Orgulho e Sensibilidade
2 A esposa
Orgulho e Sensibilidade
Fanfic dedicada a July-chan
Nota:Pra quem não esperava nada, principalmente sendo uma autora iniciante, fiquei super feliz com a aceitação dessa fic...Brigadão a quem comentou e a quem só leu, agora vamos ao capítulo 2... /o/~~
Orgulho e Sensibilidade
Capítulo 2 – A esposa
Paris, frança, 10 de março de 1939
A cerimônia fora um pouco exagerada para os parâmetros de um país mergulhado numa guerra vindoura, mas era o que alguém da patente de Camus tinha a obrigação de manter. Após as felicitações e formalidades, Mai retirou-se para um ponto isolado do salão, alegando cansaço, enquanto Camus fora cuidar dos convidados. A recém-casada não queria pensar que, de fato, era esposa daquele homem que lhe provocava sensações conflitantes. Tão perdida estava em suas próprias divagações que não notou a aproximação de um homem.
– Ele tem sempre que manter as aparências. São pessoas muito importantes em seu círculo social – o estranho não esperou ser convidado para sentar-se, exibindo um sorriso confiante. – A senhorita deve ser Mairian Danglars, não é?
– Meu nome mudou depois de me casar – disse, distraída – Mairian LeFrève.
– Mesmo assim, é um belo nome, assim como sua portadora – aproximou-se, de forma galante, e só então a jovem contemplou sua face.
– Quem é você? – Mai não escondeu a curiosidade. Afinal de contas, jamais tinha visto alguém tão descontraído... E bonito.
– Pelo que vejo, a senhorita só está percebendo onde está neste momento, visto que eu estava ao seu lado na igreja... – ele não conteve o sorriso, ao notar a expressão de assombro da moça – Como padrinho, é claro. Milo Sygnoranis, muito prazer.
– Desculpe-me por estar sendo indelicada, mas o senhor foi mesmo o padrinho de meu casamento? – retrucou, ainda não acreditando no que ele acabara de lhe contar.
– Claro que sim – exibiu novamente os dentes alvos, em um pretensioso sorriso. O porte atlético e o felino par de olhos aquamarinos ajudavam-no bastante na pose de homem atraente, que ele desempenhava magnificamente bem – Sou um grande amigo de seu marido. Estudamos no mesmo colégio interno.
Mai ficou bastante interessada no que o suposto padrinho de seu casamento tinha a lhe falar. Bem ou mal, jamais havia tido informações acerca de seu consorte, pois encontraram-se pouco mais de cinco vezes antes do matrimônio – por culpa da atarefada vida profissional de Camus – o que deixou Mairian bem mais tranqüila. A presença dele encabulava-a de uma forma estranha. Por diversas vezes, ela sentia seu coração bater de uma forma estranha e descompassada quando sentia o olhar do noivo em sua direção.
Milo não economizava detalhes sobre sua história com Camus – A estranha amizade de um francês e um grego durante sua vida estudantil na Inglaterra – como gostava de citar. Entretanto, Mai sabia que essa cumplicidade, pela forma com que o rapaz falava do amigo, estendera-se até bem depois dos estudos, mesmo depois que Camus escolhera viver como militar. Qualquer detalhe questionado pela jovem a respeito da relação fraternal de ambos era prontamente esclarecido, até que o assunto recaiu sobre as famílias, e Mai pode notar certo desconforto da parte do grego.
–Pode-se dizer que tanto eu quanto seu marido somos órfãos de guerra. A primeira, mais precisamente – adquiriu uma postura austera, e Mai reparou que, apesar de ser um rapaz muito bem-humorado, o jovem Sygnoranis também sabia ser sério quando necessário – Meus pais morreram num naufrágio, enquanto cruzavam o Egeu. Alguns bombardeiros confundiram um navio civil com algum tipo de embarcação de guerra daquela época. Sobre Camus, bom, seu pai era militar, e pereceu nas trincheiras. A mãe morreu de tristeza alguns meses depois.
– Sinto muitíssimo em tê-lo feito falar de algo tão doloroso, fui inconseqüente – ela segurou-lhe as mãos, e sorriu.
– É maravilhoso que estejam se dando tão bem – Camus olhava fixamente para as mãos enlaçadas dos dois, e Milo deu um meio sorriso – Mas receio que eu precise privá-la da companhia de nosso padrinho, madame.
– Não aprova que sua esposa seja bem-quista por seus amigos, Camus? – Mai percebeu uma faísca de aborrecimento em seu marido, e admirou o jovem pelo feito de tirar Camus do sério.
– O General deseja lhe falar – encarou diretamente o outro, sem piscar – Receio que deva soltar as mãos de minha esposa para poder atendê-lo, não acha?
– Sim, tem razão – soltou-a, dando um último olhar sedutor, que Mairian sabia ser algo involuntário para ele. Fazia parte de sua natureza – Até breve, minha cara. Foi uma conversa imensamente prazerosa.
