Notas iniciais
Como expliquei na outra fic, tive problemas pessoais e familiares que me impossibilitaram de estar postando. Quero pedir desculpas por isso. E também agradecer aos lindos e maravilhosos comentários que deixaram nessa fic fofa. Aqui segue outro capítulo. Mais uma vez Grissom vai passar um apuro por culpa de Noan. O ex-supervisor até tentou "omitir" da esposa o ocorrido com o garotinho no supermercado, mas... PS: Ana Camila, aqui o Grissom não trabalha mais no laboratório e sim, leciona na Universidade de Las Vegas.

—Oi, querida! — Grissom saudou sua esposa segurando o celular com o ombro enquanto terminava de preparar o almoço para seus filhos e ele. _Já está no hotel?

—Sim. Inclusive, já estou no meu quarto, Gil.

—Foi tudo tranquilo no voo?

—Foi. E por aí como estão as coisas com os meninos e você nesse meio tempo?

—Estamos bem!

Em hipótese alguma iria contar pra ela sobre o sumiço momentâneo de Noan. Detestava omitir coisas da esposa, mas aquilo seria necessário. Contar o episódio do supermercado seria como assinar sua sentença de que não era um pai tão atencioso assim, já que na primeira oportunidade ele logo perdeu o filho no supermercado. Sem contar que se abrisse a boca e contasse aquele ocorrido de poucas horas atrás, era capaz de sua esposa largar o curso sem ao menos tê-lo iniciado, e vir pra casa.

—Estou terminando de preparar o nosso almoço. Você já almoçou?

Ele abaixou-se e espiou no forno as batatinhas assadas que seus filhos adoravam comer e notou que elas estavam douradinhas e no ponto certo. Desligou o forno e voltou a terminar de fritar os bifes. Seus filhos adoravam bife cortadinho em pedaços bem pequenos, acompanhado de macarrão de arroz e as batatinhas que o pai fazia pra eles.

—Já fiz o pedido do almoço há uns minutos. Daqui a pouco estão trazendo aqui no quarto.

—Droga! — Ele reclamou.

—Que houve?

—Me queimei de leve aqui na panela. — Contou levando o dedo indicador a boca.

Ouviu sua esposa sorrir de leve dele e depois, ela perguntou onde estavam os filhos.

—Estão na sala.

Grissom ouviu as gargalhadas dos filhos e Sara pelo telefone também conseguiu ouvir o som.

—Nossa do quê eles estão rindo tanto assim?

Ele contou sobre o cachorrinho que mentirosamente disse que eles acharam na saída do supermercado. Certamente, o bichinho era a razão daqueles risos todos de seus pequenos.

—Gil, você trouxe o cachorro pra casa, querido?

—Não tive coragem de negar o pedido de Noan e Liah quanto a isso.

Sua esposa sorriu.

—Você nunca tem coragem de negar nada aqueles dois, né?

A coisa mais difícil pra não dizer impossível de acontecer, era Grissom negar algo aos filhos. Aqueles pares de olhos castanhos e aquelas carinhas de anjinho que seus filhos tinham, desarmavam Grissom na hora.

—É complicado dizer "não".

—Mas nem sempre podemos fazer as vontades deles, amor. Isso não é certo e vai acabar estragando nossos filhos.

Ele era consciente disso, mas olhar para aquelas criaturas lindas e ter que dizer "não" a um pedido deles, era missão impossível para Grissom.

—Você não vai ficar brigando comigo por isso, vai?

—Não estou brigando, Gil. Apenas conversando.

—Ok!

—E o Hank não estranhou o cachorrinho novo?

—Ele está meio desconfiado com a presença do filhote. Fica só de longe vendo os meninos brincarem com o novo cachorro.

—Será que ele não ficou com ciúmes, Gil?

O ex-supervisor achou graça da pergunta da esposa. E antes que respondesse a questão, Liah apareceu na cozinha e ao ver o pai ao telefone quis saber logo se era a mãe. Assim que Grissom confirmou, a garotinha começou a pular pedindo pra falar com a mãe.

—Querida vou passar o telefone pra Liah. Ela quer falar com você.

—Ok!

Ele entregou o telefone a sua garotinha.

—Mamãe, a gente tem um cachorrinho novo e...

