Notas iniciais
Primeiro Capítulo escrito por minha pessoa.

Era um dia como qualquer outro, Norman Krausmer, um jovem de vinte anos, cabelos e olhos castanhos, com nenhuma cicatriz ou tatuagem, tendo um porte físico aceitável, levantava-se cedo, bem antes do próprio sol nascer. Dirigia-se de seu humilde casebre na periferia da cidade em direção ao centro, tal trajeto levava trinta minutos e o mesmo já estava acostumado com esta rotina.

No centro da cidade, o mesmo adentrava a Guilda de Comerciantes, onde o mesmo era afiliado, qualquer pessoa de seus doze anos para cima necessitava estar afiliado a uma guilda, caso não respeitasse esta regra, seria taxado como um rejeitado.

Existiam muitas guildas, tantas que eram impossíveis de serem contadas, algumas tão secretas que ninguém jamais ouvira, mas que tinham suas credibilidades intactas. As guildas ajudavam seus afiliados com recursos, de acordo com o próprio rank do mesmo, que variava de F a S, sendo o Rank F alguém que receberia os piores recursos e também, as maiores taxas.

Não é nem ao menos necessário dizer que Norman, nosso herói, era um Mercante de Rank F e todo dia, ele tinha direito a mercadorias próximas de seu vencimento, que deviam ser vendidas até o anoitecer, se não já estariam impróprias e caso o mesmo fosse pego vendendo algo vencido, era bem certo que fosse preso ou retirado da guilda, já que toda culpa cairia sobre ele. O mesmo tinha seu próprio carrinho, para carregar seus equipamentos, que era nada mais que um caixote de madeira com rodas que ele tinha que empurrar, independente de se havia buraco na estrada ou era uma subida muito ingrime.

Nesse momento, ele estava recolhendo suas mercadorias, algumas eram apenas potes artesanais com algumas rachaduras, era bem visível que se não tomado o cuidado correto, aqueles potes quebrariam no primeiro contato, outras mercadorias eram mantimentos, nada muito extravagante, comida de viagem, basicamente pão e água. Mas ele também tinha utensílios de cozinha e algumas pedras de amolar gastas, com alguma utilidade para viajantes desesperados.

Após arrumar tudo no seu caixote, verificando com cuidado se nada iria se quebrar durante o caminho, o mesmo partiu empurrando suas mercadorias. Na rua, poucas pessoas estavam transitando, algumas cumprimentavam Norman com aceno de cabeça, outras sorriam e acenavam com a mão, nenhuma delas parava para conversar, motivo era bem claro, quanto mais tempo eles conversassem, menos tempo Norman teria vendendo suas mercadorias. Elas todas o conheciam, portanto, sabiam que o mesmo presava bem mais suas mercadorias do que conversas sociais forçadas.

Norman passou em algumas casas, ao mesmo tempo que se dirigia para a saída norte da cidade, as pessoas das casas eram todos clientes que haviam pedido um dia anterior, dizendo que algum material havia quebrado ou necessitavam de um novo, urgentemente, portanto, não ligavam para a qualidade, só pediam que a mercadoria servisse para seu propósito. Norman, obviamente aconselhou a não forçarem muito os utensílios, pois ainda eram de uma qualidade bem podre, nem ao menos valiam o preço que estavam sendo vendidos, porém, não deixou de vender.

Após sair pelos portões, o mesmo empurrou o caixote durante uma hora inteira, adentrando a floresta por uma trilha feita basicamente pelas rodas do seu caixote. Após esse tempo inteiro empurrando aquele caixote, o mesmo avistou uma velha cabana na floresta, ele vinha ali pelo menos uma vez por semana. A pessoa que morava na cabana era uma velha senhora, que era bastante odiada pelas pessoas da cidade, a velha senhora era basicamente uma curandeira, ela tinha alto conhecimento em ervas e curava um resfriado como ninguém, porém muitos odiavam ela por sua aparência, que por conta de um acidente quando mais nova, teve seu rosto deformado.

Porém, Norman não ligava para aparências e sim, para as suas mercadorias. Ela, comprava potes e utensílios, pois necessitava para guardar ervas e fazer as misturas, basicamente, os potes guardados em seu caixote eram todos para ela.

Ao bater na porta, Norman se afastou um pouco, esperando. Era comum de sua parte, pois já estava acostumado, pois a porta da cabana havia sido colocado de forma errada, portanto, abria para fora e se não estivesse acostumado, receberia com a porta na cara.

