Os Cavaleiros do Zodíaco - After Hades
19 Defesa
Notas iniciais
THAYNA
Janus chegou ensanguentado. Tinha hematomas por todo o rosto e corpo, e em sua face desciam rubros filetes de sangue. Ainda sim, a Princesa das Satélites não se abateu. Foi até ele, e envolveu-o em um forte e aconchegante abraço. Estavam sozinhos no quarto da comandante, e – em tese – os dois não se veriam até a apresentação dos relatórios no Conselho da Lua, na presença de Hécate e Selene. Mas Thayna não se importou com isso. Chegou perto de seu aprendiz, e afagou os cabelos negros, enquanto ele recostava sua face entre seus seios. Após alguns segundos quieto, ele levantou o rosto marcado pela batalha, envolveu seus braços em torno do pescoço da satélite e disse:
– Me desculpe... Eu falhei, mestra. Não pude derrotar o Fênix... Tive que fugir, acuado...
– Não, meu querido, você não falhou. Cumpriu sua missão, e voltou vivo. Isso basta. Afinal, você será mais importante aqui, no Castelo da Lua.
– Mestra... – Balbuciou ele.
– Saia daqui agora, Janus – Disse Thayna, dominadora. Ele assentiu e saiu calado do aposento da satélite, imediatamente. “Eu o treinei bem – orgulhou-se a Princesa das Satélites. Janus era o seu aprendiz mais bem treinado, assim como o mais obediente – Ele sabe que não deve contradizer minhas vontades.”
Thayna parou, e observou o seu quarto. Ele era até que simples, em comparação a luxuosidade que geralmente seguia as servas de Ártemis. Tinha uma cama de marfim branco, ornamentada nas pontas circulares. Os lençóis também eram brancos e estavam desgrenhados, já que era manhã e a Princesa das Satélites havia acabado de acordar. As paredes eram beges, e o quarto tinha duas janelas longas de vidro do lado esquerdo, que davam uma visão de cima para o resto dos Domínios da Lua. Ele ficava na ala oeste do Segundo Andar do Castelo de Prata. O Castelo de Prata ficava após uma série de construções, os Dez Palácios da Lua, que eram semelhantes as Doze Casas do Santuário de Atena. Em cada um dos palácios, um poderoso guardião, e após eles, ficava o Castelo de Prata, onde residem as três deusas, Hécate, Selene, e a própria deusa da lua, Ártemis. Andou até uma das janelas, e começou a pensar. “Temos que montar uma estratégia de defesa... Tenho algumas ideias, mas o sumiço de Luna está me preocupando demais... Ela seria a primeira defensora do Templo de Ártemis...”.
Por fim, Thayna suspirou, girou sobre os calcanhares e começou a se arrumar. Ajeitou os cabelos negros e cacheados, e colocou a ornamentada Glória Prateada. “Luna era a satélite negra, e eu a satélite iluminada”, pensou. Então, olhou para o relógio rústico de madeira que estava na parede da direita, e viu que era a hora de partir. Saiu andando pelos estreitos corredores, focada em seu objetivo. Virou pela direita, à esquerda, subiu uma escada, e chegou até a porta do Conselho da Lua. Adentrou o local, e se ajoelhou. Em sua frente, as três deusas observavam Thayna. No centro, em um trono simples feito de prata, estava Ártemis, a deusa da Lua e da Caça, com seus cabelos brancos esvoaçando, sua face serena e ao mesmo tempo rígida. Do seu lado direito estava Selene, em cima de um trono ornamentado e negro. Com cabelos loiros e lisos, e olhos cor de mel, era a deusa das fases Minguante e Crescente, parte obscura e parte brilhante. Já do lado esquerdo, ficava Hécate. A Bruxa da Lua — de cabelos negros e olhos prateados — era a deusa das fases Nova e Cheia. Ora era obscura, ora era brilhante, mas nunca as duas ao mesmo tempo.
– Levante-se, Princesa das Satélites. – Disse Ártemis.
– Sim, mestra.
– Chame as outras. – Disse Hécate, que parecia estar na fase brilhante. “Que sorte eu tive”.
– Entrem!! – Disse Thayna com a voz rígida, e então elas entraram. Iris, June, Mingua e Clara se posicionaram ajoelhadas lado a lado, todas atrás de Thayna. Por fim, Tohma entrou, e ficou – também de joelhos — próximo à porta de entrada.