Quando tomaram certa distância da noiva, Milo permitiu-se dar mais um risinho, enquanto Camus permanecia em silêncio, concentrando-se na curta caminhada até o grupo de homens que os aguardavam.
– Você chegou de fininho para ouvir o que conversávamos porque percebeu acidentalmente, ou estava me observando desde que cheguei para falar com sua bela esposa, Camus? Não pode ficar feliz por mim? – o grego mantinha uma expressão jocosa, enquanto dava um tapinha de leve no ombro do amigo – Ao menos nos demos bem, e eu me diverti um bocado as custas de seus ciúmes. A propósito, nunca vi uma mulher deixá-lo assim tão emburrado. Ela fisgou você, não é?
– Ouça-me bem, Milo – Camus principiou a andar mais rápido, de modo que seu amigo o visse de costas – Não o quero com seus joguinhos perto de minha esposa. Caso contrário, esqueça desta amizade que tanto se gabou para ela, estamos entendidos?
o-O-o
– Aquela foi a primeira vez que vi alguma emoção da parte dele – refletiu, acariciando levemente o ventre – Depois disso, passamos a viver nesta casa, onde dificilmente nos encontrávamos. Porém, alguns meses atrás...
– Madame, vim buscar suas malas – ouviu uma voz conhecida atrás da porta, e fez sinal para que entrasse.Logo em seguida, surgiu um jovem de cabelos castanhos, trajando seu habitual uniforme negro – Estaremos prontos para deixar Paris em cinco minutos.
– Obrigada, Seiya. O resto das malas encontra-se perto da porta, pedi a Cassius antes de partir que as levasse para mim. Infelizmente, esqueci daquele baú. – apontou para um grande objeto de madeira escura, aos pés da cama de casal. O rapaz inclinou-se educadamente, para logo em seguida se colocar a frente do móvel. Segurou-o pelas alças, colocando um pouco de esforço, e levou-o dali.
– Alguns meses atrás, quando eu soube que ele havia capturado alguns espiões alemães – seu olhar tornou a se perder na janela, onde a rua permanecia assustadoramente vazia, pois nem o vento parecia ter coragem de soprar durante aquela manhã nublada – Eu o esperei até tarde para saber se o que me contaram era verdade, se ele os tinha matado daquela forma. Pela primeira vez, decidi enfrentá-lo. E então, nós...
o-O-o
– Até quando pretende continuar com isso? – a mulher descia as escadas, furiosa – Porque desempenha este tipo de trabalho? Gosta dele? É o suficiente para obter sua satisfação pessoal matar pessoas, Coronel?!
– Recomendo que a senhora volte ao seu quarto – tirou o casaco e o quepe, sendo prontamente levados por uma empregada, que sumiu das vistas. – está alterada demais para qualquer tipo de conversa.
– O senhor sempre acha que estou alterada demais, ou nervosa, ou confusa – ela fincou o pé no início da escada, determinada a não deixá-lo passar – Se me toma por burra, porque se casou comigo?
–Este não é o assunto que abordava antes, senhora. Está sendo incoerente – Mai talvez estivesse ficando louca. Teria mesmo ouvido um suspiro de impaciência do sempre frio Camus LeFrève? – Peço-lhe novamente que me deixe subir, ou ao menos que não esbraveje num lugar onde todos os serviçais da casa possam ouvi-la.
Bastante envergonhada por estar apenas com as roupas de dormir na porta da escada de sua casa, gritando a plenos pulmões como uma lunática, a jovem subiu rapidamente os degraus, e correu para o quarto do casal, fechando a porta num estrondo. Camus entrou alguns segundos depois.
–Sempre imaginei que fosse do tipo que gosta de humilhar as mulheres, que se sente superior fazendo isso – inconscientemente, a jovem ia se aproximando mais do marido a cada sílaba proferida – Tortura as pessoas? Bate nelas? Quanto tempo até começar a bater em mim também?
Ela se surpreendeu quando ele dirigiu-lhe um olhar furioso – Foi com aquele homem que se casou? – e agarrou-lhe o braço direito. Ela tentou recuar, por um milésimo de segundo, antes que ele a puxasse para mais perto. Para seu perfume, seus cabelos ruivos, e seus olhos, agora cheios de uma vivacidade que ele sabia ocultar muito bem. Um homem incompreensível.
– Acha mesmo que eu agiria dessa forma alguém? Pensou que eu pudesse levantar a mão para você?– o aroma de seus cabelos castanhos, os olhos arregalados, a boca entreaberta, e a camisola que revelava-lhe um ombro por causa da alça caída. Por mais que aquelas palavras ríspidas por parte dela lhe ofendessem a honra, Camus não custou a reconhecer que tudo nela era atrativo.
Atrativo demais para se resistir
E ela, conseqüentemente, também não conseguiu evitá-lo.
Sim, eu sempre interrompo nas melhores horas...>8D
*desviando dos tomates podres jogados pelos leitores*
Né pessoal, obrigada a quem está só lendo, a quem comentou, e não percam o terceiro e último capítulo de Orgulho e Sensibilidade...o_o/
CJ
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