Origins

15 Felicidade momentânea


Notas iniciais
Oiee to de volta! Primeiro queria agradecer a NandaNascimento: Obrigada Nanda *-* amei a sua recomendação diva, não dá nem pra expressar em palavras o quanto fico feliz em receber uma recomendação. Pode não parecer nada, mas é muito gratificante quando alguem usa um pouco do seu tempo para fazer um mimo para algo que eu escrevo. Obrigada mesmo esse cap é dedicado a vc. Segundo: Acho que já era hora de um capitulo mais leve, temos um pequeno salto no tempo e mostramos a vida na fazenda Greene. Era hora de uma calmaria, principalmente pq sabemos que depois disso a tempestade vem com tudo. Boa leitura.

Charlotte Walsh
Fazenda Greene

Os dias passaram rápido. Todo o grupo acabou concordando em estabelecer acampamento na fazenda Greene. Aquele lugar acabou se tornando rapidamente nosso porto seguro, nos trazendo alguma paz e segurança.

Havíamos deixado um recado em um dos carros para Sophia e chegávamos o lugar de tempos em tempo. Ela continuava sumida, mas a esperança nos movia dia a dia, fazíamos o melhor que podíamos para transformar aquele lugar em algo que ela gostaria. Eu tinha certeza que a encontraríamos, sabia que Daryl não ia descansar. Mesmo que meu irmão fosse da opinião contraria, eu estava certa de que Sophia estaria bem e voltaria sã e salva.

E com Carl se recuperando do tiro depois da ajuda inestimável de Hershel Greene, o dono do lugar, a convicção de que ficaríamos bem me deu outro ânimo, na verdade o grupo todo parecia mais animado.

Daryl tinha se acidentado na busca por Sophia, uma flecha atravessada na lateral do abdômen e um tiro de raspão dado por Andrea. Mas apesar do susto ele estava bem, eu e Carol revezávamos para ficar de olho nele. Acho que nós duas concordávamos que não confiávamos nele no quesito "tomar a medicação na hora certa".

A aproximação dos dois não me incomodava, primeiro porque eu sabia que Daryl não era minha propriedade, segundo porque nós dois não tínhamos nada e eu não possuía o direito de impedi-lo de fazer amigos, e terceiro porque ele merecia alguém que se importasse com ele. Eu não podia confiar em mim mesma pra isso, afinal embora Shane não tivesse mais tocado no assunto de ir embora, isso ainda podia ser uma possibilidade. Saber que Daryl teria alguém lá por ele me deixava mais tranquila.

Meu irmão estava estranho, não era só o novo corte de cabelo, ele próprio parecia totalmente mudado, como se escondesse algo. Mesmo que ele não tivesse falado, eu sabia que tínhamos ficado por causa da Lori. Sei lá o que ela disse pra ele, mas tinha certeza que foi por ela.

O grupo se acostumou com a fazenda, estavam à vontade ali, felizes de certa forma. Mas eu podia ver nos olhos de Hershel que não éramos exatamente bem-vindos. Não que ele fosse uma pessoa ruim, talvez ele só não gostasse de um monte de gente estranha acampando no quintal dele.

Eu procurava me manter longe da casa, principalmente depois que Carl e Daryl saíram de lá. Eu não tinha feito amizade com nenhum dos Greene, nem mesmo com a loira que tinha quase a minha idade...

Glenn, por outro lado, tinha feito bem mais que amizade com a garota chamada Maggie, não que ele tivesse me falado isso, mas não era como se não desse pra perceber. Talvez esse fosse o motivo do Hershel não gostar muito da gente.

Minha aventura na floresta, mesmo que não tão bem sucedida, me rendera algum crédito. Eu fui incluída nos grupos de busca e podia até ficar de vigia sozinha. Claro que o Shane dava muito mais atenção para os dois errantes que eu não matei, do que para os três que eu matei sozinha. Nem tudo era perfeito afinal.

Aquela tarde meu irmão daria sua primeira "aula" de tiro e até o Carl tinha conseguido participar. Isso depois que ele roubou uma arma. Quase um prodígio.

Alguns dos Greene fariam as aulas conosco. Beth, o namorado dela Jimmy e Patrícia. Dale e Glenn não foram e desconfiei que eles estivessem de segredinhos... Mas tinha prometido a mim mesma não me envolver em mais segredos, eu sempre me dava mal com isso.

