Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras

5 Capítulo 5: Fita da cooperatividade


No país da terra, no abismo, em uma sala com uma decoração refinada, deitada sobre um divã, uma mulher observava de uma esfera de energia criada por seu hagoromo, os detetives grudado um no outro, no hotel, ainda na cidade das chamas douradas.

Os lábios pitados com batom vermelho, agora soltavam um debochado sorriso, enquanto a mesma se divertia com a situação. Esta podia enxergar com clareza uma fita completamente embaraçada que envolvia ambos.

Como são idiotas…enquanto não resolverem as suas diferenças e nivelarem as suas energias a fita não esticará —Pensou debochada –Quando vão entender isso? —Se perguntou soltando uma leve risada debochada

Enquanto isso, no hotel, ainda na cidade das chamas douradas, no quarto de Hikari e Midori, todos observavam os detetives colados um no outro, tentando desvendar aquele enigma, afinal, os guardiões não podiam visualizar aquela fita.

— Nossa, que situação –Comentou Taiyoo observando ambos tão pertos um do outro –Como isso foi acontecer? –Perguntou tentando afasta-los

— Não adianta! –Avisou Tsuchii aborrecido –Isso é coisa daquela bruxa! Aquela velha desgraçada…! –Xingou enfurecido

— Cala a boca! Quer que ela te ouça?! –Perguntou Midori enfurecida sentindo que ambos ficavam cada vez mais próximos –Essa não! Se continuarmos assim…!

Eu preciso dar um jeito de nivelar a minha energia com a dela, antes que…! —Pensou começando a sentir a respiração da detetive, ainda corado

Os guardiões agora notavam que ambos estavam corados, nervosos, meio desesperados, sem saber o que fazer. Logo Akio encarou para o guardião da terra, ainda que malicioso e perguntou provocando:

— Não está nervoso, não é? Afinal, você não sente nada por ela

— Cala essa boca! Não estou com cabeça para isso! –Gritou corado

— Quer se concentrar?! Se não nivelarmos a nossas energias…ai!! –Soltou um grito de dor, sentido suas testas se chocarem com força

— Sua idiota! Quer se acalmar?! Que saco! –Murmurou com dor, ainda mais próximo da mesma, já sentindo o perfume de seu shampoo

— Isso é culpa sua!

— É culpa sua!

Agora os guardiões observavam os detetives discutindo como se fossem cão e gato, ainda tentando desvendar aquele enigma. Logo Tsuki deu passo à frente e disse invocando o shakujõ e apontando para ambos:

— Já sei

Ao mirar o item para os detetives, ainda recitando um mantra dos monges tsuki, usado por tennins a milênios para deixar algumas magias visíveis a olhos de humanos, os guardiões puderam ver uma fita vermelha de cetim completamente embaraçada, envolvendo Tsuchii e Midori.

— Nossa…! –Comentou Akio chocado com o quão aquela fita estava embaraçada –O que é isso? –Perguntou

— Um feitiço muito antigo, utilizado por tennyos no mundo celestial para disciplinar os deuses. Eu achava que era apenas uma lenda, mas como podem ver, parece que esses seres são realmente reais –Riu debochado –Assim como os seus feitiços, não é? –Questionou os detetives

— Não sabemos do que você está falando –Responderam ao mesmo tempo, agora sentindo a fita afrouxar um pouco, separando-os

— Ah não? –Perguntou o monge rondando-os – Eu cresci no início da era Cristal, muitas coisas já passaram por estes olhos e eu só conheço uma pessoa capaz de realizar tal feitiço milenar, como esse do laço da cooperatividade

Os detetives agora sentiam um frio na espinha. Tsuki não podia revelar ao guardiões que Lin estava viva, a mesma sabia muito e seria morta assim que descobrissem da sua existência, assim como todos da sua geração de guardiões foram.

Além disso, se eles dissessem algo aos guardiões, a guardiã da terra antecessora a Tsuchii, jamais os perdoaria. Ambos não tinham dúvidas que a mesma os castigaria sem piedade.

