Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira
21 Capítulo 21 – Euro, o criador de tempestades
Notas iniciais
Enfrentando os 8 Ventos em batalhas mortais para salvar o Grande Mestre e o mundo, Shee e os Cavaleiros de Prata conseguiram passar por 4 andares da Torre dos Ventos. Altair também cai no golpe “Tornado da Miragem” de Siroco, o vento noroeste, quando chega ao quarto andar. Siroco brinca com os sentimentos dos outros personificando aqueles mais próximos e queridos para atacá-los traiçoeiramente. No entanto, seu poder de nada adianta contra Jaga de Órion que defende com bravura a honra dos seus companheiros e mostra porque é tido como “O Cavaleiro de Prata mais poderoso”!
Jaga pressiona um ponto específico do corpo de Altair e então se levanta e ruma em direção a uma das duas portas que haviam aparecido no outro lado do andar.
– Espere, Jaga... — dizia Altair com dificuldades.
– Altair, eu atingi os pontos vitais de vocês para que possam continuar. — interrompe o cavaleiro de Órion – Maya e Shee parecem demorar mais, não sei se sobreviverão.
– Mas, Jaga...!
– Isso só dependerá deles. — continuava Jaga sem deixar Altair completar uma frase sequer – Descansem enquanto eu cuido dos outros andares. — Jaga vira sua cabeça para Altair finalmente e o encara – Vocês serão fundamentais na luta final.
– O Sr.Jaga tem razão...
– Shee! — diz Altair olhando pra trás ao ouvir a voz de Shee que finalmente acordara.
– A culpa é toda minha! — dizia o garoto – Me deixei levar pela ilusão do inimigo e abaixei a guarda – Shee se levanta com dificuldades e então se senta no chão, olhando para Jaga que estava de costas ainda – Acho que ainda não sou bem um cavaleiro, afinal!
Jaga não fala nada, apenas corre e deixa eles pra trás entrando em uma das portas. Porém, enquanto corria ele apenas pensa: “Não se preocupe, garoto, você foi valente! Um dia será um grande cavaleiro!”.
– Será que ele ficará bem, Sr. Altair? — pergunta Shee.
– Não se preocupe. — Altair se vira e olha para o garoto – Se Jaga cair, é sinal de que estamos todos perdidos!
– Eh?! — diz Shee quase caindo novamente – Não era bem essa resposta que eu esperava! — ele sorri enquanto uma gota de aflição escorria de sua testa.
– De qualquer forma, — Altair olha novamente para as portas – Não é com ele que estou preocupado...
Altair olha para a porta que indicava o vento leste. Kraisto chega finalmente ao quinto andar, o andar do vento leste. Ele olhava ao redor, desenhos de trovões circulavam as pilastras ali. Ao olhar pra cima, o cavaleiro vê o desenho de um céu coberto por nuvens e trovões caindo delas. Ao pisar mais a frente, ele se surpreende.
– Água? — ele se abaixa e toca o chão – Sim, é realmente água e parece água do mar. Você está aí, não está? Apareça, vento leste!
Um cosmo extremamente concentrado toma conta do lugar. A silhueta de um homem armadurado surge ao fundo do andar e se aproxima de Kraisto.
– Hahahahaha, nunca pensei que um humano chegaria até o quinto andar da Torre! — diz o vento com uma voz suave e mais afeminada – Você até que é bem bonitinho.
O homem usava uma armadura amarelada que lembrava a dos outros ventos, porém com algumas diferenças, o cinturão possuía uma safira em formato de pedra no mesmo tom da armadura e no cento do peitoral havia uma outra igual. Nas costas, asas no mesmo tom e intensidade da armadura. Seu cabelo era azul e parecia que havia feito chapinha. Os olhos eram da mesma cor do cabelo. No canto de seu olho esquerdo, havia uma pequena pinta e o homem parecia usar brilho labial.
– Desgraçado! — diz Kraisto bastante alterado – Isso é outro truque? Porque você tem essa aparência?!
– Hm? — o homem leva seu dedo indicador à bochecha e começa a pressioná-lo – O que tem de errado com meu rosto? Acha que exagerei no blush?
