Orpheus
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Ranmaru andava lentamente até chegar na frente do clube de natação, estava com certo receio de ver o que não queria ver.
E o que ele viu foi Reiji ao longe, agachado ao lado da piscina com mais alguém desconhecido. Deveria ser um aluno do terceiro ano. Eles sorriam para a piscina. Os olhos de Reiji brilhavam olhando para a água enquanto o outro rapaz falava. O reflexo do Sol vinha para o seu rosto o iluminando.
Quando uma mexa de cabelo caiu sobre o seu olho, ele não precisou se mover, pois o outro garoto colocou o seu cabelo para trás de sua orelha. Reiji sorriu para ele como forma de agradecimento e voltou a olhar para a água.
Estava iluminado, assim como suas bochechas vermelhas em animação. Ele colocou a mão na água, sentindo a temperatura quando o outro garoto também colocou a mão na água e falou algo que os dois riram um para o outro.
Antes que pudesse pensar, o garoto segurou a mão de Reiji dentro da água e o puxou para ficarem em pé. Assim os dois correram na direção de outra piscina, dessa vez maior. Olharam para ela e o garoto colocou a mão nas costas de Reiji.
Ranmaru não conseguia definir o que sentia talvez até conseguia, mas não queria expressar em palavras, pois diria muita merda. Nem sabia se tinha feito o certo de namorar uma pessoa que era tão espontânea como Reiji, doeu ver aquilo, ele queria muito conversar, mas ele não estava mais com muita vontade depois desta cena, então estava em uma discussão dentro de sua cabeça se ia ou não ia permanecer ali.
Seguia a passos silenciosos e ficou no canto observando o outro interagir com o menino desconhecido.
— Uau... É tão fundo. – seus olhos estavam brilhantes quando olhavam para a piscina, ele se distanciou um pouco a mão do menino quando voltou a se agachar.
— Irá adorar a natação, é muito divertida Kotobuki-senpai... – o menino voltou se agachar ao lado de Reiji.
— Já disse que não é necessário que me chame de senpai. – sorriu e ficou em pé. – Eu já iria adorar, mas se for divertido, eu irei adorar ainda mais. – sorriu sentindo a brisa. – Aqui parece tão agradável. – fechou os olhos sentindo a brisa.
— E é, Reiji-chan. – o rapaz respondeu. – Estou desconfiado que aqui irá ficar mais agradável com a sua presença. – ele ficou em pé.
Reiji permaneceu de olhos fechados, como se as palavras não o afetassem. Abriu até os braços para o vento.
— Será mais agradável com Ai-Ai aqui! – Reiji disse e abriu os olhos e olhou para o rapaz que o encarava. – Obrigado por me ajudar na minha inscrição e por ter me explicado mais ou menos como funciona. Estou muito animado para começar, mas agora tenho que procurar meus juniores para uma tarefa.
— Poderia ficar mais tempo, é tão legal estar ao seu lado, Reiji-chan... – o rapaz estava parado, o olhando nos olhos e sorrindo.
— Todos nós estaremos próximos quando começarmos a treinar. – Reiji abriu os braços. – Não se preocupe, terá todos os seus colegas aqui também. – o menino torceu a boca. – Bem, vou indo. Até mais ver! – acenou e correu em direção ao colégio.
Quando ele correu, ele se surpreendeu ao ver Ranmaru encostado no canto da saída dali. Ele parou de correr aos poucos e se aproximou de Ranmaru, sorrindo para ele sem olhar para trás.
— Ran-Ran. – parou perto dele. – Myu-chan lhe deu o recado, não foi? Estou feliz que esteja bem.
— Deu, mas não estou tão bem como queria. — disse estava feliz com a desfeita que Reiji havia dado no menino, mas ainda estava irritado – Bem, estou indo para o dormitório, quero dormir um pouco mais. — disse baixo saindo da piscina.
— Já vai? – Reiji o seguiu, com as mãos atrás das costas. – Deve ter ficado acordado à noite inteiro para estar com sono. – comentou. – Eu vou ver os meninos, conversar com eles. Eu vi as imagens pela internet, foi lindo o encontro deles, mas na internet dizem que é o Hayato-sama, mas está na cara que é o Toki passeando com o Otoyan.
— Okay, divirta-se. — disse com um tom magoado seguindo um rumo diferente, talvez fosse melhor se acalmar antes de conversar com seu pequeno.
— Ran-Ran. – Reiji o chamou estendendo a mão. – Não vai comigo? – perguntou, dando alguns passos rápidos até Ranmaru. – Você estava lá, então achei que estava me esperando.
— Eu estava. Você sabe que não posso pegar na sua mão. — disse baixo — Quando terminar eu estarei no quarto te esperando. — disse lhe dando uma piscadela. — Por isso não demore. — disse sorrindo de canto.
