Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras

17 Capítulo 17: A escolha dos detetive


Enquanto isso, na casa de Chikaku, Midori estava em seu antigo quarto, deitada em sua cama, pensando no guardião da terra, ainda aflita. Será que Akio tinha encontrado Tsuchii? Será que o mesmo estava bem? Na agência o mesmo parecia tranquilo, mas os seus olhos esboçavam preocupação, ele não estava sendo o rapaz que costumava ser.

Não demorou para que a mesma escutasse alguém bater em sua porta e logo abri-la. Imediatamente a mesma sentou-se em sua cama, deparando-se com o seu pai.

— Corujinha…

— Eu não quero falar com você –disse emburrada, abraçando o travesseiro e virando-se para o sentido oposto

— Voltou por que ele pediu, não é? –Perguntou soltando um leve sorriso, ainda sentando-se ao seu lado –O Tsuchii deve ser muito especial para te convencer de algo tão facilmente –Riu

— Somos uma dupla –Respondeu emburrada –Decidimos em conjunto

— Mesmo? –Perguntou – Isso é ótimo –Soltou um leve sorriso

Logo o mesmo suspirava, notando que a mesma ainda estava chateada pela discussão que haviam tido em seu escritório. A verdade é que Chikaku não sabia por onde começar a explicar aquela história, podia ser arriscado para a missão deles, para a sua filha, para Lin.

— Midori, entenda, há coisas que eu não posso contar, vocês não entenderiam…

— Por que somos adolescentes?! Papai, se o Tsuchii foi adotado e você sabe a razão, ele tem o direito de saber quem são os pais biológicos e porque não ficaram com ele!

— Querida, essa história é mais complicada do que parece –Suspirou –Muitas coisas aconteceram no início da era Cristal…coisas que eu não estou autorizado a falar, para o bem da missão dos guardiões

— Precisamos dessas informações! Sem elas não vamos conseguir derrotar Kano ou Demon, será que não entende?!

— Midori, Kano não possuí metade do poder que Demon possuía –Respondeu seriamente –Foi algo que eu vi com os meus próprios olhos…a devastação que aquele monstro causou no laboratório do barro…

— Você…conheceu o Demon? –Perguntou surpresa

— Digamos que eu e Satoru, vimos o suficiente, mas não o enfrentamos. Na época nós fomos encaminhados para uma missão –Respondeu –Naquele dia…presenciamos algo horrível…

— Horrível?

— Eu contarei a vocês, no momento certo –Respondeu acariciando a sua cabeça, ainda soltando um leve sorriso –Mas eu preciso que confiem em mim, entende?

— Sim –Respondeu entristecida –Papai…

— Hm?

— Vai dar permissão, não é? –Perguntou

Logo Chikaku soltou um leve sorriso, notando que de fato sua filha estava crescendo. Ainda assim, mesmo que inseguro a respeito daquele relacionamento, Chikaku gostava de Tsuchii, naquela discussão, notou que o mesmo daria a vida para salvar a sua filha.

— É visível o quanto vocês se gostam –Soltou uma leve risada – Ainda é um amor bem inocente e chega a ser fofo. Mas Midori, vocês dois precisam decidir o que vocês querem, o que é melhor para vocês neste momento. Vocês são muito novos, eu entendo que estejam empolgados com esse sentimento, mas…o Tsuchii é um guardião e a muitas pessoas perigosas atrás dele por conta destas joias

— Eu sei, mas eu não me importo –Respondeu –Eu o ajudarei a junta-las, custe o que custar

— Mas e ele? –Perguntou seriamente –Midori, já se perguntou o que ele pensa a respeito?

— Ele não liga, ele não faz o tipo que liga para essas coisa –Respondeu confiante

— Será? –Perguntou encarando-a –Acho melhor conversarem melhor. Eu dou a minha permissão para que namorem, mas antes quero saber das intensões do Tsuchii para com você. Não estou tentando assusta-lo, mas quero saber se ele está ciente do risco que está te expondo

— Está falando isso por conta do que aconteceu no país do vento? Papai, aquilo foi culpa minha, eu abaixei a guarda!

