Orpheus
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Após sentir a necessidade do ar, Ranmaru se afastou. Olhou para aquela carinha de Reiji, toda vermelha e tremula. Ele estava com medo.
– Reiji, você não esta gostando! Eu sei, prefere o Otoya. — disse o de cabelos cinza soltando Reiji, sem muita vontade. — C-certo, eu... Vou indo. — falou passando as mãos nos fios e se afastando lentamente.
– Ran-Ran... – a voz de Reiji saiu como um sussurro ao levantar a mão em direção ao amigo, ou ex-amigo, ou ficante... Ele estava muito confuso. Bastante confuso. – Fica!
– Por quê? Acho melhor esfriar a cabeça. — falava dando as costas ao menor. – Eu não queria te deixar com medo.
– Ran-Ran... – Reiji puxou o ar e arrumou a roupa que estava amassada. Tinha esquecido que estavam sendo observados. – Você chega e me beija e depois vai embora? Está fazendo comigo a mesma coisa que fez com as outras! É disso que eu estava com medo, isso tudo ser uma brincadeira sua!
– Não é brincadeira, Reiji. A noite eu converso com você! — disse olhando o menor voltando a se aproximar. — Você gosta de mim? – perguntou, pois sentiu algo diferente no beijo do outro. Tão quente e calmo assim como a personalidade do amigo.
– Eu... – Reiji virou o rosto e colocou a mão sobre o peito e não notou que Natsuki desceu da maca e saiu com passos silenciosos daquela sala. – E você gosta? – sua voz tomou a coragem que antes tinha perdido. – Estava flertando com Masa-chan até ontem.
– Sem fugas. — falara segurando o pulso do amigo. — Masato é meu amigo de infância, ele ama Ren e eu quero que eles fiquem juntos. — disse passando a se sentir irritado. — É só responder! — olhava o outro nos olhos.
– Ele é somente o seu amigo... – Reiji virou o rosto e tentou se distanciar. – Mas fica flertando com ele, jogando insinuações, passeando com ele... Tocando nele de forma intima... Limpando o leite no rosto dele! – falava sem parar e ele entendia que isso poderia ser considerado ciúmes. – Você nunca fez aquilo comigo, tudo que faz é ficar elogiando a minha comida, até ficou sem falar comigo porque não te dei Mochi. – respirou virando o rosto, sentindo-se vermelho. – Você não gosta de mim, gosta da minha comida!
– Reiji, eu só faço aquilo para o Ren tomar uma atitude, Masato nunca vai se declarar! — disse segurando o rosto de Kotobuki. Ele gostava dele, um alguém como ele. — Você fica tão lindo assim. — disse lhe roubando um selinho. — Vem vamos dar uma volta! — disse Kurosaki estendendo a mão.
– É um jeito estranho de ajudar os dois a se juntarem. – ele passou a mão pela cabeça. Confuso ao olhar a mão estendida de Ranmaru. Ele não achava bonito o que seu amigo fazia. Estava fazendo Ren ficar totalmente sem nexo, quase brigando na sala. As insinuações com Masato, os toques. Tudo, tudo mesmo, o estava incomodando. Ele não escondia que achava errado tudo aquilo. Ele olhou para a mão mais uma vez, em nenhum momento Ranmaru falou que gostava dele. Falou sobre atração. Ele já tinha tomado a sua decisão. Pegou a mão de Ranmaru. – Vamos para o conselho.
– Reiji... — Ranmaru apertava a mão do menor, ele não sabia o que estava sentindo, mas estava bom. E ele não queria soltar de jeito nenhum.
– UTA –
Tokiya havia andado quase o shopping inteiro e já estava cheio de sacolas. Otoya parecia feliz sempre dando palpites quando este perguntava, até que o ruivo decidiu que iriam comprar alguns CDs. Seguiram para a loja e Otoya já foi correndo para uma prateleira com vários CDs do Hayato. Seria bom, pois já teve chateação o suficiente com as garotas se aproximando deles.
– Deixa isso aí, Otoya! — Tokiya pediu se aproximando do ruivo, mas antes que chegasse perto foi rodeado por varias garotas que gritavam “Hayato-sama”.
Otoya olhou para aquela confusão, estava totalmente pasmo. Novamente ocorreu aquilo de várias garotas rodearem Tokiya. Ele também estava interessado em saber qual ligação Tokiya tinha com Hayato, devido aquelas luvas. Mas talvez ele não tivesse ligação, talvez ele somente tivesse aquela luva por ser fã.
O que seria muito ilógico já que Tokiya parecia odiar muito Hayato.
Ele voltou a olhar para os CDs, o sorriso sempre em seus lábios. Aquela voz magnífica. Mesmo que alguns digam que Hayato é uma piada, que é um comediante e que somente crianças e garotas gostavam dele, ele não enxergava isso.
Aquela voz tinha alma. Hayato era bem mais que um comediante. Certo que faltava algo em suas músicas, mas nunca deixaria de escutar e admirar. Pegou todos os CDs que conseguiu achar de Hayato e seguiu para o caixa.
