Os órfãos de Nevinny Vol.2
7 Neon na escadaria de mármore
Apenas se passaram dois dias desde a visita no "Cubo de Gelo" na companhia de Meghan e, desde então a sua amiga ficou no pé para te convencer a convidar Lavínia para se mudar por alguns dias para Atelis com o objetivo de conhecê-la e também passar o ano novo na cidade. Foi quase um desafio convencer a dona Martha, mãe de Lavínia, a se mudar brevemente para Atelis, mas com a insistência e persuasão de Meghan ela acabou conseguindo o que tanto queria, mas queria com rapidez já que tinha ser feito antes da véspera do ano novo.
Com "Break the Rules" de Charli Xcx tocando ao fundo no quarto de Meghan, a anfitriã da casa mostra todos os detalhes do seu quarto para a convidada recém-chegada de Nevinny, Lavínia Velasquez.
— Olha, eu cheguei aqui só faz trinta minutos mas eu já tô amando essa cidade. Olha esse quarto que enorme! Nunca tinha visto ao vivo um quarto tão grande assim! Não dá pra acreditar — Lavínia fala completamente entusiasmada e visivelmente impactada com tamanha formosura na qual, em suas próprias palavras, nunca tinha visto antes pessoalmente em um quarto.
— Eu que não acredito que você tá aqui. Eu achei que sua mãe não ia deixar nunca você vir passar ano novo em Atelis — você comenta, repentinamente.
— Que bom que ela veio também. Nesse minuto ela está ocupada aos cuidados e mordomias de senhorita Zanelda Mollins. Minha mãe ama mostrar a casa pros convidados dela — Meghan comenta, rindo.
— Minha mãe adora essas coisas de rico. Ela deve tá encantada. Eu tô muito animada pra visitar cada canto desse bairro que vocês moram. Eu já sabia que Atelis é uma cidade luxuosa, mas nunca tinha visto pessoalmente — Lavínia diz.
— Vou ser sincera com você: aqui no bairro não tem tanta coisa assim pra se fazer. Onde tem mesmo é fora. A gente pode te levar em vários lugares pra você conhecer. Pena que é inverno, né? A maioria desses lugares vão estar sempre a mesma coisa: cobertos de gelo.
— A gente deveria ter ido pro Brasil onde não ia estar desse jeito. O clima tropical de lá não fecha como esse daqui da cidade. Tem estados que até no inverno fazem sol — você diz.
— Isso é verdade — Meghan concorda.
— Tá, mas... se a cidade toda vai tá coberta de neve, por que vocês me trouxeram pra cá? O que vocês sugerem que a gente possa fazer?
— De primeira a gente vai focar no réveillon, que é o foco principal dessa sua vinda. Todo ano a gente costuma passar o réveillon num lugar reservado de frente pro mar que sempre tem eventos pra gente assistir. Nós temos que cuidar antes de tudo a roupa que você vai usar nessa ocasião. Provavelmente você não vai ter uma roupa adequada pra usar num evento como esse, mas eu posso te ajudar com isso.
— Espera, por que você acha que eu não vou ter uma roupa decente pra usar nesse evento? — Lavínia pergunta seriamente para Meghan.
— Ahh, er... é porque eu acho que como você veio de repente talvez não ia ter — Meghan diz pausadamente em um tom baixo.
— Não. Você pensou que por eu ser uma garota pobre de uma cidade não tão luxuosa como a sua você pensou que eu não teria como ter uma roupa à altura.
— Por favor, não me entenda mal, é só que eu...
— Lavínia, não vai brigar aqui, por favor — você solicita.
— Eu sei, eu sei. Eu já passei por isso antes. E sabe de uma coisa, Meghan?
— Não — Meghan diz um pouco sem ação.
— Eu acho que você tá super certa porque eu não tenho uma roupa pra um evento desse MESMO.
E, as duas começam a gargalhar a ponto de se abraçarem depois dessa fala.
Você que apenas observa a cena dá um respiro de alívio imaginando que alguma coisa mais séria poderia acontecer, tipo uma briga.
— Olha, eu... realmente fico muito feliz que vocês estão se entendendo. É sério. Lavínia é uma menina de forte personalidade, Meghan — você comenta.
— Eu sei. Ela é uma Jennifer mais honesta digamos assim. Eu gosto desse estilo. Bem melhor. Acho que combina comigo — Meghan diz.
— Acho que vou me adaptar super bem por aqui nessa cidade. Ser bem acolhida é um dos requisitos principais pra se ter uma amizade de uma garota como eu.