O sorriso que surgiu no rosto de Reiji foi iluminado, melhor do que o sorriso baixo que estava dando antes. O sorriso que muitas garotas falavam e alguns rapazes caiam aos seus pés. Os olhos brilharam e ele olhou para os lados, antes de sorrir de canto com um olhar meio sacana.
Ele segurou o rosto de Ranmaru e lhe deu um selinho e se afastou rapidamente antes que alguém os pegasse.
— Não fique bravo, Ran-Ran... – pediu. – Não faz bem para sua testa fechar a cara assim. – levou o polegar até as sobrancelhas de Ranmaru o empurrando um pouco. – Vejo você mais tarde, agente poderia curtir e relaxar em um lanche ou nas termas... Ou eu poderia cozinhar. – sorriu. – Tchau. – acenou e correu para o outro lado.
Ranmaru sorriu de lado novamente vendo o menor se afastar, não sabia como Reiji o fazia sentir tantas coisas ao mesmo tempo, ao perder o namorado de vista seguiu para o quarto, mas antes iria a um local.
— UTA –
Sentado no jardim, Ren sentiu a grama em baixo de si. O verde brilhante com o Sol, o céu azul carregado de brilho e poucas nuvens. Ao seu lado as meninas, falavam algo que não prestava muita atenção. Era somente chamá-las de princesas que elas gritariam.
O seu sorriso para elas era o melhor resultado, mesmo que sua mente estivesse em outro lugar. Depois daquelas horas com Masato, nada mais importava por mais que tentasse pensar em outra coisa. As mãos delicadas que vinha em seu ombro ou em seu cabelo não eram tão boas como as que sentiu e tanto amou naquele dia. O cheiro de Masato ainda estava vivo em seu corpo. Conseguia sentir a textura da pele em seus dedos.
Estava atormentado. Mais cedo tinha avisado que não desistiria, o desespero lhe tomando. Estava fugindo dele, não era ele mesmo. Depois que provou do fruto ele não queria mais sair daquele pecado. Os lábios, a pele, o sabor do Masato.
Viciou-se e estava louco para ter tudo novamente e mais uma vez até se cansar, e isso que ele conseguisse. Ele jamais se sentiu assim antes, eletrizado com os suspiros de alguém e ao mesmo tempo perdido na voz e sorriso.
Ele não queria desistir e abandonar tudo. Ele estava ficando louco somente de pensar que Masato saiu com aquela garota e poderia estar tocando nela. Deixando o seu cheiro ser misturado com o dela. Ele não queria isso.
— Ren-chan! – uma das meninas o chamou. Ele sorriu para ela reparando que lia uma revista, pois nunca deixaria de sorrir, jamais deixaria de ser um cavaleiro para elas, mesmo que estivesse com a mente perturbada pelo Masato. – Você é amigo do Ichinose-sama?
— Amigo? – sorriu de lado. – Estamos na mesma classe. Poderia dizer que somos amigos.
— É verdade que as revistas contam? – todas se aproximaram. – Ele está com o Ittoki-sama ou é o Hayato?
Ren levantou uma sobrancelha e continuou sorrindo. Ichinose deveria estar muito nervoso por saber que seu nome estava circulando na escola daquele jeito. Ele mesmo não sabia ao certo o que ele Tokiya tinha com Otoya, depois daquela afirmação que eles dormiram juntos. Ele também não sabia o que Otoya tinha com Hayato, por esse defender tanto aquele cantor. Ele não poderia esquecer que Otoya conheceu Hayato.
Mas nas fotos eles mesmos tinham dito que era Tokiya e Otoya.
— Não sei o que as revistas especulam, mas sou a favor do amor. – sorriu. – Então independente do amor que seja, eu estarei aprovando.
— Ren-chan não acabou respondendo... – elas ficaram tristes em uníssimo.
— Será que é mesmo o Ichinose? – ele olhou para elas. Ele não sabia se acabaria ajudando Tokiya com isso, afinal se a escola especulasse algo entre ele e Otoya, os dois acabariam expulsos. No fim, esperava que estivesse ajudando. Melhor que a escola pensasse de um jeito do que eles se dessem mal. – É do feitio dele abraçar desse jeito? – olhou para a revista. – Andar de mãos dadas e entrar na loja de brinquedos.
— Acho que não. – uma delas respondeu e a outra que estava por perto sorriu.
— É o Hayato-sama. – outra falou. – Ittoki-sama parecia intimo dele ao defendê-lo do presidente.
— Eca, mas são homens. – outra se aproximou. – Hayato-sama não mancharia a carreira assim.
— Mas talvez a carreira dele somente aumente com isso. – outra especulou. – Um amor proibido, um conto de fadas. Um plebeu e um príncipe.
— Hammm. – Ren as interrompeu. – Eu achei que era um único príncipe de vocês!