Não era que ele tinha muito dinheiro, ele tinha o suficiente que sua mãe adotiva enviava. Olhou para trás para ver se estava tudo bem com Tokiya e sorriu. Era engraçado ver as feições de Tokiya quando este estava com as garotas em volta dele.
Quando pegou a sacola com os CDs, o que ele mais queria era voltar para o seu quarto e escutar todos eles. Aprender as letras. Talvez ele compre um DVD, assim poderia ver a apresentação de Hayato. Correu até o meio das meninas, rindo mais ainda e pegando na mão de Tokiya e o puxou para fora da loja.
Tokiya se surpreendendo com a ação de Otoya. Pararam perto de uma fonte e então se sentaram e Tokiya olhou para o ruivo, este estava tão feliz.
– O que comprou? — perguntou pondo as sacolas arrumadas perto do pé. Ele nem havia comprado nada. — Desculpe, não queria causar aquilo.
– Não foi sua culpa. – Otoya se sentou feliz, abrindo a sacola e tirando alguns CDs que tinha comprado. – Olhe, comecei uma coleção de Hayato-sama! – ele colocou os CDs de volta e pegou os outros. – Só falta alguns DVDs. Acho que vou comprar pôster.
Tokiya olhou para aquela coleção, agora estava irritado. Otoya estava perdendo o tempo gastando com aquilo, não conseguiu conter a raiva, pegou os CDs jogando no chão e quebrando-os.
– Para de gastar com porcaria, Otoya. Tem coisas mais importantes. — disse olhando os cacos dos CDs.
Otoya estava sentado, sem fala e sem reação. Vendo cada CD sendo quebrado com os pés de Tokiya. Ele via em câmera lenta a forma despreocupada de Tokiya, que sentado, pisava com fúria os objetos, os cacos voando e o som de pedaços.
Seus CDs.
Todos quebrados e despedaçados, devido o ódio de Tokiya. Ele se levantou lentamente, seguindo com passos lentos e com a garganta apertada. Ele não queria chorar por CDs, mas por alguma razão seus olhos se encheram.
Segurou, porque achava que não havia necessidade. Mas seu peito doeu muito ao imaginar Hayato cantar e sua voz acabar. Aquela voz tão bonita.
Ajoelhou-se no chão e tocou nos cacos. Irreparável. Não tinha mais conserto. Juntou os cacos em sua mão e pegou o pacote, colocando os cacos lá e se levantou. Ele não olhou para Tokiya quando se distanciou deste, contudo não pôde se distanciar muito pois Tokiya o abraçou, sem nenhum motivo aparente.
– O-otoya... Me desculpe, eu não queria magoá-lo. Você se machucou? — perguntou vendo as mãos deste. — Sério, eu não quis !- disse o virando para si. — Escute... — disse vendo os olhos brilhantes, ele estava segurando o choro por sua culpa. — Me diga, eu faço o que quiser para não ficar assim!
– Eu... – Otoya abaixou o olhar para os pedaços em sua mão. Ele achava exagerado tudo o que Tokiya tinha feito. Sem necessidade tudo aquilo que ele fez. Se ele odiava Hayato, não era desculpa de quebrar os seus CDs. Não era pelos objetos, era por toda aquela atitude. – Pode me deixar? Não quero brigar com você!
– Por favor, eu não quero... – ele suspirou e segurou a mão de Otoya. – Escute, eu realmente estou arrependido. Eu vou conseguir um tempo no camarim com Hayato, todos os CDs que perdeu e posters, por favor me perdoa! — disse Ichinose.
– Ichinose-sama. – ele pediu, tentando distanciar. Ele não queria ser comprado, nem por algo que considerava impossível, passar um tempo no camarim de Hayato. Ele queria respirar, pensar sobre o porquê Tokiya fez aquilo sem sentido. – Não tem problema, só queria estar... – a garganta fechou. As mãos estavam quentes, mas ele não queria pensar nisso. – Eu compro.
Tokiya estava se desesperando, não queria perder Otoya e naquele momento era exatamente o que estava acontecendo, não sabia o que fazer sentiu os olhos arderem. O ruivo o havia chamado de Ichinose e aquilo havia o machucado. Abraçou Otoya mesmo este não querendo e foi deslizando ate sentir o coração do outro.
– Otoya, por favor, não quero ficar só. Se quiser ir tudo bem, mas apenas deixe-me recompensa-lo por meu ato rude. — pediu com uma voz estranha, abafada e baixa.
O ruivo ficou surpreso. Foi um ato tão espontâneo. Já era muito diferente ser abraçado por trás, mas Tokiya o tinha soltado rapidamente naquela hora. Mas agora Tokiya o abraçava forte. Um braço passava por seu ombro esquerdo e o outro por debaixo de seu braço direito e prendia em suas costas. Um abraço firme, que o aprisionava.
Era muito apertado, chegava a sufocar. Ele largou os cacos no chão e retribuiu o abraço por instinto. Porque estava muito forte. Novamente provava da força de Tokiya, dessa vez não era segurando o seu braço com raiva. Dessa vez era o abraço com aquela força.
