Orgulho e Preconceito
16 Intenções
Notas iniciais

O semblante sério de Cersei não deixava duvidas a loba acerca da gravidade do assunto. Apesar de não serem exatamente melhores amigas, Arya possuía certa admiração – mesmo que fosse minúscula ao ponto de ninguém perceber – pela rainha leoa. Não era algo impressionante, ela só achava legal a maneira da Lannister se impor, dando a entender que os homens era quem deveriam servi-la e não ao contrario,não abaixava a cabeça nem mesmo para seu marido, o temível Robert Baratheon. que está velho e gordo igual a um javali, mas mesmo assim é preciso ser louca para confrontá-lo. E sua admiração restringia-se a essa parte da personalidade dela.
– Sei que tivemos algumas desavenças no passado, em decorrência da sua forte teimosia em não querer se casar com Joffrey – a rainha loura dissera em tom sério. – E eu entendo, não é fácil lidar com meu filho. É preciso de muita paciência, uma paciência...
– Você disse que seria breve. – ela a interrompeu, demonstrando ansiedade. – Por favor, rainha, vamos direto ao ponto principal.
Cersei mordeu a língua, aquela garota era realmente mais difícil do que parecia. Era certo que o que estava fazendo ali não era nada ético de sua parte, e que com certeza estava se intrometendo onde não deveria. Mas ela não prolongaria ainda mais aquele assunto.
– Isso não é de conhecimento público, mas... Há alguns meses, eu precisei viajar para colocar minha adorável Myrcella em um convento para garotas... – antes que Arya pudesse levantar o dedo ou a voz para interrompê-la novamente, Cersei continuou em tom firme. – Quis certificar-me de que o lugar cumpria com as exigências informadas, sabe como são as mães eu pressuponho. O fato é que eu encontrei sua irmã, Sansa.
Aquelas palavras surpreenderam completamente Arya. Lembrava-se vagamente de sua mãe mencionar algo sobre a Sansa estar numa corte, e não em um convento para garotas! Aquele fato a deixou sem falas, diante disso, Cersei tornou a falar.
– Você não sabia do convento?
– Não, Cersei, eu não sabia – ela estava ligeiramente preocupada do rumo que aquela conversa teria. – A bem da verdade é que minha mãe sempre ameaçou. Ela e meu pai costumavam dizer que, se eu não me comportasse como o esperado, eles iriam me mandar para algum convento.
– Oh, eu acredito nessas palavras – ela sorriu ferinamente. – Imagino que não saiba as circunstâncias que a tenham levado para tão longe de sua família? – Cersei afagou os cabelos negros de Arya, enquanto a mesma limitava-se a encarar o mais seria possível. Desconfiava por completo das intenções da rainha, mas algo dentro de si a alertava de que o que quer que fosse que Cersei tinha a lhe dizer, era brutalmente verdade. – Sua irmã Sansa está grávida, isso não seria nada surpreendente para mim, que engravidei antes das expectativas de meu pai e quase fui expulsa da Corte, onde eu servia de dama. Dentre todas as pessoas que eu esperava encontrar no quarto de sua irmã, Rhaegar Targaryen era a ultima delas.
Se o objetivo da rainha era causar-lhe náuseas, havia alcançado-o com louvor. Arya emudeceu-se em incredulidade. Sabia o quanto a leoa podia ser venenosa, quando bem entendesse, mas ela não teria astucia para inventar uma mentira daquela magnitude, pois essa seria facilmente descoberta com a visita de Sansa... Ela engoliu em seco, Rhaegar sempre foi tudo o que Sansa quis! Era príncipe, era bonito e fazia jus às inúmeras canções sobre ele. E, se houvesse de fato verdade nas palavras de Cersei, algo que não seria muito difícil de adivinhar... Então Arya finalmente tinha uma chance.
Ela ergueu a cabeça para encarar a rainha diretamente nos olhos, sem desviar seus olhos dos esverdeados dela.
– O que você pretende me contando tudo isso, Cersei? Até há dois dias atrás você me detestava!
A leoa sorriu ferozmente.
– Eu não detestaria ninguém que pode intervir nos planos de um Targaryen, ainda mais se esse for Rhaegar.
Algo estava decididamente errado naquela história;
– Eu posso ajudá-la, Arya, se você me permitir é claro.