Com essa, elas encerraram o assunto e voltaram a prestar atenção nele. Falando que ele seria para sempre o príncipe delas e demais palavras. Nunca o sorriu de Ren caindo, mas sua mente ainda estava em outro lugar.
— UTA -
Hijirikawa estava sentando próximo ao coreto, esperava a Dama em sua companhia terminar de arrumar a cesta, era provavelmente umas três e meia da tarde o dia passou muito lento ao lado de Kajima, mas não podia fazer muito, pois havia prometido ao seu pai que aquela duraria, mas aquilo era torturante. Sentir o cheiro de rosas da menina as mesmas as quais Ren distribuía para aquelas garotas que o seguiam, nada lhe agradava pensar nisso.
Estava tão feliz em saber que Ren o queria tanto, pena que nada pudesse se consumir, apertou os nos dos dedos ao lembrar os beijos trocados. Pode sentir uma mão lhe tocando o ombro.
— Masato-Kun, vem já terminei de guardar as coisas. — Disse a provável Kajima.
— Ah, sim me perdoe. – se levantou. — Eu não vou agora com você, eu tenho que resolver algo, mas agradeço pelo tempo que passou comigo. — disse fazendo uma pequena reverência.
— Tudo bem, eu gostei também de ficar com você. — disse se aproximando — Espero que aceite minha mão. — a menina piscou e se afastando.
Demorou para que Masato pudesse retornar ao quarto sentia tão cansado, nem sabia o porque. Talvez a carga do nome da família pesasse e ele não tivesse reparado.
Levou um leve susto quando a porta foi aberta e por ela entrou Ren. O loiro parou na entrada e olhou surpreso para segundos depois sorrir daquele jeito típico dele. Quando fechou a porta ele continuou sorrindo e seguiu na direção de Masato com as mãos no bolso.
— Achei que não voltaria mais, Hijirikawa. – sorriu ao olhar de cima para baixo. – Como foi o encontro com ela?
Masato até se sentiu melhor quando o viu, mas se lembrou de que não poderia continuar com aquilo por isso fechou o cenho.
— Não te interessa Jinguji. — disse meio irritado indo para seu lado pondo a água para ferver, talvez um chá o acalmaria um pouco já que não sabia mais o que fazer para que Jinguji deixasse seus pensamentos.
— Lógico que me interessa. – sentiu um calor logo atrás dele e o hálito quente de Ren em seu ouvido. – Passei a tarde pensando em você. – as mãos grandes segurando a sua cintura. – Ela te tocou?
— Jinguji! — disse Masato se controlando acabou por se afastar — Qual é o seu problema? Eu já te disse que não quero você tão próximo de mim. — disse se virando para olhá-lo.
— Acha que é fácil ficar longe? – o sorriso de lado do rapaz dourado era sedutor quando ele voltou a se aproximar e segurar a cintura dele. – Não vai me responder mesmo se ela te tocou? Vou beijar o seu corpo inteiro se não me disser.
— Para! Já pedi para parar com isso. — disse tirando a mão de Ren sobre si — Me deixa em paz Jinguji. Eu preciso te explicar de qual forma para que entenda que eu não vou ficar com você? — disse sentindo-se pior a cada momento.
— E quantas vezes eu preciso dizer para você que não irei desistir? – o sorriso aumentou quando Ren voltou a segurá-lo pela cintura e o encostou na parede, beijando o seu rosto. – Senti falta de te tocar, é viciante. – sussurrou beijando o pescoço. – Estava ficando louco em imaginar ela te tocando. Espero que ela não tenha te tocado, muito menos maculado a sua pele. – acariciou a nuca de Masato fechando os olhos.
— Chega! — disse Masato reunindo suas forças e empurrando Ren para longe. — Se continuar terei que deixar este quarto. Se controle, esta bem? Não dá mais para nós dois, agora eu preciso pensar no meu casamento. — disse com palavras sofridas, nem ele queria pensar em casamento.
Segundos após as suas palavras, sentiu ser puxado e jogado sobre o seu futon. Seus olhos se arregalaram ao olhar para o teto com o susto, mas mais ainda por ter agora Ren sobre ele. O loiro estava sobre ele, segurando os seus pulsos e uma perna em cada lado do seu corpo.
Os cabelos dourados estavam tampando os olhos azuis de Ren, não dava para ver sua expressão, mas o sorriso não estava mais lá. Os lábios estavam retos, o sorriso encantador não tinham mais deixado vestígio.
— Você não irá se casar com ela. – a voz estava baixa, nada arrastada somente séria. – Eu não deixo você fazer isso consigo mesmo e comigo. – abaixou um pouco mais a cabeça, seus longos cabelos fazendo cócegas na testa de Masato. – Eu não permito, te roubarei para longe antes mesmo que isso aconteça!
