Após um tempo sem falar uma palavra e não dar explicações de nada, Rebekah finalmente parece conseguir voltar a si e põe-se a tentar falar o que todos querem saber. Allison, Heitor e Lavínia tentam acalmá-la, passando as mãos sobre seus cabelos e assoprando ar para que ela não fique mais sufocada, enquanto que você e Cris voltam rapidamente com a bebida roxa nas mãos para oferecê-la.



— Obrigada — Rebekah diz tomando um gole da bebida.


— E então, Rebekah? Tá mais calma agora? Consegue falar alguma coisa? — Allison pergunta.


— Vocês estavam certos, vocês estavam certos. O Tommy é um idiota — Rebekah fala exageradamente aos prantos enquanto soluça.


— Espera, amiga. Respira. Calma. Conta pra gente o que foi? O que tá acontecendo? — Lavínia questiona se aproximando.


— Eu vi, Lavínia. Você 'tava certa o tempo todo. Sobre o Tommy e a Micaella. Eu vi eles dessa vez com os meus próprios olhos. Eles estavam juntos de verdade!


— O que você viu? — Heitor pergunta.


— Não, eu não quero falar disso. Eu quero ir embora. Por favor, me tirem dessa festa — Rebekah suplica.


— Eu sabia! Eles estavam juntos, não é? Você viu o Tommy e a Micaella se beijando. Era de se esperar. Como que você descobriu isso? — Lavínia pergunta.


— Eu vi, Lavínia! Eu fui no banheiro e os dois estavam lá. Como é que pode isso? Os meninos não podem entrar no banheiro das meninas!


— A gente tá no meio de uma festa, né, Rebekah? Quem é que vai fiscalizar isso?


— É, realmente isso é impróprio — Heitor concorda.


— Nós acabamos brigando. Brigamos de verdade porque eu jamais esperaria ver isso da minha própria amiga — Rebekah pausa para um soluço — Discutimos no banheiro mesmo nós três. Algumas pessoas viram e ouviram do lado de fora também. Foi horrível. Eu não quero mais falar disso. Eu tô me sentindo traída. Quero ir pra casa.


— Não, você não vai pra casa. Você veio pra se divertir na festa e não vai deixar ninguém tirar isso de você. Já pensou não aproveitar a única festa de fim de ano de escola que a gente tem só por causa de duas pessoas? — você diz, encorajando-a.


— Espera, Rebekah. Eu respeito a sua história, mas eu não entendo o porquê de você tá chorando — Felipe fala.


— Como não sabe o porquê, Felipe. Ela acabou de pegar a melhor amiga dela beijando o ex dela no banheiro — Max dispara.


— Não liga, Max. Felipe não é menino que nem a Rebekah. Ele jamais vai entender que dor é essa — Lavínia fala.


— Realmente eu não entendo e também acho que nem vocês. Ora, se o Tommy é o ex da Rebekah, então ela não devia tá chorando desse jeito. Na verdade ela não era pra estar nem aí — Felipe finaliza.


— Eita. Eu não tinha pensando nisso — Cris diz.


— Tinha que ser. Vocês meninas costumam ser muitas vezes dramáticas e melosas — Heitor fala.


— Cala a boca, Heitor! Que idiota! Tinha que ser você pra falar uma coisa desse jeito.


— Tá, Rebekah, mas e aí? Vocês discutiram no banheiro e ficou só por isso mesmo? A Micaella não veio mais atrás de você? Pra onde ela foi? — você pergunta.


— Eu não sei. Deve ter ficado lá no banheiro com o Tommy. Eu saí correndo depois da nossa discussão. Fiquei nervosa, com raiva. Eles dois se merecem — Rebekah diz.


— Fez certo. Não deveria ter ficado mesmo. Agora, eu sei que vai parecer chato isso, amiga, mas eu tenho que falar. Que eu avisei que a Micaella é estranha...


— É, eu sei, Lavínia, eu sei. Você avisou. Não precisa me dizer de novo, tá?


