Orlög

8 Wyrd Bið Ful Aræd


Notas iniciais
Significado do título: "o destino é inexorável". O termo Wyrd, assim como Orlög, também significa destino, porém num contexto diferente. Wyrd seria mais como o destino pessoal, é um conceito que abrange o individual, já Orlög se trata do destino mais generalizado, que abrange o coletivo. Foi mal a demora, gente! Fim de semestre é sempre um cu, e esse foi doído x___X E eu ainda me meti a besta de começar outra fanfic (pois é, sou uma vadia sem coração), aí ferrou-se tudo xP Capítulo dedicado às leitoras NathyMarinho e Laura, xará da minha OC! Fiquei muito feliz por vocês se manifestarem aqui! Sejam bem vindas, gatonas! Espero ver vocês na fic mais vezes ^^ Enfim, não vou me alongar muito aqui, que venha o capítulo, hehehe!

Nick Fury convocara com urgência toda a equipe da S.H.I.E.L.D. que se encontrava nas dependências da base, a fim de que pudessem definir de imediato a forma como deveriam agir na presença do inusitado invasor. Suas expressões já endurecidas pela austeridade de seu ofício pareciam ainda mais carregadas, repletas de uma vivacidade rígida, feições que mostravam aos seus subalternos que aquele homem seria capaz de tudo para manter segura toda e qualquer operação da S.H.I.E.L.D., assim como preservar ao preço da própria vida o anonimato do lugar.

— Não sabemos até que ponto a história contada é verdadeira. Sequer sabemos se existe algum fundo de verdade ali. — Fury pontuou, descontente por completo com aquela situação — Precisamos mantê-lo sob uma vigilância constante, e para isso eu preciso de todos os Vingadores a postos e atentos!

— Manteremos os dois olhos bem abertos, não se preocupe. Exceto você, por razões óbvias. — Laura lançou um sorriso ácido a Fury, desafiando-o de forma velada em suas típicas troças. Percebeu, desde a chegada do invasor, que o diretor a encarava sempre com desconfiança, como se atribuísse alguma parcela de culpa pelo ocorrido à Pistoleira.

O diretor nada disse a respeito do comentário maldoso da mulher, apenas fitou-a com ares rígidos, prometendo-lhe uma dura reprimenda pela estranha forma como vinha agindo. Quase como se a tratasse como uma suspeita, confirmando ainda mais as impressões da mulher. Laura manteve firme o contato visual, e ambos travaram por alguns segundos aquela breve guerrilha muda, sendo observados pelos olhares confusos de Clint, Hill e Coulson.

Nick Fury retomou seu discurso, disposto a agir como se nada o incomodasse até aquele momento.

— Se o que aquele homem diz for verdade, temos em mãos um problema muito maior do que qualquer desavença que já experimentamos com a H.Y.D.R.A. Uma guerra travada com deuses está muito além de nossa capacidade bélica e de nada servirão nossos treinamentos avançados contra tais criaturas.

— Fury... Você realmente acha que existe alguma possibilidade de que esses... deuses... existam? — Maria Hill franziu a testa numa expressão descrente, incapaz de acreditar na existência de seres divinos.

— Você viu o que ele fez com as algemas, não viu? — Foi Laura quem respondeu, em seus olhos negros se acendendo um brilho interessado, porém igualmente cauteloso. Fury a estudou por um momento, não deixando passar qualquer reação mais suspeita da Pistoleira.

De todos ali, Nick Fury só não parecia mais incomodado do que a própria Laura, e a percepção daquele fato era o que mais o intrigava.

— O que ele fez com aquelas correntes foi um aviso poderoso. Tentou nos colocar no nosso lugar e, acima de tudo, definir o seu. — O diretor constatou, severamente preocupado com os vários significados daquela ação que envolvia magia, algo que por si só já tornava discrepante a medida de forças com o estranho que se dizia um deus — E quanto à existência desses deuses, Hill, creio que no nosso tipo de trabalho nenhuma hipótese deva ser descartada antes que possamos averiguar com maior precisão.