Ambos agora encaravam o guardião da lua, implorando com olhar, ainda que lacrimejando, para que ele não contasse aos demais quem havia colocado aquela magia neles.

O guardião da lua agora soltava um sorriso debochado, enquanto dava as costas para ambos e continuava fazendo o shakujõ desaparecer:

— Independente, não tenho como reverter algo assim –Explicou –Apenas a pessoa que colocou o feitiço. Até onde eu sei, as energias das pessoas que estão ligadas por esta fita precisa estar nivelada, para que consigam se distanciar e se movimentar de forma independente. Por outro lado, se essa pessoas começam a discutir e suas energias perdem sintonia, nivelamento, está fita os aproxima, embaraça, dificultando o distanciamento entre ambas

— Uau, isso é incrível –Comentou Sayo impressionada –Ambos são obrigados a trabalhar juntos e acertar as suas diferenças para conseguirem se distanciar um do outro

— Exatamente –Disse Tsuki

— Mas se depender desses dois, eles não vão se separar tão cedo –Comentou Taiyoo suspirando enquanto observava ambos discutindo e se aproximando cada vez mais

— Sua energia está muito alta! Se controla! –Mandou Midori enfurecida

— Por que você não tenta nivelar a sua energia com a minha?! Folgada!

— Seu grosso! Estúpido! É por isso que ainda estamos grudados!

— Estamos grudados por sua culpa! –Reclamou o rapaz enfurecido

Não demorou para que a fita os aproximasse mais, fazendo com que os seus lábios se encostassem, calando ambos, deixando-os totalmente sem reação, assim como os demais que observavam.

Corados, um encarando o outro, com os seus corações disparados, suas mãos suando, sem saber como reagir mediante aquela situação constrangedora, após alguns minutos ambos começavam a entrar em desespero, ainda que em choque.

E-eu não acredito…o meu primeiro beijo…!—Pensou Midori apavorada, ainda encarando o guardião da terra, que a encarava constrangido com os olhos arregalados

O-O que está acontecendo…? Isso…isso é um beijo…? O meu primeiro beijo…foi com a Midori…? —Se questionou com os olhos arregalados, chocado, constrangido e ainda meio confuso

Os guardiões observavam aquela cena, mas não constrangidos, pelo contrário, estavam encantados com aquela cena meiga dos adolescentes que aparentemente haviam acabado de dar o primeiro beijo.

Os amigos não sabiam se era o primeiro beijo; mas deduziram pela reação de ambos. Desta forma, Sayo comentou com Ayaka ainda que discretamente:

— São tão meigos, tão inocentes

— Não é? –Perguntou rindo discretamente –Nosso menininho cresceu –Se referiu ao Tsuchii

Ainda que com muito custo, o guardião da terra se separava da detetive, encostando sua bochecha na bochecha da mesma, ainda corado.

— Eu estou ouvindo vocês! Suas velhas fofoqueiras! –Xingou enfurecido –Ao invés de ficar falando besteiras, porque não tentam arranjar um jeito de nos separar?!

— Quem você chamou de velha?! –Perguntou Sayo estalando os dedos, ameaçando-o, fazendo-o engolir seco

— Calma Tsuchii, não precisa ficar constrangido desse jeito –Comentou Akio tentando se mostrar indiferente aquela situação e segurando o riso –Pelo que o Tsuki explicou vocês precisam nivelar as suas energias, certo? Ai não dá! Foi muito fofo! Você tá todo sem jeito –Riu ainda achando fofa a cena que havia presenciado

— Já chega! Para com isso! –Mandou enfurecido

— Eu nunca fui tão humilhada –Disse Midori de cabeça baixa –Tsuchii seu idiota…você tem noção de como eu estou me sentindo?! Sabe como eu esperei por esse momento?! Seu idiota! Você estragou tudo! –O xingou enfurecida, ainda corada

— E eu?! Como eu fico?! Se tem alguém egoísta aqui, esse alguém é você! “Como eu fico?!”. Eu estou sentido invadido, eu estou chocado! Acha que eu queria que fosse desse jeito…eu sou o mais humilhado aqui minha filha! –Gritou enfurecido

— Eu dúvido muito! Você sempre consegue o que quer! –Disse se aproximando mais do detetive

— Eu?! Eu não sou o filho do sócio majoritário da agência!

