Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
23 Capítulo 23: O colar
O dia se passou, e agora jantando no refeitório do hotel, o grupo comia em silêncio. Os guardiões observavam Tsuchii digitando uma mensagem no celular, como se estivesse conversando com alguém, o que chamava a atenção de Midori.
Ainda fuzilando-o com os olhos, a mesma se perguntava o que tanto o ex-namorado digitava naquele celular. Será que estava conversando com algumas garota? Não, ele não faria isso tão rápido. Mas e se fosse a Sakurai? Midori logo se recordou do que a mesma havia dito dentro daquele elevador.
Ao notar que o mesmo comia e não parava de digitar, Akio estranhou. Mas o que realmente preocupou o guardião das águas, foi a reação de Midori, que estava extremamente enciumada.
— Ei, o que você está fazendo? Guarda esse negócio –Sussurrou o guardião das águas
— Por quê? –Perguntou com um sorriso inocente –É só uma amiga –Comentou respondendo-a
Agora todos notavam Midori fuzilando-o com os olhos, contaminando o ambiente com uma espécie de aura maligna, deixando os guardiões, com a exceção de Tsuki, apavorados.
— Você tem problema?! –Perguntou Ayaka em um sussurrou
— Não se fala isso perto da ex-namorada –Sussurrou Taiyoo
— É um idiota! –Xingou Sayo
— Mas é só uma amiga da agência –Mostrou a foto –Se chama Sakurai –Comentou inocente
Logo Midori se levantou da mesa, ainda enfurecida, com a cabeça baixa. Não demorou para que a mesma avisasse ao grupo:
— Eu estou satisfeita, me avisem quando partirem em busca da safira
Os guardiões agora viam a detetive se afastar do refeitório, ainda de cabeça baixa, aparentemente, enfurecida com o que o detetive havia dito. Já o rapaz continuava digitando, enquanto os guardiões, com exceção de Tsuki, o encarava com um fuzilador.
Ao olhar para frente, o mesmo se deparou com os guardiões encarando-o, assustando-se, enquanto se perguntava o que havia feito de errado para ser encarado daquela forma.
— O que? –Perguntou estranhando
— Como “o quê” ?! –Perguntou Sayo inconformada –Não viu o jeito que a Midori saiu da mesa?
— Além de idiota, também é cego?! –Questionou Akio
— Ela saiu? –Perguntou inocente –Nossa, eu estava tão entretido, que nem notei –Riu sem graça, ainda coçando a cabeça
— Você é um idiota –Suspirou Taiyoo cortando o bife –Se continuar assim, vai acabar perdendo ela
— Perdendo? –Perguntou sem entender –Mas nós terminamos –disse guardando o celular no bolso
— Escuta Tsuchii, você não é mais um menino –Disse Sayo seriamente –Precisa se resolver quanto a isso. Se continuar se comportando desta forma, a Midori pode interpretar as coisas erradas, pode achar que você não quer nada com ela
— Mas eu não quero –Disse ainda inocente –Quero dizer, não agora
— E quando pretende reatar com ela? Se continuar se comportando assim, quando você correr atrás dela, ela é quem não vai te querer –Comentou Hikari –Em um dia você diz que a ama, vai conhecer a família, quase se sacrifica para salva-la, e no outro termina, e já saí falando com outra garota. O que acha que ela vai pensar?
— A Midori? Ela deve ter os contatinhos dela também –Riu –Está tudo certo
Logo Akio o acertou com três socos na cabeça, fazendo nascer três galos, arrancando lágrimas dos olhos do detetive. Massageando o local atingido, ainda que enfurecido, o guardião da terra perguntava:
— Por quê fez isso?!
— Está se comportando como um moleque! Será que não percebeu que ela ainda está abalada com o termino? Sabe o quão difícil está sendo para ela seguir nesta missão conosco? Acorda, ela só está aqui porque foi obrigada –Deu um sermão no guardião da terra –Ela queria ficar longe de você para que esse termino fosse menos doloroso, mas não pode. Será que você não se toca?
