O som da televisão estava alto, ouvindo perfeitamente os efeitos sonoros e a música do jogo de vídeo, ainda mais alto que o som da televisão eram os dois adolescentes que jogavam animadamente, tentando derrotar um ao outro, catucando-se de vez em quando, para que o outro perdesse o controlo e acabasse por perder.

- Vou ganhar, vou ganhar – começou a celebrar o garoto de cabelos escuros e corpo musculado vendo o fim do jogo chegar.

A garota, que tinha um rosto angelical e longos cabelos castanhos escuros ondulados, vendo-o distraído aproveitou para o ultrapassar no jogo, acabando por ganhar no fim.

- Yah! Como é que isto aconteceu! – Exclamou o garoto percebendo que tinha acabado de perder, contra a garota que se ria descontroladamente dele.

- Ganhei-te Oppa.

– Fizeste batota.

Ele levantou-se começando a correr atrás da garota que fugia dele.

- Umma – gritou a garota correndo até à cozinha, onde de momento estava a mãe dela, a preparar o pequeno-almoço.

Yeogin era uma mulher de aparência bastante jovem, tinha longos cabelos negros que lhe chegavam às costas, mas que de momento se encontravam presos no coque alto.

- Mihi, Chansung, vocês não acham que já têm idade suficiente para andar para aí a lutar por causa de jogos de vídeo?

Os dois pediram desculpa educadamente e Mihi mandou a língua fora para o garoto, rindo logo a seguir.

- Eu sabia que ia ganhar.

- Só ganhaste porque fizeste batota – insistiu Chansung. – Exijo a minha desforra.

- Meninos, já não chega?

Os dois olharam para trás, deparando-se com um homem alto e musculado. Mihi sorriu timidamente, enquanto Chansung, mexeu no cabelo nervosamente. Afastaram-se deixando Rain, passar. Ele dirigiu-se de imediato à mulher que acabava de preparar o pequeno-almoço.

- Feliz aniversário, meu amor – disse abraçando-a por trás.

Os dois adolescentes olharam um para o outro confusos e só depois se lembraram, os pais deles faziam naquele dia 1 ano de casados. Rain e Yeongin beijaram-se.

Yeogin pôs a comida na mesa com a Ajuda de Mihi, e todos se sentaram à mesa, prontos para comer.

Mihi olhou para o casal que se olhava carinhosamente, dando as mãos. Um ano é relativamente pouco para um casamento e provavelmente, quem não conhecesse a história daquela família, acharia estranho, ser só um ano. A verdade é que Rain não era o pai de Mihi, nem Chansung, ou Joon, como ela o chamava, era seu irmão.

Aquele era o segundo casamento da sua mãe, o primeiro, do qual Mihi nascera, não tinha sido muito feliz, os seus pais não se entendiam, e desde que ela se lembra, a única imagem que tem dos dois era os dois a discutirem por tudo e por nada. Quando Mihi tinha oito anos os seus pais decidiram divorciar-se, mas mesmo assim, ela sempre teve tanto o pai como a mãe bem presentes na sua vida.

Antes viviam em Wonju, mas Yeogin arranjou uma grande oportunidade de emprego em Seoul e durante um ano Mihi ficou a viver na casa do pai e da madrasta, com quem não tinha muita confiança. Foi, exactamente durante esse ano que Yeogin conheceu Rain e os dois namoraram até se decidirem casar.

Quando a sua mãe fora ter com ela a Wonju e lhe contara as novidades, Mihi ficou contente pela mãe o que mais queria era vê-la feliz ao lado da pessoa que ela realmente amava, mas ao mesmo tempo sentiu-se triste, afinal, ela ainda tinha esperanças que um dia os seus pais voltassem um para o outro, algo que sempre esteve muito longe de se realizar.

Mihi ainda se lembra da cerimónia como se fosse hoje, a sua mãe estava especialmente bonita naquele dia, no seu vestido de noiva, incrivelmente branco que realçava o seu corpo escultural. A própria cerimónia tinha sido magnífica, pequena e simples, mas maravilhosa. Foi apenas no dia do casamento que Mihi conheceu Rain, o seu novo pai, e Joon, o seu novo irmão. Ainda nesse mesmo dia mudou-se para a casa deles, onde a sua mãe já viva há uns meses, enquanto ela estava em Wonju com o pai biológico.

Enquanto pensava no quanto a sua vida tinha mudado, o seu olhar encontrou-se com o de Joon, que sorriu para ela. Por momentos sentiu o seu corpo arrepiar com aquele olhar de Joon. Ele era lindo, ela achava-o lindo. O olhar que ele lhe dava no momento era igual ao que ele lhe dera no dia do casamento, e pelo qual ela se apaixonara. Sim, apaixonara. Mihi estava apaixonada pelo seu irmão mais velho, secretamente. A única pessoa que sabia desta paixoneta era a sua melhor amiga, a Kyung-soon.

