Ordem e Caos
2 Parte 2: O Gato e o Lobo
Notas iniciais
A sala explodiu em fumaça.
Zed não soltou Shen, mas girou o corpo o máximo que pôde procurando o responsável pela cortina. Sentiu um impacto do lado do corpo e cambaleou, pego de surpresa. Imediatamente, uma corrente elétrica passou por seu corpo e ele não conseguiu se mexer de imediato.
— Kennen, a arca! — Era a voz de uma garota.
Não.
A arca não.
Ele correu para o altar em tempo de ver um yordle minúsculo agarrar a caixa e levantá-la acima da cabeça. Ao ver Zed, o pequeno jogou uma shuriken em sua direção, e o ninja teve que desviar. Foi a abertura que o yordle precisou para escapar, sumindo na fumaça com uma velocidade surpreendente.
Alguém ia pagar por isso.
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Akali arrancou as shurikens dos braços de Shen com facilidade, libertando-o. Zed havia acertado parte da carne, e os buracos na malha sangravam um pouco, mas fora isso ele parecia bem. Pelo menos estava alerta e conseguia ficar de pé. Sem fazer barulho, os dois começaram a procurar a saída antes que a cortina de fumaça se dissipasse.
Em um momento, Akali corria à sua frente.
No segundo seguinte, ela sumiu, caindo para o lado direito.
Shen não gritou, mas parou de sopetão e aguçou os sentidos, procurando por ela. Zed a havia pegado, tinha certeza, mas se fizesse algum barulho, só pioraria a situação. Ela não gritara, tampouco, o que lhe deu um pouco de orgulho, mas conseguiu ouvir claramente a voz abafada e cheia de ódio de Zed.
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Ele aproximou-se da garota e apontou as lâminas do braço em sua direção, perigosamente perto do rosto dela. Ela se afastou, erguendo as kamas e se preparando para a luta.
Zed não se lembrava da garota. Ela provavelmente tinha entrado depois que ele fora desertado do templo. Ela tinha cabelos escuros, longos e lisos, e parecia ter a mesma idade que ele, talvez um ou dois anos mais nova, embora fosse difícil identificar com metade do rosto escondido. Ela avançou para um ataque com as kamas e ele desviou, deslizando suas lâminas no cabo da arma e controlando o movimento da ninja com o próprio peso. Ela girou o corpo graciosamente e lançou uma adaga na direção de Zed, que teve que se curvar para não ser atingido. A luta continuou, mais confusa e difícil que o normal por causa da fumaça (que parecia não acabar nunca), mas Zed não deixou de se surpreender com a adversária.
Aquilo o estava cansando, porém. Zed invocou suas sombras e as lançou para cima da mulher, seguindo-as.
Ela aparentemente não esperava pelo ataque de Zed. A força das sombras a jogou contra a parede, e suas armas caíram no chão com um estrondo. A fumaça finalmente começou a se dissipar.
— Então você acha que pode se esconder de mim na fumaça e nas sombras, moça? Eu sou a própria sombra, eu vivo nela. Enquanto você a usa como um truque barato, eu a manipulo ao meu bel prazer.
— Você realmente é o monstro que pareceu ser.
— E você não devia ter se colocado no meu caminho.
E golpeou a mulher com força no peito.
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Ou pensou que golpeara.
Um escudo púrpura havia aparado sua lâmina embutida bem na hora do ataque, e ele sentiu o impacto percorrer seu braço. No segundo seguinte, Shen surgiu à sua frente, aplicando um golpe com as duas espadas que Zed aparou por pouquíssimo. Quando foi devolver a gentileza, ouviu um "puf" alto e a sala se encheu de fumaça outra vez.
— Sério? — Ele deixou escapar, frustrado.
Mas não houve um segundo ataque de Shen. Os dois haviam fugido.
— COVARDE! — O grito ecoou pela sala, abafando o som dos passos de Shen e Akali, que saíam desabalados pelo corredor.
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— Eu tinha dito para vocês dois guiarem os novatos para longe do templo. O que fazem aqui? E os alunos? Eles podem...
— Já guiamos eles pra fora antes mesmo de Zed ordenar o ataque.
— ...Ah, é?
— Você confia muito nas pessoas, Shen. Quero dizer, já deu uma olhadinha naquele seu "amigo"? Ele tem cara de coisa ruim! Eu e Kennen preferimos prevenir do que remediar. E se ele veio só para buscar a arca proibida...
— Não foi só pra isso que ele veio.
— Ora, então por que...?
Já haviam saído do templo e corriam pela trilha da floresta que levava ao centro da ordem. A luz da lua iluminou o rosto de Shen e Akali percebeu, a julgar pela expressão do mestre, que ele não queria falar sobre isso.
— Qual o plano de vocês dois?
— Combinei com Kennen de esconder a arca em algum lugar até que o templo estivesse em seguranç...
A voz de Akali sumiu conforme eles entravam no pátio principal. A maioria dos seus colegas jazia morta ou ferida no chão, assim como vários ninjas da facção de Zed. Mas ainda haviam sobrado muitos dos que ele havia trazido, e os ninjas da Ordem remanescentes lutavam cada um contra três ou quatro inimigos de uma vez.
Akali se adiantou para ajudar, mas Shen segurou o braço dela.
— Vai atrás do Kennen e levem a arca para longe daqui. Se Zed não nos alcançou até agora é porque ele decidiu ir atrás do Kennen ao invés de matar a gente, o que significa que ele está correndo um perigo muito maior do que qualquer um de nós. Eu proíbo vocês de sequer pensarem em abrir aquela caixa, entendeu?
— Mas Shen, o templo...
— Akali, isso é importante!
— Mas essa é minha casa, nossa casa!
— Já não há o que fazer por ela!
— Diga isso ao seu pai então!
— MEU PAI SE FOI, AKALI! Ele era o centro de união e ordem daqui, e Zed sabia disso! A primeira coisa que ele fez ao chegar foi...
Ele não conseguiu completar a frase. Akali engoliu em seco, segurando as lágrimas ao compreender. Nunca ouvira a voz de Shen mais alta que um sussurro audível. Pela primeira vez, havia urgência em suas palavras.
E dor.
Mas não podia ser assim.
— Bom, então está na hora de você assumir essa responsabilidade por ele, Shen.
Ele a encarou. A muralha voltara ao seu rosto, embora houvesse um leve traço de dúvida em seu olhar.
Eles olharam para os colegas, ainda lutando bravamente. Akali se adiantou.
— Desculpe, mestre. Mas dessa vez não vou poder seguir suas ordens.
Ela empunhou as kamas.
— Eu tenho uma família para proteger.
Sentiu a mão grande e calejada de seu mentor pousar em seu ombro.
— Nós temos.
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