Os Cavaleiros do Zodíaco: A Espada da Criação
4 Capítulo IV – A Verdade por Detrás do Oculto
Notas iniciais
CAPÍTULO IV – A VERDADE POR DETRÁS DO OCULTO
O Santuário de Athena é composto por doze casas. Cada uma delas possui um cavaleiro de ouro que a protege, assim impedindo que inimigos subam até o templo da deusa. Mas, logo depois da décima segunda casa, a de Peixes, existe outra, a décima terceira casa. Essa “última” é onde abriga o oficiante-mor do santuário, o Grande Mestre.
Na entrada desta casa existe, em seu topo, uma escultura de uma gárgula com corpo de serpente e um crânio em seu busto. Em seu interior existem grandes pilastras que sustentam o local sobre um piso escuro de mármore, onde em seu centro estende-se um tapete vermelho desde a entrada até um trono ao fundo da casa depois de uma pequena escadaria. Por detrás deste trono há uma cortina vermelha e outra branca.
É na sala do Grande Mestre que são feitas as reuniões, desde os tempos mitológicos, com os cavaleiros de Athena, em especial os de ouro. Mas isso mudou desde que a Terra foi aterrorizada pelo deus Moros, aquele que rege a sorte e o destino. Então a décima terceira casa foi o local onde ocorreu a primeira reunião de uma aliança feita por diferentes deuses: Cavaleiros de Ouro, Guerreiros Deuses, General Marina e... Pallasite.
***
Deserto Montanhoso
Um cosmo muito grande tinha se acumulado no deserto, cosmo esse que pertence ao arcano, Alexandre de Chariot
— Pronto, aqui vou eu! – sussurrou sorrindo o servo do deus Moros.
O arcano desapareceu em uma velocidade absurda. Titan ainda estava impressionado com o que acabara de acontecer consigo mesmo; afinal o seu corpo foi multiplicado em sete vezes.
De repente Alexandre apareceu, em frente ao pallasite, com uma face sem expressão. Em seguida ele começou a desferir uma sequência de golpes intensos em Titan.
— O q-que está acontecendo com meu c-corpo? – Titan se sentiu pesado como chumbo e lento como uma lesma. — “Eu não consigo me esquivar de todos os socos. E o pior é que eles estão extremamente fortes e ferventes” – pensou.
O servo da deusa Pallas foi arremessado em um grande rochedo. Mas Alexandre não parou e foi atacar as seis cópias, assim as mandando para longe também. Cada uma foi lançada para uma direção diferente, fazendo com que ficassem separadas.
Os sete corpos se levantaram com um pouco de esforço, mas logo voltaram serem atacados ferozmente e, novamente, foram derrubados. Os ferimentos nas cópias do pallasite foram sérios e profundos. Algumas quebraram os braços, outras costelas e, a maioria deles, estavam com muitos cortes.
Alexandre parou. Em seguida o seu “infinity flash” se desfez. Ele estava um pouco cansado. Mas estava “bem”, embora ainda estivesse com os ferimentos que Titan lhe causou. O arcano caminhou em direção ao verdadeiro pallasite e disse:
— Você deve estar se perguntando “Por que não consigo atacar, defender ou esquivar? ” – debochou Alexandre.
E mais uma vez os pallasites voltaram a se levantar.
— Eu irei acabar com você. – disse Titan com raiva.
— Isso será impossível! – exclamou Alexandre seriamente.
— Como assim, “impossível”? – Titan estava segurando sua mão em sua clavícula e depois a torceu, pondo no lugar novamente. – Nada é impossível para quem luta pela justiça e pelo amor.
— Justiça? Amor? Não me faça rir. – gargalhou Alexandre. – Como poderá me vencer se seu corpo está com todo seu potencial dividido em sete vezes.
— Hã?! – Titan ficou surpreso e seus olhos ficaram totalmente aberto. Uma gota de suor desceu de seu rosto e pingou no solo seco.
— Sua força, defesa, velocidade e cosmo estão sete vezes mais lentos. Agora você não passa de um insignificante humano.
Alexandre levantou seu braço direito e estalou seu dedo dizendo:
— Morra Titan. “Départ”!
