Oque vem depois?
1 Um anjo caido
Notas iniciais
Esta vizinhança sempre foi tão pacata, Tão quieta, Tão... sem graça. Eu vivia pensando sozinho, por quanto tempo seria assim, minha mãe dizia que nada é para sempre, que tudo muda algum dia...
Realmente tudo muda algum dia...
A vizinha tem um filho Daniel, ele tem 16 anos, ele é bem estranho, sempre quieto, nunca fala com ninguém, as pessoas não gostam dele, acham ele estranho... Ele nem sempre foi assim, teve uma época em que ele era legal, nunca foi de falar muito, mas ele era divertido... quando mesmo que ele ficou assim? Ah, eu me lembrei....
O pai (Gabriel) e o filho (Daniel), estavam na sala, em uma segunda-feira assistindo a um filme, todos estavam com um olhar fixo na TV, eles amavam aquilo, achavam muito bom poder ver filmes em casa, amavam ficção, Gabriel o pai era o mais "viciado" ele amava imitar frases de filmes.
–"Nós realmente precisamos nos esconder?"
Diz Gabriel com um olhar alegre.
Daniel olha para seu pai com um enorme sorriso de alegria.
A mãe de Daniel (Cida), era uma dentista mal sucedida, sempre com raiva, nunca sorria, ela era louca! Eu nunca olhava diretamente para seus olhos, era como olhar para um lugar sem vida, só havia ódio em seu olhar, ela estava sempre arrumando a casa, e odiava filmes, nunca foi perigosa, mas sempre arrumava confusão.
A Cida chega na sala vê e aquela cena dos dois vendo TV e diz.
–o que estão fazendo ai?
Eles a olham assustados.
–Gabriel vc é um vagabundo! E quer que seu filho fique assim também? Vai arrumar o que fazer, seu merda!
Ela pega no braço de Daniel e o leva para o quarto.
Cida olha pra ele furiosa.
–fique ai moleque, Se você sair eu acabo com vc!
Ele a olha assustado, ela desce as escadas e começa a brigar com Gabriel, ficaram assim por um tempo, Daniel ouve tudo pela porta, fica assustado, pensando sobre o que acontecia lá embaixo, os gritos ficam mais altos, e de repente acabam...
Gabriel tinha saído da casa, ele nunca foi de brigar, sempre saia da casa e ia pra minha falar com meu pai, eu estava na sala quando ele chegou, vi ele e meu pai conversando, mas logo sai para a escola, nunca fui de ouvir as conversas deles.
Chegando na escola, me deparo com o Daniel olhando para uma arvore e chorando, eu nem perguntei o que houve, pois já sabia o que era, cheguei perto dele e dei um leve sorriso, como quem dizia "vai ficar tudo bem", ele olhou pra mim com uma cara estranha, e entrou na escola sem falar nada, fiquei meio sem graça pois percebi que dessa vez a briga foi pior, tinha acontecido mais do que pensei, entrei na escola sentei logo no fundo e observei ele na frente com a cabeça abaixa, ele não tinha parado de chorar.
A professora continua explicando a matéria, ele ficou as três aulas assim. O sinal do intervalo toca, todos levantam correndo, Daniel fica la por um tempo, esperando que todos tenham saído da sala para então sair também, ele se levanta bem devagar e desce pro pátio lentamente, se senta em um canto isolado e fica quieto, eu já estava me sentindo um stalker dele, eu estava tão preocupado que ficava olhando tudo o que ele fazia, até que uma menina (Giovana) chega pra conversar com ele, ela senta ao seu lado com vários salgados e oferece a ele, ele a olha por um tempo, ela insiste, ele fica com raiva, levanta e joga os salgados no chão gritando com ela.
–Giovana vc é um vagabunda! E quer que todo mundo fique assim também? Vai arrumar o que fazer, sua merda!
Todo mundo da escola parou e começou a olhar para eles, eu senti uma dó dela, mas não me movimentei, tinha medo dele se enfurecer.
O sinal do termino do intervalo toca e todos sobem lentamente, e de novo ele estava parado esperando que todos subam, chego na sala e sento no mesmo local, olho para a porta esperando ele aparecer, ele chega se senta próximo a janela, e abaixa cabeça chorando.
A professora entra na sala e vê essa situação e pergunta.
–o que houve Dani?
Daniel a olhou com uma cara de raiva e deu um berro.
–Vai embora! Me deixe em paz sua...
Antes de terminar de falar ele levantou empurrando a mesa, e saiu da sala com muita raiva, eu fiquei assustado, levantei logo em seguida, fui atrás dele, procurei ele pela escola toda, mas não o achava, subia e descia as escadas a procura dele, até que resolvi perguntar na secretaria.
–licença vocês viram um menino alto, negro, com roupas meio sujas?
Uma faxineira responde.
–sim ele estava lá fora perto do parquinho das crianças.
Olho pra ela com um olhar de gratidão e me viro, vou caminhando em direção ao parque, passo pelo pátio para ir até lá e vejo a cozinha aberta, continuo andando e chego lá e vejo ele abaixado no chão, ele estava mexendo as mãos de um modo estranho, fui me aproximando dele aos poucos, tentando fazer o mínimo barulho possível, e vejo que ele estava mexendo com um pombo morto, fiquei assustado com a cena, o corpo do animal estava separado de sua cabeça, ele mexia com aquilo como se fosse um brinquedo, não aguentei olhar pra aquilo.
Ele olhou pra mim e disse.
–Oi... Esse pombo estava comendo resto de comidas, eu peguei uma faca da cozinha e....
Antes dele terminar de falar eu dei um berro...
...Continua...
Fale com o autor