Orgulho e Preconceito
5 Punição
CAPÍTULO CINCO – PUNIÇÃO
Ainda faltava mais de uma hora para o início do expediente, quando Hyoga bateu à porta do escritório de Ikki. A boate ainda estava fechada e, se não fossem as informações das faxineiras, garantindo que o Amamiya estava em seu escritório desde cedo, o loiro pensaria que não havia ninguém por trás daquela porta na qual já havia batido mais de quatro vezes.
Mesmo com o completo silêncio do outro lado, o barman continuou insistindo, chamando por seu chefe e pedindo, encarecidamente, que a porta fosse aberta para que eles pudessem conversar.
Depois de longos minutos de espera, o dono da Stonehenge finalmente surgiu em sua frente. Sem dizer absolutamente nada ao loiro ou sequer olhar em seus olhos, o moreno abriu a porta e logo voltou a sua mesa, dando uma atenção exacerbada aos papéis espalhados sobre ela.
– Ikki.
Chamou Hyoga, sem obter qualquer resposta.
– Chefe.
Ele tentou outra vez, mas sua presença continuava a ser ignorada pelo outro.
– Nossa aposta está cancelada? – perguntou Hyoga, mas novamente Ikki permaneceu mudo. – Está bem, vou considerar o seu silêncio como um sim, certo?
O loiro estava prestes a sair da sala, quando Ikki finalmente ergueu os olhos do papel que estava lendo.
– Você é ridículo. – declarou o Amamiya.
– O que disse?
– Você é ridículo. – Ikki repetiu, pronunciando pausadamente cada palavra.
– Olha, Ikki, se quiser cancelar o contrato, faça como bem entender. Mas quero que fique bem claro que não aceitarei qualquer ofensa vinda de você.
O moreno se levantou da confortável cadeira e se adiantou para o loiro.
– Como espera ter alguma moral para dizer isso, depois de correr como um cachorrinho para os braços de um cara que te traiu num ménage à trois?
– Eu não corri para os braços dele! – defendeu-se o barman.
– Não me faça rir! Ele não precisou de qualquer esforço para te levar para a cama e, depois de tudo, ainda ficaram de beijinhos no portão. Como você é patético, Hyoga!
– Eu não transei com o Henry. Estávamos apenas conversando, Ikki. Eu precisava dizer a ele o quanto tudo aquilo me magoou e...
– Poupe-me de toda essa merda! – Ikki deu as costas ao loiro, visivelmente enraivecido.
– Posso ao menos terminar de me explicar?
– Não, você não pode se explicar, Hyoga. Já não me importo com o que você tem a dizer, a regra foi quebrada e não há nada que possa te livrar das consequências de sua infração.
– Eu estava terminando com o Henry, Ikki. Nós estávamos tendo uma conversa definitiva, apenas isso.
– Conversa definitiva? Vocês estavam se abraçando e beijando, Hyoga, não me tome por um idiota. Além do mais, eu deixei bem claro que você não poderia vê-lo durante esse mês. Você infringiu minha regra!
– Está bem, já que é assim, acredito que nosso contrato está automaticamente cancelado. – Hyoga não esperou por uma resposta. Estava irritado demais pelas palavras de Ikki, o fato de seus atos serem mal interpretados o deixava louco. Chateado, o russo não sentia a menor vontade de permanecer ali, junto ao seu chefe e completamente passível de outras ofensas muito piores do que as que ele já havia escutado.
De saída, Hyoga já estava com a mão na maçaneta da porta, quando ouviu a voz de Ikki atrás de si.
– Não tão rápido, loiro. Nós ainda temos negócios a tratar.
Hyoga se virou e cruzou os braços, esperando pelo que Ikki diria em seguida.
– Segundo o nosso contrato – o moreno folheou alguns papéis, até que encontrou sua cópia do contrato assinado por ambos e começou a ler um parágrafo específico – Em casos de violação de uma das cláusulas estabelecidas neste documento e, tendo sido comprovada a má fé do infrator, caberá à parte prejudicada uma das três atitudes seguintes: cancelar o contrato; esquecer a falha, desde que não haja reincidência; ou, por último, exigir uma indenização – acordada entre ambas as partes – que será caracterizada como punição, mas não acarretará o fim imediato deste contrato.
