Quando a onda impossível varreu Saori e a misteriosa sereia do pontilhão do Cabo Súnion desaparecendo com ambas diante dos olhos chocados de Alice e Mayura, as Saintias sentiram que seus corpos foram libertados daquela magia paralisante. Ambas foram ao chão buscando ar, embora Alice imediatamente tenha saído correndo entre tropeços para gritar o nome de sua amiga aos quatro ventos. As ondas que batiam contra a pedra lá embaixo pareciam mais agitadas.

As lágrimas de Alice misturavam-se às gotas da chuva que ainda caía. Mayura correu para abraçá-la, enquanto a garota sentia que Saori tinha mesmo abandonado aquele Mundo. O seu Mundo. Era como se Saori realmente tivesse morrido, de certa forma.

Alice não era capaz de formular nada além do nome da amiga que havia partido sem ela. Antes feito um urro visceral, mas aos poucos repetido como um mantra muito baixo, apenas para si, incapaz de aceitar como que presa em um momento de esperança.

As horas passaram naquele Cabo Súnion, onde tudo que Alice fazia era soluçar a falta de Saori, enquanto Mayura a consolava pesando aquela ausência no Mundo. As ondas continuavam chocando-se contra as rochas e a chuva seguia caindo. Alice seguia em choque e a Mestre Mayura a abraçou como se abraça à uma criança, embora ela já fosse uma jovem mulher. Ela tremia de frio naquela noite sem estrelas.

Mayura viu a única gema brilhante do pedestal oscilar um brilho curioso e então as duas sentiram uma presença terrivelmente divina se espalhar por aquele Templo. Alice pareceu despertar de seu transe e se levantou com o coração batendo com força, na esperança de que Saori ressurgisse como em um passe de mágica.

Mas não foi o que aconteceu. O céu pareceu tremer por um instante e a chuva, que antes caía sem parar, acalmou para uma leve garoa até parar por completo alguns minutos depois. As nuvens carregadas que escondiam as estrelas da noite se afastaram feito uma cortina no céu revelando o espetáculo maravilhoso que eram as constelações brilhantes do Mar Egeu.

— Ela conseguiu. — balbuciou Alice, finalmente desenhando um sorriso no rosto e olhando de volta para Mayura. — Ela conseguiu, Mestre. A chuva parou. Foi ela, não é mesmo? A Saori conseguiu.

— Sim, minha querida. — respondeu Mayura, também com o peito mais leve.

— Aquela idiota. — falou ela, caindo de joelhos e com um sorriso no rosto. — Ela conseguiu mesmo.

E a euforia daquele milagre que havia enchido seu coração de esperança, o tempo foi aos poucos carregando de angústia. Pois os minutos passavam e Saori não retornava. Mayura percebeu como a alegria da pequena pomba aos poucos transformava-se naquela silenciosa inquietação. A ponto de Alice, pouco a pouco, não mais buscar o conforto de Mayura, com medo das próximas palavras da Mestre que pareciam se transformar em uma despedida a cada palavra que dizia.

Horas novamente se passaram.

O sol se levantou muito alto e nenhum sinal da amiga retornar. Pela manhã, Alice já caminhava de um lado para o outro e todas as nuvens carregadas que haviam desaparecido naquele céu pareciam ter se transportado para dentro de sua mente. Ambas em silêncio, velando uma espera que parecia eterna.

E mais horas se passaram naquele cabo. Na verdade, assim como o sol se levantou, ele também se pôs naquele dia e então se levantou outra vez na manhã seguinte. O tempo já não parecia fazer qualquer sentido para a Coruja de Atena que aguardava por aquele retorno; a boca de Alice já estava seca de sede e seu estômago vazio de qualquer alimento, deixando seu corpo fraco e os olhos fundos para dentro da face.

Foi somente pela manhã do segundo dia ao desaparecimento de Saori que as duas ouviram um crepitar curioso entre as poucas árvores de um bosque que antecedia as Ruínas de Poseidon no planalto que levava àquele pontilhão de pedra; Alice olhou para suas costas e viu um guerreiro do Santuário surgir. Sua voz se fez ouvir e foi a primeira vez em dois dias que alguém falou naquele lugar.

— Mestre Mayura, Mestre Alice. — apresentou-se o homem em respeito. — O que estão fazendo aqui? O Santuário todo está à procura de vocês.

O rapaz não compreendeu o clima fúnebre de imediato, embora Alice estivesse visivelmente muito fraca; fez-se um silêncio entre os três e então Mayura finalmente falou à sua discípula.

— Alice.

— Não. — respondeu ela, imediatamente, virando-se para o mar. — Não quero ouvir. Eu vou esperar aqui até que ela volte. E ela vai voltar!

O rapaz imediatamente pareceu compreender, mas não se atreveu a interromper.

— E se ela não voltar?

— Não fale isso, Mestre!

— Alice. Me escute. — tentou a Mestre Mayura com calma. — Atena se despediu de nós naquele momento. Ela também sabia que essa viagem poderia não ter volta.