Como dito, a porta se abriu, passando alguns centímetros a frente do mesmo, a velha senhora estava parada segurando firme uma adaga, como se um animal estivesse pronto para devorá-la e aquela adaga fosse a única forma de sair viva deste trágico fim, estava escuro, mas ainda era possível notar, metade do seu rosto estava queimado e gangrenado, o olho esquerdo faltando e o olho direito já mostrando estar afetado pela idade, um corte horrível na sua parte do rosto que não estava queimada que fazia o seu rosto ainda mais horrento. Porém, esta era uma cena comum para Norman, a senhora vivia em guerra coma cidade, porém era teimosa de mais para deixar de atender a porta, já que algumas pessoas de bom coração ainda iam receber seus cuidados. Quando seus olhos velhos focalizaram a imagem do jovem a sua frente, a mesma estabilizou sua pose e guardou a adaga dentro de seu manto desgastado.

— Norman, no horário, como sempre. — Sua voz era suave e transbordava sabedoria, poucas velhas senhora conseguiam transmitir a outras pessoas o quão vividas elas eram apenas com o tom de sua voz. — Com mais daqueles potes horríveis para essa velha senhora?

— Eu ainda irei lhe trazer potes de qualidade, eu apenas necessito de mais alguns meses. — Ao mesmo tempo que falava, o mesmo com todo cuidado, retirava os potes. Um a um ele levou para dentro da cabana da velha, que tinha nada mais que dois cômodos, um onde ela dormia e outro onde ela fazia os medicamentos. — E o que mais está faltando para a senhora?

— Meu esmagador quebrou ontem enquanto eu estava preparando uma pomada, você não teria outro com você?

— Eu imaginei que aquele esmagador vagabundo não iria durar uma semana, mas até que durou bastante. — Enquanto dizia, o mesmo já mexia no caixote, retirando dois esmagadores.

— Ah, bom, eu vou ficar com os dois, um de reserva, caso o outro quebre. — Ela se movia, lenta e dolorosamente, em direção a um pequeno armário no canto do cômodo, mexendo nele por alguns breves momentos, ela logo volta com algumas moedas em mãos, entregando para o jovem, o total de quatro moedas grandes de latão.

A moeda era algo bem simples de se acostumar, elas tinham valores por material, sendo a mais baixa sendo latão a mais alta sendo ouro. Também haviam moedas de dois tamanhos, uma pequena e uma grande, a pequena equivalia a um, a grande equivalia a dois.

Cem moedas pequenas de latão, equivaliam a uma moeda pequena de cobre, cinquenta moedas grandes de latão, equivaliam a uma moeda pequena de cobre. Algo simples, e fácil de se entender. Cada mercadoria inútil, valeria uma moeda pequena de latão, coisas como utensílios comuns seriam nessa base, conforme a qualidade do produto aumentasse, o preço também aumentaria.

— Você me deu a mais, certamente os potes e os dois esmagadores não dão essas quatro moedas grandes de latão. — Norman não estava indignado, pelo contrário, ele sabia que a velha lhe tinha como um amigo em seu coração e não gostava de vê-lo passando de dificuldade, isso lhe deixava feliz, porém, ele ainda não queria caridade desnecessária.

— Não se preocupe, apesar da qualidade dessas mercadorias serem bem podres, elas ainda servem o seu propósito. Além do mais, eu não tenho nada menor que moedas grandes de latão, todas eu dei como troco para você na semana passada. — Era a desculpa que ela estava dando, obviamente Norman não tinha como refutá-la, pois ele estaria ultrapassando seus limites.

— Tudo bem, eu prometo lhe entregar a diferença qualquer dia. — Era só o que ele podia dizer.

— Nisso, você poderia ajudar essa velha senhora. — Ela se moveu ao próximo cômodo, pouco se importando se Norman aceitaria seu pedido ou não, quer dizer, ela já sabia que Norman não conseguiria recusar, já que se sentia em debito com ela nesse momento. — Você pode vir aqui mocinho? Isso é muito pesado para alguém como eu carregar.

Ouvindo isso Norman se dirigiu ao outro cômodo para ajudar a velha, ele quase nunca havia entrado lá, mas sempre que entrava ficava impressionado, prateleiras com misturas e algumas ervas em potes, sendo conservadas, bancada com pomadas e misturas para machucados, tudo feito pelas mãos daquela senhora. O mesmo encontrou-a em um canto, ela estava ao lado de duas caixas.

— Aqui estão as pomadas que eu fiz nesse mês, elas são da melhor qualidade e as farmácias obviamente as aceitarão por um preço justo, contanto que você não fale que está vindo de mim. Na caixa de baixo, está remédios para enjoo, febre e essas coisas mais simples, todos também com qualidade indiscutível, eu não aceito menos que uma moeda de cobre em cada um, se você conseguir vender por mais, a diferença é sua. As pomadas devem ser vendidas por dez moedas de cobre, elas tem um efeito cicatrizante poderoso.