Ikki o documento sobre a mesa e olhou para o loiro com um sorriso de escárnio. Não precisou de muito mais para que Hyoga percebesse o que o moreno pretendia.
– Eu não quero pagar indenização alguma, chefe. Não fiz nada demais, portanto, perdoe o que fiz ou cancele o contrato. – exigiu o loiro.
– E onde fica minha diversão nisso tudo? – o Amamiya riu. – Sabe, Hyoga, eu sempre imaginei como seria estar com você e estava disposto a esperar, já que você se mostrava um homem tão cheio de princípios, do tipo que não cedia aos encantos de qualquer um. Entretanto, depois do que vi no seu portão, eu já não sei se você é tudo o que diz ser. Honestamente, parece-me que essa sua integridade funciona apenas da boca para fora. Então, eu estava pensando… – o moreno se aproximou, colocando a mão no próprio queixo e adquirindo um ar pensativo. – Por que não exigir uma noite contigo, não é? Dessa forma, eu experimento o que sempre quis e, quem sabe, consigo me livrar desse encantamento absurdo que tenho por você? O que me diz, loiro? – Ikki sorriu maliciosamente. – Não será assim tão difícil, será? Se Henry, depois de tudo o que fez, ainda tem permissão para te foder, imagino que você não terá qualquer problema para me deixar montar esse traseiro bonito, não é?
O soco veio de imediato, sem que Ikki sequer tivesse tempo de fechar a boca depois de proferir palavras tão vis.
– Nunca mais me dirija a palavra, seu idiota! – gritou o loiro ao sair do escritório de seu chefe.
Ikki, por sua vez, ficou cuidando do corte superficial no meio de seu lábio inferior. O soco que recebeu não foi exatamente uma surpresa; ele sabia, inclusive, que havia merecido o golpe. Porém, o moreno justificava para si mesmo o fato de agir de forma tão desprezível: a cena que presenciou naquela manhã, no portão de Hyoga, o deixou totalmente transtornado.
Desde aquele momento, o Amamiya não conseguiu segurar a raiva que pulsava em suas veias; depois de passar o dia descontando sua frustração em tudo e todos que atravessavam seu caminho, Ikki enfim teve a oportunidade de esbravejar contra o causador de toda a sua irritação. Infelizmente, o moreno não perdeu tempo e ofendeu Hyoga de uma forma baixa, até mesmo cruel e, claro, arrependeu-se do que disse no momento em que as palavras deixaram seus lábios.
Agora era tarde demais. Hyoga, orgulhoso como era, jamais olharia em sua face novamente. Engraçado como, há alguns minutos atrás, era o loiro quem tinha a obrigação de se desculpar, era ele quem havia errado. Ikki, como sempre, deu um jeito de estragar tudo mais uma vez e, mesmo com a faca e o queijo nas mãos, deixou-se levar pela raiva e virou a situação totalmente contra ele mesmo.
Desolado, o Amamiya sentou-se novamente em sua cadeira e fez a única coisa que lhe cabia no momento; ligou para Shun, seu irmão e advogado, pedindo conselhos profissionais e, principalmente, pessoais.
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Hyoga não conseguia trabalhar direito. As palavras de Ikki continuavam ecoando em sua cabeça, fazendo-o quase enlouquecer de tanta raiva. Como aquele homem tinha a coragem de falar daquele jeito com ele? Nunca fora tão humilhado e ofendido em toda a sua vida. Ikki o tratou como um qualquer, lidou com ele como se estivesse lidando com o mais vagabundo dos homens.
Depois do que se passou naquele escritório, Hyoga estava certo de que não seria capaz de continuar trabalhando na Stonehenge. Pediria demissão logo que a boate fechasse e, se pudesse, não cumpriria sequer o aviso prévio; o loiro queria distância daquele lugar, sobretudo de Ikki.