— Eu não recebo tratamento diferenciado por conta disso!

— Você é quem pensa! –Respondeu enfurecido

Agora os guardiões viam os detetives discutirem, notando que não se separariam tão cedo. Desta forma, Tsuki sugeriu:

— Hikari, seria melhor trocar de quarto com Tsuchii essa noite. Pelo jeito que os pombinhos andam, não vão conseguir se separar tão cedo, talvez só amanhã de manhã –Suspirou

— O quê?! –Perguntaram ambos desesperados

— Eu não vou dormir na mesma cama que ela! –Disse Tsuchii enfurecido

— Eu não confio nele! –Exclamou desesperada

— Mas não tem outro jeito –Disse o guardião da lua seriamente –Vocês dois sabem perfeitamente o que precisam fazer para se separar; mas insistem em ficar discutindo. Esse é o castigo de vocês, se é que pode chamar isso de castigo –Soltou uma risada debochada

— Soltou essa risadinha porquê?! Tá pensando no que seu monge depravado?! –Perguntou Tsuchii corado, ainda desesperado –Akio me ajuda, por favor, me ajuda! –Implorou

— Eu gostaria, mas o Tsuki está certo. Só há uma forma de resolver essa situação e vocês já sabem qual é. Mas o que eu posso fazer se vocês não estão dispostos a se entender agora? Paciência –Deu as costas –Só me resta desejar uma boa noite –Se virou para o guardião da terra e deu um piscada

— Ora seu…traidor…você me paga Akio! –Gritou o guardião da terra enfurecido –Pode ter certeza que eu sei muita coisa ao seu respeito que a Miyu não ia gostar de saber!

— Ora, é a sua palavra contra a minha –Respondeu despreocupado

— É a sua palavra contra as minhas provas!

— Ah…essas aqui? –Mostrou o celular do detetive em suas mãos e as fotos que o mesmo havia tirado dos contatos de canis, casas de adoção de cães no país da neve – Sabe Tsuchii, você é um excelente detetive, mas é uma pena que seja tão descuidado com as suas coisas –Comentou apagando as fotos

— Não! Não! Não! –Gritou desesperado vendo o guardião das águas pagando todas as fotos que havia tirado dos contatos do celular do mesmo

— Como você foi idiota –Comentou Midori suspirando

— Cala a boca!

— Bem Tsuchii, o seu celular está aqui na cômoda –Avisou Akio colocando-o sobre o móvel – Tenham uma boa noite e juízo –Disse malicioso

— Boa noite! -Desejaram Ayaka, Taiyoo e Hikari se retirando do quarto junto com o guardião das águas

— Se comportem –Provocou Sayo rindo enquanto saia do quarto

Após todos se retirarem do quarto e fecharem a porta, ambos suspiraram ao mesmo tempo, sentindo o mesmo alivio pelo grupo ter se retirado do quarto. Desta forma, a fita se afrouxou um pouco, permitindo ambos de tomarem uma distância mínima um do outro.

— Eu estou exausto –Comentou Tsuchii desviando o olhar, ainda sem graça com o que havia ocorrido há pouco –Quero dormir

— Acho que não vai ter outro jeito –Comentou desviando o olhar constrangida –Vamos ter que dividir a mesma cama essa noite. Vamos devagar, se andarmos depressa, as chances de…

— Ai você pensa demais! –disse andando para trás na direção da cama, ainda que rapidamente –O que?! –Gritou tropeçando no coturno da mesma e caindo na cama, enquanto soltava um grito assustado junto com a mesma

— Ai, ai…! Seu idiota…eu te avisei para não andar depressa –Murmurou aborrecida levantando o pouco que a fita permitia

Ao olhar para a detetive, o guardião da terra a viu por cima si, deixando-o sem reação. Os seus pulsos estavam praticamente colados um no outro, enquanto ambos trocavam olhares apaixonados, sem saber como reagir mediante aquela situação.