Grissom viu sua filha sair da cozinha com o telefone no ouvido e ficou logo temeroso de que sem querer um dos pequenos comentassem com a mãe sobre o pequeno sumiço de Noan no supermercado. Diante disso, Grissom terminou de fritar os bifes rapidamente e depois de apagar o fogo, correu rápido pra sala a fim de ficar de olho no quê os seus pequenos diriam à mãe. Chegou à sala e já era tarde, pois seu filho que aquela altura era quem falava com a mãe, contava naquele momento pra ela que ele havia saído de perto do pai e sumido por um momento pra brincar com o cachorrinho que tinham trazido pra casa. E que quando seu pai lhe encontrou do lado de fora do supermercado, ele começou a chorar.

Grissom fechou os olhos e os apertou com força. Agora estava com sérios problemas com a esposa. Ele viu Noan lhe estender o telefone e dizer que a mãe queria falar com ele.

O ex-supervisor pegou o telefone como se o mesmo fosse uma bomba prestes a explodir ao menor movimento brusco que fizesse. Após respirar fundo, se preparar mentalmente e também à seus ouvidos para o que ouviria da esposa, Grissom então encostou o aparelho telefone na orelha e disse com a voz mais branda e inocente possível:

—Sim, querida.

—Que história foi essa de o Noan sumir de perto de você no supermercado e você chorar ao encontrá-lo, Grissom?

O ex-supervisor até afastou o telefone da orelha, porque sua esposa quase berrou ao telefone ao falar com ele.

"Noan o que você foi me aprontar, filho?"

Grissom pensou enquanto olhava o filho que alheio ao tsunami que causou ao contar a mãe sobre seu sumiço, brincava de bruços no chão, junto com a irmã, com o novo cachorrinho da família.

—Grissom, você está aí na linha?

—Tô! — Ele respondeu temeroso ao ouvir a pergunta raivosa da esposa.

Depois se dirigindo de volta à cozinha, ele resolveu contar tudo. Não adiantava mais esconder nada já que seu adorável filho contou o ocorrido. Explicou que foi rápido que aconteceu esse episódio no supermercado e que também foi rápido que encontrou o filho. E que ele chorou por conta do susto do pequeno sumiço do filho.

—Se Noan não contasse sem querer isso, você ia me esconder o que aconteceu no supermercado?

—Talvez. É que não achei necessário te contar.

—Não achou necessário? Eu sou a mãe dos seus filhos, Grissom. Um deles some e você acha desnecessário me contar isso?... Quer saber? Foi uma péssima ideia eu ter vindo. Devia ter dito ao Ecklie que não dava, mas fui cair na besteira de acreditar que você daria conta sozinho...

—Sara.

—Era óbvio que isso não ia dar certo. Você e os gêmeos sozinhos, não têm a menor chance de dar certo...

—Sara.

—Vou ligar agora mesmo para o Ecklie e...

—SARA! — O chamado mais firme e enérgico dele fez a esposa calar-se na hora. _Você não vai ligar pra ele.

—Mas é claro que vou. E também vou pegar o primeiro voo pra Vegas.

—Você não vai fazer nada disso. Eu vou cuidar deles direito. O que aconteceu foi um pequeno incidente. Que não vai tornar a acontecer.

—Incidente? Incidente é a criança cair e se machucar de leve. Grissom, você perdeu nosso filho.

—Eu não perdi. Ele saiu de perto de mim sem que eu visse. Mas ele apareceu e está ótimo. Isso é que importa, Sara. Me dá um desconto? Foi um fato que não vai se repetir. Eu estou dizendo que está tudo bem. E vai ficar. Você não precisa voltar e sabe que não deve. Esse curso é importante e não pode deixar de fazê-lo.

—Grissom...

—Não tem Grissom nada, Sara. Você vai ficar aí, fazer seu curso e eu vou cuidar dos nossos filhos sozinho aqui. Um beijo e até mais tarde.

Sem dar mais espaço pra sua esposa contestar qualquer coisa, ele desligou a chamada. Fez isso pra evitar que uma briga maior se desse ali, porque do jeito que Sara estava nervosa e também lhe deixando nervoso com aquele "surto", eles iriam brigar mais seriamente e o ex-supervisor não queria isso.

