Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira
18 Capítulo 18 – A derrota do vento sudeste! A poderosa flecha de Sagitta!
Notas iniciais
Para salvar o Mestre do Santuário, os cavaleiros de Prata adentram a Torre dos Ventos localizada nas ágoras da cidade de Atenas. Shee é interceptado por Kaikias, o vento nordeste que explica que para derrotar os filhos do deus Éolos, eles precisavam destruir as Padparadjas, as armaduras que protegem seus corpos mortais. Após atingir o sétimo sentido por um instante, Shee finalmente o derrota e parte para o andar seguinte onde se encontrava Maya. O cavaleiro de Sagitta, enfrenta Apeliotes, o vento sudeste que se prova um inimigo terrível, mas, após se lembrar do passado, o cavaleiro de prata se levanta mais uma vez.
– Você quer saber porque não morri com o veneno das suas cobras? — Maya levanta levemente sua boca, formando um sorriso sagaz – É porque em minhas veias corre o veneno das flechas de Sagitta! Irei acabar com você de uma vez por todas, prepare-se! Flechas Luminosas!
Maya enche seu punho com cosmo-energia e a dispara na forma de várias flechas luminosas contra Apeliotes.
– Espere um pouco, Sagitta, o que vai fazer? — As flechas atingem as raízes da árvore que surgem para proteger o semi-deus – Não pense que porque é imune aos venenos de minhas cobras a batalha já está ganha! — Diz o semi-deus esticando seus braços para cima.
– Eu já disse que não morrerei aqui! — diz Maya.
– Calor Escaldante!– Apeliotes concentra sua cosmo energia e a mistura à temperatura do ambiente. O local começa a ficar ainda mais quente, como se fosse uma forte fonte termal ou se estivessem bem próximos de um vulcão.
– Flechas Luminosas!– grita Maya desferindo novamente a técnica. Dessa vez, atingindo o semi-deus com precisão.
Cada ponto atingido pelas flechas causam arranhões na Padparadja do vilão. Maya sorria confiante para Apeliotes.
– Pode me mandar qualquer um dos seus ataques, Vento Sudeste. Já conheço todas as suas técnicas, elas não funcionarão comigo uma segunda vez!
– Desgraçado, não fique se achando só porque está tendo alguma sorte, eu não irei pegar mais leve com você!!! — dizia o Semi-deus irritado — Fruto Proibido!
Apeliotes aponta em direção à Maya e várias folhas voam como navalhas contra o cavaleiro de prata em forma circular. Maya lança suas flechas novamente contra as folhas que são destruídas uma por uma. Enquanto isso, Shee corria pelas escadas da Torre dos Ventos.
– Amigos... Esperem por mim!!! — dizia Shee cheio de vigor e energia.
[...]
Bóreas caminhava pelo último andar da Torre que mais parecia um grande palácio cercado por fontes. Ele olha para Shion que parecia desmaiado e sem forças quase. Dos seus pulsos ainda pingava sangue. O Vento Norte se aproxima do Grande Mestre e levanta seu rosto dando pequenos tapinhas.
– Shion... — diz Bóreas – Quando desistirá dessa bobagem e fará por conta própria?
Shion abre os seus olhos recobrando a consciência. Ele olha para o semi-deus em sua frente.
– Se você quisesse, eu poderia poupar sua vida sem problemas. — diz Bóreas. O Grande Mestre continua a encará-lo.
– Eu já lhe disse, Bóreas. — responde o Grande Mestre – Jamais entregarei este mundo protegido por Atena a seres malignos como você. — ele então cospe sangue no rosto do vilão que apenas limpa.
– Você é mesmo um teimoso, não é? — diz Bóreas fechando seus olhos – Assim como o humano que possui...
[Flashback]
Um rapaz idêntico a Bóreas é mostrado. Seu cabelo era negro e penteado meio de lado. Ele usava um óculos de grau redondo sem armação para os ouvidos, ligado por uma singela corrente presa ao seu casaco. Notava-se que por baixo do casaco, o homem usava uma camisa branca cujo colarinho ficava bem no alto. Ele retira a cartola em sua cabeça e cumprimenta beijando a mão de uma linda jovem.
