Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
27 Capítulo 27: O combate de Hikari, resgatando Tsuki
Enquanto isso, na casa do aldeão, os guardiões reunidos na sala da casa, discutiam a respeito da safira da lua, onde a mesma poderia estar, afinal, apenas Tsuki era capaz de sentir a sua energia.
Claro, diferente das demais safiras, a da lua tinha uma energia que passava despercebida por qualquer guardião. Claro, a energia concentrada na mesma era muito pouca, afinal, o guardião celestial quase não deixou parte desta energia.
Desta forma, todo guardião da lua era obrigado a lutar com a sua própria força, até o momento em que o velho oráculo tomou o corpo de Seiji e depositou sua energia celestial no shakujõ.
Os guardiões por sua vez, não entendiam a razão de não serem capazes de sentir a energia da safira da lua, já que das demais eles conseguiam.
— A safira da lua, onde pode estar? –Questionou Taiyoo pensativa
— Essa é a safira mais difícil de ser encontrada –Comentou Hikari –Sem o Tsuki é impossível, sua energia é muito baixa
— E o pior é que o Tsuki ainda não voltou –Suspirou Sayo –Alguém sabe onde ele foi?
— Acho que ele sentiu algo –Comentou Tsuchii seriamente –Para ser sincero, eu não sei, mas acho que alguma coisa está acontecendo com ele
— Sabe de alguma coisa? –Perguntou Akio encarando-o
— Eu só o vi partir, assim como vocês. Mas ele tinha um expressão bem séria no rosto e seguiu em direção as montanhas onde fica o templo dos monges, Tsuki –Comentou preocupado
— Não precisa se preocupar –Tentou acalma-lo –O Tsuki sabe se virar, ainda mais com àqueles monges. Ele cresceu entre eles
— É mas eles odeiam o Tsuki –Comentou pensativo –Se for analisar, eles estão em maior número. E se a safira estiver com eles? Ele não voltaria à um templo onde foi maltratado para fazer uma visita –Comentou desconfiado
Midori agora analisava os fatos, considerando o que Tsuchii havia relatado. De fato, quem voltaria há um lugar onde foi maltratado durante uma vida, senão para pegar resolve ou pegar algo? Era muito suspeito, além disso, por alguma razão Tsuki não queria leva-los.
Com base nisso, a detetive começou a pensar que àquele templo, talvez, não fosse o ambiente mais seguro, como todos naquele vilarejo achavam.
— Eu vou atrás dele –Avisou Midori seriamente
— Ficou louca?! –Perguntou Tsuchii se levantando ainda com dificuldades –Sozinha não…
— Ou! Se acalma aí! –Mandou Akio segurando-o e ajudando-o a sentar –Você gastou muita energia tentando salva os aldeões, não se esforce
— Você não vai! –Disse o detetive autoritário
— Tsuchii!
— É perigoso!
— Eu vou com ela –Disse Hikari se colocando ao lado de Midori –Também acho suspeito o fato do Tsuki não ter voltado. Afinal, ele não faz o tipo de ficar enrolando
— Então vou junto –Avisou Akio seriamente –É arriscado vocês irem sozinhas, não sabemos o que podemos encontrar. Taiyoo, Sayo, Ayaka, fiquem para cuidar do Tsuchii e do vilarejo. Não sabemos quando o Masao pretende voltar
Sem demoras, o grupo de Midori partia em direção ao templo dos monges Tsuki. A caminho, ainda correndo, Akio perguntava:
— Vocês tem algum plano?
— Se eles estão mesmo com o Tsuki, dialogo não irá funcionar. Desta forma, teremos que entrar escondidos –Disse Midori seriamente -Eu sou a mais nova, então é mais fácil de convencê-los que estou perdida ou procurando por ajuda. Enquanto sirvo de distração, vocês entram e procuram pelo Tsuki
— O que você pretende fazer? Midori, não vá fazer nenhuma besteira –Pediu Akio –Tsuchii está confiando a sua segurança em nós
— Não se preocupe, não será a primeira vez –Soltou os cabelos e deu uma amassada
— O que está fazendo? –Perguntou vendo a mesma se sujar de terra
— Se eu chegar no templo toda limpa, vão desconfiar, preciso que acreditem em mim –Respondeu enquanto rasgava parte de sua blusa e shorts
Chegando no templo, o grupo se separou. De frente ao portal, ainda fazendo um expressão entristecida, Midori batia na porta, ainda de cabeça baixa, chamando:
— Tem alguém aqui? Por favor, me ajude
Não demorou para que os enorme portões do templo fossem abertos por monge. Este ao ver Midori toda suja, com as roupas rasgadas, já imaginou que a mesma fosse uma mendiga, ou alguma espécie de fugitiva.