— O que não vai faltar nessa cidade pra você é acolhimento. Não é porque nós somos endinheirados que não ajudamos os outros. Você está super bem instalada na mansão dos Montenegro. Apesar das polêmicas que tiveram, os Montenegro sempre foram um exemplo de família.
— Obrigadx, Meghan — você agradece.
— Por nada, S/N. Você sabe que é verdade. Fiquei bem contente que Joseph concordou em deixar a sua amiga Lavínia e a mãe dela hospedadas na sua casa. Do jeito que ele anda ultimamente mais turrão e misterioso, minha mãe e eu duvidamos muito que ele ia aceitar essa cortesia. Por isso que nós nos dispusemos caso elas quisessem ficar com a gente.
— É... digamos que ele não aceitou assim de imediato quando eu fui dar a notícia. Por isso que eu só falei pra ele quando a Lavínia já estava a caminho pra cá.
— O quê?! Então quer dizer que seu pai não vai gostar de me ver na casa dele, S/N — Lavínia fala.
— É claro que vai, Lavínia. Afinal, esse foi um bônus que eu tive e por direito. Já que eu tô na cidade, decidi fazer essa surpresa pra ele. E não há nada que possa ser feito, já que ele também me quer por perto. Então assim ficamos — você fala.
— Que ardilosx. Você nunca foi de fazer isso assim desafiando o seu pai, S/N — Meghan fala.
— É, não era mesmo. Mas eu não fui ardilosx. Pelas circunstâncias pessoas também podem ter seus direitos e decidirem como agir. Esse foi o meu.
— Eu... não entendi. O que isso quer dizer? — Lavínia pergunta.
— Também queria entender. S/N tá numa fase meio rebelde. Coisa nova pra se ver entre nós — Meghan diz.
— A rebelde da turma sou eu.
— Deu pra perceber.
— Então, o que vocês querem fazer essa tarde? — você pergunta na tentativa de mudar de assunto.
— Eu não sei. Mas nada que seja coisa de patricinha ou algo do tipo — Lavínia fala.
— Tá. Pois eu tenho uma boa. Existe um assunto que eu estou por dentro e fiquei super empolgada. Você, Lavínia, como testemunha que foi com certeza deve ter seu lado da história pra contar.
— Já posso imaginar o que é — você fala.
— Mas não se preocupem. É só uma curiosidade. Mas antes vamos conhecer a minha casa. Preparei um filme bem legal pra gente assistir lá embaixo.
⌚️ Depois de algumas horas na sala de cinema no porão da mansão...
— Essa ideia de fazer um cinema embaixo da casa é brilhante. Não tô acreditando até agora. Eu só tinha visto em uma série de adolescentes ricos na tv — Lavínia comenta.
— Eu acho que deve ter sido dessa série que a Meghan ficou aporrinhando os pais delas pra fazer igual — você diz.
— Bem, eles perguntaram que sonho eu tinha, então decidi pedir uma sala de cinema embaixo da casa. Nada mais justo — ela fala.
— Lavínia, você já avisou que você tá aqui embaixo? Se sua mãe procurar por você e não te encontrar ela pode ter um surto.
— Já sim. Obrigada por avisar, S/N. Minha mãe é super cuidadosa. Ficou mais ainda depois dessa fase da...
Você põe a mão sobre o braço de Lavínia fazendo-a parar de falar no mesmo instante.
— O que foi essa mão no braço? Podem me contar tudo. Eu sei que tem alguma coisa aí — Meghan diz.
— Eu sofri um aborto recente. Ainda tô me recuperando na verdade — Lavínia fala.
— E você costuma confiar em qualquer um pra dizer esse tipo de coisa? Que doida! Eu não faria isso — Meghan fala.
— Er... mas em você eu acho que posso confiar, né? — ela pergunta arregalando os olhos.
— Calma, Lavínia. Meghan só está brincando. Ela é patricinha, mas não é tóxica — você assegura.
— É isso mesmo. Se você pensar alguma coisa contrária de mim, eu até fico magoada.
— Não. Essa é a última coisa que eu quero fazer, ainda mais eu que acabei de chegar aqui. Mas... enfim, é isso. Foi isso mesmo que aconteceu. Eu sofri um aborto recente. S/N e meu amigo Stefan foram as únicas pessoas pra quem eu contei. Além da minha mãe, é claro — Lavínia diz.
— E ela, a sua mãe? Acredito que ela tenha ficado um pouco impressionada com tudo isso, não é?
