Os Astros
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Querido diário,
Eu não podia acreditar que Germán havia me deixado estudar com o Benvenuto. Hoje mesmo Ramalho e eu iriamos conversar com o Roberto e ver se ele aceita ser meu professor de piano. O único problema é que ele dará aulas no Studio. Mas Germán não vai precisar saber disso, esse seria um segredo só meu e de Ramalho.
Respirei fundo e me olhei no espelho mais uma vez, pela primeira vez eu estava preocupada com a impressão que eu passaria. Já estava cansada da maneira como me vestia, cansada de esconder quem realmente sou. Fiquei um tempo me observando pelo espelho e eu não estava nada feia. O único problema era que eu não estava acostumada a mostrar tanta pele. E isso era algo que estava me incomodando.
Peguei meu diário e meu celular, me retirando do quarto logo em seguida, desci as escada pulando de dois em dois degraus, eu estava parecendo uma criança, eu tinha consciência disso, mas idaí?
– Oi Olga — disse na maior empolgação lhe dando um beijo na bochecha.
– Oi minha pequenina. Dormiu bem? — Indagou procurada como sempre.
– Melhor impossível. Viu Ramalho? Perguntei olhando para a tela de meu celular, que havia acabado de chegar uma mensagem, mas como eu já imaginava era uma mensagem da operadora do celular. Revirei os olhos com isso, odiava quando chegava essas mensagens.
– Ele deve estar na cozinha. — Ela disse e voltou a fazer o que estava fazendo enquanto eu me dirigia a cozinha. — Ah, Violetta? -Chamou-me Olga.
Parei de andar e girei meus calcanhares em sua direção,ficando assim novamente de frente a Olga.
– Coma alguma coisa. — pediu, ou melhor, ordenou.
– Pode deixar. — disse e fui para a cozinha.
Ramalho estava na cozinha como o esperado, o mesmo estava sentado em uma baqueta e lendo o jornal do dia, vestindo o seu chique terno risca giz cinza e sapatos pretos bem polidos que tinham um brilho incrível, pareciam novos. Ramalho ainda não havia me visto, seu jornal parecia estar bem interessante.
– Bom dia Ramalho. — desejei-lhe de um modo não muito educado.
Ele parecia ter se assustado com minha presença.
– Bom dia Violetta. — desejou-me dobrando o jornal e o deixando em cima da bancada.
Nós não dissemos mais nada, por mais que não parecesse eu não tinha muita intimidade com o Ramalho. Então o silêncio era a melhor solução.
Deixei minhas coisas em cima da bancada — celular e diário — e fui em direção a geladeira.
Peguei uma jarra de suco de laranja que estava na geladeira e uns biscoitos que Olga havia preparado, levei tudo até a bancada. Me sentei em uma baqueta ao lado de Ramalho e assim tomei meu café da manhã, em silêncio. Terminei de comer e levei meu copo e prato para a pia — até os lavaria, mas eu queria ir logo para o Studio.
– Ramalho? — Chamei-o e o mesmo me olhou por cima de seu precioso jornal. — Podemos ir?
– Oh, sim. Vamos. — disse se levantando. E saindo pela porta dos fundos comigo logo atrás. Fiquei o observando desalarmar o carro e abrir a porta do passageiro para mim entrar. — Essa era outra coisa que eu odiava, eu tenho mão, na verdade mãos, porque são duas e poderia muito bem abrir a porta do carro sozinha.
Adentrei no carro e observei Ramalho dar a volta no carro e entrar no banco do motorista, assim que entrou no carro colocou a chave na ignição e deu partida no carro. Por incrível que pareça o trânsito em BAires hoje estava maravilhoso, chegamos ao Studio 21 em pouquíssimos minutos. — Para falar a verdade eu não via necessidade de ir até lá (Studio) de carro já que era exatamente 8 minutos caminhando da minha casa até o Studio, mas ok.