— Vamo', gente! Vamo' voltar pra festa. A Rebekah precisa esquecer de uma vez por todas o Tommy e agora de brinde vai esquecer a Micaella. Vambora! — Max ordena.


— Não! E se eu encontrar ela pela festa?


— Eu dou uma surra nela! Já terminou o ano mesmo. Não vão me expulsar — Lavínia diz.


— Também não precisa de tanto, Lavínia — Allison comenta.


— A gente não vai aceitar um não como resposta — você fala, decididx.



Após um breve tempo com uma dose exagerada de insistência para que Rebekah aceite voltar para a festa, enfim o objetivo é alcançado quando a mesma aceita, ainda que meio incerta e com medo do que poderia se suceder quando estivesse entre a multidão com a perspectiva da alta probabilidade de dar de cara com Tommy ou Micaella outra vez.


Dessa vez está tocando outra música e essa parece agradar a grande maioria ao se depararem com inúmeros alunos dançando a sobre a influência da canção.


— "Don't You entre aspas Forget about me" — Allison dispara.


— O quê? — Max pergunta.


— A música. Se chama "Don't You (Forget about me). É do Simple Minds. Agora foi minha vez de adivinhar essa.


— Não. Essa música não é do Simple Minds, é do Tears for Fears — Cris fala.


— Tears for Fears?! Claro que não! Você tá pirando, Allison. Simple Minds é a banda. Eu tenho certeza.


— Não, eu tenho certeza que...


— Ai, vocês não vão discutir quem é que tá cantando a música, né? Vamo' logo pra pista e acabem logo com essa discussão — Lavínia ordena.



Sim, agora vocês estão de volta ao ginásio e sim, realmente quem canta a música do momento é a banda Simple Minds e não Tears for Fears como Cris deduzira. Não está, por hora, aquele clima intenso, agitado por causa da última música que escutaram quando foram para o jardim. É possível ver jovens até dançando juntos, corpo a corpo, como em uma daquelas músicas bem lentas de paixão.


Max se agarra com Allison, Lavínia, depois de tanta implicância acaba ficando mais próxima de Heitor e os dois acabam interagindo durante a canção, Rebekah é rodopiada e tenta ser distraída por Felipe e por último sobram você e Cris que ainda insiste na conversa do dono da canção.


— Eu ainda sei que quem canta é Tears for Fears e não Simple Minds. Allison não sabe de nada. Mas não vai falar isso pra elx.


— Tá, eu não vou falar — você diz, sorrindo.


— E então? Tá curtindo a festa, S/N? Não te vi falando muita coisa. Ainda teve esse lance da Rebekah? Será que ela vai se recuperar?


— Vai sim. Rebekah é forte. Ela precisa esquecer aqueles dois. O Felipe tá ajudando ela se distrair. Olha, ela tá até sorrindo de novo — você fala enquanto dá uma breve olhada em Felipe dando rodopios em Rebekah.


— Acredito que ela vai.


— É complicado essa história. Não deve ter sido nada legal os três discutindo no banheiro. Lavínia sempre tentou avisar que a Micaella não era uma boa amiga. Teve aquela história da foto na competição de vôlei que as duas brigaram e a Micaella tentou abafar e ainda teve aquele episódio daquela cena que eu vi dos dois no corredor e... nossa, era pra eu ter avisado pra Rebekah também que...


— Que episódio do corredor? — Cris pergunta sem entender.


Você acaba percebendo que, sem querer falou demais ao lembrar da cena de ter visto Micaella e Tommy aos beijos no corredor e que posteriormente você acabou desmaiando. Ninguém sabia daquele fato, já que não tinha falado pra ninguém. De primeira, você pensa em desconversar o assunto, mas já que a confusão toda já tinha acontecido mesmo...