Masato estava tão sem ação que não conseguiu dizer nada, sentia Ren por uma força sobre si, ele sabia que não conseguiria empurrá-lo desta vez, pois este estava fora de si, ele não poderia ser roubado, tinha a sua pequena irmã que precisava dele.
— Jin... Ren, por favor se acalma. — pediu com uma voz baixa.
— Eu estou calmo. – a voz de Ren continuava baixa. – Não estou gritando, não estou te batendo. – abaixou mais os lábios ao ponto de estar bem próximo. – Só estou dando um aviso que não permitirei que estrague sua própria vida assim ao ponto que também estrague a minha. – o beijou que veio foi no canto dos seus lábios. – Não passei anos sofrendo por sua ausência para tudo terminar a assim. – seguiu para o nódulo da orelha, o mordendo de leve e beijando.
Masato não podia deixar aquilo acontecer, não podia, por mais que apreciasse aquilo, era proibido, mesmo com a promessa que havia feito a sua irmã de não deixar o lado de Ren, era complicado.
Jinguji o torturava cada vez mais com seu cheiro, seu toque tão reconfortante, por um momento pensou que poderia ir com ele a qualquer lugar, mas não era possível.
— Eu também sofri este tempo todo, mas não posso mudar as coisas. Por favor, pare com isso. — pediu.
— Mentiroso. – Ren sussurrou, beijando logo atrás da orelha. – Pode mudar isso sim. – juntou os dois pulsos de Masato para ainda segurá-lo, dessa vez somente com uma mão. – Você pode mudar tudo isso, pode fugir comigo. Já disse... Não se sinta obrigado a ficar, sua irmã poderá ir com agente. – levantou a camisa de Hijirikawa, acariciando o seu peito e beijando a sua jugular. Tudo isso sem mostrar o seu olhar. – Não me faça cair mais e mais nessa insanidade que é o mundo sem você! – beliscou um dos mamilos.
— Ahh onegai Jinguji, não faça isso. — voltou a pedir, com a voz fraca, tentou se soltar mas nada saia — Onegai! — Masato estava entrando em pânico ficando assustado, o loiro não estava o escutando aquilo não podia acontecer. — Não vou sair daqui, você precisa entender eu não... Quero, pare! — pediu sentindo algo queimar dentro de si.
— Como pode não querer? – Ren o questionou, abaixando os beijos para o peito. – Estou praticamente implorando para você que fique comigo. – a mão livre foi para a calça de Masato e tocou em sua virilha. – Você me quer da mesma forma que eu te quero.
— Eu quero, mas não posso. — disse voltando a tentar se soltar — O que esta querendo? O que pretende fazer me prendendo? — perguntou um pouco desesperado com o que estava acontecendo.
Dessa vez os olhos de Ren foram direcionados até o seu. Os olhos carregados de dor, desesperança e desconforto. Ele estava triste. A noticia do casamento foi uma facada em seu peito.
— Eu gostaria de te fazer meu. – acariciou-o mais um pouco. – Eu quero isso.
Masato arregalou os olhos, agora Ren tinha passado dos limites, por mais que quisesse ser de Ren, ele não poderia, pois iria se casar e pretendia fazer isso virgem.
— Não, eu não quero ser... Seu! — disse olhando nos olhos de Ren, ele poderia ver que estava mentindo, mas não podia deixar que isso acontecesse.
— Em meus braços você treme. – o sorriso de Ren era triste. – O seu rosto demonstra a ânsia em querer ser tocado por mim! – deitou-se sobre Masato e soltou os seus pulsos o abraçando, completamente, seus braços em volta por todo o corpo e assim como seus quadris unidos. – Você me disse que queria ficar ao meu lado. – os beijos queimavam na pele alva enquanto a simulação de coito começava. – Quer ser salvo por seu príncipe. – Ren estava excitado ao pressionar o corpo em Masato. – E eu quero lhe salvar... Também quero que me salve dessa loucura que você me deixou.
Masato estava muito assustado, Jinguiji não o deixaria ir, ele não queria o deixar de forma alguma, como o afastaria? Seria possível o afastar, sentia o corpo começar a responder, estava fraco para dizer não, sentiu uma fumigação em baixo do ventre, aquilo não estava acontecendo, precisava se concentrar, mass quando menos quis um gemido saiu de sua boca.
Ren parou todo e qualquer movimento que fazia e olhou para Masato. Aquela voz que tanto dominou a sua cabeça naquele dia. Invadia os seus sentidos toda vez que provava só sabor de Masato e ele emitia aquele som.
Queria mais dele. Queria senti-lo. O olhando assim, vendo os olhos claros brilhando, as bochechas vermelhas de vergonha. Tão puro e perfeito para ele. A pele gelada sendo queimada pelo seu toque. Tocando o rosto, passando o polegar pelo seu sinal, beijando os lábios atraentes.