Jamais esqueceria o tão forte Tokiya poderia ser quando não controlava suas emoções.
Reparou nisso. Como não notaria? Tokiya era daquelas pessoas guardadas e controladas, que agora o abraçava e pedia perdão. Lógico que o perdoaria, não teria problema nenhuma em perdoar. A questão era que no momento estava nervoso.
Muito nervoso. Por isso queria um pouco de distanciamento, não queria brigas. Mas tudo bem, ele estava calmo agora. Sabia que sua amizade estava sendo valorizada.
– Está tudo bem... – ele sorriu e abaixou a cabeça até o chão. Olhava como as imagens de Hayato voavam, sujas e amassadas. – Eu mereci, eu olhei suas coisas.
Levou um tempo para Ichinose soltar Otoya e olha-lo. O ruivo havia se acalmado, aquilo o deixou tão leve.
– Vai aceitar minha oferta? Vamos, não quer os CDs autografados?- perguntou voltando a sua postura habitual.
– Tudo bem. – Otoya sorriu. Ele não precisava dos CDs, Tokiya já estava sendo muito gentil com seus pedidos de desculpa. Ele só estava aceitando algo que achava impossível para deixar Ichinose feliz e mais calmo. Agora que a cabeça de Tokiya não estava mais em seu peito, e que o abraço rompeu ele sentia um frio. – Vou querer. – riu, cortando aquele clima.
Aquilo fez Tokiya esboçar um sorriso. Não muito visível, mas Otoya havia enxergado.
– Vem, vou te levar em um lugar antes de voltarmos. – disse, mas assim que cortou contato visual com Otoya pode perceber vários flashs na direção deles. Não dava para acreditar, eram paparazzis em plena hora de almoço, não pensou duas vezes estava irritado não iria agir como Hayato naquela hora não na frente de Otoya, pegou na mão do ruivo e o levou para um local mais restrito.
Tokiya parecia nervoso, não era para acontecer aquilo, entrou em uma loja de brinquedos e foi para o fundo da loja, encostou o ruivo na parede escondida por peluches grandes de panda e se aproximou a ponto de ficar grudado, sentindo a respiração um do outro.
– Me desculpe, não queria te causar problemas. — disse em um sussurro no ouvido do menor.
– O que está acontecendo? – em um fio de voz, Otoya estava vermelho. Muita vergonha pelo o que estava acontecendo.
Aquela proximidade era desnecessária, foi o que achava. Estava se arrepiando e não sabia explicar. Recapitulava o que aconteceu. As pessoas pensavam mesmo que Tokiya era Hayato. Os dois eram diferentes, ele mesmo tinha notado isso vendo o vídeo. Tokiya não era Hayato, as pessoas não compreendiam isso.
Sabia que estavam sendo fotografados. Outro fato que não tinha necessidade. Esperava que os paparazzi não fizessem besteira. Agora estavam naquela loja, se escondendo naquela pose estranha e com a respiração quente lhe atingindo.
Tokiya estava tão sem ação que não conseguiu entender como haviam chegado até ali, naquela situação. Por segundos conseguiu despistar os perseguidores, ficou mais tranquilo, por desta vez não esta sozinho. Se fosse Hayato ele teria que sorrir, sair de seu eu para agradar. Assim que sentiu as coisas se acalmarem ele se afastou de Otoya, sentiu algo estranho que não pode explicar. Olhou para onde estavam e pegou um panda de pelúcia.
– Toma, vá na frente! – disse vendo um vendedor se aproximar. — Ele vai na frente eu irei pagar o urso, não deixe que fique aparente a saída dele. Otoya, espere na frente do portão da escola as sete e meia. — disse olhando o ruivo. — Ele passará para te levar.
– Certo... – ele olhou para o urso e sorriu. Tokiya estava sendo muito atencioso hoje e comprando o urso agora. Ele queria dizer que não precisava disso, que já estava desculpado, que não necessitava dizer que ele veria Hayato. Contudo, ele queria retribuir a mesma gentileza, como não tinha mais nada para dar ele, o abraçou. – Estarei te esperando.
Se afastou e olhou para a porta, ficou um pouco pensativo. Aquelas pessoas eram estranhas, mas ele não precisava se esconder, ele não tinha nada relacionado com Hayato. Então andou até a porta e voltou a olhar para trás acenando e enfim saiu da loja, correndo feliz pela rua.
Tokiya viu os últimos passos de Otoya, ele nunca havia ouvido na vida que esperariam por ele. Demorou um pouco antes que ele acordasse do transe e saísse da loja.
– UTA -
Syo Kurusu estava sentado no jardim, há um tempo querendo pensar no que estava acontecendo com ele toda vez que estava com Natsuki era a mesma coisa, ele sabia o que era, uma vez havia ouvido a tia falar sobre relacionamentos, mas jamais faria aquilo com alguém era muito vergonhoso.
– Ah, que merda! — disse Kurusu embaraçado com os próprios pensamentos. — Irei atrás de Natsuki!
– Syo-chan!
