Notas iniciais
Bem, boa leitura. =D

Academia Saotome iluminava-se ao sol.

Conversas e risos lhe faziam ter mais vida do que já tinha. Olhares atentos, curiosos com cada estátua, com cada coluna que ornamentava a construção. Bela, surreal e enorme. Receptiva somente ao olhar.

A mais bela entre todos os internatos no Japão.

Diferente de qualquer outra, com suas regras, competições, aulas. E alguns ex-alunos se aventuram dizer que os professores são diferenciados.

Um local de difícil aceitação, aqueles que conseguiram ser aprovados agora estavam à frente dos portões se despedindo de suas famílias.

A frente da escola parou um carro preto e com os vidros escuros como se não quisesse atenção, o que soou um pouco contraditório, pois o carro era de luxo. A porta foi aberta pelo chofer e em seguida um senhor desceu dando espaço para uma linda menina de cabelos azuis com semblante angelical e divertido, por final descendo um jovem de aparência delicada que ao contrario da menina mantinha um semblante sério e pouco amigável, possuindo a mesma cor dos cabelos da menina.

Desceu do carro com cautela olhando no relógio da escola, havia chegado com algum tempo de antecedência. Melhor assim, pois sempre cumpria seu horário, era algo gravado em seu DNA. A disciplina.

Após dar uma rápida olhada para a escola se agachou e olhou para a menina.

– Mai... Eu quero que se comporte e se cuide, mas não se esqueça de se divertir. – falou dando um beijo na testa da irmã.

– Boa sorte, Massa-nii! — disse a pequena com uma agradável voz infantil. — Posso vir te visitar? — perguntou a pequena mexendo nos fios do irmão, tirando-os de ordem.

– Acho melhor eu ir te ver! Este ambiente não é apropriado para você! — disse sorrindo para a pequena. Em seguida se levantou e olhou para o pai, que estava ao lado do carro bem protegido por quatro homens de preto. — Irei cumprir com meu dever de me tornar alguém que lhe traga satisfação e cuide dos negócios. — disse em baixo tom sem ter contato visual como de costume, era sempre assim foi ensinado a nunca olhar o pai nos olhos era uma forma de submissão.

– Irei te acompanhar até seu dormitório, Hijirikawa-sama. — disse um senhor com aparência gentil.

– Seja rápido... — a voz suave, porém rouca e grave saíra naturalmente dos lábios do homem alto, sério e imponente à frente de Masato. Apesar da voz, um tanto cruel aos ouvintes, a mão gentil do mesmo segurava a mão da menina Mai, que voltara ao seu lado. — Masato já precisa se concentrar e tenho negócios a tratar daqui a pouco!

–Sim senhor. Só me certificarei que Hijirikawa-sama será bem acomodado... — disse o velho mordomo.

Masato olhou mais uma vez para a irmã e adentrou a escola para se instalar.

Hijirikawa caminhava pelo corredor silencioso, Jii parecia tentar conversar, porém o jovem herdeiro estava um pouco desconcentrado. Foi um longo caminho até o dormitório que ele habitaria. Após chegar ao dormitório masculino, olhou para porta e pegou a chave do bolso que havia recebido há três dias antes, quando havia pedido aos decoradores que arrumassem o quarto de maneira que ficasse confortável a ele.

Assim que abriu a porta ficou um pouco confuso. Havia uma metade contrastante com a sua, sua metade era como um quarto tradicional japonês, já na outra era uma decoração moderna e cheia de coisas eletrônicas, e um jogo de dardos na parede. Aquilo fez o jovem bufar por dentro. Dividiria o quarto com alguém fora dos padrões, aquilo era demasiadamente irritante.

– Esta tudo bem, Jii. Eu só me trocarei e descerei para a cerimônia de abertura. — avisou colocando sua bagagem na metade que lhe pertencia. — Obrigado por me acompanhar!

Uma pequena reverencia foi dada por Jii, que se retirou do quarto deixando o primogênito da família Hijirikawa sozinho para a sua troca.

Na entrada do dormitório aglomeravam-se garotas, algumas em grupos outras desgarradas de seu caminho seguindo o leve som da voz e do perfume de um rapaz dourado.

Desde o momento que descera da limusine, e jogara o cabelo para trás, atraiu seu rebanho sem preocupação.

A voz doce, silabando um bom dia para cada fêmea no caminho, o sorriso brincalhão e sedutor enlaçando os olhares, os olhos cristalinos embebendo as fantasias femininas. Faceiro, sedutor, Jinguji Ren atraiu suas ovelhas facilmente.

– Jinguji-sama... – tentava falar o mordomo jovem de Ren ao tentar conter as fangirls em frente ao dormitório. – Perdão Jinguji-sama, pode seguir em frente? Estou tentando contê-las!

– Não demore... – o sorriso transbordando nos lábios do rapaz dourado foi um estopim para os gritos que se seguram. A rosa que segurava e adoravelmente sentia o aroma foi jogada ao se virar de costas. – Em breve estarei de volta, my princesses!

O que se sucedeu depois foi um pandemônio para quem conseguiria a rosa.

Ren seguiu o seu caminho elegantemente, carregando o seu sorriso sagas, com as mãos no sobretudo e os dois primeiros botões de sua caminha abertos, Ren se sentia em paz por algum motivo.

Parou em frente à porta do quarto, ficou surpreso que ao colocar a chave, a porta já estava aberta. Tinha mais alguém no quarto. Logicamente ao estar naquele internato, sempre soube que dividiria o quarto com alguém. Esperava alguém silencioso, quieto, não intrometido e que o deixasse em paz quando trouxesse uma dama para o quarto.