Mihi foi tirada dos seus devaneios pela voz de Rain que. Pensando em Rain, ela ainda não se sentia muito à vontade com ele, ele era uma espécie de versão adulta de Joon, com algumas diferenças, pois Joon herdara muito à sua mãe. Rain também era um homem muito bonito e de aparência jovem, com um olhar intenso que se adocicava sempre que via Yeogin.

- Meninos, lembram-se daquela viagem que nós vos falamos que eu e a Yeogin íamos fazer. – Os dois abanaram a cabeça lembrando-se – amanha partimos.

- Amanhã? – Mihi pronunciou-se. – E nós ficamos sozinhos?

- Durante quanto tempo? – perguntou Joon logo a seguir a Mihi.

- Durante seis semanas. – Respondeu Yeogin – Nós acabámos por não ter lua-de-mel, pois queríamos primeiro que vocês se habituassem a viver em família e se conhecessem, mas agora vocês estão de férias e já se dão o suficientemente bem para ficarem os dois sozinhos enquanto nós gozamos a nossa lua-de-mel.

- Vão amanhã a que horas?

- Saímos de casa às 5 da manhã, pelo que quando acordarem, nós já não estaremos cá.

Mihi, ficou feliz por eles. Eles ainda não tinham tido tempo nenhum, juntos, sozinhos, e agora como faziam um ano de casamento era a desculpa perfeita, mas passar seis semanas completamente sozinha com Joon, atormentava-a, não no mau sentido, deixava-a nervosa.

Assim que acabaram de comer Yeogin e Rain saíram para irem comprar o que lhes faltava para a viagem e Mhi e joon ficaram em casa a lavar a loiça.

- Não pareceste muito animada com a ideia da viagem.

- Não, é isso, é só que...eu nunca fiquei assim sem a minha mãe.

- Mas tu viveste um ano inteiro sem ela.

- Mas tinha o meu pai, agora não vou ter ninguém ao meu lado.

- Eu vou estar aqui para te proteger – disse joon pegando num pouco de espuma e pondo no nariz de Mihi.

- YAH! – gritou Mihi, pegando uma mão cheia de espuma e mandando a Joon.

Os dois começaram com uma batalha de espuma na cozinha, molhando-se todos. Ela só esperava que aquelas seis semanas fossem assim divertidas como tinham vindo a ser. Pois os dois, apesar da secreta paixoneta de Mihi, davam-se bastante bem.


Uma semana se passara e vários episódios embaraçosos ocorreram, sucessivamente, digamos que tanto Joon como Mihi já não tinham nada a esconder um do outro.

Estava um dia maravilhoso, o sol batia de frente à janela do quarto do Mihi, ela acabava de sair do banho, e vestia-se naquele momento, foi ao armário, pegou numa saia rodada, que ia desde a cintura até ao meio das coxas, com um padrão floreado e uma camisola de alças simples branca. Penteou-se e maquilhou-se subtilmente. Arrumou a cama e saiu do quarto passado pelo quarto de Joon.

Bateu à porta, mas ninguém respondeu, bateu outra vez, sem resposta…decidiu abrir a porta e entrar. Não viu ninguém, chamou-o e nesse mesmo momento a porta que dava até à casa-de-banho privada do quarto abriu-se, saindo Joon só com uma toalha à volta da cintura.

Mihi olhou para ele desconcertada, aquele corpo musculado, os abdominais definidos, os braços, tudo dava com ela em doida, vê-lo molhado, com algumas gotas a escorrer pelo corpo dele e desaparecerem por dentro da toalha pior ainda. Voltou a si.

- Yah! Oppa! Veste alguma coisa. – disse antes de sair porta fora com o rosto totalmente vermelho, o que fez joon rir.

Aquilo vinha a acontecer frequentemente ultimamente, mas pelo menos, desta vez a toalha não caíra ou não o apanhara na altura em que ele saia do duche, completamente nu.

Joon abriu a porta do quarto, chamando Mihi.

- Querias dizer-me alguma coisa?

- Ah? Ah! Sim, a Kyung-soon, vem cá ter comigo, há algum problema?

- Não, não há, ela que venha à vontade.

Nesse momento a campainha tocou.

- Deve ser ela.

Joon entrou no quarto para se vestir e Mihi desceu as escadas rapidamente indo abrir a porta à amiga e desabafar com ela.

