Notas iniciais
Galera, espero que todo mundo se emocione com esse capítulo, porque, tenho que confessar. Demorei séculos pra terminá-lo...

Retrospectiva:

– Nós temos que ir até lá! Eu, Matheus e as meninas de bronze. – Disse Lays já completamente recuperada.

– Nem pense nisso, ficou louca? – Perguntei. – Isso é uma armadilha, e, se você fizer isso, vai cair direitinho nela, você ouviu, “eu irei fazer você sofrer”. E a profecia dizia que era isso que ele faria. Eu não posso e nem vou arriscar tudo isso. Você vai ficar e ajudar a cuidar dos Filhos de Apolo, enquanto eu e as meninas de bronze vamos até o templo tentar resgatar a sua irmã. – Eu me virei para o resto do pessoal. – Cada um cuida de uma parte da cidade. Façam o possível para que eles não destruam muita coisa. – Depois eu me virei para as meninas de bronze, minha armadura já cobria o meu corpo. – Meninas é hora de mostrar se o treinamento de vocês valeu a pena ou não. – Eu estendi a mão para que elas. Mas antes de elas tocarem Lays gritou:

– Espera! – Ela já vestia a armadura de virgem, ela jogou o elmo no chão e correu até mim, me abraçando. – Boa sorte. E, por favor, tenha cuidado, meu anjo. – Dizendo isso ela me beijou e me soltou.

As meninas tocaram a minha mão e nós desaparecemos.

Matheus de Aquário.

A viagem foi longa, mas não longa o suficiente para nos deixar cansados. Eu, Laura, Joyce, Luana, Bia, Saskia nos dirigíamos para o Templo de Apolo com medo do que íamos encontrar por lá. Mas era necessário. Larissa corria perigo de vida e eu tinha como obrigação ir resgatá-la.

Além do mais eu tinha alguns assuntos para tratar com Erik.

Chegamos.

Todos nós prendemos a respiração ao chegarmos lá e olharmos para cima. O local era praticamente idêntico ao Santuário, na Grécia, exceto por algumas coisas. Não havia doze casas... Havia quatro, sendo que a última era a replica que a imagem de Erik havia nos mostrado no auditório, que agora estava em chamas.

Todo o local era cercada por um rio de lava. Em terra firme havia uma colina com escadas que ligavam as quatro casas, se nós olhássemos ao redor veríamos o espaço, com todas as constelações e nebulosas. A frente de todas as quatro casas nós poderíamos ver o Sol. Enorme, e grande, banhando completamente a última casa, provavelmente a casa de Apolo. As nossas costas nós tínhamos uma incrível visão do planeta Terra, grande e azul.

– Acho que eu sei o que nos aguarda lá dentro... – Disse Laura.

– Eu também tenho uma leve idéia... – Falei.

– Será que vocês podem dizer o que é? – Disse Joyce impaciente.

– Bom... – Começou Laura. – O formato das casas é levemente familiar ao das doze casas do zodíaco, que fica no santuário, que foi onde eu treinei. Se eu estiver certa, cada casa dessas tem um guardião, que nós temos que derrotar para chegarmos a última – Ela apontou para a casa no alto da colina. – Provavelmente é onde Apolo está nos esperando.

Todos olhamos para as casas. Dentro de cada uma havia um perigo diferente, provavelmente gente muito pior que os filhos de Apolo. Eu olhei para as garotas, no rosto de cada uma, expressões iguais. Medo. Saskia havia segurado as mãos de Bia e Joyce. Laura tinha o olhar fixado na última casa, e Luana olhava para alguma coisa perto do primeiro lance de escadas.

– O que é aquilo? – Perguntou ela.

Parecia um tipo de placa, corremos até lá para ler o que havia escrito.

– “A você que adentra este território, atenção... – Começou Luana. – ... Esse território pertence a Apolo. Deus do Sol, representante da medicina, arco e flecha, musica e senhor das musas, filho de Zeus e Leto. Caso julgue seguro invadir esse território: Boa sorte. Ps.: Quem brinca com o fogo, acaba se queimando. Que sirva de aviso.”

Nós nos entreolhamos.

– Não temos escolha, temos? – Perguntou Saskia.

– É claro que tem. Sempre há uma escolha. – Falei. – Só cabe a você decidir se quer continuar, ou não.

– Olha pra minha cara de quem vai deixar você sozinho nessa. – Disse Saskia apontando para seu rosto, que expressava claramente um sarcasmo exagerado.

– Nós estamos com você... – Disse Bia, pondo a mão em meu ombro. – Aquela profecia também falava sobre nós, você não tem que fazer nada sozinho. Então... Vamos correr para a primeira casa juntos, enfrentar perigos juntos, lutarmos e sobrevivermos juntos! Afinal, nós somos uma família...