—Eu não acredito que ele desligou na minha cara! — A morena disse a si mesma incrédula com aquela atitude do marido.

Grissom voltou a sala e colocando o telefone sobre a mesinha ao lado do sofá, anunciou aos filhos que estava na hora de almoçarem e que era pra eles colocarem o cachorrinho na caixa lá na lavanderia onde ele ficaria enquanto fosse pequeno.

Após colocarem o cãozinho dentro da caixa e lavarem as mãos junto com o pai na torneira da lavanderia, os pequenos e Grissom foram almoçar.

Apesar da pouca idade seus filhos já sabiam comer sozinhos, na verdade os dois pequenos faziam questão de comerem sozinhos. Eram crianças autossuficientes o bastante pra tal tarefa. E se fosse fazer vontade, eles faziam quase tudo sozinhos.

Depois do almoço os pequenos que geralmente costumam dar um cochilo, naquele dia não quiseram fazer isso. Estavam elétricos e empolgados demais em querer ficar brincando com o cachorrinho "batizado" de: Flik, que cochilar era a última coisa que queriam fazer pra frustração do pai que adoraria descansar um pouco naquela tarde, mas pelo andar da empolgação dos filhos isso não ia rolar.

O lado bom disso é que Grissom sabia que seus filhotes iam dormir cedo e rápido, já que estariam cansados o suficiente pra caírem na cama e "apagar" em sono.

Por volta da tarde, lá pelas cinco, o ex-supervisor a pedidos insistentes dos filhos, levou os dois e mais Hank e Flik pra darem uma volta no parque que ficava há duas quadras de casa. Fazia uma tarde bonita e agradável, propicia à um passeio. Então lá foi Grissom levar os filhos pra passear.

Dessa vez, o ex-supervisor não desgrudou os olhos um segundo sequer dos filhos, principalmente de Noan. O parque estava relativamente com um bom número de pessoas e em virtude disso, a atenção de Grissom estava mais do que redobrada sobre seus pimpolhos enquanto eles corriam com Flik atrás deles. Pra um filhote, o cãozinho era demais esperto e bastante serelepe. Correr parecia ser algo que o bichinho mais adorava fazer.

Com Hank deitado aos seus pés, Grissom que estava sentado num banco, observava os filhos que se danavam a fugir de Flik.

O ex-supervisor sorriu ao ver seus gêmeos rindo enquanto tentavam fugir de Flik que corria atrás deles. Seus anjinhos podiam ser até às vezes levados, travessos e arteiros, mas eram seus anjinhos. Não conseguia mais ver sua vida sem aquelas duas coisinhas lindas. Seu mundo se tornou outro tão logo viu aqueles rostinhos assim que a enfermeira colocou os gêmeos em seu colo após nasceram.

Foi um susto quando Sara e ele descobriram a gravidez, pois a mesma não foi sequer planejada. Entretanto a felicidade foi enorme com a notícia. Aí, veio o segundo susto quando descobriram que a gravidez era de gêmeos. E passado esse novo, mas maravilhoso susto, veio novamente a felicidade e a alegria completa pela vinda de dois bebês que eram o fruto de um grande amor.

—Posso me sentar ao seu lado?

Ele olhou rápido e encontrou uma mulher loira, jovem e muito bonita, que trajava roupa de corrida.

—Claro! — Grissom consentiu dando espaço para que a mulher se sentasse ali, em seguida voltou a olhar os filhos. Não podia descuidar um segundo que fosse deles. Em hipótese alguma, queria reviver o terror que foi o episódio do supermercado.

—São seus filhos aqueles dois com o cachorrinho?

—Sim! — Grissom confirmou sem tirar os olhos dos filhos e sorrindo.

—Eles são lindos! Ambos têm o seu sorriso.

Grissom olhou pra mulher ao seu lado e notou que ela havia se aproximado bem mais dele, sem que ele tivesse sequer percebido. O ex-supervisor arqueou uma das sobrancelhas quanto a isso e depois agradeceu ao elogio que a mulher havia feito aos seus filhos.

