Origins
22 Calmaria antes da tempestade
Notas iniciais
Charlotte Walsh
Fazenda Greene
Rick discursava sobre o como honraríamos Dale, preservando a nossa humanidade. E eu tentava não desmoronar. A forma como ele partiu abalou tudo mundo. Era devastador ver o grupo ficar menor...
Ainda assim, a noite passada não saía da minha mente, eu não conseguia pensar em muita coisa não ser nela, ou na tristeza profunda ao meu redor. Então decidi viver um dia de cada vez, talvez eu pudesse superar aquela coisa que queria me consumir... Um dia de cada vez teria que bastar. E naquele dia em especifico eu manteria a minha cabeça erguida, tentaria colocar os pedaços de mim mesma a partir dali.
Senti os olhos de Shane sobre mim e ergui o olhar, ele estava péssimo, a cara toda esfolada, e por mais que eu soubesse que ele tinha merecido, eu ainda sentia dó.
Era a primeira vez que eu o via desde ele tentara me machucar, eu devia sentir raiva, mas olhando pra ele naquele momento eu não sabia o que sentir.
Eu estava anestesiada, o beijo de Daryl e as palavras dele ainda muito presentes na minha memória. Como um sonho bom, do qual não se quer acordar.
E talvez eu pudesse mesmo acreditar que era um sonho, porque, sinceramente parecia, dormir encostada no colo dele, com as mãos dele entre os fios do meu cabelo, ainda parecia um sonho. Mas era como se o gosto dele ainda estivesse em mim, eu ainda podia sentir aquele beijo, então eu sabia que era real.
Rick terminou o funeral improvisado e deu as primeiras ordens da manhã, fortificar as cercas, ter certeza de que não havia brechas e nem errantes na fazenda.
Eu estava um pouco afastada do grupo e Daryl se aproximou de mim.
— Eu tenho que ir. Você vai ficar bem? — Ele perguntou, parando a alguns passos de mim, como se não quisesse que nos vissem juntos.
— Eu não vou fugir, se é isso que quer saber. — Tentei sorrir e aquilo foi o suficiente pra ele.
— Charlie? — A voz de Shane me fez prender a respiração e Daryl se colocou imediatamente a minha frente. — Qual é, cara? Virou cão de guarda agora? Eu só quero conversar com ela.
— Agora não. — Respondi decidida, dando um passo para o lado e encarando-o de frente. — Vocês têm serviço a fazer. — Desviei meus olhos de Shane sem esperar por uma resposta dele e encarei Daryl tocando seu braço de leve. — Cuidado lá. Te vejo mais tarde.
Saí andando para o lado oposto, o tornozelo incomodando como o diabo, mas eu pouco estava ligando para a dor.
Carol me alcançou no caminho.
— Você parece melhor. — Ela sorriu carinhosa e eu assenti. — E o tornozelo?
— Dói, mas vou sobreviver. Já passei por isso... — Dei de ombros tentando soar leve, mas percebi que não era mais tão boa naquilo.
Continuamos andando lado a lado rumo ao acampamento, até que Lori nos alcançou e eu senti minhas mãos tremerem de raiva.
— Se puderem me ajudar a arrumar nossas coisas, Rick disse que depois da ronda vamos nós mudar. — Ela falou como se fosse uma flor de pessoa.
— Pra onde vamos? — Carol perguntou.
— Não sei ainda, talvez para o celeiro... Ainda não está resolvido, mas podemos embalar as coisas, já ajuda. — A morena retrucou e Carol concordou. — Acha que eu posso falar com você um instante, Charlotte?
Ergui meus olhos para encará-la e Carol parou onde estava, esperando minha resposta. Eu respirei fundo prevendo que não viria boa coisa dali, mas de toda forma íamos nos mudar para um lugar apertado, tínhamos que nos ver e nos falar hora ou outra. Talvez fosse hora de colocar os pingos nos "is".
Assenti e Carol se afastou rumo ao acampamento nos deixando sozinhas. Encarei Lori, cruzando os braços e apoiando o peso na perna boa.