Eu sorri para ela. Bia era muito mais forte do que aqueles grandes olhos azuis podiam revelar, de alguma forma, ela tinha o poder de me acalmar... Olhei para o restante das garotas e o meu sorriso se alargou com o que vi: Qualquer vestígio de medo, que antes tomava conta de seus rostos, havia desaparecido. Todas olhavam para mim como se estivessem dispostas morrer comigo, sem medo e sem arrependimentos.

– Vamos lá! – Falei.

Então, juntos, nós começamos a subir o primeiro lance de escadas que nos levaria ao nosso primeiro obstáculo.

– Eu quero deixar uma coisa bem clara antes de chegarmos lá. – Eu falei enquanto corríamos. – Não podemos ficar todos em uma única casa... Então quando chegarmos a primeira casa, um ou dois de nós irão ficar. O resto prossegue. Entendido?

– Tem razão... – Disse Luana. – A gente não pode perder tempo.

Depois de vários minutos subindo a escadaria, que parecia não ter fim (Onde estão os elevadores quando se precisa deles?), chegamos a entrada da primeira casa.

– Que símbolo é aquele? – Perguntou Laura.

– Parece um... Centauro... – De fato, era um centauro apoiado pelas patas de trás, com um dedo apontando para o céu. – Mas não faz sentido... O centauro deveria ser o símbolo de Sagitário. – Eu cocei a nuca como costumo fazer quando estou frustrado.

– Ficarmos parados na entrada não vai ajudar em nada. – Disse Joyce. – Vamos entrar, tá certo?

– Vamos. – Falei.

Nós corremos e adentramos a primeira casa, a principio um lugar silencioso, nós diminuímos o passo e caminhamos lentamente, nossos passos ecoavam no local que aparentemente estava completamente vazio.

As paredes eram completamente brancas e o teto era sustentado por grandes e grossos pilares em arquitetura grega, exatamente como na Grécia. O local não era escuro por causa de um enorme buraco no teto que permitia a entrada dos raios do sol.

– Esse lugar é muito quieto. – Disse Saskia depois que todos paramos de andar começamos a olhar ao redor. – Tem alguma coisa errada aqui...

Ela continuou caminhando, mas sem olhar para frente. Eu estava atento. Quando a luz do sol, que saia do buraco no teto, bruxuleou eu vi um tipo de linha, fina e avermelhada, que ligava um pilar a outro.

– Saskia espere! – Eu gritei.

Mas surtiu o efeito contrário. Em vez dela parar, ela se assustou e tropeçou.

– CORRENTE DE ANDRÔMEDA!

A corrente de ponta circular da armadura de Bia passou raspando a minha cintura e prendeu Saskia de modo que ela não caísse. A amazona parou em pleno ar com o nariz quase se encostando à linha.

– Meu Deus, isso é... – Disse ela um pouco ofegante. – Isso é ferro em brasa.

Ela levantou um dedo e triscou no ferro que automaticamente começou a brilhar num tom rubro, como se fosse brasa. E nós percebemos que não se tratava de uma simples barra de ferro, era toda uma armadilha que se assemelhava a uma teia de aranha.

– Obrigada, Bia. – Disse Saskia.

– Relaxe. – Respondeu ela.

– Luana... – Eu virei para minha aprendiza. – Quer fazer as honras?

Ela sorriu o se aproximou da armadilha, estendeu a palma da mão, que começou a liberar uma névoa gelada que cobriu completamente o obstáculo. Depois de alguns segundos a névoa se dissipou e nós encontramos uma armadilha completamente cristalizada e congelada.

Luana levantou a perna direita e descarregou um chute na teia, que foi ao chão em pequenos pedaços brilhantes de gelo.

– Gostei de ver. – Falei sorrindo e passando a mão na cabeça dela.

– CUIDADO! – O berro de Joyce cortou nossos ouvidos, nós olhamos para frente onde alguma coisa brilhava e, de repente, um raio começou a vir em nossa direção.

Joyce, que estava atrás do nosso grupo, correu para frente e abriu os braços. Todo o impacto do raio foi recebido por ela, que caiu no chão logo em seguida.

– Joyce, você está bem?! – Bia gritou e se ajoelhou ao seu lado. Logo em seguida Joyce se levantou e apontou para frente.

– Tem alguém ali. – Disse ela.

– Então enfim os cavaleiros de Athena chegaram a minha casa... Não pensei que vocês fossem desistir.

Aquela voz me fez ter calafrios por todo o corpo. Eu a conhecia, mas de onde?

– Não pode ser... – Bia sussurrou e soltou o peso de seus ombros. Ela admirava de olhos arregalados o cavaleiro que se aproximava, saindo das sombras.

