Agora todos encaravam a espadachim seriamente, já que aquele era um assunto bastante delicado, afinal, se as joias haviam mudado, isso significava que seu deus também havia se tornado outro.

— Então agora temos outro deus –Comentou Tsuki seriamente

— É o que parece –Respondeu a espadachim –Acho que Fujiro pode explicar melhor o que aconteceu, já que ele veio especificamente para isso

— Sim –Respondeu seriamente – Eu e Tsuchii andamos pesquisando melhor sobre o assunto. Ao que parece, segundo o oráculo, Cristal e Demon estão presos no submundo, para ser mais preciso, foram petrificados

— Petrificados? –Perguntou Sayo curiosa

— Segundo a lenda, Demon já foi condenado uma vez por Safira –Comentou Tsuki seriamente –Os motivos da sua condenação são desconhecidos; mas o ponto é que ele conseguiu escapar. Talvez tenha petrificado eles para se certificar que não iriam fugir de sua sentença

— Faz sentido –Comentou Tsuchii

— A grande questão aqui é que há uma forma de libertar Cristal –Comentou Fujiro seriamente — Precisamos reunir as vinte e uma joias para invocar Safira

— C-Como?!?!?! –Perguntaram todos se levantando surpresos, com a exceção de Tsuchii, Akio, Midori e Miyu

— Enlouqueceram?! –Perguntou Sayo –Quase morremos tentando reunir os cristais, o que dirá as outras joias!

— Sem contar que não fazemos ideia de como viajar até Rubricos ou Alpha –Comentou Taiyoo – Isso se, de fato, esses mundos existirem

— Não tenha dúvidas disso –Comentou Tsuki –A prova disso é o Akio

— Akio? –Perguntaram todos olhando para o guardião

— O-O que eu tenho haver com isso? –Perguntou sem entender

— Como pode ser tão idiota? –Perguntou –Sabe como o seu pai conheceu a sua mãe?

— Na praia –Respondeu –Mas o que isso tem a ver?

— Então ele não te contou, não é mesmo? –Perguntou –Ou está se fazendo de desentendido para manter o segredo de sua família?

— Segredo? –Perguntou Miyu encarando-o seriamente

— Akio, está escondendo algo de nós?! –Perguntou Sayo desconfiada

— Akio! –Chamou Tsuchii nervoso

Akio se via sem saída, para o bem de seu mundo precisava contar o segredo de sua família, por sua filha e sua esposa.

— Minha mãe era uma sereia –Contou suspirando

— O que?!?!?! –Perguntaram todos chocados

— C-Como isso é possível? –Perguntou Ayaka quase caindo para trás

— E tiveram dois filhos! –Comentou Taiyoo não acreditando no que ouvirá

— Espera seu pai não era humano?! Imperador?! –Questionou Sayo indignada

— Meu bisavô a transformou em humana e a deixou aos cuidados do meu pai –Respondeu nervoso

— Sabia disso, Miyu? –Perguntou Fujiro

— Sabia que tinha contato com o Tritão; mas não que o Tritão era o seu bisavô –Respondeu a espadachim encarando o marido –Como não me contou isso?

— É complicado –Respondeu seriamente –Prestem atenção, minha mãe era guardiã assim como eu, só que ela era responsável pela esmeralda do redemoinho. Segundo o meu pai me contou, ela disse que as esmeraldas mantém o equilíbrio da natureza, no caso de Alpha. Se forem retiradas, desastres naturais ocorrerão naquele mundo –Explicou

— Interessante –Comentou Tsuchii –O mesmo ocorre conosco

— Sendo assim, as regras valem para todos os mundos –Comentou Midori seriamente -Então pelo jeito não será tão fácil pegar as demais joias

— Concordo –Comentou Sayo seriamente –Precisaríamos entrar em negociação com as autoridades dos outros mundos

— E isso não será tão fácil –Comentou Taiyoo –Não podemos nos esquecer que são mundos totalmente desconhecidos para nós, não sabemos o que podemos encontrar, como as pessoas se comportam e que tipo de criaturas habitam por lá

— Havia uns livros –Comentou Tsuki pensativo –Com certeza Michiko deve ter escondido para que os oráculos não destruísse. Por hora é melhor não comentar sobre isso

