Os Aventureiros de Aurora

Capítulo 12

Ryoha encarava incomodado o contador de horas do seu decter. Havia mandado mais de uma mensagem para Cristal informando que se encontrava em Erix e o endereço de onde estava hospedado, mas até aquele momento não havia recebido nenhuma mensagem de volta. Não que esperasse que seu ex-alfa fosse vir correndo ao seu encontro depois de tê-lo deixado em estado grave, sem a certeza do resultado da sua recuperação. Porém, esperava um pouco mais daquele que vivia lhe enviando cartas melosas com declarações de amor.

Cansou de esperar e encerrou o display do decter. Saiu da cama em um pulo, calçou o par de botas, apanhou a capa no cabideiro e decidiu que iria até o conselho.

Andando pelas ruas, observou o movimento e a quantidade grande de fairies transitando, não foi difícil deduzir que a cidade estava em época de Seleção de Alfas. Fazia tempo que não visitava Erix, na verdade, desde que iniciou a especialização em Dragaria e entregou seu cargo de domador para assumir como caçador, por isso não se recordava do período de seleção.

Notou, a contragosto, que sua presença chamva atenção. Caçadores eram raros e seu traje tal como o brasão em seu peito denunciavam aquela sua condição. Resolveu apertar o passo, ouvindo as pessoas cochicharem indiscretamente enquanto passava por elas.

Respirou com alívio quando adentrou o salão principal do conselho. Alívio que durou meros segundos, tempo suficiente para notar que o saguão do prédio estava lotado de domadores que conversavam alto e ao mesmo tempo. No painel que pairava sobre a cabeça dos presentes corria a mensagem de que aquele era o último dia para inscrição do SALFAS – a Seleção de Alfas. E, pelo que pode notar, como bons aurarianos que eram, os domadores presentes haviam deixado a inscrição para última hora.

Sentiu a tensão em seus ombros torná-los pesados, principalmente ao presenciar o início de uma discussão quando um domador robusto tentou usar a fila dos preferenciais.

Ponderava se dava meia volta ou enfrentava aquela aglomeração para chegar ao balcão de informações quando o som de conexão no seu decter chamou sua atenção. Na sequência a voz eletrônica do viva-voz do aparelho anunciou: “Transferência de Alfa em andamento, deseja iniciar a validação dos dados?”.

Rapidamente acionou a tela holográfica ao pressionar o botão na lateral do bracelete e o perfil de Cristal pairou suspenso no ar diante dos seus olhos, os quais se arregalaram com aquela surpresa.

“Derill está fazendo a transferência de Cristal antes de eu formalizar o pedido?”, franziu o cenho com desconfiança perante aquela informação. “Mas eu só iria pedir um favor, eu não o quero de...”, refreou seu pensamento antes de completá-lo. Afirmar que não queria Cristal de volta era uma grande mentira. Precisava engolir seu orgulho e afirmar aquilo que se tornara óbvio: precisava do fairy muito mais do que podia imaginar.

Além disso, bastava acionar a validação dos dados para que em questão de segundos conseguisse rastrear Cristal e saber exatamente sua localização.

Ergueu o indicador e só então percebeu que estava tremendo. Seu coração também batia depressa. A imagem de Cristal ensanguentado em seus braços, após ser atacado pelo espécime espinhudo que descobriram juntos, ainda era viva em sua mente. Desde quando seu clã fora exterminado pelos altrozes que não passara por tanto medo; o medo da morte. Engoliu em seco. Aceitar Cristal de volta era aceitar conviver com aquele medo novamente e esse era o motivo que regia seus receios.

Fechou o punho com força, mas precisava decidir, era o momento de fazer uma escolha definitiva.

...

As batidas na porta reverberaram dentro da cabeça do fairy deitado. Ele revirou na cama e a cobriu, tentando abafar o barulho. Foi pior, o som ficou ainda mais alto, tanto quanto os tambores festivos do clã Sira onde estivera há pouco tempo. Jogou o edredom e os pés para fora da cama. Forçou-se a se pôr de pé e cambaleante seguiu em direção da entrada.