Abriu a porta silenciosamente, esperando encontrar o seu novo companheiro de quarto e a visão que conseguiu foi deveras interessante.

O rapaz estava de pé, de costas, em um lado do quarto de aparência tradicional japonesa. Cabelo azul, de aparência sedutora, magro e alto. Seu olhar atento vagou o tronco nu. A pele totalmente branca, qualquer coisa poderia marca. Imaculada, a pele parecia virgem a qualquer toque, poderia ter uma textura macia, tentadora de tocar.

Ver o rapaz colocar a camisa do uniforme lhe chamou atenção para três pintas que ficavam logo abaixo do pescoço. Pintas que davam vontade de traçar com os lábios.

Ren era hetero, sem duvida. Atraía-se pelas curvas sinuosas, os seios delicados e macios e os lábios trêmulos ou não.

Deliciava-se com virgens ou com as mais belas mulheres experientes.

Mas não poderia negar que quando surgia um rapaz que lhe chamava atenção, consumava o desejo sem pensar duas vezes.

Porém o sorriso que carregava desapareceu ao ver o rosto de relance, não poderia ser. Aquele olhar, aquela pinta.

– Hijirikawa?

Masato teve um calafrio ao escutar aquela voz, mas fez o possível para se controlar nos primeiros segundos. Não poderia perder a postura, mesmo sabendo a quem pertencia aquela voz. Sim, uma pessoa que era para se manter longe, alguém que fora proibido de ver após ter crescido, era seu ex-amigo de infância, Jinguji Ren, após detectar o dono da voz se lembrou de como estava e tratou de se cobrir.

– Você não mudou nada! Este seu jeito de invadir o ambiente dos outros sem bater. – disse se virando lentamente, seus cabelos fizeram um leve movimento, olhando para o jovem um pouco maior que ele – Não se preocupe não demorarei mais. – disse se vestindo mostrando todo incomodo que Ren lhe passava.

– Então Hijirikawa lembra-se de como eu era? – o sorriso que demonstrava poder e status retornou depois da surpresa. O olhar não se desviava, ganhava mais intensidade quando fechava a porta do quarto e levantava a cabeça ao passar a mão pelo cabelo dourado. Olhos fixos, pesados e atentos sobre Masato. – Estou surpreso encontrar o primogênito Hijirikawa novamente... – os olhos, por segundos seguiram por todo quarto e pararam novamente em Masato. – Ainda mais em um internato.

O olhar que Jinguji lançava ao herdeiro dos Hijirikawa estava emanando uma aura nada agradável ao ver de Masato. Por esse motivo ao terminar de se vestir mostrou uma seriedade no olhar, mas não só isso, o incomodo de ter aqueles olhos azuis o encarando.

– Será que seria possível você ter a decência de não me encarar desta forma? Não acho nada educado ficar encarando as pessoas e muito menos se meter na vida delas! — disse em seu tom habitual, sem demonstrar expressão no rosto, mas Ren podia sentir a hostilidade vinda do outro. — Se me der licença, estou indo. — o olhou uma ultima vez, ‘’ele sempre mostra este sorriso, este sorriso que ainda me dá medo’’, pensou ao se dirigir a porta.

Ren ficou calado, o sorriso permanecendo ao acompanhar com o olhar Masato se retirar do quarto. Quando ficou completamente sozinho, estralou a língua e passou a analisar o quarto verdadeiramente, em especial, o lado de Masato. Havia passado alguns anos desde a última vez que se viram. Eram amigos de infância. Brincavam e sorriam juntos.

Até que um dia Masato simplesmente deixou de vê-lo.

Sem explicação, sem uma despedida. Masato sumiu e não deu mais noticias. Estralou a língua mais uma vez ao se virar. Aquele sentimento que o assolava agora não era bem vindo. Tinha feito questão de esquecer-se de tudo que sentiu naquela época.

Até mesmo a saudade.

Agora ele tinha muito mais a se preocupar, talvez nem tanto. Pensou ao olhar suas coisas e ver que seus dardos estavam lá. Ele não tinha nada a se preocupar, estava simplesmente lá para seu irmão mais velho se livrar de mais um “problema” a cuidar depois que seu pai faleceu. Posteriormente seria imagem a para a empresa.

Somente um produto.

Pegou o dardo e mirando começou a pensar que talvez não fosse tão ruim fugir um pouco do mundo exterior, agora que o passado retornara.

Sem querer o sorriso malicioso surgiu em seus lábios, quando o dardo atirado acertou o centro da mira.

– Isso será interessante, Hijirikawa.

– UTA -

Fora da academia, ainda encontrava alguns alunos perdidos, alguns sabiam do atraso que estavam tendo da cerimônia de boas vindas aos calouros. Perdido, correndo e arfando. O sol fraco parecia aquecer com o vermelho. A energia transcorrendo a cada passo, o sorriso cheio de energia não o deixava, olhos vermelhos atentos, querendo capturar tudo apesar da pressa. A música em seu fone era como a parte complementar do cenário.

Estava feliz, totalmente feliz.

Ittoki Otoya era totalmente comparável ao raio de Sol.

E transmitia um calor que somente o astro rei tinha.

Parou de correr ao esbarrar em alguém e ambos caíram no chão, cada um de cada lado. Seus fones caíram no chão, o que o teria deixado triste, mas o importante era saber se a outra pessoa estava bem.