— Não era nem pra eu te falar, eu não tinha certeza na época, mas agora eu tenho toda a certeza. Uma outra vez eu vi ou pensei que tinha visto a Micaella e o Tommy se beijando no corredor da escola. Os corredores estavam vazios, todo mundo 'tava na sala de aula. Eu só tinha ido pegar alguma coisa na sala de professores quando a gente 'tava na aula de química. Daí eu vi os dois, só que estranhamente no momento eu não tinha certeza, mas só depois que eu fui ver e ter certeza do que eu tinha visto. Hoje foi só uma confirmação — você declara afirmando detalhe por detalhe.


— Ah, sim! É claro! — Cris exclama — Foi naquela manhã que você desmaiou, não foi? Até hoje eu penso naquele dia. Fiquei preocupadx com você.


— Foi naquele dia, sim. Mas por favor, não conta pra ninguém sobre assunto. Eu deveria ter contado isso há muito tempo, mas eu não tinha certeza do que eu tinha visto. Se eu for contar isso agora pra Rebekah eu vou me sentir a pior pessoa do mundo por não ter contado pra ela. E também não é nem proveitoso falar disso. Ela já chorou muito essa noite.


— Não, é claro que eu não vou falar nada. Pode deixar que seu segredinho vai ficar guardado comigo. Agora tem uma coisa, a partir de agora eu vou desconfiar da sua lealdade por não ter contado pra sua própria amiga esse detalhezinho.


— Haha, que engraçado isso. Mas não se preocupe, não vai ter uma próxima — você fala — Agora, vem cá, você disse que ficou preocupadx comigo por eu ter desmaiado naquele dia. Você ficou preocupadx comigo mesmo?


— Sim, é claro que eu fiquei. Até falei com a Lavínia naquele dia. Você deu um susto na gente.


— Vocês sempre comentam tudo entre si, não é? Eu já percebi isso. Você se preocupa demais comigo, não é, Cris? Parece uma preocupação especial.


— E não é? A Lavínia já deve ter te falado alguma coisa, S/N. E você já deve ter percebido meu jeito com você. Acontece que você nunca me dá bola direito.


— Haha, que convencidx. Acontece que eu também já ouvi coisas sobre você. Não vou falar quem me falou, mas que eu ouvi, ouvi.


— O que falaram sobre mim? Não pode guardar segredo. Olha a sua lealdade — Cris fala, sorrindo.


— Tá, então se é pra dizer... me disseram que você é muito...



Ao tentar finalizar a frase, você é pegx de surpresa quando a multidão presente, quase que em uma única voz começa a cantarolar o que parece ser os últimos segundos da música. Um coro de "LA LA LA" gigantesco ecoa por todos os lados numa linda sintonia na qual muitos se abraçam parecendo encerramento de chamada de fim de ano da Rede Globo. Ainda assim, mesmo a música terminando todos continuam cantarolando até que em um momento encerram ao som dos aplausos e comemorações ao redor.



Não demorando, seguido disso, Meredith, pela primeira vez ao microfone, toma a sua vez de fala e dá umas batidinhas para chamar atenção dos que estão presentes para dar início ao seu tradicional discurso.


— "Boa noite, escola de Montreal. Espero que estejam radiantes essa noite."


— Salvx pelo gongo — Cris lhe fala.


Os alunos aplaudem e gritam como resposta à Meredith.


— "Nossa, essa música que acabou de tocar me trouxe tantas memórias, memórias lindas, inclusive. Me fizeram voltar no tempo, a mim, ao diretor Pascualli e aos outros professores também, eu acredito. Mas enfim, eu espero bastante que todos vocês estejam aproveitando bastante essa festa que preparamos com tanto carinho e amor pra todos vocês."



Após terminar, o diretor Pascualli se dirige até o centro do ginásio e então põe-se a falar:



— "Prezados alunos, professores e funcionários, é com grande alegria que os recebo nesta noite especial, o nosso tão aguardado baile de Inverno de Montreal! Eu sei que não sou muito de falar neste microfone e dar certos tipos de avisos a vocês, já que essa função fica sob os cuidados de Meredith, mas, ver este salão repleto de energia e alegria é a maior recompensa para todos nós que dedicamos tempo e carinho na organização deste evento. Agradeço imensamente a presença de cada um de vocês. A animação e o entusiasmo que trazem tornam esta noite verdadeiramente memorável. Espero que aproveitem cada momento, da música à companhia dos amigos."