— Estão falando como se a Sakurai fosse a minha namorada –Murmurou aborrecido –Nós somos apenas amigos, tá? Não existe nada entre nós
— Amiga ou não, está deixando a Midori confusa –Respondeu Ayaka –Será que não pode focar um pouco na missão de vocês? Só evite falar com essa garota na frente da Midori
— Estamos tentando te ajudar –Respondeu Akio –Sabemos que você ainda gosta dela, mas se continuar se comportando desse jeito, ela é quem não vai querer saber de você –Tentou alerta-lo
— Vocês estão se preocupando demais –Suspirou –Ela não faz o tipo ciumenta, ela foi de acordo com o termino. Além disso, a vida dela não se resume a mim, sabiam?
— Depois não vai ficar choramingando –Avisou o guardião das águas
— Vocês se importam demais –Disse Tsuki soltando um meio sorriso –Deixe o garoto falar com quem ele quiser, afinal, ele só terminou um relacionamento, não está morto
Enquanto isso, em seu quarto, já vestindo o seu pijama, Midori se encontrava sobre a cama, abraçada ao travesseiro, agora angustiada pelo o mesmo estar tão entretido, conversando com a agente.
Midori se sentia insegura, afinal, sempre focou muito nos seus objetivos para entrar no setor investigativo, e ser reconhecida naquele ambiente dominado por homens. Já Sakurai entrou diretamente no setor investigativo, sempre se produzia, chegou até a customizar o seu uniforme.
Todos os garotos da Rokutsuchii olhavam para a jovem, desejando ter pelo menos um encontro com a mesma. Claro que sem querer, Midori chamava a atenção de outros agentes, com o seu jeito indiferente, no entanto, ao recusa-los, estes sempre iam atrás de Sakurai.
Midori não fazia ideia de como ser mais feminina, para não perder o detetive definitivamente. Afinal, quem havia produzido a detetive para o encontro com o rapaz em sua casa, foi sua mãe.
A detetive sequer sabia como passar um delineador nos olhos, quantidade certa de blush, como fazer outros penteados. Para a mesma era uma batalha perdida, não tinha como competir com a detetive de cabelos rosados.
— Idiota…—Xingou o detetive, ainda se encolhendo na cama, abraçada ao travesseiro
Na manhã seguinte, reunidos na frente do hotel, o grupo estava pronto para partir em busca da safira do sol. Embora estivessem dispostos à procurar, mas não sabiam por onde começar, afinal, a cidade dos raios de sol possuía muitas feiras, com diversas barracas, que vendiam de tudo.
Essa feira se estendia até a entrada leste da cidade. Nestes pontos, havia bastante transição de pessoas pelas ruas, o que dificultaria para o grupo encontrar a joia.
— Não vai ser nada fácil encontrar a safira –Avisou Taiyoo –Amanhã é o dia das oferendas à um deus místico. Como era o nome…é…Sho…Sho… -Ficou pensativa tentando se recordar
— Ótimo, um feriado –Ironizou o guardião da terra –Tudo ao nosso favor –Revirou os olhos
— Taiyoo, apenas você pode sentir a energia da safira do sol –Disse Akio –Nesse caso, é melhor andarmos junto com você, tendo em visto esse movimento pela cidade
— Eu concordo –Disse a guardiã do sol –Nesse caso, vou tentar localizar a energia –Fechou os olhos
Agora Taiyoo se concentrava, esquecendo de tudo a sua volta, e focando apenas na energia da joia. A mesma tentava localizar a energia da mesma, até que achou um pequeno rastro se dirigindo até o trecho sul da cidade.
— Achei um pequeno rastro –Avisou abrindo os olhos –No trecho sul
— Então vamos para lá –Disse Sayo
Não demorou para que o grupo seguir na direção deste trecho. Enquanto isso, Tsuchii observava Midori, que parecia indiferente ao que havia acontecido na noite anterior, na hora do jantar.