– Desculpe-me, te machuquei? – levantou e estendeu a mão.

Ficou totalmente surpreso quando a mão pequena e frágil segurou a sua. E nem precisou usar de muita força para levantar a pequena garota. Baixa, cabelos laranja, olhos que jamais viu antes e um sorriso pequeno e tímido nos lábios.

Sentiu o seu rosto esquentar.

– Ham... – ela soltou sua mão, muito vermelha, unido-as a sua frente, e fazendo várias reverências seguidas. – Desculpe, desculpe... Machuquei o senhor?

Dessa vez Otoya tinha certeza que tinha ficado vermelho. Agora com a preocupação da menina. Ele sorriu, coçando a nuca de forma despreocupada e rindo.

– Hehe... – ele abaixou um pouco, o sorriso enorme sempre permanecendo, a alegria nunca lhe deixando. – Eu que peço. Foi minha culpa. Pode me chamar de Ittoki Otoya! – estendeu a mão.

– Prazer em conhecê-lo, Ittoki-sam! – a voz suave e baixa carregada de timidez, na visão de Otoya, ficou perfeita quando ela fez uma reverencia e pegou a sua mão. – Nanami Haruka.

– Haruka-chan... – eles balançaram as mãos levemente e se soltaram, com Otoya sentindo-se um pouco constrangido. – Não precisa de formalidades, pode me chamar de Otoya!

– Hai, Ittoki-kun... – ela sorriu e Otoya sentiu como se ela não tivesse acabado de prestar atenção no pedido de informalidade que acabara de fazer.

– Hammm... – ele coçou um pouco a cabeça e olhou para os lados. – Estou meio perdido, sabe onde fica o dormitório masculino? Tenho que guardar as minhas coisas e me trocar. – apontou para a mochila em suas costas.

– Bem... – ela sorriu também constrangida. – Também estou perdida e estamos atrasados... – parecia um pouco nervosa e mais perdida agora que lembrou que estava atrasada. – Tenho que ir Ittoki-kun...

– Sim... – ele sorriu, ele adoraria vê-la novamente, ela parecia ser uma pessoa boa. – Boa sorte e nos vemos depois, Haruka-chan! – correu acenando para a menina.

Um carro preto havia entrado na escola pelos fundos, procurando discrição, não era luxuoso mais possuía as janelas escuras ocultando a pessoa de dentro. Depois de estacionado, a porta foi aberta e um jovem de estatura mediana saiu do carro. Bem vestido, com capuz e óculos, realmente não queria ser reconhecido. Porém podia se ver pequenas madeixas azul que escapavam pelo capuz.

Dirigiu-se para o porta-malas, e após o motorista ter aberto ele pegou a bagagem e se despediu com um aceno de cabeça. Já havia estado lá então sabia exatamente para onde ir. Andava calmamente pelo corredor, quando um ser arfante esbarrou em si.

–Oi, olha por onde anda! – disse rude, massageando o braço atingido. Viu que o outro havia recuado uns passos e tinha a cor de cabelo que ele considerava ofuscante.

– Desculpe... – o rapaz apoiou as mãos nos joelhos pegando ar, mas ao respirar fundo levantou a cabeça e sorria abertamente. – Realmente me desculpe, machuquei você? – colocou a postura no lugar e deu a si próprio um cascudo leve colocando a língua para fora ao brincar. – Estou sendo muito desastrado hoje.

O mais alto olhou o menor com sua expressão habitual, sem nenhuma expressão que delatasse seus sentimentos. O rapaz não só tinha os cabelos ofuscantes como os olhos também, pelo jeito era o tipo alegre e irritante. Viu como ele estava, então provavelmente não havia vindo à escola uns dias antes, de modo provável não sabia deste regulamento. Voltou a pose ereta e abaixou os óculos escuros mostrando a tonalidade escura de seus olhos e logo os abaixou mostrando certa impaciência.

– Esta procurando o dormitório masculino, presumo... — falou em uma voz séria, porém suave e agradável.

– Estou... – o sorriso espontâneo aumentou na expectativa de finalmente ser ajudado. Ele não estava assustado com o outro, muito menos na defensiva pelas palavras um pouco frias de companheiro à frente. Ele parecia feliz, muito feliz em ter conhecido mais uma pessoa que pudesse conversar e ajudar. – Como adivinhou?

– Contando que todo aluno cuidadoso e que lê os regulamentos sabe que é necessário comparecer três dias antes da cerimônia de abertura, para que sejam feitas alterações no dormitório, e recebam a chave... Analisando o jeito brusco que você se chocou em mim e por estar arfando, você deve ter acordado tarde e por morar distante você acabou se atrasando então não deve ter tido tempo para olhar no folder onde ficava o dormitório masculino. Provavelmente esbarrou em outra pessoa ao chegar à escola, o que te tirou mais alguns minutos, e logo após isso você foi à secretaria e eles te deram adireçãode onde teria que vir. Mas por estar correndo tão selvagemente, você esqueceu, contudo deve ter pelo menos o numero do quarto que eles anotaram em um papel! — disse massageando uma têmpora que saltava. — Estou correto?

O sorriso de Otoya estava mais baixo e o rosto não escondia a confusão em sua mente. Ele poderia sentir sua cabeça conturbada com muitas palavras ditas. Depois de "folder", sua mente vagou completamente e o rapaz a sua frente parecia falar robóticamente.

