Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
7 Capítulo 7: A energia do vento
Há muitos anos atrás, contava-se no templo dos monges Tsuki, uma lenda em que as joias possuíam a energia de guerreiros que pertenciam ao mundo celestial e, que eram encarregados de proteger os deuses.
Após a revolução dos oráculos, esses guerreiros desapareceram misteriosamente, deixando apenas as suas energias no mundo celestial.
Neste mesmo período, Safira, deus supremo do mundo celestial, trabalhava no mundo que entregaria aos seus filhos. O mesmo precisava de algo que servisse de equilíbrio para o ecossistema dos mundos e algo que ajudasse os humanos a entrar em contato com os seus filhos.
Desta forma, o deus criou sete joias para cada mundo e repartiu a energia dos guardiões entre as vinte e uma joias. O mesmo deixou uma escritura, em pelo menos uma joia de cada mundo, dando instruções de como a pessoa que recebeu tal energia, devia se comportar após absorver a energia daqueles guardiões.
Durante anos as joias ficaram sem um guardião, com a energia encubada dentro da pedras preciosas, até o momento que foram descobertas pela humanidade. Guardiões foram surgindo, seguindo as instruções escritas por safira e seus respectivos deuses.
Em Jewels não foi diferente, a primeira pessoa a achar um diamante na humanidade, foi um monge Tsuki. A joia estava localizada dentro de uma caverna sagrada, ainda na montanha onde se localizava o templo Tsuki.
O mesmo era um monge comum, caridoso e ao mesmo tempo habilidoso. Era um padrão dos monges que frequentavam aquele templo Tsuki. Ao entrar na caverna sagrada, o mesmo se deparou com o diamante da lua.
Curioso com a aquela estranha pedra brilhante e cinza, o mesmo se aproximou deslumbrado. Ainda com um certo receio, o mesmo encostou na pedra, no intuito de retira-la de seu lugar. Neste momento, o monge sentiu uma forte energia penetrar dentro de si, deixando-o inconsciente por alguns minutos.
Ao despertar, o mesmo agora tinha as suas mãos tremulas, ainda tentando se acostumar com tanta energia depositada em seu corpo. O mesmo agora se arrastava até a estranha pedra preciosa e a pegava.
Nela havia instruções sobre o que o mesmo deveria fazer após receber aquela energia. Naquele momento, nasceu o primeiro guardião dos diamantes, que daria origem a uma grande saga em Jewels.
O mesmo retornou ao templo Tsuki, ainda com o diamante em mãos, ainda ofegantes. Ao apresentar aquela joia aos monges, os mesmos registraram o que estava escrito nos diamante em escrituras, que foram propagadas pelo mundo, espalhando que os diamantes precisavam de guardiões.
O país das nuvens e da luz, sabendo das escrituras propagadas pelos monges, temiam que estes fossem mais notados por Diamante. Desta forma, durante um período, fizeram uma aliança para juntassem verba e construíssem templos em cada país, para cada diamante.
Ambos os países implantaram a religião de Diamante no mundo, até o momento em que o país da nuvem foi devastado pelo próprio deus. Desta forma, cada país começou a seguir as suas próprias tradições ainda com as escrituras propagadas pelo povo da lua.
Agora o grupo caminhava em direção a estrada que os levaria até o país do vento. Enquanto isso, Midori refletia a respeito da história que Tsuki havia contado sobre as safiras, ainda no vulcão das chamas azuis. Será que as joias tinham mesmo um energia que pertencia a uma alma que estava perdida? Se fosse o caso, o que aconteceria com os guardiões no dia que essas almas voltarem ao mundo celestial? Eram muitas perguntas sem resposta.
Ao notar que a detetive estava um tanto pensativa, Ayaka se aproximou da mesma e questionou:
— Está tudo bem?