— Desta vez é sério... — iniciou aquela promessa com uma voz rouca e cansada. — Eu nunca mais vou beber — afirmou para si mesmo. — Como a bebida pode ser tão maligna, cara, como? Ela te deixa eufórico no momento que está ingerindo e te faz tanto mal no dia seguinte, só pode ser coisa de Aihin[1] — resmungava a reclamação.

Conseguiu chegar a porta e quando a destrancou a claridade do dia o fez cobrir os olhos com a palma da mão.

— Bom dia, sol... — balbuciou ainda mole, apoiando-se no beiral da porta.

— O que está pensando da vida dormindo à uma hora dessas do dia, idiota? — perguntou o visitante ao passar pelo Alfa, aproveitando para puxá-lo pelo pulso de volta para o dormitório e fechar a porta na qual o encostou.

Amparou o rosto de Cristal com ambas às mãos, admirando os olhos azuis claros que haviam se arregalado ao vê-lo. E, sem rodeios ou floreios, matou a ânsia que vinha consumindo-o e o beijou.

Cristal não teve tempo de esboçar sua surpresa em ver Ryoha ali, pois antes que pudesse ter certeza de que era mesmo ele, estava sendo beijado.

Perdeu alguns segundos ao imaginar que ainda estava bêbado e tendo delírios, mas quando pensou em corresponder e aproveitar melhor aquele beijo inesperado, a boca do seu ex-domador se afastou da sua.

— Parece que a convivência com Derril o encheu de péssimos modos, terei mais trabalho do que imaginava — retrucou, alisando o rosto entre suas mãos. — Está com uma cara horrível de ressaca e um bafo mais insuportável ainda de bebida.

— É bom te ver também, Ryo — Cristal afirmou sorridente, recobrando o ânimo e a consciência e abraçando-se ao pescoço do agora caçador. Impulsionou-se do chão e agarrou-se a cintura dele com as pernas. — Eu posso me livrar do bafo de bebida com enxaguante bucal se esse for realmente o caso...

Ryoha sorriu de lado e segurou as pernas de Cristal na parte debaixo da bunda.

— Esquece, não vai dar tempo — declarou, carregando Cristal para a cama mais adiante, o cômodo não passava de um quarto em uma estalagem.

Bastou ser arremessado na cama para que o alfa passasse a arrancar suas próprias roupas, se livrando primeiro da regata branca, logo fora a vez do moletom laranja e a roupa debaixo.

O Caçador fez o mesmo, livrou-se afoitamente das roupas pesadas que vestia, primeiro foi capa cheia de compartimentos para armas e armadilhas, depois o cinto, o qual também era cheio de suportes para os objetos que utilizava para caçar os dragões; depois a calça de couro, a blusa de manga longa e malha fria, o colete de metal que estava por cima da camisa branca, o decter e por último a amarra em seu cabelo. Subiu na cama engatinhando até o corpo deitado e suas bocas se encontraram mais uma vez. Desta vez, o beijo foi mais sôfrego, urgente, exigente.

Somente o contato entre as peles nuas e o resfolegar de seus corpos foram suficientes para que os sexos de ambos se enrijecessem feito lanças. Os lábios de Ryoha deixaram os de Cristal e trilharam um caminho de mordiscadas e lambidas que começaram pelo pescoço, desceram para o tórax e chegaram rapidamente a virilha onde o caçador embrenhou-se. Ryoha engolfou o sexo rígido de uma única vez e o alfa arqueou-se para trás soltando um alto gemido.

Cristal ergueu a cabeça e viu o volumoso cabelo vermelho cobrindo todo seu ventre, a pele alva entrando em contraste com sua pele morena. Tocou os cabelos de Ryoha e fechou um punhado entre suas mãos ao sentir a sucção em seu sexo aumentar. Fez uma careta ao tentar se segurar, mas não foi capaz. Seu desejo há muito havia se acumulado e a necessidade de possuir Ryoha era tanta que não suportou receber aquele estimulo, jogou ambas as mãos para trás e entrelaçou seus dedos nas barras tubulares que formavam a cabeceira da cama, deixando o orgasmo vir. Ryoha soltou seu sexo no momento que este começou a expelir o sêmen, segurou-o pela base e esperou que cessasse até a última gota.