Todas as cópias do pallasite começaram a convergir para o corpo principal.
Titan gritou de agonia. Seus gritos poderiam se comparar com os do próprio Encélado. O solo estava encharcado de sangue. O pallasite estava um trapo, assemelhava-se a um defunto. Seus olhos estavam revirados e sua boca estava bem aberta e babando espuma. O guerreiro de Pallas caiu de Joelhos.
O arcano caminhou até o corpo ajoelhado do pallasite olhou firmemente para ele e falou:
— Impossível sobreviver ao “maximum doppelganger” e “départ”. Quando todas suas cópias se juntam, os danos são somados no corpo principal. – explicou Alexandre para o corpo “morto” do pallasite. – Mas me lembrarei de você como um oponente digno. Agora matarei sua amada deusa. Au revoir Titan.
Alexandre deu as costas para o servo de Pallas e começou a caminhar em sentido ao santuário. No décimo sétimo passo, o arcano viu e sentiu seu corpo sendo mutilado ao meio. Até enxergou sua coluna vertebral se desprendendo de sua parte inferior. Seus órgãos estavam a amostra e alguns deles dançavam no ar.
— “O q-quê?! “- pensou Alexandre que nem teve tempo para poder falar. – Meu corpo foi...... Hã?!
Mas, por incrível que pareça, o corpo do Arcano ainda estava “inteiro”.
Alexandre olhou para trás rapidamente, assumindo uma postura de ataque, e percebeu que o corpo “morto” de Titan não estava mais lá.
— Mas que intensão assassina absurda! – pela primeira vez o arcano sentiu o verdadeiro medo da morte.
— Então você achou que com esses simples ataques iriam acabar comigo? – disse Titan a poucos passos atrás de Alexandre que tremia muito, suava frio e engolia saliva a seco.
— “Então essa é diferença entre nossos poderes? ” – pensou o arcano que estava imobilizado pelo temor do pallasite.
De repente uma voz veio do além dizendo:
— Desculpe pela demora e obrigado pela paciência!
Um feixe de luz aparece, e dali saem Kiki e Mirfak.
— Agora é sua vez! – disse Kiki.
Uma luz branca começou a brilhar e, por instinto, Alexandre olhou para ela, mas antes de perceber o que era, o mesmo tinha virado uma estátua de pedra. O temível escudo da medusa intimida qualquer oponente, inclusive seres de forças colossais.
— Por que demoraram tanto? – Titan estava emburrecido. – Eu quase morri nesta batalha. Ele é um oponente bem forte.
— Acho que seriam necessários alguns anos para ele lhe derrotar. – sorriu, de leve, Kiki.
— Responda minha pergunta Kiki.
— Desculpe Titan, mas eu não posso teleportar dentro do santuário devido a barreira de Athena que impede o uso de tal habilidade. -explicou Kiki.
— E por minha causa o senhor Kiki não pôde vir mais rápido já que minha velocidade é muito inferior a de um cavaleiro de ouro. – disse Mirfak.
— Eu não poderia ir na frente já que precisava da força de nosso companheiro. – disse Kiki sentindo-se um pouco culpado. – Mas mesmo assim obrigado Mirfak, sem você o plano dele não teria dado certo.
Titan tocou nos chifres da armadura de áries e perguntou preocupado em um tom sério:
— Onde está a senho... – Titan é interrompido.
— A senhorita Pallas está bem. – completa Kiki. — Ela lhe espera no Santuário.
***
Sala do Grande Mestre
— Minha nossa! Que demora daqueles inúteis. – disse o homem impaciente e irritado. – Pena que eu não posso ir até lá. Que saco!
— Não reclame de sua posição ela é muito importante, Grande Mestre. – disse uma voz calma e serena.
— Cala a boca Fudou, eu não pedi sua opinião! E era para você, Kiki, Seiya ou qualquer outro estar aqui em meu lugar. Até a Laki seria uma escolha melhor. Eu quero que me chamem de Harbinger entendeu?!