— Disse algo, Tsuki? –Perguntou Miyu

— Não –Respondeu –Já que vocês insistem nessa besteira de invocar Safira, seria melhor que por hora focássemos apenas nas safiras

— Sou de acordo –Disse Tsuchii –Depois estudarmos um pouco mais sobre os outros mundos e como viajar até eles

— E quando partimos? –Perguntou Hikari

— Já está tarde para sairmos em viagem –Comentou Akio –Vocês devem estar cansados, é melhor descansarem, afinal, não sabemos quem podemos encontrar durante essa busca

— É verdade –Concordou Miyu – Demon pode estar preso no submundo; mas ainda assim, há serviçais soltos pelo mundo

— A Miyu tem razão –Comentou Fujiro –Precisam estar dispostos

— Se quiserem podem passar a noite aqui –Convidou o imperador

— Nós aceitamos –Aceitaram os guardiões

— A propósito, Miyu –Chamou Tsuchii –Você virá conosco? –Perguntou

— É melhor eu ficar –Respondeu –Harumi se sentiria muito sozinha se nós dois fossemos viajar ao mesmo tempo

— Não faz muito tempo que o Meguri partiu para o país do raio para treinar com o pai –Comentou o guardião –Ela anda se sentindo muito sozinha

— Pobrezinha –Comentou Taiyoo

Agora todos viam a porta ser aberta pela princesa que acabará de voltar do colégio. Logo a mesma encarou os guardiões envergonhada e pediu:

— Com licença

— Harumi? –Perguntou Miyu –Voltou sozinha?

— A Mayumi foi me buscar –Respondeu – Taiyoo! O Ken veio com você? –Perguntou animada

— Infelizmente não –Respondeu a guardiã do sol – Mas da próxima vez prometo trazê-lo comigo –Respondeu sorrindo

— Tá –Respondeu entristecida

Agora Akio se aproximava da filha e se abaixava na altura da mesma:

— Harumi, o papai e a mamãe estão no meio de uma reunião muito importante. Por que não sobe e troca de roupa? Depois o papai precisa conversar com você

— Eu fiz algo de errado? –Perguntou preocupada

— Claro que não –Respondeu sorrindo –Agora vai –Pediu

— Tá –Respondeu dando meia volta e saindo da sala

Agora todos observavam a menina saindo da sala, ainda com os olhos brilhando, completamente derretidos pela doçura daquela princesa.

— A Harumi está tão linda –Comentou Sayo com os olhos brilhando

— Minha princesinha –Comentou Akio sorrindo, ainda babando pela filha –Tão doce

Ela me lembra a Miyu quando pequena —Se recordou Fujiro com um leve sorriso no rosto –Carrega a mesma doçura da nossa mãe…

Enquanto os demais comentavam sobre a princesa e sobre os seus filhos, Miyu notou que Fujiro estava um leve sorriso em seu rosto. Ainda que discretamente, a mesma se aproximou do irmão e questionou:

— O que foi? Parece ter se lembrado de algo bom

— O sorriso da Harumi –Comentou –É o mesmo sorriso doce que nossa mãe carregava em seus lábios –Disse se recordando da mesma, ainda que com um nó na garganta

— Fujiro… -Chamou a espadachim notando o quanto o mesmo se martilhava por ter arrancado a vida mesma –Eu tenho certeza que de onde ela está, ela estará sempre zelando por nós e nosso pai, carregando o mesmo sorriso –Tentou confortá-lo

— Será que eu sou digno deste zelo? –Se questionou ainda aflito

Fujiro…—Pensou a espadachim notando o grande remorso que o irmão ainda carregava por ter assassinado a própria mãe e milhões de pessoas inocentes naquele massacre ao clã Shiroi

Agora Akio se levantava do sofá, encerrando a reunião a respeito das safiras:

— Muito bem, amanhã partiremos em busca das safiras. Aproveitem o restante do dia para descansarem, sintam-se em suas casas –Disse o imperador caminhando até a porta –Até amanhã pessoal

Desta forma, Akio se retirou da sala de estar e saiu em procura da governanta do palácio, Mayumi, para pedir a mesma para que providenciasse os quartos de hospedes e um grande banquete para os guardiões.

