Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
25 Capítulo 25: Navegando entre os cânions da lua
Após adquirirem a safira do sol, e conversar com Kenso e Tetsuo, o grupo se dirigiu até o país da lua. Algumas semanas se passaram deste que saíram da cidade dos raios de sol, e agora na metade do caminho para o país da lua, ainda montados em camelos, o grupo atravessava um árduo deserto.
— Nossa, que calor insuportável –Comentou Akio debruçado no camelo, ainda transpirando –Minha magia sequer funciona nesse lugar seco
— Tá muito quente –Comentou Tsuchii, já sem camisa –Ei Tsuki, o quanto falta para chegarmos, segundo o seu trajeto?
— Como vocês choram –Murmurou impaciente –Deviam estar agradecidos de atravessar esse deserto de camelo. Podem enxugar as suas lágrimas, daqui meia hora entramos no território da lua, ou seja, saímos deste deserto, e entramos nos cânions. Alguém ai sabe pilotar um barco?
Não demorou para que todos olhassem para Akio, claro, o mesmo era o imperador das águas e sua mãe era uma sereia. Com certeza o ensinaram a pilotar um barco, lancha ou navio.
— Hein? O quê? –Perguntou o guardião das águas notando que estava sendo encarado –O que foi?
— Sabe pilotar um barco, não sabe? –Perguntou Sayo com medo da resposta
— Para falar a verdade, nunca tentei –Riu –Acontece que quando eu saia com os meus pais, era para surfar, nunca para passear de navio. Minha mãe também nunca gostou muito destas coisas e o meu pai sempre gostou de pegar ondas –Comentou pensativo
Agora todos quase caiam dos seus camelos, ao ouvir que o guardião e imperador das águas, sequer sabia pilotar um barco. Era muita decepção para um grupo.
— Temos outra opção, Tsuki? –Perguntou Midori
— Terão que confiar nas minhas habilidades de piloto –Respondeu com um sorriso debochado
Todos agora o encarava ainda desconfiados, afinal, não sabiam se o guardião da lua já havia pilotado um barco alguma vez. E pilotar por aqueles cânions, até eles chegarem na cidade destinada, era um risco, já que no caminho haviam bastantes rochas.
Agora Midori colocava o seu camelo ao lado do camelo de Tsuchii, notando que por conta do sol e falta de protetor solar, a pele do rapaz estava começando a ficar vermelha, já que o mesmo estava sem camisa.
— Ei, suas costas estão bem vermelhas, não é melhor passar um protetor? –Perguntou preocupada –Se continuar com a pele exposta nesse sol, pode queimar mais tarde
— Está tudo bem –Respondeu debruçado no camelo –Logo chegaremos nos cânions, não há com o que se preocupas
— Como quiser –Respondeu indiferente
— Se eu fosse você eu aceitava –Comentou Ayaka –Isso vai arder muito depois
— Parem com esse drama –Suspirou –Quando chegarmos no hotel…
— Quem disse que vamos ficar no hotel? –Perguntou o guardião da lua –Diferente das cidades de burguesinhos como vocês, as cidades no país da lua possuem pequenos e humildes vilarejo. Na montanha minguante se encontra o templo dos monges Tsuki. Não existe turismo –Explicou
— Eu já ouvi a respeito quando era criança –Comentou Hikari pensativa –Havia um monge Tsuki que visitava a minha mestra Kyuri. Uma vez eu o ouvi comentar que os nativos do país da lua eram educados para viver em harmonia com a natureza, seu corpo e mente. O país não possuí um líder, cada família produz o seu próprio alimento e os monges educam as crianças
