— Como assim não podemos lidar com tudo o que está acontecendo? — Gritava nervosa, Elesis.
— É como eu já disse!! Os monstros são muitos e crescem cada vez mais... — Explicava a Comandante Lothus.
— E o que acha que devemos fazer? Recrutar novos membros? — Sugeria Arme.
— Seria uma boa idéia... Poderíamos treiná-los e encaminhá-los aos continentes. — Ronan, dessa vez.
— Eu concordo com o garoto — pôs uma das mãos na cabeça do menino de madeixas azuladas, bagunçando-o os cabelos ­—Deveríamos aumentar nosso grupo!! — Disse Ercnard.
— Ahh... Meu cabelo... — Disse com uma expressão triste.
— Não, vocês já estão no quase auge do poder, e trazer novatos poderia passar a imagem de que a Grand Chase possui pouca capacidade para problemas. — Retrucou Lothus.
— Então o que sugere, capitã?!?! — Disse Lass com certa ironia na fala.
— Sugiro que, primeiro fique quieto e me respeite, e, em segundo, que achemos um meio de combatermos todos os monstros, em todos os continentes.
— Que tal contratar guerreiros para cada continente? — Sugeriu Jin, agora.
— Não temos ouro para tal... — Lothus nem precisou responder, Azin o havia feito.
— Podemos então nos separar... Cada grupo vai para cada continente. — Informou Holy.
— É uma boa idéia... Mas eu terei de formar os grupos. Sei o quanto vocês podem se distrair com as amizades... — Lothus.
— Tá bom, tá bom, e quais serão os grupos? — Impaciente, apressou o moreno Ercnard.
— Está tarde agora, vamos dormir agora, e, amanhã, separo os grupos... Boa noite. — Saiu Lothus sem mais delongas.
Após a conferência, o grupo se separou. Havia apenas dois grandes quartos com beliches, onde um era ocupado por garotas, e, obviamente, o outro por garotos. Todos se retiravam da grande sala, um a um, sobrando apenas Ronan por último. Se encaminharam ao dormitório, cada um à sua "cama". Todos deitaram-se, e, rapidamente adormeceram em um sono profundo e reconfortante. Ronan logo não resistiu ao sono e, finalmente, se rendeu por completo.

Enfim acordou, mas ainda estava com muito sono. Parecia que tinha dormido por pouco tempo. Abriu os olhos e percebeu que tudo ainda estava escuro. Tentou se mover, mas não conseguia. Como estava completamente escuro, não enxergava, e percebeu que dois braços os rodeavam, abraçando-o fortemente.
— Acordou? Ainda está cedo... — A voz disse. Era Ercnard. Ercnard Sieghart, com certeza. Este dizia próximo ao rosto do garoto confuso.
— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhh!! — Gritou, acordando a todos. O susto foi tão grande que Ronan caiu ao chão, pois estava na beira da cama apertada.
Todos levantaram rapidamente, acendendo as luzes e se deparando com a cena de Ronan caído ao chão, e Sieghart sentado na cama, coçando a cabeça com uma das mãos.
— Mas o que diabos aconteceu aqui? — Disse Dio muito sonolento.
— Esse garoto,Ercnard, fez alguma coisa comigo!! Eu dormi na minha cama e acordei agora na dele!! O que foi isso?!?! — Ele estava frustado e assustado.
— Eu o que? Menino, você acha que perderia toda a noite te tirando da tua cama para colocar na minha?! — Disse com muita ironia na fala.
— Eu não sei, mas apareci aí!!
— Faça-me o favor, moleque!!
— Como assim Ronan, você foi parar na cama dele?!?!?!?! Pffff... Hahahaha — Jin ria do momento constrangedor.
— Sieghart, pensei que fosse o machão do grupo... Estou decepcionado... — Dio tentava enfurecer o moreno.
— N...não!! E...eu acordei, e....ele disse... — Tentava se explicar, o de cabelos azuis.
— Não me interessa quem quer ficar com quem, eu só quero dormir!! Vou atirar na boca do próximo que falar!! — Disse Lupus nervoso, desligando as luzes e voltando para sua cama.
Nos 5 minutos seguintes, ainda foram ouvidas algumas risadas no dormitório, mas logo todos se acalmaram e dormiram novamente.
