Notas iniciais
Espero que gostem!

Asle acordou antes do sol nascer, arrumou a cama para ocupar o tempo e foi se arrumar para o trabalho. Seu uniforme era igual ao dos outros guardas do castelo, azul escuro, com fivelas pratas, alguns detalhes em púrpura e branco representado as cores de Arendelle e botas pretas bem engraxadas. Asle já era um rapaz inquestionavelmente bonito, com aquela farda parecia ainda melhor e isso era notado pelas pessoas que trabalhavam no castelo, que observavam a passagem do rapaz até a cozinha, onde tomaria seu café da manhã e até o gabinete de Elsa, onde começaria seu trabalho. Sua presença causava um frisson, era possível ouvir os cochichos por todo castelo, uns admiravam sua beleza, seu porte e seu poder, outros desconfiavam ou temiam tudo isso e tinha ainda os que demonstravam inveja.

As 7 horas da manhã em ponto, Asle estava no gabinete da Rainha, o local estava destrancado e ele bateu na porta pedindo passagem, porém não foi respondido, esperou alguns minutos e resolveu entrar se deparando com um ambiente completamente vazio, decidiu aguarda lá dentro, mas ainda de pé com a postura que se espera de um oficial, porém havia se passado meia hora e nada da Rainha aparecer.

— Onde essa mulher se meteu? — questionou ao vento, com toda a impaciência peculiar ainda maior.

Resolveu se sentar em uma poltrona no canto do cômodo. Se passaram mais meia hora e Asle acabou adormecendo.

— Aqui não é lugar de dormir, oficial. — a voz de Elsa despertou Asle que levantou visivelmente irritado.

— Perdão, mas Vossa Majestade está mais de uma hora atrasada. — respondeu fazendo o máximo de esforço para não demonstrar toda sua raiva.

— Além de impaciente você tem uma péssima memória. — a voz de Elsa era fria, mas ainda assim refletia uma provocação.

— Como? — parecia cada vez mais difícil conter sua raiva.

— Eu já falei que não precisa me chamar de Vossa Majestade e que rainhas nunca se atrasam.

Elsa deu um passo automático para trás após concluir sua fala e perceber que os olhos de Asle estavam literalmente em chamas.

— Seus olhos. — Elsa tentou soar o mais firme possível.

— Perdão. — Asle fechou os olhos respirando fundo antes de abri-los novamente sem as chamas. — É só que você tem o poder de me tirar do sério.

Elsa riu abertamente, se sentou diante de sua mesa de trabalho e ainda com um sorriso largo nos lábios fitou o rapaz que apertava os dedos contra as palmas das mãos tentando se controlar.

— Eu tenho o poder de te irritar... interessante. — não existia mais frieza na voz de Elsa apenas provocação.

Os olhos de Asle voltaram a flamejar e sem pensar se inclinou sobre a mesa da Rainha a olhando de cima.

— Eu me lembro bem que você é A Rainha, mas não tem o direito de me deixar esperando uma hora e ainda zombar de mim. — Elsa estava morrendo de medo de sua reação, porém nunca iria admitir.

— É mesmo? E você vai fazer o que se eu continuar? — a loira arqueou uma sobrancelha e se inclinou para Asle sustentando seu olhar.

Ambos estavam irritados, com os rostos próximos e com os olhos cravados um no outro. A sala começou a se tornar mais fria e camadas de gelo se formavam ao redor de Asle, ao mesmo tempo que elas iam derretendo com o calor que emanava do rapaz. Só que ele estava perdendo, pois as camadas cresciam mais rápido do que ele conseguia conter.

— Você pode ser poderoso, mas eu sou mais. — a arrogância de Elsa era o que faltava para Asle perde a paciência de vez.

O corpo de Asle se tornou fogo vivo, incinerando toda sua roupa e Elsa não pensou duas vezes antes de cobri-lo com uma avalanche de neve, que o fez cair completamente coberto por neve no chão. A neve que cobria a parte superior do corpo de Asle começou a derreter e Elsa se preparou para soterrá-lo novamente.

— Eu desisto, você venceu. — falou rápido, antes que Elsa tomasse qualquer atitude.