O Gavião Arqueiro soltou um suspiro exagerado, encarando a todos com um olhar cansado, porém dotado de uma pontada de interesse, talvez instigado pelo desafio.

— Já não bastam os depravados da Terra, agora ainda temos que lidar com os de outras dimensões... — Clint passou o musculoso braço pelos ombros de Laura, num de seus recorrentes carinhos fraternos com a amiga, percebendo-a totalmente tensa. Ela lhe lançou um sorriso desconfortável, a cada instante disfarçando menos o quanto aquele assunto a abalava.

— O que quer que façamos, Fury? — Coulson enfim questionou, sua postura sempre focada e leal já se colocando às ordens do diretor.

— Por ora, reúnam o restante dos Vingadores. — Decretou, despejando tanta intensidade em seu olhar resoluto que logo os demais foram envolvidos pela tensão que exalava de sua seriedade — Independente do tipo de ameaça que formos obrigados a enfrentar, precisamos de todos, e temo que ainda assim não seja suficiente... — Concluiu, preocupado, relanceando um novo olhar inquisidor à Laura, que parecia extremamente desconfortável.

— Traremos todos o mais rápido possível, diretor! — Hill afirmou, ainda que algo naquela estratégia visivelmente a incomodasse — Mas me parece um pouco arriscado que todos nós abandonemos a base em busca de reforços. Devíamos manter a maioria aqui, vigiando o invasor.

— Não se preocupe, Hill. Ele não ficará sem constante supervisão. — Disse à agente, porém era Laura quem ele encarava — Até porque, o melhor momento para nos dispersar é esse. O invasor está ferido, de modo que seria mais fácil subjugá-lo diante de qualquer tentativa ofensiva que pudesse partir dele — "Ou ao menos assim espero", pensou, sem ousar verbalizar suas dúvidas naquele respeito, porém nem seria necessário dizê-las, já que ela estava disseminada nos olhares de todos os agentes. Após a pequena e exímia demonstração de magia de Loki, cabia em cada um deles a certeza de que não seriam páreos para o invasor ainda que em seu estado mais enfermo. — Hill e Coulson, preparem-se imediatamente para partir em viagem. Vocês irão atrás daqueles que não se encontram em Nova York, enquanto isso Laura, Clint e eu nos revezaremos com o invasor. Estão dispensados. — Avisou, fitando os rostos conformados de seus agentes, que já se preparavam para suas missões. Coulson e Hill foram os primeiros a sair, logo seguidos pelo Gavião Arqueiro. Entretanto, quando percebeu a Pistoleira prestes a abandonar o local, sua voz cheia de potência novamente reverberou pelo recinto — Laura, você não. Gostaria de falar-lhe em particular.

A mulher, já segurando a maçaneta, sentiu seus dedos enrijecerem sobre o material. Respirou profundamente antes que se permitisse virar na direção de Fury, que a encarava com o único olho endurecido. Estava agora sentado, os dedos entrelaçados sobre a mesa enquanto seu olho a atingia com uma dureza tão certeira quanto uma das flechas de Barton. Laura sempre fora uma mulher difícil de intimidar, contudo ser analisada daquela forma pelo diretor trouxe um arrepio à sua espinha.

De fato, era o tipo de homem que não se recomendava desagradar.

— O que foi, diretor? — Ela parou, ainda de pé, diante da mesa de seu escritório, tentando ao máximo camuflar a enorme gama de sentimentos confusos que habitava em si desde que reconheceu o rosto que sempre surgia em seus sonos mais profundos.

— Sente-se, por favor. — Fury apontou com polidez para as cadeiras ignoradas por Laura. Ela ainda teve tempo de estreitar os olhos diante da desconcertante expressão com que era observada, por fim acatando o pedido do diretor, que apoiou o rosto em suas mãos ainda cruzadas, como se tal gesto o auxiliasse no estudo das feições femininas que o encaravam de volta, tentando transbordar a mesma intensidade. — O que está acontecendo aqui, Laura?

