Notas iniciais
Espero que gostem!

Finalmente havia chegado a hora do barco de Julian e seu amigo impaciente ser vistoriado.O modesto barco balançou devagar até o cais, os guardas agiram rápido pedindo os documentos de identificação e referências. Asle foi o primeiro a entregar sua carta de referência assinada pela própria princesa Rapunzel de Corona, se apresentou de forma breve, recuperou sua carta e pulou do barco deixando Julian para trás, ansioso para explorar aquele novo reino que lhe inspirava um interesse particular, uma vontade de conhecer e sentir maior do que em qualquer reino onde já esteve, surgiu em seu peito ao desembarca.

Os olhos de Asle vagavam pelas ruas encantado com tudo o que via, estátuas de gelo e um ringue de patinação perfeitos e intactos mesmo de baixo do sol brilhante, Asle se sentiu brevemente assustado ao perceber isso. O quão grande seria o poder dessa mulher? Como seu poder conseguia sustentar as estátuas ali, mesmo sem a Rainha por perto? O reino parecia ser uma extensão de Elsa, como se ele respondesse as reações do seu corpo, Asle não tinha ideia de como isso podia ser possível, nunca estivera preso a lugar algum nem mesmo ao reino onde nascera.

— Isso é fantástico! — exclamou o rapaz admirado.

— Falando sozinho, apressadinho? — Julian questionou ao se aproximar do amigo.

— Reparou como esse lugar é espantoso? O gelo não derrete mesmo de baixo do sol.

— Realmente fascinante. Como a Rainha deve ser pessoalmente? Ouvi diversos rumores um tanto divergentes, uns dizem que ela é uma bruxa fria e aterrorizante, outros dizem que é reservada e só é alegre e espontânea com a irmã, e alguns dizem também que ela é linda como uma deusa.

— É possível que tiremos nossas próprias conclusões, ouvi dizer que daqui a um mês haverá uma festa onde a Rainha estará entre o povo, parece que o nome da festa é "O dia em que abriram os portões". — Asle pronunciou o nome da festa de forma zombeteira.

— Realmente não é um bom nome para uma festa. — Julian concordou rindo.

Os amigos começaram a andar pelo reino entusiasmados com tudo, Arendelle era um lugar maravilhoso e acolhedor, o povo alegre era contagiante, era impossível não sorri conhecendo o reino da Rainha do Gelo.

No meio da rua de pedras, um vendedor de gelo puxava seu trenó com mais blocos de gelo que o trenó e o homem de aparência cansada podiam suporta. As pedras de gelo grandes e duras, balançavam ao movimento do trenó de forma perigosa. Algumas crianças brincavam pela rua correndo uma atrás da outra, sorrindo e gritando, Asle as observava atentamente enquanto sorria lembrando de sua infância e de seu irmão.

Uma das crianças provocava a menor delas, dizendo que ela não conseguia pegar ninguém no jogo de pique pega, a criança menor determinada correu o mais rápido que pode e empurrou a provocadora, essa tropeçou para trás esbarando no trenó que carregava gelo, um dos blocos congelados escorregou para fora do trenó pronto para cair sobre a criança, mas antes que o pior acontecesse uma rajada de fogo derreteu a pedra, fazendo apenas com que uma água morna caísse sobre a criança, provocando o riso da criança menor e o olhar de espanto das demais.

— Asle! — Julian exclamou claramente preocupado com a demonstração de poder do amigo.

— O que você queria que eu fizesse, Julian? Ele ia se machucar.

— Você! Como fez isso? Que mágica é essa? — um dos guardas que passava junto a um grupo de oficiais gritou assombrado.

— Me diz você! Vocês não tem uma rainha que faz coisas sobrenaturais também? — Asle rebateu em seu tom tipicamente debochado.

— Insolente! Você está detido! E será levado agora mesmo a nossa Majestade Real! — esbravejou outro oficial.

Asle estava prestes a responder de forma irônica, mas Julian tocou seu ombro lhe lançando um olhar que dizia para não piorar a situação.

— Você também virar conosco! — informou o oficial apontando para Julian.

— Mas ele não fez nada! — rebateu Asle pronto para briga.

— Sem problema algum. Eu irei de bom grado. — emendou Julian de forma rápida e cordial.

Asle estava indignado por ter sido tratado como um criminoso, sendo que a única coisa que fizera tinha sido salvar uma criança. Porém, ele sabia que isso podia acontecer, não era a primeira vez que seus poderes tinham sido descobertos e da última vez haviam sido ainda menos cordiais com ele.

Durante a caminhada até a sala do trono, Asle continuou a observa o reino e já dentro no pátio do castelo se tornou ainda mais atento, ele prestava atenção em cada detalhe, dos tijolos cinzentos que compunha as paredes, as bandeiras bordadas com as silhuetas das Altezas Reais, dentro do castelo ele observou as características comuns aos castelos dos reinos da região do mundo onde se localizava Arendelle, a diferença era que esse castelo parecia ser mais frio e sóbrio, porém não de forma triste como a descrição pode induzir, apenas um frio e sóbrio diferente, até mesmo reconfortante. Outro detalhe que Asle não deixou passar, foram os quadros dos integrantes da família real, ele observou principalmente o quadro que retratava a atual soberana, aparentemente os boatos sobre sua beleza não eram apenas boatos, mas os retratos podiam mentir.