— É engraçado –Comentou Midori pensativa –Se analisarmos a história, livros citam que o país da luz, segundo terceiros, funcionava mais ou menos no mesmo esquema. A única diferença, é que o povo da luz era extremista, consideravam pecador qualquer pessoa que pisasse fora de seu território ou que fosse contra a sua cultura
— Não sei muito a respeito deste povo, quando comecei a me envolver nesta missão, Shiroi Tomoe que era uma nativa da luz, já estava morta. O meu mestre viajou junto com ela em busca dos Diamantes e seus guardiões, chegou a resgata-la no país da luz
— Resgatar? –Perguntou Akio curioso
— Tomoe tinha divergências com o irmão mais velho, Kento. Vocês devem saber, ela era esposa de Shiroi Hiroi, avô de Miyu e Fujiro –Comentou –Kento nunca aceitou o relacionamento de ambos, pois acreditava que todos que estavam fora do território da luz, eram pecadores, principalmente os Shirois, que eram conhecidos por seus assassinatos
— Um amor proibido? –Perguntou Akio
— Sim, ambos foram perseguidos pelas tropas da luz durante a viagem em busca dos diamantes. Tomoe chegou a ser oferecida à Diamante, mas o meu mestre com os espadachins do clã Shiroi, e os guardiões à resgataram. Desde então eles não obtiveram paz, até o episódio da guerra da luz
— Aquele massacre –Comentou Ayaka pensativa –Ouvi dizer que Diamante devastou aquele lugar com o seu poder
— Sim, mas ainda assim, quando Tomoe e Hiroi acreditaram que finalmente poderiam viver em paz com os seus filhos, Hajime e Hazuki, surge Kento, que sobreviveu àquela devastação
— Hazuki… -Comentou Akio – Tsuki, como ela foi ficar fria daquele jeito? Quero dizer, ela não esboça reação, em nenhum momento. É como se o coração dela…
— Eu não sei muito a respeito dos Shirois –Comentou –O que eu sei é que ela era muito apegada a Tomoe. Ela não aceitava os protocolos do clã Shiroi, ela e Hiroi sempre debatiam sobre o assunto, acreditando que os homens eram favorecidos –Comentou suspirando
— Entendo –Comentou Akio pensativo
— Essa Tomoe, morreu do que? –Perguntou Tsuchii
— Eu não sei –Respondeu
— Tentõ Tomoe adotou e treinou a minha mestra Kyuri –Comentou Hikari –Ela me contou que ela dependia dos poderes de guardiã para sobreviver, apesar disso, ela era muito infeliz. Após transferir os seus poderes a minha mestra, faleceu
— Nossa –Comentou Sayo chocada
Agora o grupo notará que começavam a sair da área arenosa e entrar em uma área um pouco mais vegetativa. Logo Tsuki avisou:
— Estamos entrando no território da lua. Estamos próximos dos cânions, querem seguir a pé ou com os camelos? –Perguntou
— É melhor seguirmos de camelo –Sugeriu Ayaka –Com esse calor, podemos ter um desidratação ao andar. O Tsuchii já está queimado com o sol
— Tá começando a arder –Disse incomodado –Ai!
— Eu falei para passar o protetor –Disse Midori ainda suspirando
— Não enche!
Enquanto os guardiões seguiam com os seus camelos até os cânions da região, no país das águas, no palácio, Miyu procurava pelo colar no jardim. A mesma cavava um fundo buraco na grama, enquanto a filha observava curiosa.
— Mamãe, você vai enterrar um tesouro? –Perguntou inocente
— Não, estou procurando por um –Continuou cavando –Hein? –Sentiu a pá bater em algo
— Hein?! Será que você achou?! –Perguntou a menina curiosa, agora se aproximando
— Se afaste –Pediu tirando a terra de cima do objeto
Logo a menina se afastou, enquanto Miyu tentava retirar aquele objeto enterrado. Após muito esforço, Miyu finalmente conseguiu puxá-lo para si, ao mesmo tempo que caia para trás.
— Mamãe! –Chamou Harumi, caminhando até a espadachim –Você está bem?
