Notas iniciais
Oi pra todo mundo!

Olha eu aqui com mais uma fic, desta vez é uma one-shot! Eu particularmente gostei muito de escrever, acho o desenho "Dick Vigarista e Muttley" muito divertido e deu vontade de escrever algo. Não é nada pretensioso, só mesmo para diversão. Foi gostoso de escrever, o meu maior desafio foi escrever as falas estrebuchadas do Klunk, que ninguém entende, a não ser o Zilly... E, claro, me diverti com o Dick Vigarista com aquele jeitão mandão e o Muttley sendo troll. Enfim, foi divertido escrever esta fic.

Espero que gostem e se divirtam como me diverti escrevendo!

Boa leitura a todos!

Mais um dia amanheceu com o céu parcialmente nublado, e a intrépida Esquadrilha Abutre, logo que avistou o pombo-correio Doodle, decolou. O quarteto formado por Dick Vigarista, Zilly, Klunk e pelo cachorro Muttley se escondeu dentro de uma nuvem espessa, apenas esperando o pombo passar e, assim, executarem mais um ambicioso plano para sua captura.

Nisso, soou o toque do telefone de modelo antigo, que foi logo atendido pelo líder da Esquadrilha:

― Alô? Ah, é o senhor, General?

Como resposta do outro lado da linha, uma série de berros do interlocutor entrou como enxurrada nos ouvidos de Dick Vigarista, que respondeu:

― Ainda não pegamos o pombo, mas vamos pegá-lo com um novo plano, e... – foi interrompido pelos berros do General do outro lado, chegando a afastar o fone do ouvido. – Sim, General, já entendi, e... – mais uma enxurrada de berros e uma mão saiu do telefone, para puxar o nariz do líder da Esquadrilha, que encerrou a ligação e resmungou de forma ininteligível, de tanta raiva de seu superior.

Era sempre assim... A cada tentativa de pegar aquele maldito pombo, um clamoroso fracasso e, claro, as cobranças e broncas do General. Também, pudera! Estava liderando um bando de mentecaptos!

Mas... Já que os liderava, era aturá-los.

― Klunk, qual é a sua ideia genial desta vez? Não vejo qualquer mudança nos nossos aviões!

― Chefe – Klunk respondeu. – Eu PRUUUUU GLUGLUGLU WIWIWIWIWIWI botão no OEAIAUO BZZZZZT e PRRRRRRRI FIIIIIIIIU BRRRRRRRRRRRRR PRRRRRRRRRRAAAAAU pombo!

Toda vez que Dick perguntava a Klunk sobre suas invenções, batia o maior arrependimento a cada resposta! NINGUÉM entendia absolutamente NADA do que ele dizia! Ninguém, à exceção de Zilly...

― O que foi que ele disse? O que foi que ele disse?

Zilly, o mais covarde da Esquadrilha Abutre – e talvez o mais covarde do mundo inteiro – respondeu com sua voz trêmula:

― E-ele disse que instalou um botão no painel dos aviões, para acionar gás nitrogênio, que congelará o pombo, quando o cercarmos e assim nós o pegamos...

― Até que você faz boas invenções de vez em quando, Klunk – Dick disse pensativo.

― Obrigado SFOT POC.

Uma luneta saiu da nuvem e viu o pombo passando velozmente. O objeto logo se recolheu e Dick Vigarista ordenou:

― Vamos, homens! Em formação! Precisamos pegar esse pombo!

Velozmente, os quatro aviões saíram da nuvem. O quarteto começou a voar ao redor da ave, que não parava de bater suas asas, embora não pudesse seguir seu caminho. A um comando do líder, os quatro aviadores acionaram o botão dos painéis de seus respectivos aviões, fazendo com que saísse deles um cano, que disparou um jato de gás. Porém, Doodle voou para o alto, deixando que os quatro aviadores da Esquadrilha Abutre acertassem um ao outro e, assim, viraram quatro grandes cubos de gelo.

E, assim, a gravidade exerceu seu papel, atraindo os quatro aviadores congelados para o chão, fazendo nele quatro buracos.

― Raios! Raios duplos! – Dick Vigarista exclamou, de dentro do buraco.

E o pombo? Bem, ele conseguiu entregar a sua primeira mensagem secreta do dia apesar da tentativa de interferência da Esquadrilha Abutre.

*

― Alô? – Dick atendia mais uma vez ao telefone, ouvindo os berros de seu interlocutor e o respondendo. – Ah, é o senhor, General! Não, ainda não pegamos o pombo. Não se preocupe, estamos bolando um novo plano para isso! Pode ficar tranquilo!

Ao fim do telefonema, o líder da Esquadrilha Abutre colocou o telefone sobre a escrivaninha e encarou os dois homens e o cachorro à sua frente. Por fim, seu olhar deteve-se no homem mais baixo, cujos olhos eram cobertos pelos cabelos escuros.