Escondida atrás das longas cortinas do hall do palácio, Harumi escutava os guardiões conversando entre eles enquanto que saiam da sala de estar. Ao sair do cômodo, Fujiro olhou adiante e viu dois sapatos atrás da cortina, ainda que se mexendo.

O mesmo cutucou a espadachim que perguntou ao irmão o que estava acontecendo e o mesmo apenas apontou o dedo indicador para os pés da sobrinha. Ao ver a espadachim riu, pensando em como sua filha era espertinha, afinal, sabia que havia algo de errado para o seu pai querer ter uma conversa com ela depois.

— Fujiro, eu deixei uma coisa atrás da cortina, pode pega-la para mim? –Perguntou a espadachim fingindo que não sabia que a filha estava ali

— Claro –Respondeu indiferente, caminhando até a cortina e puxando-a –Olha…quem diria… -Ironizou revelando o esconderijo da menina

— Tio! Você me achou! Tá com você! –Encostou no mesmo, simulando uma brincadeira de pega-pega

— Desde quando você se esconde em pega-pega? –Questionou indiferente

Ainda sem graça e sem respostas a mesma ria, ainda olhando para o lado lentamente, encarando a mãe olhando para a mesma de braços cruzados, questionando:

— Estava ouvindo por de trás da porta?

— O papai vai viajar? –Perguntou entristecida

— Ele conversará com você mais tarde –Respondeu a mãe caminhando até a filha e abaixando na sua altura –Harumi, o seu pai tem uma missão muito importante para realizar junto com os outros, ele precisa ir

— Mas eu não quero que ele vá! O Meguri e o Ken foram embora! Porque ele também tem que ir?! –Questionou irritada

— Será por pouco tempo –Respondeu acariciando o seu rosto –E neste tempo eu ficarei aqui cuidando de você –Explicou

Ainda emburrada, Harumi encarava a mãe, totalmente contrariada ao fato do pai ir viajar para essa missão, afinal, ambos eram muito unidos. Ele sempre a ajudava com a lição de casa, brincava com ela quando tinha tempo disponível, assistia filmes com a mesma e até aprendeu a fazer penteados com irmã para fazer na filha, quando a esposa estivesse em missão.

Harumi não gostava da ideia do mesmo ficar longe um dia sequer, para ela o fato do pai viajar significava que nunca mais voltaria, assim como aconteceu com Meguri e Ken naqueles últimos meses.

Ainda contrariada, a menina deu as costas para a mãe e subiu as escadas emburrada. Não demorou para que Akio cruzasse com a filha na escada, se perguntando o que havia acontecido para a mesma estar com aquele mau-humor.

Não demorou para que o mesmo se aproximasse da esposa e do cunhado e questionasse:

— O que deu na Harumi? Deu alguma bronca nela? Ela estava com a cara tão emburrada

— Ela escutou a nossa conversa com os guardiões –Contou a esposa suspirando –Ela sabe que você vai viajar em busca das safiras. Ela simplesmente não quer que você vá, tem medo que você não volte igual o Meguri e o Ken –Comentou ainda preocupada com a filha

— O Ken só vem para o palácio no período de férias, mas como suas notas abaixaram o seu pai o proibiu de voltar aqui até as suas notar melhorarem. Já o Meguri teve que ir treinar com o pai no país do raio e nem a Mayumi sabe se um dia ele voltará ao país das águas –Comentou suspirando –Ela disse que o pai dele é muito severo nos treinos

— Isso não é bom –Comentou Fujiro se lembrando de como Demon o pressionava a treinar, ainda se passando por seu pai –Eu sempre fui muito pacifistas, desde menino, o que não comum em um clã de assassinos, ainda mais vindo do filho primogênito do líder dos Shirois

— Fujiro… -Chamou Miyu surpresa com o relato do irmão, afinal, ele era muito habilidoso com a espada, até mais do que ela mesma

— Apesar de tudo, os nossos pais sempre me deixaram livre para escolher o meu caminho, sem nenhuma espécie de julgamento. Mas quando Demon tomou o corpo de nosso pai…ele me viu como uma arma de combate e me forçou a treinar com ele. Era um árduo treinamento, com um estilo que eu odiava, um estilo para arrancar vidas, era desumano

— Não sabia que havia passado por isso –Comentou Akio imaginando a angustia do espadachim –Como Demon pode fazer isso com um menino? –Se questionou escandalizado

