Notas iniciais
Himeros e Pothos são membros dos Erotes ou os 4 filhos alados de Afrodite e personificavam as faces do amor. Os outros membros que compoe os Erotes são Anteros e o próprio Eros; Saiph e Bella (Bellatrix) são nomes de duas estrelas que compõem a Constelação de Órion;

Jaga saltava e girava na direção do misterioso homem de armadura azul. O cavaleiro de prata acumulava energia cósmica e a concentrava em seu pé finalizando com um poderoso chute.

— Choque Megatônico de Meteoros!!! — gritava ele.

No entanto, o homem some de sua frente como se fosse nada além de uma miragem. Já cansado daquilo tudo, Jaga parte pra cima dando uma sequencia de socos, mas este apenas desviava e segurava o último golpe.

— Já chega desta brincadeira. — dizia o homem. — Bianca, leve a humana para Eros, agora mesmo.

— Sim, mestre Anteros. — ela dizia abaixando a cabeça e em seguida pegando Aimi e a carregando pelo ombro.

— A-Anteros?! — diz Jaga surpreso. — O Deus Anteros?

Anteros não diz nada, apenas sorria de canto. Os olhos dele brilham em um tom de cor quartzo e Jaga começa a sentir seu corpo paralisar. Ele tentava se mover, queria se mover, mas o corpo simplesmente não respondia.

— D-Desgraçado... — ele dizia com dificuldade. — O-O que pretende com Aimi?

— Ora, cavaleiro. — o suposto deus o olhava com desdém. — Isso só diz respeito ao meu querido irmão.

— P-Por favor... — Jaga segura o braço de Anteros com uma força incrível.

— Mas, o quê...? — o Deus ficara impressionado com a persistência de Jaga. Mesmo sob o controle do Deus, ele conseguira mover seu braço? — Me diga, cavaleiro de Athena, é mesmo humano?

— M-Me devolva... — ele dizia uma vez mais. — Por favor, me devolva Aimi!!!!

Jaga gritava desesperadamente e soltava um cosmo poderosíssimo contra Anteros que surpreso se afasta e acaba o libertando de seu controle.

— O que foi esse cosmo de agora? — indaga Anteros. — Por acaso foi o sétimo sentido?!

Jaga arfava. Lutar contra o controle de um Deus o deixara exausto. O cavaleiro de Órion mal se aguentava em pé. Naquele mesmo instante, o céu se escurece e a imagem da constelação do cruzeiro do sul surge no que Kraisto aparecia projetando um raio azul de energia com um golpe de pressão. No entanto, o golpe não parecia surtir efeito contra Anteros.

— A cavalaria chegou, huh? — dizia o Deus fechando os olhos. — Vocês humanos são realmente impertinentes, não são?

Ian estava junto a Kraisto e segura Jaga que parecia quase desmaiar.

— Jaga, você está bem? — ele perguntava ao amigo que não respondia nada, apenas se apoiava e arfava cansado.

— Por favor... — o cavaleiro de prata se solta do amigo, empurra Kraisto de lado e agarra a armadura do deus, caindo sob seus joelhos. — Eu lhe imploro!

Anteros não dizia nada, apenas olhava à cena. Ele fecha os olhos, suspira e então dá um tapa em Jaga.

— Decepcionante. — diz o Deus. — Deplorável...

Anteros se vira um tanto cansado daquela cena toda e caminha desaparecendo da frente deles. Jaga ainda caminha alguns passos tentando alcança-lo, mas acaba desmaiando. Kraisto e Ian ficam surpresos com tudo e correm até o companheiro.

[Casa de Aquário Santuário de Athena]

— Mestre Sadal, ele vai ficar bem? — perguntava Altair no que olhava para Phaeton que estava deitado em uma cama, suando.

Sadal estava sentado na beirada da cama, passando uma toalha na testa de seu discípulo.

— Ele estava sob o controle de alguém. — dizia Sadal. — Por isso esta febre, mas ela é passageira.

— M-Mestre... — dizia Phaeton finalmente despertando. — Obrigado.

— Você saiu dos trilhos um pouco. — dizia Sadal. — Como seu mestre, era minha obrigação trazê-lo de volta a si.

— Phaeton... — interrompia Altair. — Enquanto lutávamos você me disse que Eros estava atrás da mais bela de toda a Grécia. Por que ele simplesmente não a pegou? Porque atacar os cavaleiros de Athena?

— Porque a mais bela de toda a Grécia não é uma simples camponesa. — diz Phaeton. — Ela é a namorada de um de nós. Ele sabia que haveria problemas.