— Saiu bastante... — comentou, os dedos melados, ele aproveitou a própria goza para voltar a estimular o pênis do parceiro novamente.

Cristal sentiu seu corpo querendo relaxar, ainda estava cansado da noite anterior, mas bastou encarar o rosto cheio de desejo diante dos seus olhos para se reanimar e obrigar-se a reagir. Ergueu-se ligeiramente e trocou de lugar com Ryoha, deitando-o na cama e extasiando-se com a visão que teve.

Os cabelos de Ryoha espalharam-se embaixo dele na cama e ocuparam um bom espaço no lençol branco. O rosto tão alvo quanto a neve ficou levemente ruborizado e aqueles turvos olhos cinza, que sempre pareceram frios e opacos, reluziram um brilho discreto. Seu sexo vibrou e, sem exigir muito esforço, se pôs ereto novamente.

— Merda, Ryo... Como você conseguiu ficar mais lindo nesse tempo que ficamos separados? Espera, não... — Cristal sacudiu a cabeça. — Mais importante do que isso: como conseguiu se livrar do assédio durante esse período?

Os olhos de Ryoha se arregalaram ao recordar-se de que não havia conseguido se livrar do assédio, exatamente. Fora atacado por dois colegas de classe e por muito pouco não fora violentado por eles. Ainda teve Paraxis... Entretanto, aquele não era o momento para ser discutido tais assuntos. Franziu as sobrancelhas e encarou os olhos cristalinos do alfa.

— Cale a boca. Não diga coisas desnecessárias em uma hora dessas, idiota. Faça o que tem que fazer.

— Ah, é? E o que tenho que fazer? — fez-se de desentendido.

A pergunta pegou Ryoha desprevenido. Ele virou o rosto para o lado, ainda mais envergonhado. Jamais diria aquilo — foi a resposta que seu deu mentalmente; mesmo tendo dúvidas de que a necessidade do seu corpo lhe permitiria tal capricho.

— Você sabe o que tem que fazer — contestou.

Gostando daquela reação, Cristal manteve o joguinho.

— Não, eu acho que esqueci. Vamos, diga. Quero ouvi-lo dizer.

— Pare de gracinha — rebateu mais conciso. — Se está querendo me brochar, parabéns, está conseguindo.

— Eu só quero ouvir da sua boca uma pequena compensação por você ter me deixado pra trás. — Cristal aproximou-se da boca de Ryoha, mas não a beijou, beijou-o na testa, na lateral do rosto. Seu corpo estava arqueado sobre o dele, sombreando-o. Então beijou-o na ponta do nariz. Ryoha fechou os olhos. — Seu rosto está em brasa — sussurrou aquela observação e desceu a ponta dos dedos por um dos mamilos e passou a eriçá-lo; ganhou um gemido.

— Uau.

— Cale-se!

— Vamos, Ryo... Não seja tão orgulhoso. Só somos nós dois aqui... fale baixinho, pode ser no meu ouvido.

— Pare com isso, Cristal, é constrangedor.

— Fazer amor é constrangedor?

— Já mandei ficar quieto!

Cristal sorriu, se divertindo com a situação. Fora sempre daquele jeito desde que começaram a transar. Ryoha era duro, frio e imponente, por isso que na hora do sexo ele resistia para não se entregar completamente e a sua resistência o tornava mais lindo e sedutor aos seus olhos.

— Tão fofo... — comentou, descendo a ponta da língua para o mamilo que ouriçava. Mais uma vez sentiu o corpo embaixo do seu estremecer e um gemido ser contido. — Eu sei o quanto é sensível nessa região, vou torturá-lo bastante, ao ponto de não conseguir resistir mais e me dizer.