— Que é você minha jovem? –Perguntou
— Uma vítima…daqueles guardiões… -Respondeu de cabeça baixa –Um deles tentou me violentar, mas felizmente eu conseguir fugir pelas montanhas, até chegar aqui. Será que o senhor poderia me dar abrigo por esta noite?
— Mas é claro! Por favor, entre –Respondeu sem excitar –Providenciarei roupas limpas e um banho quente para você menina. Está machucada? Sabe me dizer qual guardião tentou violenta-la?
— Eu não lembro muito bem da sua aparência, mas ele tinha olhos avermelhados, como uma lua de sangue –Entrou no papel de menina apavorada
— Acabamos de prender um guardião com essas descrições. Gostaria de confirmar?
— Se não for incomodo –Respondeu com um jeito tímido –Por mim esse homem apodreceria em sua cela. Espero que seja ele –Respondeu com um jeito doce, ainda meio revoltado, já vendo os parceiro posicionados no telhado
Midori agora segui o monge Tsuki até o calabouço, enquanto que com cautela, Akio e Hikari os seguiam.
A jovem agora se viu descendo uma grande escadaria, que parecia infinita, até chegarem um ambiente iluminado por velas, onde possuí várias celas.
Nestas haviam bandidos que tentaram saquear a aldeia, completamente feridos, como tivessem sido castigados. Não demorou para que Midori escutasse altos gritos de dor, e estalos de chicote, deixando-a preocupada, porém, ao mesmo tempo amedrontada.
O monge tsuki agora abria a porta da sala de castigo, ainda que sem hesitação. Não demorou para que Midori visse Tsuki de costas, sem camisa, com sua calça rasgada, ofegante e completamente ferido.
— Tsuki…—Pensou a mesma chocada com o que havia visto
— Foi ele? –Perguntou o monge seriamente
— Foi senhor monge, foi esse homem, quem me assediou –Disse com a voz chorosa
— Midori?! O que essa garota faz aqui?!—Perguntou Tsuki ainda com os seus ferimentos ardendo
— Não se preocupe –Respondeu o monge colocando a mão na cabeça da mesma –Cuidaremos dele. Como pode ver, ele está sendo devidamente castigado por seus pecados
— Eu agradeço –Fingiu enxugar as lágrimas –Eu posso me hospedar aqui essa noite? Agora que eu sei que estou em um templo, me sentirei mais segura
— Claro, sinta-se em sua casa –A acompanhou até os aposentos daquele templo
Tsuki agora se questionava no que Midori estava pensando, fazendo aquele papel de mulher sofredora e atordoada. Ela havia ficado louca? Invadir o templo dos monges Tsuki se passando por desafortunada, se for pega, será morte na certa.
As feridas do guardião agora ardiam, como se várias facas fossem atravessadas em seu corpo. O mesmo precisava arranjar um jeito de sair daquele calabouço, e recuperar a safira da lua, além de dar ao Fukeru-Tsuki o que o mesmo merecia.
Preocupado com Midori, o mesmo sequer sentiu as energias de Akio e Hikari, que por sua vez, haviam retornado até a superfície do templo, ainda discretamente.
Já em um dos aposentos, Midori agora fingia estar inconsolável, tentando distrair o monge ao máximo possível.
— Ah senhor monge, não consigo acreditar, como mesmo depois da era de Diamante, ainda existam pessoas tão más –O abraçou –É assustador! –Escondeu o rosto em seu peitoral, deixando o monge constrangido
— A tentação…! -Tentou descer as mãos até o seu quadril, mas antes que o fizesse, sentiu uma falta de ar e uma grande dor no estômago
Midori aproveito que o mesmo estava distraído, acertando-o com um forte soco no estômago, enquanto o mesmo caía do chão.
— Nada pessoal monge; mas tenho uma missão à cumprir –Disse Midori seriamente agora pegando-o pelo pé, e arrastando-o até o armário do quarto, e fechando-o lá dentro
Agora Midori se retirava do quarto, ainda que silenciosamente, verificando se não havia ninguém nos corredores. Ao confirmar, a mesma saiu correndo, mas parou ao ouvir dois monges conversando no corredor seguinte.