— Não se aproxime –Mandou se sentando na grama, ainda segurando o objeto – Isso é…
— Uau! Você encontrou o tesouro do Ken! –Comentou a princesa surpresa –Agora você pode ser a pirata, mamãe
— O colar… isso quer dizer que foi deste colar que o oráculo saiu —Pensou a espadachim encarando a joia –Harumi, isso não é um brinquedo –Avisou se levantando
— Hein? Mas é do irmão do Ken –Comentou emburrada
— Por que o Kenso teria algo assim? Acho que sabemos bem menos do que imaginamos—Pensou a espadachim caminhando até a sala das joias — Se analisarmos cuidadosamente, a família da Taiyoo é bastante misteriosa, e os pais dela não acharem a Harumi uma boa influência para o Ken…isso me parece mais como uma desculpa
Ao chegar a sala das joias, a espadachim desativou o sistema de segurança, e caminhou até uma estante, onde colocou o colar sobre. Ao dar meia volta, a mesma caminhou até a saída, acionando o sistema de segurança novamente.
— De qualquer forma encontramos um dos colares, agora só nos resta saber onde está o outro —Pensou –Eles já devem estar no país da lua. Akio, espero que consigam concretizar essa missão o quanto antes—Pensou preocupada
Enquanto isso, em uma caverna, no país do raio, alguém cuidava dos ferimentos de Kano, que agora gritava de dor, enquanto sentia aqueles medicamentos penetrarem em suas feridas, causadas por Tsuchii e Akio.
— Aquele moleque…!! –Gritou enquanto a pessoa passava o algodão
— Quer parar? Assim não consigo cuidas deste ferimento –Disse uma mulher, ainda indiferente – É sério mesmo? Você achou que daria conta de todos eles sozinho? Francamente, anda com o ego bem inflado, Kano
— Ego? –Riu –É o meu orgulho, Miho. Eu devo à Diamante, devo uma quantia bem alta e você sabe, não é? Você sabe perfeitamente, que este não é o meu lugar –A encarou seriamente
— Claro que não –Se levantou enquanto dava-lhe as costas –Você devia estar no submundo. Lá é o seu lugar –Respondeu de frente para a cachoeira
— Qual é o problema? –Perguntou debochado –Ainda irritada pelo o que aconteceu há 7 anos atrás? No final, ela acabou se casando com aquele guardião, e agora tem aquela menina
— Você a ama? –Perguntou seriamente – Pois pela forma que lutou contra o Akio, me parecia bastante enfurecido
— Não foi o suficiente tentar me matar? Se estou salvo é graças a você, Miho
— Se arrependimento matasse –Revirou os olhos
Não demorou para que alguém entrasse no esconderijo, ainda vestindo uma capa preta. Já dentro da caverna, a pessoa tirava o capuz. Era Masao, que agora carregava um expressão vitoriosa em seus olhos.
— Senhor Kano –Se curvou diante no mesmo
— Masao, devia estar seguindo aqueles guardiões
— O meus homens já estão fazendo isso –Respondeu –Tenho informações bastante interessantes a respeito dos mundos celestiais e oráculos –Soltou sorriso confiante
— Diga
— Existem dois colares –Passou a informação –Com eles você consegue abrir portais para Alpha e Rubricos
— Interessante
— Acontece que dentro de cada colar, existe um oráculo, conselheiro e do tempo –Respondeu –Eles são responsáveis por abrir os portais. No então, para que isso ocorra, é necessário uma gota de alpha, ou seja, uma gota de água que vem de alguém descendente de algum ser de Alpha. No caso de Rubricos, é necessário que se derrame uma gota de lava, de um descendente de Rubricos
— Interessante –Comentou soltando um meio sorriso – Eu precisaria do Akio e ele precisaria de mim ou… -Encarou Miho que ainda estava de costas
— Senhor, me permite sugerir um plano? –Perguntou Masao
— Prossiga
— Os guardiões estão praticamente com todas as safiras, já que eles querem se dar ao trabalho de junta-las, porque não deixar? –Soltou um meio sorriso –Minha mãe dizia que o apressado come cru e quente –Citou
— Está sugerindo para que eu deixe eles viajarem para os mundo celestiais? –Perguntou enfurecido
— Eles não farão isso assim que obterem esses colares –Soltou um meio sorriso –Ainda vão estudar sobre o que existe neste mundo, e isso levará uns anos, afinal, estamos falando de mundos totalmente desconhecidos. Além disso, eles não conhecem nenhum descendente de Rubricos, ainda não sabem como irão abrir o portal para obter as safiras
— Isso é verdade, de nada adianta ter as safiras e as esmeraldas –Riu –Muito bem pensado, mas nós estamos no mesmo barco, não é?