Após fazer aquela declaração, Cristal deitou-se ao lado de Ryoha, jogou uma das pernas sobre as dele e abocanhou o mamilo que judiava com seus dedos. Enquanto suas mãos alisavam as laterais do corpo dele, subindo e descendo, abusou de ambos os mamilos, chupando e mordendo os bicos rijos.

Desceu as lambidas pelo meio da barriga dele e deu uma leve lambida no membro enrijecido, mas logo desviou a atenção do órgão, por mais tentado que se sentira, pois seu intuito era torturar Ryoha e não agraciá-lo com prazer de uma única vez. Passou a lamber as laterais das pernas dele, apartou-as, lambeu a região interna das coxas, desceu para as panturrilhas e chegou ao pé. Beijou a parte de cima de ambos os pés, as pontas dos dedos e subiu os beijos novamente. A cada toque da sua boca sentia uma nova contorção por parte de Ryoha, um novo gemido refreado, um novo vibrar do sexo que pingava o pré-gozo.

Sobrepôs o sexo dele com sua mão fechada e sorriu ao encarar o rosto contraído.

— Ryo... — alcançou as pálpebras fechadas e depositou beijos sobre cada uma delas, declarando-se. — Eu te amo tanto, eu senti tanto a sua falta.

— Cris... — a voz de Ryoha saiu rouca, quase embargada. — Eu também senti muito a sua falta. O que fiz com você foi imperdoável e mesmo assim...

— Não... — Cris sobrepôs os lábios do caçador com seu indicador, impedindo-o de continuar. — Não fale isso agora. Não vamos recomeçar essa discussão, por favor. Você não teve culpa do que houve, Ryo. Coloque isso de uma vez por todas na sua cabeça. Eu amo você.

Os lábios de Ryoha se umedeceram e ele abriu os olhos para encarar os firmes e celestes diante dele.

— Eu quero que você me ame, Cris — determinou menos receoso. — Agora — acrescentou firme.

Um grande sorriso iluminou o rosto de Cristal, era fala que esperava. Beijou a boca de Ryoha e, ao cessar o beijo, pediu para que ele ficasse de costas. O caçador obedeceu, jogando todo seu cabelo para frente, sobre um dos ombros. Cristal o ajudou com aquela tarefa, até que a nuca e um lado do ombro ficaram descobertos, onde o alfa pode depositar uma nova sequência de beijos úmidos, lambidas e mordidas.

A língua de Cristal percorreu o meio das costas de Ryoha e pode sentir o leve perfume que ainda exalava do banho que ele tomara, certamente antes de sair para encontrá-lo. Chegou às nádegas avolumadas a qual apartou e foi ali que se enterrou, usando a língua para adentrar e estimular o pequeno orifício entre elas.

Ryoha se resfolegava na cama, contorcia os dedos dos pés, apertava o tecido do lençol em suas mãos. Quase não conseguia controlar os gemidos.

Ao perceber que o caçador estava quase no limite, o alfa decidiu parar com a tortura e apoiou-se nos joelhos sobre a cama e ergueu-se. Usou as mãos para estimular o próprio sexo e ao senti-lo preparado, debruçou-se sobre as costas nuas, e direcionou o pênis intumescido entre as nádegas de Ryoha. Respirou fundo ao sentir sua ereção ultrapassando a resistência inicial.

Ryoha, por sua vez, apertou o lençol em suas mãos ao sentir a dor lacerante do início da penetração.

Cristal, porém, percebeu que não conseguiria se enterrar por completo em Ryoha estando naquela posição, então decidiu mudá-la mais uma vez, abraçou o corpo do caçador e passou a emborcá-lo para trás.

— Cris, não... — Ryoha reclamou ao ser tirado da posição confortável que estava.

— Vamos mudar para uma posição melhor — explicou Cristal e à medida que foi se deitando para trás, Ryoha foi se sentado, ainda de costas, sobre seu ventre.