— Ainda assim, isso não combina com o Deus do Amor. — dizia Sadal pensativo. — Eros sempre foi um Deus bondoso. De fato, era muito galanteador e se apaixonava facilmente. Mas iniciar um ataque contra os cavaleiros de Athena?

— Eu agi em nome de Eros, mas quem me controlava era outro. — respondia Phaeton.

— Outro? — indagava o cavaleiro de Ouro. — Quem? Sabe seu nome?

— Anteros... — diz Phaeton ainda com um pouco de dor de cabeça. — Acho que era esse seu nome.

Sadal, que bebia um gole de água em seu copo de barro o deixa cair ao ouvir aquele nome. Altair e o cavaleiro de bronze o olham estranhando.

— Sr.Sadal... — Altair se aproxima. — O senhor está bem? Esse nome significa algo para o senhor?

— O deus da Desunião. — diz Sadal. — Foi o filho de Afrodite e Ares. Anteros é o irmão mais novo do deus Eros. Segundo a lenda, Anteros foi criado para ser o oposto de seu irmão.

— O oposto? — indagava Altair.

— Eros, o deus do Amor, é quem exerce a força de atração entre os homens. Anteros é quem exerce a força de repulsa. Logo, se Eros é o deus do Amor e da União, Anteros é o deus da Desunião. Anteros era conhecido por trazer dor através do amor não correspondido.

— Ou seja, é um deus cruel e cínico. — resumia Altair.

— Ele cria ilusões em nossas cabeças que deturpam a realidade. — comentava Phaeton sobre o que ocorrera consigo mesmo.

Após algum tempo, Jaga desperta na cama de sua amada. Com ele estavam Ian e Kraisto. Ele tenta se levantar, mas os dois o impedem.

— Calma aí, amigo. — dizia Kraisto. — Você ainda não está bem.

— Aimi, eu preciso salvá-la! — Jaga parecia desesperado.

— Jaga, tenha calma. — diz Ian o contendo. — No momento você precisa descansar.

— Vocês não entendem. Aimi não é como nós, ela não é uma amazona. — explicava Jaga. — Ela é frágil e delicada como uma flor.

— Oun. — Kraisto brincava. — O cavaleiro de prata mais forte do exército está apaixonadinho.

O cavaleiro de Cruzeiro do Sul olhava para Ian que apenas fechava os olhos e negava com a cabeça. Kraisto ficava um tanto sem graça.

— Desculpa. — ele dizia constrangido. — Nos diga, como conheceu ela?

— Fomos criados praticamente juntos. — contava o cavaleiro de Órion. — Os pais de Aimi eram amigos dos meus. Vivíamos uma vida simples e feliz até que veio a guerra de Hades e minha família se foi. Eu fui levado para o Santuário, me tornei um cavaleiro enquanto Aimi permaneceu com sua família. Eu a reencontrei durante uma de minhas missões pelo Santuário e desde então passamos a nos ver sempre.

— Jaga, Jaga... — Kraisto agora o olhava com um sorriso malandro. — Sempre nos surpreendendo. Quem diria!

— Nós vamos te ajudar. — dizia Ian.

— Hm? Não, não posso envolvê-los nisso. Não é uma missão do Santuário.

— Missão ou não, eles mexeram com todos nós. — dizia Kraisto. — Manipularam o neto do Cavaleiro de Unicórnio. Não posso perdoá-los. — ele socava a própria mão.

— Você é o nosso companheiro. — Ian dizia enfim. — Um cavaleiro de Athena nunca abandona seu companheiro.

— Ian... Kraisto... — lágrimas escorriam dos olhos de Jaga.

Ele logo se recompõe e os três cavaleiros partem rumo ao inimigo em alta velocidade. O templo de Eros ficava em Corinto. Logo que chegam, eles avistam um rosto conhecido e se aproximam dele.

— Maya, o que faz aqui? — perguntava Ian.

— Soube o que houve com Mon. — diz Maya. — Decidi investigar e a investigação me trouxe até aqui. O que fazem aqui?

— Jaga foi atacado. — explicava o cavaleiro de Escudo. — Sua namorada foi levada. Parece que Eros quer alguma coisa com ela.

— Espera um pouco... — Maya olhava para eles intrigado e surpreso. — Jaga tem uma namorada?

— Eu também fiquei surpreso... — cochichava Kraisto para ele.

— Não temos tempo a perder. — Jaga cortava a conversa dos dois. — Vocês querem mesmo me ajudar?

— Já disse, já fomos envolvidos nisso quando fomos atacados. — respondia Ian.

— Muito bem... — ia dizendo o cavaleiro de Orion.

No entanto, os 4 cavaleiros de prata são repentinamente atacados por flechas. Maya as repele e os quatro ficam atentos ao redor. Risadas são escutadas, mas eles não conseguiam ver mais nada.