— Minha mãe é uma parceira. Ela ficou sim bastante chateada comigo, me deu broncas, mas ela me ajudou durante todo o meu processo de recuperação. Ainda tá me ajudando, aliás. Acho que por isso ela topou vir pra cidade comigo, porque ir pra dentro de casas de desconhecidos não é com ela mesmo. Só veio porque eu disse que S/N tá aqui. Aliás, ela meio que quis dar essa moral pra S/N depois do acontecido no baile de inverno da escola. Eu recebi muito apoio nesses dias difíceis da minha vida, então nós decidimos retribuir.
— Ah, é. O baile. Você chegou no assunto que eu queria chegar — Meghan anima-se.
— Nem vem. Essa história do baile tá sendo complicada. S/N foi acusadx de várias coisas, sendo que o que aconteceu foi somente uma. A quase morte da candidata da rainha do baile. Eu como amiga acabou respingando pro meu lado também. Mesmo tendo sido mostrado pras pessoas que S/N não teve nada a ver com isso, tem muita gente que não acredita, pois ninguém 'tava junto. Inclusive nós que somos do grupo de S/N não vimos nada.
Lavínia para por uns segundos e então olha para você dizendo...
— É lógico que a gente não tá desconfiando de você, S/N. Mas você entendeu o que eu quis dizer.
— Eu sei. Vocês já me falaram isso várias vezes — você diz.
— Peraí, ela já sabe da história toda, S/N?
— Já.
— Então foi por isso que decidiu aceitar vir pra outra cidade. É claro que sim. S/N fez a mesma coisa. Eu no lugar faria o mesmo — Meghan declara.
— Eu nunca falei que foi só por esse motivo — você diz.
— Mas é claro que esse seria o motivo principal. Quem que aguentaria viver na cidade sendo acusadx de quase ter tirado a vida de alguém? Eu não aguentaria. Mesmo eu tendo toda a certeza do mundo de que não fui a culpada.
— Sim e não — Lavínia diz — É claro que eu queria me livrar dessa situação. Toda essa história já 'tava começando a me irritar. E eu não posso me irritar facilmente porque às vezes meus hormônios tomam conta.
— Te comparando pelo o que te conheço até que hoje você tá bem calma, Lavínia — você brinca fazenda Meghan dar umas gargalhadas.
— Pois é. Eu tô mesmo. Deve ser os remédios calmantes que eu tô tomando. Depois dessa história eu comecei a ter uns picos de estresse.
— Eu não sabia disso.
— Que barra! — Meghan comenta.
— É. Mas tá tudo bem. Mas sim, eu quis me livrar um pouco dessa história que parecia que cada vez mais que as respostas estavam aparecendo, mais as pessoas 'tavam falando. Então, de repente apareceu esse convite pra sair de Nevinny e ficar longe dessa história toda. Ainda mais pra vir pra Atelis que eu sempre tive curiosidade de conhecer. Então juntei uma coisa com a outra e não pensei duas vezes. É por isso que tô aqui. E claro que tive que trazer a minha mãe comigo, ela já 'tava ficando super preocupada com S/N.
— Eu agradeço. Depois eu vou falar mais um pouquinho com a dona Martha — você diz.
— Nossa, mas que doido! Eu pesquisei um pouco sobre essa história na internet. Teve uma coisa curiosa que aconteceu. Parece que deixaram uma estrela pontiaguda no local do crime, não foi?
— É. Foi uma coisa horrível. Ainda me lembro bastante daquela cena: os alunos todos olhando chocados, essa tal de estrela no chão e tudo cheio de sangue em volta. Não sei como essa menina não morreu, porque tinha bastante.
— Então todo mundo já pensou que tinha sido eu a pessoa que fez tudo aquilo. O que não faz sentido. Como eu ia tentar fazer isso com alguém e ainda continuar lá? — você questiona.
— Isso é muito inacreditável. Ser vistx como assassinx. Nossa, não quero nem imaginar — Meghan comenta.
De repente, um ruído estranho e alto surge em sua mente, daqueles tipos bem finos como microfonia ou algo assim. O ruído é tanto que lhe faz por as mãos tapando os ouvidos com o objetivo de tentar amenizar o tal som.
Fica assim por alguns segundos até que finalmente o ruído vai diminuindo gradativamente, mas o eco dele ainda parece continuar.
— S/N! O que você tá sentindo? — Meghan pergunta, preocupada.
— Eu não sei, é só... — você começa a falar.
— Deve ser pressão baixa. Você já comeu alguma coisa hoje? — Lavínia questiona.
— Claro que já, mas...
Então o ruído volta à sua mente mas agora em um tom bem mais alto, mais feroz. É tanto que não aguentando mais suas forças vão se esvaindo fazendo com que sua visão fique turva até que não vê mais nada.
⌚️ Um tempo depois...
— "Foi um apagão total. Elx já sentiu isso uma vez na escola."