Ryoha prendeu o lábio inferior entre os dentes ao sentir a dor provocada pela invasão completa do sexo de Cristal em seu interior, estava sentado sobre o colo dele. O lamento acabou escapando e arqueou o corpo para trás, fazendo seus cabelos vermelhos tocarem o tórax e o rosto do alfa embaixo dele.

— Ahh, ai, ai... — reclamou, o rosto ardendo, precisava se acostumar com a dor. O peso do seu corpo forçara a penetração e sentia que o membro de Cristal não tinha mais para onde ir, ele havia chegado ao limite e se passasse dali pressentia que iria se machucar.

— Está incomodando muito, Ryo? Quer mudar?

— Não... precisa... — determinou, arfante, sentindo espasmos em seu interior que o fazia se retesar.

— Ai, espera, espera, está me apertando.

— Desculpe, não consigo evitar.

— Certo, vamos com calma, então... — Cristal pediu, respirando fundo e passando a mover o quadril para cima e para baixo. — Vamos... assim. Bem devagar.

Apesar de ditar aquilo, Ryoha percebeu que Cristal estava afoito. Tentou relaxar o máximo que pode para facilitar os movimentos de entrada e saída e se acostumar com a invasão. Autorizou que o alfa aumentasse o ritmo quando sentiu que conseguiria suportar.

À medida que Cristal se movia, — fazendo-o cavalgar involuntariamente —, o ato sexual foi se tornando mais intenso. Quando a dor finalmente se amenizou, Ryoha passou agir também, subia e descia o quadril, fazendo o sexo dentro dele deslizar para fora e para dentro em movimentos cada vez mais convulsos. Sentia as mãos de Cristal o estimularem, massageando suas costas, a cintura, coxas, subindo para o peito.

Ficou difícil respirar, o coração começou a bombear mais rápido e Ryoha sentiu a saliva se acumulando em sua boca. A sensação de estar preenchido havia se tornado extasiante e não mais incômoda, seu corpo passou a ditar sozinho o ritmo dos movimentos, rebolava, cavalgava, se contraía, sem dar-se conta de que era ele o dono daquelas ações tão luxuriosas.

Cristal não precisou mais agir, estava quase enlouquecendo com os movimentos de Ryoha. Os cabelos rubros chicoteavam seu rosto conforme ele se movia, causando cócegas na ponta do nariz. Sorriu delirante por estar naquela posição, da qual conseguia ver as nádegas brancas consumindo seu membro perfeitamente. A visão era tão fascinante e erótica que, a cada rebolada e contração que sentira a partir dali, previa o orgasmo querendo tomá-lo. Mas como não queria gozar antes de Ryoha, obrigou-se a se controlar.

Mesmo assim, o receio de que não fosse suportar por muito mais tempo o fez buscar o sexo de Ryoha o qual passou a masturbar.

Assim que a mão de Cristal tocou seu membro Ryoha não foi mais capaz de manter o ritmo, deu suas últimas cavalgadas e se retesou por inteiro, arqueando o corpo o máximo que pode para trás, fazendo seus cabelos praticamente afogar o homem atrás dele. Apoiou as mãos na cama, nas laterais do corpo de Cristal, e aproveitou aquela sensação que o inundava e fazia suas nádegas se contraírem, seu interior convulsionar e seu sexo espirrar jatos de sêmen para o alto.

Cristal soltou do membro de Ryoha e se jogou para trás sendo sufocado pelo mar de cabelos que cobriram seu rosto na mesma proporção que seu membro era exprimido no interior daquele corpo tão quente. Fez uma careta de dor e soltou um urro, mas foi gratificado com o alívio que veio em seguida, seu orgasmo foi bombeado com força para dentro do canal comprimido e enfim relaxou.

...

Passaram alguns minutos deitados, nus, apenas ouvindo a respiração um do outro. Sendo Cristal o primeiro a se mover para fora da cama e aproveitar para puxar Ryoha.

— Ei, espera, o que foi? — quis saber o ruivo ao ter o punho puxado pelo alfa. — Preciso de mais um tempo para me recuperar.