— Que interessante! Esse é o verdadeiro comportamento do Grande Mestre. – disse o homem magro de cabelos curtos e castanhos com uma mecha trançada; seu traje é vermelho com chifres. Ele tinha, em punho, a espada Laevateinn.
O ombro esquerdo do guerreiro de cabelo trançado foi tocado homem alto, de cabelos longos e loiros; tinha uma barba grande e uma cicatriz em sua pálpebra inferior esquerda. Sua armadura era completamente fechada de uma cor semelhante a uma pérola. Em sua braçadeira esquerda havia uma proteção semelhante a cabeça de um cavalo. Ele segurava, apoiada em seu ombro, a espada Gram. Em seguida ele disse seriamente:
— Não fique brincando com os cavaleiros de Athena, estamos aqui por um motivo sério. Entendeu Surtr?
— Eu só estou tentando compreender melhor nossa relação. Afinal, como o Grande Mestre disse, nós somos uma aliança. –falou Surtr retirando a mão do guerreiro de seu ombro. — E ficar calado o tempo inteiro não é muito bom Sigmund.
Todos ficaram em silêncio.
Sons de passos ecoaram por aquela sala. Um guerreiro se deslocou em frente ao Grande Mestre que estava em pé na frente de seu trono. Esse guerreiro tinha uma aparência andrógena; seus olhos são rosados; possui cabelos curtos, ondulados e lilás; sua pele é pálida, tem estatura média e um porte elegante; seu traje é completamente fechado e com duas asas em suas costas, possuindo uma cor semelhante ao pôr do sol.
— Com licença, Harbinger. Eu, Sorento de Sirene, estou curioso para saber o porquê de alguns cavaleiros de ouro não estarem por aqui. – disse calmamente o general marina. – Aqui estão presentes os guerreiros deuses Surtr de Eikthyrnir e Sigmund de Grani; os cavaleiros de ouro, Fudou de Virgem e Integra de Gêmeos. Kiki de Áries já está a caminho com o pallasite Titan. Mas vejo que estão faltando Seiya de Sagitário, Shiryu de Libra e os outros três lendários.
— Frodi de Gullinbursti e Heracles de Tanngrisnir tem uma missão, proteger Asgard. – explicou Harbinger. — assim como eles os lendários Seiya, Shiryu, Hyoga e Ikki estão protegendo outros locais. Shiryu descobriu um cosmo extremamente forte, intenso e ameaçador; provavelmente deve ser algum deus a serviço de Moros. Então os mandei investigar. Mas decidi manter aquele molenga do Shun conosco, embora preferisse seu irmão Ikki. Pode não parecer, mas o cosmo dele é monstruoso. E você sabe do que estou dizendo, não é Sorento?!
— Shun! Ele está vindo para cá?! – Sorento ficou surpreso e feliz ao mesmo tempo. – “Finalmente verei meu amigo novamente. ” – pensou
De repente a porta da sala do grande mestre abre com força.
— Chegamos! – disse Kiki que levitava, com sua psicocinese, a estátua de Alexandre.
— Senhorita Pallas! – gritou Titan preocupado.
Kiki pôs a estátua de Alexandre, com bastante cuidado, no chão de mármore do salão do Grande Mestre.
— Deu certo! – disse Integra. – “Não sabia que ele seria um estrategista tão bom assim” – pensou.
— E não é que essa “tripa vermelha de Asgard” tinha razão! – “elogiou” Harbinger o Guerreiro Deus, Surtr.
— Surtr é um homem bastante culto. – disse Sigmund. – Já leu centenas de milhares de livros. Eles sabe tudo sobre constelações, mitologias, estratégias...
— Acho que nenhum de nós teria em mente um plano onde precisaríamos de um cavaleiro de prata. – argumentou Fudou.
Harbinger desceu a pequena escadaria em frente do seu trono e caminhou até a estátua ordenando:
— Fudou use suas “cordinhas” para que ele não fuja!
— Certo, Grande Mestre. – o cavaleiro de virgem deu um leve sorriso, elevou seu cosmo e, gentilmente, exclamou: “Shougyou Danzai! “ – Uma corda vermelha amarrou a estátua; em suas extremidades havia um forma pontiaguda, e na outra era circular.