O grito ao longe chamou a sua atenção, mal se virou e foi atingido por um grande elemento. Ambos caíram no chão, Natsuki em cima, mas por pouco tempo. Natsuki o puxou para se sentar e o abraçou, beijando-o.
– Está tudo bem com você? – sorriu, levantando e puxando Syo para os seus braços. – Reiji senpai me explicou o que eu tenho!
–Ahhh, por que sempre tem que me apertar desse jeito? — disse tentando respirar. — Mas diga, o que ele te disse? — pediu tentando se ajeitar naquele sufoco. Natsuki realmente não sabia a força que tinha.
– Ele disse que estou te amando e que estou quente por causa disso. – sorriu mais, sentando e deixando Syo sentado em seu colo com as pernas em volta de sua cintura. – E falou que passará quando fizermos amor! – o sorriso ficou mais baixo e o olhar ficou mais sério. Eram poucas as vezes que ficava assim. – Quero fazer amor com você!
Kurusu engoliu em seco. Natsuki estava sério e o havia colocado ele naquela posição. Ele estava achando que aquilo não ia dar certo, ele tinha medo de dar errado. E mesmo que vivesse dando cascudos em seu namorado não lhe agradava a ideia de uma separação.
– Natsuki, eu não posso. – disse sentindo o rosto esquentar. — Eu tenho medo. — sussurrou. Ele não saberia o que fazer e também era muito intimo aquilo.
– Então eu irei esperar Syo-chan estar pronto. – Natsuki sabia lidar muito bem com isso. Não por experiência, que era algo que não tinha. Mas por ter escutado Reiji. O senpai foi bem firme em falar que se seu namorado não estava preparado, ele deveria esperar. Que resolvesse na mão. Só não entendeu esse ultimo termo. – E quando você ficar serei o mais amoroso de todos. — agora que teve sua aula, que não chegou a ser completada, ele saberia como lidar com isso. – Mas o senpai disse que tenho que ter lubrificante na mão.
Nem pode ter continuado, pois levou um cascudo de Syo e depois um abraço.
– Arigatou. — disse Kurusu com uma voz bem baixinha, ele estava impressionado com a atitude de Shinomiya, veria depois como o ajudaria. – Vem, vamos para o quarto! — disse se levantando e estendendo a mão.
– Nós podemos passear também. – Natsuki sugeriu, se levantando com a ajuda dada. E puxou Syo, passando a mão em seus cabelos e o beijando, dessa vez ele tentou fazer o mesmo que viu na enfermaria.
A mesma forma que Ranmaru invadiu a boca de Reiji. Agora colocaria em ação aquilo que seu senpai mostrou na pratica. Sua língua profundamente tentando lutar contra a de Syo, sua mão descendo as costas do menor até chegar no fim e subindo devagar. Tudo que tinha observado.
O problema era que suas costas doíam e muito. Curvado para alcançar a altura dos lábios de Syo. Ele fugiria um pouco do que tinha aprendido, suas mãos desceram até em baixo, pegando onde ele achava que era o bumbum de Syo e o levantou do chão para o seu colo, para beijá-lo em uma melhor forma.
Syo arregalou os olhos, havia se assustado. Estava tremulo, até que estava gostando do beijo diferente, mas aquilo o havia feito perder o foco.
– NATSUKI, me solta. — disse Kurusu interrompendo o beijo se agarrando em Shinomiya não sentia o chão embaixo do seus pés e aquilo era ruim tinha medo de qualquer altura que fosse. Estava de olhos fechados. – Me põe no chão! — pediu com um tom irritado.
– Você é tão fofo que não sinto vontade de soltar. – Natsuki não parava de sorrir e girou Syo e o apertou. – Você me deixa quente, amo você! – voltou a andar, mas não largava o loiro baixinho. – Vamos nos deitar na grama.
Syo passou a tremer mais, será que Natsuki escutava o que ele dizia? Parecia que não. Foram até uma parte do jardim e se deitaram olhando as nuvens.
– UTA –
Masato ainda estava descansando. Não era fraqueza, nem estava doente, talvez fosse a imunidade baixa depois que teve todas as suas energias literalmente sugadas por Ren. O sono estava muito bom até mesmo sentir aquele calor o invadindo.
Um carinho em seu rosto, o calor de mãos em seu cabelo, lábios quentes em partes de seu rosto e lábios. Aquelas mãos habilidosas o segurando e o levantando da cama, até o momento que não sentiu superfície nenhuma.
Acordou lentamente e ainda mole, encontrando o rosto de Ren próximo e sorrindo antes de beijá-lo e o carregar para perto da porta.
– Seu príncipe veio te buscar. – a voz sedutora atingia a sua audição. – Não quero perder cada segundo sem passar com você!
Masato foi recobrando a consciência lentamente e olhou para a forma que estava sendo carregado. Mai não estava lá com eles? Será que tinha ido embora?
– Ren, me põe no chão. — pediu passando a mão no rosto. — Cadê minha irmã? Jii te viu?- foi fazendo uma pergunta atrás da outra. Parecia confuso.