Um dos guardas que acompanhavam Asle e Julian correu na frente e entrou pelas grandes portas ao final do corredor, que Asle deduziu ser a sala do trono. Os oficiais permaneceram parados com os rapazes por um tempo até que suas entradas fossem autorizadas.

Ao abrir as portas e adentrarem, Asle teve a prova de que os retratos podem mentir, ao seu ver a Rainha era muito mais bela do que como foi representada, ele podia ariscar a dizer naquele momento que nunca tinha visto uma mulher tão linda quanto aquela.

— Rainha Elsa, esses são Asle e Julian. — um oficial informal.

— E qual deles realizou tão inesperada ação? — o tom de Elsa causou uma antipatia instantânea em Asle, apesar de todo seu encantamento com a beleza da Rainha, seu jeito provocou uma sensação diferente de tudo o que ele conhecia.

— Eu, Vossa Majestade. Asle de Zandara. — falou de maneira firme.

Os olhos de Elsa se focaram melhor no rapaz que derretera um bloco de gelo em segundos. A Rainha nunca tinha visto alguém como ele, sua beleza era diferente de tudo o que ela estava acostumada e de alguma forma era maior também. Por alguns segundos sua postura rígida vacilou diante da surpresa, mas logo Elsa reassumiu o controle das suas ações.

— Zandara? Esse nome não me é estranho. — Elsa comentou consigo mesma.

— É um reino muito distante daqui, Vossa Majestade. — respondeu Asle.

— Claro! Um reino para além dos grandes desertos, estou correta?

— Exatamente. Vossa Graça esta certíssima como provavelmente sempre deve ser. — a ironia causada pela antipatia era nítida na voz de Asle e isso conseguiu provocar uma antipatia reciproca em Elsa.

— Correto. Sempre estou certa senhor Asle, afinal, sendo a governante de um reino como Arendelle não há espaço para falhas. E eu sou capaz de qualquer coisa para defender meu reino. — o tom de Elsa era absolutamente ameaçador e apesar de Asle controlar um dos elementos mais destruidores do mundo, ele não sabia do que Elsa era capaz e a temperatura que caia a cada segundo o assustava mesmo que ele nunca admitisse.

— Vossa Majestade, se me permite eu quero deixar claro que nós não temos nenhuma pretensão de ameaçar seu reino, muito pelo contrario, nós gostaríamos apenas de conhecê-lo melhor e talvez até arruma um emprego. — Julian interviu utilizando-se de sua natureza diplomática.

— O senhor é quem mesmo?

— Julian das Ilhas do Norte, Vossa Majestade. — Elsa torceu o nariz automaticamente ao escutar a origem de Julian, ela sabia que não se tratava do mesmo lugar, mas o último ilhéu que havia conhecido não tinha sido uma boa experiência.

— Os senhores gostariam de conhecer o reino e talvez arruma um emprego? E que tipo de atividade os senhores realizam? — a Rainha questionou já trabalhando uma ideia em sua mente.

— Nós atuamos juntos na Guarda Real de Corona. Somos soldados, mas poderíamos exercer qualquer função que nos desse.

— Qualquer? — questionou Asle insatisfeito com a fala do amigo.

— Sim, qualquer. — respondeu Julian rapidamente recriminando o amigo com o olhar.

— Ótimo! Seu amigo foi um herói salvando a vida daquela criança e o senhor parece ser um homem muito educado e prestativo, dessa forma os senhores conseguiram um emprego. — Elsa informou de forma mais suave até mesmo com uma certa simpatia, surpreendendo todos os presentes.

— Conseguimos? — Asle soou desconfiado.

— Absolutamente. O senhor Julian tem alguma experiencia com caça?

— Sim, Vossa Majestade. O meu pai era um caçador, aprendi a caçar com ele em meu reino.

— Perfeito! O senhor será integrado a guarda responsável pelo campo, nossos camponeses reclamaram muito sobre o perigo que os animais selvagens e alguns ladrões traziam ao trabalho no campo, dessa forma criei uma guarda para protegê-los e o senhor fará parte da guarda a parti de agora.

— Fico muito honrado.

— E o senhor Asle será meu guarda pessoal. — Elsa falou com estrema naturalidade.

— O que? — Asle não escondeu o espanto.

— Alguma objeção?

Era evidente que Elsa tinha algo em mente e mesmo que Asle quisesse muito gritar que sim, que ele tinha todas as objeções possíveis, ele sabia que não podia fazer isso.

— Não.

— Ótimo! Enquanto vocês são integrados a suas novas funções, eu mandarei que verifiquem suas estadias em Corona, só por precaução, para garantir que não haja nada de errado.

— E se tiver? — Asle provocou.

— Vocês terão outra reunião comigo e posso adiantar que não será muito agradável. — respondeu com um sorriso cruel nos lábios.

— Garanto que não haverá nada de errado. — respondeu Julian.

— Assim espero. Por enquanto estão dispensados, Gerda minha governanta irá acomodar vocês e suprir suas necessidades. Agora se me dão licença, preciso tratar de outros assuntos.

Notas finais
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