Ordinary Human

4 Segredos Expostos


Notas iniciais
EU ESTOU VIVA! Eu poderia dar vários motivos por não ter postado nada por alguns longos dias, mas é que a criatividade me deixou sem eira nem beira e não posso dizer que ela voltou, mas pelo menos, consegui escrever minhas 1000 e poucas palavras...

Os guardas chegam naquela manhã empunhando armas de choque e bastões duros como pedra. Em instantes, algemam as minhas mãos e minhas pernas a correntes. Sou empurrada pelo corredor. Sei que o me aguarda, há muito tempo estou esperando por essa sessão. Preparei minha mente para suportar qualquer perda de memoria.

Passamos pelo pátio e não há sol que ilumine o ambiente sombrio. As risadas descontraídas dos guardas vão se isolando nos meus ouvidos, agora só ouço as minhas batidas. Passamos por um corredor, depois por uma porta sem nome, mas que logo reconheci o adesivo vermelho: “Vermelhas para as alas de tratamento” segundo Demitri dissera.

Estremeço ao passar pela porta. Um ambiente totalmente climatizado pelo frio, fazendo meu queixo bater e os dedos doerem no piso gelado. As luzes brancas eram intensas, depois de tanto tempo na luz fraca do CTP, meus olhos lagrimejaram com a claridade de voltar à ala de tratamento impedindo que eu consiga levantar a cabeça sem ficar nauseada.

Sou conduzida para dentro de uma sala sem adesivos na porta. Há uma mesa de aço cravada no chão, assim como suas respectivas cadeiras que são postas frente a frente. Todas as paredes são brancas por inteira, com exceção de uma que tem um espelho retangular na altura de quem esta sentado. Olho para teto e minha visão esta perfeita, nítida ao ponto de perceber que o teto é de vidro, o suficiente para ver uma visão de um céu azul límpido e de poucas nuvens. Sou facilmente distraída por aquele céu que em quase nada se parecia com os dos meus pesadelos. Pela primeira vez, entendi do desespero de Demitri. Não, não estávamos loucos, não enquanto estávamos em busca de liberdade.

–Sou Nora, por favor, sente-se PROJETO 762 – uma voz feminina rouca soou em meus ouvidos me chamando para a realidade. Ela era morena, com lábios carnudos e olhos pequenos, era quase sem cabelo e tinha muitas cicatrizes pelo rosto. Seu corpo era magro, mas seus braços musculosos de uma forma ameaçadora sem ser anormal, estava vestida com calças do exercito e uma camiseta branca. – Sua falta de cooperação resultará em tortura física.

Assenti devagar e me sentei em uma cadeira observando ela se sentar na outra com um relatório em mãos. Seus olhos percorriam o papel com rapidez para vez ou outra olhar para mim. Depois de um interminável silencio ela ajeitou a postura para falar:

–Você foi diagnostica com problemas psicológicos e tendências suicidas. –ela folheou o papel e arqueou a sobrancelha. – Incrivelmente no seu relatório consta que houve um equivoco sua transferência para o CTP, já que: “a mesma não possui transtornos mentais nem pratica atividades que a necessitem de isolação”.

Encostei-me à minha cadeira e observei meu reflexo no espelho. Eu estava imunda, com roupas encardidas e aparência esquelética. Não sabia se estaria forte o suficiente para aguentar as sessões de lavagem mental como Demitri aguentou.

–Ontem durante a noite estudei o seu caso procurando entender os motivos que te levaram a ceder mordomias e forçar uma transferência para o CTP. –suas unhas eram grandes e batiam lentamente na mesa. – Por que PROJETO 762?

Engoli em seco com a sensação de que haviam enfiado um braço pela minha garganta. Como eu mentiria para aquela mulher, que tinha uma expressão traiçoeira, que absorvia meus movimentos e me fuzilava com ameaças não ditas?

–Eu comecei a ter pesadelos e...

–Então me veio à mente... –interrompeu ela sem rodeios para as minhas desculpas. Provavelmente, ela já tinha todas as respostas para as perguntas, mas gostava de me observar cair em seus jogos. – Que o PROJETO 853, também conhecido por Demitri, é um amigo seu. Bom, então vamos a minha hipótese: Com sua imensa curiosidade, algo já diagnosticado no relatório da Doutora Dellauer, você soube que Demitri se lembrava mais do que o necessário. Soube que o mesmo fazia tratamentos mentais, soube tanto e foi tão desesperada que forçou uma transferência para o CTP, curiosamente o mesmo lugar onde o PROJETO 853 estava alojado... Ella não há muitas coisas que se possam esconder por aqui.

O meu nome em sua boca me atingiu como um soco no estomago. Balancei a cabeça negando qualquer possibilidade de confessar. Nora riu e sua voz ecoou na sala e feriu os meus ouvidos.

–Essas são as provas de que você não sairá viva daqui. –ela lançou um bloco de fotos sobre a mesa. Todas elas de mim e de Demetri. Algumas até mesmo dos rabiscos no chão empoeirado. Todos os planos expostos. – Então esse é o momento em que digo sinto muito, sem sentir nada e chamo os guardas para tortura-la.

Levanto da cadeira, mas já é tarde. Não tem nem mesmo para onde correr. A arma de choque acerta minhas costas e eu caio de joelhos. O mundo girando enquanto estou de costas no chão. Vejo o céu pelo vidro no teto. Ele nunca esteve tão distante.

(...)

Meu corpo dói. O ambiente é iluminado por uma luz vermelha, dando um ar sombrio ao lugar. Estou sentada em uma cadeira cravada no chão, com fivelas de aço prendendo meus pulsos, tornozelos e pescoço.

O chão esta molhado e o ar fede a mofo. A principio acho que estou sozinha, mas ouço a respiração chiada de alguém. Ao meu lado esta uma figura esguia. A pouca iluminação impede que eu veja os detalhes do seu rosto. Ele estava na mesma situação que a minha, porém há sangue escorrendo do seu nariz e pingando na roupa. Seus pés estão alguns centímetros longe da agua, como se ele mesmo estivesse os impedindo de tocar.

–Ei... –sussurro com medo de elevar a voz demais e acabar por chamar alguém.

Ele levanta a cabeça e posso reconhecer seu rosto. Eu o vi sendo arrastado pelos guardas ontem. Sua aparência é de quem foi torturado por horas, o cabelo raspado, os cortes na pele, a olheira escura. Ele sorri aliviado e vejo sangue na sua boca.

–Onde estamos? –pergunto baixinho para que só ele ouça.

Quando as palavras começam a brotar em sua boca, ele se engasga com o sangue e começa a convulsionar. Quero gritar por ajuda, mas antes disso, ele cospe algo preto e volta a respirar normalmente.

–Eles estão vindo. –sua voz é rouca e falha, e embora ele tenha falado bem, tenho duvidas se entendi direito. – Vamos morrer!

Seu grito histérico ecoou pela sala e depois de poucos segundo um alarme soou. Tentei inutilmente me soltar da cadeira, o garoto também. O barulho caótico parecia um pressagio para algo ruim. Uma fumaça branca e densa saiu pelos dutos de ventilação e enquanto minha visão escurecia, eu vi homens estranhos com roupas contra contaminação entrarem na sala.

Notas finais
Espero comentários e espero ter a criatividade de volta em breve ^^