Origins
29 É tudo sobre escolhas
Charlotte Walsh
Atlanta
Eu mantinha o queixo erguido, a expressão de desafio firme em meu rosto, enquanto encarava Rick esperando por uma resposta. Mas por dentro eu era o caos, fazendo o possível para não tremer, para que as batidas do meu coração não denunciassem tudo o que eu estava sentindo.
Entre todas as coisas, uma eu podia distinguir claramente: medo. Eu estava apavora de estar ali junto com aquelas pessoas de novo. Era como reviver a pior época da minha vida e tudo que eu não queria era voltar a ser aquela garota. Eu não podia voltar a ser aquela garota.
Na verdade, eu sequer estaria ali se não fosse a insistência de Alex. Ele disse que eu me arrependeria cedo ou tarde, e, por mais que eu estivesse com medo, eu tinha que enfrentar aquilo.
Alex sempre sabia as coisas certas a dizer. "você nunca vai saber se é forte o suficiente, se não enfrentar aquilo que te faz fraca" foi o que ele disse. E ele estava certo.
E por isso eu estava ali, eu estava provando a mim mesma que podia, mesmo que por dentro eu estivesse lutando pra não ceder a toda aquela dor que parecia ter perfurado o meu peito como uma faca.
Eu desejava que Rick me mandasse embora. E sabia que Alex diria que eu me boicotei com a ameaça que eu fiz. Mas foi inevitável, porque eu não podia ficar e correr o risco de que algo acontecesse com Alex no processo. Rick tinha que saber que não podia tirar mais nada de mim.
Mesmo que eu soubesse que não foi exatamente culpa dele, Shane cavou a própria cova. Mas isso não servia de consolo, não acalmava a minha raiva. Era injusto é claro, afinal Rick estava protegendo a família, protegendo a si mesmo, e eu sabia disso, eu estava lá. Contudo ele me machucou, e eu não conseguia deixar de pensar que talvez pudesse ter outro jeito. Era insano. E por isso eu não queria estar ali. Nada de bom vinha com aqueles sentimentos.
E claro Alex fez questão de me lembrar que eu ainda tinha um "assunto inacabado" com Daryl Dixon...
Olhei para o caçador de novo, ele parecia acabado, embora eu não pudesse negar que aquele cabelo bagunçado e mais cumprido ficasse muito bem nele. Mas era como se carregasse toda a dor do mundo nos ombros.
E olhar pra ele outra vez foi... estranho. Por muito tempo eu ainda quis encontrá-lo. Talvez por isso sair de Atlanta nunca tivesse passado pela minha cabeça. E bem quando eu desisti...
Contudo percebi que, desde sempre, tudo que eu sentia pelo Daryl sempre esteve mascarado pelos problemas do grupo. Eu nunca pude dedicar minha atenção e pensamentos cem por cento ao que senti e ainda podia sentir por ele. E novamente as cartas pareciam estar dispostas da mesma forma.
Ele estava ali ao alcance das minhas mãos, era inegável que talvez ainda existisse alguma fagulha. Mas isso estava totalmente ofuscado por tudo o mais acontecendo ao redor.
Eu sequer estava realmente de volta e já sentia falta da simplicidade de apenas caminhas por aí com Alex. Tudo sobre aquelas pessoas era complicado demais pra me manter sã.
Rick me tirou dos meus devaneios quando deu um passo na minha direção.
— Você está certa, Charlotte, tudo se trata de escolhas, eu fiz as minhas e arco com as consequências delas todos os dias. Shane fez as escolhas dele e também arcou com as consequências, você sabe disso melhor que ninguém. Agora é hora de você fazer sua escolha, porque eu nunca vou te mandar sair por aquela porta, pois, como você mesma disse, nós éramos família. Mas se quiserem ficar que fique claro, que todas as vidas aqui são minha responsabilidade, vocês seguem minhas ordens. E foi como eu disse, eu não quero te machucar, tampouco quero machucar quem você ama. — Ele encarou Alex por um momento. — Mas tenho que repetir algo que falei ao Padre Gabriel há um tempo: — Ele apontou um homem de batina do lado oposto. — Essas pessoas são a minha família, e se você machucar a minha família de algum jeito, eu vou matar você e qualquer outra pessoa no caminho.