— Está enganada, Midori –Respondeu –Eu estou falando do presente, do futuro de vocês. E se isso for para frente? E se constituírem uma família? É muita coisa que estará em jogo e ele precisa se conscientizar

— Mas…mas…e se…ele mudar de ideia? –Perguntou com os lábios trêmulos –E se ele quiser terminar?! –Perguntou aflita

— Midori, você precisa ser forte –Disse seriamente –Ele não é um agente qualquer, é um guardião. Infelizmente, um relacionamento depende de duas pessoas; mas como o seu pai e melhor amigo do pai adotivo dele, quero conscientiza-los dos prós e contras deste relacionamento. A decisão final será de vocês dois –Esclareceu

— Isso…é assustador –Disse a mesma abraçando-o –Eu não consigo…não consigo prever o que vai acontecer…

— Eu sei… -A abraçou – Eu e a sua mãe passamos por uma situação semelhante na nossa adolescência. O seu avô materno era um tenente que servia ao exército imperial da terra. Ele era bem rígido, centrado e queria que sua filha fosse forte como um soldado

— A mamãe?!

— Sua mãe sempre sonhou em se tornar modelo, mas ele tentou ofuscar esse sonho de todas as formas. Então ela começou a investir nele escondido, assim como você fez para entrar na agência. Quando ele soube do nosso namoro, nossa, quase surtou –Riu

— Eu não fazia ideia –Respondeu surpresa

— Vocês se parecem, mas não é só fisicamente –Riu –São determinada e fazem tudo para chegar onde querem. Tudo bem que você herdou o meu lado peralta –Fez cócegas na mesma, fazendo-a rir

— O que acha que eu devia fazer? –Perguntou rindo, enquanto o mesmo parava as cócegas

— Hm…acho que como pai, eu já te orientei no que podia –Comentou pensativo –Mas acho que alguns pontos, Rumiko poderia te orientar melhor. Acho que ela conseguiria compreender melhor o que está sentindo

Muito embora pensasse em seguir o conselho do pai, Midori sentia-se insegura de conversar a respeito daquele assunto com sua mãe. A mesma era tão refinada, tão preocupada com coisas superficiais, que sequer ligou quando a mesma foi morar no templo da terra.

Sua mãe jamais entenderia o que a mesma estava sentindo, nunca a apoiou em se tornar detetive, sempre disse que a mesma era uma filha problemática, se brincar, a mesma jogaria culpa do que estava acontecendo em suas costas.

Enquanto isso, no hotel, Akio chegava com Tsuchii cantarolando, ainda bêbado, apoiado em seu ombro. Ao ver o estado do guardião da terra, Tsuki soltou um assobio e comentou:

— Nossa…parece que alguém teve o primeiro porre

— Cala a boca e me ajuda leva-lo para o meu quarto –Pediu o guardião das águas –Esse garoto vai ouvir um sermão amanhã que nunca mais vai esquecer –Comentou enfurecido

— Ah, vai me dizer que nunca ficou de porre, santo Akio? –Comentou Tsuki ajudando-o com o guardião da terra –Nossa que cheiro de cachaça

— Ele é menor de idade, Tsuki –Respondeu subindo as escadas do hotel –E ele não bebeu três copos, alto do jeito que está, bebeu garrafas

— Caramba –Se surpreendeu –E qual foi a razão?

— Eu ainda não sei –Respondeu suspirando –Mas não justifica. Além disso, alguém de energia muito suspeita estava acompanhando ele

— Energia suspeita? Um dos subordinados de Kano? –Perguntou mudando a expressão para um pouco mais séria

— Eu não sei –Respondeu seriamente –Do jeito que ele está, dificilmente vai conseguir tomar banho sozinho. No caminho para cá, vomitou umas três vezes

— Dá para notar –Comentou sentindo o cheiro –Quer ajuda?

— Sim –Respondeu entrando no quarto –Vamos deita-lo na cama e tirar as roupas dele. –O levou até a sua cama

Tsuchii estava completamente bêbado, o que o guardião falava não fazia sentindo nenhum. O mesmo ria, falava sobre o fracasso que era a sua vida, sobre o quão inútil o mesmo era enquanto dava risada.

Enquanto isso, Akio retirava as suas botas e Tsuki as suas luvas. O guardião da lua então se levantou e fechou a porta, enquanto Akio terminava de despir o adolescente.

— Akiooo…porque está me deixando pelado? Eu não gosto disso…

— Você precisa tomar um banho e tirar esse cheiro de cachaça –Respondeu apoiando-o em si levando-o até o banheiro

— Eu não preciso da sua ajuda! Eu consigo me virar…! Eu sou responsável…!