— Não! — protestou Alice com as mãos.

Mayura deixou o silêncio ecoar aquela ideia dentro do coração da garota. E aos poucos ela simplesmente deixou o peso daquela ausência derrubá-la no chão de joelhos e em prantos. Seu choro já não se misturava e se escondia nas gotas de chuva, pois Saori havia calado Poseidon de alguma forma.

— Como ela pode ter feito isso, Mestre? Como!?

Mestre Mayura, Saintia de Atena, abraçou a Coruja tentando conter um pouco daquele sentimento que a garota parecia represar dentro de si há muito tempo e que, graças àquelas lágrimas que ela finalmente sentia no rosto, pareceu simplesmente quebrar-se por completo dentro dela.

— Atena escolheu marchar até Poseidon, Alice. Essa é uma escolha de Atena.

— Então eu preciso estar ao lado dela. Você mesma que me ensinou isso, Mestre!

— Você esteve ao lado dela até onde foi possível, Coruja. Há lugares em que não é permitido à humanidade pisar. Há lugares muito além de nossa compreensão.

— Eu não me importo. É a Saori, Mestre.

— Ela é Atena. E está junto de Poseidon.

— Eu sou insignificante, então?

— Não. Jamais! Mas você é humana. E ela é uma Deusa entre os seus.

— O que eu devo fazer, então? — teimou a garota, olhando para ela com seus olhos molhados.

Mayura quebrou o abraço entre as duas e tirou as vendas como em um ritual para olhar nos olhos de Alice.

— Nós caminhamos até onde deveríamos caminhar como Coruja de Atena. Sem Atena, devemos encontrar nosso caminho.

Os olhos de Alice eram consternados, sem poder acreditar naquelas palavras; pois elas evocavam algo que ela conhecia muito bem. Alice olhou para os olhos de sua Mestre por um instante a mais, ainda incrédula. Até que se revoltou novamente.

— Não! Eu me recuso. Eu me recuso! Isso era para eles, não para mim.

— No fundo talvez ela soubesse que seria para você também. Ela é a Deusa da Sabedoria, Alice.

— Não, não! Eu vou atrás dela.

Alice soltou-se e correu até a beira do precipício. Lá embaixo as ondas quebravam fortes contra o paredão de pedra em que se levantava o Templo de Poseidon: o Cabo Súnion estava furioso naquela tarde.

— Se pular daí, irá encontrar somente a morte.

— Eu não me importo.

— Eu me importo. — falou Mayura, adiantando-se até ela, parando a alguns metros da garota.

Alice chorava olhando para o sol no horizonte, balançando a cabeça sem saber o que fazer.

— Toda sua vida você sempre soube o que fazer. A cuidadora devota. A amiga fiel. A Cavaleira de Bronze. A protetora de Saori. O Milagre ao lado de Atena. A Coruja do Santuário. — e então colocou-se ao lado da discípula diante daquele precipício. Alice olhou para ela de volta. — Agora está na hora de você viver o seu papel mais difícil, pombinha. O de ser livre.

— Não, eu não quero. — chorou Alice. — Não quero ser livre dela.

Mayura escutava aquele desespero e fechou os olhos lembrando-se de momentos antigos.

— Certa vez, Saori me procurou quando o Velho Kido veio a falecer.

— Não! — impediu Alice que continuasse. — Saori não está morta. Ela foi ao encontro de Poseidon. Ela está viva!

— Em Outro Mundo. — respondeu Mayura, olhando para o oceano aos pés das duas, que estendia-se por todo o horizonte. — O Mundo de Poseidon. Como esse é o Mundo de Atena. Como há também o Mundo de Hades e o de Zeus. Mundo dos Deuses. Um Mundo em que não podemos alcançá-la. Qual a diferença para a morte?

— Ela vai voltar.

— Não sabemos disso. Ninguém sabe. Quando Atena escolhe marchar, não há nada que possa pará-la.

— Por que está tão certa de que ela não vai voltar?

— Eu não estou. Mas não podemos nos transformar em estátuas de pedra aqui esperando eternamente. Também não posso me jogar dessa pedra, pois ainda sou uma Defensora de Atena. A Camerlenga do Santuário. Protetora da Terra. Ela se foi para dar um futuro para todos nós. Não para que você passe o resto de sua vida neste lugar. Em uma vigília eterna.

Mas Alice olhou para as ondas que quebravam lá embaixo.

— Eu ainda posso sentí-la. — falou a garota, esperançosa.

— Eu sei que pode. Eu também posso.

— Eu vou ficar. Vou ficar aqui e esperar ela voltar.

Mayura olhou para ela com ternura nos olhos e estendeu a mão para a garota, que aceitou o gesto, e as duas deixaram a beira daquele precipício e retornaram para o centro do cabo. Mayura tornou a colocar as suas faixas no rosto, deixando o coração de Atena com Alice e recolocando sua máscara de Camerlenga.