Não ficaram dúvidas que ele estava falando muito sério. E eu o odiei um pouco por me obrigar a tomar aquela decisão, porque eu não queria ficar, mas tinha prometido ao Alex que tentaria. Seria mais fácil se Rick apenas não me quisesse ali.
— Delicados feito coice de mula. — Alex debochou atrás de mim, em uma tentativa clara de amenizar o clima. — Iguaizinhos os dois, não dá pra negar que são família mesmo. — Deu alguns passos pra frente se colocando quase entre nós. — Legal. Todo mundo aqui sacou que não é pra dar mancada com o coleguinha alheio e que vocês são assassinos frios e sem culpa. Mas será que podemos deixar a carnificina pra depois? Eu estou faminto.
Alex fez uma careta e eu tive que segurar o impulso pra não rir. Ele realmente não me deixaria sair dessa. E talvez com ele ali, realmente desse tudo certo...
— Eu também. Vamos pegar as coisas. — Respondi encarando Rick uma última vez antes de me virar. — E você vai me dar aquele chocolate que você escondeu no porta-luvas, eu ganhei aquela aposta o chocolate é meu. — Completei puxando a porta de correr.
— Quer me deixar fazer isso? — Alex me empurrou levemente para o lado. — Vai estourar os pontos que eu fiquei meia hora costurando. — Ele abriu a porta e saímos.
— Sabe que eu vou estourar essa merda umas dez vezes antes de ficar bom, não é?
— Isso não me impede de tentar cuidar um pouco de você. — Respondeu, começando a acertar os podres que estavam mais perto da caminhonete.
Pegamos algumas coisas na caçamba e eu arranquei o chocolate das mãos dele. Tínhamos recolhido mais suprimentos e gasolina depois que encontramos Rick. E seria útil pelo tanto de pessoas que tinha naquele grupo.
Eu joguei duas mochilas nas costas, parando um segundo para pensar que nem metade das pessoas da fazenda estava ali, na verdade do grupo inicial apenas Carol, Daryl, Carl, Maggie, Glenn e Rick estavam lá, o que me levava a pensar que os outros estavam mortos...
Não vi Lori por parte alguma, mas reparei no berço improvisado em um canto. Algo que me fez tremer, pois eu sabia o que aquele bebê podia significar para mim. Eu nunca pensei que aquela gravidez realmente vingaria, principalmente depois daquele inverno. Mas pelo visto nem tudo aconteceu como eu imaginei.
— O que está pensando? — Alex perguntou parando do meu lado.
Dei uma olhada pra dentro, o grupo parecia questionar Rick sobre algo, principalmente a samurai. Abri o chocolate e mordi metade dele de uma vez só, entregando a outra metade para Alex.
— Provavelmente estão perguntando por que ele vai manter a psicopata assassina no grupo. — Comentou vendo pra onde eu dirigia o olhar. — Sabe que podia ter pegado um pouco mais leve, não é? Sei lá, ter deixado o reencontro fofinho rolar primeiro, sabe como é... Abraços, lágrimas, "ai meu deus que bom que você tá viva", quem sabe até um beijo...
Eu o fitei, levemente divertida e neguei.
— Eu não queria que eles pensassem que eu sou alguém que eu não sou mais, Lex. Entende?
— E agora eles pensam que você é uma psicopata assassina, e pior, uma ameaça... Ótimo jeito de recomeçar as coisas, Charmy. — Riu em um misto de sarcasmo e deboche. — Então como foi olhar para o seu amor mal resolvido?
— Não sei... Na verdade eu nem sei por que estávamos fazendo isso. — Admiti séria, tinha um peso estranho no meu estômago. — Tínhamos que nos manter longe de sobreviventes.
— Estamos fazendo isso porque você precisa, a vida que vivemos é muito curta, o mínimo que podemos fazer é resolver nossas pendências, e está bem claro que você tem uma porção delas com essas pessoas. Se ainda te machuca, então não está resolvido. E você tem uma chance, o destino está esfregando isso na sua cara. Não deixe passar.