Contudo, durante um dos muitos intervalos que tirou naquela noite, a presença de Shun o surpreendeu.
– Boa noite, Hyoga. Como você está? – o doce jovem o cumprimentou.
– Não muito bem, graças ao seu irmão.
– Estou a par do que aconteceu. – Shun lhe sorriu complacente.
– Então, deve saber que eu poderia processar seu irmão por assédio moral, sexual e muitas outras coisas…
Apesar de irritado, o loiro mantinha a compostura, falando calmamente e sem transparecer absolutamente em nada o quanto estava chateado.
– Hyoga, eu sei que meu irmão pegou pesado e ele também tem total consciência disso, acredite.
O barman permaneceu em silêncio.
– Muito bem. – prosseguiu um sorridente Shun. – Não estou aqui como irmão de Ikki, mas como o advogado do senhor Amamiya. Quero propor uma conversa entre você e meu cliente, senhor Yukida. Eu ficaria extremamente grato se, assim que puder, você nos encontrasse no escritório. – Shun apontou o escritório de Ikki, no segundo andar da boate.
– Se ele for me propor…
– Ele não vai. – Shun foi categórico. – Meu cliente se deixou levar pelo ciúme; sentiu-se frustrado por toda a situação peculiar que vocês dois estão vivendo e não soube medir suas palavras. Eu peço, encarecidamente, que o senhor dê oportunidade para que ele mesmo possa te explicar isso.
– Ikki Amamiya vai me pedir desculpas; é isso o que está dizendo?
– Sim.
Hyoga pensou por um momento, considerando se valeria a pena voltar àquele escritório.
– Ele está completamente apaixonado por você. – Shun voltou a dizer. – Tanto, que mete os pés pelas mãos, faz besteira atrás de besteira, sempre com o intuito de te chamar a atenção, atrair seu olhar ou, até mesmo, seu carinho. Eu sei que o Ikki exagerou esta noite, mas você pode, por favor, dar um desconto a ele? O que ele viu esta manhã não deve ter sido nada fácil. Imagine-se no lugar dele, Hyoga.
Tendo plantado a semente da dúvida na mente do loiro, Shun saiu sem dizer nada mais. Ele havia feito sua parte como advogado e, muito mais do que isso, havia lutado pelo bem de seu irmão. Agora, se Hyoga apareceria no escritório em algum momento, já era outra questão.
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– Ikki, pare de andar de um lado para o outro! – o Amamiya mais novo pediu pela quarta vez, sem sucesso. – Acalme-se um pouco, irmão.
– Eu fui um idiota, Shun.
– Nós dois sabemos disso, mas tentar furar o chão do seu escritório não vai adiantar muito, vai? Senta e espera, o Hyoga vai aparecer.
– Como pode ter tanta certeza? – o moreno finalmente se sentou e passou a encarar seu irmão caçula.
– Eu fiquei com a impressão de que ele viria, só isso. – Shun sorriu.
– Impressão?! Shun, nós não nos baseamos em impressões. Ele demonstrou que viria? Disse alguma coisa que indicasse isso?
– Não, o Hyoga não demonstrou e muito menos disse que viria. Mas, mesmo assim, eu imagino que ele venha. É apenas um palpite, está bem? Não está na hora de você descer e socializar com seus clientes Vips?
– Sim, mas não sinto a menor vontade de fazer isso. – o mais velho soltou um muxoxo.
– Ikki, você não tem que ficar…
Houve uma batida na porta e, antes que qualquer um dos dois pudesse gritar “Entra!”, a porta se abriu e Hyoga surgiu por detrás dela.
– Viu só, Ikki? Meus instintos não falham. – declarou Shun. – Por favor, Hyoga, entre!
Timidamente e sem desviar os olhos do Amamiya mais velho, o barman adentrou a sala e fechou a porta atrás de si.
– Bem… Hyoga, meu cliente tem algo a lhe dizer. Ikki? – Shun intermediou, ao ver que os dois homens passaram mais de um minuto apenas se encarando.