– Isso é algum tipo de piada? — insistia Kraisto – Esse rosto... Esse rosto...
– Ah, lembrei! — diz o vento leste – Foi de um fulaninho a alguns anos atrás! Logo que despertei, ele naufragava morto no mar e então possui seu corpo, mas sabe, tive que fazer umas melhorias, porque esse homem era extremamente brega! Precisava ver, e...
O vento leste continuava a tagarelar, porém, Kraisto já não conseguia mais escutá-lo, ele ia se enervando cada vez mais. O cavaleiro do Cruzeiro do Sul parecia fora do ar.
– Vento Leste, como pode tripudiar dessa forma?! Você tem noção do que esse rosto representa pra mim?! A quanto tempo eu não o vejo?! Eu jamais me esqueço daquele dia! — Kraisto olha as próprias mãos e lágrimas escorrem de seus olhos – Pai... Mãe...
[Flashback]
Grécia, 9 anos atrás...
– Hamal, este é meu filho Kraisto. — diz o homem parecido com o vento leste. Este carregava a Caixa de Pandora do Cruzeiro do Sul – o entrego aos seus cuidados para o treinamento de Cavaleiro.
– Pode contar comigo, Abba. — respondia Hamal que se agacha e olha para o pequeno Kraisto – Olá, pequeno. Eu me chamo Hamal, sou o cavaleiro de ouro de Áries. Prazer em conhecê-lo, Kraisto.
Hamal estende sua mão para o garoto que, com cara de choro e receio, olha para o pai. Abba dá um pequeno empurrão em Kraisto e balança a cabeça como se dissesse “tudo bem”. Kraisto então enxuga os olhos e o cumprimenta.
– O prazer é meu!
Hamal poe a mão na cabeça de Kraisto e sorri para o pequeno.
– Você é um bom garoto! Não se preocupe, pequeno... — dizia Hamal, agora o olhando sério – Esses olhos vermelhos como o fogo te ensinarão muita coisa! Seu pai e eu somos grandes amigos, mas eu não pegarei leve com você em meu treinamento.
– Hã?! — diz Kraisto assustado.
– Hamal, por favor, não assuste meu filho logo no começo! Hahahahaha – ria Abba segurando Kraisto em seus braços agora – Não se preocupe, Kraisto! Dê o seu melhor e eu me orgulharei de você! Promete?
– Sim! — dizia o rapaz – Você verá, papai! Eu serei o próximo Cavaleiro do Cruzeiro do Sul!
– Oh, é mesmo?! — diz ele bagunçando o cabelo do filho – Quer herdar a armadura do papai, é?! É?!
– Hihihihi! Hihihihi!
– Meus pais tiveram que viajar naquele dia e ficariam alguns anos fora... Durante esse tempo, comecei meu árduo treino com o Mestre Hamal... Até que, nos meus 10 anos, veio a terrível notícia...
Grécia, 4 anos atrás...
Ian estava com Kraisto comemorando. Os dois comiam em uma barraquinha em frente ao local onde eram efetuadas as disputas pelas armaduras. Os dois estavam com suas Caixas de Pandora do lado deles enquanto comiam.
– Parabéns, Kraisto! Você finalmente conseguiu se tornar um cavaleiro!
– Não qualquer cavaleiro, o novo Cavaleiro do Cruzeiro do Sul! Quando meu pai ler minha carta, ele vai ficar muito orgulhoso!
– Tenho certeza que sim! — dizia Ian sorrindo.
Naquele momento, Hamal surge diante deles com uma expressão triste.
– Hm? — estranha Kraisto – O que houve, mestre? Achei que ficaria feliz! Eu consegui!
– Sim, fico feliz por isso, pequeno, mas... — Hamal hesitava.
– O que foi? — Kraisto repara que Hamal segurava uma carta em sua mão – Que carta é essa, mestre?
Sem coragem, Hamal apenas entrega a carta para o rapaz que, ao ler, começa a entrar em prantos. Ele abaixa a cabeça amassando a carta, seus cabelos pareciam agora lhe cobrir os olhos, como se ele tentasse esconder a tristeza com a lamentável notícia na carta. Tudo ao seu redor parecia sumir de repente, seu corpo era consumido por um mix de tristeza e ódio.