— Sim, não se preocupe –Respondeu – Tsuki, pode me responder uma dúvida a respeito dos poderes de vocês? –Perguntou a detetive
— O que é? -Questionou
— Se a energia que vocês possuem é parte da energia dos sete guardiões dos deuses celestiais que estão desaparecidos, o que acontecerá com vocês se eles retornarem? –Questionou
— Ninguém sabe –Respondeu suspirando –Muito provavelmente, perderemos as nossas habilidades de guardiões e nos tornaremos pessoas normais
— O quê?! –Perguntaram todos com os olhos arregalados
— Isso é uma ponto –Comentou Akio pensativo –Pessoas normais…nossa…imagino que isso se enquadre em todos os mundos celestiais, não é? Alpha e Rubrico, além de Jewels, certo? –Questionou
— Sim –Afirmou –E não é só isso, com isso as joias desapareceriam destes mundos e parte da energia distribuída entres as vinte e uma joias seria repartida em sete safiras, que ficariam no mundo celestial
— São muitas informações –Comentou Ayaka seriamente –Onde aprendeu isso?
— Por algum motivo, o meu mestre tinha muito conhecimento a respeito deste assunto. Durante o meu treinamento como guardião, ele me passou os seus ensinamento, para que eu os orientasse –Explicou –Um saco –Soltou uma risada debochada
— Confiaram em você para nos orientar? –Perguntou Akio usando do mesmo deboche –Isso explica o porquê dos nossos problemas para reunir o cristais. A coitada da Miyu saiu para essa missão sem saber nada a respeito e você sequer para aparecer para auxilia-la –Comentou
— O quão surpreso eu não fiquei ao saber que ela conseguiu reunir seis joias e os seus guardiões –Respondeu com um meio sorriso –Mas eu não estava afim de participar desta ladainha de novo
— E por isso deixou o Kano se passar por você?! Isso não se faz! Sabe o risco que corremos?! – Perguntou Tsuchii enfurecido –Nós ficamos presos naquele palácio de gelo!
— Eu deixei bem claro aos guardiões da geração anterior que eu não queria me envolver neste assunto –Respondeu indiferente –Mas vocês foram bem idiotas, como não pesquisaram quem era os guardiões antes? Francamente, o Kano sequer se disfarçou com a minha aparência –Riu debochado
— Eu vou matar esse desgraçado –Disse Sayo prestes a partir para cima do guardião da lua
— Não tem ideia do que passamos por sua causa! –Respondeu Ayaka
— De qualquer forma, são muitas informações que estamos coletando a respeito das joias –Comentou Midori pegando o caderno e registrando com a caneta –Precisamos registrar isso, afinal, nunca sabemos o que se esperar do dia de amanhã
— É verdade –Comentou Tsuchii com a mão atrás da cabeça – Eu fico pensando que tipo de alma tem o portador da energia da safira das água. Quero dizer, o Akio costumava ser um mulherengo antigamente, será que tem alguma relação? –Provocou rindo
— Eu não sei –Respondeu o guardião das águas – Mas se for seguir a sua linha de raciocínio, a alma do portador da energia da terra deve ser um completo idiota, com a mentalidade de um moleque de quatorze anos –Retrucou
— O que quer dizer com isso?! –Perguntou o guardião da terra nervoso –Tá querendo brigar por um acaso?! –O enfrentou levantando as mangas que sua regata sequer tinha
— Hein?! Será que consegue me derrubar? –Perguntou ameaçando-o fechando os seus punhos –Se meta com um peixe do seu tamanho –Mandou deixando-o amedrontado
— Idiota –Disse passando pelo guardião das águas, abandonando a briga, ainda emburrado –Mas que era…era…
— Eram outros tempos –Respondeu jogando uma mecha da franja para trás – Era apenas uma fase, muito provavelmente você passará por isso também, Tsuki não saiu desta fase até hoje –Comentou
— Sair pra quê? –Perguntou –Gueixa para te servir diariamente, já experimentou isso? É o melhor dos dois mundos –Comentou rindo
— Para mim parece mais alguém que está tentando suprir um vazio muito grande –Comentou Taiyoo passando ao lado de Tsuki com um olhar malicioso –Quem sabe… um amor não correspondido? –Perguntou dando uma piscada para o mesmo
— E o que você sabe sobre isso?! –Perguntou cruzando os braços extremamente corado –Não se meta no que é da sua conta!
— Por Cristal! Tsuki, você teve o coração partido?! –Perguntou Sayo chocada –Isso explica muito!
— Dá para focar na missão?!