— Não posso obrigá-la a viver, Alice. — disse ela frente à garota. — Tome o tempo que for preciso para o seu coração. Mas quando não mais sentir o Coração de Atena, pombinha, vá viver. Vá sentir o seu próprio coração.

Alice abraçou sua Mestre.

— Não está triste, Mestre? Ela te adorava.

— Terrivelmente, pombinha. — falou Mayura, com a voz vacilante. — Mas fui escolhida para cuidar do Santuário de Atena. A maior prova de meu amor por ela é garantir que o Santuário esteja de pé para quando ela voltar. Ela estará sempre comigo.

— Atena estará. Mas e a Saori?

— A Saori estará em meu coração enquanto eu puder sentí-la como nós duas estamos nesse instante.

— E quando não sentir mais?

— Então eu sentirei muita falta do jeito que ela me dava 'bom dia'.

E se abraçaram uma última vez, chorando.

A Mestre Mayura deixou o Cabo Súnion junto ao sentinela, deixando Alice para trás. A garota invejava a tranquilidade com que a Mestre parecia superar aquela perda que, para ela, era como se o Mundo houvesse terminado. Tarde daquela noite, Mayura choraria escondida e sozinha em seus aposentos por Saori, sem que Alice ou qualquer outra pessoa, senão os olhos dos Deuses, testemunhasse sua dor.

Quanto à Alice, ela decidiu mesmo esperar Saori naquele cabo. E sentou-se nas pedras da borda com os pés balançando sobre o Mar Egeu, onde ficou por outras muitas horas olhando o sol se pôr. E então a lua nascer e se pôr do outro lado. Dormiu sob o relento e amanheceu entristecida no dia seguinte.

Nada havia mudado. A dor continuava em seu peito e a ausência de Saori em todo o lugar.

Ela se levantou e inspecionou o pedestal do Tridente de Poseidon no Templo, com suas gemas brilhantes pulsando lentamente. A brisa matutina, no entanto, levou até ela o aroma salgado de frutos frescos do mar; ela olhou para as ruínas mais abaixo e encontrou um pote de comida e uma garrafa de água. Ela correu até a oferenda e procurou por todos os lados.

Chamou por Saori, por Atena e por qualquer pessoa. Ninguém lhe respondeu.

Esfomeada, ela comeu daquela oferenda tentando imaginar quem teria deixado ali, já que ela tinha certeza absoluta de que a comida não estava lá no dia anterior. E, após comer, voltou à sua vigília à beira do pontilhão, inspecionando lá embaixo cada onda que quebrava na esperança de que revelasse em sua espuma a figura de Saori.

Mas nada aconteceu. E outra vez o dia anoiteceu e, lutando contra o sono, ela teve miragens de figuras dançando nas ruínas que sempre desapareciam quando ela acordava para ver melhor. Até o sono finalmente vencê-la e ela acordar em outra manhã inalterável com o aroma delicioso da comida oceânica que novamente haviam deixado para ela. Aqueles anjos da guarda pareciam cuidar dela, olhos que ela não conhecia enxergar, mas que sem dúvidas a observavam à distância.

Novamente fez seu café da manhã com o sol nascendo às costas no continente. E, assim que terminou a refeição, sentou outra vez no pontilhão para inspecionar as ondas; seu peito ainda podia sentir sutilmente o Coração de Atena, o que lhe dava sempre esperanças. O sol queimava-lhe as costas e, entre um meio-sonho e outro, ela viu algo ao seu lado que lhe confundiu e logo depois lhe deu esperanças.

Era sem dúvidas a sombra do báculo de Atena projetada no chão. Alice imediatamente olhou para trás e viu uma garota com o báculo nas mãos.

— Saori? — perguntou ela para a silhueta escondida pelo sol.

Não era.

A menina caminhou até ela e a encarou duramente.

— Quem é você? Onde está a Saori?

— Sou a Sereia Tétis. — apresentou-se a figura em trajes simples e calças vermelhas-brilhantes.

Alice olhou-a melhor e pareceu reconhecê-la.

— Foi você que levou ela daqui, não foi?

— Sim. Eu acompanhei a Deusa Atena até o Reino do Fundo do Mar.

— Leve-me até ela! — ordenou Alice, pisando adiante.

— Não posso. — respondeu Tétis, um pouco confusa. — Mas Poseidon viu que você sofria em seu Templo e ordenou que trouxesse de volta o Báculo da Deusa Atena, para que você leve de volta ao seu Santuário, onde ele deve ficar. E também esse guizo de ouro que ela usava.

Alice tomou o Báculo de Ouro com a mão direita; a barra de ébano com detalhes maravilhosos encravados no metal e a coruja de ouro com as asas abertas na ponta, obra dos artífices mais valorosos dos tempos mitológicos. E com a mão esquerda, Alice tomou o guizo tosco que Saori adorava fabricar no quarto da Fundação com os elásticos coloridos que comprava em lojas de conveniência quando fugia de seu quarto com ela e Kyoko. Ela engoliu em seco o pensamento que lhe possuía a mente.

— O que quer dizer com isso? O que aconteceu com a Saori?

