Notas iniciais
Boa leitura!! =*

Algumas horas mais tarde, Masato havia acordado em seu horário habitual. Olhou para o lado, sentindo ser esmagado pelo abraço de Ren. O afastou e se levantou, mas antes de ir cuidar da sua higiene pessoal fitou Ren, que dormia feito um anjinho e o cobriu. Em seguida foi para o banheiro.

Arrumou-se e seguiu para o refeitório que já estava bem cheio. Os alunos sempre tomavam café as 06:30 e as 07:15 iam assistir as aulas.

Hijirikawa passou a servir-se calmamente. Provavelmente estava cheio daquele jeito por ser o primeiro dia de aula.

– Ohayo, Masa! — disse uma voz bem conhecida, era Ranmaru com uma bandeja cheia, mas não estava sozinho. Tinha uma rapaz com feição alegre, de cabelos de cor chocolate ao seu lado. — Este é Kotobuki Reiji, meu colega de quarto. — disse em tom brincalhão se sentando. – Ah... Ele é seu senpai também! – avisou roubando um pedaço de maçã de Reiji.

Masato havia se levantado e feito uma pequena reverencia a Reiji.

– Ohayo, gozaimasu Kotobuki-senpai, Kurosaki-senpai! — disse desta vez fazendo uma pequena reverencia a Ranmaru. — Pensei que acordavam mais tarde. — comentou passando a comer.

–Pois é! Reiji nunca me deixa dormir demais. – disse coçando a cabeça.

– Sou um rapaz insaciável... – Reiji sorriu brincando ao fazer uma carinha ingênua e insinuando e sorriu para Masato. – Me chame de Reiji, me sinto um velho quando me chamam de senpai. – sussurrou. – Masa-chan... Ran-Ran falou sobre você!

– Ahn, claro senpa... Reiji-san! — disse olhando para o mesmo com uma carinha confusa “O que ele quis dizer com aquilo, enfim assunto dos dois”. – E o que seria? — perguntou voltando a comer.

–Nada demais Masa... E o Ren? — perguntou fazendo uma expressão engraçada, tomando um gole de suco. — Ele estava tão irritadinho! — comentou.

– Acho que foi sua culpa, Ran-Ran... – Reiji olhou para Ranmaru. – Aquele rapaz parecia muito feliz pelos pátios daqui, se ele ficou irritado foi você que o irritou...

– Eu?? — disse Ranmaru fazendo carinha inocente. — Jamais, apenas cuidei para que Masa não ficasse sozinho. — disse piscando para Masato que desviou o olhar para sua própria refeição. — Mas até que ele mereceu, vive andando com um monte de meninas pelos cantos. — disse dando os ombros para a acusação de Reiji.

– Isso me soa como ci-ú-mês! – Reiji soletrou com a colher na mão e um ar feliz. – Ran-Ran é tão mal.

Reiji se calou ao ver colocarem sobre abandeja de Masato uma garrafinha de leite. Ele levantou o olhar e ficou vermelho ao receber um sorriso sem igual e acabou sorrindo em troca. Oras, não era todos os dias que recebia um sorriso cordial de um rapaz como Jinguji Ren. E era raro as meninas estarem distantes daquele jeito, provavelmente o loiro que pediu para que elas ficassem assim.

– Hijirikawa... – Ren passou a mão sobre o cabelo azul e Reiji olhou atentamente, com uma mão sobre o queixo e observando a cena interessante. – Precisa tomar leite.

Masato levou um susto. Estava completamente distraído.

– Arigatou gozaimasu, mas não precisa ser tão atencioso, Jinguji. – disse com sua voz habitual sem olhá-lo. — Este é Kotobuki-sempai! — indicou Reiji. — Pensei que estaria com seu rebanho a esta hora. — falou um pouco rude.

– É... Masa, precisa ficar fortinho! — disse Ranmaru dando uma piscadela lenta para Hijirikawa. — Mas estou surpreso por não estar com seu rebanho, Ren-chan. — disse com uma voz engraçada.

Reiji olhou surpreso para o comentário de Ranmaru e voltou a olhar para Ren, notando que este não tinha tirado a mão sobre a cabeça de Masato e olhava sorrindo para Ranmaru. Um ar de vitória e nada abalado.

– Estava ocupado demais para o meu rebanho, Kurosaki-senpai. – Ren sorriu jogando o cabelo e abriu a garrafa de leite, voltando a colocar sobre a bandeja. – É sério, Hijirikawa. Somente sairei quando você tomar tudo.

– Então teremos a companhia do Ren-chan! – Ren olhou para o rapaz de cabelos castanhos, que sorria feliz com as mãos no queixo. – Sente-se, Masa-chan e Ran-Ran não se importam.

– Ran-Ran? – Ren falou e riu no final.

– Eu não me importo, Jinguji! — disse Masato mexendo a cabeça fazendo a mão de Ren deslizar. – Pensei que acordaria mais tarde! – disse pegando a garrafa de leite e tomando de uma vez só.

Ao terminar pôs a garrafa na mesa e sentiu a mão de Ranmaru passar no canto de sua boca.

– Ficou uma gotinha- disse Ranmaru, pondo o dedo na boca na sua própria boca depois. – Então, já sabe em qual sala vai ficar?

Masato havia ficado estático, não entendera porque Ranmaru fez aquilo e estava agindo como se não houvesse feito nada.

– Na classe A. — disse um pouco desestabilizado.

Ren ficou muito sério e fechou as mãos em punhos. Ele tinha notado que Ranmaru fez aquilo somente para irritá-lo. E conseguiu. Na note passada ele tinha prometido que ninguém tocaria em Masato, ainda mais perto daqueles lábios que tanto ele conseguiu amar na noite passada.

Quando abriu a boca para insultar aquele que deveria considerar um senpai, ele se calou ao escutar um som. Quando olhou para a mesa, viu que o senpai de cabelos castanhos tinha derrubado a colher sobre o copo.

– Desculpem. – Reiji, sorriu para os demais. – Que desastrado eu sou... – socou a própria cabeça, mas Ren notou um pouco de nervosismo. – Ran-Ran, acho que devemos ir. Ainda mais você... Tem que cuidar do conselho.

– Reiji... Tudo bem, você não me está parecendo nada bem. — disse Kurosaki olhando a feição do outro. E ele tinha razão estava cheio de trabalhos. — Bem... Eu estou indo, mas encontro vocês por ai! — se levantando e pegou no ombro de Kotobuki — Vamos!

– Prazer em conhecê-los, Masa-chan... Ren-chan... – Reiji sorriu para os dois e se levantou dando um tchauzinho feliz. – Se cuidem crianças, não aprontem. – piscou um olho.

– Tchau Ran-Ran... – Ren sorriu ao falar sarcasticamente e puxar a cadeira para se sentar ao lado de Masato. – Foi um prazer conhecê-lo, Kotobuki-senpai!