Mhi pegou em Kyung-soon pela mão e arrastou-a escadas acima para o seu quarto. Assim que entraram no quarto, Mihi fechou a porta, encostando-se nela enquanto Kyung-soon pousava a carteira na cama e sentava-se.

- Aconteceu outra vez? – perguntou Kyung-soon, já sabendo o porquê daquele estado da melhor amiga. Mihi suspirou – já sabia. – Riu-se escandalosamente.

Mihi correu até ela tapando-lhe a boca.

- Shiu, faz pouco barulho ou ele ouve-nos. – Kyung-soon controlou-se rindo-se baixinho. Mihi suspirou outra vez e sentou-se ao lado da amiga — Mas desta vez não foi de longe, ele estava mesmo à minha frente.

- Nu?

- Sim. Não. ele tinha uma toalha a tapar as partes de baixo.

- Ah! Sortuda, tu sabes que maior parte das raparigas da escola dariam a vida para ver o Lee Joon nesses preparos, eu própria dava. – Riu-se.

- Mas ele é meu irmão.

- Tecnicamente vocês não são irmãos, sabes! Não têm o mesmo sangue, a única coisa que vos liga é o casamento dos vossos pais e para mais tu estás completamente apaixonada por ele.

Mihi deitou-se na cama fechando os olhos e respirando fundo. Kyung-soon viu ali a sua oportunidade para provocar a amiga.

- Imagina agora o Joon entrar por aquela porta só de toalha, tirar a toalha mesmo à tua frente e pôr-se sobre ti, beijando-te.

- Yah! Não me faças pensar nessas coisas.

Mihi sentou-se na cama apressadamente o que fez Kyung-soon rir-se, Mihi também se começou a rir.

Do outro lado da parede, na divisão colada ao quarto de Mihi, era o quarto de Joon. E dali ele conseguia ouvir tudo o que se passava do outro lado, tudo o que elas estavam a falar naquele momento, ele sabia.

Ele já sabia dos sentimentos de Mihi por ele há algum tempo, e ele compartilhava dos mesmos sentimentos, exactamente desde a primeira vez que a vira. Ele pretendia dizer-lhe o que sentia, mas estava à espera pela oportunidade certa e daquela noite não passaria. Afinal eles já só tinham cinco semanas até os pais voltarem. Caso as coisas dessem certo, eles aproveitariam bem aquele tempo, caso desse tudo errado, então nesse caso cinco semanas talvez fosse suficiente para ultrapassar o sucedido e depois voltarem a dar-se como se nada tivesse passado.


A noite chegou rapidamente, depois de jantarem, Joon foi para a sala escolher um filme para os dois verem, Já Mihi foi ao quarto vestir um pijama, quando voltou para baixo, Joon já tinha escolhido o filme e estava à espera dela sentado no sofá, observou-a descer as escadas com o seu pijama, os calções, vermelhos com bolinhas brancas eram demasiado curtos e tentadores, e a camisola de alças finas branca com o desenho de um bonequinho no meio, dava-lhe um ar um quanto infantil e fofo.

Joon, que vestia uma camisola de alças branca e umas sweatpants cinzentas, pegou numa manta, chamou Mihi para se sentar ao lado dele e tapou os dois com a manta. Joon pegou nas pipocas e colocou-as entre as pernas dos dois para ambos poderem comer.

Durante o meio do filme Joon, cansado de estar sentado no sofá, deitou-se colocando a cabeça sobre as pertas de Mihi, o coração dela batia forte e descompassadamente, fazendo com que a sua respiração fosse pesada e ela tivesse que respirar fundo várias vezes, provocando estranheza em Joon, e ainda por cima o filme era sobre dois meios-irmãos que se apaixonaram. Toda aquela situação não ajudava em nada o pobre coraçãozinho de Mihi.

Felizmente o filme acabou e os dois acabaram por jogar jogos de vídeo, Joon ainda andava à procura da sua desforra. Mihi acabou por voltar a ganhar.

- GANHEI! GANHEI! GANHEI! Sou melhor do que tu – ria-se Mihi saltando sobre o sofá, apontando para ele.

Joon chateado por ter perdido, uma vez mais, pôs-se em cima do sofá.

- Yah! Estás a fazer batota. – Disse agarrando os braços dela olhando-a nos olhos.

- Não estou não, oppa.

- Estás sim.

- Não estou não.

- Estás sim.

- Não estou.

- Então prova-o.

Mihi olhou confusa para o moreno que a olhava provocantemente.

- Como é que queres que te prove isso?

Joon pareceu pensar por momentos. Aquela poderia vir a ser uma oportunidade para finalmente conseguir o que tanto queria.

Um sorriso maroto apareceu nos lábios dele, o que fez Mihi recear por momentos.