O lugar estava igual a última vez a não ser pelo fato de ter menos gente, dançando e cantando do lado de fora que dá última vez. Avistei sentada em um banco, uma garota com a pele bem branca e os cabelos negros, que se não me engano se chama Francesca e é a irmã de León, ao lado dela uma garota ruiva, que eu tinha quase certeza que se chamava Camila — ou será que eu inverti os nomes? — e ao lado das duas o Rapper baixinho que acho que se chama Maxi.
– Vamos entrar? — Indagou Ramalho.
– Sim, vamos entrar. — Disse e começamos a caminhar em direção a entrada do Studio.
Lá dentro, assim como na última vez haviam várias pessoas, algumas cantando, outra dançando e outras simplesmente conversando.
– Com quem devemos falar ? — Ramalho perguntou, sem parar de andar e observando as pessoas.
– Eu não faço a menor idéia.
Continuamos andando calmamente, uma pessoa podia muito bem se perder aqui, esse lugar parecia um labirinto. Estávamos na maior tranquilidade, até um ser loiro e um ser de olhos esverdeados adentrarem no nosso campo de visão.
León e Ludmila estavam bancada o casal perfeito. Eles estavam se beijando, não era um beijo, desses beijos de cinema era simplesmente selinhos, mas ficar olhando para aquilo me deu náuseas. Não demorou muito tempo para a loira me ver e vir em minha direção com um sorriso falso estampado no rosto e León logo atrás.
– Ramalho, a gente já pode ir. — disse e quando eu ia me virar na direção oposta, ele impede segurando meu braço direito.
– Aquela não é a Ludmila? — Ele perguntou-me.
– Violet? — Chamou-me, naquele momento tudo o que eu queria era sair correndo, mas essa era a única coisa que eu não podia e nem conseguia fazer.
– Ludmila, como você cresceu. Você está linda. — Ramalho disse a Ludmila. — Olá León. — cumprimentou León e o mesmo respondeu com aceno de cabeça e um sorriso de lado.
Espera, eles se conheciam?
– Eu lhe conheço? — Indagou a loira — E eu sei que sou linda, fazer o que? É de família. — Ela disse com um sorriso presunçoso no rosto, então me analisou dos pés à cabeça e murmurou:
– Ou não.
Ignorei aquele comentário. Sabia que ela fazia isso para me deixar irritada. Mas hoje,eu estava bem demais para ficar irritada por nada.
– O que veio fazer aqui Violet? — Perguntou olhando suas unhas.
Eu parei por um momento se respondesse a verdade ela ia achar um jeito de me azucrinar. Encarei León, que estava me olhando descaradamente e a namorada dele estava ao seu lado. Ele não havia dito nenhuma palavra, isso por algum motivo me aborreceu.
– Eu vim me inscrever no Studio. — Respondi-lhe com o mesmo sorriso que ela havia dado a pouco. Um sorriso de eu sou melhor que você. Eu sabia que era mentira, mas só ver a cara da Ludmila, já valia a pena.
– O quê? — perguntaram os três em uníssono.
– Vem, Ramalho. — Chamei-o e sai andando, quando estava passando por eles, acabei esbarrando no ombro de León, e não foi sem querer, foi extremamente de propósito.
Depois que eu esbarrei nele fiquei com vontade de voltar atrás e pedir desculpa.
Qual era meu problema? Eu falava tanto da Ludmila ser desse jeito e agora estou agindo igual a ela.
– Você vai se inscrever no Studio ? — Ramalho perguntou quando já estávamos bem longe dos dois.
– Não. Eu não sei por que eu disse aquilo. Foi no calor do momento. — Eu disse e lhe lancei um sorriso.
– Você vai me acompanhar na conversa com o Benvenuto?
– Ramalho, se não se importar eu vou dar uma volta pelo Studio. — Respondi-lhe da forma mais educada que pude.
– Tudo bem, tome cuidado. — Pude vê-lo se distanciar, quando ele estava longe o suficiente, segui na direção contrária à qual ele havia ido.