— Já chega! –Mandou o guardião das águas nervoso – Entra de baixo desse chuveiro

— Você não manda em mim! Não é meu chefe! Não é o meu pai! Eu não sou a Haruki! –Gritou ainda completamente bêbado

— É Harumi seu imbecil! Agora entra de baixo desse chuveiro! –Mandou enfurecido

— Harumi, Haruki, tanto faz! Vocês não mandam em mim! Eu sou dono da minha vida!

— Já chega! Entra logo! –Gritou Tsuki o lançando para dentro do box e ligando o chuveiro, fazendo água gelada cair sobre o guardião da terra

Tsuchii agora soltava alto grito sentindo aquela água gelada cair por todo o seu corpo, tentando sair de todas as formas, mas foi barrado pelos guardiões. Não demorou para que o mesmo começasse a chorar de baixo do chuveiro, como uma criança, ainda encolhido, tremulo, como um gatinho acuado.

Do lado de fora, as guardiãs se aproximavam da porta, se perguntando o que estava acontecendo dentro do quarto de Akio. Não demorou para que Sayo perguntasse:

— Sabem o que aconteceu?

— Não, mas parecia um grito do Tsuchii –Respondeu Taiyoo

— Mas ele não ia dormir no templo da terra? –Perguntou Ayaka

— Parece que sim –Respondeu Hikari afirmando com a cabeça

— Será que aconteceu alguma coisa? –Perguntou Sayo

— Vai saber –Comentou Ayaka

Ao ver a porta ser aberta pelo guardião da lua, as guardiãs se afastaram ainda soltando um grito assustadas.

— Olha só, as tias fofoqueiras –Soltou um sorriso debochado

— Escutamos gritos! Estávamos preocupadas! –Respondeu Sayo nervosa, ainda rindo sem graça –Está tudo bem?

— Apenas um adolescente de porre –Respondeu passando por elas –Nada para se preocuparem. Estou indo no templo da terra buscar algumas roupas para a criança que está lá dentro, evitem entrar –Avisou

— Tá –Responderam ao mesmo tempo

Ainda dentro do quarto, enrolado na toalha, tremendo de frio, Tsuchii chorava sem parar, enquanto Akio ligava o secador e o ajudava a secar os cabelos.

— Já chega dessa choradeira –Disse secando os cabelos do guardião da terra –Não teria que passar por isso se não tivesse bebido desse jeito

— Vocês são desumanos…são cruéis…são…

— Chega de drama –Disse suspirando –O Tsuki foi até o templo buscar algumas roupas para você. Se troque e durma. Amanhã eu te dou o sermão

— Akio…

— O que?

Logo o guardião se levantou da cama rapidamente e correu até o banheiro, vomitando novamente, fazendo o imperador revirar os olhos.

— Você está bem? –Perguntou caminhando até o banheiro

— N-Nã……!!! –Respondeu vomitando no vaso

— Não está acostumado com isso, não é? –Perguntou dando leves tapas em suas costas –É isso o que acontecesse quando se bebe demais. Mas tenho uma novidade, amanhã vai estar bem pior –Disse com um sorriso maléfico

— Você está brincando…não está…? –Perguntou limpando a boca

— Vamos ver amanhã –Respondeu –Pelo menos a bebedeira está passando

— Eu sinto muito…Akio… -Se desculpou ofegante, agora se sentando no chão do banheiro –Eu estava desesperado e dessa vez…o cigarro não estava me ajudando…

— Comprou cigarro?! Tsuchii e a nossa conversa no país do vento? –Perguntou aborrecido

— São muitas coisas para absorver, eu não estou aguentando mais! –Respondeu desesperado –O pai da Midori tem as respostas que eu preciso, ele confirmou que eu fui adotado por Satoru, ele sabe quem é Yama! Eu preciso saber quem eu sou Akio! Como se isso não bastasse, ele não quer dar permissão para eu namorar a filha dele! Por alguma razão!

Akio pode ver no rosto de Tsuchii o desespero, aflição, angustia por não saber o que estava se passando, por não saber de onde veio. O mesmo estava à beira de uma crise de identidade, estava desesperado.

O guardião das águas agora se sentou ao seu lado, suspirou ainda olhando para cima e perguntou:

— Quem era aquele rapaz? Do bar?

— Eu sei lá –Respondeu colocando a mão na testa –Só perguntei se ele conhecia um bar

— E como que você pensou que isso seria uma boa ideia? Cigarro e bebida –Disse autoritário –Isso não te dará as respostas para as suas perguntas…

— …mas…

— …tão pouco vai amenizar essa angustia e desespero que está sentindo –Respondeu autoritário fazendo o guardião da terra se calar –Sabe o quão perigoso essas coisas são para um garoto da sua idade?

