Os últimos dragões
5 Capítulo V
Rhaella, aninhada nos braços de Daemon, sentia o calor familiar do corpo dele a envolvê-la. Os dedos de Daemon deslizavam pelos seus cabelos prateados, repetindo o gesto com uma suavidade quase hipnótica. Cada carícia parecia ter um ritmo calculado, um movimento compassado que transmitia um misto de carinho e proteção.
Mas Rhaella, conhecendo Daemon tão bem quanto conhecia a si mesma, percebeu a tensão escondida por trás daquela calma aparente. Ele parecia distraído, perdido em pensamentos que, a cada instante, se aprofundavam. O rosto dele, normalmente tão expressivo, estava fechado, os olhos violetas fixos em algum ponto distante da sala. Ela levantou o olhar, os grandes olhos lilases buscando a verdade no rosto do irmão-esposo.
— O que te incomoda, Daemon? — perguntou, a voz suave e cheia de preocupação genuína. Daemon hesitou por um momento, seus dedos parando por um segundo antes de recomeçar o movimento nos cabelos dela. Ele suspirou, um som baixo e quase imperceptível, antes de finalmente responder.
— Não é nada demais — disse, tentando desviar a atenção dela, mas Rhaella o conhecia bem demais para ser enganada por essa fachada.
— Não minta para mim — insistiu ela, apertando-se um pouco mais contra ele. — Posso ver que algo está te perturbando — Daemon finalmente encontrou os olhos dela, a suavidade ali presente contrastando com o peso dos pensamentos que o assombravam.
— Eu estava pensando em nossos pais... E como teria sido se eles estivessem em Westeros durante a rebelião — admitiu, sua voz ficando um pouco mais áspera com a lembrança do passado.
Rhaella franziu levemente a testa, tocada pelo sentimento de saudade que emanava das palavras de Daemon. Embora seus pais tivessem encontrado refúgio na ilha e criado uma vida nova e próspera para eles, o que poderia ter sido assombrava a mente de Daemon.
— Você acha que eles teriam lutado? — Rhaella perguntou, tentando compreender melhor o que se passava na mente dele. Daemon assentiu lentamente, seus olhos ficando distantes novamente, como se imaginasse aquele cenário alternativo.
— Eles eram Targaryen, Rhaella. Sangue de dragão. Se estivessem em Westeros durante a rebelião, teriam lutado. Talvez morrido... Como tantos outros — Rhaella não podia negar que a ideia de perder os pais em uma guerra que havia devastado sua casa ancestral a enchia de uma tristeza profunda.
— Mas eles não estavam lá — ela disse, tentando oferecer algum conforto — , e graças a isso, estamos aqui hoje — Daemon a puxou para mais perto, a força protetora em seu abraço substituindo o aperto da angústia que sentia.
— Sim — ele murmurou —, e farei de tudo para proteger o que eles nos deixaram. Nossa vida, nossa família — Rhaella olhou para ele, seus olhos suavizando com um carinho profundo.
— E nós faremos isso juntos, como sempre fizemos — ela respondeu, a certeza na voz dela sendo um bálsamo para a inquietude dele.
Daemon a beijou na testa, retomando as carícias em seus cabelos, e, embora os pensamentos sobre o que poderia ter sido ainda pairassem no fundo da mente dele, o calor de Rhaella em seus braços era um lembrete do que ele tinha de mais precioso no presente.
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Na noite silenciosa de Castle Black, o vento gelado cortava como lâminas de aço, penetrando até os ossos. Tyrion Lannister, envolto em sua capa de peles, se aproximou do velho meistre Aemon, que observava as sombras se estenderem pelo pátio do castelo. Seus olhos, nublados pelo tempo, ainda mantinham um brilho de sabedoria antiga, um resquício do fogo que um dia ardeu em sua linhagem.
— Meistre Aemon — Tyrion começou, a voz carregando o peso de uma curiosidade que não podia ser ignorada. — Você deve saber que Robert Baratheon é um homem que não deixa pedra sobre pedra quando se trata dos Targaryen. Se soubesse que o último de sua casa ainda vive, não descansaria até que o sangue do dragão fosse extinto por completo. Imagino que o velho dragão, enclausurado aqui na Muralha, teve sorte de nunca ser encontrado.
Aemon, cujos ouvidos pareciam tão aguçados quanto sempre, virou-se lentamente, e por um breve momento, a máscara de serenidade cedeu a algo mais profundo, um vislumbre de dor ou talvez arrependimento, ou algo que permeava o medo e tristeza.
— Robert encontrou Eamon e Saerane? — murmurou o velho, quase como se falasse consigo mesmo, a mente viajando para tempos que só ele ainda poderia recordar. Tyrion franziu o cenho.