— Estou com medo... E eu odeio estar com medo. — Confidenciei, porque eu não era mais o tipo que guardava as coisas, não quando eu podia contá-las para o Alex.
— E eu estou aqui com você. Você não está sozinha. Eu não vou deixar você se afogar nisso. Se você tentar e não conseguir, nós vamos embora. Mas você tem que tentar primeiro. — Ele me olhou compreensivo e sorriu.
Eu assenti, respirando fundo e entrando novamente no galpão. A conversa cessou assim que colocamos os pés pra dentro.
— Trouxemos umas coisas. — Alex colocou as mochilas no chão perto de Rick. — E alguns galões de combustível na caminhonete.
— Obrigado. — Rick respondeu estendendo a mão direita. — Eu sou Rick Grimes.
— Eu sei. — Alex comentou aceitando a mão estendida. — Alexander Pierce. Mas pode me chamar de Alex.
— Alex Pierce? — O Ruivo perguntou como se conhecesse o nome de algum lugar e Lex assentiu. — O mais jovem capitão da divisão da Carolina do Sul? Sabia que seu rosto me era familiar.
— Algo assim... — Alex deu de ombros.
— General Abraham Ford. Eu pedi sua transferência para a divisão do Texas e você negou. — O cara estendeu a mão que Alex aceitou.
— Sem ressentimentos eu espero.
O homem fez um gesto com a mão, mostrando que aquilo era passado. Depois Rick continuou com as apresentações, mostrando um a um enquanto dizia os nomes. A garota chamada Tara estendeu a mão pra mim e percebi Daryl analisar o meu braço de longe, como se houvesse algo muito importante ali.
— Essa é a Michonne. — Rick apontou e eu encarei a samurai.
— Como estão as suas mãos? — Ela perguntou e senti o deboche da voz dela.
— Ótimas e o seu rosto? — Devolvi no mesmo tom.
— Esse é Daryl. — Rick me cortou apresentando-o a Alex e eu senti meu estômago gelar.
Lex estendeu a mão e Daryl o encarou, logo depois fez o mesmo com a palma erguida, parando o olhar no braço dele, onde a tatuagem estava exposta. Percebi que era a mesma coisa que ele tinha olhado no meu braço.
— Eu fico com a primeira ronda. — Daryl declarou seco, falando diretamente com Rick e ignorando a mão estendida pra ele.
Foi a última apresentação e Rick mandou que descansássemos, pois sairíamos logo ao amanhecer, logo ele se afastou com Michonne, Sasha, Glenn e Maggie para uma conversa que parecia inacabada.
Os outros foram dissipando, voltando a se acomodar pelo chão, se preparando para dormir. O clima tenso amenizando um pouco, mas ainda forte o bastante para que eu me sentisse desconfortável.
— Nossa que educação exemplar. — Alex comentou no meu ouvido, em tom divertido. Encarando Daryl de longe. — Mas pelo menos ele não arrancou o meu coração, achei que fosse pelo jeito que me encarou. Isso vai ser divertido.
Eu acabei rindo sem conseguir me conter. o que atraiu o olhar de Daryl na minha direção. Parei de rir imediatamente, todo o meu corpo gelando pelo tanto de raiva que ele me lançava.
— Você devia falar com ele. Eu não quero morrer dormindo. — Alex continuou no mesmo tom, um sorriso cínico claramente para irritar Daryl.
Carol se aproximou de nós e parou na minha frente, estava em cada traço dela o quanto ela tinha mudado, e isso de alguma forma tinha lhe deixado mais bonita, mesmo que ela estivesse machucada, como se tivesse sofrido um acidente recentemente. Talvez porque a força tinha esse poder de deixar as mulheres mais bonitas mesmo.
— Posso falar com você? — Perguntou com aquele tom de voz calmo e eu acabei sorrindo, porque ela era uma lembrança inteiramente boa que eu tinha daquela época ruim.
— Vou deixar vocês conversarem. — Alex falou, se afastando em direção ao ruivo.