Sua armadura era composta como a de um cavaleiro de ouro e protegia a maior parte do seu corpo. Apesar disso era uma armadura simples, sem grandes detalhes além de uma estrala laranja bem no seu peito e pela mascara que encobria seu rosto.

Uma lágrima desceu dos olhos de Bia.

– Bia! – Gritou Joyce – O que está acontecendo?!

Eu corri para perto dela, mas não havia muito que eu pudesse fazer. Ela, por alguma razão, havia entrado em estado de choque.

– Ela não vai responder. – Eu disse a Joyce, enquanto Bia continuava a observar o cavaleiro a nossa frente.

– O que você fez com ela?! – Gritou Luana. – Fale!

– Eu não fiz absolutamente nada. – Disse o cavaleiro com uma voz completamente calma e indiferente.

Eu me levantei e fechei os punhos, de fato o cavaleiro não havia feito nada, Bia havia entrado em estado de choque por um bom motivo, que eu ainda não havia descoberto.

– Quem é você? – Perguntei. Num tom de voz tão calmo e indiferente quanto o do cavaleiro.

– O meu nome não importa. Vocês já estão mortos...

– Responda, otário! – Gritou Saskia. Uma aura vermelha e ameaçadora envolvia seu corpo enquanto ela levantava um punho.

– Não, não, Saskia. Ele é meu. – Disse Luana.

Sua aura prateada envolvia seu corpo por completo e ela saiu correndo em disparada na direção do inimigo.

Pelo jeito ele não esperava que Luana tivesse uma velocidade tão grande, então o golpe o pegou completamente desprevenido, o soco foi certeiro em seu rosto.

Eu até hoje não soube dizer se foi só na minha cabeça, mas aquela mascara parecia cair no chão em câmera lenta. E à medida que ela caia um sorriso meio metido aparecia no rosto de Vítor.

Bia, que estava ajoelhada, não suportou mais o peso do próprio corpo e caiu para trás ficando em posição fetal. Um profundo soluço saiu de sua garganta e ela começou a chorar.

Vítor virou para Luana que olhava para ele completamente sem reação. Levantou o punho que emitia um brilho alaranjado e desferiu um soco em seu estomago. A amazona saiu voando, e, antes que ela se espatifasse num dos pilares, eu a segurei.

– Você está bem? – Perguntei.

– Sim. Obrigada.

– DESGRAÇADO! – O berro de Joyce reverberou no silencio da casa. – Ela te ama, caralho! Olha só o estado dela! O que você tem na cabeça pra trair o coração dela desse jeito?

Ele não respondeu. Apenas sorriu para Joyce de forma metida, como se não fizesse idéia do que ela estivesse falando.

– Matheus. – Continuou ela. – Eu quero que vocês passem por essa casa e me deixem aqui com esse idiota. Eu vou fazer com que ele pague.

– Certo. Agente não pode perder mais tempo aqui. Ele é seu. – Eu me virei para as outras garotas. – Vamos! Bia... Você vem?

Ela não respondeu. Seus olhos estavam inchados de tão vermelhos, lágrimas ainda rolavam por seu rosto e seu olhar era vago.

– Não se preocupem com ela! Vão logo! – Disse Joyce.

– Antes de irmos, Vítor, me responda. – Eu falei. – Porque o símbolo da sua casa é um centauro?

– Não se preocupe. Não tem nada a ver com o centauro que representa Sagitário. – Explicou ele. – Sempre que o portador da armadura de Apolo aparece na terra, e descobre sua verdadeira identidade, ele escolhe três das cinqüenta estrelas mais próximas do sol para protegerem as três casas do Templo de Apolo. Nessa geração a primeira casa é protegida por mim: Alfa Centauri, ou, como vocês preferem chamar: Centauro. Essas três estrelas ficam conhecidas como Coroa Do Sol.

– E quais são as próximas? – Perguntou Laura.

– E estragar a surpresa? – Falou ele rindo.

– Vamos! – Eu gritei.

Eu e as meninas saímos correndo em alta velocidade na direção de Vítor, que abriu os braços e falou:

– Eu não vou deixar vocês passarem!

– Ora, cale a boca! – Gritou Laura. – METEORO DE PEGASO!

Vários socos na velocidade do som saíram do punho direito de Laura e grande parte atingiu Vítor em cheio, obrigando-o a se proteger, enquanto todos passavam. Eu atrasei um pouco o passo, congelei completamente o meu próprio punho e desferi um soco com toda a potencia que pude reunir no estomago do cavaleiro da Coroa do Sol, que se contraiu, sangue espirrou de sua boca.

– Isso... – Sussurrei em seu ouvido. – Foi por Bia.

Dizendo isso eu saí correndo em direção à saída da casa, mas eu não pude deixar de notar uma coisa estranha nos olhos de Vítor. Sua íris estava num tom vermelho, vermelho sangue, o que aquilo queria dizer era uma coisa que caberia a Joyce descobrir.