Ele abriu a boca para falar, mas não sabia o que dizer. Confessar que não tinha prestado atenção na metade do que o outro disse era falta de educação. Então ele sorriu bem mais radiante para disfarçar a falta de entendimento e se aproximou.

– Pode me ajudar a achar o dormitório? — pediu, os olhos vermelhos intensos a encarar de forma pidona.

O mais alto o olhou sério, mas estava incomodado com a proximidade do outro então pôs a mão no peito do menor e o afastou.

– Além de ser avoado, não deve ter educação. Ao menos se apresente! — disse um pouco irritado com aquela situação. — Sabe ao menos qual é o numero do seu quarto? — perguntou olhando o sorriso que o outro insistia em manter no rosto.

– Ah... — Otoya ficou confuso de primeira, mas continuava sorrindo. — Meu nome é Ittoki Otoya, prazer em conhecê-lo... — sorriu amigável. — E meu quarto é... É... — ele ficou com as feições confusas ao coçar a cabeça. — Espera aí, eu anotei... — o rapaz reluzente procurava em todos os bolsos disponíveis, chegou até mesmo ficar de joelhos no chão e abrir a mochila e jogar todas as coisas sobre o solo, até cair um papel amassado. — Achei! Aqui... — entregou ao outro.

– Ichinose Tokiya! – falou sério analisando o papel, ao ver o numero ele abaixou os olhos e voltou o olhar frio ao outro. — De acordo com o numero, você será meu colega de quarto! – achava que seria uma árdua convivência, preferia ficar só, mas o diretor não havia permitido. O garoto seria um problema para ele, pelas feições que mostrava só afirmava o quão era irritante e barulhento, mas quase não o veria já que iria trabalhar após a aula. – Venha! Siga-me! — pediu formalmente seguindo o caminho, enquanto o ruivo arrumava as coisas na mochila de qualquer jeito e o seguia com passos apressados. Em pouco tempo estavam em frente ao quarto onde dividiriam, então Tokiya abriu a porta e já se direcionou para sua metade do quarto. – Fique avisado que eu não vou partilhar a chave, trate logo de ir pegar sua copia. — avisou vendo o menor entrar e fechar a porta, logo passou a se despir para se trocar.

– Tokiya-kun, está empolgado com a escola? — Otoya perguntou, parecia querer muito interagir com o novo colega de quarto. Era muito lógico, eles passariam um bom tempo dividindo o mesmo quarto. Aquele lugar seria a nova casa deles. — Aqui parece ser tão legal, ouvi falar que tem diversos clubes... — falava sem parar enquanto tirava também a roupa de forma apressada. — Quero participar no de musica, e você?

‘’Tokiya-Kun’’ não havia gostado de ser chamado pelo primeiro nome logo assim no primeiro encontro. Quem aquele garoto achava que era? Pelo menos não havia feito a comparação com Hayato. Realmente Otoya era daqueles que não calavam a boca, e aquilo o frustrava, pois gostava de ambientes calmos, e ainda havia o fato de que ele também queria entrar na oficina de musica, ou seja, aquela coisa brilhante seria seu rival.

– Acredito que não lhe devo satisfações, basta saber que nós seremos colegas na oficina de musica. Se não se importa, quero que se vire. Se não percebeu estou me trocando. — disse com tom severo, olhou o jeito triste que o outro havia ficado e aquilo o incomodou um pouco. -... Estou empolgado como você, porém com menos intensidade.

– Perdão Tokiya-kun... — o rapaz reluzente sorriu de leve com a camisa na mão e o tronco nu, mas o sorriso voltou a iluminá-lo quando seus pensamentos ficaram mais firmes. — Então você gosta de música? Eu amo musica, a minha pretensão é conseguir ser um ótimo cantor... Um dia conseguirei fazer uma apresentação, Tokiya-kun!

– Qual foi a parte que você não entendeu do não te devo satisfações?! — sentia que teria uma dor de cabeça. Após uns minutos eles haviam terminado de se vestir. — Com sua licença estou indo! — disse Ichinose saindo do quarto, porém voltou para o quarto ao se lembrar de algo. — Você não sabe onde fica o auditório, sabe? — perguntou mais pela carinha de Otoya ele suspirou. — Então venha, eu te mostro o caminho.

O sorriso que tinha morrido novamente voltou a aparecer, só que com mais intensidade. Aqueles que veriam não saberiam se o que os cegava era a luz solar que vinha da janela atrás de Otoya ou se por este mesmo, que sorria tão aberto que não parecia que há poucos segundos o sorriso tinha desaparecido. As bochechas um poucos rosadas pela alegria espontânea.

– Obrigado, Tokiya-kun... — ele correu até o mais alto e parou a sua frente estendendo a mão. — Deixe-me me apresentar de forma correta. — provavelmente disse isso ao reparar o tão culto o seu colega era. -Prazer em conhecê-lo, Tokiya-kun.

– Não há porque agradecer. — disse Ichinose seguindo para o auditório, após ter apertado a mão, sendo seguido pelo ruivo que o circulava com perguntas que ele não queria responder, mesmo assim agradeceu por este não perguntar sobre sua vida, seria chato demais. Ao analisar Otoya, percebeu que este parecia uma menina animada com um show de seu ídolo, balançou a cabeça e continuou seu percurso calado apenas ouvindo Otoya.

Enquanto isso no auditório, podia se ouvir vozes alegres, brincadeiras entre os alunos calouros, por outro lado os senpais estavam sentados esperando o diretor assim como os professores que observavam os novos rostos de longe.