— Você quer que eu venda isso? — Ele olhou para as duas caixas, ele sabia bem que a velha senhora fazia as pomadas, mas ele nunca a havia visto vender.

— Sim, ultimamente poucas pessoas tem vindo até aqui para receber tratamento, obviamente não estou em uma situação boa. Estou contando com você, em quanto tempo você acha que consegue vender isso?

— Dois dias, no mais tardar, quatro. Eu realmente nunca vendi nada desse tipo antes, eu teria que ir em todas as farmácias da cidade, mostrando a mercadoria.

— É um bom tempo. Contanto que você venda, não se importe com o tempo que levar. Eu confio em você o suficiente para saber que você não irá passar a perna nessa velha indefesa.

Norman quis rir nesse momento, as cenas da mesma agarrando a adaga como uma verdadeira assassina não saiam da sua cabeça nesse momento, ela obviamente de indefesa não tinha nada.

Mas como pedido, Norman levou os medicamentos para o caixote e então se despediu da velha senhora, dirigindo-se de volta para a cidade. O mesmo vendeu para alguns viajantes no meio do caminho algumas rações e bebidas, porém ainda estava longe do seu estoque acabar. Ele circulou pela cidade, até mesmo saiu pelas outras três saídas, encontrando viajantes que estavam indo e vindo de outras cidades, vendendo suas rações, até mesmo algumas pomadas e medicamentos foram vendidos para eles, com um precinho camarada e um superfaturamento para que ele conseguisse seu lucro, ele até mesmo anotou por quanto vendeu cada medicamento, para não se perder depois no quanto deveria retirar para a velha senhora.

Horas passaram, obviamente o dia estava produtivo para Norman, o mesmo estava até sorrindo abertamente. Quando a noite estava chegando, o mesmo começou a dirigir-se para a Guilda. Quando chegou lá, o mesmo entregou para a moça da recepção o papel que dizia as mercadorias que o mesmo havia pego e o que ele havia vendido, com isso a Guilda saberia o quanto retiraria de taxa.

Os Rank F pagavam uma taxa de 20% do que receberam, Norman havia conseguido vender quase tudo, faltando alguns poucos utensílios, algumas rações e bebidas, isso tudo havia arrecadado para ele 40 Moedas Grandes de Latão, era muito pouco, pois não chegava nem a ser uma moeda pequena de cobre. Após entregar as oito Moedas Grandes de Latão para a moça, Norman se dirigiu para sua casa, carregando no braço os medicamentos da velha senhora. Assim que chegou em casa, o mesmo pegou o papel que havia anotado o quanto de medicamento havia vendido.

No total, ele tinha vendido três pomadas e seis remédios, cada pomada havia sido vendida por quatorze moedas pequenas de cobre e cada remédio por duas moedas de cobre. Só de pensar, que ele próprio não conseguiria comprar um remédio daqueles, já lhe fazia perceber o quão importante aquelas mercadorias eram. O mesmo pegou uma algibeira vazia, e preencheu com o dinheiro da velha senhora, que consistia nas dez moedas para cada pomada e em uma moeda para cada remédio.

Com ele então estavam vinte e quatro moedas pequenas de cobre e trinta e duas moedas grandes de latão do dia de hoje. Uma quantia que ele só veria se juntasse seus ganhos durante uns bons dias. Obviamente ele teria que agradecer à senhora mais tarde, pois estava bem claro para ele agora que aquilo tudo havia sido feito para ajudá-lo, não apenas para ajudar a ela mesma. E se tudo desse certo, Norman conseguiria comprar sua credencial Rank E, sua situação então melhoraria, pois os 20% que seria retirado de si, passaria a ser 18%.

Com um sorriso no rosto, Norman foi dormir, obviamente não esquecendo de esconder bem o dinheiro da velhota, para que qualquer um que tentasse assaltá-lo não saísse sucedido.

No outro dia, Norman repetiu os mesmos processos, apesar de não ter ido para a velha senhora lhe entregar os potes, o tempo que perderia indo lá, o mesmo compensou vendendo suas próprias mercadorias e então passando em algumas farmácias, oferecendo os medicamentos, que eram bem vistos pelos mesmos, recebendo uma quantia até maior do que esperava. Em menos de dois dias, o mesmo realmente havia vendido quase tudo, bastava apenas algumas outras farmácias e então o estoque acabaria, portanto, ele poderia levar o dinheiro para a senhora.

No terceiro dia, ele encerrou o estoque e até mesmo terminou suas vendas mais cedo, mesmo não tendo vendido nada basicamente. Com as algibeiras da velha senhora, o mesmo dirigiu-se para a cabana dela. Uma hora a pé nunca havia sido tão gratificante antes, para ele era obviamente o melhor dia da sua vida, tanto dinheiro, era a sorte sorrindo para ele.