— Pobrezinho –Comentou Hikari –Está tudo bem, Tsuki. Todos já levamos um fora
— Vocês são ridículos –Respondeu impaciente –Respondendo à pergunta de Tsuchii, não, a energia dos guerreiros não reflete nas suas personalidades, ou seja, se o Akio é ou foi um mulherengo, não está ligado ao guardião do mundo celestial –Explicou
— Olha o respeito! –Mandou Akio já impaciente com aquela história de mulherengo – Fico feliz que essa fase tenha passado. Hoje eu me dedico fazer apenas duas mulheres felizes, minha esposa e minha filha –Respondeu
— Que fofo! –Comentaram as garotas achando fofo aquele posicionamento do guardião das águas
— Isso foi lindo, Akio –Comentou Sayo – A Miyu ia ficar derretida de escutar isso
Agora todos notavam que Hikari encarava uma fotografia, ainda meio entristecida. Notando que a mesma estava meio diferente dos outros dias, Midori se aproximou e perguntou:
— Está tudo bem, Hikari?
— Ah sim –Respondeu rindo sem graça
— Nossa, que foto bonita! –Comentou admirando a foto de um casal abaixo de uma árvore de flor de cerejeira, ainda soltando um leve sorriso –Quem são? Os seus pais? –Perguntou curiosa
— Ah não –Respondeu rindo –É a minha mestra com o namorado na casa do pai adotivo dela –Explicou
— Uau! É incrível, vocês tem o mesmo sorriso –Comentou –Se você não me explicasse, eu diria que ela era a sua mãe –Riu sem graça
— Bem, ela me criou como uma –Comentou com um leve sorriso –Essa foto, o báculo e um manto são as únicas lembranças que eu tenho dela
— É engraçado, mas… -Comentou Midori encarando a foto do casal e Akio – Esse cara se parece com Akio…
Agora Hikari encarava ambos e enfim notava a semelhança, se surpreendendo:
— Uau…! Você tem razão! –Comentou a mesma chocada –Será que tinha algum parentesco?
— Não chegou a conhece-lo? –Perguntou
— Infelizmente não –Respondeu –Ele e minha mestra mantinham um relacionamento a distância –Explicou
— Entendo –Comentou a jovem
Agora o grupo continuava caminhando em direção ao país do vento, agora em silêncio. Não demorou para que Akio se aproximasse de Tsuchii discretamente e perguntasse:
— Viu como ela ficou preocupada quando você saiu do vulcão?
— Ela?
— Midori! –Sussurrou
— Ah…ela é um saco quando quer –Respondeu emburrado –Não era para tanto
— Você é idiota ou o quê? –Perguntou –Aquele preocupação não era de colega ou amiga! Eu vi o quão ansiosa ela ficou, andando de um lado para o outro, sem saber o que fazer
— O que? –Perguntou encarando-a corado
— Chame-a para sair –Aconselhou – Leve-a no cinema, no parque, leve-a para fazer algo divertido
— Algo divertido? Akio você bebeu? Olha que a Miyu não vai gostar de saber que você tá enchendo a cara durante a viagem, precisa estar sobreo –Comentou Tsuchii
— Primeiro, eu não bebi; segundo, alguém precisa dar o primeiro passo –Sussurrou
— Não sei se você notou; mas ela ainda está uma fera, desde o ocorrido do beijo
— Ela já deve ter esquecido e além disso a culpa não foi sua –Respondeu –Para de ser tímido e tome atitude –O empurrou para frente
— Desgraçad… -Xingou quase caindo em cima da mesma
— Qual é o seu problema? –Perguntou Midori ainda caminhando –Não sabe mais andar? –Perguntou
— Isso é ridículo –Murmurou –Pelo menos eu tenho cérebro
— Não parece –Retrucou a detetive
— Ora sua…!
— Sabe Midori, o Tsuchii queria te perguntar algo –Disse Akio rindo –Vamos Tsuchii, pergunte
— Qual é o seu problema?! –Sussurrou enfurecido
— Estou te fazendo um favor –Sussurrou empurrando –Ou quer que ela fique com outros para dar a resposta da sua pergunta? –Se referiu ao que mesma havia dito ao detetive de não ter parâmetros para dizer se o beijo dele havia sido ruim
Ao se lembrar da resposta fria da detetive, Tsuchii gelou e de uma certa forma, Akio tinha razão. Se ele não tomasse uma atitude naquele momento, ela acabaria ficando com outros, o que o apavorava.
