Ordem dos Cavaleiros - Parte 2
25 Arco Arcádias - O Cruel
Notas iniciais
Dentro da capital, horas antes da quebra do primeiro muro, cerca de 40 pessoas havia desaparecido da catedral de Hitmensu indo para Gilly, eles haviam desertado do governo de Kakros buscando apoio em outra cidade.
— Senhorita Malem, acabei de verificar e só temos combustível para um dia de viagem – explicou um escravo, preso no andador.
— Um dia? SÓ PODEM ESTAR BRINCANDO! OS MISERAVEIS DA CAPITAL NÃO CONSEGUEM NEM COLOCA COMBUSTÍVEL NESSAS MERDAS! – retrucou a nobre, que havia comandando essa deserção.
— Espera senhora... Não está vendo alguém mais a frente? – disse um nobre no mesmo andador, reparando em alguém aparecendo montado em um lagarto do deserto.
— Hã? O veículo da mestra Malem está diminuindo a velocidade- disse um nobre em outro andador.
— Será que ela percebeu que as crianças vieram e quer nos punir? – perguntou a esposa do nobre.
— Não acho que ela reclamaria, quem imaginava que alguns pirralhos conseguiriam roubar um andador só pra fugir da capital? – disse o nobre, reparando em mais um andador que estava atrás dos membros de Sharaf Leh.
Enquanto os Nobres seguiam sua lider, um último andador roubado por crianças nobres, junto de um escravo, seguia os membros de Sharaf Leh buscando fugir da capital.
— Eles estão parando? Será que nos viram? – perguntou uma criança, vendo o andador de Malem diminuindo a velocidade.
— Não se preocupe, Christopher, mesmo se tiverem nos percebido não é motivo pra eles fazerem alguma coisa. Afinal, somos todos da mesma família- disse o amigo do garoto, uma criança otimista.
— Tem razão, Hans, até porque seria impossível nossos pais nos abandonarem na capital, certo? – questionou Christopher.
— Exato... Apesar de que eles nem avisaram que estavam saindo – disse Hans.
— Bom... Isso deve ter sido um teste, certo? Pra testar nossa independência- disse Christopher.
— Bom... Seria a primeira vez que fazem isso – disse Hans.
— Bom... na verdade isso já foi feito antes- reclamou o escravo, que estava dirigindo o veículo.
— Cala a boca! Ninguém te perguntou nada! – reclamou Christopher.
— Calma, Christopher, ele só disse que isso já aconteceu, não fez nada demais – disse Hans.
— Tanto faz... Vou descer lá em baixo e informar todo mundo, fique de olho no escravo – disse Christopher, descendo para a parte de baixo.
— Eu... Sinto muito por ele, sei que você não fez isso por mal, tio Gregory – disse Hans.
— Não se preocupe, eu não ligo quando são crianças – disse o escravo.
— Sério? Por que? – perguntou Hans.
— É simples... Crianças são as únicas coisas que realmente podem mudar com o tempo, podendo ser felizes, gentis e amigáveis – disse o escravo.
— Entendi... Se todos tivessem sido criados por você, acho que seria bem melhor- disse Hans.
— Sabe... Sobrinho, não diga isso na frente dos outros, mas muito obrigado, principalmente por não ter me abandonado em todos esses anos- disse o escravo.
— Não se preocupe... Isso é família, assim que desembarcamos em Gilly, vou deixar de ser nobre e você escravo, assim, você vai poder cuidar de mim – disse Hans otimista, descendo para o andar de baixo e deixando seu tio com um sorriso no rosto.
Na parte de baixo do veículo, encontrava-se cerca de treze crianças nobres, a maioria havia vivido como seus pais, abusando de escravos, buscando sempre mostrar superioridade e jamais se deixando fraquejar, no entanto, mesmo tendo convivido com pessoas podres, eles ainda eram crianças, com medo, vendo seu mundo desabar devido a uma imensa guerra ocorrendo na capital e seus familiares saindo da cidade sem nem mesmo avisar.
— Ei, todos vocês, tenham ânimo, estamos quase alcançando eles — disse Christopher, tentando animar as crianças.
— É verdade? – questionou uma das crianças.
— Olha lá, eles estão diminuindo a velocidade, será que decidiram nos esperar? – perguntou outra criança, olhando pela janela.
