Leandro, o cavaleiro de bronze de Escultor, outrora um guerreiro respeitado e renomado por todo o Santuário, agora se lançara numa cruzada pessoal contra os Cavaleiros de Atena. Havia passado anos ensinando teatro, artes visuais, artes cênicas e outros conhecimentos, pelo Santuário e ao redor do mundo, além de ensinar o controle e a maestria do cosmo para potenciais candidatos a cavaleiro. Não mais. Esses dias ficaram para trás. Agora ele podia enfim se livrar da máscara de bonzinho e agir abertamente como queria há tempos. Poderia bater de frente com o Santuário e, se seus planos dessem certo, faria enfim com que todo o Santuário ficasse subjugado, submisso aos seus pés.

Estava achando divertido de forma demasiada ficar lançando os cavaleiros de Atena em novos desafios em cada nova linha temporal, universo alternativo ou mundo paralelo em que os colocava. Tudo isso sem que eles pudessem alcançá-lo de verdade. Podia aparecer de vez em quando, para dar a eles a ilusão de que podiam enfrenta-lo numa luta equilibrada e, quem sabe, ter uma chance ínfima de sucesso. Ledo engano. Os cavaleiros estavam presos em seu labirinto particular, e Leandro se deleitava com isso. A cada desafio superado, ele sempre conjurava um novo para se distrair, enquanto ocupava e brincava de "torturar" e testar os limites dos Cavaleiros de Bronze, certo de que, aos poucos, estava levando os adolescentes à loucura.

Escondido na nova dimensão de linha temporal em que havia entrado, aguardando os Cavaleiros de Bronze e acompanhando atentamente os passos deles, ele bebericava um vinho enquanto acompanhava através de uma bola de cristal os passos de Isabella e Gustavo, que haviam acabado de acordar em plena arena de treinamentos.

Logo, eles se viram na companhia de um recém-chegado inesperado. Hm. Aquela aparição repentina não estava totalmente dentro dos planos de Leandro (ele sabia de muitas coisas que iriam acontecer naquela linha temporal, só não tinha controle total sobre elas), mas ele balançou a cabeça. Não importava. Talvez ele ainda pudesse tirar proveito daquela situação. Talvez a aparição do tal sujeito lhe servisse bem de algum modo. Enquanto os cavaleiros de Atena jovens do século XXI estivessem perdidos, confusos e desorientados, ou, ainda melhor, batendo cabeça entre si ou contra os nativos daquela linha do tempo, tanto melhor para ele, pois significava que eles não estariam a par ainda do quadro geral, do que era realmente o grande plano e objetivo de Leandro.

O cavaleiro que aparentava ter quase 40 anos, embora fosse ainda bem mais novo do que isso, media 1,87m de altura, tinha cabelos castanhos cortados rente, quase ao estilo militar, olhos castanhos em tom de amêndoa e pele levemente bronzeada. Tinha uma barba por fazer e usava óculos redondos. Sentado na sacada de um imponente palácio, longe das vistas dos Cavaleiros de Bronze, ele apreciava seu vinho e o prazer de sua própria companhia enquanto esperava pacientemente para que os próximos passos de seu plano tomassem forma e realidade, diante de si.