— Então ainda se lembra como faz? — Shane devolveu minha arma, não podíamos andar com elas na fazenda, uma das regras do nosso anfitrião.

Chequei a munição, destravei, mirei e dei três tiros seguidos, três latas no chão.

— Você me ensina isso desde os quatorze anos. Se eu não conseguisse atirar em alvos fixos, era melhor você começar a se perguntar se fui trocada por uma alienígena. — Dei um sorriso vitorioso, enquanto reparava na expressão surpresa de Beth.

Por algum motivo eu não ia muito com a cara dela, nada em particular, talvez o santo só não batesse mesmo. Ou vai ver que o problema era eu, afinal, era a segunda que eu não ia com a cara...

— Por que é que você está aqui mesmo? — Shane perguntou sorrindo. — Fique com a Carol pra mim. — Pediu andando para a frente de todos.

Ele foi passando as instruções e quanto os tiros começaram de fato percebi que ninguém era incrivelmente ruim. O que era bom.

Eu tinha ouvido Rick falar que o melhor do dia iria com Shane seguir uma trilha em uma cidade próxima. Claro que eu estava crente que a escolhida seria eu, mas aparentemente Andrea era melhor, ou talvez Shane só não quisesse me colocar em risco. Não fiquei realmente aborrecida, se pensasse bem, passar a tarde com meu irmão não seria a melhor coisa de todas.

Por um milagre consegui voltar dirigindo, Rick no banco do carona, Lori, Carl e Carol no banco de trás.

Lori andava estranha, eu não sabia dizer o que era, mas ela parecia esconder algo. Digo, algo mais do que o caso dela com o meu irmão na pedreira...

— Não acelera demais, Charlotte. — Ela advertiu me olhando pelo retrovisor.

— Acelera! Acelera! — Carl incentivou.

— Meu Deus esse menino está virando um rebelde. — Rick brincou e eu ri.

— Acho que eu devia aprender a dirigir também. — Carl sugeriu.

— Não acho uma boa ideia, filho. — Lori negou.

— Pra quem acabou de aprender a atirar, dirigir não é nada. — Me intrometi e ela me olhou feio de novo.

Encarei Rick por um minuto e ele pareceu ponderar.

— Eu posso ensinar, dentro dos limites da fazenda. Isso meio que pode ocupar a cabeça dele. — Me ofereci. Lori cruzou os braços e Rick levantou uma sobrancelha. Carl afirmava freneticamente. — Ah gente, qual é? Entre levar um tiro, aprender a atirar e viver em um mundo cheio de mortos-vivos, aprender a dirigir é a coisa menos perigosa e mais normal de todas que o menino vai fazer.

Rick virou pra encarar a esposa e eu ouvi Carol rir.

— Eu já perdi mesmo. — Lori deu de ombros.

— Dentro da fazenda, nada de manobras perigosas e longe de qualquer lugar onde vocês possam bater. — Rick advertiu e eu ouvi o "Isso!" do Carl no banco traseiro.

— Sim senhor. — Fiz uma continência para Rick e pisquei para Carl pelo retrovisor.

Assim que chegamos na fazenda Carl ficou no meu pé, eufórico ansioso e inquieto.

— A gente já vai? — Perguntou pulando de um lado para o outro.

— Daqui a pouco. Agora eu vou ver o Daryl. Esteja pronto quando eu voltar. — Falei entregando a minha arma para Rick e me afastando.

— Ele é seu namorado? — Nem tinha percebido o garoto atrás de mim.

— De onde você tirou isso? — Perguntei rindo de puro nervoso.

— Sei lá. Você está sempre perto dele, e quase teve um colapso quando a Andrea atirou nele. Sério, achei que você fosse pular no pescoço dela e arrancar os olhos dela com as unhas. — Ele riu se fazendo de assustado e eu o acompanhei na risada.

— Somos amigos. E eu não gosto que atirem nos meus amigos. — Respondi apenas.

— Então não gostou quando eu levei o tiro? — Continuou andando a meu lado.

— Nem liguei. Não somos amigos, nem gosto de você. — Falei como quem fala do tempo.

— Como você é mentirosa! Ficou indo lá me ver todo dia, me bajulando e tudo. — Retrucou, como se soubesse de tudo.

— Eu? Claro que não, foi minha duplicata maligna. — Não aguentei e acabei rindo.

Carl sabia que era mentira, eu sabia que era mentira. Mas isso não significava que eu tinha que ficar falando toda hora.

