Notas iniciais
Desculpem a demora, mas aqui está. Espero que goste! All the love Fairy-san

—Então o senhor derrubou a senhorita McGarden, fazendo-a estragar o uniforme. –O diretor encarava Gajeel Redfox profundamente.

Makarov era um senhor, cabelos brancos e um bigode cheio. Era muito baixo, principalmente perto do jovem que tinha bons um metro e oitenta, mas nunca houve uma única fada a desafia-lo. Todo o respeitava profundamente e, principalmente, o admirava.

—Eu já disse, não derrubei aquela baixinha. Ela tropeçou nos próprios pés!

—Eu vi você lá, estava parado rindo enquanto Levy juntava o material que caiu com o tombo. –Mirajane repetiu. Era visível que estava chateada com Gajeel, ela repudiava bulliyng e já estava cansada de ver os alunos cabisbaixos com tudo o que o garoto lhes fazia.

—Você sabe quantas reclamações recebemos semanalmente de alunos e pais a seu respeito? Você é um ótimo aluno, apesar de tudo. Suas notas são boas, seu comportamento DENTRO da sala de aula é neutro e sempre colabora com os professores. Ah! E apesar de implicar com os colegas, nunca houve nenhum dano físico. Esses são os únicos motivos pelo qual nunca te expulsamos. Agora, provocar a queda de uma aluna é inaceitável, Gajeel. –Makarov sentou-se em sua cadeira e massageou as têmporas tentando pensar em que fazer.

—Eu juro que não toquei nela, nem disse nada que pudesse tê-la feito cair! Eu juro pelo nome de meu pai! –Falou já exasperado. Não queria mesmo ser expulso dessa escola –Pergunte para a baixinha, ela vai confirmar o que estou dizendo!

O diretor voltou a olhar para o aluno, queria enxergar alguma mentira em seus olhos. Eram duros e frios, como os do pai Metalicana, mas passavam sinceridade. Claro, teria que falar com Levy no dia seguinte para ter certeza, mas até então Gajeel não seria responsabilizado pela queda.

—Gajeel, vou te dar um voto de confiança. Você não sofrerá punição pelo acidente envolvendo Levy, PORÉM você deve comprar um uniforme novo como pedido de desculpas.

—Como é que é? –Gajeel se exaltou. -Dar um uniforme novo para aquela baixinha? Por que vou ter que fazer isso? Achei que eu não fosse culpado!

—Você pode não a ter derrubado, mas, como Mirajane relatou, você viu toda a cena e decidiu ficar parado rindo. É isso mesmo, Mirajane?

-Correto, mestre. –disse a mulher sorrindo docemente.

—É isso ou uma suspensão. –O senhor cruzou os braços e se recostou.

Gajeel engoliu em seco e negou levemente com a cabeça. Levantou e agarrou a bolsa que estava caída de qualquer jeito no chão. Colocou-a no ombro e foi caminhando até a porta, pronto para ir embora.

—Tá, liga para a Kinana e pede para ela separar o uniforme que passo para pegar daqui 5 minutos. -E saiu.

Mirajane respirou fundo e se sentou onde o garoto estava anteriormente. Ajeitou o vestido vermelho e sorriu para Makarov que anotava qualquer coisa em seu caderno.

—Eu espero que ele não queira se vingar de Levy por tê-lo mandado para a diretoria.

—Ele não fara isso. Sinto que Gajeel até gosta das pessoas, é mais como uma máscara que usa para passar essa imagem de durão. O pai era igual.

—Metalicana estudou aqui? –Perguntou curiosa, os alhos azuis brilhavam.

—Sim, vários dos pais de nossos alunos estudaram aqui.

—Entendo. Eu também gostaria que, no futuro, meu filho viesse a estudar aqui. A Fairy Tail é o melhor lugar do mundo para mim.

—Fico feliz em ouvir isso, minha filha.

.....

Gajeel estava aliviado. Não seria expulso e o uniforme não era tão caro, mas era uma palhaçada que fosse acusado de tudo de ruim que acontecia com os idiotas daquela escola. Claro, as vezes tinha mão dele no meio, mas muitas vezes só sua presença no mesmo ambiente o fazia responsável das coisas. Era o preço a ser pago por ser tão mal-humorado e briguento, pelo menos em sua cabeça era a única explicação.

—Kinana, cadê o uniforme? –Gritou quando chegou a sala da secretária para pegar o uniforme novo da baixinha.

—Para de gritar, Gajeel. Eu estou aqui do lado e consigo te ouvir perfeitamente!

A mulher de cabelos curtos e roxos apareceu com um conjunto cinza e rosa nos braços. A marca registrada do colégio Fairy Tail, já que uniformes de cor tão diferente assim não era comum. As fadas eram reconhecidas de longe.

—Me diz, por que você precisa de um uniforme feminino? –Olhou-o no fundo dos olhos com um sorriso divertido nos lábios – Está atormentando alguma garota agora? Isso é bem baixo, até pra você.

—Eu NÃO toquei naquela garota! Ela tropeçou nos próprios pés e caiu! Porque é tão difícil acreditar nisso? –Gajeel já estava irritado com toda a situação. Podia não ser um cara legal como o Dragneel, nem tão “encantador” quanto o Fullbuster, mas jamais tocaria em uma garota para fazer mal. Muito menos a uma que tinha metade de sua altura, quase uma criança.