Tétis olhava para Alice como quem não compreende tanto desespero. E falou em um tom burocrático.

— A Deusa Atena concordou em ajudar Poseidon a dar vida novamente ao sofrido Povo do Mar. Mas isso custará a sua vida terrena.

— O quê?!

— Em troca dessa ajuda, Poseidon irá poupar a superfície de sua fúria. As chuvas e os desastres irão se encerrar em todo o Mundo.

— O que isso significa, em troca de sua vida terrena? Não me diga que ela…

— A Deusa Atena decidiu se sacrificar pela Terra.

— Não! — contestou Alice, como se pudesse mudar as coisas negando-as.

— Não há mais retorno. Em poucos dias, sua vida será consumida pelo mar.

— O que quer dizer? Isso significa que ela ainda está viva.

— Seu destino já foi traçado e não há como alterar a Vontade dos Deuses.

— Eu não acredito nisso. Se ela ainda está viva, há uma chance de salvá-la.

— Não deve estar me compreendendo. A Deusa Atena tomou sua decisão, não há nada que possa alterar o que já está em curso.

— Não! — bradou Alice, novamente. — Não, isso não pode ser. Deve ter outro jeito. Por favor, me diga que tem outro jeito.

A Sereia Tétis ainda olhava com certa confusão para a garota. Alice desistiu dela e correu até a ponta do pontilhão com o báculo em mãos, olhando para os mares.

— O que pensa que vai fazer? — perguntou Tétis às suas costas, abandonando sua voz de emissária e, pela primeira vez, demonstrando ter algum sentimento, já que aquela cena fugia completamente do que ela esperava encontrar.

— Vou atrás dela. Se ainda existe alguma chance, eu vou atrás dela.

— Está louca. Se pular daí, irá morrer assim que seu corpo se espatifar contra a água.

— Não sabe quem eu sou e do que sou capaz.

— Você é uma Cavaleira de Atena. Mas irá morrer da mesma forma.

— Eu sou a Coruja de Atena! — retrucou Alice.

— Não vai fazer diferença.

— Então me leve até lá! — pediu Alice, olhando de volta para Tétis. — Você foi capaz de levar a Saori, vai conseguir me levar.

— Você está enganada. Não fui eu que a levei até lá. Ela é a Deusa Atena. Eu apenas a guiei pelas águas até o Reino de Poseidon, pois estava aterrorizada diante de seu poder. Foi seu Cosmo Divino que a protegeu da morte. Eu nada seria capaz de fazer para protegê-la, como também não posso te proteger.

— Não, eu não aceito. — tornou Alice a encarar o oceano em desespero. — Eu preciso vê-la. Nem que seja uma última vez. Eu preciso ir até o Reino de Poseidon! — bradou Alice, com lágrimas nos olhos.

As ondas quebravam lá embaixo e era o único som que Alice podia ouvir; mas Tétis, perto dela, não só podia ouvir as ondas se quebrando no oceano, como também os soluços contidos da garota que sofria terrivelmente a perda daquela pessoa tão querida. Não havia motivos para ela não se compadecer dela e, de verdade, se estivesse em seu alcance e capacidade, ela realmente a levaria para um último adeus. Mas não era possível.

— Eu sinto muito. — falou Tétis, e então jogou-se ao mar para desaparecer nas águas.

Alice correu em sua direção e caiu de joelhos diante do abismo com o Báculo nas mãos. A última lembrança que tinha de Atena. De Saori. Assim como o guizo de ouro no punho direito que segurava o Báculo. Ela ainda estava viva. Ela precisava de um jeito para chegar até o Reino do Mar. Levantou-se, limpou as lágrimas e correu pelo Cabo Súnion na direção do Santuário.

Mas, assim que embrenhou-se pelo bosque correndo, foi surpreendida por uma sombra que pulou de uma árvore às suas costas e a atingiu violentamente assim que ela se virou para entender quem era. Alice foi ao chão, desacordada.

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Seu corpo afundava eternamente em águas escuras. As formas e cores ao redor mudavam a todo instante, como se ela tentasse, em sonhos, imaginar como era o Reino do Mar em que sua melhor amiga marchava entre a vida e a morte. Mas ao invés de mergulhar cada vez mais fundo naquelas águas misteriosas, Alice sempre voltava à superfície em busca de ar; e cada vez que o fazia, percebia na superfície uma cena diferente da sua vida.

A fuga pelo caminho dos Gigantes, as terríveis notícias no computador portátil da clínica, o abraço da Mestre Mayura, a partida repentina pela noite até o Cabo Súnion. E quando seu corpo retornava às águas profundas, enxergava apenas com o canto dos olhos um vulto que nadava ao seu lado.

— Saori? — gritava sua voz de sonhos.

Não a alcançava. Sentia-se abandonada. Sentia-se traída.

— Volta, Saori!