Sentia-se um demônio levando um anjo para a perdição.
Ele tinha como parar naquele momento. Ele deveria. Algo em sua cabeça gritava que se ele fosse mais a fundo não teria volta. Ele cairia em completa insanidade pelo Masato. Mas a vontade louca de estar com ele, de tê-lo como seu, de esquecer toda aquela historia de casamento e deveres.
Sim, esquecer que estavam fadados há um destino cruel. Carregados pelo nome da família. Ele sendo a imagem e Masato sendo o nome.
Uma vez na vida eles tinham escolha, por mais que essa escolha fosse cair no pecado que estavam cometendo naquele momento.
O pecado de amar os lábios de Masato, adorar aqueles beijos quando lhe tirava a camisa e beijava cada canto daquela pele. Mordendo, beijando, marcando. “Meu”, gritava em sua mente, o quarto cheio de calor. Ele mesmo emitia parte dessa temperatura.
Afogava-se no desespero, jogando o cabelo para trás e tirando a própria camisa. Suas mãos sentindo o arrepio da pele em baixo de si.
Ele queria tomar o Masato.
Dele, somente dele e agora.
Com esses pensamentos deixou Hijirikawa nu debaixo dele. Ele não conseguia parar de olhar, admirar e enlouquecer cada vez mais. Seus dedos sentindo cada canto de pele, cada pulsar, a respiração de Masato se misturando contra a sua.
— Seja meu como sou seu! – sussurrava contra os lábios.
Masato podia sentir sua pele queimando com os toques do maior, como aquilo ardia, não estava certo, não deveria permitir aquilo, mas era algo que ele não podia mais decidir. Seu corpo alvo tremia e ansiava pelo toque do loiro, estava se tornando insuportável segurar, por isso seus gemidos viam de forma suave e baixa, tentou morder os lábios para conte-los, mas não resultou em nada.
Sabia que não teria mais volta depois de feito, ele não sabia o que aquilo iria trazer como consequência. Seu corpo não era mais virgem, Ren o tinha provado cada espaço a não ser por um em especial.
—Não sei se devo. — sussurrou pondo as mãos no ombro do maior.
— Sim, deve. – Ren também tinha ficado nu. Ambos já tinham ficado assim, cada um conhecia o corpo do outro. – É algo que você quer, é algo que nós dois queremos. – segurou o membro de Masato. – Deixe-me fazer amor com você. – acariciou lentamente. – Faremos amor, sentiremos um só como se ninguém fosse nos separar. – desceu os lábios até lá, para proporcionar o prazer que Masato conhecia tão bem dos lábios de Ren.
— Ah... Não fale coisas assim, nem tudo que se quer se pode ter. — disse fechando os olhos, os gemidos eram melódicos, estava se achando tão errado em fazer aquilo. — Nãoo, pare Jin-guuiji!
Pelo contrário, Ren continuou. Continuou por ele, pelo Masato, pela ideia de liberdade. Regras, padrões, nome, ligação familiar, tudo eram somente correntes que o prendiam naquela tristeza. A dor, a loucura de viver naquele mundo sem exatamente viver.
Eles queriam viver livres. Viver a vida deles.
Ou Ren era o único que pensava assim. Desde mais novo, quando olhava para os sorrisos de Masato, quando caminhava ao seu lado, quando lhe segurava a mão, seus olhos a sua companhia. Tudo era sinônimo de liberdade para Ren.
Ele se sentiu preso quando perdeu isso. Quando perdeu Masato. Sem olhá-lo se sentiu preso a solidão, o fato que era nada para ninguém. Para o seu pai, para o seu irmão. E sua chave para liberdade estava longe dele, não falando com ele e o recebendo.
A dor que surgiu em seu peito lhe fez fechar os olhos. Aquele sentimento indecifrável crescendo em seu ser, o dominando, sugando as suas energias igual à ferocidade que sugava o membro de Masato.
Sim, somente eles agora. Deveria se lembrar disso. Que agora era somente eles e o mundo de fora não existia. Foi com esse pensamento que molhou dois dedos seu e esfregou um na entrada rosada de Hijirikawa.
— Relaxe. – sussurrou, com a boca molhada. – No começo deverá doer, mas te prometo que amarei o seu corpo de tal forma que não sentirá nada além de prazer.
Masato não conseguia ouvir muito parecia tão alto, a voz de Ren estava muito distante de seus ouvidos, cada vez mais se afundava em pensamentos, em sentimentos que corrompiam sua pureza, cada momento sentia que tudo ia partir, soltou um grito abafado ao sentir Ren invadi-lo levou a mão à boca e conteve outro gritos, aquilo machucava. tentava disfarçar, mas era dolorido. O que Jinguiji havia lhe falado? Sim, para relaxar. Era difícil, mas passou a tentar.