[Flashback]
– Por favor, me diga... — dizia Kraisto – Porque você se parece tanto com meu pai? Como sabe da tempestade que o matou?
– Aff... Como você é entediante! — dizia o vento leste – Fica repetindo a mesma coisa, sempre! Eu já disse, me apossei do corpo deste homem quando despertei. Esse homem estava tão frágil e fraco ao lado daquela mulher morta, ele tinha uma beleza peculiar e isso me atraiu.
– O meu pai, ele parecia triste? — perguntava Kraisto – Ele, por um acaso, sofreu?
– E você acha que eu me lembro? — diz o semi-deus com cara de tédio – Se eu prestasse a atenção em todos que morrem com minhas tempestades...
– Como é?! — diz Kraisto o encarando com ódio – Desgraçado! Então a tempestade que matou meus pais foi... Foi...
– Isso mesmo, fui eu! — diz ele – Euro, o vento leste! Finalmente entendeu, não foi?! Você é bonitinho, mas não é muito esperto, né?
– Desgraçado, farei com que pague por isso!!!
Kraisto parte pra cima do semi-deus completamente impulsionado pela fúria. Ele dava socos e mais socos sem preparo algum. Euro desvia de todos e em seguida o ataca com simples empurrões de ventos ferozes.
– Aff, com tantos cavaleiros eu tinha que ter ficado com o mais fraquinho? — diz o semi-deus.
– Não me subestime seu desgraçado! Esses seus ataques de vento me feriram superficialmente apenas! Não pense que já me derrotou!
– Ora, não se preocupe, queridinho... — diz o vento leste se preparando para um novo ataque – Logo, logo eu acabarei com você!
– Ouça bem! — diz Kraisto – Pode ser que acabe morrendo em suas mãos, mas eu te prometo, por meu pai e minha mãe, levarei você junto comigo!
– O que disse?! Hahahahahha! — ria o semi-deus – Hahahahahaha! Ai, meu deus! Eu nunca ri tanto! Hahahahahhaa! Minha barriga, como está doendo de tanto rir! Hahahahhahaha
O Vento leste então empurra Kraisto novamente com seus ventos e o joga de uma pilastra para outra com um impacto muito forte, onde um humano comum já teria morrido há muito tempo. Porém, Kraisto continuava a se levantar.
– Você tem muita sorte, cavaleiro! — diz o vento leste – Se não estivesse trajando essa armadura e não tivesse treinado, com certeza essa hora você estaria morto!
– Me diga... — diz Kraisto – Porque diabos você matou meus pais?! Por que diabos causou aquela tempestade?!
– Oh? — diz Euro – Você não conhece a lenda de Euro, o vento leste? Pois bem, irei contar...
Enquanto contava, a imagem de uma forte tempestade era mostrada. Barcos sendo destroçados, pessoas gritando e morrendo.
– Na mitologia antiga, dizem que o vento leste era o responsável pelos bons tempos e chuvas. Era o grande criador de tempestades, alguns associavam elas como fúria, outros como um efeito colateral. — explicava o próprio semi-deus enquanto a cena voltava para o quinto andar da torre onde se encontravam – Depois de muito tempo aprisionado nessa torre, eu despertei com um ódio tremendo, tudo o que eu queria era descontar nos protegidos pela filha de Zeus!
– Então tudo o que você fez não passou de uma “birra”? Meus pais morreram por causa da revolta de um semi-deus mimado? — dizia Kraisto revoltado com tudo aquilo que acabara de ouvir, ainda mais do que antes.
– No momento que despertei, eu vi seus pais... — continuava Euro – Eles pareciam muito felizes...
[Flashback]
– Aqueles humanos...– dizia a voz de Euro ao ver Abba e Dalia felizes, velejando de volta para a Grécia – Como sorriem felizes! Porque estão tão felizes?! Humanos!!! — dizia a voz do semi-deus, agora ecoando pelos céus.
– Hm?! Que voz é essa?! — dizia Abba olhando para o céu – É algum deus?