— Ele queria destruir os Shirois e o que melhor do que o filho do líder? –Questionou –Eu recebi um treinamento básico do meu avô materno, Shiroi Kiyoko. Mas era um estilo para proteção e não assassinato. Quando o nosso pai teve o seu corpo tomado, logo depois que a Miyu nasceu, ele começou a insistir que eu precisava treinar com ele e nossa mãe o confrontou, dizendo que ele não podia decidir isso por mim. Desta forma, ele começou a agredi-la

— O que?! –Perguntou Miyu surpresa

— Aquele desgraçado

— Quando eu notei que não tinha forças o suficiente para defende-la daquele monstro, eu decidi que aprenderia a lutar para proteger ela e a Miyu dele. Foi ai que o Tsuki apareceu e me ofereceu o seu treinamento. A minha mãe já conhecia a fama dos monges Tsuki, afinal, Seiji o guardião da lua antecessor a Tsuki era um dos guardiões mais poderosos da geração da era de diamante –Explicou

— Então foi assim que você começou a treinar com o Tsuki? –Perguntou a espadachim –Tudo o que você fez…

— Foi por vocês –Disse o mesmo abaixando a cabeça –Mas o meu ódio e minha obsessão em protege-las era tamanha que me cegou, fazendo com que eu matasse a minha própria mãe, acreditando que assim…eu a salvaria de um sofrimento maior…que era o desgosto de ter um filho assassino

— Fujiro, você já está tendo a sua redenção –Disse Miyu segurando o seu rosto com carinho –Quando aquilo aconteceu…você era um menino, não sabia o que estava se passando, você presenciou coisas que nenhuma criança ou adolescente devia presenciar –Disse encarando os seus olhos cor de mel

— Eu só espero que não tenham mais crianças passando pelo o que eu passei naquela época –Suspirou

Enquanto isso, em um dos quartos de hospedes do palácio, Tsuchii estava deitado sobre a cama, encarando o teto, refletindo a respeito do que havia sido discutido naquela reunião a respeito da viagem que fariam no dia seguinte.

Os cristais se tornaram Safira… será que ela sabia de alguma coisa a respeito? Deve ter notado a diferença; mas se é assim… porque não me comunicou?—Se perguntou o guardião agora se levantando da cama – Eu não tenho o respeito de ninguém naquele templo…acha que pode fazer o tem vontade; mas eu vou dizer umas verdades para ela… quem ela pensa que é?!—Pensou enfurecido agora se lembrando de uma certa pessoa que estava escondida no subsolo do tempo

Agora emburrado o mesmo se levantava e se retirava do quarto. Não demorou para que o guardião da terra se dirigisse até o quarto onde a jovem detetive, Midori, estava acomodada.

— Ei! Vou entrar! –Avisou abrindo a porta

Ao entrar no quarto o mesmo se deparou com a parceira de missão sentada na frente da escrivaninha, analisando alguns relatórios pendentes de missões anteriores. Ainda utilizando óculos, a detetive lia a ficha de alguns criminosos e relatava na folha o envolvimento no crime.

Sem chamar a atenção da amiga o mesmo fechou a porta cuidadosamente e ainda vagarosamente se aproximou da jovem, observando-a trabalhar.

— Oooooiii! –Cumprimentou assustando a mesma

— O que você quer?! –Perguntou ainda com o coração acelerado por conta do susto –Não percebeu que eu estou trabalhando? Devia estar fazendo o mesmo ou pelo menos estudando para as provas do colégio –Começou a guardar os relatórios

— Credo garota, parece a minha tia falando –Suspirou sentando-se na cama da mesma –Você não pensa em outra coisa? Estamos livres da escolta por um tempo ilimitado, podemos fazer o que nós quisermos

— Primeiro, eu estou livre de escolta, você não –Respondeu se levantando da cadeira –Caso tenha se esquecido, a sua escolta sou eu. Segundo, não estamos aqui de férias

— Tenta curtir um pouco –Aconselhou –Você está levando o trabalho a sério demais

— Eu mato um leão por dia naquela agência, diferente de você, que consegue o que quer usando o seu deboche ridículo –Disse a mesma suspirando

— Ué? É só ser debochada também –Comentou sentando de perna de índio na cama – Você é boa quando usa disso comigo