— Fique calmo... – a voz de Ren chegou aos seus ouvidos. O loiro tinha voltado a ficar sobre ele, seus lábios beijando a testa. Enquanto mais um dedo estava entrando também, o alargando um pouco, mas com gentileza. – Você é tão lindo, respire fundo. – sorria e beijava mais, tentando mover os dedos com calma.
Calma, era tudo o que ele estava tentando ter naquele momento, mas algo o ajudava a chegar neste caminho a voz suave do loiro em seu ouvido, pode perceber que podia doer, mas não estava como no começo. O cheiro de Jinguji também era algo que o estava deixando calmo.
— Eu-u estou t-tentando. — disse baixo, com a respiração descompassada, era a primeira vez de Masato, mas ele sabia que Ren já havia se entregado para outras pessoas, e aquilo lhe deixava triste, pois Jinguiji já era experiente.
— Está melhor agora. – sussurrava em cima de Masato e parou de mover os dedos.
Ainda não era a hora, Masato ainda não estava pronto, mas não conseguiria aguentar com aqueles olhos sobre ele. Queria provar daquele fruto pecaminoso. Jamais desejou tanto alguém como Masato, jamais quis tanto, sentiu tanto aquilo por outra pessoa do que Masato.
Separou mais as pernas de Hijirikawa, apreciando a vista linda que estava tendo. Ninguém chegaria aos pés daquela beleza, daquela boca e pele. Posicionou-se entre as pernas, totalmente duro e vazando somente ao olhar e tocar em Masato. Sua glande estava na entrada quando ele se deitou sobre o corpo e acariciou aqueles cabelos. Por fim beijou os lábios, sua língua saboreando o interior da boca quando se moveu, rompendo o caminho lentamente entrando no corpo quente.
Agora Masato parou com qualquer movimento aquilo doeu e muito, muito mesmo tanto que segurou no cobertor e apertou afim de passar um pouco da dor para o objeto.
— Dói. — foi tudo o que conseguiu dizer cerrou os olhos esperando a dor aliviar um pouco. Era muito estranho sentir, aquilo, era como se sentir ligado a Jinguiji e aquilo o deixava assustado, nunca pensou que ficaria ainda mais ligado a ele. Sentia o coração de Ren bater muito forte assim como o seu, que parecia querer saltar.
— Respira! – Ren pedia, mas até mesmo ele estava sem ar. Olhos fechados, se perdendo no calor e aperto do corpo. O coração explodia no peito. Não era sua primeira vez, não deveria estar assim, era por causa do Masato. Ele estava se ligando a ele. Era somente eles e nada mais. – Se segure em mim. – tremulo pegou as mãos de Masato e as levou até o seu cabelo. – Sente que somos um?
Ele conseguia sentir, se Masato não sentia. Hijirikawa era completamente quente e apertado. Lindo de se ver e sentir. Sentia-se ligado não somente pelo corpo, por tudo que estava sentindo. Era sufocante esse sentimento que tinha dentro de si, essa algema que prendia ao de cabelo azul.
Seu paraíso ao mesmo tempo o seu inferno. Ele poderia se viciar naquele pecado, se viciar naquele corpo e beijos e sentimentos. Olhar para os olhos lacrimejantes e Masato lhe fazia perder o chão. Beijando as suas lágrimas ao acalmá-lo. Saboreando o sabor da pele do pescoço para relaxá-lo.
Não queria mais ninguém além do Masato.
Masato não respondeu a pergunta de Ren, mas ele sabia que o loiro já sabia resposta, aquilo era muito intenso, a conexão que estava sendo feita, servia para reforçar o laço que ainda residia entre os dois, criado quando ainda eram pequenos. Era muito sentimento guardado, por isso aquela explosão.
Entendia Jinguji mesmo não se expressando daquela forma tão afoita, ele não era assim, ele sempre foi mais controlado e mais quieto que Ren, por isso o loiro poderia entendê-lo, os dois se completavam de uma forma bela, eles eram como a noite e o dia. Passou a prestar atenção, nas expressões do loiro, ele parecia bem, logo fez o que ele pediu, mesmo com um pouco de dor, colocou uma das mãos no ombro dourado e outro tocou os fios do loiro.
— Isso. – Ren fechou os olhos apreciando o toque. Era intimo, era belo. Sonhar em ser tocado assim, estar dentro de Masato e senti-lo dele. – Você é lindo! – olhou em seus olhos de Hijirikawa. Acomodou-se melhor entre as pernas, estava completamente dentro que chegava a doer estar parado. – Mantenha os olhos fixos nos meus, serei o seu pilar. – respirava e seu batia afoito. – Irei devagar.