Um pequeno vulto encapuzado adentrava o auditório e logo foi se sentar, parecia fugir de algo. Aproveitou o tamanho para se infiltrar perto de um grupo de garotos altos.

Um arrepio correu a sua espinha ao ter uma sensação de ser observado. O arrepio ficou maior ao escutar um arfar surpreso e ao se virar ver alguém correndo na sua direção. Aquela pessoa, alta, mais forte do que aparentava ser, o raio de sol refletido em seus óculos que ocultavam os olhos verdes. E o cabelo loiro bagunçado com a corrida.

– Syo-chan~~~~ — o ser enorme pulou no meio dos outros rapazes, causando alguns tumultos, mas o pulo foi para a pequena figura encapuzada que caiu da cadeira mostrando o seu pequeno rosto. — Syo-chan~~~ — o grande rapaz dizia ao abraçá-lo com força. — Estou tão feliz em vê-lo! Estamos juntos novamente.

– Hanase... Hanase¹. — falou alto. Fez de tudo para se esquivar do mal que sempre lhe perseguia, mas nada que fazia adiantava, Natsuki sempre o achava e o apertava o fazendo perder o fôlego. Ele sabia que ia estudar com seu amigo de infância desde que teve que se esconder há três dias atrás. Céus, o que ele tinha que fazer para que Natsuki se manter-se longe? — Natsuki, já disse para me soltar! Se não fizer isso eu vou me transferir. — disse com tom irritado, dava para ver fumaça sair da cabeça de Syo.

Era meio que um trauma, desde pequeno Syo era perseguido por aquele loiro de óculos. Era como se fosse um brinquedo, pois Natsuki sempre o enchia de coisas fofas e ele odiava ser tratado como tal. Sempre fora pequeno e fraco e não podia escapar das investidas do colega, as vezes se escondia no quarto de Kaoru, seu irmão gêmeo, este ainda estava em Londres, mas logo iria estudar com ele. Não achava ruim, mas Kaoru sempre o tratava como alguém frágil, como se ele não fosse.

– Syo-chan está tão kawaii... – aquele que era chamado de Natsuki estava radiando felicidade e não parecia escutar o que o menor tinha acabado de falar. O abraçava, apertava, esfregava as suas bochechas em Syo sem a vergonha das outras pessoas. – Você não cresceu muito desde a ultima vez que nos vimos.

–... Você não escutou nada, não é? — disse Syo com olhos baixos, cansado daquela situação, colocou as mãos no peito do maior e pôs força o afastando. — Natsuki... Chega!! Não percebe que esta me sufocando, ao menos me deixe respirar!? – pediu arfando vendo os outros os olharem e tombarem a cabeça.

– Sim... – Natsuki se afastou um pouquinho, mas ainda mantendo aquele sorriso bobo. Ele do nada levantou o dedo indicador, como se lembra-se de algo e do nada tirou de uma pequena bolsa um pote. – Eu fiz para Syo-chan! – ele nem deu tempo para o menor se esquivar, enchendo a boca de Syo com os biscoitos que tinha feito.

– Aaaaa, na...- não conseguia falar, o sabor daquilo era ruim demais, Natsuki sempre conseguia se superar. Ele sempre tentou cozinhar, mas ele não tinha talento para isso, tudo que ele fazia era intragável. Após ser obrigado engolir toda aquela massa e tomar uma boa golada de ar, Syo sentiu um mal estar. – Natsuki... Porque não faz um curso de culinária? Não acredito... Eu preciso que você fique longe, mas não longe o suficiente!

– Não vou ficar longe do Syo-chan... – Natsuki sorria totalmente animado ao segurar Syo e o carregá-lo para se sentar ao seu lado. – Quero estar sempre ao lado de Syo-chan... – ao se sentar ele olhou para o alto e fechou uma mão em punho. – Irei entrar na aula de culinária e farei os melhores doces para Syo-chan!

– Vou acabar morrendo! — sussurrou Kurusu. Fazer o que? Ruim com ele, pior sem ele. — Pelo menos não vamos dividir o quarto! — comentou esperançoso sendo sentado ao lado de Natsuki. Mas talvez fosse uma boa ideia a culinária, ele aprimorar o dote dele, assim não acabaria morrendo, e tinha o fato de Natsuki não poder ficar só.

– Mas Syo-chan? – Natsuki abaixou o olhar feliz e brilhante. Contendo a empolgação, ou tentando conter. – Nós dividiremos o mesmo quarto, eu vi seus chapéus lá... – ele levou um dedo à boca. – Sei de cor cada chapéu que Syo-chan usa... Ah... – ele parecia mais empolgado quando se movia na cadeira. – Fiz roupas para você! São tão Kawaii... Syo-chan ficará tão fofinho nelas.

Syo caiu da cadeira não acreditando, realmente tinha vindo arrumar o quarto antes da outra pessoa. Por quê? Era algum tipo de conspiração? Por que com Natsuki? Céus, agora teria que vestir aquelas roupas que o diminuíam mais. Será que o amigo não percebia que aquilo o deixava embaraçado? Sempre foi a cobaia do amigo, ele sabia sobre os sentimentos do outro, mas não queria pensar que ele levaria a serio aquilo.

– Oi... – uma voz calma, porém alegre soou atrás de Syo e lá estava um rapaz totalmente chamativo por seu cabelo avermelhado, com as mãos nos joelhos, para manter-se baixo e olhar o loiro caído no chão. – Está tudo bem se nós sentássemos aqui? – apontou umas cadeiras vazias ao lado e coçou a cabeça. – E precisa de ajuda para levantar?