Sentiu raiva de Saori. Sentiu que a amiga já sabia de tudo antes mesmo de partir da clínica e escondeu tudo dela. Nadou atrás de Saori e as cores de sonho daquele oceano iluminaram uma longa cauda de peixe naquele vulto. Afinal, não era sua amiga. Ou talvez fosse? Alcançou-a por milagre, e então surgiu em um Reino de Corais brilhantes; à frente dela, a dona daquela cauda de peixe: uma garota de calça vermelha. Aquela que havia roubado Saori dela no Cabo Súnion.

As duas lutaram ferozmente, pois ainda que Alice fosse o Coração de Atena, ela também era a discípula de Mayura, a Cavaleira de Bronze de Golfinho, treinada para ser uma guerreira. E as duas lutaram em pé de igualdade por todo o Reino de Corais. Até que ela finalmente pudesse ver quem realmente era a dona daquele rosto misterioso. Quem havia levado Saori para longe dela.

Era ela. Refletida como em um espelho. Ela própria que havia afastado Saori para Outro Mundo.

Alice, a Coruja de Atena, acordou sobressaltada, e a primeira coisa que viu ao abrir os olhos, muito esbaforida, foi uma lona remendada de cores fortes acima de sua cabeça. O amarelo e verde-esmeralda da lona eram iluminados por um candeeiro de luz artificial branca. Um enorme rasgo na cobertura permitia que a garota visse algumas estrelas brilhantes em um céu já muito escuro. Logo foi atormentada por uma dor de cabeça latejante, que a fez fechar os olhos enquanto procurava tomar fôlego.

Tateando com as mãos, percebeu que estava deitada em um colchão de penas tosco; abriu novamente os olhos, mas se sentiu zonza com aquela luz fria e vomitou a pouca comida que havia comido nos últimos dias de vigília. Estava fraca, muito fraca ainda. Voltou a se deitar, tentando organizar sua própria mente.

E assim que se acalmou, logo se lembrou de Saori. Do báculo de ouro. Levantou-se novamente, olhando para os lados, mas não havia nenhum sinal dele; ouviu do lado de fora daquela tenda improvisada os passos de alguém contra a madeira. Onde quer que estivesse, não estava sozinha. Ouviu uma voz abafada, que parecia falar com ela pelo lado de fora.

— Tem comida no caixote à sua esquerda. Água também. Não levante muito rápido.

Ela olhou para o lado e viu um pequeno pote com frutas secas e uma tira de carne também ressecada; um cantil de couro completo e um pedaço de pão velho. Sentia dor no estômago, e não apenas de fome, pois agora lembrava-se de ter sido acertada por alguém. Havia sido sequestrada, pensou sozinha; o que parecia um absurdo diante de tanta desgraça que lhe parecia acontecer naqueles dias.

Não confiou naquela voz e tentou se acalmar antes de enfrentá-la. Podia ver pela lona rasgada apenas o céu noturno de muitas estrelas brilhantes; dentre elas reconheceu algumas constelações e calculou que não estivesse tão longe assim do Santuário. Ao mesmo tempo que sentiu-se aliviada também sentiu-se triste, pois aquele céu aberto era algo impensável dias atrás, em que as chuvas açoitavam o planeta inteiro. Mas agora pareciam ter desaparecido por milagre. Pois não havia sido milagre algum: ela sabia que era obra de Saori. De Atena. À custa de sua vida terrena.

Tomou coragem e finalmente abriu a lona com firmeza e em guarda para enfrentar seu raptor, mas quando pisou para fora daquela tenda percebeu-se diante de uma imagem fantástica. Uma silhueta escura estava de pé no que, sem dúvidas, era a proa de um pequeno barco de madeira, com o pé em cima de uma plataforma para sentar. Ela estava de costas, mas tampouco importava, pois se estavam dentro de um barco, o que deixou Alice sem fôlego foi que navegavam por um oceano de névoa branca.

Por alguns instantes ela confundiu-se dentro daquela imagem, refletindo que talvez cruzassem um rio fantástico, cuja névoa das montanhas havia descido para se acumular sobre as águas da noite fria. Mas não havia montanhas nenhumas ao redor. Em verdade, não havia nada ao redor, apenas o escuro tapete do céu, uma lua cheia brilhante e o cintilar das estrelas iluminando a névoa branca ao redor do barco. Mas quando uma das formações brancas falhou entre a névoa, ela viu, muito distante e abaixo, as luzes de uma cidade anoitecida. Quase caiu de joelhos de susto e seu grito ficou preso na garganta; a mão firme daquela figura a segurou pelo braço para impedir que tombasse pela beirada.

— Fique sentada. — pediu a figura misteriosa para Alice, que se soltou de sua mão e equilibrou-se de novo à sua frente.

— Quem é você?

— Sente-se primeiro, Alice.

— Sabe quem eu sou?

— Você é a Coruja de Atena. — respondeu a mulher, pois sem dúvidas era uma voz feminina.

Alice olhou ao redor e percebeu que não estava delirando; havia mesmo uma cidade iluminada por luzes passando como um tapete mágico por debaixo daquele barco impossível.