Tinha algo em mente, mas precisaria da ajuda de alguém. Continuei andando e pensando na minha idéia e para quem pediria a informação que eu precisava. Estava perdida nos meus devaneios até avistar a Ruivinha, Camila. Caminhei até ela, e por incrível que parece eu não estava com vergonha de ir falar com ela
O que está acontecendo comigo hoje?
– Com licença, você é a Camila não é? — Perguntei com um sorriso amigável.
– Ah, sim e você é a Violet não é? — ela perguntou me devolvendo o sorriso.
– Na verdade é Violetta, mas a loira me chama de Violet. — disse brincando com a barra de meu vestido.
– Oh, me desculpe, eu não sabia. — Ela estava realmente constrangida.
–Não tudo bem. — murmurei — Camila, como eu faço para entrar no Studio?
– Bom, você tem que preencher a ficha de inscrição com os seus dados, a ficha você vai encontrar com algum professor. — Ela disse me olhando — Depois que você entregar a ficha preenchida, você irá fazer um teste de canto e de dança. Aí quando o período de inscrições acabar, eles colocaram no mural o nome de quem passou.
– Quando o período de inscrições acaba? — perguntei-lhe mordendo o lábio inferior.
– No final dessa semana, ou seja, na sexta-feira. Então, na segunda — feira os resultados já estarão prontos. — ela disse com uma cara pensativa.
– Onde eu posso encontrar uma ficha de inscrição? — Perguntei.
– Vem, vou te levar até o Pablo, aí você fala com ele.
Camila e eu rodamos pelo Studio todo, até que finalmente encontramos o tal do Pablo, Camila explicou o que eu queria, e ele me entregou a ficha de inscrição, eu a preenchi — sabia tudo de cabeça — e lhe devolvi a ficha ele disse que o meu teste de canto seria amanhã e o de dança depois de amanhã.
– Ótimo Camila, agora eu só preciso inventar uma coreografia. — disse exasperada mexendo os braços — Eu sou péssima em dançar.
– Você não pode ser tão ruim assim. Olha sei que a gente não se conhece a muito tempo, mas se você quiser eu posso te ajudar.
– Você faria isso? — Perguntei.
– Claro, já te considero basicamente minha amiga. — Ela disse e eu sorri, nunca havia tido uma amiga antes, e a idéia realmente me agradava.
– O.k então a gente se vê mais tarde? — Perguntei.
– Sim. Nos encontramos naquela praça aqui perto do Studio, lá por umas 3:00 P.M.(15:00)? Podemos ensaiar por lá e se você quiser eu posso te ajudar com a música também.
– Eu agradeceria muito Camila. Mas agora eu preciso ir. Nos vemos mais tarde.
– O.k. Até lá Violetta. — Ela disse e saiu indo em direção a irmã de León.
Sai dando voltas pelo Studio, eu não sabia onde encontrar o Ramalho, como eu disse antes aquele lugar parecia um labirinto, estava perto dos armários, quando uma voz masculina soou no local.
– Violetta?
Eu conhecia aquela voz, conhecia melhor do que precisaria conhecer.
– Tomás? — Indaguei tentando esconder a surpresa que estava em vê-lo ali.
– O que faz aqui? — Perguntou me olhando dos pés à cabeça. — Uau, se você se vestisse assim em Madrid eu teria te dado uma chance. — ele disse com um sorriso debochado estampado no rosto.
– Vai pro inferno. — disse e sai de lá.
Acho que a vida realmente conspira contra mim.
Acho que nunca contei, mas eu conheci o idiota do Tomás em Madrid, estudávamos juntos na mesma classe, tipo em todos os anos estávamos na mesma classe, ele era o popular arrogante, mas que todas as meninas ficam caidinhas e eu era a Nerd solitária. Na escola em Madrid eu acabei, meio que me apaixonado por Tomás. E foi assim que o verdadeiro inferno começou. De alguma maneira ele descobriu que eu tinha um amor secreto por ele, e assim ele começou a me azucrinar, não me deixava em paz um minuto sequer. Até que ele teve que se mudar.
Eu só não esperava me mudar pro mesmo lugar que ele.
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