Oriko no Nikki

1 Capítulo 1 - Um Recomeço


O sol já entrava pela janela do meu quarto. A minha noite de sono não foi muito boa, pois eu havia dormido em um colchonete. A cama já estava desmontada e se encontrava no caminhão da mudança, junto de todas as minhas coisas. Só sobrara o essencial para aquela manhã.

Oriko: Ah... Por que mudanças têm que ser tão difíceis? – Eu pensei em voz alta, entre suspiros.

Tane: Yo, Iko-chan! Já está acordada?! – Berrava minha irmã, lá da sala.

Oriko: Não, eu estou dormindo! – Ironizei, botando todo o meu mal humor para fora – E já mandei você não me chamar de “Iko-chan”!

Tane: Ué… Se me lembro bem, o Nagihiko-chan te chama assim e você nunca se incomoda... – Disse maliciosamente Tane, dando ênfase no nome do garoto.

Suspirei alto o suficiente para que ela me ouvisse. A sorte é que ela não me viu, pois meu rosto ficou completamente corado instantaneamente.

Tane: Arrume as suas coisas logo, porque já estamos indo embora!

Oriko: Haii! – Me apressei, arrumei todas as minhas coisas e desci para a sala trazendo todas as caixas.

Tane: Podemos ir? Não falta nada?

Oriko: Hum... – Pensei um pouco, repeti mentalmente o que havia colocado nas caixas e cheguei à conclusão de que já estava tudo embalado. – Não, tá tudo certo!

Tane: Então... Vamoooos!

Sim, eu estou de mudança, se não deu pra perceber. (Quem não percebeu sinto muito, mas só pode ser um tonto.) Vamos nos mudar para uma cidadezinha próxima daqui, fica há uns 150km, mas nós vamos de caminhão, então será mais lento

Tane ainda não têm carteira de motorista, por isso tivemos que ir com o motorista do caminhão. Aquilo iria demorar um pouco… Tirei o meu MP3 do bolso e comecei a ouvir algumas músicas.

Motorista do caminhão: Chegamos!

Oriko: Bem mais rápido do que eu esperava… –Eu estava realmente espantada, mas acho que ouvir música tinha ajudado a me distrair. E provavelmente dormi durante o trajeto e mal percebi.

Tane: Você acha mesmo, Oriko? Pra mim foi tããããão devagar... – Afirmou ela, suspirando desanimada.

Motorista do caminhão: Posso entrar com os móveis?

Oriko e Tane: Haai!

Tane abriu a porta e foi entrando, e escolheu rapidamente o seu quarto. Os dois eram iguais, então nem me apressei. A única diferença é que um era verde com detalhes em marrom (as cores favoritas da Tane) e o outro era mais colorido, com tons de azul e roxo. E claro, Tane ficou com o primeiro e eu com o segundo. A casa era realmente bonitinha, muito charmosa.

Um sobradinho de madeira, com uma sacada em casa quarto, e uma trilha de pedras na entrada.

Entrei e fui direto para o meu quarto. Olhei para a varanda do vizinho, que ficava a poucos centímetros da minha e enxerguei pela porta de vidro que dentro do quarto havia uma garota de costas, com os cabelos rosa presos por uma presilha de “X”... Será que…? Não resisti e tentei que chamar:

Oriko: Amu-senpai! Amu-chan! – Gritei o mais forte que eu pude. Ela se virou e foi até a varanda – Yo, Amu!

Amu: Oriko? O que você faz aqui?

Oriko: Eu disse antes, não disse? Acabei de me mudar!

Amu: Yay! Que bom! – Ela abriu um sorriso de orelha a orelha e me abraçou.

As nossas varandas eram muito próximas, separadas por pouco mais de um metro e meio. Era como se eu estivesse na casa dela e vice-versa.

Amu: E aí? Como é seu quarto?

Oriko: É uma suíte, realmente lindo!

Amu: Posso ir aí dar uma olhada?

Oriko: Claro! Passa pra cá!

Amu: Ok. – Amu pulou da varanda dela para a minha, e entrou para ver o meu quarto – Uau! Sugoi!