— A menina de Miyu, futuramente pode ser uma aliada para nós –Soltou um meio sorriso –Ela está totalmente alheia ao que está acontecendo, futuramente também, porque não usá-la?
— A pequena Harumi, hein? Não me parece um plano ruim –Pensou –Daqui a oito anos ela terá dezesseis? O príncipe encantado dela poderia aparecer, certo? –Perguntou debochado
— Eu já tenho a pessoa perfeita para isso –Disse Masao, soltando um meio sorriso
— O seu irmãozinho? Seria capaz de usá-lo? –Perguntou com um ar de deboche – Você não vale nada, Masao
— Eu jamais usaria o Megumi –Riu –Ele já tem uma paixonite pela garota. Eu só vou me aproveitar desta situação
— Como é bom –Ironizou Miho
Kano agora soltava uma risada debochada, imaginando as vantagens de se ter o irmão de seu subordinado trabalhando para ele, ainda que indiretamente. Alguém com acesso direto ao palácio, infiltrado entre os companheiros de Akio e Miyu, era quase o plano perfeito.
Enquanto isso, já fora do deserto, já de frente aos rios que entrariam nos cânions. O grupo se encontrava deslumbrado com a bela paisagem.
Enormes o rio dividia os enormes rochedos, e sobre estes, enormes montanhas. O lago era tão azul e cristalino, enquanto que a grama que havia nas montanhas, era bem verde. Em alguns pontos era possível ver campos floridos, como se aquele lugar fosse o verdadeiro paraíso celestial.
Abaixo todo viam um barco de médio porte. Ainda encantados com aquela paisagem, o grupo descia de seus camelos, e os amarrava no tronco de uma árvore, assim como havia sido combinado com o dono dos animais.
— Que vista linda –Comentou Sayo, sentindo o vento soprar em seus cabelos –E o clima é tão refrescante
— O ar é tão puro –Disse Ayaka, com um leve sorriso –Sinto como estivesse sendo purificada por algo
— É verdade, o cantar dos pássaros é como uma harmoniosa sinfonia –Comentou Hikari, sentindo o vento soprar em seu rosto –É como se tivesse acalmando as nossas almas
Logo o grupo escutou alguém cantando uma bela canção (Kurumarete –KOKIA), próxima ao barco que subiriam. A canção vinha de uma mulher de cabelos longos e pretos, olhos verdes, que ainda sentada na beira do rio, bordava um lenço.
— Que lindo –Comentou Taiyoo
— Que voz doce –Comentou Midori
Ao notar a presença dos guardiões, a mesma se levantou, deixando o bordado de lado. Ainda de costas, ajeitava o seu vestido e comentava:
— Eu estava esperando por vocês, senhor Tsuki
— Ficou cantando esse tempo todo, minha filha? Quantas horas leva para bordar esse pano? Espero que saiba pilota esse barco –Passou pela mesma –Estamos confiando nossas vidas à você
— Não se preocupe, monge –Respondeu –Eu irei conduzir o barco até a vila
Agora todos subiam no barco, enquanto a mesma caminhava até a cabine. Ainda empolgada por andar em um barco no estilo navio pirata, Midori se encantava com as redes, cordas e velas daquele barco. E como não ficaria? Durante toda a sua vida foi criada na cidade do barro, que sequer ficava próximo à uma região litorânea, ou de cachoeiras.