— Eu não sou um garoto… -Retrucou ainda emburrado, desviando o olhar

— Ah não?! Então é um homem?! Um homem dono da própria vida, um guardião forte, poderoso, que bebe e fuma sempre que se depara com um problema! É esse o tipo de homem que você é, Tsuchii?! –Perguntou autoritário

— Você não me entende! Pelo menos você sabia de onde veio! Conheceu os seus pais! Você e a Miyu não tiveram esse tipo de obstáculo para ficarem juntos!

— Pessoas possuem problemas diferentes, Tsuchii! Eu já te falei, tive que assumir um país na adolescência e a pressão era muito grande! Teve um dia que eu tive que discursar…sobre a importância da figura de Mizu Mizuno e Mizu Kyori na história do nosso país. E o que eu ia dizer? Que se sacrificaram para me salvar e salvar um país? As cenas daquele dia não saem até hoje da minha cabeça. A katana de Shiroi Hajime, que estava sendo manipulado por Demon, perfurando o peito deles…o dia que ele implantou está maldita maldição no meu pescoço –Mostrou ao guardião da terra –Eu não tinha coragem para discursar na época, para usar as palavras certas…então…saí escondido com uns amigos e bebemos a noite inteira

— Fez o discurso bêbado?! –Perguntou surpreso

— O quê? A Mayumi me deu um chá horrível que fez eu vomitar durante a madrugada inteira e me deu um banho de água fria –Respondeu com uma risada debochada –Eu levei um baita sermão na época e ainda tive que discursar de ressaca

— Ressaca?

— Ahh…você vai descobrir o que é amanhã –Colocou a mão em seu ombro –Tsuchii, você está em uma fase de desenvolvimento e essas coisas fazem mal para você. Eu entendo o que está sentindo, mas virar garrafas de…seja lá o que você bebeu naquele bar… não vai te ajudar a se sentir melhor

— Então…o que eu faço? –Perguntou entristecido –Eu tenho tentado me mostrar forte na frente da Midori, mas longe dela…

— Eu sei –Respondeu –Eu não sei se posso te ajudar em tudo o que precisar, mas Tsuchii, eu estou aqui, nós estamos. Eu te disse isso no país do vento, não é? Você não precisa recorrer a bebidas ou ao cigarro, pode procurar a mim ou qualquer um de nós. Atrás daquela porta, tem quatro mulheres que se preocupam muito com você e mesmo longe…a Miyu também se importa

— Akio…

— É normal se sentir assustado, enfurecido, mas vamos resolver isso, certo? –Perguntou dando um leve soco em seu ombro –Não faça isso de novo, a Midori estava muito preocupada

Ao escutar isso, Tsuchii arregalou os olhos surpreso, afinal, como o guardião sabia que ela estava preocupada? Neste momento, ainda constrangido, o guardião da terra corou desviando o olhar.

— Sabe, você tem sorte, Tsuchii –Comentou Akio –Na minha opinião, você deveria lutar por esse amor

— Lutar?

— Ela é uma joia preciosa e se vê que te conhece –Respondeu com um meio sorriso – É claro que vocês precisam se conhecer mais; mas deu para notar que não é um amor adolescente. Acho que deve investir nela, conversar sério com o pai dela

Tsuchii agora pensava respeito do que o guardião das águas estava aconselhando-o. O rapaz queria lutar pela namorada, ele gostava dela e a cada dia se convencia mais que não apenas gostava, como a amava. O mesmo gostava da companhia da detetive, de trabalhar ao lado dela, ele ria com a mesma, se divertia.

O mesmo estava começando a desfrutar das coisas que sempre admirou Midori e estava gostando. Mas o que o pai namorada havia dito, fazia o mesmo pensar, sobre o que seria melhor para a namorada, naquele momento.

Ao notar a expressão séria e preocupando do guardião da terra, Akio se preocupou. Não era apenas a situação do pai adotivo que estava causando aquela angustia, havia mais alguma coisa que Tsuchii não havia comentado.