Todos na sala ficaram em frente à estátua. Kiki olhou para Mirfak e disse:
— Preciso destruir o escudo da medusa para poder desfazer o “feitiço”. Mas não se preocupe, eu consertarei ele mais tarde.
O cavaleiro de áries olhou para o escudo e em seguida elequebrou por completo tornando-se pedaços inúteis e quebrados de metal. “Me perdoe armadura de Perseu” – pensou Kiki demostrando respeito à armadura.
— Agora saia Mirfak. – pediu Harbinger. — Não fique se achando porque nos ajudou.
— Harbinger! Cadê, a senhorita Pallas? — perguntou Titan preocupado.
— Ela está segura no templo de Athena.
***
O arcano voltou ao normal. Em seguida seu corpo “caiu”, com muita força, no chão, devido ao “shougyou danzai”. Ele tentou se levantar, mas cada vez que se movia, as cordas o apertava mais. Sua vista ainda estava embaçada.
— Onde é que eu estou? – gritou desesperadamente. – Eu irei matar todos voc...
Um mega soco, com bastante força, esmurrou o rosto de Alexandre, fazendo com que alguns de seus dentes se soltassem de sua mandíbula.
— Harbinger, pare! – advertiu Surtr.
— Minha mão estava coçando! – gargalhou prazerosamente Harbinger. — Não pude resistir.
O arcano cuspiu alguns dentes com sangue e olhou fixamente para Titan.
— Não sei o que vocês querem comigo, mas não irei falar nada sobre meu senhor. Podem me torturar, mas não direi.
— Torturar é?! – disse Harbinger ironicamente que veio a quebra o fêmur do arcano.
Ele gritou e esperneou de dor
— Harbinger! Pare já com isso! – gritou Integra. – Não podemos cometer o mesmo erro de matar outro servo de Moros.
Alexandre arregalou os olhos e ficou pálido. Ele olhou para Integra e perguntou enfurecido à amazona de gêmeos: — Quem está morto? Diga quem morreu? Quem foi o desgraçado que fez isso?
Um som muito agudo tomou conta do salão. Todos, automaticamente, puseram as mãos em seus ouvidos, exceto Alexandre que estava amarrado..
— Agora entendeu?! Quando o matei ele não teve tempo nem para proteger seus ouvidos. Davi de Force morreu de forma patética. Será que você quer ter o mesmo fim que ele?! – disse, friamente, Sorento, dando um choque emocional em Alexandre.
O servo de Moros chorou devido à perda de um grande amigo e companheiro seu, o arcano Davi de Force. Entre os arcanos todos são como irmãos de corpo e alma. Mas ele não sabia que a perda de um deles poderia ser algo tão triste.
— Agora diga-me se o que estou pensando é correto. Existem mais vinte de vocês, não é?! – indagou Sorento. – “La Force” e “Le Chariot” são cartas arcanas representantes do tarot. Isso quer dizer que ainda faltam vinte, não é mesmo?!
— Davi.....Davi....Da.....vi.....Di....vah.- Alexandre se sentiu como a garota Divah depois de presenciar a chacina que o mesmo cometeu.
— Agora me responda seu inútil. Qual é o objetivo de vocês? – O rosto de Sorento se “transformou” em uma sirene com dentes afiados cobertos por sangue e tripas.
Todos ali estão assustados e intimidados com a frieza e temor que Sorento estava demostrando. O silêncio dominou o local mais uma vez.
Alexandre começou a mover seus lábios, balbuciando alguma coisa. Mas ninguém conseguia compreender. O tom de sua voz começou a aumentar. Sorento, impacientemente, tocou sua flauta em um conjunto de notas agonizantes. O arcano gritou agonizado devido ao som da flauta:
— Tenjinsoseiken!!! A Espada da Criação! Nós precisamos dela a qualquer custo. Mas por favor pare com este som em minha cabeça!
Harbinger se virou, olhou para Titan seriamente e falou em voz alta:
— Ei magrelo! O que você tem a dizer sobre isso, Titan de Espada da Criação?
CONTINUA -->
Fale com o autor