Notas iniciais
Introdução ao enredo e contexto.

Quando entramos na sala, haviam dezenas de fileiras de cadeiras com homens e mulheres sentados nelas.

Seus olhos repousavam inquietos sobre nós enquanto passávamos pelo estreito corredor de soldados que faziam a guarda e mantinham-se prontos para entrar em ação, se necessário, para manter a paz e a ordem naquele cômodo.

O primeiro a se aproximar foi o Sr. Carter, seguido de uma mulher mais velha. Cleo Teodora, era seu nome.

“Sejam Bem-Vindos, estamos muito contentes em podermos sediar este encontro histórico. Tenho certeza que o que acontecer aqui hoje será um trunfo para nossas nações.” – disse ele enquanto esticava o braço para darmos a mão em cumprimento. Acenei com a cabeça e o agradeci. Da mulhere em diante que veio nos cumprimentar eu confesso que não prestei muita atenção no que diziam, mas suas palavras não variaram muito. Meus olhos captavam, curiosos, a presença daqueles personagens que preenchiam os assentos e faziam ecoar um burburinho em meus ouvidos atentos.

A importância daquele evento era épico, crucial para a sobrevivência de todos que habitavam a Terra. Mas algumas pessoas não pareciam compreender isso.

Fazia meno de 1 anos desde O Primeiro Contato com os Taryanos, uma outra espécie de ser vivo que habitava um planeta muito maior que a Terra, chamado Taryan, localizado em outra constelação, há alguns anos-luz do “ Planeta Azul”. Diferente do que se esperava de um primeiro contato com alienígenas, eles não invadiram o planeta em um ataque violento nem enigmático. Foram discretos porém diretos em seu contato. O motivo pelo qual estavam, finalmente, iniciando um diálogo com os humanos era também uma questão de sobrevivência para eles. Isso porque, argumentaram, um meteoro de proporções catastróficas estava avançando rapidamente em direção ao seu planeta, em uma iminente colisão que não daria chance de sobrevivência aos seus habitantes.

Apesar de disporem de conhecimento e tecnologia para tentar destruí-lo, eles não dispunham do tempo. A rocha avançava em uma velocidade exponencial e dentre tantas soluções que seus engenheiros obtiveram, além de sofrerem consequências irreversíveis para seu habitat, eles também enfrentaram uma questão ética com a qual não puderam aceitar conviver com a escolha se tivessem que a elegerem sozinhos. O fato era que se interrompessem o percurso do asteroide gigante para desviá-lo do caminho para Taryan, não poderiam impedir que alguns fragmentos do mesmo seguissem em direção a outros planetas do Sistema Solar, o que seria, obviamente, catastrófico para a humanidade. Eles decidiram então que a decisão do que fazer deveria incluir todas as partes afetadas, e que a própria humanidade deveria participar ativamente da solução.

Taryan e a Terra possuem basicamente a mesma estrutura natural e por isso que seus habitantes tem as mesmas necessidades para sobreviverem. Água, sol, ar, terra, etc. A grande diferença é que os Taryanos viviam mais abaixo da terra do que sobre ela. Enquanto que os humanos são dominantemente, terrestre.

Esse foi um dos muitos pontos que levaram os Taryanos há considerarem a Terra como um plano de imigração, um plano de fuga. Eles calcularam que até que seu planeta fosse atingido, teriam 20 meses, 9 dias, 15 horas, 55 minutos e 12 segundos (em tempo humano). Este tempo era suficiente para criarem os meios de o destruírem, porém, a qualidade de vida em seu planeta seria afetada drasticamente. Eles também calcularam que não teriam como construir, em tempo hábil, uma nave grande o bastante para comportar todos seus habitantes, incluso fauna e flora. Já haviam escaneado, dentro de suas limitações tecnológicas, uma vasta área do espaço em busca de um outro planeta, preferencialmente inabitado, que oferecesse as mesmas condições de vida que necessitam mas não encontraram nenhum além da Terra.

Assim, se deu O Primeiro Contato. Enviaram, simultaneamente, mensagens para todas as estações espaciais, de segurança nacional e qualquer órgão governamental ou de liderança absoluta de cada país ao redor do globo. Entenderam que era uma conversa na qual todos os governantes de todas as nações que aqui viviam deveriam ter voz, fosse grande ou pequeno, pobre ou rico, os países seriam incluídos no diálogo.

A princípio, como de se esperar, os governantes dos países acharam que se tratava de ataques terroristas ou mesmo de alguma ação inimiga para confundi-los. Mas os Taryanos já esperavam por isso e enviaram também dezenas de cálculos para que os cientistas da Terra pudessem analisar por conta própria o que o futuro os aguardava.

Em segredo, cada país iniciou uma caça ao asteroide seguindo as coordenadas recebidas e, inclusive, alguns fizeram os ajustes recomendados em seus satélites e telescópios para captar as imagens do gigantesco asteroide.

As suspeitas à respeito dos Taryanos eram enormes, sobretudo pois não era possível localizar o planeta deles. Fosse porque era bem menor do que o asteroide ou porque estivesse escondido, o fato aguçava a mente daqueles que não entendiam ações sem segundas intenções e especulavam complôs diversos.

Mas tais desconfianças não alterariam o prazo dado. Isso estava claro. Os humanos teriam 10 meses, 5 dias, 3 horas, 27,5 minutos e 6 segundos para responderem à mensagem recebida, de forma positiva ou negativa. Não havia espaço para perguntas estúpidas ou para a arrogância humana. Era sim ou não, sem talvez, “se” ou “mas”. Os humanos seriam os senhores de seu próprio destino.

A conclusão dos cientistas de cada país foi a mesma, e conforme comunicavam-se entre si, ficava cada vez mais claro que sozinhos, os humanos não seriam capazes de impedir a aniquilação total da espécie. Não sem o conhecimento, tecnologia e o tempo que os Taryanos estavam oferecendo.

Eles deram metade do tempo do prazo que eles tinham até serem atingidos para que tomássemos uma decisão, pois se os humanos não quisessem colaborar, eles ainda teriam tempo para fugirem do planeta com metade de seus habitantes. Optaram por não destruir o asteroide para que assim, seu planeta servisse de um escudo parcial para a Terra, mesmo que isso significasse a morte da outra metade de sua população. Se o explodissem para que não atingissem seu planeta, a Natureza dali seria modificada drasticamente, dando também pouca chance de sobrevivência. Se assim o fizessem, a explosão iria acelerar ainda mais a velocidade dos fragmentos de asteroide e, consequentemente, também a força do impacto contra os planetas do Sistema Solar seria maior. Ao invés disso, sacrificando seu próprio planeta, eles iriam desacelerar o asteroide até que o mesmo chegasse a Terra, com fragmentos ainda menores. Era uma questão de estratégia de “perdas mínimas”.

E é por isso que eu estou aqui hoje. Tentar salvar um planeta e duas espécies.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.