Notas iniciais
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— E por que?

Indagou o homem de branco jogando os olhos inquiridores em sua direção. Era sempre essa a pergunta, a questão que o afligia e lhe embaralhava a língua.

— Eu… só… quero ajudar — disse gaguejando.

O sacerdote pouco pareceu crer nestas palavras. Ele pareceu analisá-lo de cima à baixo com aquele olhar inquisitivo e pouco convencido. Seus olhos se encontraram com o alaúde que Jaoam trouxera consigo amarrado às costas. Com um esgar de reprovação ele concluiu:

— Um boêmio. Amigo da vadiagem e da desonestidade. Gente como você não pode “querer ajudar”. — Fez uma pausa e abaixou os olhos voltando para suas anotações. — Volte quando abandonar sua vida hedonista, ai então e não antes, estará apto a oferecer sua ajuda.

O músico sentiu o fulgor na face e o desejo de prantear ali mesmo frente ao Pai-mor, porém, conteve-se e guardou silêncio. Se levantou da cadeira, virou as costas e partiu em direção a porta, antes de levar a mão a maçaneta em forma de argola, agradeceu solenemente pelo tempo do homem.

Então saiu pela porta de madeira.

Fez seu caminho de volta pelos compridos e estreitos corredores brancos e bem iluminados. Seus passos trôpegos e arrastados faziam pequenos ecos que se perdiam no restante do castelo de cera; como o chamava quando criança. As paredes, o chão, o teto, era tudo de um branco tênue que parecia emitir seu brilho próprio. Havia fissuras nas paredes que eram como janelas, e por elas podia ver alguns Pais, Mães e filhos sentados no jardim. Desviou o olhar e seguiu pelo corredor. Atravessou um grande portal que levava ao átrio, onde um grande Carvalho Branco ascendia ao topo do edifício, lançando seus compridos e retorcidos galhos para todos as direções, atravessando buracos e ameias nas paredes feitos de forma estratégica para que nenhuma folha da árvore fosse tocada. O sol atravessava os vitrais com as imagens dos Patronos, emanando feixes multicoloridos para todas as direções de forma idílica. As risadas e vozes das crianças que brincavam descalças ao pé da árvore enchiam o ambiente. Era como um belo quadro, a arte mais harmoniosa, uma canção composta pelo próprio Principiador.

Atravessou mancando o chão terroso em direção à porta de entrada; que agora era sua porta de saída. A porta estava aberta como sempre esteve, apta a aceitar quem quer fosse. Apta a permitir que qualquer um se fosse.

E ele se foi… de novo.