A jovem usava um vestido longo com decote de cor dourada com pequenas rosas bordadas nas bordas da saia. Seu cabelo era verde e preso no alto. Ela recolhe o leque em sua mão e abaixa a cabeça retribuindo o cumprimento do rapaz. Os dois se retiram para a sacada de um palácio, o homem se apoia nela e olha para a jovem logo em seguida.
– O que você acaba de me dizer é verdade mesmo? — diz o rapaz com feição de surpresa.
– Sim. — responde a jovem que era idêntica à deusa das brisas – Essa é uma Padparadja, uma safira muito rara. Se aceitá-la, tenho certeza que não se arrependerá.
– Mas, porque vai me dá-la? Assim, de graça? Quem é você, afinal?
– Eu sou Aura. — responde a jovem – A deusa das brisas.
– Deusa? — diz o rapaz um tanto incrédulo – Um tanto arrogante se dizer uma deusa, não acha? De fato, a senhorita é dona de uma beleza rara, mas deusa?
– Me diga uma coisa, rapaz. — diz ela ignorando o comentário dele – Não gostaria de ser poderoso como um deus da mitologia?
– Um deus da mitologia?
– Isso mesmo. Aquele que possuir essa Padparadja alcançará o poder de um deus. Agora, por favor... — diz ela erguendo a mão com a safira para o rapaz – Aceite-a e se torne um deus.
– M-Mas o que você... — diz o rapaz ao ver Aura se aproximar dele bruscamente e tocar seu peito com a Padparadja que brilha e se converte na roupa que Bóreas usava na Torre dos Ventos. Os cabelos do rapaz se espetam nas laterais e algumas mechas loiras surgem.
[Flashback]
– ... Aquele rapaz possuía um espírito forte e por algum tempo foi difícil eu conseguir dominá-lo por completo. — diz Bóreas tocando seu peito – Depois de dominá-lo enfim, pude juntar meus irmãos e dar sequencia ao nosso plano. Agora escute, “Grande Mestre”, — ele diz com desdém enquanto olhava de cima para Shion caído ali sem forças – não pense que deixarei que tudo termine aqui por conta de sua teimosia. Vocês humanos são nojentos e merecem perecer! A Terra será o reino de meu pai, Éolos!
– A Terra não será reino de ninguém se vocês acabarem com os seres humanos. — diz Shion – De que adianta um reino, sem ninguém a quem governar?
– Como é? — diz o semi-deus cerrando os punhos e revoltado – Então vai continuar teimando em não nos ajudar, não é?
– Eu continuo minha decisão, e a acreditar que os Cavaleiros de Atena salvarão este planeta e aqueles que nele vivem!
Irritado, Bóreas eleva seu cosmo fazendo com que as plantas de Zéfiros reagissem apertando ainda mais os pulsos do mestre do santuário.
– Os seus tão amados Cavaleiros de Atena serão todos massacrados! O Reino de Atena logo não existirá mais!
Maya desviava dos ataques contínuos de Apeliotes. O semi-deus então mais uma vez lança seu ataque.
– Fruto Proibido!
Desta vez, tanto as cobras quanto as folhas vão em direção ao cavaleiro de prata.
– Você pode ter sido capaz de se esquivar das folhas da minha Macieira e das Cobras, mas não conseguirá dos dois ao mesmo tempo! Você não possui tantas flechas assim!
– Eu já lhe disse, Apeliotes! — insistia Maya – Não morrerei aqui!
Maya então lança as Flechas Luminosas e as Flechas Envenenadas contra os dois. As Flechas Luminosas atingem as cobras enquanto que as Envenenadas eram lançadas contra as folhas.
– O-O que?! — diz o vento sudeste ainda mais surpreso – Como isso é possível?! É como se a cada ataque que eu desse você ficasse mais forte, mais rápido!!
Uma das flechas atinge a Padparadja novamente, fazendo o arranhado se converter numa pequena rachadura. O semi-deus a toca ficando ainda mais surpreso.