– Hyoga, eu sinto… Eu…
– Você…
– Eu sinto muito pelo que eu disse, não possuía qualquer direito de tratá-lo daquela forma. Perdi a cabeça, simplesmente não… Eu não pude controlar o ciúme. É difícil, sabe? Eu aqui tentando te conquistar, esforçando-me para demonstrar que não sou esse monstro que você imagina, mas permaneço sem receber sequer uma migalha de carinho da sua parte. Já aquele cara, depois de tudo o que fez… – o moreno se calou; não queria citar o nome de Henry, lembrar-se daquele homem o deixava muito mais enraivecido do que poderia controlar.
– Eu e o Henry terminamos. – o loiro se justificou novamente. – Foi para isso o nosso encontro, uma mera conversa para definir o término do namoro.
Ikki bufou, demonstrando sua descrença e Hyoga não prosseguiu com a explicação, apenas cruzou os braços e desviou o olhar, deixando claro seu descontentamento por ser desacreditado.
Shun, mais uma vez, viu a necessidade de intervir:
– Certo, rapazes, é o seguinte: Ikki, você se arrepende do que disse a Hyoga? – o mais velho assentiu com um movimento de cabeça. – Pois então, peça-lhe desculpas com todas as letras.
Ikki hesitou por um instante e, um tanto quanto embaraçado, acatou a ordem de seu irmão.
– Perdão, Hyoga. Eu realmente lamento por minhas palavras e prometo que jamais voltarei a ofendê-lo desse modo.
– Ótimo! – Shun sorriu. – Hyoga? Você perdoa o meu cliente?
– Que isso jamais se repita, ou você levará bem mais do que um soco! – disse o barman, enquanto olhava profundamente nos olhos de Ikki. – Mas, desta vez, você está perdoado. – completou.
– Certo, estou orgulhoso de vocês! – brincou o jovem advogado. – Muito bem, vamos para a parte burocrática disso tudo? Hyoga, você tem conhecimento de que realmente transgrediu uma das cláusulas do contrato, não é? – o loiro abriu a boca para rebater, mas foi impedido por Shun, que prosseguiu. – Calma, não estou contestando o que houve dentro de sua casa, opinar a respeito não cabe a mim e, honestamente, prefiro me manter longe de especulações. Entretanto, mesmo que tenha ocorrido apenas uma conversa entre você e seu namorado…
– Ex-namorado. – o loiro o corrigiu.
– Ah, certo. – Shun continuou a explicar. –Mesmo que tenha ocorrido apenas uma conversa entre você e seu ex-namorado, o contrato que você assinou deixa claro que não poderia haver qualquer espécie de contato entre vocês dois, seja fisicamente ou por algum meio de comunicação. Sendo assim, a regra foi infringida. Concorda?
Hyoga concordou.
– Ótimo. Bem, ainda de acordo com o contrato e como o senhor já bem sabe, senhor Yukida, uma infração como a sua pode ser punida de três formas: a parte prejudicada, ou seja, o senhor Amamiya, pode optar pela quebra do contrato…
– Pule essa parte, Shun. Eu sei muito bem que romper o contrato não é de interesse de seu irmão! – o loiro interrompeu.
– Muito bem, vamos direto ao ponto, então. Hyoga, o Ikki não vai romper o contrato, como você já esperava. Entretanto, eu conversei com ele e chegamos a conclusão de que não devemos, também, deixar sua infração passar em branco; já que sem uma punição, aumentaríamos a possibilidade de você rever Henry. Sendo assim, meu cliente acha que uma indenização caberá bem ao propósito, pois o punirá pela violação da regra e ele se sentirá ressarcido de alguma forma pela cena que presenciou esta manhã.
– Eu não vou dormir com você. Não há contrato no mundo que me obrigue a isso! – o loiro esbravejou, dirigindo-se a Ikki.
– Hyoga, meu cliente… – Shun começou a explicar, mas foi interrompido por Ikki.
– Obrigado, Shun. Mas eu sigo daqui. – o moreno sorriu ao seu doce irmão, com um olhar extremamente agradecido.
– Ok.
Ikki se aproximou do barman, que ainda mantinha uma postura defensiva.