Lambendo os próprios lábios e beijando o queixo de Masato, Ren fez o máximo para se controlar. Era a primeira vez de Masato. Seu coração explodiria assim. Várias garotas tinham entregado sua pureza para ele, mas a do Masato era a mais valiosa. Seus beijos, seu corpo e a sua alma. Pensando no bem estar de Hijirikawa. O loiro saiu completamente do menor de maneira lenta, sentindo cada instante o aperto de seu parceiro.
Era enlouquecedor.
Quando saiu quase por completo, ele se posicionou um pouco melhor e tomou os lábios novamente no seu, voltando devagar. Tentando encontrar o ângulo certo quando voltou a sair e a entrar.
Hijirikawa ainda se sentia incapacitado para falar. Jinguji era muito para ele, mas podia sentir que a dor havia diminuído. Ele apertava firme o ombro do maior, era como um controle se o outro fosse muito rápido ele tentaria pará-lo, mas ele começou a sentir-se bem, de uma maneira, que sua respiração já descontrolada estava pior, onde sua mão segurava firme os fios de Ren, mas sem os puxar.
Novamente os sons invadiam o quarto, ele não conseguia mais conte os gemidos era impossível.
Acima de tudo estava feliz por ser com quem ele amava. Sentia que iria se castigar por ter feito isso, mas a única coisa que conseguia pensar era na sincronia na qual estava encaixado. O doce toque de Ren, suas mãos com toques suaves, os lábios sugando sua pele alva.
Ren estava amando cada som, cada toque cada gesto de Masato. Os dedos que tanto ama estavam em sua cabeça, mostrando-lhe que era real, que estavam se unindo ali naquele momento. Sem medo ou receio de estarem fazendo aquilo. O calor do corpo lhe sugando, os gemidos lhe invadindo a mente, a pele em sua boca.
Nada era suficiente, sentia pulsar dentro de Masato. Fora de controle, ele queria que não acabasse, queria Masato para ele e somente ele. Abraçando, mas firme, ele inclinou-se mais. Saindo por completo e aumentando o ritmo das investidas aos poucos. O desespero lhe tomando a mente.
Que uma hora aquilo iria acabar. Que a realidade viria e lhe tomaria o que era dele. Ele não queria perder Masato, queria prova-lhe que poderiam ficar juntos. Que poderia estar assim para a vida inteira. No calor, no fogo, no prazer.
Hijirikawa voltou a tampar a boca, pois o volume de seus gemidos haviam aumentado, aquilo não era bom alguém os pegaria e nunca mais veria-o, não poderia deixar acontecer, o loiro o tocava em algum ponto que deixava aquilo mais prazeroso ainda. Seus fios estavam completamente bagunçados e espalhados pelo futon, os de Ren ele os sentia pelo rosto, roçando no pescoço.
Jinguji estava perdido, de corpo e alma perdido. A eletricidade passando por eles, a forma que Masato gemia e se contorcia debaixo dele ele já sabia que estava acertando no lugar certo. Fechando os olhos e se perdendo no mundo dele, ele parou e sentou-se nos joelhos, sem sair de Masato e olhou de cima. Ele completamente dentro, vendo Hijirikawa completamente aberto para ele, o recebendo. Os cabelos bagunçados, suado, a boca aberta.
A cena mais linda que já tinha visto em toda a sua vida além do primeiro sorriso que tinha visto de Masato.
O segurando pela cintura e aplicando força mínima, puxou Masato para o seu colo, o sentando. Sentados, um olhando para os olhos do outro. Ele estava perdido, completamente perdido e sem volta, soube disso quando descobriu que seu coração estava simplesmente disparado por olhar nos olhos de Hijirikawa.
Beijá-lo ao ponto de se perder. Fazendo amor naquela posição, penetrando de tão maneira querendo se perder no seu próprio mundo.
A loucura, os gemidos, o suor, o som de pele batendo, a voz melodiosa de Masato. Seu mundo estava perfeito. Eles dois, somente eles. Nada de regras, ninguém ditando o que eles poderiam fazer.
Ren não queria que a realidade voltasse a eles, mesmo agora com as estocadas implacáveis. Acertando o ponto especial de Masato, enlouquecendo este ao estimular o membro com a mão, Ren não conseguia esquecer.
Ren somente sentia aquela dor aguda no peito.
“Não me abandone!”
Começava a pensar ao possuir o outro corpo.
“Não me deixe novamente!”
Desesperava ao se contorcer quando Masato ficou mais apertado ao ter os espasmos com o orgasmo eminente chegando.
“Eu te quero!”
Um ultimo beijo quando um ultimo espasmo percorreu o corpo dos dois.
“Eu te amo”
Se libertaram, a voz perfeita de Masato ao jogar a cabeça para trás e se liberta na mão de Ren e este de olhos fechados jorrando e marcando o interior de Hijirikawa. Fracos, caíram deitados no futon. Os corpos ainda unidos com somente uma camada de suor os separando. Ren cariciando acariciando a cabeça de Masato quando ele estava pasmo com a própria realidade o sufocando.