— Eamon e Saerane? — repetiu, inclinando a cabeça, confuso. — Confesso que esses nomes não me são familiares. Não conheço nenhum Eamon ou Saerane na história recente dos Sete Reinos.
— Meistre Aemon tem visto muitos invernos, Lannister. Às vezes, as memórias antigas se misturam com os sonhos — Jon Snow, sempre atento, percebeu a tensão no ar e se adiantou, tentando desviar a conversa.
Mas a semente havia sido plantada na mente astuta de Tyrion, e ele não deixaria escapar tão facilmente, no entanto, o que Jon não pensou, é que havia outra cabeça para a semente da curiosa germinar. Mais tarde, quando o salão estava vazio e o único som era o crepitar suave do fogo, Samwell Tarly, o rapaz de olhos bondosos e coração inquieto, se aproximou do meistre com uma pergunta nos lábios que ele quase não ousava fazer.
— Meistre Aemon — começou Sam, hesitante —, quem são Eamon e Saerane? Você os mencionou mais cedo, mas Jon disse que talvez fosse só um devaneio… — Aemon, envolto em uma fraqueza que apenas a idade pode trazer, levantou os olhos para Sam. Sua voz, embora fraca, carregava o peso de séculos.
— Eamon e Saerane... meus sobrinhos. Os netos de meu irmão... e de minha irmã.
Sam sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, pois as palavras do meistre traziam consigo o eco de uma verdade há muito enterrada, uma verdade que poderia mudar tudo se fosse trazida à luz.
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Na escuridão gelada de seu quarto em Castle Black, meistre Aemon, o último de sua linhagem em Westeros, sonhava, tal como Robert sonhava, mas sem o medo que consumia o rei. Embora seus olhos mortais tivessem perdido a clareza, os olhos de sua mente viam com a nitidez de um jovem. No sonho, a noite era clara, iluminada por um luar prateado que derramava sua luz sobre uma paisagem que Aemon não reconhecia, mas que, de algum modo, lhe era familiar.
Diante dele, uma garota de grandes olhos lilases emergia da escuridão, os cabelos prateados caindo como cascatas sobre suas roupas claras, que pareciam quase etéreas, tremeluzindo na luz da lua. Ela não era uma figura ameaçadora; havia nela uma serenidade que parecia envolver tudo ao redor. Mas seus olhos, profundos e insondáveis, traziam consigo o peso de uma linhagem antiga, o sangue do dragão que ainda corria em suas veias.
Ao lado dela, um homem imponente se materializava das sombras, sua presença dominando o espaço ao redor. Ele era alto, com a postura de um guerreiro, e seus olhos, escuros como o violeta mais profundo, cintilavam com uma determinação feroz. Aemon o reconheceu, ou pelo menos reconheceu o que ele representava: o legado de uma casa que se recusava a desaparecer, que sobrevivia apesar das guerras, dos traidores, dos reis usurpadores. E então ele viu, na bainha do homem, a espada que há muito se pensava perdida — Irmã Sombria, a lâmina que um dia pertenceu à Rainha Visenya, a feroz esposa de Aegon, o Conquistador.
A visão da espada trouxe uma onda de perguntas à mente do velho meistre. Como poderia aquela espada, há muito desaparecida dos anais da história, estar agora à vista, empunhada por este homem? Seria um sinal, uma visão enviada pelos deuses antigos ou pelos novos? E quem era essa garota, cujos olhos lilases pareciam sondar as profundezas de sua alma? Seria ela a chave para o retorno dos dragões?
Aemon tentou se aproximar, tentar entender o que o sonho queria lhe mostrar, mas as figuras começaram a se desfazer, como fumaça ao vento. Ele lutou para manter o sonho vivo, para captar mais um vislumbre daquela espada, daquela garota, daquele homem que parecia tão real, tão vivo. Mas a escuridão o envolveu novamente, e quando ele abriu os olhos, não estava mais no campo iluminado pelo luar, mas de volta à sua cama fria no castelo.
O sonho persistia em sua mente, tão vívido quanto perturbador. Ele se perguntava se aquilo era um aviso, uma premonição.
— Irmã Sombria… — ele sussurrou para si mesmo, lembrando-se das histórias da espada, de sua perda e do mistério que a cercava. — Como a encontraram? E por quê?
Mas não havia resposta. Apenas o som distante do vento, uivando lá fora, enquanto o velho meistre fechava os olhos, tentando agarrar o sono mais uma vez, assombrado pelas imagens do sonho que não conseguia esquecer.