Notou que a forma como aquela desconhecida lhe olhava era estranha e demonstrava visivelmente interesse de sua parte nele. Mas Grissom era um homem casado, muito bem casado. E acima de tudo, apaixonado por sua esposa. Só tinha olhos pra ela. E pra não dar margem a mulher desconhecida, o ex-supervisor pediu-lhe licença, levantou-se do banco e foi pra perto de seus filhos.

Depois de mais alguns minutos de brincadeira das crianças ali, Grissom levou Noan e Liah pra tomarem sorvete e após isso, com o sol já quase se pondo por completo, Grissom, seus filhos e os dois cachorros da família foram pra casa.

...

Naquela noite enquanto velava o sono de seus dois anjinhos danados que de tão cansados "capotaram" em sono instantes depois do jantar, Grissom sentiu o celular vibrar no bolso da bermuda. Pegou o aparelho e no visor a foto e o nome da esposa piscavam na tela. Desde o almoço, quando tiveram aquela discussão por conta do sumiço de Noan e Grissom encerrou a ligação na cara da esposa, que a mesma não tinha ligado mais. Com certeza, agora com ela mais calma e ele também, eles poderiam conversar direito.

Saiu do quarto dos filhos e do lado de fora atendeu a chamada de Sara.

—Oi, Sara!

—Oi... amor!

Amor?

Bom sinal!

Pelo visto, sua esposa estava muito mais calma do que ele imaginou.

—Como estão as coisas por aí?

—Estão bem! — Respondeu de forma lacônica.

—Eu quero te pedir desculpas pelas coisas rudes e meu comportamento ríspido com você mais cedo. Eu fiquei muito nervosa quando soube o que houve.

—Deu pra perceber isso.

—Você me desculpa, amor?

Aquela fala mansa e o tom manhoso, não tinha como ele não desculpá-la por mais que ela tenha exagerado naquela reação toda. Ele sabia que até a mínima coisa que acontecesse com os filhos, deixava Sara fora dos eixos. Assim como, também deixava à ele.

—Eu desculpo com a condição de que não aja mais daquele jeito. Sei que errei e você não faz ideia do medo que passei na hora que Noan sumiu, mas não é por isso que sou um péssimo pai.

—Nunca disse que você era um péssimo pai, Gil. Eu mais do que ninguém sei o quão maravilhoso pai, você é com nossos filhos.

—Você não disse, mas pela forma como agiu, me deu a impressão de que não confia em mim pra cuidar dos nosso filhos.

—Eu confio. Mas é que...

—Você acha que as coisas só funcionam bem quando você tá por perto, né?

—Talvez!

Ele ouviu a esposa suspirar depois dessas palavras. Em seguida, ela confessou que apesar fazer apenas algumas horas que já estava fora de casa, ela já sentia muita saudade do marido e dos filhos, e que queria estar em casa e não sozinha naquela hotel.

Grissom sorriu da esposa. Ele também adoraria que Sara estivesse em casa. Ainda mais, porque pegou uma semana de licença da Universidade a qual lecionava, por conta da semana de jogos internos que ocorreria na Universidade de Las Vegas. Grissom adoraria passar esses 7 dias descansando em casa, na companhia dos filhos e da esposa, mas infelizmente Ecklie arranjou de Sara participar desse curso e isso acabou com os planos do ex-supervisor.

—Eu também adoraria que você estivesse aqui, querida.

—E os meninos? Queria dar boa noite pra eles antes de dormirem.

—Tarde demais. Eles já estão dormindo.

—Mas já?

Não era nem oito da noite, o horário que geralmente os gêmeos vão dormir.

—Eles não dormiram a tarde por causa da empolgação com o novo cachorrinho. E você sabe que quando isso não acontece, eles costumam dormir mais cedo que o de costume.

—Hum... Que pena! Adoraria ouvir a voz deles antes de dormir.

E por quase uma hora que foi o tempo que durou a ligação de Sara, ela e o marido ficaram de conversa sobre o que ele e os filhos fizeram o restante daquele dia. E a respeito do que ela fez no hotel.

Notas finais
Sara pirou legal quando soube o que houve. Mas convenhamos, que mãe não ficaria assim ao saber do sumiço do filho, mesmo a criança tendo aparecido e estando bem? Pobre Grissom. Ouviu uns esporros da esposa por culpa do filho. Ficamos por aqui. Nos vemos em alguns dias. Beijos.