— O que está acontecendo? — sua voz falhou, sem compreender muito bem, embora sentisse uma certa familiaridade com aquela figura.

Sentou-se lentamente, equilibrando-se entre as leves sacudidas que a embarcação dava. Sua boca estava ressequida e seus olhos pareciam enxergar tudo de maneira turva, como se a luz da lua fosse muito mais clara do que realmente era. Ainda assim, percebeu que a dona daquele barco era alguém que usava uma calça larga, com botas grossas e tinha o corpo coberto por uma espécie de xale verde com um capuz amarrado ao redor da cabeça e da boca. Os olhos eram protegidos pela escuridão. Sua voz era bastante clara e a acalmou.

— Assim está melhor.

A voz, no entanto, era familiar para Alice. E sua suspeita inicial, embora absurda, pareceu se solidificar assim que ela lhe ofereceu a bebida novamente de seu próprio cantil.

— Beba a água, Alice.

— É você, Marin?

A mulher ficou calada, sem responder, ainda com o cantil estendido para Alice; ela deixou a água nas mãos da garota e voltou ao motor no fundo do barco, que estava desligado.

— Você não deve voltar ao Santuário. — repetiu a navegadora apenas, mas no vazio daquela resposta, Alice teve certeza, agora, que estava diante de uma aliada.

— Marin, eu preciso voltar! — disse levantando-se bruscamente dentro daquele barco em movimento. — Preciso encontrar com a Mestre Mayura. A Saori pode estar lutando entre a vida e a morte nesse instante. Temos de ir até ela e resgatá-la. Não podemos deixar que ela morra.

Falou tudo em desespero, vomitando seus piores medos. Marin não respondeu de imediato, dando atenção à direção do barco por um momento.

— Diga alguma coisa, Marin.

— Alice, sente-se. — falou ela, apenas.

— Não vou me sentar.

— Então vai acabar caindo desse barco e não poderá cumprir sua missão.

— Minha missão?

— De resgatar Atena. — completou Marin.

Alice finalmente se sentou.

— Assim está melhor.

Mas a garota continuava agitada e confusa.

— Eu não estou entendendo nada, Marin. O que estou fazendo aqui, afinal de contas? Onde está o Báculo de Atena?

— À essa altura ele deve estar no Templo de Atena, que é o lugar em que ele deve ficar.

— Mas eu fui atacada no Cabo Súnion. Talvez um Marina de Poseidon possa ter mudado de ideia e…

— Não foi um Marina de Poseidon. Foi um Cavaleiro de Prata. Capela de Auriga.

O nome causou enorme estranheza em Alice, que reagiu de maneira forte, já que nada daquilo parecia fazer sentido.

— Um Cavaleiro de Prata? O que isso quer dizer? Por que ele me atacaria?

— Era preciso levar o Báculo de volta ao Santuário.

— Mas era exatamente o que eu iria fazer.

Marin não respondeu, pois precisou fazer uma correção na direção daquela embarcação fantástica. Não era somente por esse motivo: ela também deixava o silêncio para que Alice chegasse às conclusões próprias.

— E além do mais, a Mestre Mayura precisa saber de tudo. A Emissária de Poseidon disse que…

— Ela saberá, Alice. Capela ouviu tudo que lhe foi contado no Cabo Súnion.

— Mas então…

— Ele estava lá para que não ficasse sem proteção durante sua vigília nos últimos dias.

— Proteção? — confundiu-se Alice, por um momento, pois afinal de contas ela havia sido atingida por aquele estranho protetor. — Foi isso que ela lhe disse?

— Ela não me disse nada. Mas conheço a Mestre Mayura. Era isso o que ela faria.

— Pois o protetor que ela enviou me atacou covardemente e roubou o Báculo de Atena.

Marin não respondeu de imediato àquela afirmação, pois precisou fazer outra correção na embarcação.

— Estamos quase chegando. — anunciou Marin, mas Alice não enxergava nenhuma cadeia de montanha próxima. — Eu preciso que confie em mim.

— Para onde está me levando afinal, Marin?

Ela novamente não respondeu, sumindo dentro da lona onde Alice havia despertado e voltando com as frutas secas.

— Coma alguma coisa.

— Não está me levando de volta ao Santuário, não é mesmo? — respondeu Alice, recusando as frutas. — Vamos, Marin, me diga a verdade!

— Eu vou te levar até Asgard.

Marin respondeu pela primeira vez de forma direta e firme; o nome causou confusão para a cabeça de Alice a princípio, pois nada parecia encaixar e, principalmente, não fazia sentido para o maior desejo que tinha dentro de si: o de salvar Saori.

— Capela me contou, antes de partir, tudo que havia acontecido com você. Seu encontro com a Emissária do Mar, o sacrifício de Atena, o presente de Poseidon e o seu desespero. Ele ficou muito abalado de ter que te deixar naquele estado e me implorou que lhe pedisse desculpas por ele.

— Mas isso… não faz sentido. Por que ele faria isso?