Claro, o mesmo tinha certeza que os amigos estavam exagerando com aquela história de ciúmes. A amiga não ficaria chateada por algo tão pequeno, como conversar com uma amiga, estavam fazendo uma tempestade em um copo d’água.
— Midori –Chamou o mesmo se colocando do seu lado
— O que é? –Perguntou indiferente ao que havia ocorrido no dia anterior
— Eu terminei de ler a “matéria” –Se referiu ao caderno com o resumo dos livros que a mesma havia pegado no país do vento –Pode me ajudar depois? Algumas coisas ainda não estão claras, sabe que matemática nunca foi o meu forte –Riu sem graça
— Como seria se você não estuda? –Perguntou suspirando –Está bem, passo no seu quarto depois do jantar
— A propósito… -Chamou meio constrangido -…Midori…você está…incomodada com alguma coisa? –Perguntou meio corado
Não demorou para que a mesma corasse violentamente, ainda sem saber o que responder ao detetive. Será que estava tão na cara que a mesma estava insegura e chateada? Não, ela sabia disfarçar como ninguém
— C-Claro que não –Respondeu tentando se mostrar indiferente
— Midori…olha, eu e a Sakurai, nós somos apenas…
— Eu não te perguntei –Respondeu passando pelo mesmo, ainda emburrada –Não precisa ficar se justificando
— Que garota fria…—Pensou se sentindo no meio de uma nevasca
Agora o mesmo via a detetive caminhar ao lado das guardiãs do vento e da luz, ainda conversando com as mesmas. O rapaz não sabia exatamente a razão, mas estava um tanto inseguro com aquela reação de Midori, será que a mesma já havia esquecido o que tiveram? Não, era impossível, só tinha duas semanas que ambos haviam terminado, não tem como alguém esquecer uma pessoa que se ama assim.
Akio agora notava que o mesmo encarava a amiga fixamente, como um cachorrinho encarando o osso. Logo o mesmo se aproximou do guardião da terra e comentava:
— Você precisa ver a sua cara de cachorro sem dono. O que ela te disse?
— Que eu não preciso dar satisfações da minha vida para ela –Respondeu inconformado –Akio, me responde uma coisa...
— Hm?
— Quando encaramos uma mulher atraente, é normal sentirmos coisas? –Perguntou meio corado –Tipo, como querer tocar nelas…
— O que? –Perguntou estranhando a pergunta –Espera, por quem você anda sentindo essas coisas? – Imaginou o pior
— Isso não vem ao caso –Disse corado –Eu só sei que estou à ponto de enlouquecer. Você já passou por essa fase, não é? Deve saber como parar isso. Sempre que eu olho para a pessoa, eu tenho pensamentos obscenos de nós dois, e quero mais –Disse discretamente, ainda encarando a Midori
— Que situação –Suspirou, procurando um jeito de conversar com o adolescente a respeito daquilo que o mesmo estava sentindo –Como eu vou te explicar? É uma fase complicada, você deu o primeiro passo, e acabou de descobrir sensações que sequer imaginava sentir antes. O seu corpo com certeza vai pedir por mais, mas você precisa freia-lo, ainda é muito novo para experimentar algumas coisas. Tenta um banho gelado ou…
— Ou…?
— Bem, quando a Mayumi percebia que eu estava com esse tipo de pensamento em relação a algumas meninas da minha sala, bem…ela me dava uma paulada na mão. Com a dor eu esquecia o que estava sentindo, pelo menos por um tempo –Comentou pensativo
— Espera…não quer usar isso comigo, né? –Perguntou amedrontado
— Prefere o banho frio?
— Tem que ter outro jeito, eu estou enlouquecendo e parece que a cada dia…ela se desenvolve mais –Sussurrou enquanto encarava a amiga
— Ué, mas foi você quem quis terminar –Respondeu
— Está dizendo que se eu não tivesse terminado, poderia desfrutar disso agora?