Asle sabia que tinha condições de continuar aquela briga, mas também sabia que tinha muitas chances de perde, além daquela briga não ter sentido algum.

— Me perdoe, Majestade. Eu por vezes me exalto demais e convenhamos que você não facilitou.

— Talvez eu tenha sido infantil. — respondeu contornando a mesa para chegar mais perto de Asle, mas se conteve a dois passos de distâncias ao perceber o torço nu do rapaz e corar violentamente.

Asle sorriu travesso ao perceber o constrangimento da Rainha ao vê-lo naquele estado e Elsa por sua vez desviou o olhar rapidamente tentando voltar a sua cor normal.

— De qualquer forma, me perdoe pelas provocações. E espero que não tenhamos mais brigas como essa. — continuou Elsa sem olhar para Asle, mesmo muito tentada a fazê-lo.

— Eu prometo não perde a paciência e terei mais controle sobre minhas ações. Afinal, não quero fazer com que a Rainha passe por mais situações onde fique tentada a espiar meu peito nu. — Elsa voltou seu olhar para Asle furiosa e e ele apenas sorriu do seu jeito provocador.

— Não irei responder a altura sua provocação, porque sei que o real motivo para querer evitar brigas e o medo de perder.

Os olhos de Asle flamejaram, se tinha algo que ele odiava era que o chamassem ou insinuassem que era um covarde. O gelo que cobria a parte inferior do seu corpo começou a derreter, mas antes que ele mostrasse mais do que devia Elsa o sinalizou.

— Controle-se.

— Então não me provoque. — revidou mais calmo.

— Foi você quem começou.

— Não vamos brigar.

— Você está certo. Tome isso. — falou criando uma manta de fractais.

— O que é isso? — questionou admirado esticando a mão para pegar o objeto.

— Uma manta para você usar até o seu quarto e por um novo uniforme. Só tente não derreter a manta, ela é feita de gelo e nenhuma das minhas criadas precisa passar pelo constrangimento de vê-lo nu.

— Garanto que elas iam gostar.

Elsa se surpreendia cada vez mais com o descaramento e o jeito insolente de Asle.

— É só uma brincadeira, Majestade. — se consertou, cobrindo-se com a manta para levantar.

— E você é cheio delas, mas isso é assunto para depois. Vá se vestir e esteja aqui em uma hora. Eu prometo que estarei aqui.

— Isso seria ótimo. — Asle respondeu ainda sorrindo, mas sem a provocação anterior.

Elsa sorriu consigo mesma assim que ele saiu, ela podia se acostumar com seu sorriso, mesmo com ele a tirando do sério, a Rainha começava a gostar da sua presença e principalmente de irritá-lo.

— O que significa aquilo? — Anna entrou pela sala como um raio.

— Aquilo o que? — Elsa rebateu assusta com o surgimento da irmã.

— O seu guarda pessoal saindo daqui coberto por uma manta de gelo.

— Ah, sim. Digamos que ele precisava muito dela.

— Por que?

— Porque ele não podia sair nu por aí.

— Nu? — o olhar de Anna sobre a irmã era cheio insinuações.

— Não pense besteiras, Anna! — a mais velha recriminou corada.

— Como você quer que eu não pense besteiras com aquele Apolo, completamente sem roupa, saindo da sua sala, onde vocês estavam sozinhos?

— Anna! — o rosto de Elsa já se comparava aos cabelos da irmã.

— Você acha que eu não percebi como ele é lindo? Eu sou uma mulher casada não cega.

— Anna, por favor. Tudo não passou de um acidente.

— Que tipo de acidente? — questionou desconfiada.

— Nós discutimos e ele ficou em chamas.

— Pelo corpo todo? — Anna estava perplexa.

— Sim, só foi isso. Pare de fantasiar.

— Como assim só isso? Por que brigaram?

— Aparentemente nos temos o a incrível capacidade de tirar um ao outro do sério.

— Interessante. — Anna voltou a insinuar

— Anna, por favor! Me deixe trabalhar.

— Tudo bem, mas nossa conversa não acaba aqui.