Os 12 Fragmentos Estelares

3 Capítulo 03 - Ari


Notas iniciais
Ano: 1644 Cidade: Neveri

Neveri é a capital econômica da região de Vince. É uma cidade movimentada e totalmente voltada ao comércio das mais variadas coisas, ficando poucos kilômetros de distância de Grahan. A parte central da cidade parece um formigueiro em atividade — de tantas pessoas que iam de loja em loja — independente do dia ou horário. Enquanto as lojas estivessem abertas, as pessoas estariam ali.

"Você deveria ter comprado aquele cachecol, Sarah.", disse uma garotinha de doze anos, segurando a mão de Sarah, de dezoito.

"Estamos com pouco dinheiro, Liz. Não podemos gastar todas as moedas.", replicou.

A mais nova seguiu o caminho em frente puxando a mais velha, até parecer estancar em um ponto e olhar fixadamente uma barraca que ontem não estivera ali.

"O que é aquilo?", Sarah olhou a barraca, era roxa e possuía uma placa em formato cavalete a frente com uma bola de cristal.

"Previsões de Ari. Ela deve ser uma espécie de adivinhadora, Liz.", a curiosidade atingiu Sarah como uma flecha, e ela se sentiu quase obrigada a se aproximar. “Vamos lá.”

Ao entrar na barraca, uma mulher usando um grande turbante se postava do outro lado de uma mesa de madeira escura, sem nenhum objeto em sua superfície. A mulher mantinha os cotovelos apoiados na mesa, e o queixo apoiado nas mãos.

“Achei que não iria entrar, Sarah.”, disse a mulher, dona de uma voz rouca e fraca, como a de uma avó ranzinza. “Bem vindas.”

“Como sabia meu nome?”, disse a garota, assustada pela adivinhação inicial da mulher.

“Meu trabalho é fazer adivinhações. Sente-se, criança. Quero ver o seu futuro.”, Ari estendeu a mão esperando que Sarah a entregasse a sua.

“Quanto isso irá me custar?”, perguntou com certo receio. Era incrível como esta mulher adivinhara seu nome, mas será que o restante seria verdade ou apenas charlatanismo?

“Absolutamente nada.”, a mão receosa de Sarah se pôs sobre a de Ari, e ela analisou sua palma com certa curiosidade. “Curioso, seu destino está claramente traçado, vamos ver o que as cartas dizem.”, ela puxou suas cartas e as embaralhou, em seguida colocando as cartas em uma linha na horizontal da mesa, mas antes que Sarah as visse, a mulher juntou elas novamente.

“Sarah, seu destino está prestes a ser escrito.”, um sorriso brotou dos lábios da mulher.

“O que quer dizer com isso?”, Sarah estava de certa forma assustada pelo modo em que a mulher falara.

“Você será guardiã do fragmento de Áries.”, os olhos de Sarah se arregalaram. O fragmento de Áries, o ritual de dispersão havia sido na noite anterior, só poderia ser isso.

“E onde eu acho esse fragmento?”, perguntou curiosa.

“Você já a achou.”, a mulher agora pegara nas mãos de Sarah com firmeza, que sentiu uma vibração correr pelo seu braço.

“Sarah, você aceita ser a guardiã do fragmento de Áries?”, perguntou a mulher, confiante.

“Me solte, não!”, um lampejo dourado afastou a mulher como se houvesse sido mordida, mas logo a mulher pegou as mãos de Liz.

“E você, garotinha? Quer ser dona do fragmento de Áries?”, perguntou a mulher.

“Largue ela!”, brandiu Sarah.

“Ser dona de alguma coisa? Sim!”

“Liz, não!”, o clarão dourado tomou conta da cartomante e sumiu junto com ela, deixando apenas no pulso da pequena um símbolo que Sarah demorou para entender. O símbolo de Áries.