O templo, de fato, era enorme, quase um labirinto. Era fácil se perder naquele lugar, assim como também era fácil ser pega. Por esta razão, Midori precisa se precaver enquanto buscava pelos companheiros de viajem, afinal, sozinha não encontraria a safira.
Não demorou para que a jovem sentisse alguém encostar em seu ombro. Sem pensar duas vezes, ainda que na tentativa de se defender, à jovem acertou a pessoa com um gancho de direita.
No entanto, ao ver de quem se tratava, a mesma cobriu os lábios, ainda sem graça.
— Me desculpe, Akio –Sussurrou
— Que soco, hein? Quase quebrou a minha mandíbula –Murmurou massageando o rosto, que agora se encontrava dolorido –A Hikari vai nos dar cobertura, enquanto ela luta contra os monge, nós buscamos pela chave
— Mas vai ficar tudo bem? Quero dizer, são muitos monges
— Está tudo bem –Tentou tranquiliza-la –A Hikari é bem forte, isso não deve ser nada para ela –soltou uma leve risada
Não demorou para que ambos escutassem os monges gritarem, já dando por entendido que a mesma havia iniciado o ataque. Logo ambos saltavam nas vigas de madeira que haviam no alto do teto, ainda se escondendo dos monges.
Akio agora sinalizava para que a detetive o seguisse. Assim Midori fez, seguiu o guardião, que agora sentia uma leve energia da safira no alto do templo.
Enquanto isso, no saguão do templo dos monges, todos avançavam para cima da guardiã da luz com técnicas de combate corpo-a-corpo. Os superiores avançavam para cima desta com bastões semelhantes ao Shakujõ de Tsuki.
No entanto, todo aquele batalhão era inútil contra a guardiã. A mesma se defendia, utilizando o báculo que pertencia a sua mestra, e os acertava com chutes e o báculo.
Um monge agora a agarrava por trás, dando uma chave de braço, tentando tirar o seu ar. Este era muito forte, chegava a tirar Hikari do chão, o que não era muito difícil, já que a mesma não pesava muito e não era muito alta.
Hikari queria evitar ao máximo de usar a sua energia, afinal, se o fizesse, aqueles monges não suportariam o poder de sua energia, e acabariam morrendo. O objetivo da mesma não era esse.
Desta forma, a guardiã juntou todas as suas forças e acertou o báculo no estômago do seu adversário. Feito isso, o mesmo sem ar a soltou, fazendo com que a mesma caísse no chão, ainda ofegante.
Ao olhar para trás, está viu o monge partir para cima com um soco. Tendo em visto que não daria tempo de se levantar, a guardiã o acertou com uma rasteira, derrubando-o no chão. Ainda que rapidamente, a mesma se levantou e deu um chute em sua costela, quebrando-a.
Não demorou para que um monge tsuki gritasse, ainda segurando uma katana:
— Para o chão, se não quiser perder a sua cabeça!
— Onde está a safira? –Perguntou indiferente
— Você não tem direito sobre essa safira! Retorne ao seu país e não levaremos o que aconteceu ao conselho de guardiões – À ameaçou com a katana, ainda tremulo
— Você não me parece muito confiante –Comentou se aproximado seriamente –Sabe, eu não preciso machuca-lo, basta me conta onde está a safira –Girou o báculo, e em uma rápido movimento, pressionou o monge contra a parede, colocando o cetro em seu pescoço
Não demorou, Hikari sentiu a espada atravessar a sua coxa, fazendo a mesma soltar um alto grito de dor. Ainda com fúria, por conta da dor causada pela katana, a guardiã pressionou o seu báculo contra o pescoço do monge, até que perdesse a consciência.
Já inconsciente, a mesma o soltou, enquanto caía no chão. Ainda ofegante, Hikari via se formar à sua volta, uma possa de sangue, enquanto que está fazia com que o báculo desaparece, ainda com uma feição preocupada e séria em seu rosto.
— Preciso cuidar disso…—Pensou soltando um sorriso sem graça, enquanto se aproximava de um monge, ainda que se arrastando, e rasgando um pedaço de tecido de suas vestimentas –Que patético…baixar à guarda desse jeito…o Renji vai me dar uma bronca—Soltou uma leve risada enquanto estancava o sangue, e improvisava um curativo em sua coxa
Após uns minutos, a mesma se levantou, ainda com um pouco de dificuldade, e seguiu a energia de Tsuki, para liberta-lo, como havia combinado com Akio. Com discrição, a guardiã descia até o calabouço. Porém, ao chegar, se deparou com um guarda de vigia.