— Estou ouvindo. — Declarei seca.
Ela assentiu por um momento antes de começar a falar.
— Olha eu... — ergueu as mãos em sinal de rendição. — Eu sinto muito mesmo pelo que aconteceu... Eu não sabia que o Shane ia surtar e eu não sabia que você estava doente, eu só...
— Para. — Pedi fazendo um gesto. — Esse seu pedido de desculpas só deixa claro que você não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Você não sente pelo que você fez e disse, só sente pelas consequências. E esse é o seu problema: Você não pensa nas consequências. Você se esquece que pra cada ação, tem uma reação. Cada palavrinha que você diz tem um peso. E você continua só dizendo as coisas... Isso é quem você é. — Suspirei e encarei o céu, eu estava bem cansada daquilo. — Eu fiz coisas erradas e sofri as consequências. Eu aceito. Mas você não pagou por nada do que fez ainda, e sinceramente eu espero que não pague. Porque se tiver que pagar por todo o sofrimento que causou a mim, ao Shane, ao Rick e ao Carl... Se você tiver que pagar por todo esse sofrimento que você ainda causa as pessoas... — Eu a olhei fundo nos olhos por alguns momentos. — Você vai morrer... Sem nenhuma felicidade. E eu não quero isso, porque as pessoas que você ama, mesmo que com esse seu jeito estranho de amar, elas não merecem isso. Porque o seu sofrimento, vai ser o sofrimento deles. Eu te perdoo, por mim, não por você. Mas isso não te redime dos seus erros...
Dei aquela conversa como acabada e continuei caminhando sem olhar pra trás... Já era o suficiente de Lori Grimes por uma vida.
— Tudo certo? — Carol me perguntou quando eu me aproximei dela.
— Vai ficar. — Dei de ombros, começando a ajudá-la a recolher nossas coisas.
Ficamos caladas por alguns minutos e embora ela me olhasse como se quisesse me perguntar alguma coisa ela não o fez.
— Daryl me beijou. — Falei parando tudo por um momento, porque eu precisava contar isso pra alguém e eu confiava em Carol o suficiente.
— E isso é uma coisa boa, não é? — Ela perguntou, franzindo a sobrancelhas, provavelmente estranhando o meu tom assustado.
— É sim. Quer dizer, não sei. — Declarei confusa.
Carol parou o que estava fazendo pra se aproximar de mim e me encarar como se não me entendesse.
— Ele só pode ter feito isso por dois motivos. — Argumentei, expondo minhas incertezas. — Ou ele estava com dó de mim. Ou o que ele sente é forte o suficiente pra ele ter aberto mão de tudo o que acredita por mim... — Tremi levemente quando coloquei a ideia em palavras.
— Não acho que ele faria uma coisa dessas por dó. Ele fez por que se importa. — Ela ponderou calma. — Ele gosta de você, acho que a segunda opção é a mais certeira.
— E é isso que me assusta. — Confidenciei. — Como alguém pode ser capaz de se doar inteiro pra mim, quando eu mesma não estou inteira?
— Eu suponho que você tenha sorte. — Carol sorriu quase triste. — Acho que muita gente ia querer algo assim hoje em dia, quem sabe até antes disso.
Encarei-a por um instante, percebendo nela uma faísca de algo que eu nunca havia reparado antes. Ela gostava do Daryl. Eu não sabia com que intensidade, mas ela gostava. E isso me fez amá-la um pouco mais naquele momento. Pois apesar disso, ela ainda era minha amiga, ela ainda estava do meu lado e zelava por mim. Ela colocava o próprio sentimento de lado por mim.
Atravessei o caminho entre nós e a abracei, assim sem aviso e sem um motivo aparente. E ela me recebeu em seus braços com todo o carinho que ela tinha.
— Obrigada. — Falei apenas.
— Pelo que? — Perguntou um tanto confusa.
— Por ser minha amiga. — Respondi. — Por sempre estar aqui por mim.