Diferente de quando todos estavam olhando, agora ambos não estavam tão desesperados como antes, apenas estavam tentando entender o que era aquele sentimento nascendo dentro de seus corações, que fazia com que ambos sentissem como se nascessem borboletas em seus estômagos.

Naquele momento Tsuchii começou a notar algo que não havia notado até então na detetive da Rokutsuchii: a mesma estava de fato se tornando uma mulher. Quando o mesmo pensou nisso, ele não pensou visando as suas medidas de busto, cintura ou quadril; mas sim os seus lábios rosados, a expressão de seu rosto, o formato, Midori não tinha mais feição daquela menina que ele conheceu quando tinha oito anos de idade.

Mas não foi apenas para o detetive que a ficha havia caído. Naquele momento, ao sentir o detetive bem próximo de si, a mesma pode sentir os seus músculos, o mesmo havia encorpado, estava se tornando um homem, o que até então a mesma não havia notado, pois só visava as suas atitudes.

Ao encostar em suas grandes e fortes mãos, Midori notou que o mesmo estava se desenvolvendo muito rápido, os seus dedos estavam tão longos, pareciam até mãos de um pianista. A mesma não sabia explicar, mas de alguma forma, sentia-se segura com o detetive.

Desta forma, ainda que involuntariamente, seguindo apenas a intuição de seu coração, por vontade própria Midori se deitou no peitoral do rapaz, deixando-o sem reação. Já o rapaz, ainda sem entender o que estava acontecendo, corava, com o coração disparado.

— O seu coração está batendo muito rápido –Comentou meio corada –O que foi?

— Isso é estranho…depois do que aconteceu –Respondeu encarando o teto –Quando as coisas mudaram desse jeito?

— Hm?

— Quando nós crescemos assim? –Perguntou desviando o olhar sem graça –Em um dia nós estamos montado castelinhos de areia no parque e treinando no abismo e no outro trabalhando numa agência de detetives…

— Foi tudo tão rápido, não é? –Perguntou encarando a janela sem graça

— Até demais…queria que o tempo parasse –Comentou agora segurando a sua mão

Ao sentir a mão do rapaz segurando a sua, a jovem corou violentamente, encarando-o. Não demorou para que o mesmo se virasse de lado, virando-a para frente de si. Ainda com as mãos dadas, em meios aquele silêncio constrangedor, ambos se encaravam, sem saber o que dizer.

— Acho que amanhã pela manhã o feitiço já estará desfeito. Procure descansar –Comentou o rapaz ainda de mãos dadas com a detetive–Precisamos levantar dispostos –Fechou os olhos lentamente

— Tem razão –Concordou também fechando os seus olhos –Tsuchii…

— O quê? –Perguntou com olhos fechados

— Foi o meu primeiro beijo –Confessou levemente corada

— Sinto muito por isso –Se desculpou –Se serve de consolo, também foi o meu –Confessou

Ainda em choque, a detetive abriu os olhos arregalados, ainda sem acreditar naquela confissão. Tsuchii já havia saindo com diversas garotas do colégio que eles estudavam, mas nunca havia ficado com nenhuma? Então tudo aquilo que diziam dele era apenas para criar uma fama? Midori não conseguia entender o sentido daquela mentira.

Mas se era assim, então o detetive não era tão safado experiente como se comentava na agência e no colégio. Assim como ela, o mesmo ainda não tinha muita vivência nessas questões amorosas, então não era tão mau-caráter como se comentava na agência, eram apenas boatos das companhias que ele andava.

Enquanto Tsuchii ia caindo no sono, Midori abriu os seus olhos e começou a encara-lo com carinho:

Talvez ele esteja tão assustado quanto eu nesta situação toda…Ele parece tão inocente enquanto dorme…

Não demorou para que aos poucos, Midori fosse fechando os seus olhos lentamente, até cair em um sono profundo ao lado do mesmo.

Na manhã seguinte, no hotel, após levantarem, todos os guardiões com exceção de Tsuchii e Midori, foram tomar café da manhã no restaurante do hotel.