Pascualli dá uma breve pausa e então retoma:


— "E agora, dando continuidade à nossa celebração, tenho a honra de apresentar os jovens que se destacaram por sua simpatia, espírito de liderança e representatividade em nossa comunidade escolar. São eles os candidatos a Rei e Rainha do baile de inverno deste ano..."



Dito isso, Pascualli começa a apresentar os nomes dos candidatos um a um começando pela categoria masculina, a que se refere aos candidatos a rei e por último, para fazer suspense à categoria feminina, anuncia os nomes das candidatas à rainha.


Ao anunciar os nomes, uma luz branca vai focando em cada um dos candidatos presentes no meio da multidão, até chegar nas consideradas protagonistas da noite.


Dentre elas, há duas que parecem disputar o favoritismo de grande parte dos alunos. Uma delas é Vera Carolina, aluna do terceiro ano G, muito atraente, simpática e conhecida por muitos por ser uma das chefes e coreográfas das lideres de torcida trabalhando lado a lado com Cynthia, na qual as duas já discutiram algumas vezes, o que acabou conquistando atenção e popularidade pelo feito, principalmente depois que Cynthia foi destituída da candidatura à rainha do baile de inverno principalmente provocada pela pequena rebelião de Lavínia, na qual Vera foi uma das primeiras a apoiá-la.


Já do outro lado há Suzanne Meliz, uma novata do primeiro ano D, super amiga de Cynthia, na qual parece ter muita coisa em comum, já que as duas tem praticamente a mesma personalidade. Ela é como uma vice abelha-rainha, podendo servir como menção o título de segunda abelha-rainha, substituindo Cynthia, sendo seu braço direito, caso alguma coisa acontecesse e assim Suzanne poderia ficar em seu lugar, podendo-se assim dizer.


— Eu sempre achei que Micaella seria o braço direito, mas quando eu vi essa Suzanne entrar no lugar da Cynthia e não a Micaella, eu fiquei surpreso — Heitor comenta.


— Ainda bem que ela não entrou. Mas eu tenho certeza que essa Suzanne não vai ganhar. Ela não tem perfil pra rainha de baile. Parece ser mais aguada do que a Cynthia. Com certeza eu vou votar na Vera. Ela vai ficar perfeita de rainha do baile e vai super combinar com o gato italiano do Enzo Viccerino — Lavínia dispara.


— Ele é lindo mesmo, né amiga? Eu acho que tô apaixonada — Rebekah fala dando suspiros apaixonantes e um sorriso enorme transparente em seu rosto.


— "Suzanne, você está aí?" — Pascualli pergunta ao notar que a tal luz não conseguiu localizar a aluna Suzanne.


E então, os alunos, curiosos vão procurando entre todos onde pode estar Suzanne, já que a mesma não se pronunciou até o momento.


— "Bom, talvez ela tenho ido ao banheiro" — Pascualli diz, sorrindo — Bem, por favor, peço uma calorosa salva de palmas para esses estudantes que abrilhantam ainda mais a nossa festa! Em breve, teremos a oportunidade de conhecê-los um pouco melhor antes da grande revelação. Mais uma vez, muito obrigado a todos e que tenhamos uma noite inesquecível!"


Os alunos ovacionam as palavras de Pascualli. Sim, ele fez um discurso bem bonito, nada mal pra quem não tem esse costume de fazer coisa do tipo em meio à uma multidão de gente.


— É, calado sempre, mas quando abriu a boca só falou coisa bonita. Que diretor, minha gente! — Heitor comenta dando uma batidinha em seu irmão Felipe com uma leve gargalhada na qual o mesmo retribui o gesto.


— Cala a boca que ainda tem mais — Lavínia ordena.