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Rick conversava com Hershel quando a caminhonete voltou. Eu observei Daryl descer enquanto ainda recolhia algumas de nossas coisas pelo acampamento.
Meu estômago criou borboletas quando ele passou os olhos pelo jardim e os pousou em mim. Me perguntei se sempre que eu o olhasse sentiria a mesma coisa, e conforme ele se aproximava de mim, com a crossbow nas costas e aquele jeito meio cafajeste de andar, eu soube que sim, sempre seria daquele jeito...
Não pude evitar sorrir e ele o fez de volta, não que fosse um sorriso realmente, era mais um mover discreto dos lábios, e mesmo assim fez meu coração parar.
— Como foi sua manhã? — Perguntou parando próximo a mim, me olhando de cima, já que eu ainda estava agachada pegando algumas coisas.
— Não sei... — Respondi divertida— Esqueci tudo quando você veio caminhando com esse seu jeito. — Sorri abertamente.
Daryl encarou o chão por um momento e eu podia ter jurado que ele teria corado se fosse possível, e isso só serviu pra me deixar ainda mais derretida por ele. Eu ainda me perguntava se eu realmente merecia tanto.
Percebi Shane me encarado, encostado na caminhonete, enquanto Rick parecia dar algumas ordens.
— Tenho que falar com o Shane. — Comentei, mesmo sabendo que Daryl não gostaria disso.
— Certeza? — Devolveu a contragosto.
— Se eu vou mesmo ficar, preciso resolver isso. — Assenti brevemente e ele concordou com a cabeça, mesmo que todo o seu corpo parecesse dizer o contrário.
— Se precisar tudo que você tem que fazer é acenar, gritar, qualquer coisa. Eu vou estar por perto. — Declarou com um tanto de raiva contida.
Nós aproximamos do restante do grupo, pelo que parecia Hershel queria que ficássemos na casa, eu só não sabia como caberíamos todos lá. Rick comentava que ele e Daryl levariam Randall embora e isso pareceu ter deixado Shane meio revoltado. Eu não entendi bem se era pelo garoto em si, ou se era por outro motivo.
— Se quiser o Daryl como seu braço direito... — Ele franziu os lábios e deu de ombros. — Vá em frente. Muita gente aqui parece preferir ele ultimamente.
Seus olhos pousaram em mim, e eu soube que sim, o motivo era outro mesmo, o motivo era o Daryl.
— Quer conversar? — Parei na frente dele. — Essa é a hora.
Foi como se o clima todo ao nosso redor tivesse ficado tenso, com as pessoas se afastando em direção a fazenda, ainda receosas. Daryl me lançou um último olhar e eu tentei sorrir para tranquilizá-lo.
Ficamos eu e Shane, parados no silêncio por alguns segundos.
— Então... Você e o Daryl, não é? — Coçou a linha onde a barba crescia. — Isso explica muita coisa...
— Quer mesmo começar essa conversa assim? — Cruzei os braços.
— É só que... Eu não te criei pra ficar dando pra esse tipo de cara. — Shane retrucou com um tanto de revolta.
Eu apenas ri, ironizando aquela situação e puxando a manga da minha blusa, revelando a marca, ainda bem roxa, da mão dele no meu braço.
— Claro que não, você me criou pra fazer isso comigo.
Ele baixou o olhar, constrangido. Observou o nada por um momento, incapaz de encarar o que fizera.
— Eu não sabia... Eu não queria... — Passou a mão pelo cabelo raspado, um tanto desesperado. — Não tem desculpa pra isso. Mas eu sinto muito, de verdade, Charlie. Eu perdi o controle. Eu surtei. Mas você não merecia isso de nenhuma forma. Sinto muito.
— Eu sei... — Falei puxando a manga da blusa e cruzando os braços novamente. — Mas isso não muda o que você fez, não muda o que eu senti. Não muda o fato de que, no momento que eu mais precisei de você, você falhou comigo. Eu estava prestes a cair em um abismo e a única pessoa que impedia a minha queda era você, então você abriu a mão... Não foi certo e nem justo. Mas eu não pedi pra conversar com você pra te julgar ou pra te dizer o que você fez de errado.
