A perseguição durou quase a noite toda, até que os bandidos foram encurralados por Pacjorn e os outros em uma ruela na periferia da cidade. Nitsug pegou uma corda e prendeu Lydia em um pau:

– Matem eles! Matem os três! — Gritou — A espada de Pacjorn será minha!

O grandalhão puxou o machado de guerra, o ruivo desembainhou uma rapieira e Nitsug pegou uma velha adaga. Em resposta, Pacjorn retirou sua espada de chumeritu da bainha enquanto Mikel e Virak puxavam suas espadas longas.

A luta foi sangrenta, e quase no fim, jaziam no chão o ruivo e Virak. Mikel lutava incansavelmente contra o homem de machado que havia matado Virak. Nesse instante, Nitsug, já derrotado, tomou a pobre estalajadeira nos braços e apontou a adaga em sua garganta:

– Nem mais um passo! Ou a vadia morre! — Gritava em desespero — Entendeu? Ela morre!

Pacjorn os olhava, impassível, e Lydia, pedia misericórdia apenas com o olhar. Pacjorn não se deixou abalar e com um olhar frio, traspassou o coração dos dois e deu as costas, sem um pingo de pesar. Àquela altura, Mikel já havia decepado a cabeça do homenzarrão e o olhava perplexo:

– Você tem demência? Não devia ter feito isso! É a décima quinta vez que um membro da guarda real e um civil morrem! E por culpa da sua arrogância!

– Eu dito as regras por aqui, e quero que isso fique claro! — Gritou Pacjorn — Não esqueça que serei teu rei quando meu pai morrer!

– E quero te lembrar que a próxima vez que algum civil morresse por culpa da sua arrogância e de seu egoísmo, teu pai te puniria! E seu pai ainda é rei!

– Ele não vai saber o que aconteceu! Você não contaria para ele!

– Contarei! — Avisou Mikel — Ainda sou capitão da Guarda Real! Posso ser seu guarda-costas e seu amigo, mas sirvo fielmente ao rei!

– Sabe que também será punido não é? — Lembrou Pacjorn — Meu pai avisou-lhe que devia evitar que mais problemas desse tipo ocorressem. Afinal é responsável por mim, não é?

– Eu aguentarei a punição. Assim como espero que você aguente. Não chore ok?

– Cala Boca, quatro olhos.

Mesmo sabendo que no dia seguinte sofreriam punições, os dois riram e foram para suas casas. Enquanto isso, ratos se juntavam entorno dos corpos e um rato gordo arrancava o olho esquerdo de Nitsug.