– Oh, meu coração disparou. – Reiji riu ao se despedir e seguiu puxando Ranmaru.

– Por que esta fazendo isso? – perguntou Hijirikawa pousando a xícara de chá na mesa e olhando para as pequenas ondas que se formavam no recipiente. – Vá logo ficar com suas preciosas ovelhinhas!

Apesar das palavras, Masato estava apreciando a companhia de Ren.

– Por que eu tenho assuntos inacabados com você! – o loiro sorriu, o que causou alguns cochichos nas mesas vizinhas. Vozes femininas e risinhos, e algumas palavras como “Que lindo”, voavam. – E eu senti a falta de seu calor na minha cama... – ele abaixou a voz para falar ao ouvido de Masato.

Masato arregalou os olhos e abaixou a cabaça, tentando esconder a vergonha que sentiu. Mas os comentários das meninas foram mais altos. O que deixaram com raiva, chutando a canela de Jinguji, mas sua expressão foi como se não tivesse feito nada.

– Não temos mais nada a conversar, só não saio daqui por não ter terminado meu café. — disse voltando a comer. — Quero que esqueça o que aconteceu entre nós dois.

– É impossível. – Ren ficou com o sorriso baixo e abaixou a mão, escondido pela mesa ele tocou na perna de Masato a apertando levemente.

Eles não notaram quando mais dois jovens entraram juntos no refeitório. Novamente aquele ser iluminado conhecido como Otoya, estava sorrindo, apesar de que ele teve que ser acordado pelo o seu colega que estava ao seu lado.

Sim, Tokiya acordou Otoya. Apesar de que eles tinham ficado uma parte da noite arrumando as coisas do rapaz de cabelos vermelhos, o que Otoya agradecia muito pela ajuda. Ele olhou para todos os lados, animado, procurando alguém.

Nanami, ou Syo, ou até mesmo Natsuki, mas seu sorriso aumentou mais ao ver Ren conversando com outro rapaz. Ele olhou para Tokiya, ainda se acostumando com aquele olhar sério e sorriu.

Ele não pensou duas vezes em segurar a manga da roupa de Tokiya e o puxar em direção ao Ren.

– Ren-kun! – chamou acenando.

– Fazendo amizades masculinas, Jinguji? – disse Masato terminando com seu chá, olhou para os garotos que se aproximavam. Um ruivo com um semblante feliz e outro com cabelo azul espetado, mas este possuía um semblante cansado.

– Ittoki, não perturbe as pessoas tão cedo. – disse Tokiya analisando a situação. Chegaram à mesa e como de costume não se sentou até ser convidado. — Ohayo Jinguji-san. — cumprimentou educadamente, depois olhou para Masato, este o olhou. -Sou Ichinose Tokiya.

– Hijirikawa Masato. – se apresentou, ainda fitando Tokiya, sua mão havia abaixado e beliscado a mão de Ren que estava em sua perna. Em seguida olhou para o ruivo, ele já o tinha visto.

– Ohayooooo, Masato-sama... – Otoya olhou para Tokiya perguntando com o olhar se estava fazendo certo em ser formal. Parecia que a informalidade incomodava o seu novo amigo. Ele voltou o olhar para Masato, sorrindo totalmente feliz. – Ittoki Otoya, prazer... Acho que vi o seu nome na turma de música.

– Sim eu entrei neste clube, será um prazer passar algum tempo com vocês. – disse Hijirikawa em tom agradável, e olhou mais uma vez para Tokiya, mas não comentou sobre ele ser Hayato. Decidiu se manter discreto.

– Todos nós estaremos nessa turma... – Ren colocou os cotovelos sobre a mesa, juntou a mão em frente ao rosto e olhou de forma indireta para Masato ao sorrir. Ele adorou a ideia de estar na mesma turma de musica que Masato, agora que estava sabendo que as classes que ficariam eram diferentes. Pena, ele adoraria estar na mesma classe, mas ele se contentava em estar na classe S. – Por que não se sentam? – apontou para os acentos desocupados. – Fiquem a vontade.

– Obrigado. — disse Tokiya se sentando a frente de Masato e otoya na frente de Ren. – Vi seu nome na classe S – disse olhando para Ren.

Naquele momento Masato deu um sorriso de canto.

– Não vão comer nada? – perguntou Hijirikawa, limpando a boca graciosamente notando que os outros dois se sentaram sem uma bandeja.

– Não obrigado, eu já comi antes. – Tokiya respondeu pondo as mãos na perna. — Ittoki, você deve comer algo. – disse olhando para o ruivo.

– Sim, esperem um pouquinho. – Otoya se levantou e olhou para os lados encontrando a fila. Seguiu sem hesitação e entrou no final. Ele olhou de lá, as vezes ficava nas pontas dos pés para saber se iria demorar muito a sua vez e para encontrar o cardápio do dia.

– Ichinose... – Ren sorriu ao chamar a atenção do colega a frente, o seu sorriso somente aumentando cada vez que olhava para Tokiya e de longe para Otoya. Ele tinha notado como Masato tinha gostado do jeito do outro. O silencio parecia ser bem mais amiga deles do que para qualquer outro, mas essas pessoas, o tipo deles, eram bem mais interessantes quando mostravam um interesse em algo. Por exemplo, as mãos de Masato o tocando. – Posso fazer uma pequena observação?

– Certamente. – disse Ichinose prestando atenção no loiro, estava um pouco confuso com aquele sorriso enorme. Mais este sorriso estava lá antes dele e Otoya chegarem.

– Você sabia que nessa escola andam tendo comentários que os alunos, colegas de quarto... – balançou as mão como se não fosse nada e cruzou as pernas, jogando o tronco para trás e colocando o braço sobre a cadeira de Masato, por trás das costas deste. — Costumam ficar muito próximos? – ele sorriu mais um pouco, algo por trás de suas palavras. – Você me parece muito atencioso com o Ittoki! Se preocupando com o que ele vai comer...

Ele olhou para a fila, observando o ruivo de feições confusas, quando Otoya notou que estava sendo observado, olhou para eles e acenou sorrindo.

Hijirikawa fechou os olhos contendo a raiva. Jinguji estava insinuando coisas.

Tokiya olhou de Jinguji a Otoya e depois voltou a olhar Jinguji.

– Não deveria me preocupar? Ele é meu colega de quarto, tenho que ser no mínimo atencioso. E sobre ficar próximo, não acredito que isso ocorrerá, não tenho tempo para isso. – disse em sua expressão seria e calma – De qualquer forma isso não faz diferença para mim.

Aquilo chamou a atenção de Masato. Ichinose parecia ser parecido com ele.

– Isso é admirável Ichinose-san. — disse Masato fitando o de fios rebeldes a sua frente.