— Nos vemos depois mini-xerife. — Acenei, deixando-o para trás.

Parei na entrada da barraca de Daryl, ele estava deitado encarando o teto. Nem sequer precisei chamar e seus olhos correram pra mim, como se soubessem que eu estava ali.

— E então? Já está sentindo o mofo nós seus ossos? — Perguntei, entrando e me sentando no chão próximo a ele.

— Veio pra tripudiar na minha desgraça? — Perguntou quase divertido.

— Não. Eu já passei por isso lembra? Tinha um gesso no pé quando cheguei ao acampamento. — Comentei, pegando uma das flechas dele e a revirando na mão.

— E isso não te impedia de andar por onde não devia. — Acrescentou se ajeitando melhor.

— Tomou seu remédio? — Perguntei olhando o frasco de comprimidos.

— Não, mãe. — Ele devolveu entediado. — Você e a Carol estão mesmo dispostas e me dopar com essa porcaria, não é?

— Estamos cuidando de você. É o que amigos fazem. — Alcancei o frasco de remédios e a garrafa de água.

— Então somos amigos? — Indagou, enquanto pegava o comprimido da minha mão.

— Não é bem o que eu queria. Mas é o que tem pra hoje. — Dei de ombros e nossos olhos se encontraram, deixando pairar no ar uma intensidade que eu não tinha planejado.

— Achei que tínhamos parado com isso. — Me encarou por um longo momento.

— Paramos. — Ergui as mãos em sinal de rendição, tentando dissipar o clima. — Eu vou ensinar o Carl a dirigir, quer vir? Ambiente seguro, sem stress.

— Você e o mini-xerife em um veículo motorizado é um ambiente seguro e sem stress? — Daryl riu meio debochado — Estou fora!

— Ei! Eu inventei esse apelido pra ele, você não pode usar. — Me fiz de indignada.

— Vai lá dar suas aulas de direção, Dominic Toreto, me deixa em paz aqui com esse livro horrível que a Andrea trouxe. — Debochou apontando a saída.

— A Andreia veio te ver, foi? — Perguntei séria, cruzando os braços.

— É. — Respondeu medindo minha expressão — Que foi?

— Nada. — Devolvi.

— Nada? — Daryl me olhou desconfiado.

— Nada. — Repeti.

— Ela veio me pedir desculpas. — Explicou, ainda me encarando.

— Hum... — Foi só o que consegui responder. — Eu tenho que ir. Carl deve estar me esperando.

Ele me segurou antes que eu levantasse, me puxando de volta. A mão no meu braço e os olhos presos nos meus. Ficamos assim por um tempo. Calados.

Eu sentia que mal podia respirar então puxei o ar através dos meus lábios entreabertos. Daryl seguiu o movimento com os olhos e umedeceu os próprios lábios. Foi quase hipnótico.

Estava totalmente consciente do quanto estávamos próximos, do quanto a barraca era pequena e da mão dele descendo lentamente pelo meu braço, me causando arrepios como se uma corrente elétrica passasse dele para mim.

Usei todo meu autocontrole pra desviar meus olhos da boca dele, abaixando a cabeça um pouco e sorrindo de lado enquanto colocava uma mecha do meu próprio cabelo atrás da orelha.

— Melhor eu ir. — Foi tudo que eu consegui dizer, a voz tão baixa que eu mesmo quase não ouvi.

— Melhor... — Daryl respondeu rouco, me causando um arrepio que subiu pela espinha.

Saí da barraca praticamente correndo. Olhei pra trás um instante e Daryl ainda me seguia com os olhos. Me forcei a olhar pra frente, mordendo o lábio e sorrindo como uma tonta.

Ao longe percebi Hershel Greene me encarando, manteve o olhar em mim por um tempo, seguindo para a própria casa logo depois. Aquilo foi estranho...

Passei boa parte da tarde tentando ensinar o Carl. O que era uma tarefa difícil, já que ele mal conseguia alcançar os pedais. Quem dirá soltar a embreagem devagar e acelerar ao mesmo tempo. Mas foi divertido. Ele entendeu toda a teoria, só precisava de um pouco de prática.

— Amanhã tentamos de novo. — Falei, caminhando com ele de volta para perto das barracas.

— Sou péssimo nisso. — Lamentou chutando uma pedrinha no chão.

— Nem tanto. Você está indo bem. Quando eu estava aprendendo a dirigir eu bati a viatura do Shane lembra? — Eu ri, sentindo saudade daquela época, coisa que nunca imaginei que aconteceria.