— Tsuchii, aconteceu mais alguma coisa? –Perguntou

— Akio, você acha arriscado uma pessoa normal namorar um guardião? –Perguntou com a expressão entristecida

— Nossa, que pergunta delicada –Respondeu suspirando –Acho que quando existe amor entre as duas pessoas, por mais que existam obstáculos, é preciso lutar para vencê-los. Isso acontece na vida de qualquer casal, mais cedo ou mais tarde

— Então acha que não é um risco?

— Não –Respondeu seriamente –Um risco sempre vai ser. Escuta, como guardiões, nós possuímos uma responsabilidade muito grande de proteger as safiras. Com isso, nós nos expomos ao perigo todos os dias e pessoas que amamos estão expostas a isso

— Entendo –Disse com olhar entristecido

— Tsuchii, vocês dois precisam decidir o que é melhor para vocês nesse momento –Aconselhou –É verdade que a Midori está correndo um risco muito alto nesta missão, mas precisamos dela. Mas se Kano notar qualquer tipo de relação entre vocês, ela se tornará um alvo fácil, isso é verdade e você melhor do que ninguém sabe disso

— Eu sei –Disse entristecido ainda de cabeça baixa

— A questão é: ela está disposta a correr este risco por você? –Perguntou seriamente –E você está disposto a deixa-la a correr o risco para ficar ao lado dela? Você precisam conversar a respeito disso, com calma. Se concordarem a seguir com esse relacionamento, mesmo sabendo dos riscos, então ótimo. Mas se ambos discordarem…então seria melhor dar um tempo –Aconselhou

— Dar um tempo? –Perguntou assustado –Tipo…terminar…?

— Dar um tempo –Respondeu –Depois desse tempo, voltarem a conversar e decidirem o que vão fazer. Se seguiram com esse relacionamento ou se preferem, sei lá, se dar a oportunidade de conhecer pessoas novas…

— Está dizendo para eu esquecer ela? Não mandou eu me declarar?! –Perguntou se virando para o guardião

— Não estou dizendo para esquecer ela –Suspirou –Vocês são novos, tem muito o que aprender, muitas pessoas para conhecer. Acho difícil você esquece-la, mas isso é uma coisa que vocês vão decidir e não eu, ou qualquer outra pessoa

— Entendi…

Logo ambos escutaram a porta do quarto se abrir. Não demorou para que ambos se levantassem e se deparassem com Tsuki carregando uma mochila.

— Aqui está –entregou Tsuki –Vejo que não está mais bêbado

— Ainda estou meio tonto –Respondeu colocando a mochila sobre a cama e abrindo-a –Akio, podemos dividir o quarto? Não estou afim de ouvir sermões do sacerdote –Comentou se trocando

— Sem problemas –Respondeu com um meio sorriso

— Bom, eu vou dormir –Disse Tsuki se retirando do quarto

Enquanto isso, na casa de Chikaku, na cozinha, Midori preparava um chocolate quente, ainda vestindo o seu pijama de verão. A mesma agora sentava-se na mesa da sala de jantar, que era iluminada apenas por uma pequena luminária.

Não demorou para que Rumiko a avistasse, ainda tomando chocolate quente, sozinha na mesa de jantar de sua casa. Ainda surpresa, se perguntando o que a filha estava fazendo em casa, a mesma se aproximou, ainda segurando a bolsa, chamando-a:

— Midori

— Mamãe! –Chamou assustada –Não se preocupe, eu já vou sair… -Respondeu pegando a xícara e se levantando

— Sente-se, está na sua casa –Disse suspirando – O que está fazendo por aqui? –Perguntou se sentando na sua frente e logo depois cruzando as pernas

— Achei melhor voltar –Respondeu sem graça, agora sentando-se na cadeira

— Entendo –Respondeu –O seu pai já chegou? –Perguntou pegando o celular e consultando a sua agenda do dia seguinte

— Está no quarto –Respondeu

— Entendo –Respondeu ainda mexendo no celular

O silêncio que se formava na sala de jantar era incomodo. Midori tomava o chocolate quente, ainda incomodada com a presença da mãe. Estava mais do que óbvio que a mesma não estava preocupada com ela, que sequer ligava se ela tinha voltado para a sua casa, tudo o que importava era a sua carreira de modelo.

Logo os pensamentos da detetive foram cortados pela mãe:

— Os seus cabelos estão ressecados, Midori

— O quê? –Perguntou com um veia saltando de sua cabeça, não acreditando que isso era a única coisa que sua mãe havia notado

— Fracamente, pelo menos tem hidratado ele nesta viagem? Nunca foi cuidadosa consigo mesma –Suspirou –Só usa aquele shampoo que a Erika te indicou. Sabe que os seus fios precisam de hidratação de seis em seis meses, não sabe?