Ren olhou Masato e seu sorriso diminuiu somente um pouquinho. Era interessante descobrir pessoas iguais ao outro, mas era extremamente irritante escutar Hijirikawa concordar com as palavras de Tokiya. Ele estava desconsiderando tudo o que tinha ocorrido ontem. Como se nada daquilo tivesse uma mínima importância.

E isso não lhe fazia nada bem.

Porque ele não costumava acordar cedo, mas acordou ao não sentir mais aquele calor. Preocupado, ele se arrumou rapidamente e foi atrás de Masato. Tudo para saber se ele tinha melhorado.

E como resposta recebia aquilo, indiferença.

– Então, Ichii... – Ren disse sarcástico, sorrindo de orelha a orelha ao apontar para a direção do ruivo. – Aquilo não te abala? – comentou o fato que Otoya estava sorrindo ao conversar com uma menina de cabelos laranja. – A ovelhinha parece agradá-lo.

– Se está pedindo minha opinião... – disse olhando Ittoki com a garota dos olhos esquisitos. — Acho natural que meninos se interessem por meninas – disse sem entender o motivo daquele comentário. — Não vejo problema em se ter amigos, e não é da minha conta com quem Ittoki se relaciona!

Hijirikawa, nunca havia ficado tão curioso com alguém depois de Ren. Tokiya parecia muito centrado, e lá voltou um sorriso de canto, mas Ichinose não notou isso.

Ichinose só não esperava que a garota viesse junto.

– Pessoal... – Otoya parecia bastante feliz e com as maçãs do rosto vermelhas ao chegar na mesa com a menina. – Esta é Nanami Haruka, ela pode se sentar conosco?

– Prazer em conhecê-los! – a menina se curvou, bastante apreensiva e vermelha. Ela olhou para Tokiya e apertou a saia, contendo um sorriso tímido. – Olá, Ichinose-sama...

– A ovelhinha é bem vinda... – Ren sorriu para ela, contendo uma pontada de ciúmes ao ver anteriormente o sorriso de Masato para Tokiya. Ele mal sorria para ele. – Venha... – ele se levantou da cadeira e pegou a mãozinha pequena dela e beijou. – Fique a vontade. – ele piscou com um olhou e a colocou sentada ao lado do Masato. Ela parecia extremamente vermelha.

“Ovelhinha, mais outra”. Pensou Masato contendo a vontade de girar os olhos.

– Prazer em conhecê-la Nanami-san. — disse Masato em um tom educado se levantando e fazendo uma pequena reverencia a ela. — Fique a vontade, sou Hijirikawa Masato e este ao seu lado é Jinguji Ren. — disse indicando o loiro. Percebeu o desconforto de Ichinose.

Ichinose nem fez questão de olhar nem sequer de responder.

– Aonde vai, Hijirikawa? – Ren olhou para Masato e ficou o encarando. Seus olhos falavam bastante, e diziam que ele não deveria sair de lá.

– Hijirikawa-sama... – Otoya chamou, um pouco vermelho ao olhar para Nanami e voltou a olhar para o Masato. – Fique com agente, para nos conhecermos melhor. – ele se sentou ao lado de Tokiya e olhou para todos, reparando em um clima muito estranho naquele ambiente.

– Eu tenho certeza que vamos nos conhecer, seremos da mesma sala. – Masato respondeu olhando o ruivo suavizando um pouco as feições. — Não vou a lugar nenhum. – disse dando uma lançada de olhar a Ren.

– Então cadê os dois que conheceu ontem Ittoki?- perguntou Tokiya olhando para o colega de quarto.

Otoya olhou para Tokiya, mas se assustou quando Ren puxou Hijirikawa para se sentar. Ele não estava sabendo o que exatamente estava ocorrendo, desde que voltou para aquela mesa o clima estava muito estranho. Ele não entendia muito bem o olhar que Ren dava para Masato e o sorriso sarcástico que ele lançava para Tokiya.

Ele somente tinha reparado como Nanami estava vermelha ao olhar de vez em quando para Tokiya. Talvez fosse aquela história que ainda o deixa confuso sobre Hayato. A curiosidade sobre esse nome o matava, mas na ultima vez que chegou a comentar Tokiya não foi muito receptivo. Ele estava fazendo o possível para ser igual ao que Tokiya disse que era certo, enquanto ele o ajudava a arrumar suas coisas.

Mas era tão difícil ser formal.

Ele olhou para Tokiya, sorrindo. Ele sabia de quem ele se referia, Natsuki e Syo. Engraçado que não tinha sido somente ele que os conheceu, mas eles dois. Talvez Tokiya estava sendo formal demais, ou estava tentando aliviar aquele clima mudando de assunto.

Suas palavras eram bem vindas.

– Eu não sei... Acho que daqui a pouco eles deverão chegar. – o sorriso não morreu ao olhar para o seu prato. – Tem certeza que não quer comer?

– Sim, obrigado. — disse olhando para um ponto qualquer do refeitório. — Eu acho que vou na frente. – disse vendo dois loiros se aproximarem, um com um sorriso enorme e o outro com cara emburrada.

Hijirikawa se sentiu um pouco incomodado com a ação de Ren. Achava Jinguji muito cara de pau.

– Acho que vou acompanhar você Ichinose-san. — disse Hijirikawa olhando o de fios rebeldes e este o olhava também.

– Está indo? – Ren voltou a olhar para Masato, dessa vez confuso. Hijirikawa não era tão receptível com as pessoas como estava sendo com Tokiya.

Aquilo o estava estressando. Masato estava fugindo dele e arranjando todas as desculpas possíveis. Não bastava apenas deixar que Ranmaru o tocasse, ele sorria para o primeiro que conhecia.

– Ohayo! – o loiro alto e de óculos parou próximo a mesa deles, o que fez Ren desviar o olhar para eles. Ele conhecia o baixinho de chapel. Assim como ele, Syo tinha parentes famosos, mas o rapaz alto e de óculos era novo para ele, e parecia bastante feliz e ingênuo. – Bom dia, Nanami-chan, Otoya-kun e Hayato-sama... – ele cumprimentou os meninos e se virou para os outros dois. – Yoh!!

– Ohayo Shinomiya-san, Kurusu-san. — Tokiya cumprimentou os dois loiros, de um jeito educado. Olhando atento ao laço rosa que havia no pulso de Kurusu. — Shinomiya-san, já lhe disse que me chamo Ichinose Tokiya. – disse ligeiramente irritado.

Masato o olhou, por isso não havia comentado. Pela expressão do outro aquele assunto lhe perturbava. Olhou para Otoya rapidamente. E viu que este olhava para todos mas em especial Nanami.

– Ohayo! – disse Hijirikawa fazendo um aceno cordial com a cabeça para os recém-chegados.

– Ohayo, mina!¹ — disse Kurusu com a voz um pouco emburrada, talvez porque Natsuki havia aprontado algo já pela manhã.