— Não é possível, sério? Então eles... Não nos abandonaram lá! Isso é ótimo- disse outro nobre, saltitante e com seu ânimo fazendo com que outras crianças ficassem animadas.
— Vocês... Acreditam mesmo nisso? – retrucou uma garotinha, que estava sozinha num canto.
— Hã? Quem é você ? – disse Christopher.
— Ela... Esta cheirando mal, será que é uma escrava? – questionou uma criança.
— Idiota, as roupas dela são como as nossas – disse outra garota na sala.
— Independente disso, quando entrou aqui? Não me lembro de encontrar você na base secreta – questionou Christopher, se aproximando da garota.
— Eu... entrei aqui depois do leilão de escravos, fugindo da minha família – explicou a garota, que mesmo demonstrando péssimo, era também uma garotinha assustada com o que havia ocorrido no leilão.
— Fugindo? O que aconteceu? Bom... nós estamos indo na direção dos nossos pais, se for conosco, vai acabar encontrando com eles de novo – disse Hans, chegando no andar de baixo.
— Não se preocupe com isso, vou desaparecer assim que chegar do outro lado... Não quero nada com quem abandona sua própria família- disse a garota.
— Ei, espera um pouco... Você estava no leilão, não estava? Estou reconhecendo esse corte de cabelo, você é a Mayu Bivalvan – disse Christopher, reconhecendo a irmã de Brion.
— Quem? – questionou uma das crianças.
— Ninguém importante, uma amiga nossa, não é Christopher? – disse Hans, tapando a boca de seu amigo, buscando proteger a identidade da garota.
— Sério? – questionou uma garotinha.
— Ora, seu... Sim, ela é uma conhecida nossa – disse Christopher, entendendo que Hans não queria que as outras crianças irritassem mayu pelas ações de deu irmão.
A irmã de Brion, estava totalmente desiludida com a nobreza, principalmente devido aos recentes ocorridos no leilão. Dentro do veículo, os garotos levaram a irmã de Brion para um canto perto de uma janela.
— Você nos deve uma – reclamou Christopher.
— Não — retrucou Mayu.
— Hã? Ora sua... Qual a sua idade? Eu tenho 10, não pode agir assim com os mais velhos – reclamou Christopher.
— Tenho 8 e não ligo – reclamou a garota.
Há? – reclamou Christopher.
— Calma pessoal, relaxem! Eu tenho 11 anos, sou Hans Scale e esse é meu amigo Christopher Jugi, não precisamos brigar, temos o mesmo objetivo, então pode ficar tranquila- disse o garoto.
— Prazer, Mayu Bivalvan – disse a garota.
— Perfeito... esta mais tranquila? – questionou Hans.
— Tranquila? Eu estou... apenas com pena daqueles que acham que seus pais estão esperando por vocês mais a frente – disse a garota.
— Ei, só porque seus pais são ruins, não quer dizer que todos sejam. Não basta seu irmão ser um esquisito que não falava com ninguém atrapalhar o leilão. – reclamou Christopher.
— Hã? Quem é você pra reclamar do meu maninho? – retrucou Mayu.
— Acalmem-se, como eu disse, temos o mesmo objetivo... sair da capital, até conseguirmos, sem brigas, fui claro? – reclamou Hans, acabando com a discussão.
— Entendi... Ok – disse Mayu, ainda irritada com as palavras do amigo de Hans.
— Ok – disse Christopher.
— Ótimo.. Agora vamos todos subir, parece que todos pararam mais a frente- disse Hans, que havia reparado que os veículos a frente tinham parado enquanto descia para o andar de baixo.- Sério? Vamos lá! Quero ver a minha mãe – disse Christopher.
— Não se anime muito- disse Mayu.- Cale-se! Você vai ver, eles estão nos esperando – disse Christopher. O garoto correu para a escada, subiu para a parte de cima do andador, buscando reparar no ambiente ao redor. Ele olhou para todos os lados, com um sorriso inocente, porém, essa expressão de felicidade caiu do rosto de Christopher minutos depois junto a imensa quantidade de sangue vinda do primeiro andador, junto de um inimigo desconhecido carregando várias cabeças.
— Isso... Não pode estar acontecendo – disse Gregory, tremendo de medo.