Enquanto tomava o seu café puro na xícara de porcelana branca, Sayo escutava o toque de seu celular. Não demorou para que a mesma o retirasse do bolso da saia e atendesse:

— Alô?

— Mamãe! –Chamaram os filhos

— Keiichi? Kenji? Como conseguiram telefonar sozinh…

Não demorou para que Sayo começasse ouvir Kira no fundo, questionando os filhos sobre os que ambos estavam fazendo em seu escritório. Não demorou para que a mesma escutasse Keiichi confessando a ela pelo telefone, ainda soltando uma risada travessa:

— Mamãe, ligamos escondido!

— Estamos com saudades! –Respondeu Kenji tirando o telefone de Keiichi

— Meus amores, a mamãe também está com saudades –Respondeu com um doce sorriso em seu rosto, lembrando-se do rosto de seus filhos –Se comportem, está bem? Não deem trabalho para o papai –Pediu

— Quando voltar trará o Akuma?! –Perguntou Keiichi animado

— Veremos –Respondeu docemente –O papai está com vocês?

— É… -Responderam vendo pai atrás deles ainda com os braços cruzados

Não demorou para que Keiichi entregasse o telefone para o pai e saísse em disparada com o irmão gêmeo em direção ao jardim do palácio, ainda dando risada. Ainda soltando uma leve risada, não acreditando nas peraltices de seus filhos, Kira atendia o telefone, colocando-o na orelha:

— Sayo, amor, como você está?

— Com saudades de vocês –Comentou docemente

— Descobriram algo? Acharam alguma safira? –Perguntou agora sentando-se na cadeira de seu escritório –Soube que estão no país do fogo –Comentou

— Pois é, estamos na cidade das chamas douradas, hospedados em um hotel. Aproveitei e passei no palácio para fazer um visita ao meu pai e ao Ryujin –Comentou –Também aproveitei para perguntar se não haviam notado nada de estranho ou se não haviam escutado nada a respeito da safira do fogo

— Entendo, foi um ideia, desta forma você não gastam tanto tempo procurando –Comentou ainda encarando a foto da família que estava em um porta retrato sobre a sua mesa –Eles sabem de algo?

— Só encontramos com o Ryujin e ele disse que as cidade das chamas azuis está em estado de alerta e está sendo evacuada. Parece que o vulcão corre o risco de entrar em erupção –Comentou pensativa

— O vulcão das chamas azuis?! Mas ele não está adormecido? –Perguntou surpreso –Além disso, há boatos que existe um monstro celestial aprisionado dentro daquele vulcão…espera! Vocês acham que causa dessa possível erupção…

— …pode estar sendo provocada pela energia emanada da safira do fogo –Comentou seriamente –Hoje partiremos para o vulcão, Tsuchii mergulhará na lava para verificar a área, protegido por uma barreira criada por Hikari

— Nossa…isso parece arriscado… -Comentou preocupado

— A magia dele é resistente ao fogo, então não haverá grandes problemas –Comentou tentando tranquiliza-lo, soltando uma leve risada

— De qualquer forma você precisam tomar cuidado, não sabemos se há mais alguém atrás dessas safiras –Comentou Kira seriamente –Ouvi boatos que há muitos saqueadores naquelas áreas, apesar de…bem…não sei porque estou me preocupando, vocês acabam com qualquer saqueador em menos de três minutos, esse seria o menor dos seus problemas –Riu

— Você tem razão –Concordou rindo –Eu preciso desligar, se cuida está bem? E não seja muito bonzinho com os meninos, principalmente com Keiichi, se você deixar, ele abusa

— Você acha que eu não conheço os nossos garotos? –Perguntou observando os mesmo prontos para assustar um dos guardas que tirava um cochilo encostado na parede – Meninos! Nem pensem nisso! Vão brincar no jardim! –Mandou antes aprontarem mais uma travessura

Logo ambos saíram em disparada, ainda soltando um gostosa risada infantil, aquecendo o coração da guardiã do fogo, que podia escutar do outro lado da linha.