Não demorou para que o mesmo, ainda contrariado se aproximasse da detetive, se colocando ao seu lado. Enquanto caminhavam, o mesmo a chamou, ainda sem jeito:
— Escuta… Midori…
— O que é? –Perguntou indiferente
— Eu…eu…
— Você o quê?
— Eu acho que você precisa de uma plástica nessa sua cara feia! –Provocou rindo
Quando o rapaz disse tal absurdo, todos arregalaram os olhos, não acreditando que o mesmo havia dito algo tão terrível para a jovem. Sem pensar duas vezes, Midori o acertou com um soco no rosto, deixando-o jogado no chão:
— Quem vai precisar de plástica é você!
— Calma! Calma! –Disse Sayo tentando segurá-la –Não vale a pena gastar a sua energia com esse idiota
— Deixa que cuidamos dele –Disse Akio tentando ajudá-lo a se levanta
— Isso é culpa sua! Como eu vou chamar essa troglodita para sair?! Quase arrebentou o meu maxilar! –Culpou Akio ainda limpando o sangue da boca
— Do que você me chamou?! –Perguntou a detetive enfurecida
— Do que você ouviu! –Gritou
— Ei! É melhor calarem a boca, senão quiserem ficar presos um no outro de novo! –Mandou Tsuki autoritário –Não estamos com tempo livre, sabiam?
Logo ambos pararam de discutir, se virando para lados opostos. O grupo agora seguia em silêncio até a cidade dos furacões. Enquanto isso, Taiyoo pensava a respeito do que estavam conversando a respeito das almas dos guardiões do mundo celestial
A guardiã do sol agora se recordava do treinamento que seu irmão realizava com o seu pai. O mesmo sempre fora bastante rígido com os seus filhos durante os seu treinamento, não os poupava e muitas vezes Naoki tinha que intervir.
Mas algo agora chamava a atenção da guardiã, era a energia de seu pai, não era algo comum para um humano, era algo muito superior, até mesmo ao poder de guardião que seu irmão carregava na época.
Taiyoo agora se recordava de um dia em especial da sua adolescência, quando a mesma havia saído do templo sem permissão do sacerdote para ir a uma balada da cidade. Ao retornar ao templo, a mesma se direcionou ao seu quarto e nele estava o seu pai, esperando por ela, junto de sua mãe.
— Ai que susto! O que vocês estão fazendo aqui?! –Perguntou a mesma ainda com medo dos sermões –Eu hein!
Logo a mesma viu o pai caminhando em sua direção e logo sentiu a sua mão acertar o seu rosto com força, assustando-a.
— Tetsuo! –Chamou Naoki
— Como pode ser tão irresponsável?! Sabe o perigo que essa joia correu?! Sozinha no templo?! Não consegue ser mais responsável?! –Perguntou autoritário
— Dá um tempo, tá legal?! Não fui voluntária para esse cargo! –Retrucou enfurecida
— Insolente! –A acertou com outro tapa no rosto, ainda mais forte –Querendo ou não você é a guardiã do sol! Sinta orgulho disso! É um privilégio de poucos ser um guardião!
— Para mim não! Eu quero uma vida normal, será que não entende?! Eu odeio esse templo e esse cargo
Ao sentir a energia do pai aumentar, Taiyoo deu passos para trás, imobilizada, afinal, nunca havia sentido uma energia tão poderosa como aquela, aquilo não era normal, chegava a ser aterrorizante.
Tetsuo caminhava até a mesma seriamente, enquanto que assustada a mesma continuava se afastando.
— Tetsuo, já chega! Deixe com que eu fale com ela! Por favor! –Pediu Naoki segurando-o
— Não! A Taiyoo precisa aprender que para tudo tem uma consequência –Respondeu ignorando-a, agora puxando a filha pelo braço
— Tetsuo! Por favor! Lembre-se que ela é humana! Se exagerar pode matá-la! Ela é a nossa filha!
— Está me machucando! –Gritou Taiyoo sentindo o mesmo apertar o seu braço com força –Me solta…!!