Já lá fora eu encontrei com as meninas que estavam paradas esperando por mim.

– Será que elas vão ficar bem? – Perguntou Luana.

– Nesse momento você tem que esquecê-las e as deixar fazerem seu trabalho, sua preocupação só vai te atrasar. – Ela olhou para baixo parecendo desolada. – Eu sei que é uma coisa horrível de se ouvir, mas é necessário.

Ela olhou para mim, uma última lágrima caiu de seus olhos, ela a enxugou rapidamente e sorriu.

– Vamos para a próxima bomba.

Joyce de Dragão.

– Voltem aqui seus idiotas! – Gritou Vítor depois que se recuperou do soco que Matheus desferiu em seu estômago.

– Tolice! – Gritou Joyce.

Ela correu e se prostrou entre Vítor e os meninos que estavam atravessando a casa. O cavaleiro levantou a palma da mão, mas a amazona, desta vez, estava preparada. Quando o raio veio em sua direção ela levantou o escudo que havia em seu braço esquerdo. Ela pôde sentir o impacto do golpe fazendo pressão no escudo, mas foi só.

Quando o golpe parou e Joyce pôde olhar para Vítor. Sangue escorria pelo canto da sua boca, e ele estava bastante ofegante.

– Como você fez isso? – Perguntou Vítor. – Esse golpe tinha muita potência.

– O escudo no meu braço esquerdo é o mais forte das oitenta e oito armaduras, nada pode destruí-lo. – Respondeu Joyce.

Joyce correu até Vítor, mirando um golpe em seu rosto. Ele desviou e tentou contra-atacar com um soco no rosto, mas a amazona segurou o punho de seu inimigo com a palma da mão esquerda, e com a direita socou seu estomago.

Nesse momento ele arregalou os olhos e abriu a boca como se fosse gritar de dor, mas não emitiu nenhum som.

Foi aí que Joyce percebeu algo que não havia percebido antes: Os olhos de Vítor estavam vermelhos, e não vermelhos como os de Bia, vermelhos de chorar, era a sua íris que tinha essa tonalidade. Algo novo em suas feições, porque em todos esses meses de convivência com o garoto ela sempre achara que seus olhos eram castanhos.

Ele sorriu.

Suas feições mudaram mais uma vez, mas ao mesmo tempo não mudaram. Era como se uma sombra tivesse caído sobre o garoto, fazendo com que ele ganhasse uma expressão mais ameaçadora, mais perigosa. Como o de uma cobra, preparada para dar o bote.

– O que aconteceu com você? – Perguntou Joyce, assustada.

– Eu não sei do que você está falando! – Gritou Vítor.

Uma aura alaranjada começou a rodear o seu corpo e ele ria psicoticamente. Era como se uma pessoa completamente diferente estivesse ali. Joyce, que ainda segurava a mão direita do garoto soltou-a de vez e tentou se proteger, mas já era tarde, o golpe já estava na metade da trajetória.

– METEOR...

Um barulho como o de correntes se arrastando pelo chão soou ao longo da casa e o golpe não chegou até Joyce, que estava esperando pelo golpe de olhos fechados. Ao abri-los ela viu a corrente circular de Bia enrolada no braço esquerdo de Vítor impedindo que o golpe chegasse até ela.

– Por favor... – A voz de Bia saia num sussurro, ela ainda chorava. – Para com isso, Vítor. Você não é desse jeito... – Lágrimas desciam pelo rosto de Bia e cada palavra era pontuada com um soluço.

– Do que você está falando, garota! Me solte! – Gritou Vítor.

– Não... – Bia havia se levantado, e agora puxava Vítor mais para perto se si. Joyce assistia a tudo atônita. – Eu não vou parar, porque eu ainda acredito naquele garoto doce que eu conhecia, acredito naquela pessoa que ficava alegre quando um amigo ficava alegre... – Bia chorava copiosamente e seu olhar era vago, como se as lembranças a consumissem. – Eu nunca vou acreditar nesse monstro que ta na minha frente, um assassino... – Bia e Vítor estavam de frente um para o outro. – É isso que você me parece: Um assas...

– Cale a boca! Garota estúpida! – Vítor levantou a mão livre e deu uma tapa com as costas da mão no rosto de Bia. O poder que mantinha a corrente presa a Vítor cedeu e ele se soltou. Bia caiu no chão. – Você não é ninguém... Pra me dizer o que fazer...

A expressão de tristeza de Bia se intensificou. As lágrimas ainda desciam pelo seu rosto e ela tocava o local do golpe como se ainda não acreditasse no que o namorado havia se transformado.

– Mas numa coisa você está certa. – Disse Vítor cerrando os punhos. – Eu sou um assassino, e minha primeira vítima... Será você! METEORO AL...