Meu quarto tinha uma parede de cada cor: Uma num tom de lilás azulado, uma roxa, uma verde-água e uma branca. Na lilás ficava a porta para o banheiro; na roxa ficavam uma bancada, meu guarda roupa e uma prateleira para livros (que eu já havia lotado); na verde-água uma bancada com um abajur e a minha cama; e finalmente, na branca a porta para a varanda. Fiquei realmente impressionada, inclusive pelo fato de Tane ter tido o trabalho de preparar tudo isso.

Tane:Iko-chaaaan! Convide a Amu-chan para almoçaaar! – Berrava minha irmã, em plenos pulmões.

Oriko: Haaai! – Respondi, também gritando. – Já almoçou, Amu?


Amu: Não, ainda não. — Ela soltou um risinho sem jeito passando as mãos na barriga. Aparentemente, já estava com muita fome.

Oriko: Então, fique à vontade se quiser almoçar conosco!

Amu: Ah! Obrigada! Parece que as coisas ainda vão demorar um pouco por lá…

Oriko: Entendo... Então, avise sua família e se quiser passar a tarde aqui também, pode ficar! — Completei, sorrindo.

Amu: Ah! Iko-chan? Muito obrigada! – Exclama a garota, parecendo aliviada.

Oriko: Só... Não me chame de Iko-chan, isso me incomoda um pouco. — Retruquei, tentando ser o mais educada possível.

Amu: Hai! – Ela pulou para a varanda de seu quarto, avisou seus pais e voltou em poucos segundos. – Eles deixaram!

Oriko: Okay, então vamos descer! – Desci pelo corrimão, gargalhando. – Ei, Amu. Cadê as suas Shugo Charas?

Amu: Hã? Também não sei...

Shugo Charas: Aqui! – Quatro Shugo Charas saíram de trás da Amu. Cada uma foi dizendo seu nome até eu compreender.

Oriko: Ah! Então você é a Ran, você a Miki, você a Suu e você a Dia? – Eu perguntei, apontando para cada uma delas e sorrindo.

Ran, Miki, Suu e Dia: Haaai!!

Amu: E onde estão as suas Shugo Charas, Oriko?

Oriko: Bem ali! – Apontei para o quintal da casa. – Meninas, se vocês quiserem ir lá... – Nem precisei terminar, pois elas já estavam lá.

Tane: Bom, vamos almoçar? Eu fiz minha omelete vegana especial! — Cantarolou, aproximado seu rosto do meu.

Oriko: Obaa!

Amu: Nossa... É-é tão bom assim? -

Oriko: Não, é muito melhor! – Eu estava literalmente babando pela omelete da minha irmã.

Amu: Então, vamos comer!

Tane: Fique à vontade, Hinamori-san.

Amu: Não precisa me chamar assim, tão formalmente! “Amu-chan” está de bom tamanho!

Tane: É... Pelo menos alguém aqui me deixa simplificar as coisas, né? – Falou Tane, me olhando com raiva.

Oriko: Eu simplesmente não gosto de ser chamada de “Iko-chan”, só isso.

Tane: A não ser se for pelo Nagi, né?

Amu: Ah... Então é isso! A Oriko gosta do Nagi!

Oriko: N-nã-não! N-não é nada disso! – Eu fiquei enrubescida quando ela chegou a essa conclusão.

Amu: Olha, se quer saber a casa dele é aqui perto.

Oriko: J-jura? – Não pude evitar de sorrir.

Tane: Ei, vocês duas, chega de fofocar e comam antes que esfrie!

Oriko e Amu: Hai!

Oriko: “Mas não estávamos fofocando ou algo assim…” — Retruquei em pensamento, um pouco irritada.

Nós almoçamos tranquilamente, e eu como sempre fui a última a acabar.

Amu: Obrigada, Tane-chan! Estava ótima!

Tane: Imagina, Amu-chan! É sempre um prazer cozinhar!

Oriko: Obrigada, onee-chan! – Dei um beijinho em Tane e recolhi o meu prato.

Amu: Só me digam uma coisa... Como você sabia que era eu quem estava aqui, Tane?

Tane: Eu reconheci pela voz.

Oriko: As mulheres Ishii têm uma forte vocação investigativa, haha.

Amu: Cara, isso deve ser bom...

Oriko: …Acho que sim. Amu, vamos subir?

Amu: Ah! Certo!