— Tetsuo! Por favor! Já chega! –Pediu Naoki puxando-o desesperada
Ao ver que estava gerando um grande hematoma no frágil braço da filha, Tetsuo a soltou, ainda que enfurecido. Não demorou para que ainda contrariado, desse as costas para a filha e esposa, enquanto Taiyoo o enfrentava, segurando o braço machucado:
— Por quê Kenso não continuou como guardião?! Ele já estava treinado! Pronto para esse posto! Por que eu tenho que lidar com tudo isso?! –Questionou os pais enfurecida
— Taiyoo, conversamos amanhã –Respondeu Naoki acompanhando o marido até a porta –Vá dormir, já está tarde -Mandou
Assim que ambos se retiraram se seu quarto, a mesma começou a ouvir uma discussão. Desta forma, ainda que com cuidado, Taiyoo se aproximou da porta de seu quarto, abriu uma fresta, para que escutasse melhor.
— Tetsuo, ela é uma adolescente, é natural que queira se divertir! –Disse Naoki enfurecida –Mas a Taiyoo tem o espírito de uma guerreira, como eu tinha, como você tem. Por favor, dê um pouco de crédito para a nossa filha –Pediu
— Você a mima demais, Naoki! Você sabe perfeitamente que como guardião da espada celestial, esse tipo de comportamento me revolta! Minha própria filha se recusa a proteger a minha…
— Tetsuo, você precisa entender –Segurou o seu rosto –Diferente dos seus companheiros, você ainda tem parte desta energia que não está presa naquele cristal. Foi por isso que te confiaram esse cargo, não é? Não importa quem seja o guardião do sol, nunca terá o seu amor pelo cristal do sol
— Naoki…-Desviou o olhar entristecido, ainda segurando suas mãos -…eu sou o único, entre aqueles guardiões que não foi banido por Safira…
— Tetsuo…
— Suas almas foram banidas para outra dimensão; mas as suas energias estão distribuídas entre as joias espalhadas pelas dimensões…–Disse entristecido –Tem algo de errado no mundo celestial, eu sinto
— Vamos descobrir o que é –Disse a mesma tentando acalma-lo –Temos arquivados os estudos de Michiko, certo? Já sabemos quem são os traidores que provocaram a revolução no seu mundo. Haverá o momento certo de desmascarar esses oportunistas; mas enquanto não acontece precisa ter paciência. Faça o seu melhor protegendo aquela espada, para que os escolhidos derrotem os traidores
— Naoki…
— Esta é a sua missão –Encarou os seus olhos seriamente –Deixe que eu tomo conta da Taiyoo e do Kenso
— O que ele quis dizer com traidores? E revolução no mundo celestial?—Se perguntou Taiyoo pensativa –Tem algo que não sabemos; mas talvez o…—Pensou encarando Tsuki
O grupo agora continuava seguindo até a cidade dos furacões. Enquanto caminhavam, agora em silêncio, Hikari começava a se questionar sobre a razão da cidade dos furacões estar abandonada por todo esse tempo, ao ponto de servir de abrigo para criminosos foragidos de suas terras natais.
— Ayaka –Chamou a guardiã da luz
— Hm?
— Você sabe a razão da cidade dos furacões estar abandonada? Quero dizer, ela foi esquecida pelo governo do vento. Tem algum motivo em especial?
— Tirando as lendas urbanas? Eu não vejo nada demais naquela cidade –Riu –Mas o governo acredita que o espírito de um guardião se refugia naquela cidade
— Espírito? –Perguntou Tsuchii –Tipo um fantasma?
— Loucura, não é? –Perguntou a mesma rindo – Dizem que o espírito de Hariken era como um furacão descontrolado –Riu
— Conheceu esse guardião, Tsuki? –Perguntou Hikari curiosa
— Sim, eu o vi apenas uma vez, há muitos anos atrás –Comentou
— Ao considerar a idade dele, deve ter sido há muitos, muitos e muitos anos atrás –Sussurrou Tsuchii para Sayo
— Você tem amor à vida? –Perguntou Tsuki friamente, invocando o shakujõ e mirando em seu pescoço
Tsuchii agora engolia seco, enquanto continuava caminhando. Agora Ayaka continuava:
— Dizem que há muitos anos essa cidade foi devastada por um grande dragão que lutava contra Hariken e seu aprendiz Kazehiro, que no caso, seria o meu tio –Explicou –Por não ser capaz de vencer esse dragão, as almas de Hariken e Kazehiro não conseguiram descansar em paz e agora vagam pela cidade –Riu –Não é loucura?