De repente um televisor projetado surge na parede em meio à cortina prateada que está à frente da parede onde há a porta que dá saída para o ginásio. Um vídeo começa a ser exibido inicialmente com o logotipo da escola, parecendo fazer uma regressão desde o começo da história da escola. Há também um título escrito: "Música: Eminence Front; Artista: The Who (1982)" e de imediato a canção começa a tocar.


Primeiro são mostradas fotos dos antigos alunos, seus costumes, fotos aleatórias de festas, concursos e competições. A tela ganhou vida com fotos granuladas e cores desbotadas, transportando todos para a década de oitenta. Adolescentes com cortes de cabelo da moda da época e uniformes um tanto quanto diferentes dos atuais enchiam o pátio do então recém-inaugurado Colégio Montreal.


A narradora, com uma voz calorosa e nostálgica, começa a contar uma história:


— "Era uma vez, em um tempo de fitas cassete e walkmans, quando o Colégio Montreal abria suas portas pela primeira vez... Vejam só esses rostinhos! Alguns de vocês talvez reconheçam seus pais ou até mesmo seus avós nessas imagens."


A exibição prossegue, mostrando a evolução do prédio ao longo dos anos, as primeiras turmas de formandos com seus sorrisos nervosos e esperançosos, os festivais culturais com fantasias elaboradas e a energia contagiante dos alunos. Risos ecoavam pelo ginásio quando fotos de competições esportivas mostravam uniformes engraçados e poses desajeitadas.


Passando um pouco adiante vem a década de noventa já trazendo na apresentação novas tecnologias e eventos marcantes para a escola, como a construção da biblioteca e a criação do grêmio estudantil. As fotos mostram debates animados e projetos inovadores que começavam a surgir na época.


A virada do milênio marcou uma nova era para a escola, com a introdução dos computadores e da internet. As fotos mostrando os primeiros laboratórios de informática, com seus monitores grandes e teclados barulhentos, e a curiosidade estampada nos rostos dos alunos, inclusive no seu marca um sentimento de magia, como se por algum momento e de alguma forma realmente estão inseridos na época vivenciando tudo de tão perto.



Então, não parando por aí, a exibição avança para os anos mais recentes, mostrando as conquistas acadêmicas, os projetos sociais, as viagens de estudo e os eventos que se tornaram tradição na escola. Imagens vibrantes dos atuais alunos em atividades extracurriculares e projetos inovadores arrancavam aplausos, gritos e sorrisos da pessoal.


— "E aqui estamos nós, hoje," conclui a narradora, enquanto a tela exibe fotos do baile de inverno atual, tirado em algum momento mostrando todos reunidos no ginásio, talvez tirada em algum momento na qual não puderam perceber, capturando a alegria e a união dos presentes. "A história da Escola Montreal é feita de cada um de vocês, de cada professor, de cada funcionário que dedicou seu tempo e sua paixão a esta instituição. Uma história de aprendizado, de crescimento e de laços que duram para sempre."


A última imagem a brilhar no telão é a do brasão da escola, seguido por uma mensagem simples, talvez genérica, porém marcante: "Montreal: Ontem, Hoje e Sempre."


Uma salva de palmas calorosa preenche o ginásio. A exibição havia sido uma viagem no tempo, um lembrete das raízes da escola e de toda a sua evolução. Muitos alunos se veem nas fotos mais recentes, enquanto outros reconhecem seus pais e familiares nas imagens mais antigas, criando uma conexão ainda mais forte com a história do colégio. A magia do baile de inverno ganha um toque extra de nostalgia e pertencimento na noite.


Porém, algo acontece, interrompendo esse momento de magia.


Um ruído fino de estática toma conta do ginásio chamando a atenção de todos como aquele mesmo som de como se alguém fosse falar ao microfone.


Mas aqui não é isso que acontece.


Um outro vídeo é mostrado no telão. Nele é mostrado algumas rebeliões, momentos mostrados de pessoas realizando protestos pelas ruas com cartazes nas mãos, inclusive um vídeo daquele dia em que foi ao aeroporto na despedida de Jeremy, quando avistou aquelas pessoas falando algo sobre corrupção e também sobre o avanço exagerado da alta tecnologia.