–Oi... Não, eu levanto sozinho! Mas pode se sentar do lado do Shinomya, eu vou para a última cadeira. — disse se levantando e analisando os dois. O de cabelo vermelho parecia alegre, já o de cabelo azul, mal concluiu o pensamento e um grupo de garotas se aproximou ao redor do de cabelo azul, o famoso Hayato. -... Ahm... Sentem! — disse indicando as duas cadeiras que separaria ele de Natsuki. — Sou Kuruso Syo, prazer em conhecê-lo. — fez uma leve reverencia. Vendo o suposto Hayato mandar as meninas embora.

– Ichinose Tokiya. — se apresentou fazendo uma reverencia discreta aos dois desconhecidos.

– Ittoki Otoya. — o de cabelos vermelhos apontou para o próprio peito, com orgulho e se sentou feliz. — Prazer em conhecê-los.

Mas o outro loiro de óculos ficou em silêncio, olhando atentamente para aquele que se identificou como Tokiya. Estava bastante pensativo, olhando o rapaz formal de cima a baixo até que o sorriso surgiu e ele se levantou da cadeira, pulando alegremente.

– Você é Hayato-sama... – ele se aproximou, pegou a mão de Tokiya e a apertou firmemente e totalmente feliz, assustando Otoya para trás com tamanha velocidade foi aquilo. – Te vi quando fui ver o show de Piyo-chan!

– Não sou Hayato, sou Ichinose Tokiya. Se me der licença irei me sentar. — disse fazendo um aceno com a cabeça e se sentando ao lado de Syo, este balançou a cabeça negativamente.

– Sente-se Otoya-kun, já vai começar. Você também Natsuki. — ajeitou o chapéu na cabeça vendo Otoya e Natsuki se sentar. – Shinomya, seja mais discreto, sim? — pediu com uma carinha emburrada.

Queria que começasse logo e passasse aquele clima estranho que havia ficado no ar após o gelo de Tokiya.

– Tokiya-kun... — Otoya sussurrou para o maior, colocando uma mão para esconder o que poderia falar. Mas ao notar o colegava que estava ao seu lado, Natsuki, poderia notar que este não ficou abalado. Carregava o sorriso infantil, olhando para frente ansioso.

–Sim?- falou baixo sem olhar para o ruivo ao seu lado.

– Ham... — Otoya se afastou um pouco. Reparou que Tokiya não estava no momento para conversas, e como Natsuki não parecia chateado não quis citar sobre o assunto para retornar a tona o momento estranho que teve ali. Parecia ser um tabu esse assunto de Hayato. Apesar de que ele não se lembrava de quem era Hayato, muito menos Piyo-chan. – Nada não... – mas antes que deixasse Tokiya chateado por ter chamado sua atenção por nada ele achou um assunto rápido. – Oh, olhe... O que seria aquilo? – apontou para um pequeno grupo de garotas que gritava agudo.

– Humm... Só pode ser uma pessoa. — disse Syo, com a mão no queixo. Havia presenciado a chegada do herdeiro do grupo Jinguji e como aquilo deixou a escola mais agitada. — Quando eu for um ator de luta, serei rodeado por meninas lindas! — disse Syo com ar esperançoso.

Tokiya focou analisando o tal de Jinguji Ren.

Longe de todo este alvoroço causado por gritinhos femininos, Hijirikawa tentava se concentrar em ignorar aquilo tudo. Ren sempre teve aquele jeito galante, desde quando era pequeno sempre se mostrou mais saído ao contrario do ex-amigo. Masato era tímido e sempre encontrou dificuldades em se relacionar com outras pessoas, por isso a única pessoa que considerava era Jinguji, mas como nada que é bom durava em sua vida, ele teve que se afastar, e fora proibido por seu pai de voltar a ver Ren.

Havia sofrido muito, porém já havia superado e já estava acostumado a ser só, mesmo tendo outro amigo de infância. Um outro herdeiro de um grupo famoso, os Kurosaki, contudo fazia tempo que não viu o colega.

– Acalmem-se, my ladies. – a voz suave de Ren pediu, mas o sorriso que carregava não demonstrava que queria realmente acalmá-las. Ele jogou o cabelo e naquele mar de pessoas, uma em especial lhe chamou atenção. Não conteve andar e seguir até lá, tranquilo, passos calculados e as meninas seguindo atrás, brigando por um espaço ao seu lado. — Hijirikawa, não cansou em ser solitário?

Ele sentou ao lado de Masato, agora o único lugar disponível era ao lado de Ren, algo que custaria o sangue de algumas garotas.

–... — Masato soltou o ar pesado que mantinha e olhou para os lados, fazendo que seus cabelos se movessem graciosamente. O auditório estava lotado, não tinha para onde ir. — Vejo que não possuo escolha. — disse voltando a olhar para frente. — Terei que partilhar o mesmo ar com você, e fique sabendo que não me agrada! — falou severo. — Pode ao menos mandá-las irem para outro lugar?

– Ciúmes, Hijirikawa? — o loiro levou a mão até o queixo, e mantinha o olhar atento ao Masato, dessa vez era o sorriso sarcástico que se mantinha presente. — Se não fosse tão fechado, teria um rebanho como o meu!

– Não estou interessado em ter rebanho, não gosto de animais que são barulhentos. — evitava olhar para o loiro e aquele sorriso que lhe irritava, se levantou e olhou para o fundo recebendo um aceno. — Se não se importa, vou ficar ao lado do senpai! – olhou sério para Ren, ignorando o que o outro dissera sobre ciúmes, não havia entendido o sentido da pergunta.