– Loiro, eu prometi que não o ofenderei novamente e pretendo honrar minha palavra. Não quero sexo como compensação, porque não é assim que imagino nossa primeira transa. Porém, não quero retirar seu dinheiro assim, de forma tão mesquinha, sabendo que não preciso dele. – Ikki sorriu de lado, satisfeito quando o loiro simplesmente descruzou os braços.
– E o que você quer, então?
– Oportunidade. – o moreno respondeu. – Eu quero a abolição da regra que me impede de tocá-lo. Claro que respeitarei suas vontades, não forçarei qualquer situação que te desagrade. Quero apenas a permissão para te fazer um carinho, de vez em quando, te abraçar quando formos nos despedir, tocar seus cabelos e rosto, quando você não se incomodar com isso. Não estou pedindo muito, estou?
– E é apenas isso que você quer? – o loiro se surpreendeu com o pedido, mas finalmente começou a relaxar ante a presença do moreno.
– Na verdade, Hyoga, tem outra coisa que eu também gostaria muito…
– Diga.
– Um beijo. – disse Ikki, seus olhos brilhavam tanto que parecia uma criança contando para seus pais o que gostaria de ganhar como presente de natal.
– U-Um beijo? – Hyoga não soube bem o que dizer.
– Um beijo de verdade, sem trapaças. Quero provar o gosto da sua boca, ao menos uma vez.
Hyoga se calou por poucos minutos e Shun achou por bem romper o silêncio para outra explicação.
– Hyoga, essa indenização deve ser de pleno acordo entre ambas as partes. Caso se sinta ofendido ou desconfortável com o que Ikki propôs, você tem o direito de negar.
– Eu aceito. – disse o loiro, corando levemente.
O sorriso que se abriu no rosto de Ikki era um dos mais lindos que Hyoga já tinha visto em sua vida. Tanto, que o loiro já havia esquecido completamente o que ouvira mais cedo.
Shun, que estava ali apenas como testemunha daquele estranho acordo, sentiu-se satisfeito com o fim de sua missão naquela boate.
– Eu preciso ir, mas, qualquer coisa, vocês podem me contatar, certo? – dizendo isso, Shun beijou o rosto de seu irmão e saiu da sala, feliz por finalmente poder retornar ao calor de sua casa, de onde foi retirado pelo telefonema de Ikki.
Depois que Shun saiu, Hyoga ficou um pouco sem graça, mas não deixou que Ikki percebesse seu nervosismo com a situação.
– Ok. Esse é o momento em que você me beija, certo? – disse o loiro com sua frieza característica.
– Não.
– Não? Como assim? Pensei que você quisesse…
– Eu quero. – Ikki se aproximou e tocou levemente o rosto do barman. – Ah, loiro! Você não tem noção do quanto eu quero te beijar… Mas sei esperar pelo momento certo. Façamos assim: esse beijo ficará como um bônus, uma carta que eu posso retirar da manga no momento em que bem entender, sendo que você não poderá negá-lo a mim, certo?
– Certo. – o loiro assentiu, mas, bem em seu íntimo, ficou se perguntando como reagiria se tivesse recebido um beijo de Ikki naquele momento. – Posso voltar ao trabalho, então?
Afagando seus cabelos, o Amamiya concordou, sem esconder a felicidade pelas mudanças no acordo entre eles.
Hyoga saiu e Ikki sentiu-se renovado; ele até ergueu os braços, como se estivesse comemorando um gol de seu time favorito. O Amamiya finalmente havia feito algum progresso, já que obter a permissão para tocar o loiro era, sem dúvida, uma vitória e tanto. Claro, Hyoga parecia bem controlado, tanto que sempre permanecia frio ante sua presença, mas Ikki tinha plena convicção de que toques habilidosos e oportunos poderiam facilmente baixar as defesas do barman. Batendo palmas e tentando conter o grito de felicidade que vinha em sua garganta, o moreno vibrou não só com a promessa de melhores dias, como também com a expectativa daquele beijo que tanto sonhou receber.
Continua…
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