— Agora você está sendo idiota –Respondeu suspirando –Independente, ela não é a sua propriedade, Tsuchii. Eu entendo o que está sentindo, mas é o corpo dela. Não pense que namorar ela, te faz dono dele
— Eu só quero parar, parar com esse tipo de pensamento…ou qualquer dia…
— Ei, qualquer dia coisa nenhuma –disse autoritário –Marcou com ela de estudarem no seu quarto, não é? Ficarei de vela, quero que vá para o meu quarto
— O quê?! Akio!
— Sem mais! Enquanto não aprender a controlar os seus impulsos, não quero te ver sozinho com ela –Respondeu seriamente
Após a conversa dos guardiões, ambos continuaram seguindo em silêncio, seguindo a guardiã do sol, que seguia os pequenos rastros de energia que emanava da joia.
— Esse caminho…será?—Se perguntou a guardiã do sol, seguindo a energia
Enquanto isso, abaixo da cidade, nos canais de esgoto, Ken caminhava até a sua base secreta. Não demorou para que o mesmo colocasse a safira do sol sobre uma almofada, e se deitasse sobre um colchão, enquanto ligava a televisão.
— Até parece que vou entregar o meu tesouro para a Taiyoo –Murmurou mudando de canal –A Harumi tem o próprio tesouro dela, porque eu não posso ter o meu? Se bem que eu não sei o que eu vou fazer com essa pedra. Pelo menos como luminária serve –Comentou encarando-a
Logo o mesmo caminhava até um pequeno baú de brinquedos e o abria. Naquele baú havia diversas fotos dele com os amigos de infância, objetos que para o garoto tinha um valor sentimental.
— Harumi…quando eu voltar para o país das águas, vamos nos casar –Soltou um grande sorriso –Engole essa Meguri! –Mostrou a língua para a fotografia do amigo
Logo o garoto escutava um barulho vindo de um dos túneis, ainda estranhando, já que ninguém passava por aquele trecho. Não demorou para que o menino se escondesse atrás da televisão, simulando entrar em contato com sua equipe:
— Atenção, temos invasores na base. Preparem a armadilha
O garoto agora desamarrava uma corda e sussurrava:
— Preparar para o ataque em 3…2… -Logo o garoto soltou a corda, que agora soltava um monte de madeiras velhas, sobre alguém, que agora gritava — Sucesso! –Saiu correndo até o “invasor” supondo que havia sido soterrado pelas madeiras
Agora o mesmo se deparava com os guardiões e a irmã do meio. Ken sabia que havia se metido em um problema gigante, e que se Taiyoo descobrisse sobre o seu tesouro, iria querer toma-lo dele imediatamente.
Já Midori, não conseguia parar de rir da cara do guardião da terra, que agora estava soterrado por aquelas madeiras, apenas com uma mão para fora, pedindo por ajuda.
Ainda com a ajuda de Akio e Sayo que retiravam as madeiras sobre o amigo, o guardião da terra saía de baixo daquela armadilha preparada pelo irmão da guardiã do sol.
Enfurecido o mesmo pegava Ken, acertando-o com vários socos na cabeça, enquanto gritava:
— Sabe o quão perigoso isso é?! Podia ter me matado! Seu moleque irresponsável!
— Isso dói! Para! Mana! –Chamou cobrindo a cabeça, tentando se proteger dos socos
— Já chega, Tsuchii –Pediu Taiyoo –Acho que ele já apreendeu a lição –Suspirou
— Para um garotinho, até que ele é bem inteligente –Riu Midori –Acertou bem no alvo
— Cala a boca! –Mandou enfurecido –Você não sabe o quanto os meus ferimentos estão doendo!