– Perdão, Tokiya-kun... – Natsuki continuava sorrindo ingênuo e se sentou ao lado de Otoya sem esperar ser convidado. – Você se parece tanto com Hayato-sama que me confundi. Ah... – ele abriu um enorme sorriso e olhou para a menina. – Haru-chan disse ontem que era fã do Hayato-sama.

– A ovelhinha é fã daquele comediante? – Ren a olhou e esticou a mão para tocar de leve o rosto dela, ela ficou bastante vermelha com o toque. – Que desperdício! – ao falar, ele lançou um olhar para Masato.

Hijirikawa olhou aquilo, mas fez com que ninguém percebesse o quão tocado ficou. Olhou pra outra direção.

– Concordo com Jinguji-san, menos na parte do desperdício. — Tokiya disse em tom serio olhando para todos e fazendo um aceno na cabeça. — Se me dão licença estou indo. — disse se afastando do grupo.

– Também estou indo. — disse Hijirikawa com a voz baixa não olhando mais para Ren. Ele sabia que uma hora ou outra Jinguji mostraria desejo por alguma menina. – Com licença. — Seguiu os passos de Ichinose.

– Ahn... O que está acontecendo aqui afinal? — perguntou Syo curioso com toda aquela cena. – Natsuki, vamos comer rápido, as aulas começaram daqui alguns minutos.

– Eu queria tanto que tivéssemos ficado na mesma sala... – apesar da voz triste o rosto mantinha um sorriso sem igual. Ele olhou para os demais, vendo que Nanami olhava para Tokiya se distanciando e Ren não parecia satisfeito com algo. Ele então quis anima-los contando algo que o estava animando bastante. – Tenho uma novidade para contar para vocês! – ele apertou as mãos na frente de seu rosto feliz, quando todos olharam para ele. – Syo-chan e eu estamos...

– NATSUKI, NÃO FALE ISSO ASSIM! – Syo falou irritado, olhando para Shinomiya com uma veia saltando. Pode não ter percebido, mas se ligassem o final da frase e o nervosismo de Syo, poderiam dizer que estavam juntos.

– Mas Syo-chan... – apesar do susto, Natsuki ainda parecia tranquilo e sorridente. – Eu quero contar pra todo mundo.

– Contar o que? – Ren atrapalhou a conversa deles e estava sorrindo de lado e de um jeito enigmático.

– Neah, contar o que? – Otoya ficou bastante animado com a novidade, ele olhava de um para o outro. – Conta, vai!

Syo virou para olhar para os outros.

– Viu Natsuki o que fez? Não tem mais jeito. — disse Syo passando a mão na nuca corando violentamente e tentando conter a raiva. — Natsuki e eu estamos... Namorando. — falou a ultima palavra tão rápido que ficou difícil de entender.

– Ham... – Nanami abriu a boca assustada, a vermelhidão subia em seu rosto enquanto o sorriso feliz de Natsuki aumentava e o silencio tomou conta deles.

Otoya estava com a boca aberta, olhando de Syo para Natsuki. Ele também ficou violentamente vermelho. Da cor de seu cabelo. Ele nem imaginava o que estava ocorrendo. A última vez que eles se falaram, Syo havia dito que se dependesse de Natsuki, eles já estariam casados. Mas não imaginou isso seriamente, porque Syo fugiu do Natsuki. Conheceu-os recentemente, mas percebeu que aqueles dois tinham se conhecido a longa data.

Talvez o sentimento tinha surgido com o passar do tempo.

Ele achou diferente, seus novos amigos eram namorados. Saber lidar com isso era muito diferente. Apesar de que ele já tinha lidado com pessoas muito diferentes durante a vida. Ele nem sabia o que comentar. Na verdade ele estava com diversas perguntas em sua mente, perguntas que provavelmente seriam constrangedoras.

Mas ele estava feliz, somente por olhar o sorriso de Natsuki soube que ele gostava muito de Syo, sentiu até um pouquinho de inveja do olhar admirado que ele lançava para o menor. Quando ele olhou para Nanami, ele sentiu uma imensa vontade de ser olhado daquele jeito por alguém.

Seria muito bom ter alguém apaixonado daquele jeito por ele.

– Acho que devo dizer... Parabéns... – ele sorriu e como resposta ele recebeu um sorriso maior de Natsuki que abraçou Syo com todas as forças, apertando a sua cintura.

– Mas... – Nanami parecia muito vermelha ao falar, ele levou a mão até a boca. – Vocês são dois...

– Homens... – Ren completou sorriso. Ele era o que mais parecia natural ao receber aquela informação. Na verdade ele olhava para eles dois sorrindo misterioso e parecendo adorar vê-los assim. – É o baixinho o receptivo dos dois?

– Receptivo? – Otoya e Nanami falaram em uníssemos e olharam confusos para Natsuki e Syo, querendo entender o que Ren estava falando.

Kurusu ficou totalmente ruborizado. Mas que tipos de pergunta era aquela?

– Jinguji!! Não faça esse tipo de pergunta, seu pervertido! — disse tentando se soltar de Natsuki para bater em Ren. Mas pareceu que só ele havia levado para o sentido certo. — Vamos Natsuki, estou com fome ! — tentava se acalmar.

– Mas Syo-chan... – Natsuki ainda continuava sorrindo e o puxou para o seu colo, o abraçando ainda mais. – Por que você seria o receptivo? Eu não entendi.

– Na-chan... Eu te explico depois. — disse tentando se acalmar. Céus, Natsuki era tão inocente. Ao contrario do pervertido do Ren. Syo lançou um olhar irritado a Ren. – Anda, vamos logo!

Natsuki se levantou, segurando a mão de Syo, recebendo alguns olhares sem ser dos ocupantes daquela mesa. Mas o olhar mais engraçado era o de Ren para eles. Ele observou interessado como os dois andavam até a fila, reparando que o baixinho ficava atordoado e resmungando, porque sua mão estava muito presa à mão de Natsuki.

Ele cogitou que o rapaz de óculos deveria levar as coisas mais a sério, afinal, as pessoas estavam reparando muito neles. Eles já chamavam muita atenção por si só.

Enfim, ele tinha assuntos. Depois da aula ele resolveria com Masato tudo aquilo. Seu antigo amigo estava muito receptivo com alguém que mal conheceu. Infelizmente eles não estavam na mesma turma, então ele teria que aturar esse tempo sem respostas às suas perguntas.

– Estou indo... – sorriu se levantando e pegando a mão de Nanami. – Foi um prazer, pequena ovelhinha. – piscou um olho e se virou para Otoya, acenando com uma mão. – Boa sorte... – despediu-se.

Quando estava a se retirar, o seu rebanho voltou a estar em sua volta. Logicamente ele estava sendo bem receptivo a elas.

– Ele é engraçado... – Otoya coçou a cabeça, sentindo uma pequena gota em sua cabeça. – Vamos Nanami-chan?