— Isso não funcionaria com o sócio majoritário da agência –Comentou começando a ficar impaciente com a inocência do amigo

— Mas ele não é o seu pai?! Qual é?! Tudo bem que em grande parte das vezes você é amedrontadora, mas deve conseguir fazer uma carinha de bichinho de pelúcia as vezes –Comentou pensativo

Ao ouvir tais palavras extremamente insensíveis, Midori se enfureceu. O detetive não tinha noção o quão difícil foi para que ela entrasse naquela agência, pelas provas e humilhações que precisou passar. A mesma levava o seu trabalho muito a sério e agora o mesmo estava aconselhando a mesma a usar de sua doçura, para se beneficiar, ainda mais sendo o seu pai o sócio majoritário? O mesmo perdeu uma boa oportunidade de ficar calado.

— Se soltar o seu cabelo e tirar os óculos…talvez se fazer um beicinho…quem sabe?

No lado de fora do quarto, ainda no corredor, Akio caminhará até o quarto da filha. O mesmo ainda pensará no que Fujiro contará sobre o seu passado, questionando-se no quão difícil deve ter sido a vida do Shiroi.

Não demorou para que Akio visse Tsuchii ser arremessado contra a parede do corredor, enquanto soltava um grito de dor. Sem entender o que estava acontecendo, Akio se aproximou do guardião da terra e perguntou:

— Ei! Você está bem?! –Perguntou vendo a testa do mesmo sangrar

— Aquela… filha da mãe… -xingou enfurecido, ainda de cabeça baixa -…Midori, quem você pensa que é?! Se quer brigar vamos fazer isso lá fora! De forma justa! Sua covarde! –Gritou nervoso

— Hein? –Perguntou Akio sem entender nada

Agora ambos estavam no quarto do guardião da terra. Akio colocava um pouco de gelo no galo que havia feito em sua cabeça, ainda surpreso com a força da detetive.

— O que você fez? –Perguntou Akio vendo o tamanho do galo na cabeça do amigo –Ela deve ter ficado muito nervosa…

— É uma estúpida, é isso que ela é–Comentou nervoso –Tudo porque eu disse para usar o charme dela…

— Usar o charme dela? –Perguntou Akio curioso –Espera ai, me explica direito

— Ela alega ter tido muitos problemas para conseguir a posição que tem hoje na agência, mesmo o pai dela sendo o sócio majoritário. Na verdade, a Midori queria fazer parte da equipe de investigação, lutar, mas o pai a colocou na equipe de pesquisa, trancafiada em uma sala, arquivando dados e dados

— A barrou –Comentou seriamente –Que coisa horrível

— Sim –Confirmou suspirando –Eu disse para ela usar o charme dela, soltar os cabelos e usar a cara de ursinho de pelúcia. Mas ai essa troglodita me acertou com um soco no meio da cara –Comentou nervoso

Neste momento, Akio entendeu perfeitamente a detetive, afinal, estava claro que a mesma estava sofrendo uma espécie de discriminação da parte do próprio pai; mas a pergunta era a razão desta atitude. Ele não conseguia entender.

— Não tiro a razão dela –Respondeu suspirando –Será que não percebe o que está acontecendo? Por alguma razão ela está sendo alvo de preconceito dentro da agência –Comentou seriamente

— Isso é ridículo –Riu Tsuchii –Eu mesmo converso com todos daquela agência e te garanto que…

— É diferente –Respondeu encarando-o seriamente –Você ainda não notou isso, mas um dia irá perceber. Com certeza a Midori deu muito duro para entrar na agencia de detetives e teve que aguentar muitas coisas, por isso leva o trabalho dela muito a sério. Deveria respeitar isso

— Respeitar? –Perguntou sem entender

— “É a chata que pega no meu pé”, pois para mim parece mais a baba de um menino irresponsável e mimado por essa agência –Comentou indiferente

— O que?! Quem você pensa que é para falar assim?!

— Alguém que te conhece o suficiente para ver que não amadureceu muito nesses últimos anos –Suspirou –Tsuchii, eu acho ótimo que esteja seguindo com essa carreira de detetive, mas precisa tomar cuidado com quem está andando, você não costuma ser desse jeito -Comentou

— Eu sou o mesmo que vocês conheceram há seis anos atrás, tá? Ela precisa relaxar um pouco e aproveitar um pouco as oportunidades que tem de curtir a viagem. Sabe o quão raro isso é?