– Uma rachadura na minha Padparadja?! N-Não posso acreditar...
– Eu já lhe disse mil vezes. — repete Maya – Suas técnicas não surtirão mais efeitos em mim. Eu sou um cavaleiro que já passou pela morte uma vez, não permitirei passar por ela outra vez tão cedo!
– Você já se esqueceu que eu sou um semi-deus e você um mero humano? Você pode me atacar quantas vezes quiser que eu não morrerei tão fácil assim!
Os olhos do Vento menor brilha. Novamente, as serpentes surgem do cosmo gerado pela maçã, em seguida, o vilão faz com que as folhas atacassem juntamente com as raízes da árvore. O semi-deus então estica seu braço.
– Calor Escaldante!
Em seguida, Apeliotes faz com que o ambiente chegue a uma temperatura tão alta que o chão se abre cuspindo fogo que começa a girar no sentido das folhas e a dominar as raízes da árvore se tornando um enorme chicote de fogo. Maya desvia das cobras pegando algumas pelo pescoço e as jogando no fogo. Em seguida ele expulsa as folhas com rajadas de cosmo-energia e segura as raízes, mesmo que envoltas com fogo.
– E-Então vai mesmo continuar com isso? — pergunta o cavaleiro de Sagitta sentindo dor por conta do fogo que queimava suas mãos. Ele então concentra o cosmo em suas mãos.
– O-O que?! — Apeliotes surpreso mais uma vez – Não me diga que...
– Flechas Luminosas!
As raízes explodem e de dentro delas saem diversas flechas feitas de luz por todas as raízes até chegarem na árvore, a destruindo por completo.
– Será que agora você entendeu, Apeliotes? Nada do que você tentar, vai me fazer parar. — diz Maya fechando os olhos e com um sorriso de canto – Ainda há um longo caminho que devo percorrer. Salvar o Grande Mestre foi a missão dada a mim, só pararei quando ela for cumprida.
– N-Não acredito que você tenha conseguido superar minhas técnicas. Esse é o poder de um cavaleiro de prata?! Não posso acreditar! — diz o vilão segurando seu peito onde se encontrava a pequena rachadura em sua armadura. Naquele instante, ela aumenta, se tornando um rombo e deixando o peito desprotegido – Mas ainda me resta uma técnica, uma que você não viu...
– Você não vai parar enquanto eu não te derrotar de fato, não é? — diz Sagitta num tom convencido – Pois bem...
– Morra dessa vez, Sagitta! — grita o inimigo concentrando um cosmo poderosíssimo. Atrás dele surgem a imagem de mais dois deuses lembrando as esculturas gregas dos ventos nordeste e sudoeste. — Poderoso Tornado!
As duas imagens se juntam ao corpo de Apeliotes que se transforma em um enorme tornado de fogo. O tornado gira na direção de Maya que é envolvido e se vê cercado pelo fogo.
– Hã?! O que está acontecendo aqui? — diz Maya sentindo um calor terrível junto com mais dois cosmos.
– Sinta-se honrado, Sagitta! Essa é uma ocasião rara, fazer um semi-deus unir seu cosmo ao de mais dois não é pra qualquer um! — responde o semi-deus – Agora você sentirá a força de três deuses!
Maya por fim se ajoelha, o tornado de fogo que o engolira parecia encolher cada vez mais. Seu corpo agora era atingido e ele sentia queimar.
– A maldita luta de meu irmão, Kaikias contra o cavaleiro de bronze me enfraqueceu um pouco, gostaria que ele não tivesse chegado a usar essa técnica, sua sorte foi ter lutado contra um deus desgastado, cavaleiro de prata, ela acaba aqui! — diz a voz de Apeliotes saindo do tornado de fogo.
Maya não respondia nada, apenas ficava calado.
– Como é cavaleiro? Não vai dizer mais nada?! Hahahahaha Está com medo agora, não é?
Maya demonstrava uma certa feição de dor, devido ao calor insuportável que sentia ali e às queimaduras nos braços. Ele então dá um salto.