A menina sorriu e um pouco vermelha ao encolher os ombros e aceitar o convite.

– UTA -

Na classe de primeiro ano A, os alunos estavam se conhecendo como um hábito normal, já que era o primeiro dia de aula. Meninos e meninas interagindo, mas havia suas exceções, como Hijirikawa que estava sentado na ultima cadeira com uma expressão passiva. Não é que se achava melhor, mas ele não tinha o costume de ser tão aberto a ponto de ir fazendo amizades. Ficou em seu canto percebeu que algumas meninas o olhavam, o que fez ele desviar o olhar. Não se achava especial para receber olhares femininos.

Totalmente diferente de Ren, que mesmo estando parado conseguia resplandecer uma beleza sem igual. Era como um dia de sol, os fios dourados em perfeita combinação com os olhos azul da cor do céu. Ele sim era a perfeição em pessoa. Sentia-se mal em saber que nem sequer conseguia atingir um por cento da beleza de Jinguji.

Agora que estava só podia pensar em tudo o que havia acontecido desde o encontro até o sabor dos lábios do loiro. O toque sedoso dos fios dourados. Ruborizou-se levemente ao lembrar então balançou a cabeça e voltou-se para frente, vendo Shinomiya entrar e sentar próximo a si. E logo após entrou um ser de cabelo rosa e com certa empolgação. A aula estava começando então se centrou para prestar atenção.

No período da tarde a academia costuma dar suas oficinas para ocupar os alunos. Alguns preferiam gastronomia, outros futebol, Basketball, dança, artes, teatro, informática, arco e flecha, tênis, costura e outros a oficina de musica. Alguns chegavam a escolher mais de dois, se os horários permitissem isso.

Alguns consideram uma perca de tempo, outros já consideram um elemento essencial para o currículo acadêmico. Outros como uma forma de distrair a mente.

De um jeito ou de outro, se Ren consideraria aquilo como uma perca de tempo, ou para ocupar sua mente, ele guardou para si. Então porque ele decidiu escolher logo essa oficina de música? Ele poderia muito bem ter escolhido outro clube, ou ter escolhido teatro.

Mas ele escolheu essa porque sua mãe foi uma artista muito conhecida, uma famosa cantora.

Não como se ele qualificasse a musica como parte de seu sangue. Não era tudo para ele e não significava um futuro. Ele nem sabia o que faria em seu futuro. Não sendo o primeiro filho, ele não tinha um futuro traçado, o seu irmão mais velho já estava cuidando da empresa. Ele que teve o futuro traçado e cuidado, até mesmo a atenção.

Ele poderia fazer o que quisesse em sua vida. Contando que fosse a imagem para a empresa, não a estragasse.

Ele poderia ser um modelo, ou um cantor, ou ator, ou simplesmente um playboy que frequentaria as festas mais badaladas e levaria a fama do nome Jinguji.

Bem, era isso tudo que ele era.

Uma simples imagem.

Até mesmo rodeado dessas garotas, recebendo a atenção que ele merecia e não negava. Recebendo os sorrisos, os abraços e as declarações de amor, seu sorriso não sumia. Por que ele merecia isso, essa atenção, mesmo que elas somente olhassem a sua imagem.

Sortudo era Masato, mesmo que não percebesse a sorte que tinha. O herdeiro, o menino prodígio. Mesmo muito antes de conhecer Masato, escutava histórias dele. Sobre como ele sabia fazer várias coisas apesar de muito novo. Na época poderia pensar “grande coisa, ele não deve ter tempo para nada”, mas chegou a pensar o tão sortudo que ele era, tendo tanta atenção pelo o que ele sabia fazer.

Apesar que sua delicadeza não poderia ser deixada de lado.

Lembrando bem, comparando com essa menina, que não lembrava o nome, ao seu lado e com Masato, Hijirikawa era bem mais delicado. A menina não era um monstro, era pequena, formidável no seu mais singelo traço. Uma beleza exótica e delicada ao abraçar seu braço enquanto as outras garotas também o mimavam naquela sala. Mas o toque de Masato era bem mais leve, bem melhor de sentir.

Jinguji desejava muito que o rapaz chegasse logo naquela sala de música.

Apesar de ser um novato, Ren não era exatamente o único. Esse ano tinham bem mais do que o esperado de alunos naquela oficina. Era algo bem admirável e aceito por lá. Contudo, alguns faziam bastante barulho.

Por exemplo, Natsuki, ou não exatamente ele.

Natsuki não poderia negar que talvez fosse o culpado pelo barulho. Apesar de que foi xingado e ter levado um cascudo ele mantinha o sorriso e estava bastante feliz. Ele não conseguia conter, seu corpo falava por ele.

Algo incompreendido.

Seu coração batia mais rápido quando olhava Syo, e ele sabia que não era somente por tê-lo considerado fofo. Foi uma surpresa para ele o pedido de namoro. Considerava o seu amor puro, algo que não se encaixava em nenhum outro amor que chegou a ver. Estar ao lado de Syo era a melhor parte, um sempre cuidaria do outro.

Agora ele somente estava lidando com um sentimento desconhecido, um bem mais forte do que chegou a sentir em toda a sua vida. E seu corpo impulsionava para isso. E isso era bem mais assustador, mas não quis falar pra Syo para preocupa-lo.

Depois do primeiro beijo, ele queria mais beijos. Cada vez mais. Toda hora não continha em pedir. Ele sabia o que estava fazendo, estava sendo estranho, mas nunca considerou isso tão bom como sorvete. Seu coração palpitando assim quando comia chocolate e seu corpo quente e estranho como se tivesse comido alguma comida apimentada.

Beijar Syo estava sendo o seu calmante.

Mesmo que fosse estranho as vezes ter que permanecer com o óculos, quando incomodava, por que Syo pedia para não tirar.

Mas tudo bem, os óculos não estavam sendo a questão. Era ele que estava se sentindo muito confuso. Queria contar pra Syo que seu corpo ficava bem melhor quando eles estavam perto, em especial quando se beijavam sobre a cama e suas pernas ficavam embaralhadas umas nas outras.

Por isso quis beijo e quis que Syo se sentasse em seu colo agora na oficina, mas levou um cascudo e gritos.

Tudo certo, ele considerava Syo ainda um fofo quando ficava bravo e vermelho.

E agora mais do que nunca eles ficariam próximos, poderiam tocar violino juntos.

No caso de Otoya era bem diferente quando ele entrou naquela sala. Ele tinha que entender isso de Classe S e Classe A. Ele estava na mesma classe que Nanami, Natsuki e Masato, queria muito que Tokiya estivesse também com ele. Ele queria entender os critérios de divisão de quartos. Sua colega de classe, Shibuya Tomochika, explicou que provavelmente os melhores alunos na prova de admissão ficaram na classe S, Otoya considerava improvável. Pelo tempo que passou com Haruka e Masato na sala, percebeu que eles eram muito inteligentes e seria impossível eles não tirarem uma das melhores notas.