— Primeiro, isso não é um excursão ou uma viagem de férias, é uma missão –Disse seriamente –Precisa ser responsável. Eu sei que na sua idade tudo o que você pensa é em festa, diversão, mas você não pode esquecer das suas obrigações como guardião. Leve isso a sério, como levou a seis anos atrás, do contrário, é melhor arranjar um sucessor

— O que deu em você afinal?! Está falando como se fosse o meu pai ou algo assim –O olhou de cima para baixo –Nem parece aquele mulherengo que conhecemos durante aquela viagem…

— As pessoas mudam, Tsuchii –Respondeu seriamente –Elas crescem, vivem suas experiências e amadurecem. Agora eu tenho outras prioridades, tenho uma família para proteger e isso é uma responsabilidade muito grande, sabia?

— Acho que isso nunca vai acontecer comigo –Riu se jogando na cama –Eu sou tipo de cara que gosta da liberdade que possuí, não me vejo preso a uma única mulher pelo resto da minha vida

— É mesmo? –Perguntou sem se convencer das palavras do guardião da terra – Eu vi o jeito que a encarava hoje na reunião, só faltou babar, pelo menos disfarça –Comentou debochado

— O que? –Perguntou se levantando rapidamente, ainda corado

— Você está descobrindo o que é o amor –Respondeu –Sabe o que eu acho? Eu acho que essa raiva da Midori não passa de um grande amor encubado –Sorriu malicioso

— Sem chances! –Respondeu enfurecido –Repete isso de novo e eu te quebro –Respondeu enfurecido fechando os punhos

— Certo, certo –Respondeu caminhando até a porta do quarto dando risada –Olha, só toma cuidado com as suas palavras e tente entende-la. Outra coisa, leve essa missão mais a sério, isso não é um passeio –O lembrou enquanto se retirava do quarto

Ainda emburrado, o guardião da terra observava o imperador se retirar do quarto, se perguntando o motivo do guardião das águas ter ficado tão chato. Ele estava tão responsável. Pegando no seu pé, chamando a sua atenção, orientando-o, parecia o seu pai, era um saco.

E de onde ele tinha tirado aquela ideia de que ele estava quase babando pela detetive? Como alguém babaria por ela? Ela não tinha nada que o atraía, era uma estúpida. Ambos eram apenas parceiros de missão.

Mas por outro lado, o detetive não parava de pensar no quão a mesma havia se desenvolvido nos últimos anos. Suas coxas haviam engrossado, seus seios aumentado e o seu rosto estava de fato mais delicado. Até que o uniforme feminino da agência havia caído bem na mesma, havia valorizado as suas curvas.

Ao notar que estava começando a reparar demais no corpo, curvas, rosto de Midori, Tsuchii arregalou os olhos corado balançando a cabeça negativamente:

Não…não…Calma! Eu preciso me acalmar! Isso não quer disser nada! É perfeitamente normal eu reparar nisso; não quer dizer que eu sinta algo por aquela grossa… —Pensou nervoso – Eu preciso conversar a respeito com quem realmente entenda do assunto!—Se levantou e caminhou até a porta do quarto

Enquanto isso, entrando no quarto da princesa das águas, Akio a encontrava empurrando a sua mala para de baixo da cama, ainda que com muito custo.

— Harumi, o que está fazendo com a minha mala? E por que ela está em baixo da sua cama? –Cruzou os braços esperando uma explicação da filha

— Papai! –Chamou a mesma se virando para o mesma rapidamente – Eu ia guardar ela para você –Respondeu soltando um sorriso travesso, ainda colocando as mãos para trás

— Guardando? –Perguntou já ciente da mentira da filha –Harumi, sabe que isso o que você está fazendo é muito feio, não sabe? Sabe que nem eu e tão pouco a sua mãe gostamos de mentiras –Disse seriamente

Ainda emburrada, balançando a perna, pensando receber um castigo por tentar esconder a mala do seu pai e mentir para o mesmo, a mesma o encarava, esperando a bronca. O mesmo não entendia a razão da filha estar emburrada daquele jeito, tudo bem ela estar chateada por ele ir viajar, mas esconder a sua mala para que ele não fosse era demais. O mesmo estava até admirado com a inteligência da filha.