— Se cuida, minha imperatriz –Pediu Kira carinhosamente –Estamos esperando por você

— Farei o possível para voltar o mais breve possível –Respondeu com um leve sorriso –Eu te amo

— Eu também

Não demorou para que ambos desligassem e Sayo guardasse o celular no bolso do cinto. Agora Taiyoo encarava a mesma, que carregava um leve sorriso apaixonado nos lábios e comentava:

— Vocês realmente deram certo, não é Sayo?

— Sim –Respondeu meio corada –Acho que ele e as crianças me tornam um mulher melhor e mais forte todos os dias

— Isso é tão fofo –Comentou Hikari encantada –Eu sinto a mesma coisa com o Renji

Enquanto conversavam, Ayaka e Tsuki notaram que Akio estava olhando alguma coisa em seu celular, enquanto bebia o seu café. O mesmo parecia um tanto focado no que estava fazendo, então, desta forma ambos se aproximaram do guardião das águas, vendo que o mesmo estava pesquisando alguns cachorros.

— Está procurando cachorro? –Perguntou Tsuki estranhando, ainda arqueando uma sobrancelha, estranhando o fato do guardião estar procurando por um cão

— Espero que não seja para o palácio, para o seu próprio bem –Comentou Ayaka antes de beber um gole de café –O que você está tramando, Akio?

— Eu prometi para a Harumi –Comentou ainda rolando a página do site de adoção de cães –Que quando voltasse, traria um cachorrinho de presente para ela

— Você o quê?! –Perguntou Ayaka quase cuspindo o café –Akio, a Miyu sabe desta “negociação” que você fez com a Harumi? –Perguntou

— Se ela soubesse, você acha que eu estaria aqui com você hoje? –Perguntou encarando a guardiã do vento –Com certeza estaria todo quebrado na minha cama

— Você não tem juízo –Comentou Ayaka colocando a mão na testa -E onde você quer pegar esse cachorro?

— Para falar a verdade eu estava pensando em adotar um –Comentou pensativo –A verdade é que existem muitas instituições que acolhem cães e gatos abandonados e tratam deles, para que eles sejam adotados

— É um ato muito nobre destas pessoas –Comentou a guardiã do vento tocada com o ato das instituições –Há muitos animais que são abandonados por seus donos e que são maltratados durante as madrugadas, por pessoas que estão totalmente fora de si. Saber que existem essas instituições que cuidam destes animais, para que eles não morram e tenham um vida melhor é algo que dá um refrigério na alma –Comentou com um doce sorriso no rosto

— E é por isso que eu quero adotar –Respondeu –Além disso, já faz um tempo que a Harumi vem me pedido um cachorro e ela anda se sentindo meio sozinha. Eu sei que no começo a Miyu vai ficar contrariada, mas quando ela ver que a Harumi não se sentirá mais tão sozinha naquele palácio por conta da ausência dos meninos, ela vai acabar entendendo e aceitando –Soltou um leve sorriso confiante

— Entendo –Respondeu Ayaka sorrido –No fim servirá como uma espécie de terapia para a Harumi, não é? Até que ela se acostume com ausência do Ken e do Meguri e não se sinta tão entristecida com isso

— Exatamente –Respondeu sorrindo

Não demorou para o guardião das águas olhar para o restante da mesa e dar falta dos detetives, que ainda não haviam descido para tomar café da manhã.

— Ué? Aqueles dois ainda não desceram? –Perguntou Akio

— Será que tiraram o atraso ontem à noite? –Perguntou Tsuki debochado –Olha que estavam bem nervosinhos

— Não diga besteiras! Acabaram de entrar na adolescência! –Disse Sayo ainda chamando a atenção do guardião da lua

— Ora, vai me dizer que aos seus dezesseis vocês era uma puritana? –Perguntou debochado a guardiã do fogo –Não foi o seu pai que te colocou no convento por conta das suas rebeldias, que diga-se de passagem, não estavam ligadas à apenas matar aula –Bebeu um gole de café encarando-a malicioso

— E-eu não sei do que você está falando –Respondeu tentando disfarçar ainda meio corada –E você precisa pensar que eram outros tempos, a geração deles não é como a minha –Comentou meio constrangida

— Mas o ponto é que: dois adolescentes desta idade no mesmo quarto é um perigo –Comentou Akio pensativo –Mas o que podemos fazer? –Perguntou soltando uma leve risada

Enquanto isso, no quarto dos detetives, ambos se encontravam completamente adormecidos sobre a cama de casal. Tsuchii despertava lentamente, sentindo um doce cheiro que vinha dos cabelos de Midori.