— Afastem-se do templo de Eros! — gritava uma voz.

— Vocês não são bem vindos aqui, cavaleiros de Athena! — dizia uma outra, esta mais aguda.

— Quem está aí? — questionava Kraisto. — Porque não aparecem?

Diante dos quatro surgem dois cavaleiros de armaduras simples, com uma saia presa por um cinto de metal com o símbolo de um coração. Ombreiras, uma proteção para o peitoral mas que não o cobria todo, joelhos e pernas e nos braços. Um deles possuía o cabelo vermelho assim como os olhos. A armadura deste possuía detalhes vermelhos, mas era branca. O outro possuía o cabelo esverdeado, com armadura também branca, mas detalhes esverdeados. Ambos seguravam um arco e carregavam flechas entre as asas em suas costas.

Himeros, deus do Desejo. — dizia o de cabelos vermelhos.

Pothos, deus da Paixão. — dizia o de cabelos verdes. — Estamos aqui para guardar o templo de Eros, nosso irmão.

— Então são irmãos de Eros, huh? — indagava Jaga. — Vocês me dirão o que Eros quer com Aimi!

— Humano petulante. — diz Himeros. — Como ousa falar dessa forma desrespeitosa com os Erotes?

— Vocês cavaleiros de Athena pagarão por esse desrespeito! — dizia Pothos.

Os quatro cavaleiros vestem por fim suas armaduras e se preparam para a batalha. Kraisto se posiciona na frente de Himeros com os braços em forma de uma cruz.

— Trovão do Cruzeiro do Sul!!! — anunciava Kraisto.

Em seguida, ele avança para infligir um raio azul de energia. Himeros se posiciona em defesa enquanto que o cavaleiro de prata gerava pressão contra ele através do golpe. O deus do desejo desaparece de sua frente com uma velocidade absurda. Ele aparece voando no ar desferindo bolas de energia contra Kraisto que é atingido e lançado para trás.

— Kraisto, você está bem? — diz Ian se aproximando.

— Eu estou. — respondia o cavaleiro. — Eles não são oponentes para se subestimar.

— Escudo Mortal!!! — dizia Ian queimando o cosmo e projetando seu pé sobre Pothos e girando sobre si mesmo, como um tornado. Em seguida, ele desfere uma voadora giratória, assimilando o movimento de uma britadeira.

Pothos rebate o ataque de Ian o fazendo voltar pra trás. Em seguida, o Deus da paixão empunha seu arco na direção dele e arma uma flecha.

— Flecha da Paixão Ardente! — dizia o Deus disparando sua flecha contra Ian que se defende com o escudo.

O cavaleiro para em pé encarando o Deus. No mesmo instante, Himeros aponta sua flecha para cima e a dispara.

— Flechas do Desejo Oculto! — ele anunciava.

A flecha disparada se multiplica no ar e cai na direção de Jaga e Maya que as rebate com as suas próprias flechas.

— Ian, Kraisto, Jaga, precisamos recuar! É perigoso que fiquem aqui! — dizia Maya.

No entanto, o único que respondera a Maya fora Kraisto. Jaga e Ian pareciam imóveis. Os deuses riam daquela situação. Os dois cavaleiros se viam preocupados.

— Malditos! — dizia Maya. — O que fizeram com eles?!

— Ian, você se defendeu do ataque, não foi?! — Kraisto se aproximava dele. — Porque não reage?! Ian?! — ele toca o amigo que se desarma revelando a flecha fincada em seu peito. — Mas, como?!

— Hahahahhaa, tolo! — dizia Pothos. — Acha mesmo que o mísero escudo dele o protegeria da flecha de um Cupido? Nossas flechas podem atravessar qualquer escudo.

— N-Não pode ser... — diz Kraisto.

No mesmo instante, os olhos de Ian brilham em um tom escarlate, a flecha em seu peito parecia entrar ainda mais. O cavaleiro de escudo expulsa a parte superior de sua armadura ficando com o peitoral à mostra. Ele caminha na direção de Pothos e se joga de joelhos.

— Meu senhor! — Ian dizia. — Me perdoe por minha ousadia! Me castigue, por favor!

— I-Ian... — dizia Kraisto surpreso com aquela reação. — Desgraçado! O que fez com ele?!

O cavaleiro de prata se revolta e parte pra cima de Himeros queimando seu cosmo. Maya tenta alertá-lo para que ele não o fizesse, mas era inútil. Pothos aproveita a situação para ataca-lo com uma de suas flechas que o atinge com tudo. Kraisto para no mesmo instante e expulsa a parte superior de sua armadura também.