– Ele veio buscá-la. – Ren parou e colocou Masato lentamente no chão. Segurou a cintura dele firme e juntou os corpos, beijando possessivamente o pescoço pálido. – Ninguém me viu, fui um bom garoto e me escondi. – o sorriso pervertido aumentou. – Mereço uma recompensa?
Hijirikawa fitou Ren por um instante, ao mesmo tempo em que mordia os lábios para não fazer ruídos.
– R-Ren, para com isso. Sua reputação estará acabada se te virem fazendo isso. — disse levemente corado pondo uma mão no ombro de Jinguji, o afastando gentilmente. — Obrigado por entender, e cuidar da minha irmãzinha. – disse fazendo uma pequena curva. – Que horas são? — perguntou ajeitando os fios.
– São exatamente. – o loiro olhou o relógio de pulso um pouco serio. – Duas e meia da tarde, você dormiu durante horas. Queria ter passado o tempo com você, mas tudo bem. – Ren sorriu e o abraçou, beijando a sua têmpora. – Observei você dormir... – sorriu nostálgico. – Você mudou nada.
Hijirikawa fechou os olhos lentamente ao receber o beijo e abriu recebendo o céu azul mais lindo sobre ele.
– Quer mesmo isso? Passar este tempo todo comigo? — perguntou sentindo o rosto esquentar pela proximidade do loiro. Ele sentia falta da infância, era algo que vinha das duas partes, ele sentia falta também de ficar observando as estrelas com Jinguji ou simplesmente apreciar o silencio deste enquanto ele o observava tocar piano. — Estou feliz! — disse em um sussurro.
– Eu também! – Ren ficou um pouco surpreso com as suas palavras. Até mesmo aquele silencio parecia deixa-lo confortável. Acostumava-se com barulho, gritos histéricos de meninas e palavras. Mas o silencio e a voz mansa de Masato o deixava em mais completa calma. – Onde deseja ir? – perguntou baixo, acariciando os braços de Hijirikawa. Como um bom cavalheiro que era, dava a prioridade de escolha para aquele que o acompanhava.
– E eu estou com um pouco de fome. — disse pondo a testa no ombro do loiro. — Você não fez nenhum tipo de pergunta para Mai, fez? — perguntou com a voz um pouco abafada.
– Isso é... – Ren sorriu um pouco enigmático, levando o indicador para frente dos seus lábios para fazer um sinal. – Segredo. – piscou um olho. Com a mão livre foi até o queixo de Masato e levantou a sua cabeça. – Vamos comer e depois iremos para o jardim, observar o lago... Assim você poderá me fazer um pequeno carinho na cabeça.
Masato o olhou e esboçou um leve sorriso. Seguindo com Ren.
– UTA -
Na sala do conselho podia se ouvir algumas risadas de garotas que estavam ao redor do presidente, queriam alguma coisa e não era ajuda com algo acadêmico. Em um canto Reiji e Ranmaru jogavam poker e estranhamente Ranmaru tentava tirar o lenço do pescoço de Kotobuki.
Na mesa ao lado de Camus, Mikaze separava as anotações das atividades futuras da escola. Mas estava ligeiramente incomodado com a desordem das garotas por isso quando deu três em ponto ele se levantou e ficou ao lado de Camus para olhar as meninas de frente.
As garotas olhavam de uma forma curiosa, algumas com interesse, mas para Ai era um grupo de garotas histéricas que burlavam a lei de silencio em seu espaço.
– Senhoritas se retirem, a hora de consultoria terminou. Se quiserem, o expediente dele acaba as seis. — disse vendo a cara e os comentários de desagrado delas ao saírem da sala. — Camus, francamente espere sair da sala, para começar a se exibir. — disse o menor indo fechar a porta.
– Você realmente acredita que eu estou me exibindo? – Camus permaneceu sentado ao cruzar as pernas e colocar a mão em um lado da cabeça, olhando estreito para Ai. – Estava sendo cordial para com as senhoritas. Como presidente, devo prestar serviços, independente das desculpas que elas tenham.
– E como vice tenho que te mostrar como se comportar de cinco em cinco minutos, pois você não sabe diferenciar sua sala de trabalho e hora de diversão. — disse ajeitando pastas em sua mesa. — Senhor presidente do conselho! — apesar de como falava, não alterava a voz muito menos a expressão esboçada em seu rosto.
– Quando que saí do meu papel de presidente? – Camus lançou um olhar cortante. – Francamente, só serei perfeito se não tiver reação nenhuma como você?
– Crianças, não briguem! – Reiji tirou os olhos sobre as suas castas e olhou para aqueles dois. – Irei colocá-los de castigo se continuarem.
– Hum. – o presidente do conselho virou o rosto e olhou para os papeis, parecia tentar se acalmar. – Poderia preparar o chá para mim, Kotobuki?
Mikaze olhou para Camus. Ele realmente não via a necessidade de perder tempo em mostrar sentimentos. Isso era como se precisasse de alguém para entendê-lo, e ele não necessitava de tal coisa.