Marin ficou calada. A Coruja não conseguia buscar nos olhos de Marin a resposta para sua angústia, pois Marin escondia-se completamente, era impossível distinguir o que pensava ou sentia. Mas ela sabia exatamente os motivos.

E caiu novamente sentada com os ombros derrubados ao lado dos caixotes.

— A mim também?

— A todos. — respondeu Marin, e Alice deixou o rosto cair de lado e chorou.

Chorou, pois todas as suas forças haviam sido usadas naqueles últimos dias; o pânico de ver Saori marchar do Santuário até o Cabo Súnion, a destruição ao vê-la ser levada no pontilhão, a angústia por cada minuto que se passava em sua vigília, a tristeza ao ouvir sobre seu sacrifício, a dor da fome e do golpe forte de um Cavaleiro de Prata no estômago. Naquele momento, não havia lhe restado forças sequer para se levantar e se recusar a cumprir aquele destino que haviam decidido por ela.

Em poucos dias, parecia que seu espírito havia sido destruído pelos Deuses. Marin observou-a murchar com tristeza no peito, embora ninguém pudesse ver; ela se sentou ao lado de Alice, puxando-lhe levemente o pulso para segurar sua mão.

— Marin? O que eu faço? Estou tão cansada.

Marin levou a mão direita de Alice até que encostasse em seu próprio peito.

— Siga seu coração. — falou ela.

Alice olhou para baixo e viu sua própria mão sobre seu peito, e ao redor de seu pulso o guizo de ouro que era de Saori. Olhou para Marin, mas ela se levantou novamente para dar direção ao motor parado.

— Como? Como faço para chegar até a Saori?

— Asgard.

— Asgard? — reanimou-se Alice, lembrando-se que ela já havia contado sobre o destino das duas a bordo daquele barco. — Por que Asgard? Seiya e os outros ainda estão lá. O que Asgard tem de tão especial?

— Me escute bem, Alice. — começou Marin. — Tudo que a Mestre Mayura me pediu foi para que te levasse de volta para a cidade onde você nasceu.

— O quê!? — revoltou-se Alice, mas Marin pediu que se calasse com um gesto da mão.

— Eu já sabia que reagiria assim. Que não ia se contentar em seguir sua vida em uma cidade grande. Eu convivi tempo demais com Seiya para compreender um pouco de como todos vocês são. Você não aceitaria isso e se afogaria nessas águas tentando chegar até o Reino de Poseidon.

E então levantou-se naquele barco mágico.

— Veja. — disse ela, apontando para uma estrela brilhando no céu do Mar Egeu.

— A Estrela Polar. — adivinhou Alice, que embora não fosse uma exímia leitora dos céus como Nicol era, ao menos aprendeu a reconhecer a brilhante Estrela-do-Norte.

— É dito entre os romanis-do-mar que existe uma ponte-de-mil-cores que conecta o Mundo dos Homens ao Reino de Poseidon, por onde o Deus do Mar recebia caravanas de heróis e artistas nos Tempos Mitológicos. Uma ponte iluminada pela estrela mais brilhante e fria do céu.

— A Estrela do Norte. Asgard.

— Exatamente. — falou Marin, olhando para Alice.

— E eles contaram tudo isso para você? — desconfiou Alice.

— Cantaram. — corrigiu Marin. — É um povo muito feliz, cheio de histórias e muito orgulhoso de todas elas. E quando souberam que você era uma sacerdotisa de Atena, fizeram questão e tiveram muito orgulho em emprestar esse barco, bem como nos contar sobre essa antiga lenda de seu povo.

Alice achou aquilo estranho e voltou a olhar para aquela estrela que brilhava mais forte no céu; era curioso, pois o povo de Rodório jamais compartilharia as estradas do Santuário a qualquer um, muito menos a seguidores de um outro Deus. Mas então lembrou-se como a própria Emissária de Poseidon parecia uma pessoa gentil e sem vícios. Aquilo a fez refletir um pouco sobre o estado de guerra constante em que o Santuário vivia. Mas não se alongou muito mais sobre aquilo, pois finalmente seu espírito pareceu se curar da apatia de antes, já que agora havia novamente uma pequena esperança de chegar até Saori.

— Em quanto tempo podemos chegar até lá? — preocupou-se ela, afinal de contas Saori não dispunha de tanto.

— Alguns dias. — respondeu Marin. — Por enquanto, acalme o coração. Confie em mim. Mas tente descansar, pois a travessia não será fácil e você mal dormiu ou comeu nos últimos dias. Atena precisa que você esteja forte.

Alice olhou para aquela figura escura e misteriosa. Milhões de perguntas na sua mente, mas seu corpo pareceu relaxar ao descobrir alguém do seu lado como Marin.

— Obrigada, Marin.

Ela apenas acenou gravemente e então se dedicou a fazer alguns preparos emergenciais naquela embarcação. Alice finalmente se permitiu refletir sobre o absurdo que era estarem voando a bordo de um barco por sobre as nuvens.

— Como é possível estarmos voando? — perguntou ela.