— "Mas que vídeo é esse? Isso foi combinado de colocar no telão?" — pergunta um aluno não muito distante.


— Ih, acho que o pessoal que ficou responsável pela edição tá todo atrapalhado. A Cynthia deve tá se roendo de ódio — Allison brinca.


E é então que em meio a isso acontece um quesito a mais que lhe chama de imediato a atenção...


— "Existe um grupo de homens que estão tomando conta aos poucos dessa cidade. Nós não temos mais respeito e parece que a nossa paz tá sendo aos poucos derrubada." — diz uma mulher falando diretamente para a câmera.


— "A que grupo de homens você se refere exatamente?" — uma outra mulher questiona, porém essa está atrás da câmera.

— "Eu não sei se posso citar nomes, porque eu tenho medo que isso possa causar alguma encrenca pra mim, mas eu acho que seria digno falar..." — ela inicia.


— "A palavra é sua. Do que se trata?"


— "Todo mundo sabe que a cidade de Nevinny não tá mais a mesma. Todo mundo sabe que na nossa economia e política certas pessoas se intrometeram e querem mudar o que a gente sempre teve desde sempre. O que acontece é que eles querem mudar as coisas do jeito deles, mas será que eles pensam que o jeito que eles querem mudar é a forma como todos nós queremos? Alguns políticos, senadores, investidores vindos até de outras cidades estão aqui querendo manchar a nossa cultura e prestígios, mas acredito que o pior deles é Joseph Montenegro. Esse homem é bárbaro e até já foi preso acusado por lavagem de dinheiro."


— Desliga isso! Desliga logo isso! — Meredith exclama, ordenando.


— "Esse homem tem que ser responsável por tudo o que ele vem feito. Muitos não sabem nem a metade. Essa história de táxi voador? Isso é invenção dele. Dele e dos outros que estão juntos nessa. Mas não é só isso. Ele tem que pagar pelas coisas que tem feito, junto com a sua família corrupta."


A tal mulher finaliza e então o vídeo é finalmente finalizado e o telão apagado. Você de imediato sai do ginásio passando por vários alunos qhe começam a te olhar de maneira indiferente correndo para o jardim.



Assim que chega no jardim logo se esconde atrás de um dos arbustos que tem e em sequência seus colegas chegam também chamando por seu nome. Porém você não responde. Saindo de perto do lugar e se afastando para não ser encontradx, se direciona para um lugar mais vasto com mais arbustos e algumas árvores também.


Sua mente começa a pensar nas palavras ditas por aquela mulher no vídeo e no olhar dos alunos para você, como se te julgassem por um crime terrível. "Quem foi que autorizou aquele vídeo e por que ele foi mostrado?" — você se pergunta — "Quem é aquela mulher do vídeo?"


Muitas questões rodeiam sua cabeça enquanto você anda pelo vasto jardim até que, de repente, eles são cessados ao ouvir, não muito distante um baixo choro.


De primeira você para no exato ponto onde está para ter certeza do que está ouvindo ou do que talvez esteja imaginando. O choro vai ficando constante, então sem hesitar, cuidadosamente decide investigar.


Em pequenos passos e com todo cuidado vai pisando pelo jardim coberto de neve e olhando ao redor na tentativa de encontrar algo, mas, seguindo a origem do quase inaudível som você se depara com um pequeno envelope. Ao pegá-lo você vê que dentro dele parece haver algo e assim você encontra uma estrela preta e pontiaguda. Pontiguada o suficiente para fazer um corte. É o que conclui ao ver que duas de suas pontas escorre um líquido vermelho na qual no mesmo instante você solta a estrela ao imaginar o que esse líquido possa ser.


— O quê?! — você pergunta, assustando-se.