– O que houve? Acha que escapará do Tornado Poderoso?! Não vai não!!!
O tornado começa a se fechar e então Maya queima o seu cosmo ao infinito.
– Vamos lá... — dizia Maya no ar – Queime... Queime Cosmo!!! — uma enorme energia envolve o corpo do cavaleiro que se prepara para o seu último ataque — Flechas Fantasmas!
Maya gira seu corpo em 360 disparando diversas flechas contra o tornado.
– Hahahahaa! — a risada de Apeliotes ecoava por todo o tornado – Tolo! Acha que vai me enganar com essas flechas ilusórias? Não conseguirá enganar um deus com uma técnica tão fraca e primária assim!
– Tem certeza? — diz Maya caindo ajoelhado de olhos fechados.
– O-O que é isso?! — diz o tornado de fogo enquanto uma flecha dourada brilhava em um determinado ponto. De repente, o tornado desaparece dando lugar apenas ao corpo de Apeliotes que segurava a flecha em seu peito, onde se localizada a rachadura de sua Padparadja – Co-Como conseguiu?! Que flecha é essa?!
– Foi você mesmo quem disse, Apeliotes. Minha sorte foi ter lutado contra um deus desgastado, não foi? — diz o cavaleiro.
– Como é?! Quer dizer então que... Durante esse tempo todo que estava sendo consumido pelo Tornado Poderoso você procurava um desfalque nele?
– Isso mesmo. Assim que encontrei, eu sabia que você estava escondido ali, que ali seria o seu ponto fraco.
– Isso não quer dizer nada! — diz o semi-deus – Essa flechazinha não significa nada para mim, que sou um deus! Idiota! Sua esperança não passa de uma ilusão, assim como suas técnicas!
O deus então leva a mão ao peito e tenta retirar a flecha, porém, ela parecia presa como se estivesse colada com cimento em uma pedra.
– A Flecha... — diz o vento sudeste – Ela não quer sair! Por que?!
– Apeliotes, você foi ferido com a flecha dourada de Sagitta. A única forma de retirá-la é com o Escudo de Atena que, infelizmente pra você, não se encontra neste plano, sumiu junto com ela.
– Co-Como é?!
– Você pode ser um deus, — diz Maya – mas seu corpo ainda é mortal. Aproveite suas 12 horas de vida restantes.
Ian parte pra cima de Lips, o vento sudoeste, que cria barras de luz e as lança contra ele. O rapaz desvia delas e se afasta. Ele para e nota um arranhado em seu rosto.
– Mas o que é isso? — diz ele passando a mão em sua bochecha esquerda – Eu tenho certeza que consegui escapar dos seus ataques, mas então como você conseguiu me ferir? Será que isso foi causado pelo reflexo de suas lanças de luz?! O poder de um semi-deus é capaz disso?!
– Exatamente! — diz Lips – Os meus ventos não são ventos quaisquer. Desde os tempos sagrados, vivi sob a sombra de meu irmão, Zéfiros, que recebeu toda gloria sobre a manipulação da luz. Sou responsável por criar tempestades na costa da Itália. Apesar de pouco ter se ouvido falar de mim, sou um deus a ser temido!
– Um poder desses não deveria ser usado para o mal! — diz Ian – Como ousa se dizer um deus e fazer tanto mal assim?
– Ora, pare de falar tanta bobagem! — Lips armazena a luz em suas mãos e as transforma em pequenas lanças – Desapareça daqui pelo poder dos meus Ventos Luminosos!
O vento sudoeste então lança seu ataque contra o cavaleiro de escudo que tenta desviar mas é atingido. De volta ao segundo andar, o calor infernal para finalmente. Maya caminhava cansado quase sem energia em direção das escadas para o próximo andar, no entanto, ele estava quase caindo de tanto desgaste quando alguém se aproxima rapidamente e o segura colocando o braço no ombro, era Shee que finalmente o alcançara. Maya não diz nada, ele não tinha forças para nada. Shee então o joga para suas costas e o carrega rumo ao andar seguinte.
Continua...
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