– Não vá... — a mão firme segurou o pulso de Masato. O cavalheiro, amante de mulheres, ficou pasmo com o pulso fino do rapaz tradicional. Anos, anos sem se tocarem. Nas brincadeiras, nos sorrisos, nas palavras confidentes. Depois de tanto tempo tocou pela primeira vez e sentiu o quando Masato poderia ser frágil. — Sente-se, não faça esse tipo de desfeita, Hijirikawa... Não é do seu perfil. Pedirei para elas irem.

Masato ficou paralisado com o toque, fazia muito tempo que Ren não o tocava, sempre quando brincavam apreciava o toque quente da mão do outro, mas agora era diferente eram rivais e aquele tipo de lembrança o fragilizava. Olhou para frente e voltou a se sentar poderia ter puxado o pulso, mas a mão grande do outro voltaria a puxá-lo. Jinguji era persistente.

Ren olhou para as meninas sorrindo gentilmente, com um ar sedutor. Ele pediu com toda gentileza sagaz que tinha que elas se retirassem, logicamente prometendo que daria o seu devido tempo para cada uma delas. Quando cada uma se retirou, mesmo com algumas sendo arrastadas pelas amigas, Ren suspirou e voltou a postura, notando que ainda segurava o pulso de Masato mais frouxamente.

Ele poderia ter soltado.

Não soltou provavelmente por estar se sentindo confortável. Mas agora poderia soltar, o que não conseguia. Inexplicavelmente não conseguia mesmo. Simplesmente deslizou a mão até encostar-se aos nós dos dedos do outro. Realmente macia, uma pele boa de tocar. Por isso que na sua infância adorava olhar as mãos de Masato quando este tocava piano. E adorava tocar quando eles ficavam deitados na grama, era bem reconfortante.

Masato suou frio, sentiu uma sensação estranha percorrer o corpo com aquela atitude de Ren, tentava se mantendo na postura calma que sempre teve, então puxou a mão. Não conseguia olhar para o outro, desviou o olhar e pediu silenciosamente para que aquilo terminasse logo, não era tocado frequentemente e muito menos daquele jeito. Era como voltar a infância quando deitavam na grama e Ren segura-lhe a mão, dizendo que as achava especiais, principalmente quando tocava piano.

Após alguns minutos se pôde ouvir uma risada esquisita, e um pouco medonha, o auditório teve suas luzes apagadas, e apenas no palco acendeu uma luz colorida, após isso a voz de um homem adentrou o local, fazendo um efeito sonoro esquisito. Os murmúrios começaram a ficar cada vez mais alto ate, que a voz pediu silencio.

– Mina, por favor, calem a emoção de seus corações. Este momento é decisivo para que vocês concentrem-se no objetivo de serem os melhores do Japão, com a força da juventude. — disse o homem, diretor, gerando carinhas confusas. — Muito bem, espero que todos saiam daqui como modelo do bom estudante, deixo agora a palavra com o presidente do conselho estudantil, tenham um bom ano! — disse e pode ouvir um ‘’hai’’ em uníssono.

O presidente do conselho surgiu, alto, postura totalmente correta, o uniforme um pouco diferente dos outros alunos, mas de maneira formal. Ele tinha cabelos compridos e no momento usava óculos de armação grossa.

– Meu nome é Camus, e é tudo que vocês precisam saber de mim. – a voz era totalmente forte, firme e grossa. Chamava atenção de alguns e assustava outros. – Sigam as regras e não serão prejudicados, não seguirem as regras eu não pensarei duas vezes para expulsão. – ele que parecia ser o diretor tão maduro que era. – O conselho é o poder. Leiam as regras, vocês têm capacidade de seguirem... Tenham um bom dia de aula. – ele fez uma reverencia e se retirou.

Na plateia, algumas pessoas ficaram assustadas, se o presidente do conselho era assim, porque o Diretor era tão... Diferente? Entre os que viram aquela apresentação, Otoya coçava a cabeça confuso e se virou para Tokiya.

– Você entendeu algo, Tokiya-kun? – perguntou sorrindo gentil.

– Certamente que sim. – disse o de cabelos azuis achando o outro lerdo. O que ele disse foi tão claro, qual era o problema de Otoya afinal? Já ia dizer algo desagradável, quando um outro ser pôs a frente desta vez não era tão alto e a postura não era nada formal.

– E aí mina, meu nome é Kurosaki Ranmaru, sou o tesoureiro se precisarem de algo e só me procurar. — disse com uma voz um pouco rouca, mas bem agradável de ouvir, parecia usar lentes, pois tinha olhos de cores diferentes, assim como um cabelo platinado, ao contrario de Camus não possuía uniforme. Após ele ter saído apareceu outro senpai, mas este era diferente até seu olhar era frio, tinha uma pele bem branca e cabelos azul turquesa, assim como seus olhos, que parecia analisar a todos.

– Sou Ai Mikaze, sou o vice-presidente do conselho estudantil, não gosto de atrasos por isso deem o seu melhor, e só isso. Conto com vocês. – disse com a voz tão fria quanto o olhar. — Estão dispensados!

– Ai-Ai!! – gritou um rapaz moreno na zona dos veteranos enquanto alguns estudantes saiam. – Você foi ótimo... Ran-Ran perfeito e Myu-chan... – Camus o olhou, mas o rapaz não perdeu a pose simplesmente fez um joinha, piscando um olho.