— Tratamos disso depois –Respondeu Ayaka –Taiyoo, você disse que a safira te guiou até aqui? –Perguntou
— Ah sim –Respondeu passando pelo irmão –Ken, embora eu não entenda o que você faz no meio do esgoto, e não quero saber, mas você viu uma pedra semelhante àquela que encontrou no palácio das águas?
— Azul? Não –Respondeu revirando os olhos
— Essa é laranja –Explicou Akio –Se parece com está –Mostrou a safira das águas
— Ahhh…! Não, não vi –Respondeu
Agora todos caíam no chão decepcionados com a resposta do menino. Os guardiões ainda tinham um fio de esperança do mesmo ter visto a joia.
Muito embora o mesmo afirmasse que não à viu, mas Taiyoo continuava sentindo a energia da safira, cada vez mais forte, o que a deixava desconfiada.
— Bom, acho que estamos perto, então vamos dar uma procurada –Respondeu passando pelo irmão caçula
Logo o garoto se colocou em frente a irmã e ao grupo que a seguia, impedindo-os de seguir em direção a sua base secreta.
— Não podem passar!
— Como é? –Perguntou Tsuchii, sem entender
— Garoto, nos deixe passar –Mandou Midori
— Eu não posso –Respondeu balançando a cabeça negativamente
— Ken, estamos em uma missão muito importante –Disse a irmã perdendo a paciência –Saí da frente
— Não!
Logo a irmã o pegava pela gola da camisa, levantando-o, enquanto o mesmo se debatia, dizendo “não” repetidas vezes, até chegarem à sua base.
Ao chegarem, todos se encontraram surpresos com a decoração que o mesmo havia feito de baixo daquele esgoto. Luzes, televisão, revistas em quadrinhos, brinquedos, comida, era quase como um esconderijo abaixo da terra.
— Uau… -Comentou Sayo –Você fez tudo isso?
— Tive ajuda de uns amigos –Respondeu o menino sendo colocado no chão pela irmã
— Ficou muito bom –Comentou Akio –Sequer tem cheiro de esgoto
— Com quem o seu irmão anda? –Perguntou Ayaka
Não demorou para que a guardiã do sol avistasse a safira do sol, sobre a almofada. Ainda aborrecida, Taiyoo caminhava até a joia e dizia:
— Não viu, né? Seu mentiroso!
— Por favor, não conte ao papai que eu não te entreguei de imediato –Pediu a irmã –Eu a encontrei no campo, perto da espada que o papai…
— Templo da nuvem? –Perguntou a mesma seriamente –Mas o que a safira estava fazendo lá? Aquele templo está interditado…O que você estava fazendo lá? Não sabe o quão perigoso é aquele lugar? Apenas os nossos pais suportam a energia daquele lugar!
— Minha bola caiu lá dentro!
— Ken conseguiu suportar a energia daquele templo, mesmo sendo um humano comum? Não, comum ele não é, afinal, o nosso pai…—Pensou Taiyoo buscando uma explicação
— Taiyoo –Chamou Akio preocupado
— Guarde essa safira junto das demais, Akio –Entregou ao guardião –É melhor voltarmos ao hotel, rápido
Ao ver que já estavam prestes a ir embora, Ken chamou a irmã:
— Mana!
— Hm?
— Não vai voltar para casa? Quero dizer, para ver a mamãe, o papai e o Kenso? –Perguntou –Sabe, eles sentem muito a sua falta, desde que saiu de casa
Logo a mesma soltou um doce sorriso para o irmão caçula, enquanto se abaixava na sua altura, encarando os seus olhos:
— Talvez eu passe por lá amanhã
— Mesmo? –Perguntou
— Tenho que conversar a respeito de algumas coisas, antes de seguir viagem eu passo por lá –Acariciou a cabeça do irmão –Eu preciso esclarecer algumas coisas com ele, entre elas, quem são os guardiões de safira—Pensou a guardiã do sol agora com um expressão séria
Não demorou para que os guardiões voltassem ao hotel, afinal, já haviam encontrado o que estavam procurando.