— O que cedo ou tarde acontece na S.H.I.E.L.D., senhor. Estamos sob algum tipo bizarro de ataque. — Concluiu o óbvio, fugindo com descaro do real questionamento.

— Você sabe que não foi essa a minha pergunta. — Replicou com tranquilidade, ainda mantendo o mesmo encarar aflitivo sobre a mulher — Você é uma das melhores agentes da S.H.I.E.L.D., Laura, e já me deu motivos de sobra para confiar na amplitude de sua capacidade. Só peço que agora não me dê também motivos para desconfiar de suas intenções. — Disse, suas palavras duras de timbre calmo surpreendendo a Pistoleira.

— Não faça insinuações, Fury. Apenas diga o que tem a dizer. — Irritou-se, não dispondo da mesma competência que o homem à sua frente na arte de dissimular os próprios sentimentos.

— A meu ver, quem tem algo a dizer é você, Laura. Está mais do que claro que sabe de algo acerca desse invasor.

— Eu não faço ideia de quem é esse homem! — Defendeu-se, conseguindo escolher palavras que de fato eram verdadeiras em totalidade, em contrapartida sem ousar compartilhar o segredo que a vinha atormentando. De fato não sabia absolutamente nada a respeito do homem, contudo jamais poderia afirmar que se tratava de um completo desconhecido a ela.

Afinal, os malditos sonhos que diariamente se delineavam em seu subconsciente se encarregaram da prévia apresentação.

— Será que não? — Fury a desafiou com um novo olhar perscrutador, esperando por uma resposta que não veio — Já passamos por situações igualmente perigosas, e até este dia você nunca me deu abertura para desconfianças. Tudo o que eu não preciso no momento é ter minha equipe dividida em situações como essa, você compreende, não?

— Não se preocupe. Minha fidelidade continua a mesma.

— Isso eu ainda vou ter que averiguar por mim mesmo. — Sua voz, repleta de frieza, a fez franzir o cenho numa expressão de fato ferida. Fury suspirou, dando-se conta de que talvez o estresse de toda a situação o levara ao extremo da rigidez, e seu timbre instantaneamente se abrandou, assim como suas feições um pouco menos carregada após reconhecer o lampejo de angústia que percebeu nos traços de Laura. — Você sabe que pode me contar o que quer que esteja te atormentando, não sabe? — Tentou consertar seu erro, mas já era tarde.

— Se a sua confiança em mim é tão superficial, mesmo depois de tudo pelo que já passamos, é melhor que essa conversa termine por aqui. — Levantou-se, fitando Fury com orbes desacreditados. Ele a conhecia há mais tempo do que sua memória era capaz de recordar, e percebê-lo destilando tamanha desconfiança à sua gratidão por ele, era no mínimo doloroso. Frio demais, até mesmo se tratando de Nick Fury.

— Não foi o que eu quis dizer, Laura. — Replicou, sentindo-se também incomodado, o homem robusto imitando o gesto da Pistoleira em erguer-se.

— Eu sei que não, Nick... — Suspirou, encarando-o com profundidade, incapaz de rejeitar o quanto devia de sua vida ao diretor e à própria S.H.I.E.L.D. — Mas para evitar que diga, vamos deixar por isso mesmo. Estamos os dois de cabeça quente! — Concluiu, em seguida deixando a sala do diretor com algum rancor, sem nem mesmo dignar-se a esperar por alguma resposta.

Fechou a porta atrás de si, escorando-se nela por um momento. Levou as mãos à testa, os olhos fechados na tentativa de reorganizar pensamentos que passavam caóticos por sua mente. As têmporas começavam a latejar de forma incômoda, e Laura respirou fundo, tentando ao máximo não dar vazão à enxaqueca.

Todo aquele cenário estava muito confuso à jovem mulher, exceto por uma única certeza; Nick Fury estava redondamente enganado, talvez pela primeira vez em sua vida. Jamais poderia confidenciar que aquele que acabara de invadir o território da S.H.I.E.L.D. frequentemente lhe aparecia em sonhos. Sonhos doces, que sempre acalentavam os mais frequentes pesadelos.

