mentor... Descanso de Allah!

Sadal dispara diversos feixes gélidos contra o adversário que começa a congelar até ser envolto por um equife de gelo.

– Meu mentor... Albert de Erídano – Sadal se aproxima e toca o esquife – por anos me culpei por sua morte, mas poder revê-lo mesmo que numa ilusão me fortaleceu e pude lhe pedir perdão. Renovo minha promessa a você...– o cavaleiro empurra o esquife que cai no chão e se parte em pedaços – Honrarei essa armadura!

Sadal se vira e caminha em direção à saída.

Continua...

Notas finais
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