Shane ergueu os olhos um minuto, um tanto surpreso com o que eu falei, e talvez naquele pequeno momento eu tenha vislumbrado o meu irmão lá. O garoto que criou uma menina sozinho, mesmo não tendo qualquer experiência com isso, a pessoa que sempre me protegeu...
Se eu não podia ser julgada e culpada pelas coisas que fiz e disse, afinal eu estava doente, então como eu podia julgar o Shane, ele estava enlouquecendo também, e me afastar não ia ajudar em nada, talvez até piorasse.
— Eu estou aqui — continuei — pra dizer que eu não vou abrir a mão, que eu não vou te deixar cair. Se você realmente sente muito, então volte a ser o que era, para com seja lá o que você esteja pensando agora. Eu estou aqui por você, eu estou te dando mais uma chance porque você é o meu irmão. Nada muda isso. E eu vou fazer o necessário pra te trazer de volta. Mas não me machuque outra vez...
Ficamos parados lá por um momento, Shane estava em silêncio, os olhos marejados a cabeça baixa. Ele assentiu algumas vezes.
— Obrigado. — Agradeceu e eu apenas concordei. — Você acha que... Acha que eu posso te dar um abraço?
Sorri em resposta, deixando que ele me envolvesse.
— Eu vou fazer tudo certo, eu prometo. Vou fazer tudo certo pra gente sobreviver a isso. — Shane declarou com o rosto no meu cabelo e, embora parecesse bom, eu tive um pressentimento muito ruim sobre aquilo...
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O restante da manhã e começo da tarde foi uma grande bagunça de mudança e planejamento. Eu ainda não sabia como todos íamos caber dentro da casa, mas pelo que parecia daríamos um jeito.
Eu estava ajudando a guardar algumas coisas em um dos cômodos, para abrir espaço, apenas alguns porta-retratos e enfeites. Foi quando algo, em uma das fotografias, chamou minha atenção; um garoto junto de Maggie, Beth e um outro menino que eu sabia ser irmão das duas. Eu conhecia aquele garoto da estrada: Ethan Campbell.
— Ei Maggie? Quem é esse? — Perguntei vendo-a próxima a mim.
— Esse é o Ethan. Um amigo de infância. Os pais deles eram donos de uma das fazendas da região. — Ela respondeu com um sorriso nostálgico.
— E o que aconteceu com ele? — Continuei despretensiosamente.
— Ethan não era exatamente um exemplo de filho, os pais meio que achavam ele rebelde demais, eu nunca entendi bem qual era o problema, porque pra mim ele era só um garoto com um senso de humor muito afiado... Acho que o senhor Campbell não gostava muito desse lado do filho, então mandou ele pra escola militar ano passado... — Explicou casualmente.
Eu assenti algumas vezes guardando a foto e pronta para perguntar o que tinha acontecido com o restante dos Campbell, mas Daryl parou na porta e eu fiquei sem palavras por um instante.
— Que bom que está aqui Daryl. Pode arrastar esses moveis pra mim? — Maggie perguntou e ele assentiu com os olhos em mim. — Que ótimo eu tenho que fazer umas outras coisas.
Ela saiu, fechando a porta atrás dela, e nos deixando sozinhos no cômodo parcialmente desmontado, e por algum motivo eu desconfiei que foi de propósito...
— Oi. — Daryl cumprimentou indo em direção a estante que tinha que empurrar.
— Oi.
— Pelo visto você se entendeu com o Shane. — Pronunciou o nome do meu irmão com certa aversão.
Assenti algumas vezes e dei de ombros.
— Você não parece aprovar isso. — Comentei levantando a caixa que eu estava enchendo de coisas.
— Não é bem da minha conta. — Ele devolveu, tirando a caixa da minha não e a colocando sobre a estante. Mas ele não estava feliz, isso estava claro na sua voz. — Como está o tornozelo?