É o que você consegue ouvir quando lentamente vai abrindo seus olhos. Também há um som que vai aumentando gradativamente que não lhe parece estranho. A sua resposta vem quando olha para o lado esquerdo e vê um monitor cardíaco mostrando seus batimentos, que, felizmente parecem normais, porém não impede que se assuste.
— Mas, o que eu tô fazendo aqui? O que aconteceu? — você pergunta olhando em volta.
— Você desmaiou na casa da Meghan. Por pouco não bateu a cabeça no chão — Lavínia fala com a expressão um pouco preocupada.
— O quê?!
— Calma, S/N. Os médicos já vão trazer os resultados dos seus exames — Meghan fala.
— Eu fiz exames enquanto eu 'tava desmaiadx. Cadê o meu pai? — você pergunta.
— Joseph está lá fora. Parece que foi tomar um café. Mas eu estou aqui de olho só esperando alguma notícia — dona Zanelda fala na tentativa de lhe acalmar.
O doutor Enthalk adentra o quarto com uma pasta na mão seguido de Joseph e, sem demorar, já vai logo declarando em bom tom....
— Bem, aqui estão os exames feitos e já saíram os resultados. O que você sofreu foi o que chamamos de síncope, ou, popularmente, desmaio — ele inicia — Houve uma queda no fluxo de sangue que estava chegando ao seu cérebro. O cérebro precisa desse sangue para funcionar e quando ele não chega em quantidade suficiente faz com que a pessoa perca os sentidos e caia. No seu caso, após os exames que fizemos, a causa mais provável é a chamada síncope vasovagal ou neurocardiogênica. Isso não é uma doença grave, mas sim uma reação exagerada do seu sistema nervoso. O que acontece é que um gatilho, seja por estresse, calor ou dor intensa por exemplo, estimulou o nervo vago. Esse estímulo fez com que seus vasos sanguíneos se dilatem e, ao mesmo tempo, seu coração bata mais devagar ocasionando o desmaio — ele fala — Agora uma pergunta e me desculpe a indiscrição se eu ofender: por acaso você se alimentou direito hoje ou usou alguma substância ilícita recentemente?
— Que tipo de pergunta mais incabível é essa? Por acaso você está insinuando algo? — diz Joseph, exaltando-se.
— Eu só estou fazendo meu trabalho, senhor Joseph. Preciso averiguar todas as informações passadas pelx paciente.
— Não, eu não usei nada ilícito e sim, eu me alimentei hoje — você diz.
— Mas tem que se alimentar bem. Esse episódio tá sendo exatamente igual àquele que nós te encontramos desmaiadx naquele corredor da escola, lembra? — Lavínia dispara.
— Aquilo foi um mal estar. Nada demais. Hoje foi só a mesma coisa — você afirma.
— Mas como se você não se queixou de nada durante o dia todo? — Meghan questiona — Só teve a dor de cabeça e então de repente já foi. Você desmaiou.
— Isso não é comum. Sentir dor de cabeça e depois desmaiar? Não pode ser pressão alta, doutor? — dona Zanelda pergunta.
— Não foi identificado nada parecido. Mas temos que continuar averiguando se isso continuar ocorrendo — o doutor Enthalk afirma.
— Quando eu posso ir pra casa? — você pergunta instantaneamente.
— Ah, hoje. Acredito que hoje você já esteja prontx pra ir pra casa.
— Ótimo. Assim que eu gosto de ouvir. S/N não pode ficar doente logo agora que vamos passar pelo réveillon — dona Zanelda fala, animando-se.
— Acalme-se, não é nada grave. Mas o senhor precisa ficar de olho. Se o senhor presenciar sintomas como tontura, enjoo ou esses zumbidos na cabeça de novo é importante manter S/N deitadx ou sentadx — Enthalk diz diretamente à Joseph.
— Ah, tudo bem doutor. Pode deixar que eu faço isso. S/N estará sob meus cuidados e dos funcionários da casa também — a senhora Mollins assegura.
— A senhora é a mãe?
— Não, mas ela ficará responsável por um tempo. Não é, senhorita Mollins? — Joseph pergunta apenas obtendo um balançar de cabeça em sinal afirmativo de Zanelda.
Depois de uma breve avaliação clínica e conselhos de conduta do médico Enthalk, enfim você tem alta e é liberadx para ir para casa. Joseph lhe acompanha até à mansão de dona Zanelda e fica por algus minutos até que diz que em breve voltará, mas que primeiro precisa resolver alguns assuntos pendentes pela cidade. Meghan e Lavínia ficam todo tempo a seu lado, preocupadas com o ocorrido e atentas com qualquer sintoma que pudesse aparecer. Você, por sinal, ainda tenta entender o que pode ter acontecido mais cedo, já que estava se sentindo super bem e sem qualquer indício de mal estar ou algo parecido.