— Um truque que um velho amigo me ensinou. — lembrava-se, claro, de seu amigo Meko.

— Um truque?

— Sim. Mas ele apenas me ensinou a alcançar o céu. Não me falou nada como fazer esse barco voltar ao chão.

A mulher então olhou de volta para Alice, oferecendo a comida ressecada.

— Sugiro comer, pois se levarmos conosco, logo estará molhada.

— Marin? — confundiu-se Alice, tomando o charque e as frutas secas da mão da mulher.

Ela apoiou um dos pés na beirada do barco olhando para baixo, para o mar de nuvens que, aos poucos, começou a engolir a embarcação, tirando a visibilidade das duas enquanto o barco parecia descer mergulhando naquelas formações brancas.

— Marin, o que está acontecendo?

E então tudo se dissipou e Alice viu, maravilhada, como aquela embarcação agora planava por sobre uma cidade iluminada de cores amarelas e lindas. Ela precisou segurar a respiração, pois era uma experiência como nunca havia tido.

— Prepare-se, Alice.

— O que quer dizer, Marin?

— Assim que atravessarmos a cidade, chegaremos à baía do porto.

— Marin, não me diga que…

— Precisamos pular e nadar até a costa.

— Mas Marin…

A Cavaleira de Águia puxou Alice para a borda do barco e, lá embaixo, viram que as luzes da cidade acabavam abruptamente em uma perfeita linha no horizonte; sem dúvidas que era o mar que começava e o destino daquele salto absurdo que teriam de fazer. Alice olhou para o rosto escondido de Alice, mas o pano que lhe cobria a face pareceu lhe dar a clara impressão de que Marin lhe sorria de volta. E ela sentiu coragem.

— No meu comando. — disse Marin, subindo com os dois pés sobre a beirada.

Alice também subiu e ficou de mãos dadas com Marin. Assim que o barco zuniu perto de um grande guindaste portuário, Marin deu o comando e as duas saltaram daquela embarcação impossível para planarem por muitos segundos no céu, observando com fascínio uma linda cidade portuária iluminada antes de cair no frio oceano que a costeava.

E enquanto Alice tentava nadar à superfície dentro do Mar Mediterrâneo, a Arena do Coliseu do Santuário recebia praticamente toda a população simples de Rodório para um chamado incomum dos sentinelas da região. Haviam ainda muitas poças de água na arena que refletiam o fogo de tochas enormes colocadas em semi-círculo ao redor da circunferência da construção, bem como nos corredores da arquibancada que logo se encheu de toda gente. Os rostos simples entre homens, mulheres, gigantes e crianças se acomodavam pouco a pouco.

Do outro lado da arena, onde geralmente ficavam os maiores convidados do Santuário nos eventos de temporada ou nas ascensões de Cavaleiros, finalmente surgiram Jabu, Ichi e alguns aspirantes com tochas para dar fogo à uma fileira de tochas maiores. E assim que todas foram acendidas, o povo simples de Rodório viu um espetáculo como nunca. Os Cavaleiros de Atena se enfileiraram um degrau abaixo daquela fileira de tochas, todos com suas Armaduras de Prata e Bronze; eram poucos, talvez poucos demais, e tanto Jabu como Ichi colocaram-se ao lado deles.

E então entraram os Cavaleiros de Ouro em silêncio, também vestindo suas maravilhosas Armaduras de Ouro que refletiam o fogo daquelas tochas e deixaram todo o povo de Rodório boquiaberto, pois aqueles não faziam aparições entre eles e por muito tempo não se sabia exatamente quem eram, bem como quantos haviam, ou se até mesmo eram reais as notícias dos Cavaleiros de Ouro de Atena.

E quando Aioria e os demais se enfileiraram um degrau acima das tochas, a Mestre Mayura finalmente surgiu por detrás da construção e desceu as escadas daquele lado da Arena carregando nas mãos o Báculo de Ouro de Atena. E todos que ali estavam amarguraram uma tristeza repentina.

Era o funeral da Deusa da Terra.

Notas finais
SOBRE O CAPÍTULO: Neste capítulo original, explorei a ideia de que a ida de Atena ao reino de Poseidon equivaleria à morte. Isso coloca Mii em uma posição delicada com a partida da amiga, enquanto Mayura confronta sentimento e dever. A atitude de Alice em esperar reforça os laços entre elas. A introdução de Tétis e do báculo antecipa o tema central do arco, focado em Tétis e Alice e suas lealdades. O banimento antecipado dos Cavaleiros visa isolar o Santuário, tornando este arco uma ação independente em prol de Saori, tensionando sentimento e dever. A cena com Marin preserva seu mistério e evoca sua amizade com Meko. O destino das personagens é um segredo a ser revelado. PRÓXIMO CAPÍTULO: A ORDEM DE ATENA Alice chega a Asgard e os Cavaleiros decidem resgatar Saori. NOTA: A partir desse capítulo, leitores no PlusFanfiction e Wattpad terão algumas imagens geradas por IA para ilustrar algumas passagens da história.