— O que foi? –Perguntou se abaixando na altura da mesma –Você não é assim, princesa –Acariciou o seus cabelos

— Você vai embora, assim como o Ken e o Meguri –Respondeu emburrada –Vai me deixar sozinha com a mamãe! –Disse nervosa

— O quê? Harumi, será só por uns dias –Explicou –Essa missão é muito importante para o papai e para o mundo em que vivemos. Se eu não realiza-la não sei o que poderá acontecer, faço isso pensando em vocês –Acariciou o seu rosto

— Outra pessoa não pode ir no seu lugar? –Perguntou –É o imperador, não é? Pode fazer o que bem entender –Respondeu esperançosa

— Não funciona assim –Riu –Mesmo sendo o imperador, continuo sendo um guardião e preciso seguir regras de um conselho, realizar missões solicitadas a mim como guardião. Isso não está ligado ao meu posto de imperador –Explicou

— Mas…

— Eu prometo voltar logo – Prometeu abraçando-a –E quando voltar, prometo que trarei um… -Sussurrou algo no ouvido da filha fazendo com que a mesma soltasse um grande sorriso

— Jura?! –Perguntou

— Mas tem que ser o nosso segredinho –Deu uma piscadela para a filha

— Tá –Respondeu animada

— Quer que eu te coloque para dormir? –Perguntou

— Quero –Respondeu

— Então vai tomar o seu banho e escovar os seus dentes –Pediu –O papai vai levar a mala dele e se arrumar para dormir. Eu já venho –Se levantou e pegou a sua mala

Após a conversa que teve com a filha, o guardião se retirou do quarto da mesma e se dirigiu até o seu quarto. Não demorou para que o mesmo guardasse a sua mala dentro do guarda-roupa e em seguida fosse tomar um banho.

Enquanto isso, Tsuchii batia na porta do quarto de Sayo, que agora abria porta surpresa com a presença do adolescente em sua porta.

— Ué? O que você quer aqui essa hora? –Perguntou ainda com os cabelos soltos

— E-Eu preciso de ajuda, Sayo –Disse meio corado

— Ajuda? –Perguntou sem entender

Ao ver que o amigo estava um tanto desesperado, a guardiã do fogo deixou com que o mesmo entrasse em seu quarto. Não demorou para que a mesma se sentasse na cama e cruzasse as pernas, enquanto o mesmo se sentava em uma poltrona do quarto, meio sem graça.

Ainda em meio um silêncio incomodo, impaciente, Sayo perguntava:

— E-Ei…você veio até aqui no meio da noite para ficar me encarando?

— Eu tenho um amigo que está com um problema –Disse meio corado, ainda desviando o olhar

— Tá, já sei que esse amigo é você –Disse a mesma pegando a lixa de unhas e voltando a lixa-las – Prossiga

— Não sou eu! Tá, esse amigo cresceu com uma menina, mas do dia para a noite ele começou notar coisas nela que não notava antes…

— Ai Cristal –Disse Sayo largando a lixa –Estou com medo; mas segue –Mandou

— Ele não sabe se isso pode ser considerado amor ou se é só…você sabe…tes…

— Já chega! Já entendi! Já entendi! –O cortou nervosa –Eu acho que o seu amigo é um tarado! É isso que eu acho! Manda ele parar de olhar para os peitos da amiga dele!

— Mas ele disse que não dá! Foi da noite pro dia! Ontem não estavam lá!

— Isso não é problema dele!

— Mas isso é amor?!

— Não! Não é! –Respondeu nervosa –Olha, olhando pelo ponto de vista feminino, eu acho o seu amigo um babaca, acho que não sou a melhor pessoa para aconselha-lo. É melhor conversar a respeito disso com o Akio, já que o Tsuki…bem…ele vive para as gueixas… -Pensou

— Eu já levei um sermão dele hoje –Murmurou –Não estou afim de levar outro. Ele não é mais o mesmo de antes, ele parece tão…responsável –Comentou estrando

— Isso é bom, não é? –Perguntou sorrindo –Devia se aproximar dele, ele pode tirar muitas dúvidas a respeito disso. Não sei, mas tenho a impressão que quando adolescente, ele era igualzinho a você –Riu

— Talvez você tenha razão –Comentou desviando o olhar –Espera, isso significa que quando eu ficar adulto, eu vou ficar igual a ele?!