– Respondendo a sua pergunta senhor presidente, o fato de ter trinta por cento de seu trabalho a fazer sendo que já resolvi cinquenta por cento o torna um irresponsável. — disse olhando para o loiro. — Ao dialogar com essas senhoritas por qualquer motivo que seja te faz perder meia hora, mais que suficiente para diminuir o meu trabalho e sobre as minha reações não há necessidade de demonstra-las já que não sou ator de teatro.
– Hey! O clima tá tenso, vai deixar ele falar essas coisas? Da um jeito em seu namorado. — disse Ranmaru com um sorriso sacana no rosto abraçando Reiji por trás.
– Ran-Ran... – Reiji sussurrou advertindo.
Ele parou de falar com Ranmaru quando escutou a poltrona ser arrastada e viu Camus se levantar. Ele ficou em alerta, pois sabia que por mais calmo que Camus poderia ser, ele também tinha um pavio muito curto. Como uma pessoa que estava ao eu lado.
Camus ficou em pé, em silencio e observando Ai. Ele estreitou os olhos e retirou os óculos que estava usando e deixou sobre a mesa. Ele pousou as mãos sobre o móvel e seu olhar parecia muito nervoso ao falar.
– Senhor vice-presidente. Coloque-se em seu lugar, não preciso ensiná-lo como deve ter respeito com os seus superiores. – ele rosnou e deu a volta na mesa e cruzou os braços. – Tem questionado a minha postura e meu trabalho como presidente, então cresça o suficiente para “tomar” o meu lugar. Estou fazendo o possível, seguindo o meu papel. Como, por exemplo, ter que conversar e resolver os problemas dos alunos e escutar as suas opiniões. Mesmo que você não goste. E por gentileza, eu gostaria que você engolisse seus comentários, antes que eu o faça engolir.
– Certo, agora já chega! – Reiji sorriu, mas estava muito preocupado. Levemente empurrou Ranmaru e se levantou deixando as cartas de lado. Camus estava se irritando seriamente, ele poderia enxergar o futuro o qual o presidente gritaria e aplicaria um golpe em Ai. Apesar de que tinha a muito tempo notado que Camus gostava de Ai, não era para qualquer um aguentar calado as palavras duras de Mikaze. – Irei fazer chá, para Myu-chan... Então por favor, se acalmem!
– Sinceramente, não é muito inteligente usar as minhas próprias palavras contra mim, elas não surtem efeito e já dá para perceber pelos seus movimentos que não tem a capacidade de analisar que você realmente só esta irritado porque estou dizendo a verdade. — disse analisando cada gesto de Camus. – Não é nada sábio usar agressão física para manter o controle senhor presidente! — disse com certo desdém. — Se diz tão competente, não seria melhor fazer suas obrigações corretamente e não deixar que outros vejam falhas? — disse ajeitando o cachecol — Reiji sua água esta fervendo. Com licença!
– Não pense em sair. Ai quero propor algo. – disse. Ranmaru o olhando e depois o restante. — Para descontrair, brincaremos do jogo das verdades e consequências. – disse esperando uma reação dos três. — Não vão fugir de um joguinho.
– Toda vez que jogamos algo proposto por você sempre se vai mal — disse Mikaze se encostando na porta fechando os olhos.
– Vai ou não jogar? Medo de desafios Ai?- perguntou Ranmaru voltando a esboçar o sorriso sacana de lado.
– Não tenho problemas com isso, que seja. — disse Mikaze. — Há que horas? — perguntou aceitando a proposta.
– As sete no dormitório de vocês. — disse apontando de Ai para Camus. — disse olhando agora para Camus.
– Não irei participar disso. – Camus virou o rosto e suspirou, vendo Reiji colocar a água quente dentro da xícara. Ele ficou com o semblante muito sério e voltou a se sentar. Ele estava cansado de tudo aquilo, em nenhum momento era elogiado por seus feitos, era bem mais criticado. – Não estou com humor e tenho trabalho a fazer... – e levantou o olhar cortante para Ranmaru. – E eu não confio em seus jogos.
– Que isso Camus, você não pode ficar de fora. Nunca rejeitou desafios, isso não é de você, não é nada demais apenas um joguinho para pessoas da nossa idade. — disse Ranmaru apertando Kotobuki. – Vamos! Hey, Reiji me ajude! — pediu.
– Não... Eu tenho que resolver alguns assuntos. – os olhos de Camus estavam mais estreitos quando pegou sua caneta. – Tenho que verificar alguns comentários que andei escutando de dois alunos, Shinomya e Kurusu... – ele reparou que Reiji arregalou os olhos e colocou a mão no queixo. – E qual é o problema de vocês dois? – perguntou desconfiado. – Sabem da regra de relacionamentos da escola?
– Sim, não temos nada. — disse Kurosaki olhando para Camus com um sorriso maroto, e depois olhou para Ai. — Nunca fui fã de regras, não me importaria de quebrá-las, por isso arrumarei alguém para brincar conosco, fazer par com Mikaze, já que eu jogarei com Reiji. — disse soltando Kotobuki. — Reiji faz algum tipo de lanche!? — pediu
– Estou servindo Myu-chan... – Reiji sorriu sem graça, carregando a xícara até a mesa e a depositando lá. Kotobuki deu a volta e ficou atrás de Camus, olhando como advertência para Ranmaru. Então começou a fazer uma massagem nos ombros de Camus. — Myu-chan, brinca com agente. – pediu fazendo bico. – Esqueça o trabalho por enquanto, esqueça aqueles dois alunos. Eles nem devem estar fazendo nada de errado.