Quando estava se aproximando da cabana, o mesmo notou alguns cavalos amarrados em uma arvore próxima, diminuindo seus passos por precaução o mesmo basicamente se esgueirou em direção a cabana. Olhando curioso para os dois homens que estavam na porta da velha, os mesmos pareciam ser aventureiros e as espadas repousadas em sua cintura chamavam a atenção, mas nenhum dos dois estavam machucados, o que atiçava a curiosidade de Norman.

O mesmo deu mais alguns passos cuidadosos, porém não notou um galho seco onde estava pronto para pisar, quando estava perto de pressionar o galho, algo agarrou-lhe pela camisa e antes mesmo que ele pudesse gritar de surpresa, sua boca foi tampada por uma mão. Os cavalos relincharam com o movimento repentino ao seu lado e se atiçaram um pouco, chamando a atenção dos dois homens que estavam impacientes na frente da porta, porém ao olhar para aqueles lados e não ver nenhuma movimentação, enquanto os cavalos se acalmavam, os mesmos não se moviam, apenas batiam mais forte na porta, esperando serem atendidos.

— Não se aproxime, eles são perigosos. — A voz, era feminina e severa, vinha de trás de Norman e o mesmo podia sentir um volume de couro nas suas costas. Ambos estavam escondidos atrás de uma árvore, com a dona da voz pressionando Norman na mesma. — Quem é você? E o que está fazendo aqui?

— Eu... Sou Norman! — Era apenas o que ele conseguia dizer, ele estava nervoso tanto pela situação, quanto pela voz estar muito próxima, ele bem dizer nunca teve contato com o sexo oposto, a não ser com velhas senhoras ou mulheres casadas, mas nenhuma delas tão próximas assim. — A velha pediu para eu vender uns medicamentos, eu to aqui para entregar o dinheiro dela.

— A vovó pediu? — Era só o que a voz dizia, parando por um momento para reflexão própria logo depois. — Aquela velha rancorosa, que não deixa nem mesmo eu tocar nos medicamentos dela, pediu para um estranho vender? Ela parece gostar bastante de você para isso... Mas eu sinto muito, a vovó não vai poder receber seu dinheiro.

— Como assim? Quem são aqueles caras?

— Eles fazem parte da Guilda Crisma. Você sequer deve de ouvir falar nessa Guilda, portanto não adianta eu explicar muito, apenas que a Guilda é cheia de caras irritantes e nojentos, que acham que podem tudo. Eles ficaram sabendo das habilidades medicinais da vovó e vieram arrastá-la para trabalhar forçadamente para eles. Porém, a vovó foi ontem para a nossa guilda.

— Que guilda? Eu tenho que entregar o dinheiro para ela.

— Você não precisa saber que guilda, me entregue o dinheiro e eu entregarei para a vovó!

— Como posso confiar em você? Eu nem sei seu rosto. — Era claro, Norman ainda estava sendo forçado contra o tronco de árvore, se contar pelo fato de ambos estarem sussurrando, Norman não conseguia traçar um perfil da moça. Um momento de silêncio e então Norman sentiu o aperto sobre seu braço e corpo ser afloxado, lentamente o mesmo se virou.

A garota com quem estava falando era mais baixa que ele, por uns vinte centímetros, mas havia lhe dominado de uma maneira que ele nunca havia pensado ser capaz de ser. Seus cabelos eram ondulados e vermelhos, olhos castanhos bem claros, muito parecidos com a cor de mel, sua pele era branca e seu nariz era pequeno, usava uma armadura de couro que protegia as partes importantes e tinha duas adagas na cintura, claramente era do tipo agilidade.

— Pronto, agora você sabe quem sou. E eu não sou difícil de ser reconhecida. — Era o que ela dizia, em seguida, erguia a mão. — Vamos, entregue.

Sua expressão não mudava, seus olhar mostrava que ela estava olhando para um grão de poeira e Norman realmente se sentia um grão de poeira próximo daquela garota. Porém, ainda assim, ele não conseguiu lhe entregar o dinheiro.

— Não! — Era o que ele dizia.

O silêncio reinou novamente, o olhar da garota mudou por um momento, como se estivesse confusa com o que estava acontecendo, sua mão mantinha-se esticada, sua boca abriu e fechou, enquanto sua mente processava o não que ela havia acabado de receber, como se fosse algo que ela nunca tivesse ouvido antes.

— O quê? — Sua cabeça pendia para o lado, claramente ela estava confusa.

Notas finais
Deixem suas opiniões a baixo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.