Que cheiro bom…tão doce…—Pensou abrindo os olhos lentamente, visualizando a mesma dormindo em seu braços, ainda de costas para ele –O quê?! —Pensou assustado, agora com os seus olhos arregalados, ao notar que haviam dormido a noite inteira de conchinha

Mesmo agora tentava se separar da detetive, sem acorda-la, pois sabia que se a mesma os visse abraçados daquele jeito, iria pensar que o mesmo estava se aproveitando ou algo do gênero. Ao puxar um pouco o seu braço, Tsuchii viu a mesma se virando para si e aconchegando em seu peitoral, fazendo-o gelar:

O-O que eu vou fazer agora?! Ela tá encostada em mim!—Pensou desesperado vendo-a segurar a sua camisa –Mas…isso não é ruim…

Tsuchii sentia o seu coração se acalmar e ao mesmo tempo se aquecer. Não demorou para que o mesmo encarasse o rosto da mesma, enquanto está se encontrava adormecida. Ela parecida tão indefesa, o mesmo sentia vontade de protege-la, mesmo não entendo o motivos disso.

Ao notar que a mesma começava a despertar, o mesmo entrou em pânico, afinal, não queria começar o dia apanhando por acordar abraçado com ela. Desta forma, o mesmo fechou os olhos, ainda com um frio na espinha, simulando estar adormecido.

— Hm…? –Perguntou Midori se levantando –Já é de manhã? –Questionou sonolenta

Graças a Cristal…! Ela não percebeu que já estou acordado!—Pensou o detetive ainda fingindo estar dormindo

Logo o mesmo sentiu a mesma sacudindo-o, ainda chamando-o, ainda assim o mesmo demorou para responder, afinal, precisava convence-la que estava de fato adormecido:

— Tsuchii! Tsuchi! –Chamou

— Hmmm…? Só mais cinco minutos… -Se virou para o outro lado abraçando o travesseiro

— Já é de manhã –Respondeu se sentando na cama –Além disso, acho que dormirmos demais

— Mesmo? –Perguntou se levantando esfregando os olhos –Então acho melhor nós descermos. Pelo jeito as nossas energias se nivelaram –Se levantou

— Parece que sim –Comentou calcando o coturno

Agora o rapaz calçava os seus sapatos, ainda pensando no beijo que havia ocorrido na noite anterior, afinal, aquele havia sido o seu primeiro beijo. Aquela cena não saía da sua cabeça, afinal, várias questões não saiam da sua cabeça: será que ela havia gostado? Será que tinha sido bom? Não deve ter sido melhor beijo devido as circunstâncias, mas será que foi tão ruim quando ele estava imaginando que foi? O mesmo estava extremamente constrangido com aquilo, afinal, o que ela pensaria dele? Como ficaria a sua fama? Não, ele precisava tirar essas dúvidas com a detetive naquele momento que ambos estavam a sós.

Enquanto isso, Midori caminhava até o banheiro e ao entrar fechou a porta. Lá dentro a mesma tirou o seu pijama, o dobrou e guardou na mochila. Em seguida, a mesma começou a vestir o seu uniforme de detetive, enquanto se recordava do seu primeiro beijo, ainda corada.

Após vestir sua roupa, a mesma prendeu os seus cabelos em um alto rabo de cavalo, ainda se olhando no espelho, sem conseguir tirar a cena do beijo de sua cabeça. Ainda constrangida, a mesma levou os dedos de forma leve até os seus lábios avermelhados, enquanto se soltava um doce sorriso, pensando:

Até que não foi tão ruim…

Ao vê-la sair do banheiro, ainda carregando a sua mochila nas costas, Tsuchii se colocou na sua frente, ainda meio corado, provocando estranheza na mesma.