Jamais se permitiria confiar a qualquer um o arrepio que lhe causou testemunhar que o homem feito prisioneiro não era obra de seu subconsciente. Que era tão real quanto poderoso e que, se bem entendesse, poderia trazer todas as destruições das quais os alertara.

Laura sentiu o corpo trêmulo, e a falta de ar tornou pequenos seus pulmões apenas por ter cada feição dele tão bem delineada nas entranhas de sua memória, tão bem construída ao longo dos anos que seria simplesmente impossível cogitar que se enganara, que se tratava apenas de uma coincidente semelhança.

Mas nem de longe aquilo era o que mais lhe afligia. Sentira que, de alguma forma, o homem também a reconhecera, ambos partilhando uma genuína surpresa pela existência do outro, ambos transtornados à sua maneira por tal descoberta. Ambos, de alguma forma, perdidos.

Laura, em meio aos devaneios cortantes, deixou para trás o escritório de Fury, temendo que ele decidisse ir atrás de si. Já estava difícil o suficiente lidar consigo mesma, não precisava adicionar a isso a desconfiança afiada naquele olhar arguto que só o diretor era capaz de dar. A Pistoleira caminhou com alguma pressa, guiando seus passos de forma quase inconsciente à enfermaria em que repousava o homem ferido.

Abriu a porta do recinto com cautela, analisando o espaço agora ocupado por Loki, este deitado na maca e parecendo adormecido a sono solto, e Clint, que já assumia o posto de vigilância do qual foram incumbidos. Os olhos do arqueiro se alegraram ao reconhecer Laura, dando um amplo sorriso em direção à mulher e não sendo correspondido com o mesmo entusiasmo.

— E aí, como estão as coisas com a "rena"? — Ela perguntou, fazendo uma alusão aos chifres protuberantes do capacete que fazia conjunto com a estranha vestimenta do homem que se afirmava um deus. Clint alargou ainda mais o sorriso, seu bom humor costumeiramente contagiante à Pistoleira. Mas não hoje.

— Na mesma. Dormindo, desde que eu cheguei.

— Clint... — Laura principiou, chamando-o com tamanha seriedade que atraiu um olhar curioso do arqueiro. Ela mordeu a ponta da língua, tentando se policiar, percebendo de imediato que devia tomar muito cuidado pelo terreno minado em que caminhava. Confiava demais em Clint Barton, e o que estava prestes a dizer poderia ser considerado um erro.

— O que foi, pequena? — Instigou-a, usando um antigo apelido carinhoso junto a um sorriso que parecia de leve preocupado.

Laura balançou a cabeça numa negativa, forçando uma expressão mais aberta.

— Só queria dizer que você pode ir, eu cuido do pancada nesse turno. — Liberou o arqueiro, desistindo de sondar suas opiniões a respeito do invasor — Vaza, vai, eu sei que você não suporta esse trabalho de babá!

— Quanto isso vai me custar, "Bala na Agulha"? — Estreitou os olhos, zombeteiro.

— Eu boto na sua conta, "Tiro ao Alvo" — Sorriu, dessa vez de forma sincera. — Não esquenta com isso, de qualquer forma você nunca vai ser capaz de quitar suas dívidas comigo.

— Mais um fiado então! — Piscou, contudo logo o espírito divertido se apagou de seu rosto. Seu semblante adquiriu um raro tom sério, e Clint segurou com carinho os ombros da Pistoleira, a voz agora mansa e soando um tanto preocupada e perspicaz — 'Tá tudo bem contigo, pequena?

— 'Tô ótima, criatura. Se manda antes que eu mude de ideia! — Ameaçou, arrancando um último olhar sugestivo do amigo que claramente lhe dizia estar ali, por ela, para qualquer problema, a qualquer hora. Uma das mãos grossas do Gavião foi até o topo da cabeça de Laura, bagunçando seu cabelo com o carinho que destinaria a uma irmã caçula.