Cristal abriu um sorriso jocoso com a sugestão implícita naquela fala.

— Bem que eu que gostei da ideia de uma segunda rodada, mas na verdade eu só estou te puxando pra gente tomar uma ducha juntos — piscou um dos olhos e deliciou-se com a visão do rubor que cobriu as bochechas de Ryoha mais uma vez.

Sentindo-se ofendido, Ryoha puxou seu punho de volta e saiu da cama, adentrando o banheiro primeiro, resmungando para que Cristal se apressasse.

No banheiro, a segunda rodada acabou acontecendo enquanto alisavam seus corpos ensaboados.

Tomados banhos, Ryoha secava seus cabelos na toalha, sentado ainda nu à beirada da cama. Cristal, que estava com a toalha enrolada na cintura, preparava o lanche em uma auto-repartição que se abrira em outra parte do cômodo.

— Fiquei surpreso com a sua chegada, Ryo. Achei que ainda estaria na estrada à uma hora dessas — comentou, virando o mexido de ovos de garo[2] na frigideira.

— Eu cheguei ontem. Mandei várias mensagens, mas você não me respondeu, então eu decidi procurá-lo.

— E como conseguiu saber onde eu estava?

— Pelo decter, ora... Fui eu quem ficou impressionado com a sua transferência de volta para mim, não esperava uma ação tão drástica da parte sua e de Derill. Eu apenas queria você emprestado, não defini-...

— Espera — Cristal interrompeu a fala de Ryoha. — Como é que é?

— Como é o quê? — parou de secar os cabelos para olhar Cristal.

— O que você disse? Eu estou transferido de volta para você? Como assim?

Ryoha revirou os olhos, ergueu-se da cama e andou até a cômoda onde havia deixado seus componentes, apanhou o decter e acionou o botão da tela holográfica, virou seu perfil de Caçador para Cristal, apontando o campo “Alfa ativo” e ao lado dele, em letras verdes, o nome “Cristal Galeeu”.

Os olhos do fairy se arregalaram e aquele gesto fora suficiente para Ryoha compreender que Cristal não sabia da transferência.

Cristal balançou a cabeça negativamente, coçou a nuca e desligou o fogo embaixo da frigideira.

— Eu devia ter desconfiado — declarou, o timbre de voz deixando transparecer o quanto estava chateado. — Apesar de não me lembrar muito bem do fim da noite passada, aquela festinha de ontem estava mesmo com a maior cara de despedida... — crispou os punhos e o bateu contra o balcão fazendo a frigideira no fogareiro automático tremular. — Maldito Tiozão! Quem ele pensa que é para fazer algo do tipo sem me consultar? Na verdade, o que vocês pensam que são — ele apontou o dedo para Ryoha. — Eu odeio vocês! Domadores, caçadores, são todos iguais! Acham que podem se livrar de nós alfas como se fôssemos um objeto que não serve mais.

Ryoha sentiu o peso das acusações de Cristal e nem pode se dar ao luxo de contestá-las, por isso ficou aliviado quando o som de chamada em andamento irrompeu o ambiente e a voz feminina do viva-voz do seu decter informou: “Vídeo-chamada Mya em andamento, comando para atendimento em quinze segundos ou a chamada será redirecionada para o arquivo de mensagens”.

— Atender! — gritou para o decter e a imagem de Mya pulou na tela.

— Esse foi seu atendimento mais rápido da história, maninho. Você está bem? — ela surgiu falando.

Mas bastou uma olhada para o peito pelado de Ryoha e outro espichar de olhos para o alfa enrolado somente com uma toalha na cintura para ela compreender em partes o que estava acontecendo.

— Eu acho que interrompi algo.

— Pode falar, Mya — autorizou Ryoha.

— Oi, Mya — Cristal a cumprimentou um tanto desolado, mas tentou esboçar um sorriso que certamente saiu sem graça.