— O que foi? –Perguntou indiferente

— Eu quero saber… -Disse desviando o olhar corado

— Hm? –Perguntou sem entender

— Eu quero saber…se foi bom…

— Se foi bom…? –Perguntou sem entender ao que o amigo de infância estava se referindo

— O beijo! Olha, eu sei que não foi do jeito que vocês garotas idealizam! –Coçou a cabeça constrangido –Mas…qual é Midori?! Não deve ter sido tão ruim!

— Ruim? –Perguntou estranhando a preocupação do mesmo –Bem, a verdade é que eu não tenho como te responder isso agora, Tsuchii –Respondeu passando pelo mesmo se fazendo de difícil

— O quê? –Perguntou estranhando a resposta da mesma –Como assim?!

— Ora…eu simplesmente não tenho outros parâmetros para dizer se o seu beijo foi bom ou ruim. Para descobrir, eu teria que ficar com outros meninos –Respondeu saindo do quarto

— O-O que?! –Perguntou sentido o chão desmoronar abaixo de seus pés, como se o mesmo estivesse caindo em um profundo abismo

Ao chegar no restaurante do hotel, a mesma se encontrou com o grupo de guardiões, ainda um tanto constrangida pelo o que havia ocorrido na noite anterior. Apesar disso, Midori sabia que o melhor era agir como se nada houvesse acontecido e tratar todos normalmente:

— Bom dia

— Bom dia –Responderam com um sorriso malicioso

— E o Tsuchii? –Perguntou Akio –Não me diga que o deixou para trás –Comentou enquanto a mesma verificava o cardápio

— A partir do momento que a fita se estica, nos permitindo transitar livremente, é cada um por si –Respondeu tentando se mostrar indiferente

Logo o grupo viu o rapaz chegando, totalmente cabisbaixo no restaurante do hotel, com uma energia assombrosa, contaminando o ambiente:

— Que baixo astral –Comentou Sayo com Ayaka, ainda encarando o guardião da terra

— Será que aconteceu alguma coisa? –Perguntou Ayaka a guardiã do fogo ainda que discretamente –Ele parece deprimido

— Pra mim levou um fora dela –Comentou Tsuki debochado

Um fora?—Pensou Akio encarando o guardião da terra com uma feição de derrota em seu rosto

Após os detetives tomarem café, o grupo pagou a conta e se direcionou para o lado de fora do hotel. Não demorou para que Sayo assobiasse, invocando Akuma, que agora aparecia diante do grupo:

— Akuma, por favor, nos leve a cidade das chamas azuis

— Eu vou no Ryu no Mizu –Avisou Akio invocando o dragão de água –Tsuki, você vem comigo? –Perguntou

— Sim –Confirmou

— Eu também vou –Comentou o guardião da terra caminhando até os guardiões

— Hein? O que houve de repente? –Perguntou Sayo subindo junto com os demais sobre o animal celestial –Você não teve problemas com o Akuma da última vez

— Acho que o problema dele é outro –Comentou Taiyoo discretamente soltando uma leve risada, se referindo a Midori

— Ah…entendi… -Respondeu entendendo que o rapaz precisava de um momento a sós com os rapazes –Bem, nos encontramos no vulcão então! Vamos, Akuma! –Pediu a guardiã do fogo

Desta forma o lobo partiu, sobrevoando os céus, enquanto que o guardião das águas, da lua e da terra subiam em Ryu no Mizu. Tsuchii agora se sentava de perna de índio no corpo do dragão, enquanto Tsuki permanecia de pé sobre o ser celestial, virado para o lado oposto e Akio estava localizado mais adiante.

— Vamos Ryu no Mizu, siga o Akuma, por favor –Pediu o Akio

O animal celestial agora soltava um alto rugido e começava a sobrevoar os céus seguindo o lobo de fogo.