Os Cavaleiros do Zodíaco - Le Roi-Soleil
6 Prólogo II
Não pare! Corra e não volte. Corra! E ele correu. Correu até parecer que correr era a única coisa que ele sabia fazer. Não pensava, apenas corria. Ignorava gritos e apenas corria. Quando cansava se escondia e descansava, mas logo voltava a correr. Até que nem lembrava quem tinha lhe mandado correr. Tudo estava destruído por onde ele passava. Pessoas mortas no chão, cidades abandonadas. Homens vestidos com armaduras escuras rindo e destruindo tudo. Ele era pequeno, conseguia se esconder fácil, sempre sentia a presença dos homens quando eles se aproximavam. Ia aos supermercados para matar a fome e a sede, às vezes levava uma ou outra coisa para comer, mas preferia não levar nada, pois era peso adicional para quando ele precisava voltar a correr.
O tempo passou e ele não tinha ideia se foram meses ou anos. Fazia muito tempo que não falava com alguém, costumava falar sozinho e sentia dificuldades em formular as palavras. Estava chegando a mais uma cidade abandonada, o que pra ele era muito bom, já que poderia se alimentar e sair sem chamar atenção dos caras de preto. Achou um supermercado, comeu e estocou algumas comidas enlatadas; eram melhores de guardar, conservar e também de se livrar. Trocou suas roupas por umas novas que encontrou em uma casa, normalmente sempre entrava e seguia viagem, mas dessa vez decidiu ficar ao se sentar na cama. Há quanto tempo não dormia numa cama? Era tão macia, tão confortável que só de encostar a cabeça adormeceu e sonhou com tempos passados, tempos que pareciam tão distantes. Uma mãe que lhe abraçava, um pai que jogava bola com ele, um irmão menor que logo abria um sorriso quando lhe via. Quanto tempo isso fazia? Nem lembrava mais do rosto deles, eram apenas borrões.
— Vamos, procurem! Se acharem alguém me avisem.
O grito o acordou rapidamente, eles chegaram! Se ele tivesse ido embora como sempre teria escapado, sua fraqueza poderia ser o motivo de sua morte. Correu para janela e viu alguns homens entrando em casas vizinhas, outros quebravam carros com socos e chutes. Eles eram muito fortes. Saiu andando devagar, viu que na casa tinha uma porta por trás que ele poderia usar para sair, mas não deu tempo. Uma forte rajada de vento o empurrou e ele foi parar na rua, um dos homens deu um forte soco na casa e só a força do seu golpe fez isso com ele, eles eram realmente fortes.
— Olha só, achei que não iriamos encontrar nada aqui.
Um homem com a voz assustadora pisou na cabeça dele. A armadura dele era escura assim como a dos outros, mas era diferente, era maior e mais assustadora, tinha grandes asas. O homem ria para os seus amigos enquanto eles riam em retribuição.
— Então criança, qual e o seu nome? – O homem sorriu de forma estranha para ele.
Ele tentou, mas não conseguiu, não lembrava mais seu nome. Ele pensou se esforçou, mas não se lembrou. O homem insistia na pergunta sempre aumentando o tom de voz. Ele sabia que se não lembrasse seria pior.
— Vamos garoto, eu não lhe fiz uma pergunta complicada. Diga-me o seu nome. – Falou o homem se afastando do garoto.
— Eu... Não me lembro. – A voz dele era fraca, pelo pouco uso.
— Garoto burro. Acabem logo com ele. – O homem olhou com decepção e deu as costas ao garoto. — Odeio matar quem eu não sei o nome.
E ele entendeu o que ia acontecer, finalmente ele teria o mesmo destino de sua família. Será que na morte ele iria os ver e finalmente lembrar como eles eram? Vários homens partiram para cima dele e ele fechou os olhos. Mãe... Mas nada aconteceu, será que era assim a morte? Então ele resolveu abrir os olhos e uma grande luz o cegou por um momento, uma luz dourada.
— Então e assim que os espectros de Hades lutam? Importunando crianças indefesas? – Gritou alto uma mulher de cabelo vermelho e brilho dourado. Ela estava na sua frente, entre ele e os homens que o queriam atacar. — Morram desgraçados! Relâmpago de plasma! – Então uma luz dourada cegou o garoto, uma luz quente e reconfortante, a luz da esperança.
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