Ainda pode-se ouvir o choro e ele com certeza está mais perto. Um outro ruído parecendo um sopro é ouvido agora. Você, aparentemente com medo se aproxima de um dos arbustos e encontra o que não queria encontrar.


Há uma garota deitada no chão, com sangue escorrendo pelo seu peito bem próximo ao coração. Há também muito sangue espalhado em volta dela.


De imediato você pega o celular em seu bolso e chama a emergência com a voz embargada sem acreditar no que acabara de ver. A atendente diz que a ambulância chegaria em alguns minutos para prestar socorro. Como que essa garota foi parar sozinha no jardim afastada de todos enquanto todo mundo curte a festa no ginásio e ainda mais ensanguentada desse jeito?


— S/N! Nossa, que bom que a gente te achou — Rebekah fala se aproximando.


— Não, espera! Fica aí — você fala, ordenando.


— S/N, não liga pra o que foi falado naquele vídeo. Foi um vídeo idiota. Não liga pra o que tem nele. A gente veio ficar com você aqui — Lavínia diz.


— Não, Lavínia não chega perto. Você não vai querer vir aqui.


— Mas por quê? A gente só veio falar com você e dizer pra não ficar com...


Lavínia ignora seu pedido e, ao chegar perto de você de imediato nota a presença da menina caída no chão agonizando.


— Espera, essa é a... — ela inicia.


— O quê? O que vocês estão vendo aí? — Max pergunta.


— Gente, venham ver uma coisa. Mas quem tiver estômago fraco pra ver sangue não vem aqui — Lavínia fala.


Todos os seus colegas do grupo chegam próximo de onde estão, porém Lavínia decide chegar mais perto da moça, cercando-a.


— Essa é a Suzanne Meliz. S/N...


— Não, eu não fiz nada. Eu cheguei aqui no jardim pra me esconder de vocês e achei um envelope e... quando eu cheguei aqui ela já 'tava aqui caída no chão.


— O que isso? O que aconteceu? Ela precida de cuidados — Rebekah fala em choque levando as mãos sobre a boca.


Heitor, sem reação apenas arregala os olhos e assiste a cena um pouco mais distante.


— Não entrem em pânico, a gente precisa chamar alguém agora — Allisson fala.


— Eu já chamei a ambulância. Eles vão estar aqui em alguns minutos — você diz, nervosx.


— Vou chamar alguém lá dentro. Alguém pode levar ela pra enfermaria da escola — Cris fala correndo de volta para o ginásio.


— Eu também vou. Vou avisar a todos — Felipe avisa seguindo em disparada os passos de Cris.


Allison chega próximx de Suzanne e observa toda a área afetada pela perfuração enquanto que Max, ao pegar o envelope de sua mão analisa o papel e entrega para Allison.


Suzanne continua a agonizar fazendo som de como se estivesse engasgada. Sua respiração fica fraca aceleradamente até que instantaneamente ela para seus movimentos e fica estática fazendo Allison se afastar imediatamente.


— O que foi isso? Ela...morreu? — Lavínia pergunta, boquiaberta.


Um silêncio toma conta e ninguém mais fala absolutamente nada. Vocês se olham por alguns segundos e tudo que alguém consegue dizer no momento é Heitor que diz...


— Foi um prazer conhecer vocês.

Notas finais
Oi, meus queridos leitores! Me sinto muito feliz de ter concluído essa história na qual eu comecei a escrever em 2021 e devido a vários fatores consegui concluir esse ano. Foi um processo demorado, mas satisfatório. Cada desenrolar da história e escrever cada capítulo abrindo portas pra mais coisas acontecerem foi muito divertido de fazer. Porém, ainda não acabou. Esse foi o último capítulo dessa primeira parte, e sim, venho confirmar oficialmente que vai ter a Parte 2 de Os órfãos de Nevinny. A capa já está pronta e a história já está em desenvolvimento. Eu agradeço muitíssimo quem teve paciência comigo e acompanhou a história até aqui, muito obrigado mesmo. Espero que tenha gostado desse encerramento e... até a parte dois. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!