― Muito bem, Klunk – ele disse. – Você tem um novo plano para capturar aquele pombo, não tem?

― PUF, TZZ, tenho. – o inventor da Esquadrilha respondeu.

Klunk colocou sobre a escrivaninha uma pequena caixa na cor rosa, sob o olhar intrigado de Dick Vigarista, que não perdeu tempo em questionar:

― O que é isso?

― Abra, PFFF, e PRUU, PRUU, PRUU, veja, chefe.

Ainda intrigado, Dick abriu a caixa e fuzilou Klunk com o olhar:

― Pra que vamos querer a réplica de um pombo-correio no plano?

― É uma PRUUUUU pomba-robô, chefe.

― E onde essa pomba-robô entra no plano, Klunk? – Dick não escondia sua impaciência.

Klunk, paciente, começou a explicar com seus típicos trejeitos:

― A pomba é para WAWAWA BLLLRRRR PRRRRRRUUU FIIIIIIIIII AAAAAAAAAAAA PRAAAAU UUUUUH BLUBLUBLU, e aí depois WAWAWA AAAAAAAAAAAA PRAAAAAAAAAAAU PRUU pombo!

Dick Vigarista e Muttley encararam Zilly:

― O que foi que ele disse? O que foi que ele disse?

O homem de casaco amarelo traduziu:

― E-ele disse que a pomba é para servir de isca para o pombo, que vai se apaixonar por ela e aí depois vai ser levado a uma armadilha, e assim pegamos o pombo!

― É... – o líder da Esquadrilha Abutre coçou o queixo e ponderou. – Até que é uma ideia interessante. Vamos, homens! Vamos pegar aquele pombo!

*

Mais uma vez os aviões da infame Esquadrilha Abutre cortavam os céus, com o intuito de cumprir uma missão que parecia cada vez mais difícil a cada tentativa: capturar o pombo-correio Doodle. Entretanto, o quarteto não desistia, principalmente porque estavam prestes a executar a “Operação Cupido”.

― Pronto PRUU Muttley? – Klunk perguntou.

O cão, com uma caixa rosa nas mãos, resmungou afirmativamente.

― Iniciando WAWAWA a “Operação PRUU Cupido”!

Muttley abriu a caixa, libertando a pomba-robô que o inventor havia construído. A pomba, que portava uma bolsa e usava um gorro rosa, semelhante ao do pombo-correio, voava rápido e alcançava Doodle, como se fugisse de Klunk, Muttley e Zilly. E, como esperado, Doodle se encantou pela pombinha que voava rapidamente e acelerou o bater de asas para alcança-la. Voavam rapidamente, até que surgiu, na frente de ambos, uma caixa.

― Isso, pombinhos, venham... – Dick Vigarista disse após gargalhar com a sensação de uma vitória próxima, enquanto pilotava seu avião, no qual estava pendurada a caixa que prenderia o pombo-correio. – Venham para o papai aqui...!

Ao contrário do esperado, as duas aves não frearam. A pomba-robô passou a toda velocidade, fazendo um buraco na caixa, o que permitiu que Doodle passasse por ele e fosse embora. E, como desgraça pouca é bobagem...

― OH, NÃO!! – o líder da Esquadrilha exclamou ao se ver em rota de colisão com os outros três aviões.

E, claro, a colisão foi inevitável e, enquanto Klunk e Zilly abriam seus paraquedas, Dick Vigarista já estava em queda livre:

― MUTTLEY! FAÇA ALGUMA COISA!

Não demorou para que Muttley aparecesse voando graças ao fato de usar sua cauda como hélice e fizesse seu pedido resmungado de praxe:

― Medalha, medalha, medalha!

― Está bem! – Dick respondeu sem alternativa e, enquanto tinha uma vã esperança de não se esborrachar no chão, abria o casaco e colocava uma medalha no peito do cão. – Está aqui a sua medalha!

Tão logo sentiu a medalha presa em seus pelos, Muttley entrou num estado de êxtase, flutuando no ar e abanando o rabo todo feliz. Porém, ao ouvir o som de algo indo ao chão, percebeu que Dick Vigarista havia aterrissado da forma mais dolorosa possível, abrindo um buraco, de onde exclamou:

― RAIOS! RAIOS DUPLOS!

Logo acima dele, Muttley começou a rir, mas sentiu que lhe arrancavam a medalha.

― ME DEVOLVE A MEDALHA, SEU VIRA-LATA!

E, assim, Muttley só podia resmungar de frustração por ter a medalha, conseguida com seu esforço e uma dose de persuasão, arrancada impiedosamente por Dick.

Da próxima vez que o Vigarista fizesse isso, ele o morderia... Ah, se morderia!