Toda aquela dor era porque amava Masato. Perdidamente e loucamente estava amando.
Masato sentia o corpo voltar ao normal, e aos poucos ao se separar de Ren o frio foi chegando, sua consciência pesou, não deveria ter feito aquilo, mas agora não tinha mais jeito. Tocou levemente a própria pele para sentir que estava ali mesmo, não poderia negar que foi ótimo ter se conectado ao loiro, foi uma das melhores sensações que teve, havia superado o que ele imaginava.
Mas a realidade era que ele não poderia continuar.
Hijirikawa se levantou com um pouco de dificuldade, não olhou para Ren, sentiu algo escorrer, sabia o que era. Entrou no banheiro indo direto para a ducha. La em meio a água ele pode chorar, aquilo só havia piorado tudo.
Ren estava perdido em seus pensamentos. Era cruel tudo que estava ocorrendo. Essa depressão doentia que sentiu naquele momento, jamais tinha sentido antes. Das vezes que se entregava a paixão sexual, se sentia satisfeito, feliz e contente.
Hoje estava sentindo um vazio sem igual. Um pedaço dele tinha sido arrancado sem piedade.
Seu coração que levou anos sendo reconstruído. Idiota ele foi todos esses anos. Ele sempre esteve apaixonado, desde criança. Era a explicação de seu coração sempre disparar com os sorrisos, de sempre ficar calmo ao escutar e ver Masato tocar piano, de gostar de seu cheiro, de seu cabelo, de segurar a sua mão. A única explicação da sensação de coração parando de bater quando ficou sem ver Masato.
Seu coração tinha sido esmagado naquele momento, reconstruído para ser destruído agora. Logo agora que estava novamente juntos, de uma maneira diferente, só que agora a responsabilidade pesava os ombros deles. Cruel e friamente, isso doía de forma inimaginável.
Hijirikawa Masato sairia daquele banheiro, falaria que foi um erro impensado, que eles não poderia ficar juntos. Que ele se casaria, que cuidaria dos negócios de família e viveria longe.
Longe dele.
Pela primeira vez, ele se sentiu destruído. A primeira vez que amava alguém e não era um sentimento bom, era algo frio, doloroso e que o massacrava.
— Masato... – sussurrou e se levantou. – Masato! – seguiu até o banheiro. – Masato! – abriu a porta o vendo no banho, chorando. – Masato, esqueça tudo e fique comigo!
Masato o olhou com uma feição triste, tudo o que ele queria era fazer o que Jinguji pedia, mas naquele momento era impossível.
— Me perdoa, mas eu não posso mais permitir isso. — disse com a voz quase em fiasco — Eu sabia desde o começo que não daria certo, por isso peço para deixar isso de lado, se não eu não conseguirei ficar ao seu lado. — disse.
— Eu não posso. Não conseguirei deixar de lado. – dava passos lentos para perto de Masato. – Você não sabe o que está acontecendo comigo. Mal faz ideia. – parou em frente a ele. – Está sendo infeliz fazendo isso com você e comigo. Como conseguirei lidar com isso a partir de hoje?
— Eu também não sei, mas eu vou conseguir. — disse meio tremulo — Por favor, me deixa aqui, eu não posso mais ficar com você! — disse se fechando no box — Vá embora Jinguji! — ele sabia que aquilo iria doer, em ambos, pois Masato amava o outro, e Ren parecia que queria muito ficar com ele a serio.
Ren arregalou os olhos. Ele estava pasmo com cada rejeição que vinha de Masato. Entre tantas pessoas aos seus pés, entre muitos que imploravam por sua atenção e toque, Masato sempre o rejeitava. Dessa vez seria pior, sentia percorrendo a sua espinha. A solidão lhe tomando.
Tocou o vidro fosco do Box. Queria dizer, falar o que estava sentindo, talvez isso ajudasse, ou até mesmo piorasse.
Ele não queria desistir, mas parecia que toda vez que se aproximava mais, mais ainda Masato se distanciava. Seu medo de perdê-lo novamente tomou conta. Deixou a mão escorregar pelo vidro, fechando os olhos ao desejar que tudo que sentia passasse e não o enlouquecesse.
Deu um passo para trás, e mais outro e outra, cada passo uma facada em seu peito até o momento que se retirou do banheiro e se perdeu na solidão de sua mente no quarto.
Hijirikawa, não se sustentou em pé por muito mais tempo, escorregou pela parede e lá no chão ficou agachado, deixando a água quente lavar suas magoas, não seria fácil ter que olhar para seu príncipe e fingir que ele não era nada a mais que um amigo.
Odiava-se por ser tudo o que o pai queria.
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