— Depois de enfrentar o Kano há uns anos atrás, eu não duvido de mais nada –Disse Akio se lembrando da batalha contra o serviçal de Demon – Ele conseguia se transformar em dragão, se lembram?
— Espera, espera…isso não é muita coincidência? –Perguntou Midori –Segundo os livros de histórias dos guardiões, Demon tinha um aliado com a capacidade de se transformar em dragão. Esse aliado matou a guardiã das águas da segunda geração e os guardiões do vento da segunda e quarta geração. O que nos garante que não são a mesma pessoa? –Questionou
— Olha…o que ela disse faz sentido –Comentou Akio pensativo
— Muito sentido – Concordou Sayo
— De qualquer forma o Kano está morto –Disse Tsuchii despreocupado –Você o derrotou no palácio de gelo, certo Akio? –Perguntou Tsuchii
— Sim –Respondeu –Não tinha como sobreviver há um golpe daqueles –Respondeu se lembrando da batalha
O restante da viagem o grupo seguiu em silêncio até chegarem no seu destino, a cidade dos furacões. Ao chegar no local, ambos se depararam com as ruas completamente desertas, casas destruídas e alguns mendigos, bandido, criminosos em geral, observando o grupo de guardiões.
— Não que a gente precise se preocupar com esses caras –Comentou Sayo –Mas seria viável se andássemos todos juntos, até chegar a cidade dos tornado
— Sou de acordo –Comentou Tsuki –Não podemos nos atrasar
Desta forma, sem perder tempo, o grupo continuou caminhando até a saída que daria a estrada para a cidade dos tornados, que não estava muito longe. Após mais alguns minutos de caminhada, o grupo começou a sentir uma forte ventania.
— O que é isso?! –Perguntou Taiyoo sem conseguir dar mais um passo –Esse vento está nos carregando!
— O que é isso?! –Perguntou Midori se vendo ser arrastada
— Midori! –Chamou Tsuchii segurando o seu braço –Eu estou sendo arrastado junto! O que?! Ayaka, esse buraco sempre esteve ai?! –Perguntando vendo um buraco mais adiante
— Essa não…uma armadilha… -Disse a mesma –Tomem cuidado! É uma emboscada! Segurem-se onde der!
Não demorou para que todos se segurassem onde possível. Ao ver que Tsuchii e Midori continuavam a ser arrastados, sem pensar duas vezes, Akio correu em direção aos companheiros e tentou agarrar a mão de Tsuchii para puxa-los de volta.
— Akio!
— Não solta a minha mão! –Mandou agora segurando-se em um destroço
Agora Ayaka tentava parar o vento com a sua magia, mas logo a mesma sentiu uma enorme angustia fazendo com que a mesma parasse imediatamente.
— Ayaka! Ayaka! O que houve?! –Perguntou Taiyoo vendo-a em transe
— Esse sentimento…será…
— Ei! Ei! –Chamou Tsuki segurando-a antes que a mesma fosse arrastada para os buracos –Ayaka! Acorda!
— Não adianta! Ela entrou em transe –Respondeu Sayo
— Eu não queria fazer isso…mas… -A acertou com um soco no rosto, fazendo-a despertar –Foi mal –Disse Tsuki, ainda que se desculpando pelo golpe
— Você me deu um soco?! –Perguntou a guardiã sentindo o gosto do sangue
— Estava em transe! Eu salvei a sua vida!
O vento continua soprando trazendo pavor aos criminosos que ali estavam refugiados. Akio transpirava, usando todas as suas forças para se manter naquele escombro, ainda segurando Tsuchii e Midori.
— Eu não vou aguentar…! –Disse Akio sentindo que a qualquer momento soltaria o escombro –Meus músculos vão arrebentar…!
— Akio! –Chamou Tsuchii assustado
Já no seu limite, Akio soltou o escombro, fazendo com que os três, ainda soltando um alto grito, caíssem naquele buraco. Não demorou para que em seguida esse se fechasse, trazendo preocupação ao restante do grupo.
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