— Ah lembro sim, foi há uns dois ou três anos, não é? Shane falou disso por semanas. — Carl respondeu.

— Achei que podia colocar o carro na garagem e quase derrubei a parede de casa. Pelo menos você não bateu em nada. — Dei de ombros e ele concordou.

Estávamos perto quando vi Maggie discutido com Lori, eu não conseguia ouvir de onde eu estava. Mas a Greene mais velha parecia bem brava, saiu batendo o pé depois de jogar alguma coisa que Lori pegou afoita.

Glenn saiu atrás da filha mais velha de Hershel e eles pareceram discutir também. Mas eu não sabia bem se era uma discussão, porque instantes depois eles estavam se beijando. Alguém tinha se dado bem com o fim do mundo, pelo menos...

Carl já tinha corrido de volta para as barracas, talvez procurando Dale ou, sei lá. Decidi que ficar olhando os pombinhos não era muito ético e continuei caminhando, me ocupando com coisas banais por mais algumas horas.

Shane e Andrea voltaram mais tarde. Não tinham nenhuma pista de Sophia, porém os dois pareciam estranhamente alegrinhos, o que me deixou bem desconfiada, mas preferi não me intrometer.

Carol se afastou com a loira e eu até pensei em ir junto, mas a verdade é que eu não era exatamente muito fã da Andrea, ou talvez só estivesse com raiva dela por causa do tiro que ela deu no Daryl... Era a terceira, talvez eu realmente tivesse um problema.

O fato é que eu acabei voltando antes mesmo da metade do caminho e encontrei Shane virando as costas para Dale em uma postura nada amigável.

— Tudo bem? — Perguntei o alcançando.

— Tudo. É só o velho provavelmente com ciúmes da Andrea. — Respondeu. dando de ombros. — Vou me lavar pra jantarmos.

— Melhor mesmo. Você está cheirando a sexo. — Joguei, muito mais pela cara com que os dois tinham chegado do que pelo cheiro em si. Sim, eu disse que não me meteria, mas fazer o que? É o fim do mundo, não tem nada melhor acontecendo.

— Olha só, eu... — Tentou dizer.

— Não precisa explicar. Não foi uma crítica. Só um comentário. — Ergui as mãos e contive minha vontade de rir. — Não é da minha conta.

— Não mesmo. — Retrucou neutro, indo para o outro lado.

— Parece que todo mundo se dá bem aqui, menos eu. Maravilha... — Comentei comigo mesma enquanto caminhava pra nenhum lugar em especifico.

Havia uma árvore perto da entrada da fazenda, uma bela sombra e uma brisa agradável. Vi Lori perto da cerca, mas não me importei com isso, sentando sob a árvore de um modo que o tronco a impedisse de me ver.

Fiquei lá apenas olhando as formigas carregarem folhas. Revivendo o meu encontro com Daryl naquela tarde, como se cada lembrança estivesse gravada na minha memória com mágica perfeição de detalhes...

Em certo momento pensei ter ouvido a voz do Rick, mas não dei importância a isso. Foi só quando ouvi a voz dele muito mais alta que o normal que eu parei pra prestar atenção. Estavam discutindo, e eu nunca os vira discutir, pelo menos não com o Rick erguendo a voz.

Me senti desconfortável por estar ali no meio, mas se eu saísse agora a probabilidade dos dois me verem e as coisas ficarem ainda mais constrangedoras era grande. Então apenas fiquei quieta, tentando não ouvir o que não devia. Mas as palavras que eu não pude deixar de ouvir fizeram meu coração parar por um instante...

Lori estava grávida. O pânico começou a bater no meu coração enquanto eu tentava fazer as contas. A probabilidade daquele bebê ser do meu irmão era tão alta que eu senti que podia ter um treco a qualquer instante. Minhas mãos suavam. Minha cabeça trabalhando depressa e me enchendo de imagens de um provável futuro trágico.

Ouvi o nome do Shane e travei. Eu não precisei ouvir todas as palavras pra entender o contexto. Lori tinha contado, ou Rick tinha descoberto. Tanto fazia.

Ficou bem claro na minha mente que aquela felicidade momentânea tinha finalmente terminado...

Notas finais
Será que a Char tava com ciumes da Andrea? kkkkkk Quem entendeu o episodio em que estamos sabe o que vem a seguir, certo? Nos vemos logo. Bjss