— Oi, Cris — ela retribuiu o cumprimento com um aceno e piscou um dos olhos para ao alfa, imaginando que ele havia ficado constrangido devido ao fato de terem sido flagrados em um momento íntimo. — Que bom que estão juntos. Mas eu entendi o que está rolando e não vou me alongar, só tenho um recado do nosso pai, Ryo.

— Aconteceu alguma coisa?

— O papai quer que você participe da reunião de caçadores que vai acontecer nesse fim de semana.

Ryoha revirou os olhos.

— Não estou viajando a passeio, Mya. Eu não tenho tempo de ficar passeando e participando de reuniõezinhas, preciso voltar para Dragaria o mais rápido possível.

— Escuta aqui, meu irmãozinho idiota. Não se trata de uma “reuniãozinha”! Se você ainda não se deu conta, agora você é um caçador e precisa seguir as normas do grupo. O papai é o líder da Associação de Caçadores e você conhece mais do que ninguém a reputação do nosso clã. Além disso, sabemos que está em recesso do seu curso, então trate de mover seu traseiro branco daí, de onde você estiver, e vir para essa reunião. O recado está dado. — Ela jogou beijo para ambos e encerou a ligação.

— Merda! — esturrou Ryoha.

— Ela não disse nenhuma inverdade.

— E você adora defendê-la.

— Vamos respeitar, né, Ryo. A Mya é bem mais gostosa que você.

— Ah, é? Então você andou experimentando?

— Não... — Cristal deu aquela resposta, mas parou e pensou em como complementá-la de maneira ferina, gostando de ver a rara expressão de ciúmes no rosto de Ryoha. — Mas gostaria, com certeza.

— Terá sua chance, estamos de partida para Sira — disse simplesmente e apanhou sua roupa debaixo, passando a se vestir.

— Não era essa a resposta que eu estava esperando ouvir.

— Ué? E qual era então?

— Esquece, já perdeu a graça — fez um bico de emburrado com os lábios. — E eu aqui achando que você estava com ciúmes.

— E esse lanche sai ou não? — mudou de assunto. — Estou morto de fome.

— Já está pronto, vou servir.

— E o que está pretendendo fazer quanto ao Derill? — retomou aquela pauta, pois precisava ter certeza de que Cristal não iria revogar a transferência, já que ele podia fazê-lo, bastava alegar ao Conselho que ela fora feita sem sua anuência. — Pelo que deu para entender você não sabia que ele iria transferi-lo de volta para mim.

— Não, eu não sabia — afirmou, servindo o mexido que fizera para ele em um recipiente quadrado. — O tiozão não falou nada sobre isso. Até estranhei o convite dele para a festinha no kandra de ontem. Mais do que isso, achei que ele ficou um pouco estranho quando eu disse que você estava vindo para Erix e que queria conversar comigo. Mas eu nunca iria imaginar que ele faria algo do tipo sem me consultar, estávamos indo muito bem, estávamos nos dando muito bem juntos. Estou um pouco confuso.

Não foi fácil para Ryoha ouvir do alfa o quanto ele estava se dando bem com outro domador, da mesma forma como não gostou nenhum pouco do quanto Cristal parecia chateado com atitude de Derill de devolvê-lo. Apanhou a calça de couro e passou a vesti-la, tentando não demonstrar aquele incômodo.

— Você deveria ir falar com ele então.

— Vamos comer primeiro — Cristal definiu, servindo o recipiente de Ryoha, que não comia carne e nem derivados, um prato de massone instantâneo com molho de pólen de drupira[3] que ele havia preparado no forno. — Depois vou tentar falar com ele. Mas, tenho a impressão que não vou conseguir da mesma forma que não consegui quando você fugiu de mim da última vez. O que acontece? Será que causo algum tipo de trauma com quem eu trabalho?