— Olhem, como é alto! –Disse a mesma surpresa, encarando o rio
— Ela está realmente empolgada –Comentou Akio com um meio sorriso
— Bem, isso é quase um navio –Comentou Taiyoo com um meio sorriso –Agora eu entendo a razão de não terem fácil acesso aos vilarejos, e ao templo da lua –Comentou
— Mas existia outro caminho sem ser pelo rio, certo? –Perguntou Tsuchii encarando o guardião da lua –Quero dizer, quando estávamos atrás dos 7 cristais com a Miyu, pegamos outro caminho
— É verdade –Concordou Sayo se recordando –Mas no caso, saímos do país da terra e pegamos a estrada que ia direto ao país da lua. Viajamos por cima, passando pelas grutas
— Bem lembrado, o Kira tinha o mapa, e o caminho pela caverna de diamantes é bem mais curto, porém também é bem perigoso –Se recordou Akio
— Ah nós experimentamos isso –Disse Tsuchii se recordando dos tesouro que encontraram no país do vento, abaixo dos túneis –Ei, Midori, não fique debruçada assim, vai acabar caindo –Caminhou até a amiga
Não demorou para o detetive se aproximar da amiga, observando como a mesma estava animada por andar de barco. Logo o mesmo viu no rosto da amiga, um sorriso que há tempos não enxergava, isso aqueceu o seu coração.
Pelo detetive, ele à admiraria durante horas e horas. Era estranho, mas agora ele não admirava o seu corpo ou como ela estava de transformando em mulher; mas sim no seu doce sorriso, na sua risada, no seu olhar. Era o tipo de coisa que fazia o seu coração disparar.
Agora Akio colocava a mão em seu ombro, perguntando:
— Está tudo bem?
— O quê? –Perguntou se virando para o guardião das águas –Claro que está
— Acho que você está começando a perceber a verdadeira beleza dela, não é? –Comentou virando-o para a detetive –O que você vê? –Sussurrou
— A Midori?
— E?
— Os cabelos dela esvoaçando, o sorriso doce, a pele corada…a cada dia que se passa…ela parece estar mais linda –Comentou corado, ainda com um leve sorriso
— Sente isso pela Sakurai?
— O que? Claro que não! –Disse começando a se irritar –Eu já disse que somos só amigos!
— Por favor, se segurem! –Pediu a mulher que pilotaria o barco, enquanto o manobrava
Quando a mesma virou o barco, todos perderam um pouco do equilíbrio. Midori que não estava acostumada com o veículo, caiu de lado. Na tentativa de evitar que a mesma se machucasse, Tsuchii a segurou, mas ainda assim ambos foram para o chão, escorregando para a escada.
— Estão todos bem? –Perguntou Ayaka
— É melhor se acostumarem com esse tipo de coisa –Avisou Tsuki se segurando na corda –O riacho costuma ser bem agitado
Logo Tsuchii abriu os olhos e viu a amada sobre ele. Enquanto a mesma reclamava da dor da queda, ainda sem se dar conta de onde estava, o mesmo corava violentamente, pensando no que devia fazer.
Ele sentia o calor da pele da detetive, o cheiro do seu perfume, do perfume de seu shampoo, deixando-o enlouquecido.
Ao se erguer, a mesma encarou o rapaz, extremamente constrangida, enquanto que os seus olhares se encontravam. Midori imaginava o quanto àquela queda devia ter doído para o guardião, já que o mesmo estava todo queimado do sol.
— E-Eu sinto muito –Se desculpou sem graça –Deve estar doendo
— U-Um pouco –Respondeu de corado, segurando a sua cintura –Acho que…vou precisar de um pouco de carinho…para passar essa dor insuportável –Segurou o seu rosto carinhosamente
Os guardiões, com exceção de Tsuki, que estava se segurando na rede, observavam o casal, afinal, era como se eles tivessem esquecido que havia outras pessoas em volta, chegava a ser fofo de tão ingênuo.