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Sam, com sua curiosidade insaciável e superando o medo de punição, começou a mergulhar nos arquivos antigos de meistre Aemon, vasculhando pergaminhos e livros empoeirados que registravam séculos de história e genealogia dos Targaryen. Cada documento que ele abria parecia contar uma história diferente, mas nenhum deles mencionava Eamon e Saerane. Ele passava horas no escuro, entre a luz fraca das velas e o frio cortante da Castle Black, buscando uma pista, algo que pudesse esclarecer o mistério, algo que respondesse perguntas que não deveriam estar em sua mente.
Jon, observando a obsessão crescente de Sam, tentava dissuadi-lo.
— Certas coisas precisam ficar onde estão, Sam — ele disse, a voz firme, mas não severa. — No passado. O que meistre Aemon disse... pode ter sido apenas o delírio de um homem idoso. Não vale a pena desenterrar segredos que podem ser melhor esquecidos.
Sam, no entanto, não conseguia deixar o assunto de lado. Algo nos olhos de Aemon, algo na forma como ele falou, o convencera de que havia mais nessa história do que parecia, algo que o medo ou até mesmo o frio implacável poderia manter enterrado. Mas Jon estava certo sobre uma coisa: era perigoso mexer no passado, especialmente quando se tratava de uma linhagem tão envolta em mistério e tragédia quanto a dos Targaryen.
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E além de Sam, Tyrion Lannister também não conseguia tirar da cabeça as palavras de meistre Aemon, em sua viagem de volta ao sul, passava o tempo lendo um volumoso tomo sobre a família Targaryen, seus reis e rainhas, príncipes e princesas, desde a Conquista até os últimos dias do reinado de Aerys II, o Rei Louco. Ele sabia que a história dos Targaryen estava cheia de reviravoltas e segredos, mas mesmo assim, a menção de Eamon e Saerane o intrigava. Ao final de sua leitura, ele não encontrou nada sobre os nomes mencionados por Aemon, nenhum registro, nenhuma pista. Isso o deixou perplexo.
— O velho estava divagando? — Tyrion se perguntou em voz alta, enquanto o vento balançava as velas no navio. — Ou talvez... talvez haja mais coisas enterradas na história dessa família do que os registros mostram.
Ele sabia que Westeros era um lugar onde as verdades eram frequentemente enterradas junto com os mortos, tão profundamente que levariam anos para escavar, e se perguntava o que mais poderia estar escondido, fora do alcance de qualquer livro ou pergaminho.
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Sam, imerso em sua pesquisa, sentiu o coração disparar ao encontrar as cartas. Quatro mensagens cuidadosamente preservadas, como verdadeiros tesouros, escritas em uma caligrafia elegante e régia. Ele leu cada uma delas, sentindo o peso da história nos dedos. A primeira anunciava o nascimento de Aenys, o futuro Rei Louco. A segunda, um ano depois, celebrava a chegada de Eamon. Em seguida, Rhaella, e, por fim, a caçula Saerane.
Era a carta sobre Eamon que capturou toda a atenção de Sam. As palavras escolhidas por Jaeherys II eram carregadas de orgulho e esperança para o herdeiro que acabara de nascer. Mas por que, então, nenhum dos registros mencionava Eamon e Saerane? Por que esses nomes haviam sido apagados da história? Por que o único registro da existência deles eram cartas guardadas pelo velho meistre de Castle Black.
Enquanto Sam lia a carta, com o coração martelando em seu peito, sentiu uma presença ao seu lado. Ao levantar os olhos, viu meistre Aemon parado, observando-o com um olhar que misturava tristeza e resignação. O velho meistre parecia ter previsto que esse dia chegaria, mas a dor em seus olhos sugeria que ele nunca esperou que isso realmente acontecesse.
— Meistre Aemon… — Sam começou a falar, hesitante, sabendo que estava mexendo onde não devia. — Essas cartas... elas mencionam Eamon e Saerane. Quem eram eles? Por que não há menção deles em nenhum lugar? — O velho Aemon fechou os olhos por um momento, como se estivesse pesando as palavras que precisava dizer.
— Eamon e Saerane... eram meus sobrinhos. Eles existiram, Sam. Mas o que você encontrou... não deveria existir — ele falou, sua voz estava baixa, quase um sussurro, carregada de lembranças dolorosas. Sam franziu o cenho, confuso.
— Mas por que, meistre? Por que eles foram apagados da história? — Aemon se aproximou, seus passos lentos e deliberados, e colocou uma mão trêmula no ombro de Sam.
— Há segredos, meu jovem, que são enterrados não porque são esquecidos, mas porque precisam ser esquecidos. Jaehaerys... meu sobrinho... ordenou que todos os registros deles fossem destruídos. Que seus nomes fossem apagados. E eu... eu obedeço sua vontade. Mas agora você sabe.
— Por quê? — Sam perguntou novamente, a urgência em sua voz evidente.