Chegando, cada guardião se direcionou ao seu quarto. Tsuchii e Midori se direcionaram ao quarto de Akio, para que o mesmo pudesse vigia-los.
Agora o guardião das águas estava sentado no parapeito da janela, lendo um livro, enquanto que sentados no tapete, e na cama, os detetives analisavam juntos o resumo feito por Midori.
Sentado de perna de índio, sobre o tapete do quarto, Tsuchii lia o que estava no caderno. Enquanto isso, sentada de perna de índio sobre a cama, a mesma perguntava:
— E então? O que você não entendeu?
— Aqui tá claro, que só se pode ter acesso aos outros mundos através da magia dos descendentes destes mundo. Mas o que são esses oráculos precisamente? Estamos falando de objetos ou pessoas? Ei! Akio, como aquele oráculo se apresentou para vocês? Ele tomou o corpo da pequena Harumi, não é? –Perguntou
— Hm? –Perguntou abaixando o livro –Sim, mas não sei dizer ao certo onde estava concentrada a sua energia. Tudo indica que ele estava na safira, mas a essa altura, é difícil afirmar algo –Respondeu
— Um ser que toma o corpo das pessoas…então não se limita à ficar preso em um objeto…
— Precisamos dessas coisas para acessar Alpha e Rubricos? –Perguntou Akio
— Segundo as pesquisas que eu fiz, sim –Respondeu Midori seriamente – Os oráculos abrem os caminhos para os mundo celestiais. Se pingarmos um gota de alpha no oráculo do tempo, ele abrirá o portal para o mundo de esmeralda. Se pingarmos uma gota da lava de Rubricos, então se abrirá o portal para o mundo de Rubi –Citou o trecho que estava escrito no livro
— Provavelmente são objetos, não faria sentido pingar uma gota em uma pessoa –Comentou Akio pensativo –A questão é…como encontra-los e onde? O oráculo que possuiu a Harumi, não saiu de lugar nenhum –Pensou
— Será que não? –Se perguntou Tsuchii pensativo –Naquela tarde, em que aconteceu aquele acidente, as crianças estavam brincando de piratas, não é? –Perguntou
— É, mas a Harumi me disse que só havia enterrado a safira das águas –Comentou pensativo
Agora os três se encontravam pensativos, afinal, havia um peça faltando. De algum lugar aquele oráculo surgiu, mas de onde? Do que? Não fazia sentido o oráculo manifestar a sua energia da safira da águas, afinal, dentro da própria joia já havia parte da energia de um dos guardiões de safira.
Agora Akio pegava o celular e discava para o número da esposa. Tsuchii e Midori se encaram, se perguntando o que o guardião das águas faria, para quem estava ligando.
— Alô, Miyu? Há quanto tempo minha imperatriz –Soltou um doce sorriso
— Akio! Como anda a viagem? Estamos morrendo de saudades, a Harumi não para de perguntar de você –Comentou encarando a filha fazendo a lição de casa
— Estou morrendo de saudades da minha princesa –Soltou um leve sorriso –Já estamos no país do sol, mas…
— Hm?
— Muitas coisas aconteceram –Disse seriamente –Miyu, não deixe a Harumi sozinha, o Kano ainda está vivo. Descobrimos recentemente, por isso todo cuidado é pouco
— Ele o que?! –Perguntou a espadachim surpresa –Mas como…aquele golpe que vocês havia dado era para ser mortal
— Eu sei, há muitas coisas que ainda não entendemos e estamos estudando para tentar compreender melhor –Respondeu seriamente –Miyu, você sabe se alguém entrou alguma coisa enterrada no jardim? Ou escondido em algum vaso?