Quando questionou, Tomochika considerou que provavelmente o diretor que fazia as escolhas loucas dele. Bem, isso ele não poderia negar, o diretor era bem estranho. Queria também entender as escolhas de quarto.

Não estava reclamando de Tokiya, gostava da companhia dele. Contudo eles eram bastante diferentes. Pelo o que percebeu, aqueles que dividiam o quarto tinham personalidades diferentes. Haruka e Tomochika eram diferentes, Syo e Natsuki, Tokiya e ele. Seu receio era de atrapalhar Tokiya. As aulas mal começaram e ele parecia muito cansado. Talvez ele ao escutar música tinha atrapalhado, ou quando Tokiya o ajudou a arrumar o quarto.

Ou Tokiya o ajudou para acabar com aquela bagunça?

É, poderia ser isso.

Quando seus olhos bateram em Tokiya, sentado em sua carteira em silencio ficou animado em se sentar ao lado dele. Porém parou e olhou para Nanami. Seu colega parecia não se dar muito bem com ela, o que considerava surreal, ela era perfeita. Talvez fosse aquela história de Hayato.

Ah, como ele estava curioso para saber quem era esse Hayato

– QUE BAGUNÇA É ESSA? SENTEM-SE LOGO!

Otoya pulou com o susto que levou com o grito e olhou. Era aquele rapaz da cerimônia de abertura, o de cabelos castanho que gritou para os membros do conselho. Mas ao contrário que poderia imaginar, aquele rapaz de cabelo castanho e que usava chapéu não parecia bravo. Na verdade ele estava rindo de tanto chorar depois de ter assustado os alunos.

Já não bastava ter que lidar com um Ringo-sensei que parece mulher, mas é homem, ele estava lidando com um aluno estranho. Pelo menos aquele rapaz colou os alunos em silencio. E quando ele terminou de enxugar as lágrimas de tanto rir, ele olhou para o outro membro do conselho, aquele Otoya se lembrava do nome, Kurosaki Ranmaru.

– Viu Ran-Ran... – o de cabelos castanhos ria, enquanto alguns alunos ainda estavam gélidos. – Imitando você consigo ficar assustador.

– Humpf... Foi pura sorte! – disse Kurosaki dando de ombros, e indo se sentar. — Acho melhor parar com a brincadeira, Hyuuga-sensei chegará em um instante e a menos que você tenha belos cachos rosas acho melhor vir se sentar! — avisou pegando o pulso de Reiji e o puxando para ir se sentar.

Os dois foram seguindo para um canto da sala, mas Ranmaru parou a frente de Ren.

– Cadê o Masa? Ah... É... Vi ele como uma garota. –Ranmaru piscou para Jinguji e se afastou.

Sabia que não deveria encher o saco do outro, mas queria ver Jinguji sair de si. Era engraçado ver a reação dele quando o assunto era Masato. Mas não deu tempo para Jinguji divertir kurosaki com suas feições, pois Masato entrou acompanhado de uma garota.

Reiji olhou para trás ao ser puxado. Ele viu o sorriso lindo de Ren morrer e ficar com uma feição confusa e atordoada quando se sentava direto na cadeira e soltava o braço de uma menina. Os olhos azuis atentos nos passos de Masato com a garota. E quando ele se sentou na sua cadeira, Ren se levantou da dele.

– Você não deveria ter feito isso, Ran-Ran! — ele atentou, observando Ren deixar todas aquelas meninas para trás e seguir até Masato. – Um dia você será socado!

– Reiji, esquece eles. Você me prometeu que faria Mochi² para mim. – Kurosaki ignorou o que o outro disse sobre ser socado. Ele se garantia. Seria provável que os dois saíssem machucados. Deu de ombros com o próprio pensamento. — Reiji... Ainda bem que tenho você!

Masato ainda estava confuso por ter quer andar com a menina, não era como se realmente quisesse. Mas teria que aguentar e ser atencioso, ficou um pouco feliz, pois nunca havia se socializado desta forma .

Todas as meninas que conhecia eram suas futuras pretendentes, sempre chatas e sem personalidade. Até que esta estava superando suas expectativas, mas realmente não tinha interesse.

– Hijirikawa! – Ren chamou sorrindo, com as mãos no bolso. Seu olhar ela sedutor, ele olhou de Masato para a menina. – Quem seria essa pequena dama?

Masato olhou para Ren e ficou paralisado por um instante. Droga má hora para ele aparecer.

–Não tem nada a ver com você. — disse Masato voltando a si e olhando para a menina, que olhava Ren como se o conhecesse.

– Masayan, ele não é o homem que seu... — mas não pode continuar, pois Masato a virou para ele, pondo a mão no rosto dela, fazendo ela perder o rumo da conversa.

– kajima-san, eu vou aceitar. — disse se recompondo aos poucos. Mas Hijirikawa estava diferente. Nervoso, agitado.

– Eu sou o que? – Ren ficou meio confuso e olhou para Masato. Ele não estava gostando do contato de Hijirikawa com a menina. Ele não tinha contato com ninguém, e com alguém que acabou de conhecer. Eles tinham combinado algo, ele não era burro. Ele sabia quando um homem e uma mulher combinavam algo. – Kajima-san? Que nome lindo!

– Obrigada Jinguji-san. — disse Kajima voltando a olhar para Masato, fazendo um lindo movimento com os fios dourados. Ela era loira e tinha olhos verdes, um verde bem vivo. — Masayan, podemos sair depois da aula também. — disse pondo a mão sobre a de Masato a qual estava sobre seu rosto.

– Pode nos deixar sozinhos? — pediu Hijirikawa cortando qualquer assunto que poderia vir se Jinguji continuasse ali.

– Ela sabe o meu nome? – Ren olhou para Masato, dessa vez sério, bastante sério, e depois olhou para ela. Não era novidade saberem o seu nome, mas ela ficou surpresa ao vê-lo, então algo estava por trás disso. Ele estava com o estomago revirando ao ver as mãos juntas. Uma vontade incontrolável de chamar e puxar Masato crescia. – Da onde me conhece?

– Jinguji, apenas nos deixe a sós. – voltou a pedir Masato retirando a mão – Estamos conversando e você não é bem vindo. – disse cruzando os braços e fitando Ren sério. — Kajima não se force a falar com ele. – pediu Hijirikawa deixando a menina sem jeito.

– Não... Estou cansado de você me esconder tudo! – Ren parou de falar, estava quase alterando a voz com Hijirikawa por causa dela. Ele nunca alterava a voz. Nunca. Ultimamente estava ocorrendo muito disso. Estava agindo fora dele.