– Levantem-se, todos – Falou a deusa da lua, que continuou – Quero que comecem o relatório. Primeiro você, Tohma.
O ruivo então se levantou, e mirou diretamente os olhos de Ártemis, de uma forma de certa forma desafiadora. Thayna cerrou os punhos, mas manteve-se parada em respeito a sua deusa.
– Odisseu e Teseu estão mortos – Disse ele, seco. A Princesa das Satélites agora entendia o motivo da raiva dele – Os dois foram mortos pelo cavaleiro de ouro de Aquário, que nesse momento deve estar no Santuário.
Todos no recinto ficaram de certa forma surpresos. Talvez eles tivessem subestimado os cavaleiros de Atena, afinal.
– Então, apenas Lako e você estão vivos no momento, Tohma? – Indagou Selene.
– Sim. Eu acabei perdendo duas amazonas de prata, mas não acredito que as duas venham a ser um grande problema no futuro. Quando separadas, podem ser derrotadas facilmente.
– Entendo. Pois bem, satélites, agora é a vez do relatório de vocês.
Clara se adiantou, já de pé, com a Glória Prateada semelhante à de Thayna reluzindo.
– O comunicado de Guerra Santa foi dado a Athena. Os cavaleiros já se mobilizam. Lá, vi alguns cavaleiros. Ao todo, contei três de ouro, três de prata e três de bronze. Contudo, esse número deve aumentar, com os reforços que certamente vão aparecer.
– Hum... Chegou a entrar em combate com algum deles? – Perguntou Hécate, com um sorriso sombrio no rosto que fez Thayna reavaliar o pensamento inicial sobre a fase brilhante da deusa.
– Sim... Enfrentei um cavaleiro de prata, e após um de ouro. Acabei tendo que recuar após todos chegarem.
– E qual o nível de poder deles?
– O de prata tinha um cosmo mediano, mas o de ouro... Era poderoso. Além disso, ele disse algo sobre eu ter raptado o filho dele...
– E você raptou? – Indagou ela, novamente ostentando um sorriso maquiavélico no rosto.
– Não, senhora Hécate. Não sei o que pode ter acontecido com ele.
– Está certo. Isso é tudo? – Perguntou Ártemis.
– Sim.
– Pois bem, qual o próximo relatório?
– Sou eu. – Disse Iris. A satélite avançou, com a Glória Vermelha dando um tom carmesim ao local – Minha deusa, as informações que tenho são as seguintes. Eu derrotei o cavaleiro de Andrômeda, na Ilha de Andrômeda, mas seus aprendizes fugiram com as armaduras. Acredito que tenha os visto em seu encontro com os cavaleiros em Roma. Informo que Andrômeda era um cavaleiro dito lendário, e de fato provou isso, dando a mim a pior luta que tive em minha vida. Se June não tivesse me ajudado, eu teria morrido em batalha.
– Entendo... – Falou Ártemis, refletindo – Nesse caso, temos que ter cuidado com os cavaleiros lendários, mesmo que suas classes sejam de bronze. Pois bem, quem é a próxima?
– Eu – Disse Thayna.
– Vá em frente, satélite.
– Tenho algumas informações a mais, e também uma estratégia para a defesa do Templo de Ártemis.
– Diga então, ora! – Disse Selene, subitamente impaciente.
– Luna está morta – A informação pegou todos de surpresa — Foi derrotada pelo grupo de cavaleiros que se encontraram com Ártemis em Roma. Contudo, encontrei também o corpo de dois cavaleiros de prata no local de batalha. Ela morreu, mas levou dois cavaleiros consigo.
– Entendo... – Ela ficou um tempo pensando, até responder – Pois bem. Tem algo a mais?
– Sim, mestra. Um de meus servos entrou em conflito com alguns cavaleiros no Santuário. Ele informou a presença de um outro cavaleiro de ouro, e também a volta de mais um cavaleiro lendário, o cavaleiro de fênix, que era seu antigo mestre. Segundo ele, os cavaleiros agora sabem a nossa localização.
– Hum, que pena... Esperava ganhar mais tempo... Diga-me sua estratégia para defender o meu templo, Thayna? – Perguntou a deusa da lua.
“Estava esperando por isso!”
– Entrem!! – Ordenou Thayna.
Então, as quatro figuras sombrias entraram no recinto. Nesse momento, Ártemis abriu um sorriso.
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