— Encontrar alguma coisa? Bem, você sabe como a Harumi gosta de brincar de caça ao tesouro –Soltou uma leve risada –Volta e meia os empregados do palácio encontram alguma coisa pelo palácio
— Será que você pode passar o celular para ela? Preciso perguntar uma coisa –Explicou
— Certo, só um minuto –Soltou um leve sorriso
Logo a guardião escutou a princesa comemorando o fato do mesmo ligar. Logo a mesma atendeu o celular, ainda com um grande sorriso, chamando pelo guardião:
— Papai!
— Minha princesa, como você tem passado? –Perguntou com um largo sorriso – Tem se comportado? –Perguntou
— Sim! Eu cumpri com todas as minhas tarefas, e tenho obedecido a mamãe em tudo! Eu estou sendo uma boa menina –Disse com um doce sorriso –Eu estou com saudades de você, papai
— Eu também, minha princesa –Disse o mesmo com um leve sorriso –Eu estou tão orgulhoso por estar se comportando
— Vai trazer o que me prometeu? –Questionou sussurrando
— Mas é claro, palavra é palavra –Sorriu –Escuta princesa, se lembra do dia que você estava brincando de pirata com o Ken e Meguri?
— Claro! Eles acabaram encontrando o tesouro que eu havia enterrado –Disse emburrada –E por culpa de vocês a nossa brincadeira acabou! Eles tiveram que ir antes do fim da brincadeira
— Antes do fim? Mas não era um único tesouro? –Perguntou encarando os detetives
— Claro que não! Cada um enterrou um tesouro diferente, combinamos antes deles virem
— Combinaram?
— O Meguri trouxe o anel da Mayumi e o Ken um colar do irmão mais velho –Comentou pensativa –Mas eles esconderam tão bem ainda não consegui encontrar –Suspirou
— Calma, o Ken levou um colar do irmão? Do Kenso? –Perguntou seriamente –Você não tem ideia de onde ele escondeu?
— Não faço ideia –Comentou emburrada –Droga, ele sempre esconde nos lugares mais difíceis
— Princesa, você pode passar o celular para a mamãe? –Perguntou docemente
— Tá –Disse caminhando até a mãe
Logo a princesa das águas entregou o celular a Miyu, que agora chamava pelo marido:
— Akio, está tudo bem? –Perguntou desconfiada
— Miyu, se lembra onde a Harumi enterrou a safira? –Perguntou –Volte até lá e peça para o jardineiro cavar
— O jardineiro? Mas Akio, vai acabar com a grama, já foi muito trabalho concertar o que as crianças
— A Harumi acabou de me contar que o Ken escondeu um colar. Talvez o oráculo que tomou a Harumi naquele dia, venha deste colar
— Espera, Akio, eu não estou entendendo
— Para acessar os mundos celestiais nós precisamos desse colar –Respondeu seriamente –E precisamos encontrar o outro. Miyu, se você encontrar esse colar, coloque-o na sala das joias, você sabe a senha. Não conte a ninguém sobre ele
— Está certo –Concordou –Akio, tome cuidado, agora que o Kano retornou, não sabemos do que ele é capaz. Ele não vai se esquecer do que você fez no palácio de gelo –Disse a espadachim ainda preocupada
— Fique tranquila –Tentou tranquiliza-la –Nesta viagem estamos descobrindo diversas coisas que não tínhamos ciência antes. Com isso facilita entender um pouco a história por trás da origem do universo. Assim que voltar, eu te passo tudo
— Está bem –Disse soltando um leve sorriso –Se eu achar qualquer coisa eu te ligo
— Obrigado, Miyu –Agradeceu ainda soltando um doce sorriso –Amo vocês, sempre
— Nós também –Respondeu meio corada, agora encarando a filha fazendo o dever –Boa sorte, diga a todos que estamos com saudades
— Pode deixar –Respondeu –Até mais
— Até
Logo ambos desligaram, e agora Akio encarava as ruas da cidade, ainda pela janela do hotel, enquanto soltava um suspiro, considerando-se o homem mais sortudo do mundo por ter uma esposa como a espadachim do seu lado e uma filha como a Harumi.