— Ei, Christopher, não tão... O que esta acontecendo? Ei, quem é aquele cara? – perguntou Hans, reparando em alguns corpos no andador daa líder Malem e um inimigo desconhecido.
— Isso... Não é possível- retrucou Mayu, que havia acabado de subir.- Há? Você conhece ele? – perguntou Hans, tentando reanimar Christopher, que não estava se mexendo.
— Aquele símbolo na armadura dele... Eu já vi ele antes, em um mendigo que vi no caminho da capital, aquele é o brasão da República Del Leone, como não reconheci antes? – explicou Mayu, relembrando de um breve momento em que viu um emblema na parte de dentro da capa do mendigo.
— República? Armadura de ouro... Cego, isso não é possível? – disse Hans.
— Não, não, não, não! Isso é impossível... Nagato Kisuke, não pode ser ele! Se for estamos todos mortos! – retrucou Christopher.
— Senhor Gregory, mexa o andador! DEPRESSA! NÃO PODEMOS DEIXAR ELE CHEGAR AQUI! – disse Hans, mesmo vendo o estado perplexo que estava seu tio, vendo pela primeira vez um nobre morto.
— E Eu já tentei! Todos foram desligados, os comunicadores também não estão funcionando – disse o escravo, enquanto gaguejava.
— FIQUEM QUIETOS! SE ESCONDAM! – disse Mayu, baixando as cabeças de todos na sala de controle. Em meio a total desespero, Hans, rastejando desceu para o andar de baixo para avisar as outras crianças, todos ficaram abismados com o que estava acontecendo, o general apelidado de Nagato “O cruel”, que assim ficou conhecido pelos imensos massacres dentro dos campos de batalha, estava em meio aos andadores, junto da cabeça de três nobres que estavam no primeiro andador.
— Parece que o aparelho do caçador de recompensas já foi ativado, espero que ele lembre a hora que pedi para reativar... Bom, Homens, mulheres e crianças de Sharaf Leh, espero que estejam todos bem humorados – disse Nagato, reparando nas comunicações cortadas e passando entre os andadores.
— Como ele? – questionou um nobre, reparando que seu veículo não se mexe.
— Granadas de drenagem de energia, nunca ande sem uma – respondeu Nagato em tom de debate.
— Esse miserável! – retrucou uma nobre, enquanto se escondia.
— Apesar do horror que é ver as cabeças de seus amigos, espero que não me levem a mal, esses aqui ficavam apenas gritando feito loucos, tentaram me matar e fim da história... Não se preocupem, tenho algo muito pior pensado para todos vocês – disse Nagato, enquanto seus reforços chegaram.
Cerca de quatrocentos soldados republicanos chegaram ao local, eles haviam sido enviados pela tenente Jin Castle logo depois de seu plano com a sacerdotisa Kyoukai, eles se uniram ao cavaleiro e começaram a atacar os andadores, capturando todos aqueles que estavam se escondendo dentro dos veículos.
— Isso é ruim – disse Gregory, que correu para avisar as crianças, que aproveitaram a falta de energia para se esconder no andar de baixo sem luz.
— O que aconteceu? – perguntou Mayu, que estava escondida entre outras garotas.
— ABRAM A ESCOTILHA! CORRAM POR SUAS VIDAS! OS SEUS PAIS FORAM CAPTURADOS PELA REPÚBLICA! É O NAGATO KISUKE! CORRAM! — gritou o escravo.
— Isso... Não pode estar acontecendo – disse Christopher.
— Mas que droga! Deve ter uma saída! Talvez se formos rápidos — pensou Hans, abrindo a escotilha, mas sendo cercado por soldados republicanos.
— Eles... já chegaram até aqui? – perguntou Hans, enquanto olhava para trás e via o olhar de medo em todos aqueles que estavam em seu andador.
— Ora, ora, parece que frutas realmente não caem longe da árvore... Levem todos – disse o general.
— Isso... E assim que é um demônio? – questionou Christopher, reparando naquele homem.
— Não... Assim como todo merda que esta nessa galáxia, sou apenas humano! Agora, com tudo esclarecido, vou levar todos para um passeio! Levem eles – ordenou o cavaleiro.
Os soldados seguiram as ordens do ex aprendiz de Caspian, destruíram os andadores e levaram todos os reféns para fazer seu próprio plano contra o Lorde de Arcádias.
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