– De que forma você iria me ajudar? E se as histórias que ouço a respeito de vossa senhoria for verdade, antes é melhor pedir ajuda ao satanás do que a um leão!
Cersei não a culpava por pensar daquela maneira, naturalmente alguns boatos eram realmente verdadeiros, mas isso não convinha ser discutido naquele momento. Ela precisava desfazer aquela união, para então traçar os planos para o seu primogênito. Pois inevitavelmente Gendry era seu filho com Robert; os traços não mentiam, e uma mãe sempre reconheceria seu filho.
– Não se isso apressar a coroação de um dos meus filhos. Arya, o que eu estou lhe propondo é uma aliança que pode beneficiar a nós duas, pense nisso.
Ela franziu cenho.
– O que diabos Joffrey tem a ver com isso?
XXXX
Gendry ainda não tinha estado a sós com seu amigo, desde o ocorrido nos corredores do castelo,quando o viu deixando o quarto da pequena loba em um estado deplorável, então era natural que se sentisse nervoso. Sobretudo após as palavras proferidas pelo maldito Jaime Lannister: tem a ver com o soco que você deu em Joffrey. Claro, como se ele tivesse tido tempo de esbofetear aquele pirralho mimado! Mas ele entendia o pequeno príncipe é claro, dizer que um vassalo o provocou era menos humilhante do que dizer que havia apanhado, justamente, de uma garota de uns bons vinte centímetros a menos que ele. Por tudo no mundo, as divindades sabiam perfeitamente do seu desejo de concretizar aquelas palavras do Baratheon e socá-lo, mas ao contrario de Arya, não pararia até vê-lo entrar na inconsciência.
A porta abriu-se a sua frente, revelando justamente o príncipe. Rhaegar tinha uma expressão em seu rosto indecifrável, e tinha uma bestas em mão. O vassalo levantou a sobrancelha em interrogação, contudo seu príncipe simplesmente o ignorou.
– Gendry Waters. – aquele tom de voz não o enganava: coisa muito ruim vinha pela frente, restava saber o que exatamente e o quão ruim era. – Há quanto tempo somos amigos?
– Há muito tempo, Vossa Graça.
– Sim, sim desde quando éramos apenas moleques estúpidos e verdes como a grama – observou o louro, depositando sua besta em cima da cama e então se aproximando o suficiente para encará-lo nos olhos. – Você é meu melhor amigo no mundo inteiro, sabe disso não é mesmo Waters?
– Sim, Vossa Graça. – conhecia aquele jogo de palavras e não estava inclinado a perder, mesmo que sua paciência estivesse desgastada e sua área acobertada por um tom assassino. – Você também é meu melhor amigo, o único em quem eu confio.
– Excelente. – Rhaegar esboçou um sorriso mínimo e Gendry perguntou-se a razão dele. – Como deve bem se lembrar, Gendry, você tem um debito para comigo. E é sobre ele que eu quero falar.
Os olhos azuis estreitaram-se mediante as palavras, enquanto ele mantinha-se em tom desconfiado. O cavaleiro da guarda real do rei Baratheon, o filho da puta do Jaime havia mentido para ele. Isso ficaria para um outro momento, de certo, já que não estava em seus planos deixar aquela historia de lado. Maldito fosse.
– Estou disposto a deixá-lo ir. Você deixa de servir oficialmente a casa e a família Targaryen, ganha uma terra ao sul de Valíria¹, e todos vivem felizes para sempre.
Ele não era nenhum estúpido, apesar de sua inteligência aparentar ser limitada, ele aprendia mais depressa do que se podia imaginar.
– E em troca do que, você quitaria esse débito, Vossa Graça? – ele tinha as mãos atrás de suas costas, fechadas em punho. E contava mentalmente até determinado numero para não cometer uma loucura, céus, aquele Targaryen estava tirando-o dos sérios. Seria inevitável socar-lhe a cara no fim das contas, somente sua curiosidade conseguiu sanar aquele desejo agressivo de arrebentar-lhe a face.
– Quero que você leve Arya, futura senhora Targaryen, para mim no altar. Quero que seja meu padrinho, Gendry. E então estará livre de todos os compromissos que o prendam a mim e a minha casa.
Tamanha foi a surpresa ao ouvir aquelas palavras,que não coube ao vassalo expressar qualquer tipo de reação além de arregalar os olhos em incredulidade. Mas que desgraçado!
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