— Porque... o que aconteceu com Eamon e Saerane... não deveria ser conhecido. Foi uma vergonha, um erro que poderia ter destruído nossa casa. Prometa-me, Samwell Tarly, que você nunca falará disso a ninguém. Prometa-me que guardará esse segredo — Sam olhou para o velho meistre, vendo a sinceridade e o medo em seus olhos.
— Eu prometo, meistre Aemon — ele respondeu, sentindo o peso da promessa que acabara de fazer, mas temendo não conseguir realmente guardar um segredo tão profundo. Aemon assentiu, aliviado, mas o sofrimento em seus olhos permaneceu.
— Obrigado, Sam. Agora, vamos guardar essas cartas. Elas nunca devem ver a luz do dia novamente — Sam respirou fundo, hesitante, mas a curiosidade era mais forte. Ele sabia que estava cruzando uma linha ao perguntar, mas precisava entender.
— O que aconteceu com eles, meistre? Com Eamon e Saerane? — Aemon permaneceu em silêncio por um longo momento, os olhos fixos nas chamas trêmulas da lareira que aquecia seu quarto na Muralha. Quando ele finalmente falou, sua voz era fraca, como se estivesse pesando cada palavra antes de deixá-la escapar, ponderando se devia fazê-lo, não porque ainda seguia as regras de Jaehaerys, mas por temer que Robert quisesse extinguir qualquer Targaryen capaz de procriar.
— Eamon era o segundo filho, destinado a uma vida de apoio ao seu irmão mais velho, Aenys — começou. — Desde jovem, ele sempre soube que o trono não seria seu, mas Eamon tinha uma visão clara de que deveria proteger o reino, não importa o custo. Ele era um jovem corajoso, inteligente, mas também impetuoso — Aemon fez uma pausa, como se estivesse reunindo forças para continuar. — Quando Aenys começou a mostrar sinais de instabilidade, Eamon se preocupou profundamente. Ele sabia que a loucura estava no sangue da nossa família, uma sombra que pairava sobre nós desde os tempos antigos. Eamon viu o que Aenys estava se tornando, e ele temia pelo futuro de Westeros. Então, ele foi até Jaehaerys, meu sobrinho, e tentou convencê-lo de que Aenys não era adequado para governar.
Os olhos de Aemon se fecharam, como se quisesse afastar as lembranças dolorosas. Ele havia tentado convencer o sobrinho a ponderar, aceitar as palavras do filho não como uma conspiração, mas como um aviso.
— Jaehaerys... Jaehaerys ficou furioso. Não podia aceitar que um filho desafiasse o outro dessa forma. Ele amava Aenys, apesar de tudo. Jaehaerys estava decidido a manter a ordem de sucessão. Foi então que ele tomou uma decisão cruel: para garantir que Eamon não pudesse, ou não quisesse, interferir, ele prometeu casar Saerane, a irmã mais nova, com um lorde de sua confiança, afastando-a de Eamon para sempre. — Sam prendeu a respiração, sentindo o peso das palavras do meistre, quase sentindo a tristeza com a qual ele contava o episódio. — Mas Eamon não aceitou essa decisão — Aemon continuou, a voz carregada de dor. — Ele amava Saerane mais do que qualquer coisa, e ela retribuía esse amor. Eles cresceram juntos, inseparáveis. Na calada da noite, antes que o casamento pudesse acontecer, Eamon fugiu com Saerane. Eles roubaram ouro e joias da Fortaleza Vermelha, o suficiente para se manterem longe do alcance do pai — a emoção começou a quebrar a voz de Aemon. — Ninguém nunca soube para onde eles foram. Ninguém jamais os viu novamente. Para Jaehaerys, foi como uma facada no coração. Ele amava todos os seus filhos, mas a traição de Eamon e Saerane o devastou. Foi por isso que ele ordenou que os nomes deles fossem apagados dos registros, que ninguém nunca mais os mencionasse. Ele queria apagar a dor, mas também a vergonha. A vergonha de ter perdido dois filhos que ele tanto amava.
Sam não sabia o que dizer. Ele olhou para o velho meistre, percebendo agora a profundidade da dor que carregava. A história que Aemon contara não era apenas sobre um erro ou uma traição; era sobre amor, perda e as consequências devastadoras de escolhas desesperadas. Era sobre a família problemática que governou Westeros por tanto tempo.
— Agora você entende, Sam — Aemon sussurrou. — Por que esse segredo deve permanecer enterrado. Eles escolheram um caminho que os tirou do coração de Westeros, e é lá que devem ficar... no esquecimento.
Sam assentiu, sentindo o peso do segredo que agora carregava junto com Aemon, sem saber ter descoberto isso. Era segredo demais. Peso demais.
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