Os lábios de ambos foram se aproximando, ainda que lentamente, mas antes que se encostassem, o barco virou novamente, fazendo ambos escorregarem para o outro lado. Ao bater as costas queimadas na parede, Tsuchii soltou um alto grito de dor, enquanto que as suas mãos que estavam na cintura da detetive, desciam para as nádegas da mesma, agarrando-as.
Midori arregalou os olhos, extremamente constrangida, afinal, nenhum garoto havia encostado nela daquela forma. Ao notar onde estava com as mãos, o detetive soltou rapidamente, ainda corado, sem saber o que dizer por aquele acidente:
— M-Midori, eu posso explicar, foi o balanço…
— Seu idiota…o que você acha que eu sou? –Perguntou de cabeça baixa
— Agora ele se encrencou –Sussurrou Akio para Hikari
— Não acredito –Suspirou Taiyoo, ainda colocando a mão na testa, lamentando pela ingenuidade do rapaz
Conforme o guardião da terra ia tentando dar explicações, Midori ia ficando mais enfurecida. Não demorou para que o celular do detetive começasse a bipar, notificando que uma mensagem havia chegado.
Logo o mesmo tentou pegar o celular, tentando sair daquela situação. Aproveitando que o mesmo estava ocupado, a detetive saiu de cima, e caminhou até Sayo, xingando-o.
Ainda no chão, Tsuchii via que eram mensagens da Sakurai. Desta forma, ainda que imediatamente, o mesmo começou a responder, e tirou uma foto da vista e mandou para a mesma.
Não demorou muito, o guardião se levantou, e caminhou até o guardião das águas, já tentando dar uma explicação, sobre ter apertado a bunda da amiga, ainda que por acidente.
— Akio, o que vocês viram…
— Nem tenta –Suspirou –Ou você tem muito azar, ou ainda tem muito o que aprender –Disse colocando a mão na testa
— Não foi de propósito, eu juro –Tentou convence-lo –Estávamos prestes a nos beijar, eu estava segurando a cintura
— Não somos cego –Respondeu
— A mão escorregou, eu juro!
— Quem era no celular?
— Hein?
— No celular, quem era?
— Sakurai –Respondeu com medo
— Quer dizer que ao invés de ir atrás da Midori, escolheu a Sakurai, que está há quilômetros de distância? Afinal, o que você quer?
— Eu amo a Midori, mas eu sinto que não é reciproco…
— Não é? Você viu o que rolou agora? Ela estava totalmente na sua, ela estava disposta a te beijar –Sussurrou
— Mas eu estive pensando…apesar de ama-la muito, eu queria experimentar outras coisas, com outras garota…quero dizer…curtir mais quando está missão acabar –Comentou encarando o céu –Sabe o que eu quero dizer? Eu quero ter liberdade de ir em baladas com os meus amigos, beber em bares, conversar com quem eu quiser. Ter outros encontros…
Logo Akio soltou um longo suspiro, sem saber o que dizer para o amigo. O guardião já teve a idade de Tsuchii, sabia perfeitamente o que ele estava procurando, pois ele também procurou por estás coisas quando tinha a sua idade, ganhando experiência. Porém, aquilo também poderia levar o adolescente para um caminho totalmente errado.
— Eu entendo o que quer dizer com querer o seu espaço, no sentido de sair com quem quiser, para onde quiser. Acredite, na sua idade eu detestava ser questionado
— Saiu com outras antes da Miyu?
Logo Akio soltou uma risada debochada, se lembrando do que havia feito durante a sua adolescência, que no presente, o guardião considerava uma loucura.
— Se saí? Eu perdi a minha virgindade com uma delas. Foi uma época que eu quis aproveitar de tudo. Tirei identidade falsa, entrei em baladas barra pesada e lá aprendi a beber
— C-Como foi? –Perguntou meio corado –Quero dizer…você…sabia que estava pronto?