Ela lhe socou o ombro, sorrindo, um tanto grata por aquela amizade tão desinteressada e sincera que ambos compartilhavam, a simpatia entre eles imediata. Se dava bem com a maioria dos Vingadores, contudo Barton, sem dúvidas, era aquele por quem mais sentia afinidade. Viu-o se afastar, aceitando sem o menor pudor a oferta de Laura e deixando a ela o posto de vigia, e por mais que a Pistoleira gostasse de sua companhia, agradeceu internamente por se ver a sós com aquele que, até então, fizera parte apenas de um mundo que julgara irreal.

Aproximou-se do curioso homem, os olhos apreensivos analisando seus traços serenos e de preocupações longínquas, distantes naquele estado irreverente de torpor. Ainda sem conseguir desprender a atenção de seu rosto, Laura pôs-se ao lado da maca, afastando o lençol que cobria seu corpo e só então se permitindo analisar a diminuta e irregular mancha de sangue que avermelhava o curativo. Levantou de leve a gaze, expondo a ferida aberta em seu abdômen, percebendo com inquietação que ela parecia bem menos relevante do que quando o achou desmaiado nas dependências da S.H.I.E.L.D.

"Quando saiu da porra dos meus sonhos e se achou no direito de invadir meu mundo sem permissão." — Pensou, incomodada.

Laura recobriu o corte com a gaze, fechando com cuidado as bordas na pele alva, tão diferente da sua. Tentou não pressionar muito a ferida no processo, contudo o susto que tomou a seguir a fez fracassar em todas as sutilezas possíveis. Quando tornou a olhar para o rosto do estranho, percebeu seus olhos abertos, as íris verdes e espertas estudando-a num silêncio calculado, tão comedido quanto seus traços que jamais entregavam o que sentia.

Taqueopariu! — Sobressaltou-se, afastando da maca num salto quase tão repentino quanto o galope que explodiu em seu peito. Sem nem perceber a velocidade do gesto, já se viu apontando uma de suas pistolas na direção do homem, ofegando sem nem mesmo conhecer o motivo.

Ele, contudo, permaneceu tão sereno e inabalável quanto antes, os vívidos orbes donos de uma inteligência rebuscada acompanhando cada movimento da Pistoleira com leve interesse. Ela baixou a arma, fitando-o da mesma forma desconcertada de quando o viu pela primeira vez, caído sobre o chão. Arfava, não pelo susto e tampouco por medo, mas sim pelo sentimento aterrador que se alojava em si com a percepção cada vez maior de que tudo aquilo fazia parte de uma estranha realidade. "Esse 'desgraça' ainda vai me deixar louca!"

Tentou recompor-se, desviando a atenção de Loki antes que se sentisse tragada por aquele olhar inquisidor, que também parecia querer entendê-la acima de tudo.

— Você trouxe problemas muito sérios com sua visita não autorizada... — Comentou enquanto realocava a arma no coldre preso em seu quadril, sem saber por quais razões se sentia obrigada a dirigir a palavra ao homem. Só sentia que o silêncio contemplativo entre eles era decididamente insuportável, já as palavras, por mais triviais que fossem, permitiam que ela não se focasse naquilo que realmente a incomodava. Tornou a encará-lo, ousando dedicar-lhe um sorriso desafiador — Vai ter que suar a camisa pra provar que tem boa intenção. Fury detesta ser surpreendido.

Loki, pouco compreendendo daquele discurso, apegou-se ao contexto que fora capaz de deduzir.

— A ameaça da qual me referi é real. Não importa quantos de vocês se sintam desagradados com a minha presença, a ajuda que eu lhes ofereço é a única chance que a humanidade tem de sobreviver. — Alertou, pouco alterando a calmaria de seu timbre, este perfeitamente controlado e cordial, sabendo que conquistar a confiança dos mortais seria talvez o ponto mais crucial em todo o plano que sua astuta mente já traçara — Minhas desculpas se meus métodos os assustaram.

— Se quer mesmo passar a impressão de que se importa, comece dizendo a verdade. E, na boa, ninguém se surpreende com esses modos de "mordomo britânico"... Aliás, é irritante 'pra porra, se quer saber!