Ao longe Otoya sorriu e se virou para os outros, mas levou um susto quando aquele vendaval passou por ele e atacou Syo. Natsuki parecia mais animado agora que poderia abraçar o menor. Ele o segurou e o levantou do chão em um abraço, deixando Otoya afastado um pouco assustado.

– Na-chan... Eu estou com sede, porque não pega água para mim? — disse Syo forçando uma voz suave, o que pareceu um pouco estranho, pois sua face se contorcia um pouco.

– Na-chan? — os olhos de Natsuki brilharam ao ser chamado assim. Ele parecia estar no paraíso. Colocou Syo no chão e sorriu ainda mais. — Vou pegar água para Syo-chan... – ele correu, deixando alguns por perto mais assustados, outros confusos.

– Neahhh... – Otoya deixou os ombros caírem, olhando o rastro que Natsuki deixou para trás e riu ao se virar para Syo. – Vocês são muitos amigos.

– Quase casados... Se dependesse dele. Me desculpe ser rude, mas tenho que ir antes que ele volte. — disse Syo fazendo um aceno com o chapéu e se retirando rapidamente deixando confusão na expressão dos que ficaram.

– Eu também tenho que ir. Tenho afazeres muito importantes para colocar em dia, se não se importa. — Tokiya indicou que deixaria o local, assim como boa parte dos alunos que estavam presentes lá.

Na outra extremidade, Ren se levantou. Sorrindo um pouco e olhando para Masato de esguia. Não poderia imaginar que o senpai que o outro se referia era o Ranmaru. Lembrava-se dele, lógico. Famílias ricas tinham tendências de se conhecerem. E Ranmaru, como Masato, era um herdeiro, dessa vez da família Kurosaki. E também era um grande intrometido.

Atrapalhando, na sua infância, toda vez que Masato e ele tentavam ficar juntos, brincar. Masato lhe dava uma atenção especial, o que Ren considerava sua exclusividade. Por que Masato foi o único amigo que teve naquela época, e porque as mãos dele precisavam ser cuidadas, mas Ranmaru ousava em tocar aquelas mãos.

– Pretende ir agora para onde? – olhou para o rapaz de pele pálida ao perguntar. Sorriu um pouco, pensando que não haveria nenhum mal a ser visto nessa frase.

– Bem, eu não lhe devo resposta. — disse se levantando também, e sentiu uma mão no ombro. Ao se virar viu quem era, e deu um meio sorriso. — Senpai! — disse se virando, o que fazia dar as costas para Ren. Pelo menos com Kurosaki, seu pai não havia dito nada, talvez tivesse rixa somente com a família de Jinguji.

O de cabelos cinza sorriu piscando o olho para Hijirikawa, parecia entretido com a presença do outro, mas desviou o olhar para Jinguji o que fez seu sorriso aumentar.

– Não esperava encontrar duas pessoas da minha infância. Jinguji, há quanto tempo! — fez um aceno leve com a cabeça, voltou sua atenção a Masato e lhe pegou a mão. – anda cuidando delas?- perguntou fazendo o de fios azuis corar levemente. – Sem jeito Massa?

– Eu... Só estou... Bem, eu sempre me cuido. – respondeu por fim voltando a se compor. Não sabia o porquê, mas não gostava da intensidade do olhar de Ranmaru.

– Vem... Vou te mostrar a escola. Tenho certeza que você vai adorar alguns lugares. — disse dando uma piscadela suave, puxando Masato.

– Kurosaki... – Ren falou gentil. Segurando a outra mão de Masato, com todo o cuidado, mas com firmeza. Agora sim, poderia ser notado que apesar do sorriso, o que não era o de sempre, o olhar era afiado. – Hijirikawa já tinha combinado de ir ver comigo. – ele sabia que estava mentindo, e descaradamente na frente de Masato, mas não o iria deixa-lo ir. Nem quando criança deixava. Inventava histórias para ser somente ele e Masato. – Pode deixar, estou cuidando dele.

– Jinguji... Eu, ao contrario de você, tenho prioridade na vida do Massa. Sabia que você foi-

– Não... Ah... Kurosaki senpai, eu realmente combinei com Ren... Me perdoe, eu darei uma volta para conhecer o colégio amanha, tudo bem? — perguntou cortando o assunto, não queria que Ren descobrisse desse jeito o motivo da separação.

–Mas... Sou seu senpai, tenho preferência! — disse amuado sem soltar a mão do menor.

– Então dê esse auxilio para outro aluno que precise, Kurosaki... – agora o sorriso de Ren era doce ao puxar Masato de vez, vendo com alivio quando as mãos foram soltas. Levantou o olhar para o outro, mostrando a sua conquista, mas não com arrogância e sim com elegância. Passando o corpo na frente do de Masato, olhando sempre nos olhos de Ranmaru. — Prazer em vê-lo, agora temos que ir. – avisou, cordialmente e puxou Masato para longe.

Continua...

Notas finais
Hanase 1 - Significa "Me solte!" hehehe Obrigada por terem lido até aqui... ^^ A irmã do Masato realmente existe no jogo, como dissemos no começo, decidimos usar os personagens que aparecem... E para aqueles que não a conhecem, ela é muito fofa!! :D Primeiro capítulo de preparação... Muita coisa irá acontecer... Estou com dúvida se a atualização deverá ser uma vez por semana... Esta fique também está sendo postada no Social Anime... Enfim, mas uma vez obrigada e comentários são bem vindos!!! o/