Ryoha apanhou o recipiente de massone que Cristal estendia e o aroma bom que exalava da comida atiçou sua fome, sentou-se à beirada da cama e passou a comer, evitando responder aquela pergunta que era certamente mais constrangedora do que fazer sexo. Afinal, tinha quase certeza que aquela estranha atitude de Derill remetia-lhe ao fato de que ele havia se apaixonado por Cristal, e pensar naquela possibilidade fazia seu estômago revirar ao ponto da fome querer se esvair. Havia gastado suas energias nas duas rodadas de sexo que tiveram, precisava repô-las. Então passou a empurrar a comida em grandes colheradas garganta abaixo e se deu ao direito de ignorar a pergunta feita.

— Isso tudo é fome? — impressionou-se Cristal. — Vai devagar, ainda está quente.

— Só uma dúvida... — Ryo falou, limpando a boca com o punho da mão fechado. — Se você encontrar o Derill e ele te expor alguma razão sobre essa atitude estranhaestranha, o que vai fazer?

Ryoha aumentou o bico em seus lábios. Sentou em um banquinho o qual descompactou do balcão da auto-cozinha e sentou-se nele, deixando o prato de mexido sobre o balcão.

— Se quer saber se vou voltar para ele a resposta é não — declarou, dando garfadas na sua própria comida. — O Tiozão me devolveu para você sem me consultar. Se fez isso, deve estar ciente do peso da sua atitude. A única coisa que eu gostaria era de entender o porquê.

— Hm.

— E você, Ryo? — perguntou entre as mastigadas. — Disse que “precisava de mim”, mas ainda não especificou exatamente para que precisa.

— Ah, eu... — o caçador entalou ao tentar engolir a comida para não falar de boca cheia e precisou dar soquinhos no peito para fazer o alimento entalado descer, assim que conseguiu engolir, respirou, e respondeu com um leve sorriso no rosto. — Eu quero que me ajude a voar.

Continua...

[1] Aihin: é a rainha demônio em Aurora – o povo de aurora possui crença em vários deuses. Entre eles existem deuses bons e maus. Aihin é a rainha demônio, seria o equivalente a Lúcifer da religião católica ou Hades da mitologia grega. Aihin é retratada como um ser gigante, metade do corpo serpente, oito braços que a ajudam rastejar por debaixo da terra e oito seios. Os cabelos e os olhos desse ser mudam de acordo com seu humor, alternam entre barro, labaredas de fogo e cristais de gelo.

[2] Garo – um tipo de ave que tem uma pata só, ela voa, mas quando está no solo anda pulando e emitindo o som que gerou seu nome “garo”. Seus ovos, assim como a carne, são ricos em diversas proteínas, além de serem saborosos.

[3] Um prato parecido com a nossa lasanha pré-pronta, detalhe, vegetariana.

Notas finais
Lemon para adoçar nosso paladar fujoshi. :D Desde que a história começou estava devendo um lemon decente entre esses dois, até porque os leitores que estão acompanhando já me falaram que não vêem o Ryoha como uke. Como não, minha gente? E eu o acho extremamente uke. T^T Adoro ukes marrentos, durões e imponentes! É tudo de delícia. Será que depois desse capítulo vocês mudarão um cadinho de ideia? D: De qualquer forma, a história segue! Derill devolveu Cristal para Ryoha e simplesmente desapareceu. Tudo indica que Cristal não se lembra de muita coisa do que aconteceu no fim da noite no Kandra e está confuso com atitude de Derill. Preocupação que deixou Ryoha com as orelhas em pé e até desconfiado de que Derill está apaixonado por Cristal, será? xD Afinal, o que esse “Tiozão” está aprontando, hein? Mas, seja o que for, Cristal e Ryo estão a caminho da Sira, e uma reunião entre Caçadores. Bem, foi isso, deixem a opinião de vocês sobre o capítulo! A próxima semana, se tudo der certo, terá atualização de Pintando O Sete! Aproveitando para divulgar o artigo, com o depoimento que dei sobre a minha trajetória como ficwriter para as fofas administradoras do Otome Tea Time: http://www.otometeatime.com.br/2014/10/da-web-para-o-papel-33-andreia-kennen.html#more Bom fim de semana pra vocês! o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.