—Levy McGarden. Este é o nome daquela garota. –Kinana sentou-se arrumando o vestido verde. –Eu supus que você não fez nada, até porque se tivesse feito nem estaria aqui e sim no olho da rua. Ela é uma das melhores alunas dessa escola, se nos basearmos só em suas notas é possível dizer que terá um futuro grandioso, afinal é uma aluna grandiosa. Você devia tentar ser mais como ela.

—Eu sou bom no que gosto de fazer. –Gajeel cruzou os braços e deu de ombros – Eu só não me esforço tanto.

—Sabemos. Agora, vá! Tenho muita coisa para organizar, não dá para ficar conversando.

—Você é bem grossa, não é?

—Sou realista. -Kinana começou a tatear embaixo de sua mesa buscando o botão que destravava o portão principal, liberaria Gajeel mais cedo. Ordens do diretor. — Pode ir, o mestre liberou sua saída. Vá para a casa e tome um chazinho para dar uma relaxada. Seus ombros parecem tensos.

Quando Gajeel alcançou a calçada notou as nuvens pretas e pesadas acima da cabeça. O olfato se preencheu com o cheiro de chuva que já caia em algum lugar próximo. Reclamou baixinho pensando que ia ter que andar bem rápido para tentar escapar. Se não estivesse de castigo e tivesse sua moto chegaria rapidinho em casa.

Colocou-se a andar e guardou o uniforme novo, ainda no plástico, na bolsa. Aquele bairro não era muito movimentado, principalmente no horário em que estava saindo. Havia apenas alguns comércios familiares e pessoas aleatórias indo de um lado para o outro como formigas. Já que chegaria cedo, decidiu comprar algo em uma pequena padaria para comer em casa enquanto jogava mais uma partida de Overwatch.

Era aconchegante, com um aroma de chá que Gajeel costumava dizer que lembrava a casa da obasan. Se aproximou do balcão e pediu por alguns pãezinhos anpan que pareciam muito saborosos. Pagou e logo estava voltando para seu percurso enquanto ouvia um relâmpago ou outro soar bem alto. Limitava-se a fazer o caminho que sabia de cabeça enquanto mexia no celular. Queria achar a rede social daquela baixinha e mandar uma mensagem cobrando-a sobre uma explicação ao Makarov. Foi quando uma gotinha safada caiu bem no meio da tela.

Gajeel rosnou baixinho.

—Claro que choveria no meio do caminho –olhou para cima encarando o céu cinzento- não dá pra piorar, né?

Um raio cortou o céu, e na mesma hora a chuva engrossou. As pessoas começaram a correr atrás de um lugar para se esconder ou então abriam seus guarda-chuvas e continuavam bem feliz por aí. Gajeel fez uma nota mental para lembrar de sair preparado no dia seguinte quando sentiu as gotas começaram a encharcar suas roupas. Guardou o celular de qualquer jeito na bolsa e começou a correr, não teria outro jeito.

A chuva não estava dando trégua, a cada minuto ficava mais forte, torrencial. Mal conseguia ver a sua frente já que a visão ficava embaçada com a água que escorria por sua franja e pingava direto pelos olhos. Aproveitou uma faixa de pedestres para atravessar e se meteu no meio da rua.

Um carro buzinou, quase batendo em sua perna. Gajeel sentiu um frio na espinha na mesma hora e se virou para o motorista.

—Você não ta olhando ‘pra frente, não? Quase me acertou! -disse sem parar de andar, dando com o dedo do meio para o motorista que também o xingava. — Vai se fo–

Sentiu quando a ponta do pé bateu contra do degrau da calçada e o corpo fora projetado para frente. Ali estava a resposta para a pergunta que havia feito a pouco: sempre dava para piorar. Não tinha o que fazer, só levantar a mão que segurava a sacolinha com os pães pro alto para não amassar com a queda. Primeiro o joelho bateu no chão e depois o tronco foi de encontro com o chão encharcado.

Demorou alguns segundos para raciocinar. Logo fez força para se levantar e afastar o tecido pegajoso e sujo do corpo. Algumas pessoas estavam paradas olhando-o, o que o deixou ainda mais irritado.

—Se não forem me ajudar, parem de ficar olhando! -vociferou.

—Nossa, você conseguiu tropeçar e cair no meio da rua?! -ouviu uma vozinha surgir a sua frente.

Levy Mcgarden estava ali, encarando-o com uma sobrancelha arqueada enquanto estendia um pequeno guarda–chuva acima da cabeça dos dois.

—Só pode ser brincadeira. -Gajeel caçoou- por que você ‘tá aqui?

—A minha casa fica no fim da rua. -explicou despreocupada sentindo a chuva atingi-la nas costas desprotegidas.

Gajeel olhou no fundo dos olhos castanhos da garota e sentiu um aperto no alto do estomago. Sentiu também as bochechas esquentarem, então olhou para outro lado quebrando o contato visual.

—Nós estamos parecendo dois mendigos –comentou- você com sua roupa toda rasgada e eu sujo.

Levy riu baixinho. Uma melodia que fez o garoto olha-la de canto.

—Eu posso parecer uma mendiga, mas você com todos esses piercings parece um para raio.

Gajeel abriu a boca, contrariado.

—Você tem a línguinha bem afiada, em baixinha!?

—Pra responder pessoas como você, sempre. Vem, vamos lá 'pra casa. Posso te ajudar.

Os dois caminharam juntos até o portãozinho baixo da casa amarela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.