- Beija-me – Mihi ficou boquiaberta – se me beijares é porque não estás a fazer batota…mas…se não o fizeres vou-te considerar batoteira.

Mihi olhava boquiaberta para Joon e com os olhos bem abertos, confusa perante tal pedido. O coração dela começava a bater depressa. Os lábios dele sobre os dela, a língua…

- Eu não te vou beijar. – Disse sentando-se cruzando os braços sobre o peito.

- Então andaste a fazer batota. – Joon ajoelhou-se no sofá.

Mihi sabia perfeitamente que Joon sabia que ela não tinha feito batota, ele tinha que aprender que, simplesmente, ela era melhor do que ele naquele jogo, não havia nada a fazer. Tudo o que ele fazia era para a provocar, e estava a conseguir.

- Então vais beijar-me ou não?

Se ela não provasse que não estava a fazer batota ele depois passaria os dias todos a esfregar-lhe isso na cara. Aliás, era só um beijo, o beijo que ela sempre quis, com que ela sonhava todas as noites. Que impasse.

- Estou à espera de uma resposta.

- É só um beijo, não é?

- Hu-hum, nos lábios.

- Queres assim tanto que eu te beije?

- Quero que me proves que não andas a fazer batota.

- Eu não and…

- Então beija-me.

Joon aproximava-se cada vez mais de Mihi à medida que falava, os corpos cada vez mais próximos, os lábios mais próximos, ela já conseguia sentir a sua respiração contra o seu rosto.

Mihi respirou fundo e num abrir e fechar de olhos colou os seus lábios aos de Joon, afastando-se logo a seguir.

- Pronto, já está, já provei que não fiz batota nenhuma.

- Para mim não ficou nada provado, afinal isso nem um beijo em condições foi. Anda cá – Mihi aproximou-se cautelosamente de Joon, e este colocou a mão sobre o seu rosto, segurando-a ali – se queres provar a tua inocência faz assim…

Joon juntou os lábios delicadamente, puxando-a para mais perto dele, afastou um pouco os lábios e com a língua tocou nos lábios de Mihi pedindo passagem que lhe foi concedida. Joon começou a tocar na língua de Mihi com a sua, sentindo-a retraída e tensa em seus braços, mordeu-lhe o lábio inferior.

- Anda beija-me e prova-me que eu estou enganado.

Mihi mantinha os olhos fechados, a pele arrepiada, o coração a bater a mil, as palavras de Joon sussurradas contra os seus lábios estavam a dar cabo dela.

- Beija-me… – disse Joon. “…e prova que me amas tanto quanto eu te amo a ti” pensou para si próprio.

Os lábios de Mihi começaram a mover-se contra os dele, as línguas tocaram-se e começaram a dançar juntas. Aquele era a melhor das sensações que Mihi alguma vez sentira, arrepios percorriam o seu corpo, o seu coração batia fortemente, pedindo mais, mais contacto. Os braços fortes e nus à volta da sua cintura, faziam com que ela nunca mais quisesse sair do seu abraço.

Delicadamente, para que ela não se afastasse começou a acariciar a sua cintura, depois percorreu com as mãos as suas costas, parando uma mão na cabeça dela, entrelaçando os dedos nos cabelos ondulados dela. Puxou-a para o seu colo.

- Eu amo-te – declarou-se joon parando o beijo.

- O quê? – Mihi estava confusa. – Tu amas-me?

- E tu também me amas, eu sei que sim, eu ouvi todas as tuas conversas com a Kyung-soon, eu ouvia a tua respiração pesada todas as noites quando sonhavas comigo. Eu ouvia os teus gemidos abafados pela almofada sempre que nos imaginavas juntos. Eu amo-te desde o dia do casamento.

- Mas nós somos irmãos.

- É isso que te impede de me dizeres que realmente sentes por mim? Nós não somos irmãos, nós não temos o mesmo sangue, os nossos pais é que se decidiram casar, se não fosse isso não haveria nada, mas nada, a ligar-nos, excepto o nosso amor.

- oppa – sussurrou.

Mihi beijou-o suavemente e com os olhos quase lacrimejando disse:

- Eu também te amo.

Nesse momento Joon beijou-a, agarrou as suas pernas, Mihi rapidamente as entrelaçou à volta da sua cintura, e pegou-a ao colo levando-a escadas acima para o seu quarto.

Naquele momento os dois não conseguiam pensar em mais nada, sem ser estar nos braços um do outro. Há quanto tempo ambos queriam aquilo mesmo, pertencer um ao outro, sem pensaram em mais nada, apenas neles, sem pensar se eram ou não meios-irmãos.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e por favor me dêem as vossas opiniões.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!