– Você não vai fazer isso, seu monstro!!! – Gritou Joyce partindo pra cima de Vítor. – DRAGÃO VOADOR!!!

Joyce pulou numa voadora e toda a energia bruta armazenada em seu corpo se dirigiu para a ponta dos seus pés. A energia era tão forte e tão intensa que a aura que a envolvia tomou a forma de um enorme dragão.

Quando a perna de Joyce entrou em contato com as costas de Vítor uma enorme explosão aconteceu, tudo ficou coberto de fumaça, mas, antes que isso acontecesse, Joyce pode perceber que Vítor havia sido atirado para longe e agora estava soterrado nos escombros da parede da própria casa.

Joyce correu até a amiga.

– Bia! Você está bem?! – Perguntou ela se ajoelhando ao lado da amiga que estava deitada no chão, ainda tocando no local em que Vítor havia batido.

Ela nada disse.

– Vamos lá, Bia... Você tem que se levantar, você não pode ficar aí para sempre... – Disse Joyce. – Aquele já não é mais o Vítor que você conheceu.

– Exatamente... – Disse Bia, mas seu olhar ainda era vago. – Ele não é o Vítor... Ele não é o Vítor... Eu... Eu... EU QUERO ELE DE VOLTA!!! – O berro reverberou em toda a casa e nesse momento um estrondo sinalizou que o cavaleiro da Coroa do Sol havia saído de baixo dos escombros.

– Garota tola... – Disse Vítor olhando para Joyce.

– Bia, fique aqui, não faça nada! – Disse ela.

– Você não tem noção do perigo, não é?

– Cale a boca. – Disse Joyce. – Cale a boca pra eu poder acabar com você sem muito estresse!

Joyce correu até Vítor se preparando para um combate corpo a corpo.

– Você não vai conseguir...

Quando Joyce estava perto o suficiente para socá-lo e amazona disparou o golpe, mas, de alguma forma, ele não estava mais lá e ela havia socado o vento.

Mas não fazia sentido... Ele não podia ter se tele transportado, o lugar era como o Santuário nesse ponto, não permitia tele transporte de ninguém.

– Você tem que ser mais veloz se quiser “acabar comigo sem muito estresse”... – A voz de Vítor veio de algum lugar atrás dela.

Ao se virar Joyce encontrou Vítor encostado em um dos pilares com os braços cruzados, como se nenhuma batalha estivesse acontecendo.

– Porque você não tenta de novo? – perguntou Vítor.

– Com prazer.

Mais uma vez a amazona de Dragão correu até seu inimigo e tentou socá-lo, mas o mesmo aconteceu. Num segundo Vítor estava lá, no segundo seguinte ele havia desaparecido e Joyce destruiu o pilar no qual ele estava apoiado.

– Com essa velocidade toda não vai conseguir acabar comigo. – Dessa vez Vitor estava bem atrás de Joyce.

– Talvez... Mas eu posso tentar... COLERA DO DRAGÃO!!!

O punho de Joyce brilhou intensamente e, à medida que ela girava, foi tomando a forma de um dragão, que atingiu o peito de Vítor com enorme potencia. Em seus dedos, Joyce pode sentir uma ou duas costelas se partindo.

Mais uma vez houve uma explosão e a fumaça tomou conta do ambiente, mas dessa vez a localização do cavaleiro da Coroa do Sol era desconhecida. Joyce não podia nem sentir seu cosmo, tudo havia desaparecido.

“Será que ele foi derrotado com esse golpe? Mas, se for assim, foi fácil de mais... Tem alguma coisa errada, alguma coisa muito errada aqui...”

– Agora você não tem pra onde correr, garota! – A voz de Vítor chegou aos seus ouvidos tão rápido quanto seu cosmo conseguiu senti-lo.

O poder que ele liberava era enorme, ela nunca havia visto nada igual antes.

– METEORO ALFA!!!

Um raio de energia muito quente entrou em contato com o corpo de Joyce fazendo que ela perdesse completamente as forças, o impacto do golpe foi grande o suficiente para jogá-la contra uma das paredes da casa, e agora era ela quem estava soterrada.

Sua armadura estava completamente rachada, até o escudo que era o mais poderoso das oitenta e oito armaduras estava destroçado.

Uma mão a agarrou pelo pescoço e a puxou para fora dos escombros. Quando ela saiu pode ver um sorriso vitorioso rosto de Vítor, que a erguia em pleno ar.

– Você não conseguiu me derrotar... Que peninha... – Disse ele.

– Vítor, me conta, por favor, o que aconteceu com você? – A voz de Joyce saia sem força.

– Não aconteceu nada comigo. Eu sempre fui assim, você quem não via.

– Você está mentindo... Eu posso ver isso nos seus olhos! ACORDA!