Carol me encarou por mais um segundo, talvez não sabendo como começar aquilo. O que era engraçado, porque eu também não fazia ideia do que dizer. Talvez eu tivesse desaprendido a falar com pessoas, ou talvez eu simplesmente não fosse boa com isso mesmo.
— Eu... Eu ainda nem acredito que você está aqui. — Ela começou meio sem jeito. — Acho que essa é a melhor coisa que aconteceu nos últimos dias, semanas talvez.
— Eu me engalfinhei com a sua amiga samurai, quase matei o Rick e depois realmente o ameacei de morte. Acho que não aconteceram muitas coisas boas com vocês ultimamente. — Comentei, jogando o peso do corpo para a outra perna.
— Você estava se defendendo. E sobre o Rick: que atire a primeira pedra quem nunca sentiu vontade de matá-lo. Você deve lembrar que eu já o julguei também... — Ela deu de ombros. — Nós mudamos, mas continuamos cometendo erros.
— Você está certa. Mas fazemos o melhor que podemos com o que sabemos no momento.
— É sobre isso que eu quero falar com você. — Ela pareceu penalizada por um instante. — Eu tenho que contar, porque já andei guardando coisas ruins que eu fiz e não quero guardar mais essa.
Franzi as sobrancelhas, não entendendo o que aquilo podia ter a ver comigo.
— Você não teria se separado de nós se não fosse por mim. Eu impedi Daryl de ir atrás de você quando a fazenda foi tomada. Na hora estava uma confusão e eu disse que tinha te visto entrar em um dos carros e sair da fazenda. Quando ele se deu conta da sua ausência era tarde demais. Eu quis salvar a vida dele, mas condenei você. — Carol falou em um fôlego só, como se tivesse segurado aquilo por muito tempo. — Eu não estou pedindo perdão, sei que não dá pra consertar algo assim, mas precisava que soubesse...
Assenti brevemente, tentando entender se eu devia ficar magoada com aquilo. Talvez sim, afinal isso podia ter mudado muito pra mim, mas eu já tinha aprendido que viver na base do "se" não ajudava em nada. Afinal do mesmo modo que podia ser uma realidade melhor, podia ser uma pior também.
— Não precisa me pedir perdão, porque não há nada para perdoar. Você fez o que precisava fazer, fez o melhor que podia com aquilo que sabia no momento. E você provavelmente salvou a vida dele. — Encarei Daryl, que olhava a janela, alheio a nossa conversa. — Ele provavelmente não me encontraria, eu estava em um abrigo subterrâneo em uma das fazendas vizinhas. As coisas aconteceram com aconteceram. Não vamos nos lamentar por isso.
Carol assentiu brevemente, parecendo um pouco surpresa com a minha resposta. Me perguntei se a minha atitude rancorosa com Rick a tinha feito pensar que eu me tornara o tipo que guardava mágoa de tudo, e que nessa situação, a odiaria e desejaria a morte dela.
Ela buscou Daryl com o olhar, e percebi que algo na forma que ela o encarava havia mudado também. Ainda tinha admiração, mas agora tinha muito carinho, algo muito parecido ao modo como eu e o Alex nos víamos.
— Devia falar com ele. Perdemos a Beth não faz nem dois dias e isso mexeu com ele. Você estar aqui vai ser bom... — Me sorriu meio triste.
Minha mente buscou a lembrança da figura de Beth, a loirinha da fazenda que eu não ia com a cara. Por que Daryl estaria sofrendo pela garota? Senti vontade de perguntar, mas eu sabia que minha lista de perguntas era muito grande e se eu começasse não pararia nunca.
— Eu sempre pensei que você e ele se entenderiam... — Comentei como quem não quer nada e me senti idiota no momento seguinte.
— Como um casal? — Carol devolveu divertida. — Talvez em outra realidade, uma em que ele não tivesse se apaixonado por você primeiro.
Ela esfregou carinhosamente o meu braço e sorriu. Fiquei parada no mesmo lugar enquanto ela se afastava, aquelas palavras mexendo comigo muito mais do que eu estava pronta pra admitir.