— Ver vocês nesse romance todo era uma coisa tão distante do que eu imaginava –Comentou Tsuchii folheando o caderno da ex – Quero dizer, vocês dois pareciam cão e gato uns anos atrás
— É mesmo? –Perguntou encarando ele e Midori –Conheço duas pessoas que não se diferem muito disso –Se referiu ao detetives
Agora Tsuchii corava violentamente, enquanto o seu olhar se encontrava com o de Midori. Logo ambos desviaram o olhar imediatamente e a detetive tentou mudar de assunto:
— Descobriu alguma coisa?
— Bem, parece que no dia em que ocorreu aquilo com a Harumi, o Ken levou um colar do Kenso para esconder no palácio –Comentou –Pedi para a Miyu procurar por este colar
— Sempre esse moleque –Disse Tsuchii suspirando
— Eu avisei a Miyu para que se o encontrasse, para que o guardasse na sala que eu reservei para as joias celestiais. Pedi discrição
— Se encarregou a Miyu disso, eu fico tranquilo –Comentou Tsuchii folheando o caderno –Ela sabe como manter a discrição
Agora o mesmo continuava lendo o que Midori havia anotado naquele caderno. Não demorou para que a detetive começasse encará-lo, ainda observando como o mesmo havia mudado desde o início daquela viagem.
O guardião da terra parecia um pouco mais forte, e já quase não tinha aquela cara de menino que tinha até um tempo atrás. O mesmo também parecia bastante focado no que estava lendo, parecia estar levando à sério aquele caso.
Já Akio começou a notar que Midori o encarava, ainda que meio corada, já entendendo o que estava acontecendo. Logo ambos escutaram o celular do detetive tocar, até que o mesmo atendeu:
— Alô? Sakurai! Como você está?
Ao ouvir aquele nome, a expressão do rosto de Midori mudou totalmente, dando lugar a uma feição monstruosa, fuzilando o guardião da terra com o olhar, deixando até mesmo o guardião das águas amedrontado.
— Mesmo? Fala sério, você teve que ajudar? Mas é claro que ele não te ajudou, muito folgado –Riu enquanto conversava com a agente, vendo a detetive pegando o seu caderno –Sakurai, nos falamos mais tarde, pode me mandar mensagem, eu respondo. Até mais.
Logo o mesmo viu que Midori estava prestes a sair do quarto de Akio, mas antes que o fizesse, Tsuchii questionou:
— Ei Midori, onde você está indo?
— Eu vou para o meu quarto –Respondeu ainda de costas, tentando controlar a sua raiva
— Já? Mas começamos agora, qual é? Não ficou brava por conta da Sakurai, ficou?
— Tsuchii –Chamou Akio tentando alerta-lo, ainda amedrontado
— Eu vou para o meu quarto –Disse virando a maçaneta, ainda enfurecida
— Akio, ela está nervosa, não é? Ei Midori, eu quero saber. Olha não precisa ter ciúmes, ela é só uma amiga, não temos nada. Volta, vamos continuar o estudo, relaxa um pouco
Ao ouvir o mesmo dizer aquelas palavras, como se a detetive não tivesse amor próprio, para aturar aquele desaforo de vê-lo conversar com outra agente, que ela sabia perfeitamente que estava dando em cima do seu ex, Midori foi sentindo sua paciência se esvair.
Logo a mesma se virou enfurecida para o guardião e gritou:
— Eu vou para o meu quarto, seu idiota! Escutou?! Eu vou para o meu quarto! Não me incomode, e não me perturbe!
Logo o grito enfurecido da detetive ecoou por todo o hotel, enquanto o detetive a encarava sair do quarto nervosa, deixando-o no quarto do guardião das águas, ainda amedrontado.
— É um idiota –Suspirou Akio –Acho que não vamos analisar mais nada hoje
— É o que parece –Disse o guardião da terra ainda amedrontado
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