Joyce conseguiu dar uma fraca joelhada em seu rosto e por um segundo os antigos olhos castanhos voltaram a aparecer. Mas foram rapidamente substituídos pelo olhar macabro e demoníaco com aquela íris vermelha.

– Adeus, Joyce de Dragão...

Ele começou a apertar o seu pescoço.

A única reação que a amazona pensou em ter foi tentar tirar a mão dele de seu pescoço, mas era inútil. A sua vista começou a ficar turva... Ela não ouvia e aos poucos a dor ia dando lugar a sensação de desespero, era o fim...

Beatriz de Andrômeda

“Talvez seja só um sonho... É! É isso mesmo! Isso é um pesadelo. Um pesadelo muito ruim... Mas tem alguma coisa errada... Porque meu rosto ainda dói? Se é só um pesadelo aquela tapa não deveria doer tanto... Mesmo assim, foi só isso... Uma tapa... Porque meu coração está doendo mais do que o meu rosto? Porque minha alma dói mais do que meu rosto? Talvez o pesadelo esteja alterando meus sentidos, e na verdade não esteja doendo tanto... Mas, se é só um pesadelo... Porque eu continuo chorando?”

Bia abriu os olhos mais uma vez. É... Não era um pesadelo. A luta entre uma de suas melhores amigas e seu namorado ainda estava acontecendo. Quanto tempo havia se passado desde que ela descobrira isso? Vinte minutos? Trinta?

Tudo ainda estava muito confuso na mente de Bia, e só o que ela fazia era chorar. Mas porque mesmo?

Ah... É verdade...

Ela e o resto dos cavaleiros da profecia tinham entrado na primeira casa do Templo de Apolo, e seu guardião era a pessoa mais importante em sua vida. E, como sempre, ela tinha gravado cada detalhe nele, inclusive a estranha íris vermelha, era isso que a fazia acreditar que, em algum lugar, lá no fundo, Vítor estava lá dentro. E que esse que estava lutando com Joyce era só um monstro de Apolo.

– Adeus, Joyce de Dragão...

A voz do monstro passou pelos seus ouvidos. Ele havia ganhado a luta...

Calma aí!

Ele vai matar Joyce?

– Não... – Sussurrou Bia.

Ela começava a sair de seu estado de choque. Era isso. Ela tinha certeza. O monstro de Apolo estava cegando Vítor e ele estava fazendo aquelas coisas horríveis, e tudo que ela tinha que fazer era tirar Vítor lá de dentro.

– CORRENTE DE ANDRÔMEDA!

Ela lançou a corrente circular que se envolveu na cintura de Joyce e a puxou com toda a força que tinha.

O corpo de Joyce foi atirado contra o de Bia e ambas caíram no chão. Bia saiu de baixo da amiga e se ajoelhou ao seu lado.

– Você está bem?! – Perguntou Bia olhando para a amiga.

Mas era uma pergunta inútil. Os olhos de Joyce estavam quase fechados, mas sua visão tinha foco. Sua pele estava muito pálida, mas por alguma razão ela sorria.

– Você voltou a si... – Disse ela. – Isso é bom. Me faz um favor?

– É claro que eu faço... Diz o que é.

– Não se deixa enganar... Ele não é mais o Vítor que você conheceu, ele mudou. Mudou pra alguém do mal, que não vai pensar duas vezes antes de te matar... Como fez comigo.

– Você não vai morrer, Joyce... Não vai... – Mais lágrimas desciam pela bochecha de Bia.

– Agora é tarde... Me solta e vai acabar com ele! – Disse ela. – E mais uma coisa... Eu te amo, linda...

Dizendo isso Joyce de Dragão deu o seu último suspiro.

Bia pôs o corpo sem vida de Joyce no chão e se levantou. A sua aura rosa fazia seu corpo brilhar intensamente, agora raiva e tristeza se misturavam num turbilhão de sensações que explodiam no interior de sua mente.

– Ela teve o que pediu. – A voz do monstro chegou aos ouvidos de Bia.

– Essa... – Disse Bia ficando de frente para o monstro e enxugando uma lágrima que caia de seu rosto. – É a última lágrima que eu derramo por você! – Gritou ela. – E agora... TRAGA O MEU NAMORADO DE VOLTA!!!

Bia correu até o monstro e tentou socá-lo no rosto, mas algo estranho aconteceu. Num segundo ele estava lá, mas no segundo seguinte ele havia desaparecido.

– Você possui a mesma velocidade que matou a sua amiga, não vai durar muito tempo. – Vítor estava, de alguma forma, preso ao teto e olhava para Bia lá de cima, com seus olhos avermelhados.