— Eu vou deixar vocês à sós. S/N, qualquer coisa pode me chamar.
— Obrigadx senhorita Zanelda. Eu chamo sim. Mas não vai precisar — você diz dando um sorrisinho ao vê-la passando pela porta.
Assim que dona Zanelda sai, enfim se sente confiante e à vontade para falar com Lavínia e Meghan. A neve já começa a cair lá fora e você fica observando atentamente pela janela o fenômeno natural na qual tanto aprecia.
— Meghan, você sabe onde Joseph está? Não é possível que ele trabalhe tanto até numa época como essa — você fala.
— Não, S/N, eu não sei. Mas você não tem que se preocupar com isso agora e sim com seu descanso. Você sabe como Joseph é. Está sempre ocupado — Meghan fala.
— Verdade, S/N. Logo ele vai tá aí. Pelo menos você tem um pai. E eu e Meghan que não temos? Os nossos já se foram e o pai do meu falecido filho nunca mais falou comigo. Somos as órfãs de pai. E pro meu filho acredito que tenha sido melhor não ter alguém como ele por perto — Lavínia dispara.
— Que horror!
— Não, não vamos falar de pai agora. Minha mente tá cansada demais pra isso — você ainda olha pela janela enquanto vê duas pessoas correndo pelo jardim. Também escuta um barulho de trem passando em algum trilho que parece estar perto, mas, não pode ser possível já que em Atelis não existe trilhos de trem assim como em Nevinny.
— Sobre o que quer você falar, então? A gente precisa fazer alguma coisa pra passar o tempo e eu não pretendo dormir tão cedo — Lavínia afirma.
— Vocês ouviram? Esse barulho de trem?
— Barulho de trem? Impossível, S/N. Aqui em Atelis não existe estação de trem ou metrô e você bem sabe disso — Meghan fala.
De repente você se vê numa atmosfera escura, sombria, porém com algumas árvores e luzes que vão surgindo aos poucos até que se vê em um jardim coberto de neve.
— Eu não sei o porquê mas às vezes eu fico me lembrando daquela noite. Já se passaram dias mas eu ainda continuo com aquela sensação de tudo. Aquela menina no chão e ninguém por perto pra ajudar — você diz ao vir a imagem de Suzanne em sua mente.
— S/N, para de ficar se lembrando daquela noite do baile. Daqui a pouco você vai ficar doidx por causa disso — Lavínia repreende.
— Eu acho melhor a gente procurar algo pra fazer — Meghan comenta.
— Eu fico pensando quem pode ter feito isso com ela e por quê. Eu não sabia o que fazer ou a quem pedir ajuda. Eu não consigo não pensar nisso, foi algo muito importante e também não foram vocês que foram acusadxs de algo terrível. Com que cara eu vou voltar pra escola depois das férias depois disso tudo ter acontecido? — você questiona, pensativx.
— Com a mesma de sempre, com a mesma que você sempre teve. Até parece que essa é a primeira polêmica que você enfrenta depois que entrou pro Colégio Atelis, S/N — Lavínia brinca.
— É, mas essa é a primeira vez que a polêmica envolve...
— Como assim, S/N, uma pessoa considerada imaculadx tem tantas polêmicas assim só porque mudou de cidade? Eu acho que estou começando a cogitar ir pra Nevinny também pra sair um pouco dessa mesmice de Atelis. Essa rotina tão cansativa — Meghan reclama revirando os olhos.
— Nem pense nisso. Aqui em Atelis é bem mais tranquilo, acredite. Eu só fui pra Nevinny porque não tive escolha.
— A gente já sabe dessa história. Mas é isso mesmo, Meghan. Eu acho que você nem deve saber de parte das histórias. Do jeito que S/N é deve ter escondido parte delas — Lavínia diz.
— Pra que falar de umas coisas dessas agora? — você pergunta parecendo se irritar um pouco.
— Ih, o que é que tem S/N? Já arranjei um passatempo pra essa noite. A gente fala das nossas aventuras pra Meghan e ela conta das delas que eu tenho certeza que ela deve ter. Sua amiga vai saber quem de fato você e o que faz quando tá afastadx do berço de ouro de Atelis.
— Nossa, você falando isso me deu um pouco de medo agora. Parece que tá falando de uma pessoa que eu nem conheço — Meghan diz dando uma risada meio preocupada.
— Ah, mas será mesmo que você conhece? — ela fala dando uma boa gargalhada.

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