Logo a mesma suspirou, já cansada de lutar com tantos monges e guardas. Sua perna estava doendo demais para a mesma ficar combatendo um monge.
— Não tem outro jeito—Pensou lançando bombas de luz, quase imperceptíveis nos pés do monge que vigiava o guardião da lua
Ao ver aquelas bolinhas de luz, o monge estranhou, se perguntando o que aquilo poderia ser, no entanto, neste exato momento essas explodiram, levantando uma forte fumaça.
Tsuki agora caía do chão, ainda vomitando sangue, completamente enfraquecido. Não demorou para que Hikari o resgatasse, segurando-o, ainda com dificuldades:
— Fica calmo, Tsuki. Vou te levar de volta
— N-Não…Fukeru-Tsuki…ele é perigoso…
— O quê?
— Midori…não tem chances…
— Ela está com o Akio –O ajudou caminhar –Não há com o que se preocupar
— Ainda assim…
— Procure não falar –Pediu –Vou te levar para a casa daquele aldeão, lá Ayaka poderá cuidar de você –Respondeu
— Será que ainda não entendeu?! Se Akio enfrentarem aquele velho, com certeza serão mortos! Não terão chances de revidar, Hikari –Respondeu autoritário –Nenhum de vocês está suficientemente preparado…
— Eu sei! –Respondeu autoritária – Não estamos preparados com os guardiões anteriores estavam; mas é o que temos para agora. A safira da lua está nas mãos do Fukeru-Tsuki e não vamos conseguir a joia sem confronta-lo. Também não podemos desistir desta missão, Tsuki –Respondeu seriamente
— É suicídio!
— Quando nos tornamos guardiões, sabíamos perfeitamente que toparíamos com situação como essas. Eu fui treinada para enfrentar esse tipo de cara, não para enfrentar ladrões de estrada. E você? Para o que foi treinado, Tsuki? –Perguntou seriamente, olhando em seus olhos
Tsuki agora encarava Hikari, ainda surpreso com as suas palavras, afinal, ele sempre à achou meio “tapadinha” para uma guardiã. Estava sempre sorrindo, até mesmo em momentos de combates, mas agora algo havia mudado. Não, nestes últimos anos a jovem mudou.
Será que a mudança de seu comportamento, se devia ao fato de estar casada com o Renji? Muito embora o mesmo não fosse um Shiroi puro, mas recebeu a criação de um. Será que o convívio com o mesmo havia mudado o seu jeito de olhar o mundo, ou até mesmo de se comportar mediante de uma situação assim? O mesmo não sabia.
Tsuki conheceu Kyuri, como não a conheceria, estava presente em todas as reuniões, sempre ao lado de Shiroi Hiroi, líder do clã Shiroi, pai de Hajime e Hazuki.
— Você não vai mudar de ideia, não é? –Soltou um sorriso debochado –Ainda assim, se eu ficar, só irei atrapalhar. Preste atenção no que eu vou te dizer, Hikari
— Hm?
— A sua energia transcende este mundo…a magia da luz é pura e poderosa… -Disse com dificuldades – Fukeru no Tsuki roubou o meu Shakujõ, mas não pode tocá-lo, pois sua alma está corrompida
— Corrompida?
— Esse velho maldito…ele tem participação em muitas tragédias que ocorreram…na era Cristal –Respondeu –Hikari, você pode tocar no shakujõ usando a sua magia. Tire-o do pano e corra…
— Mas o Akio e Midori…?
— Você está certa –Respondeu ofegante –Vocês são o que temos agora, foram treinados para isso, então só me resta confiar em vocês. Voltaremos juntos para onde os demais estão, avisaremos sobre o que está acontecendo. Só nos resta confiar em Akio e Midori…
— Tem razão –Respondeu seriamente –Consegue caminhar?
— Quem você pensa que eu sou? –Perguntou se levantando com dificuldade –Vá atrás deles, eu me viro
Agora ambos se separavam, seguindo cada um para um lado. Hikari agora seguia a energia de Akio e Midori, enquanto que Tsuki seguia em direção a saída do templo.
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