Ele pulou lá de cima com o punho erguido e tentou socar Bia no rosto, mas antes que ele chegasse na metade do caminho Bia lançou a corrente triangular de ataque para cima dele. Ele foi atingido no ombro e caiu no chão.

– Não é preciso velocidade pra te derrotar, monstro... – Disse Bia. – Só um pouco de cérebro! CORRENTE DE ANDRÔMEDA!

A corrente triangular, de ataque, serpenteou em alta velocidade na direção do monstro, que de alguma forma conseguiu segurá-la.

– Sinto muito. – Disse o monstro. – Mas não vai ser tão fácil assim me derrotar.

Segurando firme a corrente de ataque, Vítor correu em direção a Bia com o punho erguido. Mas a amazona não estava preocupada, ela sabia o que aconteceria em seguida.

E como o imaginado, antes que ele pudesse se aproximar de mais de Bia, o corpo do cavaleiro da Coroa do Sol começou a se debater em pleno ar e ele caiu no chão com sérias queimaduras.

– O que... – Disse ele. – O que aconteceu, eu não ouvi você invocando nenhum ataque.

– Isso não foi um ataque. – Explicou Bia. – Isso foi o instinto de defesa da corrente. Quando alguém hostil toca nela, ela lança um choque elétrico de dez mil volts. Não sei como você ainda consegue falar depois disso.

Ele se levantou lentamente e olhou fixamente nos olhos de Bia. Isso fez com que a tristeza voltasse à tona. Ela tinha razão... Aquele não era mais o seu namorado, era outra pessoa. Uma pessoa má e cruel.

– Você vai pagar pela morte da minha amiga. – Disse Bia, agora a raiva aflorava em seu corpo junto com sua aura.

– HAHAHAHAHA! – Vítor ria psicoticamente. – Idiota! Você vai morrer antes que possa fazer qualquer coisa!

Mais uma vez ele sumiu, mas, alguns segundos depois, Bia sentiu um soco arder em seu estomago, depois outro em suas costas. A dor e a sensação de ardência foram enormes e fizeram com ela se ajoelhasse. No segundo seguinte Vítor estava na sua frente.

– Levante-se. – Disse ele. – Agora!

– Vítor... – Disse Bia, se levantando. – Por favor... Por favor mesmo, para com isso. – Ela não conseguiu manter a promessa. Uma lágrima desceu.

– Eu não vou parar... Até você estar de baixo da terra!

– Vítor, olha pra mim... – Bia se aproximou lentamente de Vítor, que a olhava sem reação. Bia segurou em seus ombros e olhou fixamente naqueles olhos vermelhos. – Eu te amo.

De repente algo estranho aconteceu. Vítor se contorceu e se ajoelhou, depois olhou para cima, e o monstro havia sumido. Seu namorado havia voltado e uma lágrima caiu de um de seus olhos, agora castanhos.

– Bia... – A voz dele havia voltado. – Eu... – Vítor se contorceu mais uma vez, violentamente, como se algo estivesse golpeando suas costas. – Morra, sua idiota! COMETA ALFA!

Uma onda de poder saiu da palma da mão esquerda do monstro, que voltou a cegar seu namorado, e acertou-a diretamente no peito e começou a dilacerar sua armadura aos poucos. O impacto do poder a jogou na parede.

Ela continuou viva, mas sua armadura estava completamente destruída, poucas partes ainda restavam, mas as que restavam não serviriam para protegê-la.

– Você não vai vingar a sua amiga. – O monstro havia chegado perto dela. – Ela está morta e você não vai fazer nada, porque você vai morrer.

“Não! Eu não posso morrer, eu preciso fazer com que Vítor volte... Eu não posso morrer...”

A aura de Bia começou a se intensificar, ao mesmo tempo em que o monstro punha a mão em seu pescoço. Mas havia algo estranho acontecendo... O cosmo de Bia estava ressoando, e, acima de tudo, estava bem mais poderoso... Alguma coisa estava acontecendo.

– Que merda é essa! – Gritou Vítor, soltando Bia no chão e apertando a própria mão, que estava, de alguma forma, queimada.

A respiração de Bia estava descompassada e seu coração batia forte. Uma sensação de paz e calma inundava seu corpo enquanto sua armadura começava a se reconstituir. Uma onda de poder inimaginável estourava na alma de Bia.

Bia se levantou.

Sua armadura estava completamente transformada. Estava mais composta, e mais brilhante. Detalhes em dourado e rosa faziam contraste com sua pele branca.

– Kamui... A armadura divina... Ela... Veio me ajudar... – Sussurrou Bia.

– AAAAAH! – Do outro lado do salão da primeira casa, Vítor berrou. – Bia!

– Vítor, você voltou! – Disse a amazona correndo até lá.

– Sim, mas eu estou me segurando... – Mais um solavanco no corpo de Vítor fez com que ele caísse no chão. – Você tem que me matar... Não tem outro jeito!