Quando ele olhou, as meninas em volta estavam encolhidas e o olhando. Algumas comentavam. Os outros alunos fingiam não olhá-los, mas cochichavam e lançavam olhares estreitos. O ruivo, Otoya, estava em pé pronto para parar qualquer briga e aquele senpai chamado Kotobuki estava indo na direção deles.

– Muito bem, rapazes... – Reiji sorriu e parou bem no meio deles, balançando as mãos. — Hyuuga-sensei deve estar chegando. – ele se virou para Ren e segurou o seu braço o puxando para trás. – Vem, Ren-chan... Vamos nos sentar.

Hijirikawa olhou para Ren um pouco assustado. Então se levantou.

– Kajima-san, eu não irei assistir aula, por favor vá para sua oficina. — disse em tom cordial. – Com licença. – falou saindo da sala o mais depressa possível. Deixando um clima estranho na sala.

O loiro respirou profundamente ao olhar para trás, não vendo mais Masato lá. O aperto no peito o consumia que achava que a morte chegaria. Uma dor tão profunda, tão desolada. Rancor crescia, eram mentiras demais envolvendo o nome dele. Ele tinha certeza que aquela menina, que agora saía da sala, o conhecia. Ela ficou surpresa ao vê-lo, provavelmente ouviu falar dele. Tudo bem até aí, mas Masato tentar contê-la? Isso já era de desconfiar.

E Hijirikawa ainda tinha coragem de pedir para que ela não falasse nada. Já era muito ruim ser tratado como um nada por ele, sem respostas ou olhares e agora essa. Segredos. Ele ainda não sabia do porque ter saído do quarto as pressas, do porque não poderem ficar juntos. Era doloroso.

Quando se sentou estava mais calmo, queria procurar Masato, mas Reiji o empurrou na cadeira e sorriu acenando um não com o dedo indicador. Seu sorriso estava tão espontâneo de verdade ou era para transmitir segurança?

– Sua sorte, Ren-chan... – Reiji arrumou a gola da sua roupa, ainda sorrindo e agindo natural. – É que Ai-Ai ainda não chegou, se ele tivesse visto vocês... – ele parou de falar e se abraçou fingindo sentir medo. – Ele é tão assustador, até mais do que Myu-chan algumas vezes... – fez um cafuné nos cabelos loiros e seguiu para a sua cadeira, lançando um olhar emburrado para Ranmaru.

Após o termino das aulas, todos haviam dado os nomes das duplas que seriam feitas e sorteado os senpais que cuidariam de cada dupla. E aos poucos os alunos foram deixando a sala. Tokiya, Otoya, Ranmaru e Reiji haviam ficado. Reiji havia pedido para se conhecerem melhor.

Tokiya olhava toda a animação de Reiji e Otoya, enquanto Ranmaru esperava Reiji terminar.

– Então... Já que nos conhecemos, Kotobuki-senpai, posso me retirar? — pediu já se levantando. Mostrando que não estava com muita paciência.

– Porque não deixou Nanami-san ficar com Otoya? — perguntou Ranmaru. Olhando o rapaz de expressão séria. Parecia até Camus, nem sorria.

– Ela tem a colega. – foi tudo o que Tokiya disse. – Posso me retirar senpai? — perguntou olhando para Reiji, já que fora ele que convocou os dois para permanecerem mais tempo.

– Tem certeza que não quer ficar mais um pouco, Toki-chan? – Reiji perguntou. Ele estava sentado sobre a mesa e olhava para os dois atentamente. – Oto-chan está tão animado para começar...

– É, Tokiya-kun... – Otoya virou-se sorrindo. – Fica mais um pouco, Kotobuki-senpai parece tão legal! Nós podemos tocar e você cantar.

– Tenho muito trabalho. –Ichinose falou massageando as têmporas. Ter Otoya já era bem complicado e agora com Reiji, ele realmente queria entender o porque de ficar com duas criaturas barulhentas. – Eu não sei cantar Ittoki. – disse querendo cortar logo o assunto. — Com licença. — disse se retirando. – Ah! Ittoki, termine de organizar seus mangás, não quero pisar neles. Chegarei tarde!

Ichinose terminou de falar e se retirou. Tinha muitos trabalhos para realizar.

– Bem... – Reiji sorriu e desceu da mesa, arrumando o seu chapéu. – Vocês parecem casados... – riu, pois Tokiya parecia um esposo que avisava que chegaria tarde do trabalho. Ele levou uma mão até o queixo e parou para pensar. – Ele me lembra alguém...

– Hayato-sama. – Otoya se levantou também e se aproximou de Reiji. – Todo mundo está falando que eles se parecem! Você o conhece?

– Hayato-sama... Hayato-sama... – o de cabelos castanhos estralou os dedos, a luz chegando a sua mente. –Mas é claro, Hayato-sama... Como pude me esquecer... Ele é tão legal, canta tão bem... Ele é também engraçado.

– Ahhh... – os olhos de Otoya brilhavam.

Alguém tão conhecido, que parecia ser interessante e legal. Agora mais do que nunca ele queria ver Hayato. Haruka disse que ele se parecia muito com Tokiya, a diferença era a radiação de alegria que ele transmitia para os seus fãs. Ela também tinha dito que sua voz era surreal, que adoçava os corações e fazia sonhar. Não importava que Ren o tinha chamado de comediante, ele queria muito conhecer Hayato.

Alguém tão parecido com Tokiya e tão sorridente.

– Ele é charmoso também... – Reiji colocou a mão no rosto, sorrindo de lado. – Faz um grande sucesso com as garotas.

– Hey, Reiji, vamos? Está ficando tarde, você me prometeu fazer Mochi para a sobremesa. — disse Ranmaru cortando o assunto. — Hayato vai se apresentar em um programa mais tarde não quer assistir? — perguntou com a mão no queixo. Não que ele gostasse de Hayato, mas Reiji cozinhava em grande quantidade quando estava feliz. Só que Reiji parecia entusiasmado ao falar sobre um cantor e aquilo não lhe agradava muito. -Vamos! – disse se levantando. — Mal vejo a hora de curtir meus Kouhais³. – disse com os braços atrás da cabeça. Adoraria mexer com Masato para irritar Ren.

– Não vou fazer Mochi pra você, Ran-Ran... – Reiji puxou Otoya, o apertando em um semiabraço e o carregando para fora da sala. – Você tem sido um garoto muito malvado com Ren-chan... Somente Oto-chan vai comer Mochi e ver Hayato-sama comigo... E você tem que ir para o conselho, Myu-chan deve estar nervoso com sua ausência.

Ranmaru viu os dois saírem da sala. Mantinha a boca aberta em descrença, não estava acreditando que Reiji ia fazer Mochi e não daria para ele, e sim para o kouhai. Acabou por seguir os dois, mas no meio do caminho se separou indo para a secretaria.

Ranmaru entrou na sala do conselho encontrando Ai sentado separando alguns papeis e Camus sentado olhando para algo na TV.