– Foram muitos alunos que me falaram daqueles dois. – Camus estava de olhos fechados, apreciando a massagem e girando a caneta em seus dedos. De vez enquanto era bom relaxar um pouco. – Prezar as regras e verificar se elas estão sendo cumpridas é o meu dever principal!
– Mas Myu-chan... – Reiji abaixou a cabeça e sussurrou no ouvido de Camus. – Farei bolo. – foi à hora que Camus abriu os olhos.
Mikaze ficou olhando para a expressão de Camus. Kotobuki estava atrás de Camus e aquilo causava algo em Ranmaru, pois sentiu um ar pesado vindo dele assim como estava esboçando uma feição esquisita em relação ao que via.
– Eu tenho obrigações... – Camus sussurrou um pouco abalado, mas ainda girava a caneta. Ele não era um fissurado pela comida de Reiji como Ranmaru era, mas nunca negou que ela era boa, principalmente o bolo.
– Myu-chan não gosta mais da minha comida? – ele continuou sussurrando e massageando o ombro de Camus, até que se sentou no braço da poltrona do presidente e abraçou, mexendo na gola da roupa de Camus. – Pense bem... – aproximou mais na orelha de Camus, a voz a mais suave o possível. — Farei macarrão e de sobremesa o bolo... Depois brincaremos de verdade ou desafio... Pense... Eu, você, Ran-Ran e Ai-Ai... – arrumava a gola da roupa e continuava o sussurro e Camus mais atento. – O Ai brincando de verdade e desafio. – Camus parou de girar a caneta. – O Ai...
– Eu vou... – Camus quase gritou e Reiji pulou da poltrona feliz.
Ranmaru estava com os olhos vidrados em Reiji, estava bem irritado pelo que o outro havia feito.
– Certo, então nos vemos daqui a quatro horas. — disse Ranmaru. – Vem, Reiji temos que fazer compras. — disse o chamando com o dedo.
– Eu vou verificar as listas para o festival de outono. – disse Mikaze abrindo a porta e vendo um monte de garotas esperando do lado de fora. – Camus, você tem visita. — disse se retirando, mas estranhamente ele foi seguido por elas.
– Mikaze, me espere. Eu também tenho que fazer isso! – Camus levantou rapidamente. Odiava ser deixado pra trás. Arrumou a roupa e se levantou seguindo para fora da sala.
Reiji estava sorrindo, com as mãos nas costas vendo os dois participantes do conselho sumirem da sua vista. Ele olhou com cara de paisagem para Ranmaru e sorriu ainda mais.
– Vamos? Tenho tantas coisas para comprar! – seguiu a frente. Foi seguido por Ranmaru que estava emitindo uma aura nada boa
Kurosaki não havia gostado de ver Reiji sussurrando coisas no ouvido de Camus mesmo sabendo que este só apreciava Ai.
– UTA –
As sete e meia da noite, como combinado por Tokiya, Otoya estava na frente da escola. Depois que ele chegou foi diretamente ao quarto e arrumou suas coisas colocando o urso sobre a escrivaninha. E como não ficaria parado ele resolveu andar pela escola.
Foi quando encontrou a Nanami e passou o seu tempo com ela. Agora não conseguia conter um pequeno calor em seu rosto. Ele passou horas com ela, conversando sobre a vida deles descobrindo novas coisas e citando Hayato.
Nanami tinha o sonho de escrever musicas para Hayato.
E ela era muito boa. Mostrou-lhe as letras e ele cantou algumas acompanhando com o seu violão. E quando ficou próximo à hora ele saiu correndo.
No meio do caminho ele viu ao longe Syo e Natsuki deitados na grama, pensou em parar de correr e conversar com eles, contudo parou no meio do caminho. Os dois estavam se beijando e sorrindo ao olhar para as nuvens. Em primeiro lugar, ele pensou que eles dois deveriam tomar cuidado para ninguém ver. Afinal, relacionamento entre alunos na escola era proibido. Mas depois sorriu, aqueles dois eram lindos juntos.
Era de causar inveja.
Quando voltou a correr ele viu dois rapazes debaixo da arvore perto da arvore. Um de cabelo azul sentado e um loiro deitado com a cabeça no colo do outro recebendo atenção. Ele chegou a um momento pensar que aqueles dois era Ren e Masato, mas balançou a cabeça espantando isso.
Depois daquela corrida ele tinha tomado banho, vestido uma calça jeans, uma camiseta branca e outra vermelha por cima e seu crucifixo. E agora estava lá, esperando Tokiya.
Não demorou muito para que pontualmente uma limosine preta parasse na frente da escola e a porta fosse aberta para Otoya entrar.