— Eu levantei minha mão contra o senhor Himeros e o senhor Pothos... E-Eu... — ele olha pras próprias mãos. — Eu mereço ser castigado! Eu mereço!

Maya via aquilo tudo sem saber o que fazer. Kraisto começava a arranhar o próprio peitoral cravando suas unhas com força e as puxando para baixo, implorando por uma punição. Ele olhava para Jaga que continuava imóvel, como se estivesse em transe.

Na mente de Jaga, ele via uma vida tranquila, onde ele se via voltando de mais uma missão.

— Aimi, estou aqui. — ele dizia.

— Jaga! — ela corre para seus braços e então os dois dão um beijo caloroso. — Que bom que voltou! Ficamos com saudades!

— Oh, é mesmo? — ele dizia com um sorriso sereno. — Me demorei muito desta vez, não é mesmo?

Ele sente alguém puxar a borda de sua blusa e então olha para baixo. Era um pequeno bebe nos braços de um garoto de 7 anos. A julgar pela roupa, o bebê se tratava de uma linda garotinha.

— Oh, Saiph! — Jaga dizia tocando a cabeça do garoto. — Cuidando bem de Bella?

— Sim, papai. — respondia o garoto.

Ele pega a pequena Bella no colo enquanto o garoto o abraçava nas pernas. Jaga se sentia feliz como nunca antes. Ele chorava em sua visão e na realidade. O corpo do cavaleiro começava a emitir um poderoso cosmo.

— Hm? — dizia Himeros impressionado. — Isso não pode estar acontecendo! C-Como?!

— Eu agradeço pelo ótimo sonho que me proporcionou. — dizia Jaga voltando a si. Ele então apontava para Pothos. — Você! Eu não me interesso por você, deixo ele em suas mãos Maya. Agora você... — Jaga apontava para Himeros. — Você eu terei um enorme prazer em destroça-lo, mesmo sendo um deus!

— Q-Quê?! Insolente!

Jaga queimava seu cosmo o máximo que conseguia. A constelação de Órion surgia atrás dele num fundo que parecia com o espaço. Ele então ergue seu dedo indicador para atrair descargas elétricas do céu abrindo seus braços e acumulando energia vindas do céu em formas de raios, as absorvendo.

— Extermínio de Órion!!! — gritava ele fechando os braços em direção ao deus do desejo e lançando trovões em forma de uma poderosa rajada.

Essa rajada atinge Himeros com tudo, o fazendo cair no chão com sua armadura destruída. Maya concentrava seu cosmo ao máximo, ele então salta e dispara uma chuva de flechas contra Pothos.

— Flechas Envenenadas! — dizia Maya anunciando seu ataque.

O deus da paixão se defende, mas logo cai de joelhos notando que uma flecha havia fincado seu coração.

— Você não é o único a atirar flechas que podem perfurar o inimigo. — Maya dizia se aproximando dele. — Aos poucos a minha flecha envenenada adentrará ainda mais o seu coração espalhando o veneno em sua ponta por todo o seu corpo. Aos poucos, o seu corpo material irá ficar pesado e doente até que por fim, você morrerá neste plano, “deus”.

Pothos levava a mão ao coração. Ele não podia acreditar que realmente acabaria morrendo ali e voltando para o Olimpo. O cavaleiro de Sagitta parava diante do deus e o olhava.

— Agora, se quiser parar de sentir essa dor, sugiro que acabe com o efeito do seu golpe sob os meus amigos.

Pothos não aguentava mais a dor em que se encontrava. Ele faz como Maya pede. As flechas presas no peito de Kraisto e Ian desaparecem. Os dois que pareciam se punir logo voltam ao normal se olhando constrangidos.

— Pessoal, precisamos ir! — dizia Jaga preocupado e aflito. — Não temos tempo a perder aqui!

Ian e Kraisto se levantavam colocando a parte superior de suas armaduras novamente. Eles se preparavam para seguir adiante quando Himeros segura o pé do cavaleiro de Orion.

— O-Orion... — dizia o Deus do desejo. — C-Como? — ele perguntava. — Como quebrou o transe do meu poder? Ele devia lhe manter preso ao seu desejo mais profundo.

— Esse foi o seu erro. — dizia Jaga fechando os olhos e sorrindo de canto. — Ver o que mais desejo apenas reforçou a minha vontade de seguir em frente.

Jaga se solta e segue adiante com os outros cavaleiros. O Deus do desejo fica ali, esperando seus últimos minutos no plano terreno.

— Esse fogo que os humanos possuem... — o Deus dizia. — Esse desejo em proteger os que amam, quanto tempo não via isso.

Continua...

Notas finais
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