— Eu sou uma detetive, mãe –Respondeu tentando ter paciência –Não tenho tempo para isso

— Mas agora precisa ter –Respondeu colocando o celular sobre a mesa e encarando-a –Ou acha que o seu namorado vai querer ter uma molambenta do lado dele? –Perguntou

Midori agora arregalava os olhos surpresa, afinal, como a sua mãe sabia do Tsuchii? Será que seu pai havia comentado algo? Era o seu fim, a mesma escutaria sermão a noite toda e não teria a aprovação da mãe.

— O-O papai te contou? –Perguntou desviando o olhar corada

— Eu conheço todas as minhas filhas –Riu –Não preciso que Chikaku me diga. Quem é ele? Pelo brilho nos seus olhos, dá para ver que é especial

— É da agência –Disse constrangida – Se chama Chairo Tsuchii

— Chairo Tsuchii? Não é aquele molequinho que vivia andando com você para cima e para baixo? –Perguntou debochada –Você está namorando o filho do Satoru, que ironia –Riu olhando para o alto

— Filho adotivo –Respondeu

— Ei! Satoru é pai do Tsuchii! Ele o criou com muito amor ao lado da esposa, até o dia daquela tragédia –Respondeu autoritária –Satoru…era um homem incrível, se não fosse por ele, eu não teria tido vocês e não desenvolveria minha carreira de modelo –Respondeu

— Mamãe…

— Midori, você está se tornando uma mulher, aos poucos, como as suas irmãs –A encarou –Traga-o para jantar amanhã –Pediu

— O que?! –Perguntou surpresa

— Eu…vou gostar de receber o seu namorado –Disse desviando o olhar

— Mamãe… -Sentiu a mesma pegando em suas mãos

Agora Rumiko começava a acaricias as mãos da filha, sentindo que os seus dedos estavam um tanto grossos por conta dos treinos. Sem contar que suas mãos estavam meio rachadas.

— Mas antes, precisamos dar um jeito em você –Comentou –Vou marcar hora no salão para você, depois vamos fazer compras, você precisa estar apresentável para o seu namorado, Midori

— Ahh não, mamãe –Revirou os olhos

— Me escuta, ele pode gostar de você pelo o que você é e você está certa em exigir isso –Respondeu seriamente –Mas Midori, dê esse presente a ele, mostre a ele o que ele o valor que você tem, além do que ele já conhece, claro –Piscou para a filha

— Mas… -Disse insegura

— Midori, precisa se amar mais –Disse sorrindo –Você tem uma beleza única, assim como cada uma das suas irmãs

Após aquela conversa, Midori levantou-se da sua cadeira, levou caneca até a pia da cozinha e a encheu de água. Em seguida, a mesma subiu para o seu quarto, enquanto a mãe fazia o mesmo.

Chegando em seu quarto, a detetive fechou a porta e se dirigiu até a sua escrivaninha. Em seguida, a mesma pegou o seu celular e se deitou na cama, enquanto ligava para o namorado:

— Alô? –Atendeu

— Tsuchii, como você está? –Perguntou ainda preocupada

— Estou melhor –Respondeu se levantando da cama, ainda meio tonto –E você?

— Bem –Respondeu –Vocês vão iniciar a busca pela safira da terra amanhã? –Perguntou

— Eu não sei –Se apoiou na parede –Ainda não conversei sobre isso com o pessoal

— Bem…é que a minha mãe te convidou para jantar aqui em casa –Contou meio corada, ainda soltando um leve sorriso

— Nossa, acho que não escutei direito, repete –Riu – Acho que ainda estou meio bêbado—Pensou

— A minha mãe te convidou para jantar aqui em casa –Repetiu –Será que você…pode vir às sete? –Perguntou

— C-Claro! –Respondeu nervoso

— Perfeito –Respondeu animada – Ei…

— O quê?

— Eu te amo, não se esqueça disso –Disse meio corada

— Eu também te amo, Midori –Disse o mesmo soltando um leve sorriso

— Boa noite, seu bobo

— Boa noite, boba

Logo ambos desligaram, ainda soltando um leve suspiro apaixonado, encarando a janela. Muito embora estivessem indeciso a questão de levar o relacionamento a diante, mas ao ouvir a voz um do outro, era como se o mundo desaparecesse.