– Konichiwa. – disse Kurosaki indo se sentar em sua mesa. – Ai, por que saiu tão cedo? – perguntou ligando um radinho, com um volume considerável. Rock era uma das melhores coisas que ele achava depois da comida de Reiji. Só de pensar nisso ficou de mau humor, não comeria Mochi. Bufou jogando as mãos para cima.

Ai tomou um gole de chá e olhou para Camus em seguida Ranmaru.

– Ranmaru, seu som está incomodando Camus e seu mau humor está me incomodando. Será que faria a gentileza de suavizar sua existência? — disse com uma expressão fácil.

Ai era tão angelical, como alguém com uma aparência tão feminina podei ser tão frio. “Céus!”

– Não dá! Reiji não quer me dar comida. – disse Ranmaru debruçando sobre os braços. — Eu não fiz nada de mais só mexi um pouco com Ren. — falou abaixando os olhos mostrando cansaço.

– A culpa é sempre sua! Mas realmente não tenho nada a ver com isso, mantenha isso com você sim! – Mikaze mandou, voltando a olhar os próprios papeis. O que fez Ranmaru aumentar o som.

– Kurosaki... – Camus falou baixo, ainda sentado de pernas cruzadas vendo a TV. Ele respirou profundamente e se levantou seguindo até onde estava o radinho e desligou o aparelho, olhando profundamente para Ranmaru. – Você tem trabalho a fazer, pare de escutar esse lixo!

– LIXO??- disse Ranmaru revoltado já se pondo de pé. – Está surdo? Você não sabe o que é lixo! Ou talvez saiba quando se olha no espelho, seu merda. – Kurosaki falou em ponto de ataque – Você se acha intelectual e especial, mas não passa de um idiota, agora se não se importa vou ouvir musica! – disse voltando a ligar o radio.

Ai pôs a xícara que segura na mesa mostrando que havia terminado todo seu chá. Parecia esperar alguma coisa.

– Seu inútil... – Camus tirou o radio da tomada. – Eu não preciso escutar esse lixo, Kurosaki. Você só tem fugido de suas obrigações. – pegou o aparelho na mão e seguiu para a sua poltrona. – Você tem trabalhos pendentes, melhor do que escutar esse lixo que não acrescenta em nada nas nossas vidas, vá trabalhar... – ele se sentou e jogou o aparelho dentro da lixeira que estava ao seu lado. – Oras... Sempre a mesma perturbação quando Kotobuki se nega a te dar comida!

Agora a sala havia ficado com uma atmosfera bem densa. Kurosaki saiu de si.

– Primeiro menospreza a minha música e agora a comida maravilhosa do Reiji, está pedindo por um soco. — disse se aproximando de Camus. Não, Camus não havia insultado a comida de Reiji, mas Ranmaru utilizaria qualquer artifício para bater em Camus.

Ai ficou bem na frente de Camus.

– Chega Ranmaru, não acredito que seja tão retardado por cair na de Camus. Vocês dois são inúteis e tem trabalho a fazer. Viu? Vocês tem algo em comum. Então trate de fazê-lo. – Ai disse com sua voz de impaciência habitual. — Não me causem trabalho, pelo menos hajam como se fossem veteranos e não duas crianças do jardim.

Ranmaru olhou para Camus uma ultima vez e voltou para sua mesa, bufando. “Camus se safou!’’

– Que seja... — disse Ranmaru pegando um diário para fazer anotações.

– Mikaze... – Camus voltou a cruzar as pernas e colocou as mãos sobre o colo. Agora ele estava mais calmo, mas olhava rígido para Ai. – Não me qualifique como um inútil, terminei o meu trabalho a tempo... Deveria respeitar o seu presidente.

– Ah sério? Então como presidente deveria se dar devido respeito antes de cobrá-lo de alguém. — disse Mikaze retribuindo o olhar rígido. — E como presidente deveria saber que seu trabalho vai muito além de assinar propostas de melhoria. Se ainda não sabe seu trabalho leia o manual. — falou indo até a mesa e pegando alguns documentos. — Estou indo entregar isto ao diretor! Agradeceria muito se vocês comportassem como pessoas que sabem o que significa civilização. Com licença! — disse se retirando do local.

Ranmaru ficou com um sorrisinho no rosto. Não que gostasse de levar patadas de Ai, mas porque Camus havia levado bronca.

– Robozinho... – Camus resmungou, colocando os seus óculos de leitura e desligando a televisão. – Eu sei do meu trabalho... – passou a ler os papeis a sua frente.

– UTA -

Otoya estava bastante animado, seu senpai era bem melhor do que o esperado. Tão animado, extrovertido, divertido e falava com muita sinceridade as vezes. E cozinhava muito bem, muito bem mesmo. Sentados no chão e comendo aqueles deliciosos mochis, ele soube o porquê Ranmaru estava tão ansioso para comer aquele doce.

Ele olhou de relance para Reiji. Uniforme um pouco diferente, o chapéu ao lado do corpo. O sorriso nunca o deixando e o olhar atento mostrava que ele não era tão ingênuo como aparentava. Então, talvez apesar de brincalhão e ousado, ele ainda conseguia levar as coisas a sério.

Por isso o castigo de não dar mochi para Ranmaru.

Não era uma questão de birra, era um aviso. Estava avisando o que Ranmaru estava fazendo era errado. Infelizmente ele, Otoya, não estava sabendo o que exatamente estava ocorrendo entre Ranmaru, Ren e Masato, os dois últimos pareciam tão amigos na hora do café da manhã.

– Olhe! – Reiji cortou seus pensamentos e apontou para a TV. – Hayato-sama!

Seus olhos se voltaram para o televisor e ficaram bastante atentos. O doce em sua mão quase caiu e sua boca abriu em surpresa ao ver quem estava na televisão. Tokiya, não! Hayato. Uma cópia completa de Tokiya, mas que sorria e tinha uma animação sem igual.

Dois extremos.

Um arrepio surgiu em sua espinha ao imaginar Tokiya sorrindo daquele jeito. Seria muito, mas muito diferente. Não reclamando do seu colega, mas nossa. Tokiya era a cara de Hayato, eles deveriam ser parentes.

Mais provável que não, pelo o jeito que Tokiya se irritava ao ser confundido.

Mas aquela voz. O timbre, a técnica. Hayato cantava muito bem, era um profissional. Agora entendia porque Haruka era fã dele. Hayato-sama estava ganhando mais um fã.

Notas finais
1 - Mina = Pessoal 2 - Mochi = É um bolinho feito de arroz glutinoso moído em pasta e depois moldado, no caso recheado. 3 - Kouhais = Seria algo como calouros Agradecemos quem leu até aqui!! XD... O capítulo já estava prontinho ontem, mas decidimos postar hoje... hehe Então, o que acharam? Críticas são bem vindas... Mais uma vez obrigada e até a próxima segunda!!! Beijos!! =*