— Melhorando. — Respondi apenas.
— E você? — Ele se aproximou parando há alguns centímetros e eu senti que perdia todo o ar.
— Melhorando... — Repeti.
A verdade é que eu não sabia exatamente como eu estava, porque na verdade eu apenas estava tentando não pensar nisso. Estava tentando me manter boiando pra não afundar na imensidão das minhas neuras.
A coisa toda com Daryl ainda me assustava muito na verdade, afinal ele tinha aberto mão de tudo em que acreditava por mim e isso só podia ser pelos dois motivos que eu tinha citado para Carol.
A primeira opção acabaria comigo, e a segunda me fazia tremer dos pés à cabeça.
— Eu tenho que levar o Randall com o Rick. Você não vai fazer nada estúpido até eu voltar, vai? — Ele perguntou com uma nota de preocupação na voz.
— Eu vou ficar bem. — Respondi pra tranquilizá-lo.
A verdade é que eu queria beijá-lo bem ali, mas eu não sabia se devia ou não. Eu não sabia em que pé estávamos e eu tinha medo de descobrir. Talvez eu fosse mesmo só uma menina. Imatura demais pra conseguir abrir mão da segurança fictícia do rótulo de um relacionamento.
Daryl mantinha os olhos em mim e isso me desconcentrou. Ele me encarava como um leão encara a sua presa, era um olhar diferente do da noite passada. Diferente do olhar cheio de carinho que me acolhia. Era quente, quase felino, tinha muito de pose ali, de desejo. Senti minhas pernas tremerem e mordi o interior da bochecha. Não sei dizer se de ansiedade ou de nervoso, talvez dos dois.
Ele me empurrou levemente pra trás, desviando um pouco meus passos, até que meu corpo encostasse na parede atrás de mim.
Focou as íris azuis em mim e eu soltei todo o ar sob a intensidade daquele olhar. Daryl pareceu ensaiar dizer algo, mas não o fez. Simplesmente tomou meus lábios...
Não tinha nada a ver com o beijo da noite anterior, era selvagem, sexy, quase rude. Não tinha nenhuma delicadeza ali, não que eu me importasse com isso.
Daryl me puxou pela cintura, enquanto eu afundava meus dedos no cabelo dele. A língua dele buscava a minha com avidez, explorando minha boca, como se provasse um doce.
Eu sentia toda a minha pele se arrepiar, como se uma onda de eletricidade passasse dele pra mim. Era como ir ao céu e então me jogar em queda livre para o inverno. Me deixava embriagada a cada segundo.
Estava plenamente ciente da mão dele na minha nuca. Quente. E do dedo dele encontrando a barra da minha camiseta e escorregando pela lateral do meu quadril, deixando um rastro que queimava.
E então ele se afastou e eu tenho certeza que gemi em protesto.
— Tenho que ir. O Rick está me esperando. — Murmurou com os lábios ainda roçando os meus, a voz rouca com o sotaque muito pronunciado.
Assenti minimamente, não porque havia entendido, mas porque concordaria com qualquer coisa que ele dissesse com aquela voz.
Ele tirou minha mão direita do cabelo dele e colocou algo nela.
— Se alguém tentar machucar você, não hesite. — Falou sério, olhando nos meus olhos. — Volto o mais rápido que eu puder.
Tocou meus lábios com os dele rapidamente e saiu. Agradeci estar encostada na parede, porque de outra forma, minhas pernas não teriam dado conta do meu corpo.
Olhei a minha própria mão e encarei a faca de caça que ele tinha me entregado. Não era muito grande, e o desgaste da lâmina deixava claro que ela tinha alguns anos já. O cabo em madeira clara tinha as inicias "D.D." gravadas a mão.
Não pude evitar sorrir como uma tonta. Daryl Dixon tinha acabado de me dar um presente. Mas aquela felicidade foi muito breve, pois minutos depois descobrimos que eles não levariam Randall a lugar nenhum.
O menino havia sumido...
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