— Não tem como adivinhar isso –Riu a guardiã do fogo –Mas o Akio é uma boa pessoa, devia se espelhar nele como homem. Não o veja como um pai chato, mas como um irmão mais velhos que sempre estará ali para te ajudar e te puxar a orelha quando estiver prestes a fazer uma besteira

— Olhando por esse lado…não parece tão ruim –Pensou melhor –Obrigado Sayo! Você realmente me ajudou –Se levantou

— Disponha –Se levantou –Mas se bater na minha porta de novo para fazer esse tipo de pergunta eu enfio a minha mão na sua casa –Disse deixando-o amedrontado

Enquanto isso, no quarto da princesa das águas, Akio lia um conto de fadas para a sua filha, sobre as três fadas guerreiras de Alpha. Esse era um conto que sua mãe lia para ele e sua irmã antes de dormirem.

Akio sabia como contar uma história, este utilizava a sua magia de água e manipulava o elemento formando as cenas do conto, da mesma forma que sua mãe fazia com ele e Amy. Ao notar que a filha havia caído no sono, o mesmo fechou o livro, o colocou sobre a cabeceira, cobriu a menina e depositou um suave beijo em sua testa.

— Boa noite, princesa –Sussurrou

O guardião então caminhou até a porta, a abriu e seu retirou no quarto. No corredor, após fechar a porta do quarto da filha, o imperador se dirigiu até o seu quarto.

Ao abrir a porta e entrar, se deparou com a espadachim sobre a cama, vestindo uma linda e curta camisola de cetim vermelho. A mesma agora passava um pouco de hidratante em suas pernas, enquanto o marido comentava, fechando a porta:

— Nossa, que dia cansativo

— Nem me fale –Respondeu sorrindo –A Harumi ficou bastante sentida, não é?

— Ela está se sentindo sozinha –Respondeu dando a volta na cama de casal e se deitando ao lado da esposa –Ás vezes eu penso em dar um irmãozinho a ela –Encarou a esposa ainda malicioso

— Sabe que não é o momento de pensarmos nisso –Respondeu a espadachim soltando um doce sorriso enquanto o encarava

Não demorou para que o guardião das águas se colocasse por cima da Shiroi, deitando-a sobre a cama, depositando um carinhoso beijo em seus lábios, enquanto segurava a sua mão.

— Você bem que podia me dar um presente de despedida –Sussurrou em seu ouvido, enquanto o mordiscava

— Não vejo porque não –Respondeu corada sentindo o mesmo descendo os beijos até o seu pescoço

No dia seguinte, Akio despertava com os raios de sol batendo em seu rosto. Ao olhar para o peitoral, o mesmo se deparou com a esposa deitada sobre ele, ainda abraçando-o. O guardião se sentia o homem mais feliz do mundo, afinal, estava casado com a mulher que amava e tinha uma linda filha com ela. O guardião não desejava mais nada além da segurança e bem-estar de ambas.

Ainda que cuidadosamente o mesmo retirava a cabeça da espadachim de seu peito e a deitava no travesseiro ao lado. Não demorou para que o mesmo se levantasse e caminhasse até o banheiro de seu quarto para começar a se aprontar.

Assim que todos estavam prontos e de café tomado, o grupo se dirigiu até a entrada do palácio, para que então enfim partissem em busca das 7 safiras.

— Estamos indo –Avisou Akio a esposa, agora depositando um doce beijo nos lábios da esposa – Cuide da nossa princesa, qualquer coisa não deixe de me avisar –Pediu com um leve sorriso

— Não se preocupe –Disse a espadachim agora ajeitando a sua franja – Tome cuidado, por favor

— Vai ficar tudo bem –Respondeu acariciando o seu rosto

Agora o guardião das águas dava as costas para a esposa e caminhava até o grupo seriamente, dizendo:

— Vamos

— Vamos –Responderam se virando, seguindo em direção ao trecho sul, onde pegariam a estrada que levaria ao país do fogo.

Uma nova aventura se inicia em busca das Safiras, será que os guardiões conseguiram encontra-las? Quem sabe as adversidades que aparecerão em seus caminhos? Se inicia a fase inédita da série “Os 7 Cristais”.