— Eu e a garota estávamos tão bêbados que sequer sabíamos o que estávamos fazendo –Comentou encarando o rio –Ela era bem mais velha, experiente, mas eu era um garoto que sequer estava acostumado a beber
— A Miyu sabe?
— Você está louco? Se ela não perguntou até então, não sou eu quem vai tocar no assunto. Isso me traz muita vergonha –Colocou a mão no rosto tentando se esquecer
— Acha que quando chegar a minha hora…
— Eu não estava pronto naquele momento e descobri isso anos depois –Respondeu encarando o céu com um leve sorriso –Relaxa, você vai saber quando a hora chegar. Não acelere as coisas
— Mas…como você sabe que é pessoa certa?
— Você apenas sabe –Respondeu calmamente –Você vai entender quando a hora chegar. Só uma dica, prevenção, a falta disso me tornou pai muito cedo –Riu sem graça
— Mas você ama a sua princesa –Comentou com uma risada debochada
— Ela é linda, não é? Tem que ver que gracinha quando fica brava, é a cara da Miyu –Riu –Tão inteligente
Ainda corado, Tsuchii encarava Midori, se recordando beijo que ambos deram na floresta próxima ao laboratório do barro. Aquele beijo quente, aquela sensação de querer toma-la para si, não saía de sua cabeça. O mesmo queria senti-la cada vez mais.
Ele não sabia a razão, mas a detetive mexia com ele, em todos os sentidos. Ainda assim, ele não podia se dar ao luxo de assumir um relacionamento com ela, enquanto não resolvesse essa situação das joias.
— Tsuchii, você e a Midori…aconteceu mais alguma coisa?
— Quando estamos na floresta, próximo ao laboratório, ela estava nervosa com aquela energia –Respondeu encarando o rio novamente, ainda um tanto corado –Eu tentei acalma-la com beijos, mas eles foram esquentando, e eu senti que o meu corpo pedia por mais e mais…eu não queria parar…se ela não tivesse me acertado com um tapa…
— Entendo –Respondeu –E mesmo depois disso você decidiu terminar? Que coragem –Soltou uma risadinha
— Mas agora eu não paro de imaginar coisas e quero conhecer outras coisas. É estranho…
— Dar um passo desse é algo muito importante na vida de um homem, Tsuchii –Comentou –Não por reputação, mas por você mesmo, é um momento muito marcante. Não faça para mostrar algo para alguém, para provar algo a si mesmo, ou até mesmo para suprir as suas necessidades de homem
— Akio… -Encarou o guardião das águas
— Faça com quem você ama e quando se sentir pronto para isso –Colocou a mão em seu ombro –Estar unido com alguém que se ama, é melhor sensação que você vai sentir na sua vida
— Melhor? –Perguntou sem entender
Agora o guardião das águas se afastava de Tsuchii, deixando-o um tanto pensativo. Logo Tsuchii encarava as próprias mãos e em seguida as fechava.
— O que eu devo fazer com isso que eu estou sentindo?—Se perguntou – Aproveitar a minha vida ou…—Voltou a encarar Midori
Tsuchii estava um tanto confuso quanto ao que queria naquele momento. Conversando com Sakurai, o mesmo notou que podia estar perdendo o seu tempo pensando apenas em Midori, durante aquela viagem. Durante essa, ele poderia se dar a oportunidade conhecer outras, sair para encontros, ao invés de ficar pensando no termino com a ex-namorada.
No entanto, ele sentia que Midori era mais do que uma namorada, ele realmente estava apaixonado por ela, a ponto de deseja-la de todas as formas. Ele sabia que parte daquilo era hormonal, afinal, ele experimentou com ela, sensações que nunca havia experimentado com outra garota, mas não era só isso.
A detetive era corajosa, destemida, determinada, sabia o que queria, e não tinha o que a impedisse de alcançar os seus objetivos. A mesma não fugia de uma luta ou de um caso, sempre o encarava de frente, tentando resolve-lo.