De manhã, todos se arrumaram, tomaram banho, comeram alguma coisa e foram para a sala de conferências. Lothus estava aguardando a todos com uma jarra colorida e enfeitada nas mãos. Todos se acomodaram e, finalmente, ela começou a falar.
— Pessoal, aqui tenho vários papéis contendo os números de um a seis, que significam Vermécia e Áton, respectivamente. Cada um pegará um papel e formará o grupo com os outros integrantes que sortearam o mesmo numeral. Entenderam? — Explicou Lothus.
Todos concordaram com a cabeça, formando uma fila em frente a Comandante. Cada um pegava o papel e se encaminhava para seu respectivo lugar. Abriam, checavam em que grupo estaria, e, aguardavam instruções de Lothus.
— Bom, todos já pegaram seus papéis, então... Podem procurar seus companheiros nessa sala. Boa sorte!! — Disse apressadamente, e dirigiu-se para a porta da sala.
— Ahh, lembrem-se: Quero todos no continente instruído em até dois dias!! — E, enfim, se foi embora.
Na sala todos perguntavam "Qual é seu número?!?!", "Vai fazer grupo comigo?!", e outras questões relacionadas ao futuro grupo formado. Ronan permanecia sentado no seu lugar, esperando a confusão acabar para procurar seu parceiro. Ele havia tirado o número 5, Arquimídia.
Mal se passou dois minutos e Sieghart sentou-se ao lado dele, de um jeito desleixado e dando pouca importância a tudo que acontecia.
— Para onde vai? — Antes mesmo de terminar a pergunta, arrancou o pedaço de papel da mão do garoto.
— Não!! Me devolve isto!! — Tentava pegar várias vezes, falhando, o papel da mão do moreno.
— Hmmm... Cinco? Bom... Muito prazer, companheiro de grupo... — Estendeu a mão, em seguida.
— Não acredito... Você?! Ahhh não... — Estava frustado.
— Deveria estar feliz, afinal... O que te fiz para me odiar?
— Você esqueceu de tudo que aconteceu ontem?!?! Eu acordei na sua cama!! — Gritou Ronan, fazendo a sala ficar em silêncio.
— Galera, vamos nos apressar. Temos que viajar em um prazo de dois dias! Quem deverá ir para Xenia, Áton ou Arquimídia deveria estar bem preocupado!! — Mudou, Sieghart, completamente de assunto.
As garotas estavam confusas e alguns garotos riam baixinho para ninguém ouvir. Mas obedeceram Ercnard e foram preparar suas bagagens. Nos dormitórios ainda haviam algumas piadas que constrangiam Ronan e irritavam Sieghart, mas eles decidiram nem se importar com o que diziam.
Chegara então a hora de partir. Ronan e mais alguns integrantes da Grand Chase estavam no pier de Vermécia à espera do próximo barco voador para Xenia, Arquimídia e Áton.
— Nossa, como é fantástico... — Ronan falava sozinho.
— O quê? Eu? Já sabia disso... — Se gabava Ercnard movimentando os braços, mostrando os músculos, mas brincando.
— Quê?! Não... Eu estava falando sozinho... E não deveria ficar se gabando, não é legal.
— Não adianta esconder, sei que gosta... — Riu, logo após.
— Não gosto não!! E, aliás, por quê faz isso comigo? Fica tentando me seduzir?
— Porquê eu gosto de você, hehe. E sei que gosta de mim.
— Não, eu não gosto!! E o que foi aquela coisa da cama? Quem me colocou lá?
— Fui eu.
— Você?! Como?! Por quê?!
— Já disse, gosto de você... E vi sua expressão na hora de dormir... Era meio... Fofa... — Sieghart estava corado, o que nunca jamais havia visto antes.
— E por causa disso precisava me colocar na sua cama?! E... Você está vermelho!! Hahahaha — Zombava ele.
— Não, não estou vermelho!! É que... Estou resfriado!! Isso!!
— Sei... Ah, nosso barco chegou, vamos!!
— Vamos... — Então os dois seguiam em direção ao barco com uma inscrição que dizia Arquimídia em letras bem grandes.
Os dois ainda não sabiam quem era seu outro companheiro e só foram descobrir no momento de embarque. Ele vinha na direção dos dois, carregando apenas uma mochila nas costas. Era um garoto medonho, que Ronan não queria que fosse junto com eles, mas agora o estrago já havia sido feito. Então, os três se acomodaram para a longa viagem de dois dias.