A primeira coisa que o ruivo fez foi fazer uma expressão confusa. Aquela era uma limusine. Tokiya era tão rico a ponte de ter aquele veículo? Não precisava. Ele avisaria ao Tokiya que aquilo era muito para ele, que não precisava porque ele não merecia.
Abaixou um pouco e entrou no veículo, fechando a porta e olhando para a pessoa a pessoa sentada ao seu lado.
– Kombawa, Ittoki-Kun~ — disse um alegre Hayato, era muito estranho. Era a copia de Tokiya, mas seu sorriso de saudação era muito convidativo, era totalmente diferente de seu amigo. — Tokiya me disse que queria me conhecer! — disse em tom festivo.
Não somente os sorrisos e expressões alegres, mas as roupas também eram de cores vivas. Vestia uma calça jeans com uma blusa de cor verde com um cardigan aberto de listras. Assim com alguns acessórios com pingentes do Piyo-chan.
Tokiya havia se preparado mentalmente para aquilo, tinha que agir como alguém oposto a ele e como era perfeccionista abria o sorriso mais e mais.
– Vamos, Ittoki-kun~ — disse piscando um olho ao mesmo tempo em que ria abertamente.
– Tokiya? – Otoya estava de boca aberta, encarando o outro e poderia ver um monte de interrogação em volta de sua cabeça. – Tokiya. – ele voltou a repetir.
– Não, Ittoki-kun, sou Ha-ya-to~ – disse falando seu “nome’’ pausadamente em forma musical piscando no final. — Deve ser confuso, eu sei. — disse pondo o braço para trás coçando a cabeça sem jeito. — Mas não tem problema, logo vai perceber que somos diferentes! — disse soltando seus melhores sorrisos. — Ia te levar para passear, mas Tokiya-kun me disse que você teve que se esconder então te levarei para minha casa, tudo bem Ittoki-kun~?
– Hayato-sama? – Otoya estava mais ainda confuso e assustado. Seus olhos se arregalaram quando a realidade bateu na sua mente.
Aquele a sua frente tinha os mesmo traços, era a copia exata de Tokiya. Os olhos, o cabelo, o rosto, o corpo. Mas não era Tokiya. Aquele sorriso era bem diferente e aberto, os olhos também mais infantis e não cortantes, o jeito despojado e largado e mais aberto. Tokiya não era assim. Seu amigo era restrito e cauteloso, não daquele jeito.
Seu amigo, Tokiya tinha dito que Hayato o buscaria e ele não acreditou.
– Oh céus! – ele levou as mãos até a sua cabeça e sorriu abaixando a cabeça controlando a surpresa. – Hayato-sama. – ele riu e seu coração disparou. Não pelo famoso Hayato estar ao seu lado, mas por Tokiya ter feito tudo aquilo por ele como um pedido de desculpa. – Droga, Tokiya... Eu não merecia isso... – sorriu não contendo o sorriso. Tokiya era o melhor amigo que poderia ter.
Tokiya que agora era Hayato ficou admirando cada expressão de Otoya, ele estava feliz, mas não com Hayato e sim por ele, ele citou seu nome. Era a primeira pessoa que fazia aquilo.
– Você deve ser especial, neah Ittoki-kun?! Ele não pede para eu passear com os amigos dele. — disse sentindo o carro andar, já estavam a caminho de sua casa. — Então está animado? — perguntou fazendo um gesto com a mão engraçado.
– Sim... – Otoya continuava com a cabeça abaixada e as mãos nela sorrindo feito um idiota. – Tokiya que é especial. – se deixou dizer e levantou a cabeça olhando para o teto do carro.
Logo ele, que achou que merecia nada estava ganhando a presença de Hayato. CDs já valeriam e olha que ele jamais deixaria Tokiya gastar dinheiro com ele. Tokiya já tinha feito muito desde a primeira vez que se viram. O ajudou a achar o dormitório, ajudou a arrumar as suas coisas e a mostrar a escola. Preocupava-se com sua alimentação, estudos. Pequenos gestos, mas que valiam muito. Não estava acostumado com tanta ajuda. Ele não merecia, depois de ter irritado Tokiya em molhar sua cama e bisbilhotar as suas coisas, ele não merecia mesmo.
Ele já tinha o desculpado, retribuiu aquele abraço que o pegou de surpresa. Recebeu com carinho aquele ursinho. Por mais que não tenha acreditado nas palavras de Ichinose, agora Hayato estava a sua frente. Hayato chegava a dizer que era a primeira vez que Tokiya fazia aquele tipo de pedido.
– Eu não sabia que vocês se conheciam mesmo. – ele sorriu sem graça, segurando e emoção que sentiu. Ele era especial. – Eu tenho que recompensar Tokiya.
– Aposto que ele vai adorar, Ittoki-kun~ — disse Hayato olhando o jeito que Otoya se referia a ele, não exatamente a ele, porém ele ficava feliz.
Tokiya estava ainda mais obstinado a cultivar uma boa amizade com o ruivo. Realmente ele estava certo, Otoya iria mudá-lo.
Continua...
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