Ela era a sua garota ideal, e ele sabia perfeitamente disso, porém, sabia que se reatasse aquele relacionamento, a colocaria em perigo, e ela se recusaria a recuar em um momento crucial de perigo. Mas é claro, destemida, a jovem não fugia de nenhum tipo de perigo.
Um tempo se passou, enquanto navegavam naquele rio, entrando na região dos cânions. O vento soprava, enquanto todos escutava a jovem cantar a mesma música que estava cantando anteriormente enquanto fazia o bordado.
Ainda observando aqueles cânions, Tsuki tinha uma expressão entristecida em seu olhar, como se estivesse se recordando de algo. Taiyoo notou que havia algo incomodando o guardião, desta forma, se aproximou, e questionou:
— Está tudo bem?
— Por que não estaria? –Perguntou ainda encarando o rio
— Bem, você parece entristecido –Comentou –Sabe, você sempre tenta ser durão; mas eu acho que não passa de uma pessoa que foi muito machucada
— Você acha? –Perguntou mostrando as cicatrizes em seu braço –Brilhante conclusão raio de sol –Debochou
— Eu não estou falando desse tipo de ferida –Respondeu dando as costas e se apoiando no barco –Eu falo de feridas do coração. Te machucaram muito neste aspecto, não é?
— Nada que eu não estivesse acostumado –Respondeu olhando para o céu –Nossa, que música irritante! Garota, troca o disco! –Gritou caminhando até a cabine
A noite, todos se acomodaram em um canto do barco, para que assim pudessem dormir. Ainda aos som da bela voz da mulher que pilotava o barco, grande parte do grupo adormecia, então Tsuki observava as estrelas, ainda com um certo incomodo.
Não demorou para que o mesmo começasse a cantar um trecho da música, junto com a mulher, como se já conhecesse aquela música. Não demorou, para que Hikari comentasse com o mesmo:
— Não são todos que conhecem o hino da lua, não é? É realmente bonito
— O que vocês sabe?
— Sabe…foi um monge Tsuki quem me deixou no templo da luz… -Comentou com um leve sorriso
— Foi um monge Tsuki que ajudou a sua mãe a te trazer ao mundo—Pensou indiferente
— Às vezes ele me visitava, conversava com a minha mestra e ele acabou me ensinando essa canção –Respondeu –Eu nunca mais soube deste monge, mas eu espero que esteja bem
— Entendo –Respondeu –Essa música…era a música que a minha mãe cantava para eu dormir quando pequeno. Ela faleceu, quando eu tinha onze anos, de uma doença, pediu para que o meu mestre, Tsuki Seiji, cuidasse de mim e me transformasse em guardião, para horar o país da lua
— Tsuki…
— Aqueles monges canalhas, bebiam direto, levavam prostitutas para o templo e depois passavam lições de moral para o povo dos vilarejos –Riu debochado –Bem, o que eu sou devo a eles. Sujeitos tão impuros, que eram capazes de chicotear um menino que acabará de ficar órfão, um menino que expunha para o fukeru no Tsuki o que aqueles homens faziam
— Que terrível –Comentou com o olhar entristecido –Maltratar uma criança desta forma…
— Isso não importa mais –Respondeu se afastando da guardiã
Hikari agora observava o guardião se acomodando em um canto do barco, para que pudesse dormir. Encarando-o com piedade, a mesma se perguntava se estava mesmo tudo bem com o guardião da lua, se o mesmo não estava incomodado de retornar para aquele país.
Provavelmente, as pessoas que o maltrataram já deviam estar mortas ou ser idosos, claro, se passaram muitos anos desde o ocorrido com os Cristais, desde a época em que sua mestra e o mestre de Tsuki era guardiões.
Não demorou para que a jovem também se acomodasse em um canto do barco para conseguir descansar após aquela cansativa viagem.
Agora todos os guardiões estavam adormecidos naquele barco, descansando da longa viagem, enquanto escutavam aquela doce canção.
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