Loki franziu a testa de forma considerável, encontrando verdadeira dificuldade em decifrar o incoerente dialeto midgardiano. Sua expressão confusa fez nascer certa confiança em Laura, antes apavorada em imaginar qualquer interação entre os dois, agora já se sentindo um pouco mais à vontade apenas por testemunhar um pouco de confusão nele. Era bom perceber que não era a única propensa àquele sentimento.

— Cada palavra daquilo que discursei após minha chegada é verídica. Garanto-lhe que Midgard não está a salvo, e apenas eu em toda Asgard se mostrou disposto a ajudá-los.

— Pois é exatamente disso que eu 'tô falando! Você chega contando altas merdas sobre o fim do mundo, mas fala sobre o assunto com a naturalidade do tirano opressor. — Observou, com inegável astúcia — E não dá 'pra te levar nem um pouco a sério com esses chifres, tem isso também!

— Em Asgard, portar um capacete com a indumentária dos cornos é sinal de status e força. — Loki avisou de modo convencido, o tom cortante e seco, levemente irritado com a ignorância que rodeava os midgardianos, em especial aquela, alguém por quem ele, desde menino, banhara de suas próprias expectativas.

— De onde você vem pode até ser bonito ostentar chifres, mas aqui só te faz parecer um idiota mesmo. Pega mal, sem contar que chama uma atenção muito desnecessária! Pode inclusive gerar perguntas inconvenientes sobre como você conseguiu deixar crescer tamanha galhada — Concluiu, e o deus da trapaça percebeu um sorriso contido no canto dos lábios da mulher, uma expressão travessa que claramente zombava de si à maneira de Midgard, sua fala repleta de termos e referências que o deus não era capaz de abranger em seu conhecimento.

Encararam-se por longos segundos, ele dominado por feições endurecidas, seus olhos incrivelmente verdes faiscando ante a insolência desmedida da mulher que aparecia em segredo para si nas profundezas de seus sonhos. Estava profundamente decepcionado. Antes de recorrer ao abrigo em Midgard, Laura lhe parecia uma ninfa tecida pelos mais raros ébanos, criada especialmente como um sopro de alento em meio às desventuras da vida enganosa que levava em Asgard, junto aos falsos familiares. Contudo, provava-se apenas uma humana de ininteligíveis modos jocosos, em nada aprazível ao olhar de Loki.

Laura, contudo, vislumbrava a imagem do deus com uma centelha interessada brilhando pela infinitude de seus olhos escuros, a forma fugaz com que o encarava lembrando ao deus da intensidade natural de seus olhos dentro do universo onírico em que já haviam sido apresentados. O mesmo olhar quieto, porém repleto de significado, que o perseguia nas noites frias para abrandar um pouco de sua constante solidão.

"Esta humana pode ainda me trazer problemas!" — Constatou o trapaceiro em pensamento, capaz de perceber que, de todos ali, aquela mulher era a que tinha maiores chances de conseguir interpretá-lo.

"É, até que isso pode ser divertido..." — A Pistoleira sorriu, não mais sentindo-se ameaçada pelo misterioso homem, mas sim instigada por cada aspecto de sua peculiar personalidade.

Uma personalidade que ela, mais do que nunca, desejava descobrir. Desmembrar e expor à atenção impecável de seu analítico olhar, até que o mistério convidativo que rodeava Loki se resolvesse à mulher de olhos negros, perigosamente curiosos.

Notas finais
É provável que eu leve alguns dias pra conseguir responder os reviews, pessoal! Vou ficar alguns dias incomunicável num dos cantos do mundo que mais amo, mas assim que voltar à civilização responderei a todos com muito carinho! Só peço que não deixem de comentar, presente de Natal pra Arrriba aqui x) Aliás, que esse período festivo seja maravilhoso pra vocês, seus lindos! Já vou me adiantar em desejar um ótimo Natal/Ano Novo, porque não tenho a menor pretensão de conseguir postar algo antes do ano que vem, hehehe! Beijos, beijos, lindões, e até 2016 :P