Eu até tentei encarar aquilo de modo claro e simples. Mas eu me senti afogando na minha paranoia de antes, quando mil e uma perguntas surgiram pela minha mente. O nome "Beth" brilhando em um letreiro luminoso como um alerta.
"...apaixonado por você primeiro." Carol disse com todas letras. Devia ser o suficiente, não? Mas ela não disse que isso ainda era assim. E se fosse, ele não estaria sofrendo por outra, estaria?
E logo a Beth? Isso era uma afronta. Cruzei os braços contrariada.
Puta merda eu tenho que parar com isso agora. Eu não começar com isso outra vez. Eu não preciso dessa paranoia na minha vida. Me recuso.
Eu podia só atravessar a merda do galpão e perguntar de uma vez, não podia? "Escuta aqui Daryl Dixon, eu preciso saber se a gente ainda está no mesmo ponto de anos atrás, preciso saber se você parou sua vida pra esperar por uma garota que você achava que estava morta."
Uma ova que tinha, isso era ridículo. Impossível. Respirei fundo e arranquei aquela merda da cabeça. Foda-se.
— Você está bem? — Alex apareceu do meu lado e me encarou preocupado. Provavelmente minha expressão não era das melhores.
— Eu estava me afogando. E você não estava aqui, só pra constar. — Respondi de mau-humor.
— Coitadinha, não sobrevive dois minutos sem mim. — Debochou passando o braço pelo meu ombro e deixando claro que eu estava exagerando.
Claro que eu estava, era a porra do efeito que estar nesse grupo tinha em mim. Como um gatilho disparando todas as minhas inseguranças e antigas manias. Mas eu não ia deixar acontecer de novo. Era ridículo e imaturo.
Foda-se que Daryl Dixon estava transando com aquela nojenta da Beth.
— Posso saber no que você estava se afogando? — Alex questionou, sem fazer a menor questão de esconder o divertimento na voz.
— Dúvidas, paranoias e estupidez. — Revirei os olhos. — Agindo como uma adolescente tonta que eu com certeza não sou mais.
— Sabe, eu acho que você devia só atravessar o galpão e tacar um beijo nele. Seria divertido e acabaria com seja lá o que você está confabulando na sua cabecinha.
Acabei rindo junto com ele da imagem mental que eu fiz daquilo.
— Seria chocante e bem engraçado. — Admiti.
— Vocês precisam conversar. Você não quer ser a adolescente tonta, então deviam conversar francamente, é o que os adultos fazem. — Alex aconselhou naquele tom sensato que tinha sempre que não estava debochando de mim.
— Adultos também seguem em frente. Ele não é o único homem no mundo. — Dei de ombros. Aquela história da Beth me afetando mais do que eu queria admitir.
— Não olhe pra mim, eu não estou interessado. — Alex ergueu as duas mãos e deu um passo para trás, falsamente assustado.
Revirei os olhos e neguei vagamente, porque Alex não tinha jeito mesmo. Quem olhasse pra ele nunca imaginaria que aquele homem enorme, barbado e com cara de mau, era um piadista. Que usava o humor pra tudo.
Meus olhos seguiram pra Daryl novamente e percebi que ele me encarava, embora tenha desviado as íris imediatamente assim que nosso olhar se encontrou. Alex tinha razão, aquilo era ridículo.
Eu não podia culpar Daryl por seguir em frente, afinal eu fui embora. Não era justo eu sentir raiva dele. De todas as pessoas ele e Carol foram os que sempre se preocuparam comigo.
O mínimo que eu podia fazer era tratá-lo com dignidade, falar com ele. E nem era por causa daquele romance inacabado, do qual ele podia até já ter se arrependido, era por estar no mesmo grupo de novo, e eu não me isolaria de todos outra vez. Se eu estava ali, eu não estaria por uma pessoa só, estaria por todas elas.
Eu seria útil, nada mais de me esconder, nada mais de me afogar em desculpas. Se era pra fazer parte daquilo então eu faria parte direito.
E começaria enfrentando algo que eu vinha evitando até olhar desde que chegara: O bebê do outro lado do galpão, que agora estava nos braços de Carl.
Era hora de conhecer minha possível sobrinha...
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