Ninguém arrancava suas medalhas sem levar o troco!

*

O pombo-correio Doodle novamente estava a caminho de levar uma nova mensagem secreta, e cortava os ares de forma veloz. Em seu encalço, estava um avião marrom, em cujas asas recobertas de grama estava uma árvore, com seus galhos abertos como se um deles segurasse um ninho. A árvore em questão era ninguém menos que Dick Vigarista fantasiado...

... E que estava simplesmente odiando aquela desconfortável fantasia de árvore, com folhas acima de sua cabeça, e “vestia” um tronco, em cujo buraco estava seu rosto.

― Por que mesmo EU tenho que estar com essa fantasia idiota?!

― P-porque é a pessoa mais corajosa, chefe! – Zilly respondeu.

― Porque PLIC, PLIC é o seu PRUU tamanho, chefe. – Klunk complementou enquanto Muttley concordou.

― Deixe-me recapitular esse plano absurdo... – Dick disse. – Eu fico plantado na asa do avião, segurando um ninho? Está esperando mesmo que eu fique HORAS SEGURANDO UM NINHO, KLUNK? É ISSO MESMO, SEU CÉREBRO DE PASSARINHO?

― Muttley, POC ZIIIMMM... Traga a pomba!

Muttley começou a andar por sobre a asa recoberta de grama do avião todo marrom e depositou a pomba-robô no ninho que Dick Vigarista segurava com a mão direita. Voltou ao seu lugar e ouviu o líder da esquadrilha questionar, ainda mais irritado:

― E agora, Klunk, seu mentecapto? O que essa pomba está fazendo aqui? Me explica logo esse plano!

Mais uma vez, Klunk explanou sobre a “Operação Ninho de Amor” com todos os trejeitos e sons que faziam com que seu discurso fosse ininteligível. Coube a Zilly traduzir tudo, que o plano basicamente consistia em Dick ficar literalmente plantado como uma árvore, esperando Doodle ver a pomba no ninho e ficar nele fazendo companhia a ela. E, assim que o pombo-correio acomodasse... Finalmente, o pegariam!

O que consolava Dick Vigarista nesse momento era a esperança de que o plano absurdo de Klunk desse certo apesar de tudo. E, mesmo numa situação ridícula, ele não iria se acovardar! Ele, Richard Milhous Dastardly, não iria desistir enquanto não cumprisse a missão ingrata de pegar aquele pombo!

Mesmo que tivesse que usar uma fantasia ridícula de árvore e ficar plantado como tal!

Além de Dick, Klunk e Muttley estavam de apoio, caso o líder da Esquadrilha não conseguisse pegar o pombo. Ambos estavam munidos de redes, para evitar que Doodle fugisse, enquanto Zilly pilotava o avião.

E, como esperado, Doodle foi alcançado e percebeu o ninho, no qual estava a pombinha que servia como isca. E, claro, o pombo-correio, que estava cansado das extenuantes e sucessivas viagens para levar mensagens secretas, se acomodou em um dos galhos – o braço direito de Dick Vigarista – para descansar.

Raios! Por que o pombo não ficou no ninho?!

Dick sacudiu o braço, na tentativa de obrigar o pombo-correio a ir ao ninho-armadilha, porém, sem sucesso. O pombo saía, mas logo voltava ao mesmo lugar. Foi quando resolveu tentar pegar o pombo com as mãos.

― Klunk, Muttley, joguem as redes! – ele ordenou.

O inventor e o cão jogaram as redes, mas elas caíram em Dick Vigarista, que se enrolou todo e começou a desequilibrar. Para piorar, o pombo-correio soprou a corneta bem no ouvido do líder da Esquadrilha Abutre e saiu voando para prosseguir sua viagem. Com a confusão toda, Zilly começou a tremer de medo e terminou de derrubar seu superior, que, de costume, gritou:

― MUTTLEY, FAÇA ALGUMA COISA!

Muttley, claro, se aproximou dele com seu pedido habitual, enquanto o segurava pelas calças com os dentes:

― Medalha, medalha, medalha!

― Não tem medalha pra você, seu vira-lata mercenário!

Muttley pendurou Dick em uma árvore após resmungar frustrado e indignado pela negativa que recebera e seguiu seu voo, usando sua cauda como hélice.

― VOLTA AQUI, SEU VIRA-LATA MENTECAPTO, OU VAI FICAR UM MÊS NA CASINHA DE CACHORRO!

De nada adiantaram as ameaças, pois Muttley estava longe. Se quisesse voltar ao hangar do QG da Esquadrilha Abutre, teria que arranjar um jeito de descer e voltar a pé.

― Raios! Raios duplos! Raios triplos! – exclamou, sozinho e pendurado na árvore enquanto o dia declinava.

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