– O que?! Não eu não posso fazer isso!

– É necessário. Apolo está me possuindo, enquanto você não me matar, ele vai continuar lutando com você, ferindo você... E eu não posso suportar a idéia de que ele está fazendo isso, usando o meu corpo! – A voz dele estava forçada, como se ele estivesse pondo força em algo.

– Eu... Eu...

– Bia... – Vítor, tocou em seu rosto. – Faça isso. E não esquece... Eu te am... MORRA!

Vítor desferiu um soco no rosto de Bia, fazendo com que ela voltasse para o outro lado da sala.

– Você não pode me derrotar, garota! Não pense que é porque a armadura divina está em seu corpo que você pode me deter!

– Cale a boca, Apolo... – Disse Bia levantando-se lentamente. – Você fala de mais.

Apolo correu até Bia e tentou socar seu rosto, mas Bia estava mais poderosa do que antes.

– CORRENTE NEBULOSA! – Bia levantou a palma da mão direita e, ao seu comando, os ventos do ambiente mudaram, criando um pequeno tornado que cercava seu inimigo e impedia que ele avançasse.

Ele olhou para Bia surpreso.

– O que está havendo? – Perguntou ele.

– Eu... – A voz de Bia falhou enquanto mais uma lágrima caia de seus olhos. – Eu vou ter que te matar... TEMPESTADE NEBULOSA!

Eletricidade começou a percorrer o tornado até entrar em contato com Apolo. Um enorme feixe de luz começou encandear o ambiente cegando Bia momentaneamente.

– HAHA... – O estômago de Bia deu voltas e mais voltas quando ouviu novamente aquela risada. – Tente de novo, garotinha...

– Você, ainda está vivo? Como...

– Eu já disse... É você quem vai morrer! COMETA ALFA!

Um raio de luz quente saiu da mão de Apolo, mas Bia não recuou, pelo contrário. Ela partiu para cima do raio, com a mão na frente. Graças a Kamui o poder não a afetou, apenas foi refletido para outros cantos da casa.

Bia saltou, saindo da linha de tiro.

– ONDA RELAMPAGO!

Apolo olhou para Bia e arregalou os olhos. Ele se contorceu e não era mais Apolo que estava lá, era Vítor.

O impulso de refrear o golpe foi grande, mas ela não podia se deixar levar. Era necessário. Ela sentiu mais uma lágrima molhando sua bochecha ao mesmo tempo em que pode sentir a corrente triangular atravessando o peito de Vítor.

Ela voltou ao chão e correu até seu namorado. Ela se ajoelhou e segurou-o no colo. Ele ainda respirava, eram leves arpejos, mas ele respirava.

– Vítor? – Disse Bia, corando copiosamente. – Desculpe... Por favor...

– Não. – Disse Vítor pondo o dedo indicador nos lábios de Bia. – Você não tem que pedir desculpas, meu amor... Você fez o que era certo, eu estou orgulhoso de você.

– Não... Eu matei o meu namorado... Eu nunca vou me perdoar...

– Escute... Não fica desse jeito. Eu não estou arrependido, eu nem estou sentindo muita dor... – Ele respirou fundo e levou a mão ao ferimento. – Ok... – Ele sorriu, aquele sorriso torto que ela tanto gostava. – Pode ser que esteja doendo, mas isso não é nada... Eu te amo, e eu acho que quem tem que pedir desculpas sou eu... Por qualquer coisa que eu tenha dito, ou feito... Eu juro que se eu pudesse voltar no tempo, eu apagaria cada segundo que nós passamos discutindo e trocaria por amor... Apenas amor... – A sua respiração começou a diminuir de ritmo, ele estava indo. – Eu não faço a menor idéia de para onde eu estou indo, mas, pode acreditar, seja lá pra onde for... Eu estarei pensando em você, e, se eu for para onde os heróis vão, eu estarei esperando por você... – Ele fez um último esforço e se sentou. – Me abraça? Pela última vez?

– Mas... é... claro... – Disse Bia em meio aos soluços.

E ela encostou sua testa na dele, e o apertou. Forte. Como ela nunca havia feito, lágrimas desciam de seu rosto e ela podia sentir seus olhos ficando inchados, ao mesmo tempo em que o corpo de Vítor, de Alfa Centauri, lentamente virava poeira cósmica em seus braços, até que ele não estava mais lá. E era o fim.

Era o fim. De um herói. De um amor. De um mundo.

Notas finais
Foi isso galera, espero que vocês tenham chorado como alguns dos meus amigos choraram depois que leram isso. KKKKKKKKK . E mais uma vez gostaria de pedir que não deixassem de comentar, criticar, dar sugestões ou fazer perguntas... Isso é muito importante pra mim. Até a próxima, minha gente!