– Porque tamanha felicidade? Por qual motivo?
– E porque não estaríamos?
– Tolos! Se pensam que essa felicidade durará, estão muito enganados! Sintam a ira de um deus que há muito fora aprisionado! Sentirão a dor que guardei todo esse tempo!
Uma grande e furiosa tempestade começara. Abba tenta segurar a mão de Dalia, mas é inútil, o barco logo vira em meio a um redemoinho em pleno alto mar que engole os dois.
[Flashback]
– Seu pai foi muito corajoso, lutou bravamente para proteger sua mãe...
[Flashback]
Abba se via puxado pelo redemoinho ele vê Dália, desmaiada, e então a segura. Ele tenta nadar para fora com ela em seus braços, mas enfrentava grande dificuldade.
– Droga! – pensava Abba – Não consigo! Se estivesse sozinho, talvez conseguisse! Esse redemoinho é forte demais! Nós dois não conseguiremos!
– D-Deixe-me aqui, Abba! — diz Dalia recobrando a consciência – Salve-se!
– Não! Eu não te abandonarei! — diz ele – Resista, Dalia!
O redomoinho fica ainda maior e mais forte. Os dois são dominados por ele, mas Abba consegue manter Dalia em seus braços.
– Abba! — gritava Dalia.
– Dalia! Resista! Nós vamos sair daqui juntos!
– Abba, me perdoe! — diz Dalia – A culpa é toda minha de ser tão fraca, não sou uma guerreira de Atena como você!
– Dalia, meu amor, aguente firme! Apenas aguente firme!
O remoinho então joga os dois para o alto e cessa. Abba nada até um pedaço de madeira do barco e se apoia nele com Dália.
– Humano, o seu amor está morto. Sua vida está quase no fim, ainda acha que há motivos para sorrir? — diz a voz de Euro.
– T-Tolo... — diz Abba com dificuldades e ainda assim sorrindo.
– Esse sorriso! — diz ele – Não é possível! Porque? Porque ainda ri, humano? Me diga, antes de morrer! Por favor!
– Mu-Muito bem... Eu digo... — diz Abba que em seguida diz alguma coisa e então desmaia.
Uma luz desce do céu e então se choca com o corpo de Abba que começa a flutuar numa aura dourada e desaparece.
[Flashback]
– E então você possuiu o corpo do meu pai. — conclui Kraisto.
– Possuir o seu pai, um humano tão lindo e mal tratado, foi o único meio de mantê-lo vivo. — diz o semi-deus – Era o mínimo que eu poderia fazer, por uma beleza tão peculiar. Mesmo que essa beleza ainda seja indigna de um deus como eu. Mas tem uma coisa que você não sabe, lindinho...
– E o que é? — diz Kraisto.
– Eu logo soube que o filho daquele homem havia se tornado um cavaleiro de Atena e quis ver o quão forte ele havia se tornado! — dizia o semi-deus – por isso eu o atrai diretamente para o meu andar! Mas foi decepcionante ver o quão patético você é! A terra não deveria ser protegida por humanos tão patéticos. — ele aponta para Kraisto – Para salvar esse planeta imundo, primeiro precisamos destruir o Santuário de Atena, e depois repovoá-lo com seres lindos e dignos como eu! Hahahahahaha
– Como pode? — diz Kraisto – Como pode manchar a imagem do meu pai com um pensamento tão mesquinho assim? Euro, me escute! — Kraisto se levanta e fica diante do vento leste, lançando um olhar determinado contra o semi-deus – Não permitirei que suje ainda mais a imagem do meu pai!
– Hahahahaha! Acha que pode impedir a mim com uma força tão ridícula assim? Não seja tolo! É melhor começar a implorar por sua vida agora mesmo! — ele faz um movimento se preparando para usar sua técnica – Te honrarei com a mesma morte de seu pai! Receba minha técnica!
– Esse cosmo terrível...! — diz Kraisto se surpreendendo com a mudança no cosmo de Euro que passou de um cosmo tranquilo para algo agressivo.
– Grande Tempestade!
O ataque de Euro é lançado contra Kraisto que é atingido com tudo por ele.
Continua...
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